1 de outubro de 2015

Capítulo 5

Meu estômago doeu durante toda a aula de espanhol, tanto que eu até descobri como perguntar a professor Garmy, “puedo ir al baño,” e passar tanto tempo no banheiro que Stevie Rae me seguiu até lá e perguntou qual o problema.
Eu sei que eu estava preocupando ela demais – eu quero dizer, se um calouro começa a parecer doente, isso tende a significar que ele está morrendo. E eu tenho certeza que eu parecia horrível. Eu disse a Stevie Rae que eu estava ficando menstruada e que as cólicas estavam me matando – embora não literalmente. Ela não pareceu convencida.
Eu fiquei incrivelmente feliz por ir à minha última aula da semana, Equitação. Eu não só adorava a aula, mas sempre me acalmava. Essa semana eu iria galopar com Persephone, o cavalo que Lenobia (não precisava chamar ela de professora, ela disse que o nome de uma antiga rainha vampira era o suficiente) tinha designado para mim na primeira semana de aula, e praticamente mudado a liderança. Eu trabalhei com a linda égua até nós duas estarmos suando e meu estômago ficar um pouco melhor, então levei tempo para escovar e limpar ela, sem me importar que o sino tinha assinalado o fim de aula meia hora antes de eu sair do estábulo. Eu fui guardar a escova, e estava surpresa por ver Lenobia sentada numa cadeira fora da porta. Ela estava esfregando sabão em pé em algo que parecia uma limpíssima sela.
Lenobia parecia impressionante, mesmo para uma vampira. Ela tinha um cabelo incrível que ia até a cintura dela e era tão loiro que era quase branco. Os olhos dela eram de um estranho tom de cinza, como um céu tempestuoso. Ela era pequena, e andava como uma bailarina. A tatuagem dela era uma intricada série de nós que se entrelaçavam ao redor do rosto dela – dentro dos desenhos de cavalos arrojados e elevados.
— Cavalos podem nos ajudar a resolver nossos problemas — ela disse sem tirar os olhos da sela.
Eu não tinha certeza do que dizer. Eu gostava de Lenobia. Ok, quando eu comecei a matéria dela ela me assustava; ela era dura e sarcástica, mas depois que a conheci (e provei que entendia que os cavalos não eram apenas cachorros grandes), eu comecei a apreciar ela com sua atitude sem besteiras. Na verdade, ela era minha professora favorita, perto de Neferet, mas ela e eu nunca falamos nada a não ser cavalos. Então, hesitando, eu finalmente disse, — Persephone me faz ficar mais calma, mesmo quando não me sinto calma. Isso faz sentido?
Ela olhou pra cima e então, seus olhos cinzas se estreitaram com preocupação. — Faz perfeito sentido. — Ela parou, e então acrescentou, — Você recebeu muitas responsabilidades em um período de tempo muito curto, Zoey.
— Eu não me importo — eu assegurei a ela. — Eu quero dizer, ser a líder das Filhas das Trevas é uma honra.
— Geralmente as coisas que nos trazem as maiores honras também podem nos trazer os maiores problemas. — Ela parou de novo e talvez eu estivesse imaginando, mas ela parecia estar tentando decidir o que dizer ou não. Então ela arrumou a sua já perfeita coluna ainda mais e continuou. — Neferet é sua mentora, e é o certo que você vá até ela para conversar, mas as vezes Altas Sacerdotisas podem ser difíceis de conversar. Eu quero que você saiba que pode vir até mim – para falar de qualquer coisa.
Eu pisquei surpresa. — Obrigado, Lenobia.
— Eu guardo isso para você. Vai lá. Tenho certeza que seus amigos estão se perguntando o que aconteceu com você. — Ela sorriu e pegou as escovas da minha mão. — E sinta-se livre para vir até o celeiro para visitar Persephone a qualquer hora. Eu percebi que geralmente cuidar de um cavalo pode fazer o mundo parecer menos complexo.
— Obrigado — eu disse de novo.
Quando deixei o celeiro pude jurar que ela falou suavemente atrás de mim algo que soou muito como “que Nyx abençoe e cuide de você.” Mas isso era simplesmente estranho demais. É claro, também era estranho ela dizer que eu poderia conversar com ela. Calouros formam laços especiais com seus mentores – e minha mentora era extra-especial sendo a Alta Sacerdotisa da escola. Claro, gostávamos de outros vampiros, mas se tivéssemos um problema que não podíamos resolver sozinhos, levaríamos esse problema para nosso mentor. Sempre.
A caminhada do estábulo para o dormitório não era comprida, mas eu demorei, tentando esticar o senso de paz que trabalhar com Persephone me deu. Eu vagueei pela calçada um pouco, indo em direção as velhas árvores que se alinhavam no lado oriental do grosso muro que cercava a escola. Eram quase 4 horas (da manhã é claro), e a escuridão da noite era lindamente acessa pela luz da lua.
Eu esqueci o quanto amava andar perto do muro da escola. Na verdade, eu evitei vir aqui no último mês. Desde que eu tinha visto – ou pensado ter visto – os dois fantasmas.
— Mee-uf-ow!
— Merda, Nala! Não me assuste assim. — Meu coração estava batendo feito louco enquanto pus minha gata nos braços e a acariciei enquanto ela reclamava para mim. — Olá – você poderia ser um fantasma. — Nala me olhou e então espirrou no meu rosto, que eu levei como o comentário dela da possibilidade dela ser um fantasma.
Ok, o primeiro “avistamento” pode ter sido um fantasma. Eu estava aqui no dia que Elizabeth morreu no mês passado. Ela foi a primeira da morte de dois calouros que balançaram a escola. Bem, mais precisamente, me balançaram. Como calouros que poderiam – qualquer um de nós – cair morto a qualquer hora durante os próximos quatro anos que levava para a Mudança física de humano para vampiro acontecer dentro de nossos corpos, a escola esperava que nós lidássemos com isso como outro fato da vida de um calouro. Dizer uma reza ou duas pelo garoto morto. Acender uma vela. Tanto faz. Apenas supere e vá fazer suas coisas.
Parecia errado para mim, mas talvez fosse porque eu estivesse a apenas um mês na Mudança e ainda mais acostumada a ser humana do que vampira, ou até mesmo uma caloura.
Eu suspirei e cocei as orelhas de Nala. De qualquer forma, a noite depois da morte de Elizabeth eu vi algo que eu pensei ser Elizabeth. Ou o fantasma dela, porque ela definitivamente estava morta. Então não nada mais do que uma breve visão, e Stevie Rae e eu conversamos sobre isso sem decidir o que estava acontecendo. A verdade era que sabíamos bem demais que fantasmas existiam – aqueles que Aphrodite conjurou um mês atrás quase tinham matado meu ex-namorado humano. Então eu posso muito bem ter visto o fantasma de Elizabeth. É claro eu também posso ter visto um calouro e porque eu o vi a noite e estava aqui a apenas alguns dias e tinha, nesses poucos dias, passado por todo tipo de merda inacreditável, eu podia ter imaginado tudo.
Eu fui até o muro e virei para a direita, indo na direção que eventualmente iria me levar a sala de recreação, e então, virei, para o dormitório das garotas.
— Mas o segundo avistamento definitivamente não foi minha imaginação. Certo, Nala? — A resposta da gata foi esfregar seu rosto contra o canto do meu pescoço e ronronar como um cortador de grama. Eu acariciei ela, feliz por ela me seguir. Só de pensar no segundo fantasma ainda me assustava. Como agora, Nala estava comigo. (A similaridade me fez olhar ao redor nervosamente e acelerar o passo.)
Não fazia muito depois que o segundo garoto tinha se afogado em seus próprios pulmões e sangrado até morrer na frente da turma de literatura. Eu tremi, lembrando o quão horrível tinha sido – especialmente por causa da minha nojenta atração pelo sangue dele. De qualquer forma, eu vi Elliott morrer. Então mais tarde naquele dia Nala e eu tínhamos topado com ele (quase literalmente) não muito longe de onde estávamos agora. Eu pensei que ele era outro fantasma. A princípio. Então ele tentou me atacar, e Nala (minha preciosa gatinha) se lançou em cima dele, o que fez ele pular por cima do muro de 6 metros e desaparecer na noite, deixando Nala e eu totalmente apavoradas. Especialmente depois que eu notei que minha gata tinha sangue em suas patas. Sangue de fantasma. O que não fazia sentido nenhum.
Mas eu não tinha mencionado a segunda vez para ninguém. Nem minha melhor amiga e colega de quarto Stevie Rae, nem minha mentora e Alta Sacerdotisa Neferet, nem meu totalmente delicioso namorado novo, Erik. Ninguém. Eu queria. Mas então todas as coisas aconteceram com Aphrodite... eu assumi as Filhas das Trevas... comecei a sair com Erik... estive extremamente ocupada com a escola... blá, blá, uma coisa levou a outra e aqui eu estava um mês depois e não tinha dito nada para ninguém. Só em pensar em contar para alguém agora parecia idiota em minha própria mente. “Hey, Stevie Rae/Neferet/Damien/Gêmeas/Erik, eu vi o espectro de Elliott mês passado depois que ele morreu e ele estava muito assustador e quando ele tentou me atacar Nala fez ele sangrar. Oh, e o corpo dele tinha um cheiro estranho. Acredite em mim.
Eu conheço bem o cheiro de sangue (só outra coisa bizarra sobre mim, a maior parte dos calouros não tem ânsia por sangue). “Só achei melhor mencionar.”
Yeah, certo. Eles provavelmente iriam querer me mandar para o vampiro equivalente a um psicólogo, e oh, cara, isso não me ajudaria a melhorar minha confiança enorme para liderar as Filhas das Trevas? Dificilmente não.
Além do mais, conforme mais tempo passava, era mais fácil para mim me convencer que talvez eu tenha imaginado o encontro com Elliott.
Talvez não fosse Elliott (ou seu fantasma ou tanto faz). Eu não conhecia cada um dos calouros aqui. Poderia ser outro garoto que tinha um feio, cabelo vermelho, e pele rechonchuda e muito branca. Claro, eu não tinha visto esse garoto de novo, mas ainda sim. E quando ao estranho cheiro de sangue. Bem, talvez um calouro tivesse um estranho cheiro no sangue. Como se eu pudesse ser uma expert em um mês? E também ambos os “fantasmas” tinham olhos vermelho brilhantes. O que era isso?
A coisa toda estava me dando dor de cabeça.
Ignorando meu assustador sentimento que essa corrente toda de pensamentos estava me causando, eu comecei a me virar resolutamente do muro (e do assunto dos fantasmas) quando um movimento foi visto pelo canto do meu olho. Eu congelei. Era uma forma. Um corpo. Era alguém. A pessoa estava parada de baixo do enorme e antigo carvalho que eu encontrei Nala no mês passado. As costas dele ou dela estava virada para mim, e ele ou ela estava encostado contra a árvore, cabeça curvada.
Deus. Ele não tinha me visto. Eu não queria saber quem ou o que era. A verdade era que eu já tinha estresse suficiente na minha vida. Eu não precisava da adição de fantasmas de nenhum tipo. (E, eu prometi a mim mesma, dessa vez eu iria contar a Neferet sobre o estranho fantasma ensanguentado que andava pelos muros da escola. Ela era mais velha. Ela podia lidar com esse estresse.) O coração batendo tão alto que o som estava acima do ronronar de Nala, eu devagar e silenciosamente comecei a rapidamente me afastar, dizendo a mim mesma firmemente que eu nunca iria andar aqui no meio da noite sozinha de novo. Nunca. O que eu era, mentalmente incapaz? Porque eu não aprendi da primeira, ou segunda vez?
Então meu pé bateu no meio de um banco seco. Crack! Eu arfei. Nala deu uma alta reclamação (eu estava sem perceber esmagando ela contra o meu peito). A cabeça da figura debaixo da árvore levantou e virou. Eu fiquei tensa me preparando ou para gritar e fugir de um fantasma maléfico de olhos vermelhos, ou para gritar e lutar contra um fantasma maléfico de olhos vermelhos. Das duas maneiras um grito definitivamente estaria envolvido, então eu suguei o ar e –
— Zoey? É você?
A voz era profunda, sexy, e familiar. — Loren?
— O que você está fazendo aqui?”
Ele não fez movimento nenhum para se aproximar de mim, então por trás da pura estranha inquietação como se eu não estivesse morta de medo um segundo atrás, eu dei nos ombros indiferentemente, e me juntei a ele debaixo da árvore. — Oi — eu disse, tentando parecer adulta. Então eu lembrei que ele tinha me feito uma pergunta e eu estava feliz por estar escuro o suficiente para meu rosto vermelho não ser totalmente óbvio. — Oh, eu estava voltando dos estábulos e Nala e eu decidimos tomar um caminho mais comprido. — Um caminho mais comprido? Eu realmente disse isso?
Eu achei que ele parecia tenso quando andei até ele, mas isso o fez rir e seu rosto totalmente lindo relaxou. — Um caminho comprido, huh? Olá de novo, Nala. — Ele acariciou o topo da cabeça dela e ela rudemente, mas tipicamente, resmungou para ele e então pulou dos meus braços para o chão, se sacudiu, e ainda reclamando, delicadamente foi para longe.
— Desculpe. Ela não é muito sociável.
Ele sorriu. — Não se preocupe. Meu gato, Wolverine, me lembra um velho mau humorado.
— Wolverine? — Eu levantei minha sobrancelha.
O sorriso lindo dele ficou todo torto como o de um garoto e, incrivelmente, o deixou ainda mais lindo. — Yeah, Wolverine. Ele me escolheu como dele quando era terceiranista. Esse foi o ano que eu era louco pelos X-men.
—Esse nome pode ser o porque dele ser tão mal humorado.
— Bem, poderia ser pior. Um ano antes eu não podia parar de ver Homem-Aranha. Ele quase se chamou Aranha ou Peter Parker.
— Claramente, você é um grande fardo para seu gato carregar.
— Wolverine iria definitivamente concordar com você! — Ele riu de novo e eu tentei não deixar que sua maravilhosa aparência me fizesse rir histericamente como uma pretendente de uma banda. Eu estava, no momento, realmente flertando com ele! Fique calma. Não diga ou faça nada idiota.
— Então, o que você está fazendo aqui? — Eu perguntei, ignorando minha conversa interior.
— Escrevendo haiku. — Ele levantou a mão e eu notei pela primeira vez que ele estava segurando um daqueles super caros e legais cadernos de couro para escritores. — Eu encontro inspiração aqui, sozinho, nas horas antes do amanhecer.
— Oh, Deus! Desculpe. Não queria interromper você. Eu vou apenas me despedir e te deixar sozinho. — Eu acenei (como uma idiota) e comecei a me virar, mas ele pegou meu pulso com sua mão livre.
— Você não tem que ir. Eu encontro inspiração em mais coisas do que ficar aqui sozinho.
A mão dele era quente contra meu pulso e me perguntei se ele podia sentir meu pulso pular.
— Bem, eu não quero incomodar você.
— Não se preocupe. Você não está me incomodando. — Ele apertou meu pulso antes de (infelizmente) me soltar.
— Ok, então. Haiku. — O toque dele me deixou ridiculamente frustrada e tentei recuperar meu bom senso. — Isso é poesia asiática com um formato vertical, certo?
O sorriso dele me deixou feliz por ter prestado atenção na aula da inglês da Sra. Wieneckes do ano passado falando sobre poesia.
— Certo. Eu prefiro o formato normal. — Ele parou e seu sorriso mudou. Algo sobre isso fez meu estômago flutuar, e seus escuros e lindos olhos se prenderam aos meus. — Em falar em inspiração – você poderia me ajudar.
— Claro, eu ficaria feliz — eu disse, feliz por não soar tão sem fôlego quanto me sentia.
Ainda olhando nos meus olhos, ele levantou suas mãos para acariciar meus ombros. — Nyx Marcou você aí.
Não parecia uma pergunta, mas eu acenei. — Sim.
— Eu gostaria de ver. Se não te deixar desconfortável.
A voz dele passou por mim. A lógica estava me dizendo que ele só estava pedindo para ver minhas tatuagens porque elas eram bizarramente diferentes, e que ele não estava de forma alguma dando em cima de mim. Para ele eu deveria parecer nada mais que uma criança – uma garota – uma caloura com uma estranha Marca e poderes raros. Isso era o que a lógica estava me dizendo. Mas os olhos dele, a sua voz, o jeito que as mãos dele ainda estavam nos meus ombros – essas coisas estavam me dizendo algo completamente diferente.
— Eu mostro para você.
Eu estava usando minha jaqueta favorita – camurça preta e corte que me servia perfeitamente. Debaixo disso eu usava uma blusa púrpura. (Sim, é o fim de novembro, mas eu não sinto o frio que sentia antes de ser Marcada. Nenhum de nós sente.) Eu comecei a tirar a jaqueta.
— Aqui, me deixe te ajudar.
Ele estava parado muito perto de mim, na frente e no lado. Ele pegou com sua mão direita o colar da minha jaqueta com seus dedos, e deslizou para baixo dos meus ombros para ficar embaixo de meus cotovelos.
Loren deveria estar olhando para meu ombro parcialmente nu, olhando estupidamente para as tatuagens que nem vampiro ou calouro jamais tiveram. Mas ele não estava. Ele ainda estava olhando para meus olhos. E então de repente algo aconteceu comigo. Eu parei de me sentir uma boba, nervosa e CDF garota adolescente. O olhar nos olhos dele tocaram a mulher dentro de mim, acordando ela, e enquanto essa nova eu acordava eu encontrei a calma e confiança em mim mesma que eu raramente encontrei antes. Devagar, eu passei o ombro da minha camiseta por cima dos ombros para que se juntasse a minha jaqueta. Então, ainda olhando ele nos olhos, eu tirei meus longos cabelos do caminho, levantei meu queixo, e virei ligeiramente meu corpo, dando a ele uma clara visão das costas dos meus ombros, que agora estava completamente nu a não ser pela fina linha das costas do meu sutiã.
Ele continuou a olhar nos meus olhos por vários segundos, e eu pude sentir o frio ar da noite e a carícia da quase lua cheia na pele exposta do meu peito e ombro e costas. Muito deliberadamente, Loren se moveu para mais perto de mim, segurando meu antebraço enquanto olhava nas minhas costas e ombros.
— É incrível. — A voz dele era tão lenta que era quase um sussurro. Eu senti os dedos dele ligeiramente traçarem as espirais em labirinto, com exceção das runas exóticas que ficavam ao redor das espirais, como as minha Marca facial. — Eu nunca vi nada igual a isso. É como se você fosse uma antiga sacerdotisa que se materializou em nossa época. Somos abençoados por ter você, Zoey Redbird.
Ele disse meu nome como uma reza. A voz dele misturada com seu toque me vez tremer.
— Eu sinto muito. Deve estar frio. — Gentilmente, mas rapidamente, Loren pegou minha jaqueta e camiseta.
— Eu não estava tremendo por causa do frio. — Eu me ouvi dizer as palavras, e não consegui decidir se deveria ficar orgulhosa de mim mesma ou chocada com minha audácia.
— Creme e seda como um
Como eu desejo experimentar e tocar
A lua nos observa.
Os olhos dele nunca deixaram os meus enquanto ele recitava o poema. A voz dele, que era normalmente tão experiente, tão perfeita, tinha ficado profunda e rouca, como se tivesse dificuldades de falar. Como se a voz dele tivesse a habilidade de me esquentar, eu fiquei tão corada que pude sentir meu sangue circulando em um rio pelo meu corpo. Minhas coxas formigaram e foi difícil recuperar o fôlego. Se ele me beijar eu posso explodir. A ideia me chocou para falar. — Você acabou de escrever isso? — Dessa vez minha voz soava tão sem fôlego quanto eu me sentia.
Ele balançou a cabeça levemente, um sorriso mal tocou os lábios dele. — Não. Foi escrito séculos atrás por um antigo poeta japonês, sobre como a amada dele parecia nua embaixo da lua.
— É lindo — eu disse.
— Você é linda — ele disse, e acariciou minha bochecha com sua mão. — E hoje à noite você foi minha inspiração. Obrigado.
Eu pude me sentir me inclinando em direção a ele, e eu juro que o corpo dele respondeu. Eu posso não ter muita experiência. E, sim, ainda sou virgem. Mas não sou uma completa idiota (na maior parte do tempo). Eu sei quando um cara está afim de mim. E esse cara – nesse momento – está definitivamente afim de mim. Eu cobri as mãos dele com as minhas, e esquecendo sobre tudo, inclusive Erik e o fato de Loren ser um vampiro adulto e eu ser uma caloura, eu quis que ele me beijasse, quis que ele me tocasse mais. Nós nos olhamos. Estávamos ambos respirando com dificuldade. Então, no espaço de um segundo, os olhos dele viraram e mudaram para um escuro e íntimo para um escuro e distante. Ele derrubou sua mão de meu rosto e deu um passo para trás. Eu senti a desistência dele com um vento frio.
— Foi bom ver você, Zoey. E obrigado de novo por me permitir ver sua Marca. — O sorriso dele era educado e apropriado. Ele me deu um pequeno aceno que quase foi uma reverência formal, e então se afastou.
Eu não sabia se deveria gritar de frustração, chorar de vergonha, ou rugir e ficar fula. Franzindo e murmurando para mim mesma, eu ignorei o fato de minhas mãos estarem tremendo e marchei de volta para o dormitório. Essa era definitivamente uma emergência de eu-preciso-da-minha-melhor-amiga.

16 comentários:

  1. Mana, você tem um ímã que atrai homens bem dentro de você!
    #Morrida_depois_dessa

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  2. sabe eu vou ali morrer e ja vonto para continuar

    Amanda.

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  3. Se ela continuar flertando com ele e alguém descobrir ela vai se ferra taaaaanto , vai ter briga daki a pouco se isso continuar

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  4. Só quero ver o que ela vai fazer quando o Erick chegar, isso vai dar confusão

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  5. Mas gente... e o Erik?
    A fila dela anda bem rápido né?!
    A garota já pegou 3, em apenas 2 livros!!! :O

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  6. É o seguinte... Vamos fazer uma analogia de nomes:
    Erik Night
    Zoey Redbird
    Loren Black.

    Sim... A Zoey no meio porque normal.. Mãe dela passou pimenta nela!
    Voltando...
    Noite, céu azul escuro... Olhos azuis, portanto... Pássaro vermelho... Preto...
    Essa menina tem uma influência com cores escuras que combinam com vermelho, né?
    Poxa! Ela pode ficar com o Loren... A pesar de eu ter gostado dele... Eu ainda prefiro p Erik pra mim.

    Bem... E sobre a professora de equitação que o nome me fugiu da cabeça... Eu gosto dela!

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  7. Vocês esqueceram do Heath, o ex namorado humano. Zoey ainda gosta dele, mesmo negando.
    Loren, Erik e Heath.

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    1. Mas ela disse que já teve outros namorados antes do Heath...

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Ok, vamos aos fatos: esse Loren está encenando ou está sendo hipnotizado pra dar em cima da Z. Ele muda de atitude do nada, estranhíssimo. E isso é coisa da Neferet ou da Aphrodite, acho que tá mais pra N, mas mesmo assim, não vamos esquecer que os pais da Aphrodite disseram pra ela atrapalhar a vida da Z e derrubar ela do cargo.

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  9. A Zoey e muito hipócrita,pois passou o primeiro livro todinho julgando as atitudes da Aphodite como atitudes de vadia,agora fica ai flertando com o professor sendo q ela tem namorado,sera q ela não pensa que essas atitudes tbm e de vadia não?

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