11 de outubro de 2015

Capítulo 6 - Detetive Marx

Desde aquela noite escura de neve em que Zoey Redbird tinha ligado para ele ir aos antigos túneis, onde ela e um adolescente escaparam por pouco de serem mortos, o detetive Marx tinha dúvidas sobre Neferet, que era então a Grande Sacerdotisa da House of Night de Tulsa.
A vampira pareceu de certo modo... errada pra ele. Zoey estava claramente desconfiada dela quando ele levou a novata de volta para a House of Night, e Neferet acolheu-a com o que parecia ser um calor real. Zoey permanecera discreta. Ela ainda fez um show ao revelar as novas tatuagens com as quais a sua Deusa a havia lhe presenteado naquela noite, e o olho treinado do detetive mostrara que a caloura havia, com sucesso, feito a Grande Sacerdotisa da escola mais poderosa recuar.
Marx supunha que deveria ter chamado a vampira de canto e questionado a veracidade do relato da novata. Mas, em vez disso, Marx sentiu uma coceirinha quando ficava perto de Neferet, a mesma sensação que lhe salvara a pele na rua mais vezes do que podia contar. Ele gostava de Zoey. Não tinha havido nenhuma coceira enquanto esteve com ela. Ele não havia gostado de Neferet de algum modo.
Ele perguntou sobre Neferet para sua irmã, que havia sido Marcada há quase duas décadas. Anne foi muito curta em sua resposta: Neferet é uma poderosa Grande Sacerdotisa. Quando ele lhe pediu mais detalhes, Anne encerrou completamente a conversa. Ela tinha até evitado suas ligações por quase uma semana. Isso tinha sido mais do que estranho. Ele e Anne eram gêmeos, e permaneceram próximos mesmo depois de ela ter sido Marcada e ter passado pela Transformação. Atualmente, ela ensinava Feitiços e Rituais na House of Night de San Francisco. Marx passava férias lá pelo menos uma vez por ano. Ele até mesmo ficou no campus da escola como seu convidado várias vezes. Anne era geralmente aberta e honesta com ele sobre seu mundo. Sabia que podia confiar em seu irmão. Mas à menção de Neferet, e Anne erguera uma parede entre eles.
Marx odiava isso, odiava não ter a confiança de sua irmã. Então ele nunca voltou a perguntar sobre Neferet outra vez.
Nem mesmo quando a Grande Sacerdotisa deixou a House of Night de Tulsa e deu uma conferência à imprensa, condenando vampiros em geral, e a sua antiga House of Night, em particular.
Nem mesmo quando Neferet desapareceu depois que a sua cobertura foi vandalizada.
Nem mesmo quando a nova Grande Sacerdotisa da House of Night de Tulsa, Thanatos, acusou Neferet pelo assassinato do prefeito LaFont.
Nem mesmo quando uma denúncia anônima havia chegado através de sua linha de emergência dizendo que uma vampira nua, batendo com a descrição de Neferet, fora vista entrando na igreja da Avenida Boston.
Nos últimos vinte minutos, ele havia mudado de ideia quanto a não questionar a sua irmã.
— Aqui! Oficial, aqui embaixo! — Marx acenou com os braços para a ambulância que vinha com a sirene ligada até o bloqueio improvisado, atrás do qual ele e os outros oficiais estavam agachados.
Ele olhou para Jamison. O cara era, obviamente, um caso perdido. As seis balas que ricochetearam no escudo invisível que Neferet erguera tinham, de alguma forma, convenientemente acertado-o em todos os lugares, exceto nas partes de seu corpo que estavam protegidas pelo seu colete de Kevlar.
Como diabos ela fez isso? Marx acrescentou mais uma pergunta à longa lista que estava absolutamente decido a fazer à sua irmã.
Mais carros do que ele podia contar derraparam e pararam nas ruas que cercavam o Mayo. Os policiais executaram o reconhecimento do terreno e correram para evacuar todos os edifícios adjacentes a ele. Marx informara pelo rádio oficial que havia uma grande quantidade de reféns.
Foi com um misto de alívio e lamento que ele viu o chefe Connors liderar o grupo de oficiais da SWAT.
O chefe Connors não era conhecido por suas habilidades diplomáticas.
— detetive, me dê uma rápida atualização sobre o ocorrido — disse o chefe de polícia.
— Neferet confessou os assassinatos na Avenida Boston. Ela está lá com reféns. Os têm sob seu controle. Eu não posso dizer se é um feitiço, ou se ela está apenas usando o medo deles para que fiquem tão dispostos a fazer qualquer coisa por ela. Mas você não acreditaria nas coisas terríveis que ela tem obrigado aquelas pessoas a fazerem.
— Depois de ver o que ela fez na Avenida Boston não acho que haja qualquer coisa que ela possa fazer que vá me surpreender — respondeu o chefe severamente.
— Viu aquele corpo? Essa menina abriu a própria garganta para Neferet enquanto dizia: “Obrigado, Deusa” — Marx acenou para a confusão sangrenta, que costumava ser uma mulher jovem.
— Alguma ideia de quantas pessoas estão lá com ela?
Marx balançou a cabeça.
— Talvez uma centena, é o melhor palpite que nós temos. Ela fechou o restaurante e trancou o edifício. Tanto quanto podemos dizer, ela não está deixando ninguém sair de lá.
— Bem, ela terá que nos deixar entrar.
— Chefe, acho que seria melhor obter algum tipo de informação sobre a situação dos reféns. Não queremos repetir o que aconteceu na igreja. Ela abateu aquelas pessoas, mas os corpos não pareciam com nada que já vi um vampiro fazer antes. Eles foram fatiados, mastigados e drenados. O poder de Neferet não é parecido com nada que já tenhamos lidado.
— Sim, eu os vi — o chefe balançou a cabeça. — Como diabos um vampiro poderia fazer isso? Já ouvi falar de Grandes Sacerdotisas que pode mexer com as mentes das pessoas, fazer um pouco de controle e até mesmo apagar a memória. E sei que elas são fisicamente poderosas, embora não tão poderosas quanto seus Guerreiros. Mas o massacre na igreja... — ele balançou a cabeça. — Nunca ouvi falar. E você? Sua irmã não é uma vampira?
— Ela é, e ligarei para ela, mas há algo que você deve saber. Neferet não está dizendo que é uma vampira. Está se proclamando Deusa, especificamente a Deusa das Trevas e Rainha Tsi Sgili, seja lá o que for. Ela disse que fez do Mayo o seu templo e que quer Tulsa para venerá-la.
O chefe fez um grunhido de escárnio.
— Sem chance. Assim que tivermos informações da situação dos reféns, vamos localizá-la. Veremos o que o calibre cinquenta do nosso atirador pode fazer contra seus delírios de divindade.
Marx concordou com a cabeça, mas a coceira familiar estava de volta em sua pele, trazendo-lhe um mau pressentimento sobre como essa situação terminaria.
— Os malditos vampiros perderam a cabeça. Primeiro mataram o prefeito, depois aqueles dois homens no parque, o massacre da igreja e agora isso. Estou pensando que precisamos fazer mais do que apenas fechar a House of Night. Acho que nós precisamos cercá-los e expulsá-los de Tulsa!
— Chefe, sobre aqueles dois homens no parque...
Marx franziu a testa. Ele sabia que o sentimento antivampiro estava em alta, mas ele odiava ouvir esse falatório racista vindo do chefe de polícia.
— Sim, o que têm eles? Não foi você quem trouxe aquela jovem que confessou suas mortes? Droga, ela poderia ter matado LaFont, também!
— Na verdade, senhor, Neferet simplesmente confessou o assassinato do prefeito e desses dois homens. Ela se gabou deles, assim como do massacre na igreja.
O chefe piscou em surpresa.
— Bem, então, o que diabos aquela novata estava fazendo entregando-se como uma assassina? Está em conluio com Neferet?
— Eu sinceramente duvido. Zoey Redbird e Neferet têm uma história de intrigas entre elas. É mais provável que a Zoey tenha tido um desentendimento com os homens, se defendeu deles e quando ouviu que foram mortos, deve ter pensado que os matou. Ela é uma boa garota, chefe. Acho que se entregou porque foi consumida pelo remorso. Ela nem sequer queria um vampiro adulto perto dela.
O chefe deu-lhe um olhar vazio. Marx reprimiu um suspiro e explicou.
— Se um calouro não permanecer próximo de vampiros adultos, há cem por cento de chance de seu corpo rejeitar a Transformação e ele morrer. Zoey se julgou e decidiu que sua sentença era a morte.
— Eu esqueço o quanto você sabe sobre vampiros — o chefe balançou a cabeça em desgosto. — Acho que não importa se eles são humanos ou não, adolescentes não têm nenhum maldito juízo.
Marx abrira a boca para protestar, respeitosamente, que ele na verdade conhecia alguns adolescentes que tinham algum maldito juízo, e que incluiria Zoey Redbird nesse grupo, quando o grito de um policial uniformizado o interrompeu.
— Meu Deus! Olhem pra cima!
A cabeça de Marx se ergueu e olhou para cima a tempo de ver criaturas negras e grotescas que pareciam ter forma de cobra, só que sem olhos, somente bocas escancaradas moldadas com dentes que brilhavam molhados de vermelhos sendo empurrados por uma força invisível sobre o Mayo. As criaturas levavam consigo uma explosão de sangue e tripas, fragmentos de corpos e escuridão. E, quando caíam, se expandiram, passando de cobras sem olhos para uma cortina escura e pulsante, manchada em escarlate. A cortina se agarrou à fachada de pedra do Mayo, embrulhando-o em trevas e sangue, uma vez que penetrou no concreto.
— Abram fogo! Mate-os! — gritou o chefe de polícia.
Marx tentou detê-lo. Tentou lembrar-lhe que havia cidadãos inocentes ali dentro que poderiam ser facilmente feridos ou mesmo mortos. Tentou dizer-lhe que o ataque só serviria para antagonizar a vampira que mantinha os cidadãos como reféns e que já estava tão louca que acreditava que iria se tornar imortal. Mas tiros vindo de todas as direções explodiram ao seu redor, e as suas palavras se perderam em meio ao frenesi.
No começo Marx não queria olhar para cima. Ele não queria ver o Mayo devastado pelos tiros e ter que lidar com as consequências do comando do chefe de atirar. Mas Marx não era o tipo de homem que evitava as situações difíceis na vida; ele fez uma carreira por lidar com elas. Resolutamente, ele olhou para cima.
A cortina de cobras havia se expandido de forma que parecia ter crescido uma pele vermelha e negra em torno do edifício, uma pele tão espessa que nem mesmo os tiros disparados pelos homens uniformizados haviam penetrado. Todos assistiram a escuridão continuar a se espalhar para baixo do edifício ao nível da rua e se espalhar com um farfalhar que lembrou a Marx da época em que ele visitou Nova York e se hospedou no Plaza, e cometeu o erro de sair para fumar um cigarro às três da manhã.
Ele caminhou até uma fileira de sebes bem aparada na frente da grande entrada do Plaza e ouviu um barulho. Quando olhou para baixo, chocou-se ao ver dezenas de ratos gordos correndo entre as sebes. O manto de escuridão de Neferet tinha criado parecia como líquido uma vez que encontrou o chão onde cobriu, sem descanso, toda a pedra dos anos 1920.
— Atirem nas portas. Rompam essa porcaria e preparem-se para correr para dentro! — gritou o chefe.
— Não! — Gritou Marx outra vez quando os homens ao redor deles saltaram para obedecer seu líder.
Determinado a sobreviver para lutar outro dia, Marx abaixou-se atrás de um carro de polícia.
Acabou em segundos. Os policiais correram para as portas duplas, disparando contra o vidro que agora estava coberto de um preto manchado com sangue coagulado. Seu coração se partiu quando os gritos começaram.
Marx já estava ligando seu rádio.
— Oficiais abatidos! Precisamos de mais ambulâncias no Mayo! E reforços! Mais reforços! Tragam todos os policiais de Tulsa aqui agora!
Quando o chefe cambaleou para trás e caiu pesadamente no chão – uma bala o atingira, causando um borrão vermelho no meio da testa, olhos brancos revirados e cegos – sem dúvidas, morto, Marx fez a única coisa que sabia, e assumiu o comando.
— Cessar fogo e recuar! Recuar! — ele gritou, e os homens responderam com evidente alívio.
Um jovem policial uniformizado agachou-se ao lado dele, respirando pesadamente, suas mãos tremendo. Marx achava que o garoto não poderia ter mais que vinte e um anos.
— Mãe de Deus, essa coisa preta nem sequer lasca! Aquilo ricocheteou as balas de volta para nós, como se estivesse realmente apontando. Que diabos é isso? — ele indagou, a voz tremendo tanto quanto as mãos.
— Magia — disse Marx. — Trevas, a magia do mal.
— Como diabos podemos lutar contra isso?
Marx encontrou os olhos do rapaz.
— Nós não podemos. Precisamos de ajuda. Felizmente, sei onde obtê-la.


Zoey
— Eu gostaria de saber o que diabos está acontecendo! — Stark andava no mesmo ritmo, de um lado para o outro, diante da cela.
— Vá ver se a Vovó ainda está na sala de espera. Ela pode descobrir o que está acontecendo. Ela trouxe biscoitos. Ninguém pode resistir aos biscoitos da vovó — eu disse.
— Boa ideia. Volto em um segundo.
Stark disparou pelo corredor, deixando-me assumir o seu ritmo impaciente dele.
Neferet. Se algo louco estava acontecendo no Mayo, Neferet tinha que ser a responsável. Eu queria pegar as barras da cela e agitá-las como uma pessoa histérica e gritar “Deixe-me sair, deixe-me sair, deixe-me sair daqui!” Se Neferet estava lá fora causando o que só a Deusa sabia o quê, eu deveria estar lá também, tentando descobrir como detê-la.
E eu estaria, se não tivesse perdido a cabeça e matado dois homens.
Stark correu de volta para mim e envolveu as mãos sobre as minhas, que realmente seguravam as estúpidas barras da cela como se eu pudesse vergá-las.
— Eles devem ter expulsado sua avó com Thanatos e o resto deles. Ninguém está aqui, exceto um policial na recepção. A droga do lugar está deserto! Se eu tivesse a chave, poderia levá-la daqui sem nenhum problema — suas sobrancelhas se ergueram e, com as mãos ainda pressionando as minhas, ele deu uma pequena sacudida nas barras de metal (que não se moveram). Então ele sorriu seu bonito sorriso arrogante. — Mas como eu não tenho uma chave, por acaso você conhece alguém que poderia, por exemplo, convocar alguns elementos para, sei lá, explodir a porta abaixo?
— Stark, eu estou aqui por uma razão. Fiz algo muito, muito ruim. Quebrar a grade e cair fora não vai ajudar em nada.
— Pode ajudar se Neferet está causando essa agitação, devorando os cidadãos desavisados de Tulsa. Na verdade, eles podem esquecer o seu incidente no parque e agradecê-la se você ajudar a derrubar a Srta. Desequilibrada de merda.
Eu sorri tristemente.
— Eles podem esquecê-lo, mas eu não. E Stark, não posso deter Neferet.
— Você a deteve antes.
— Não tão bem assim, e não sem ajuda.
— Bem... — ele abriu os braços. — Você tem ajuda!
Eu bufei.
— Não o suficiente. Se fosse, teríamos sido capazes de nos certificar de que Neferet nunca voltaria quando chutamos a bunda dela da última vez — então, meu ânimo diminuiu e eu dei de ombros. — Provavelmente não é ela. Poderiam ser ladrões de banco.
— No Mayo? Uh, Z. é um hotel, não um banco.
— Bem, poderia ser...
A porta do nosso corredor se abriu, batendo metalicamente contra a parede e o detetive Marx correu em nossa direção. Ele parecia mal. Quero dizer, péssimo. Seu terno estava manchado com a sujeira e um joelho da calça estava rasgado. Eu podia sentir o cheiro de sangue, que ignorei totalmente. Na verdade não foi tão difícil de fazer, porque o olhar em seu rosto era totalmente perturbador.
Ele parecia assustado.
— O que aconteceu no Woodward Park? — ele perguntou quando se postou ao lado de Stark.
— Eu já te contei.
— Diga a ele novamente — Stark pediu.
— Por que, o que está acontecendo?
— Responda à minha pergunta em primeiro lugar.
— Ok, como eu disse antes, os dois homens me tiraram do sério e joguei minha ira contra eles.
— O que eles fizeram que a deixou tão fora de si? — ele perguntou.
— Nada que justifique matá-los — respondi.
— Basta responder a minha pergunta! — devolveu Marx.
Surpresa com o seu tom, eu me ouvi dizendo:
— Eles estavam rondando pelo parque procurando meninas para assustar e fazê-las dar dinheiro a eles. Não viram as minhas tatuagens até depois de já terem começado a mexer comigo. Então, quando perceberam que eu não era apenas uma adolescente desamparada, mudaram de ideia sobre a tentativa de me assustar. Eles basicamente disseram que apenas procurariam outra garota. Eles realmente me deixaram chateada — fiz uma pausa e acrescentei: — Mas há mais do que isso. Eu já estava chateada quando cheguei ao parque. Foi por isso que eu estava lá. Estava tentando respirar um pouco. E-eu não conseguia controlar o meu temperamento.
— Conte-lhe o resto. Conte por que você deu a Aphrodite a pedra da vidência quando se entregou a ele — Stark insistiu.
— Eu não percebi na época, mas agora posso ver que a pedra da vidência, uma espécie de talismã que me foi dado na Ilha de Skye, estava fazendo alguma coisa com as minhas emoções, ampliando-as, ou fazendo com que elas surgissem, ou talvez apenas se alimentando do meu estresse. Ela ficava quente quando funcionava, e no parque ficou superquente. Deve ter sido como eu consegui levantar aqueles caras e os lançar contra a parede da gruta.
— Você não pode fazer isso, digo, agora, não é? — perguntou Marx, me observando de perto.
— Eu acho que não. Pelo menos, não sozinha. Eu teria que chamar um ou todos os elementos, e eles são mais poderosos se meu círculo estiver comigo e com todos nós canalizando os elementos.
Marx concordou, pensativo.
— Você sabia que os dois homens estavam mortos quando deixou o parque?
— Não. Quero dizer, eu sabia que os tinha lançado contra a parede, parecia como uma explosão. Bem, aquilo me surpreendeu — falei. Distraidamente, eu esfregava a palma da minha mão direita no jeans. No centro das entrelaçadas tatuagens, vi que um círculo perfeito havia sido marcado nela. Ergui minha mão para que o detetive pudesse vê-la. — Esta marca no centro, o círculo, foi feito pela pedra da vidência. Surgiu quando joguei minha raiva naqueles homens. Era como se o poder tivesse vindo dela através de mim. Quando percebi o que fiz, fui vê-los — engoli em seco, lembrando-me.
— E o que exatamente você viu? — solicitou Marx, impaciente.
— Eles estavam deitados ali, na base da parede de pedra acima da Rua Vinte e Um do parque. E-eu me lembro que ouvi um deles gemer, e vi o outro se contrair. Era óbvio que eu os machuquei, talvez até mesmo permanentemente, então fiquei com medo e fugi. Eles devem ter morrido quando saí. Eu sinto muito. Sinto muito de verdade. Sei que não faz qualquer diferença. E sei que também não faz diferença alguma o fato de que eles estavam no parque para mexer com garotas, ou que a pedra da vidência tenha me dado o poder de fazer o que fiz. Minha raiva foi o que matou aqueles homens. Eu sou responsável.
Mordi o lábio com força. Eu não ia começar a chorar.
— Não, Zoey. A verdade é que você não fez isso, e não, você não é responsável por aquelas mortes.
Ele passou um cartão-chave sobre o painel na porta da minha cela, e a porta de aço saltou aberta com um clique.
— Hã?
Eu pisquei para ele, sentindo como se estivesse sonhando. Olhei para Stark, que fitava o detetive.
— Tem algo a ver com Neferet — disse Stark.
— Tem tudo a ver com Neferet — concordou Marx. — Ela confessou ter matado aqueles dois homens. Não, isso não é totalmente preciso. Neferet vangloriou-se sobre ter matado aqueles dois homens.
Stark gritou e me pegou em seus braços.
— Z, você não matou ninguém!
— Eu não matei ninguém! — ecoei o grito de Stark quando ele me segurou, rindo.
Eu estava me sentindo zonza, quase tonta. Eu não tinha matado ninguém! Caramba, eu quase rejeitei a Transformação. Quase morri. Por causa da Neferet. Tudo sempre voltava para Neferet.
Bati no ombro de Stark, e ele me colocou no chão (mas continuei segurando a mão dele).
Enfrentei o detetive Marx.
— O que mais ela fez?
— Você e seus amigos estavam certos. Neferet matou o prefeito. Ele e os dois homens no parque foram seus aquecimentos. Ela abateu uma igreja cheia de gente, e agora declarou que é uma Deusa. E fez do Mayo seu Templo, e está isolada lá com um monte de pessoas que estão sob seu feitiço.
— Merda! — disse Stark.
Ohminhadeusa!
Neferet finalmente fez isso. Ela finalmente deixou a máscara cair e mostrou a todos o que ela realmente era.
— Você está livre, Zoey. Foi inocentada de todas as acusações. Mas antes de ir, tenho um favor a pedir.
Eu encontrei o seu olhar.
— Você não tem que pedir. Eu vou ajudá-lo. Farei tudo o que puder para detê-la.
Os ombros de Marx caíram em alivio.
— Obrigado. Eu não vou mentir para você, Zoey. O que está acontecendo no Mayo é ruim, muito ruim. Neferet é poderosa e perigosa.
— E absolutamente uma doida varrida — terminei por ele. — Eu sei. Eu a conheço há meses.
— Então você sabe o que está enfrentando.
— Todos nós sabemos — disse Stark. — Porque somos os únicos que tem lutado com a cadela louca.
— Tudo bem, então. Você precisa conseguir essa tal pedra da vidência antes de eu levá-la para o Mayo e...
— Espere, não, você não entende, detetive Marx. Quando eu disse que farei tudo o que puder para deter Neferet, eu não quis dizer que faria sozinha — apertei a mão de Stark. — Uma coisa que aprendi com certeza é que eu sou mais forte com os meus amigos.
— Apenas me diga o que você precisa, e eu vou providenciar — Marx falou.
— Tudo o que preciso está na House of Night — respondi prontamente.
— Então venha comigo, Zoey. Vou levá-la para casa.

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