9 de outubro de 2015

Capítulo 6 - Zoey

Todos nós nos amontoamos em volta do iPad de Damien. Ele clicou no “Play” e o vídeo da Fox23 começou. A parte de baixo da tela trazia a legenda: CAOS NA HOUSE OF NIGHT DE TULSA? Então a tela foi preenchida por Neferet e um monte de caras de terno. Ela estava em pé em algum lugar realmente bonito, cheio de mármore e art déco. Senti que eu quase reconhecia aquele lugar. A voz de Chera Kimiko estava falando em off.
— Vampiros e violência? Você ficaria surpreso com quem está afirmando isso. A Fox23 traz uma reportagem exclusiva esta noite com uma ex-Alta Sacerdotisa da House of Night de Tulsa.
Um comercial idiota começou e, enquanto Damien tentava adiantá-lo, eu disse:
— Pela imagem parece que ela está em algum lugar no centro da cidade.
— É o lobby do edifício Mayo — Aphrodite falou de forma lacônica. — É aquele na frente dela é o meu pai.
— Aiminhadeusa! — os olhos de Stevie Rae ficaram gigantes e redondos. — Ela está dando uma entrevista coletiva junto com o prefeito?
— E com alguns vereadores. São os outros caras de terno que estão com ela — Aphrodite explicou.
Então o vídeo começou e todos nós ficamos calados e assistindo embasbacados.
— Eu estou aqui para romper meus laços oficial e publicamente com a House of Night de Tulsa e o Conselho Supremo dos Vampiros — de algum modo, Neferet conseguia parecer régia e vítima ao mesmo tempo.
— Ela é tão cheia de merda — Aphrodite comentou.
— Shhh! — todos nós fizemos para ela, pedindo silêncio.
— Alta Sacerdotisa Neferet, por que a senhora cortaria os laços com o seu povo? — perguntou um dos repórteres.
— Nós não podemos ser considerados um só povo? Não somos todos seres inteligentes com a capacidade de amar e entender uns aos outros? — aparentemente, ela estava falando de modo retórico, pois não esperou por uma resposta. — As políticas dos vampiros se tornaram desagradáveis para mim. Muitos de vocês sabem que recentemente eu abri vagas de trabalho na House of Night para a comunidade de Tulsa. Fiz isso por causa da minha convicção de que humanos e vampiros podem fazer mais do que apenas coexistir de modo constrangido. Nós podemos viver e trabalhar juntos, e até amar.
Stevie Rae fez barulho de vômito. Eu fiquei balançando a cabeça de um lado para o outro, sem acreditar no que ouvia.
— Eu recebi tanta resistência que o Conselho Supremo dos Vampiros enviou para Tulsa a sua Alta Sacerdotisa da Morte, Thanatos, para intervir. A atual administração dos vampiros promove violência e segregação. Apenas olhem para os últimos seis meses e o recorde de violência cada vez maior no centro de Tulsa. Vocês realmente acreditam que todos os ataques, principalmente aqueles envolvendo derramamento de sangue, têm relação com gangues humanas?
— Alta Sacerdotisa, a senhora está admitindo que vampiros atacaram humanos em Tulsa?
Neferet levou sua mão até o pescoço dramaticamente.
— Se eu soubesse disso com cem por cento de certeza, teria ido até a polícia imediatamente. Eu só tenho suspeitas e preocupações. Eu também tenho uma consciência, e é por isso que eu saí da House of Night — ela deu um sorriso radiante. — Por favor, vocês não precisam mais me chamar de Alta Sacerdotisa. De agora em diante, eu sou simplesmente Neferet.
Mesmo pelo vídeo, pude perceber que o repórter ficou vermelho e sorriu para ela.
— Há rumores sobre um novo tipo de vampiro, com Marcas vermelhas. A senhora pode confirmar esses rumores? — perguntou outro repórter.
— Infelizmente, eu posso. Há, de fato, um novo tipo de vampiros e novatos. Aqueles Marcados em vermelho são deteriorados de certa forma.
— Deteriorados? A senhora pode nos dar um exemplo?
— Certamente. O primeiro que me vem à cabeça é James Stark, um novato que veio de Chicago depois de acidentalmente causar a morte do seu mentor. Ele se tornou o primeiro guerreiro vampiro vermelho.
Eu ofeguei.
— Aquela vaca está falando do seu namorado! — Aphrodite disse.
— E agora na noite passada Dragon Lankford, Mestre da Espada da escola há muito tempo, foi assassinado. Espetado pelos chifres de um touro até a morte. Lankford estava na companhia de James Stark quando aconteceu o “acidente” — ela enfatizou a palavra, para deixar claro que não acreditava que havia sido um acidente.
— A senhora está querendo dizer que esse vampiro Stark é perigoso?
— Temo que ele possa ser. Na verdade, muitos dos novos vampiros e novatos podem ser perigosos. Afinal de contas, a nova Alta Sacerdotisa da House of Night de Tulsa é a Morte.
— A senhora pode nos dar mais detalhes sobre...
Um dos homens de terno deu um passo à frente, cortando Neferet.
— Eu, mais do que todos, estou muito preocupado com esses acontecimentos na comunidade dos vampiros. Como muitos de vocês sabem, minha amada filha, Aphrodite, foi Marcada há quase quatro anos. Eu entendo muito bem que os vampiros não gostem que os humanos se intrometam nos seus assuntos pessoais, políticos e criminais. Há muito tempo eles tomam conta de si mesmos. Mas quero declarar a vocês e à nossa House of Night local que, por resolução da Câmara dos Vereadores de Tulsa, nós vamos criar uma comissão para examinar as relações entre vampiros e humanos. Infelizmente, acabou o tempo que temos para perguntas por hoje — o homem que havia falado no microfone de Neferet era o pai de Aphrodite, prefeito de Tulsa. — Tenho apenas mais um breve anúncio para fazer. Começando imediatamente, Neferet foi admitida como membro da comissão da Câmara dos Vereadores sob o título de Agente de Ligação com os Vampiros. Deixem-me reiterar, Tulsa pretende se associar a vampiros que desejam viver em paz com os humanos.
Quando todos os repórteres começaram a falar ao mesmo tempo, ele levantou a mão e sorriu com certo ar de superioridade (que estranhamente lembrou Aphrodite).
— Neferet vai ter uma coluna semanal no caderno Scene do jornal Tulsa World. Por enquanto, esse vai ser o fórum através do qual ela vai responder a todas as suas perguntas. Lembrem-se de que agora estamos apenas no começo de uma parceria. Precisamos caminhar devagar e gentilmente para não perturbar o delicado equilíbrio das relações entre vampiros e humanos.
Eu estava observando o rosto de Neferet em vez de olhar para o prefeito, e vi o jeito com que os olhos dela se estreitaram e a sua expressão se endureceu. Então o prefeito LaFont acenou para a câmera e a imagem voltou para Chera Kimiko no estúdio. Damien tocou no iPad, e a tela se apagou.
— Ah, que merda! Meu pai perdeu o resto de juízo perfeito que ainda restava depois de conviver com a minha mãe — Aphrodite afirmou.
— Ei, acho que ouvi alguém falar o meu nome — Stark entrou na cozinha, passando os dedos pela sua cabeça descabelada e dando pra mim aquele seu meio sorriso sexy e metidinho.
— Neferet acabou de dar uma coletiva de imprensa e de dizer a todos que você é um assassino perigoso — eu me escutei contando a ele.
— Ela fez o quê? — ele pareceu tão chocado quanto eu me sentia.
— É, e ela fez mais do que isso — Aphrodite continuou. — Ela se juntou ao meu pai e agora toda a cidade acredita que ela é toda boazinha e que nós somos todos sugadores de sangue.
— Ahn, o plantão de notícias é por nossa conta, Aphrodite — Stevie Rae a corrigiu. — Você não é mais uma sugadora de sangue.
— Ah, por favor. Como se os meus pais soubessem alguma coisa da minha vida. Não falo com nenhum dos dois há meses. Só sou a filha deles quando isso é conveniente para eles. Como agora.
— Se isso não fosse tão assustador, seria engraçado — Shaylin comentou.
— Neferet está fazendo com que pareça que ela rompeu com o Conselho Supremo e com a escola, e não que ela foi expulsa por matar a minha mãe — eu expliquei para Stark.
— Ela não pode fazer isso — Stark reagiu. — O Conselho Supremo dos Vampiros não vai deixar que ela faça isso.
— Meu pai está amando tudo isso — Aphrodite disse. Reparei que ela tinha deixado o champanhe de lado e que agora estava enchendo a taça apenas com suco de laranja. — Há anos ele quer descobrir como se aproximar dos vampiros. Depois que eles me esqueceram porque não me transformei em um clone da minha mãe, eles na verdade ficaram felizes quando fui Marcada.
Fiquei observando Aphrodite e lembrando do dia que agora parecia tão distante, em que eu havia escutado os pais dela a repreendendo por ela ter perdido a liderança das Filhas das Trevas para mim. Agora, Aphrodite parecia a rainha do gelo de sempre, mas na minha lembrança eu ainda conseguia ouvir o som da mão da mãe dela dando uma bofetada no seu rosto e podia ver as lágrimas que ela teve que represar. Não deve ter sido fácil para ela ouvir o seu pai a chamar de “filha amada” quando a verdade era que tudo o que ele sempre quis foi usá-la.
— Por quê? O que os seus pais querem com os vampiros? — Stevie Rae perguntou.
— Ter acesso a mais dinheiro... mais poder... mais beleza. Em outras palavras, ser parte da turma legal. Isso é tudo o que eles sempre quiseram: ser bacanas e poderosos. Eles usam quem quer que seja para conseguir o que querem, incluindo a mim e, obviamente, Neferet — Aphrodite explicou, ecoando estranhamente o que eu estava pensando.
— Neferet não é o caminho para eles conseguirem nada disso — eu afirmei.
— Fala sério, Z., ela é mais louca que galinha agarrada pelo rabo — Stevie Rae falou.
— Bem, seja o que for que isso signifique, sim, mas não é só isso. Mais alguém reparou no olhar de Neferet quando o pai de Aphrodite estava falando? Ela definitivamente não gostou nada de como as coisas terminaram — eu disse.
— Uma comissão, uma coluna no jornal e “caminhar devagar e gentilmente” não parece algo em que a Consorte das Trevas estaria particularmente interessada — Damien concordou.
— E realmente ela não gostou de quando o prefeito interrompeu a pergunta sobre você ser perigoso — eu completei.
— Eu gostaria de ser perigoso para Neferet! — Stark vociferou, ainda parecendo totalmente chocado.
— O meu pai é muito bom em prometer uma coisa e fazer outra — Aphrodite lembrou. — Posso jurar para vocês que ele acha que pode fazer esse jogo com Neferet — ela balançou a cabeça.
Não importava o quanto ela soava insensível, a expressão dela era tensa.
— A gente tem que ir para a House of Night. Agora. Se Thanatos ainda não sabe sobre isso, ela precisa saber — afirmei.


Neferet
                                            
Os humanos são tão fracos, entediantes e terrivelmente simplórios, Neferet pensou enquanto observava o prefeito Charles LaFont sorrir de modo afetado, procurando apaziguar os ânimos e continuando a evitar qualquer pergunta direta sobre perigo, mortes e vampiros depois da coletiva de imprensa dela. Até esse homem que, dizem os rumores, é o próximo na fila para uma cadeira no Senado e supostamente é tão carismático e dinâmico... Neferet teve que disfarçar a sua risada sarcástica com uma tosse. Esse homem não era nada. Neferet esperava mais do pai de Aphrodite.
Pai! Uma voz ecoou do seu passado, alarmando-a e fazendo que Neferet agarrasse o corrimão de ferro ornamentado e o apertasse bruscamente. Ela teve que tossir de novo para ocultar o som de algo quebrando que veio do ferro forjado quando ela tirou sua mão dali.
Foi então que a paciência dela acabou.
— Prefeito LaFont, você pode me acompanhar até a minha cobertura — as palavras deveriam ter soado como uma pergunta, mas a voz de Neferet não formulou a frase desse modo.
O prefeito e os quatro vereadores que haviam participado da coletiva de imprensa se viraram na sua direção. Ela decifrou facilmente cada um deles. Todos a achavam bonita e desejável. Dois deles a desejavam com tanta intensidade que eles abandonariam suas esposas, suas famílias e suas carreiras para possuí-la.
Charles LaFont não era um deles. O pai de Aphrodite a cobiçava – disso não havia dúvida – mas o seu principal desejo não era sexual. A maior necessidade de LaFont era alimentar a obsessão de sua mulher por status e aceitação social. De fato, era uma pena que ele não pudesse ser seduzido mais facilmente.
Todos eles a temiam. Isso fez Neferet sorrir.
Charles LaFont limpou a garganta e ajeitou nervosamente a sua gravata.
— É claro, é claro. Será um prazer acompanhá-la.
Friamente, Neferet fez apenas um gesto de despedida com a cabeça para os outros homens e ignorou os olhares ávidos deles na sua direção enquanto ela e LaFont entravam no elevador para subir até a sua cobertura.
Ela não falou nada. Neferet sabia que ele estava nervoso e muito menos seguro de si do que fingia ser. Em público, a sua fachada era de charme natural, como se ele fosse merecedor de tudo o que a vida tinha a oferecer. Mas Neferet enxergava o humano amedrontado e bobo que se encolhia por baixo daquela superfície. As portas do elevador se abriram e ela entrou no saguão de mármore do seu apartamento.
— Acompanhe-me em um drinque, Charles.
Neferet não deu a ele nenhuma oportunidade de recusa. Ela caminhou decididamente até o bar art déco ornamentado e encheu duas taças com um esplêndido vinho tinto.
Como ela sabia que ia acontecer, ele a seguiu.
Ela estendeu a ele uma das taças. Ele hesitou e ela deu uma gargalhada.
— É só um cabernet muito caro. Não está misturado com sangue, de forma alguma.
— Ah, claro — ele pegou a taça e riu nervosamente, parecendo um cachorrinho pequeno e medroso aos olhos dela.
Neferet detestava cachorros quase tanto quanto ela detestava homens.
— Eu tinha mais para revelar hoje do que apenas a informação sobre James Stark — ela disse friamente. — Acho que a nossa comunidade merece entender como os vampiros da House of Night se tornaram perigosos.
— E eu acho que a comunidade não precisa entrar em pânico sem necessidade — LaFont contra-argumentou.
— Sem necessidade? — ela pronunciou as duas palavras incisivamente.
LaFont assentiu e coçou o queixo. Neferet sabia que ele achava que parecia sábio e benevolente. Mas, para ela, ele parecia fraco e ridículo.
Foi então que Neferet reparou nas mãos dele. Elas eram grandes e pálidas, com dedos grossos e, apesar do seu tamanho, pareciam macias e quase femininas.
O estômago de Neferet se embrulhou. Ela quase vomitou no vinho e por pouco não conseguiu manter o seu comportamento frio.
— Neferet? Você está bem? — ele perguntou.
— Sim — ela falou rapidamente. — Só estou confusa. Você está me dizendo que, ao alertar Tulsa sobre os perigos desses novos vampiros, estamos provocando pânico neles sem necessidade?
— É exatamente isso. Depois da coletiva de imprensa, Tulsa vai estar em alerta. A violência contínua não vai ser tolerada; ela vai ser detida.
— Mesmo? E como você pretende deter a violência dos vampiros? — a voz de Neferet era ilusoriamente amável.
— Bem, isso é muito simples. Vou continuar o que nós começamos hoje. Você alertou o público. Com você atuando como Agente de Ligação entre a cidade e o Conselho Supremo na nossa comissão recém-implementada, você será a voz da razão defendendo a coexistência entre humanos e vampiros.
— Então é com palavras que você vai deter a violência deles — ela disse.
— Sim, palavras faladas e escritas — ele concordou, parecendo muito satisfeito consigo mesmo. — Peço desculpas se falei fora de hora quando mencionei a coluna no jornal. Foi uma ideia de última hora do meu grande amigo Jim Watts, editor-chefe do caderno Scene do Tulsa World. Eu teria falado com você sobre isso antes, mas, desde que você apareceu no meu escritório hoje à tarde com o seu alerta, as coisas aconteceram rápido e publicamente. Porque eu planejei as coisas dessa forma... porque eu coloquei o sistema inepto de vocês em ação. Agora chegou a hora de eu colocá-lo em ação, assim como fiz com os jornalistas e os vereadores.
— Quando eu o procurei, não esperava encontrar reticências nem estava planejando escrever.
— Talvez não, mas eu estou na política de Oklahoma há quase vinte anos e conheço o meu povo. Incitá-los de modo calmo e devagar é o que funciona com eles.
— Como se você estivesse tocando o gado? — Neferet falou sem esconder o desdém na sua voz.
— Bem, eu não usaria essa analogia, mas tenho percebido que criar comissões, fazer pesquisas na comunidade, obter um feedback da amostragem, tudo isso realmente contribui para uma engrenagem mais azeitada das políticas públicas da cidade — LaFont deu uma risadinha e tomou um gole de vinho.
Escondida nas dobras do seu vestido de veludo, Neferet fechou sua mão em punho e a apertou até que suas unhas feito garras perfurassem sua palma. Gotas escarlates quentes se empoçaram embaixo de suas unhas. Sem serem vistas pelo humano ignorante, as gavinhas de Trevas serpentearam subindo pelas pernas de Neferet, procurando... encontrando... bebendo...
Ignorando o calor gelado daquela dor familiar, Neferet encontrou o olhar de LaFont por sobre a taça de vinho dele. Rapidamente, ela abaixou a voz em uma calma cantiga.

“A paz com os vampiros não é o que você deseja.
Eles ardem com brilho e ímpeto demais, você inveja o seu fogo.
Reticências e escrever colunas, maldita seja essa ideia!
Você tem que fazer o que eu...”

O celular de LaFont começou a tocar. Ele piscou e a expressão embaçada que havia encoberto os seus olhos se clareou. Ele abaixou sua taça de vinho, tirou o telefone do bolso, franziu os olhos para ver a tela e então disse:
— É o chefe de polícia. — Ele tocou na tela e passou a mão pelo rosto, enquanto dizia: — Dean, que bom falar com você — LaFont fez um aceno de cabeça e levantou os olhos para Neferet. — Você vai me desculpar, tenho certeza, mas não posso falar sobre isso agora. Em breve nós falaremos sobre os detalhes da comissão e da coluna de perguntas e respostas.
Enquanto falava, o prefeito se retirou rapidamente para o elevador, deixando Neferet sozinha, exceto pelas famintas gavinhas de Trevas.
Neferet permitiu que elas bebessem dela apenas por mais alguns instantes. Então ela as afastou e lambeu as feridas frescas na palma de sua mão para que os cortes se fechassem.
Os filamentos de Trevas pulsaram ao redor dela, pairando no ar como um ninho de cobras flutuante, ansiosas para cumprir as ordens dela.
— Agora vocês me devem um favor — ela disse antes de pegar o telefone da cobertura e digitar o número de Dallas.
Ele pareceu nervoso ao atender:
— Eu vou matar o cuzão que me ligou tão cedo!
— Cale a boca, garoto! Escute e obedeça.
Neferet sorriu ao ouvir o silêncio que se seguiu à sua ordem. Ela quase podia sentir o cheiro do medo dele através do telefone. Então ela falou rapidamente, adquirindo mais controle sobre o seu temperamento e mais exatidão enquanto instruía o vampiro vermelho.
— Logo a escola vai saber que eu rompi com a House of Night e me tornei membro de uma comissão da Câmara Municipal de Tulsa. Você sabe, é claro, que eu só planejo usar esses humanos para iniciar um conflito. Até eu procurá-lo de novo, você será as minhas mãos, olhos e ouvidos na House of Night. Aja como se você quisesse se dar bem com o resto da escola agora que eu fui embora. Conquiste a confiança dos professores. Faça amizade com os novatos azuis e então faça o que os adolescentes fazem de melhor: apunhale-os pelas costas, espalhe boatos, crie panelinhas.
— Aquela horda de nerds da Zoey não vai confiar em mim.
— Eu disse para você calar a boca, escutar e obedecer! É claro que você não vai conseguir conquistar a confiança de Zoey; ela é próxima demais de Stevie Rae. Mas você pode romper aquele círculo fechado dela, que não é tão forte quanto você pensa. Observe as gêmeas, particularmente Erin. A água é mais facilmente manipulada e mais mutável do que o fogo — ela fez uma pausa, esperando que ele confirmasse que entendeu as suas ordens. Como ele não falou nada, ela disse rispidamente: — Agora você pode falar!
— Eu compreendi, Alta Sacerdotisa. Vou obedecê-la — ele garantiu a ela.
— Excelente. Aurox já voltou para a House of Night?
— Não que eu tenha visto. Pelo menos ele não estava junto de nós, quando fomos agrupados e levados para o dormitório depois do fogo. Foi... foi você que provocou o incêndio? — Dallas fez a pergunta com hesitação.
— Sim, apesar de ter sido mais um acidente imprevisto do que uma manipulação intencional. O fogo causou muita destruição?
— Bem, ele queimou parte do estábulo e causou uma enorme confusão — ele respondeu.
— Algum cavalo ou novato morreu? — ela perguntou ansiosamente.
— Não. Aquele cowboy humano se feriu, mas foi só isso.
— Que pena. Agora vá fazer o que eu mandei. Quando eu voltar a controlar a House of Night e reinar como Tsi Sgili, Deusa de todos os vampiros, você será regiamente recompensado — Neferet apertou o botão de desligar.
Ela estava tomando o seu vinho e pensando em uma morte lenta e dolorosa para Charles LaFont quando um barulho no quarto desviou a sua atenção. Ela havia se esquecido do jovem mensageiro do prédio que flertara descaradamente com ela na hora em que Neferet havia chegado naquela noite, mais cedo. Na ocasião, ele estava parecendo muito disposto a alimentá-la. Ele deveria estar menos disposto agora que tinha percebido que ela estava muito perto de drenar todo o seu sangue perigosamente. Neferet se levantou e caminhou até o quarto, levando sua meia taça de vinho. Ela iria saborear o medo dele no que havia sobrado do seu sangue.
Neferet sorriu.

6 comentários:

  1. Neferet ô desgraça reim.

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  2. Já falei antes:espero que ela queime no fogo do inferno e morra lenta e dolorpaamente ,eu ate mesmo iria adorar ouvila gritar de agonia.E não estou brincando tomara que ela se ferre com o touro branco e ele chute sua bunda e pague o preço por ter duvidado de Zoey Redbird. Antigamente se alguem me dissese que Neferet e uma vadia fudida doal eu teria gargalhado e virado as costas para a pessoa mas agora eu realmente quero ela morta e cremada

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  3. Concordo plenamente!! Agora ela é uma vaca odiosa, mas no primeiro livro ela atuou como se fosse realmente uma heroína só para conquistar a confiança de Zoey. Odeio Neferett mais do nunca,e como vc disse ela deve queimar no fogo do inferno!

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  4. Tá complicado para a horda de nerds combaterem Neferet sozinhos de novo, ela sempre tem uma jogada melhor.

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  5. Aphodite não é uma bruxa do inferno, Neferet é!

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