7 de outubro de 2015

Capítulo 5 - Stevie Rae

— Você não está sozinha. Você sabia disso?
Stevie Rae olhou para Kramisha. — Tudo o que eu estou fazendo é sentar aqui, cuidando dos meus próprios assuntos. — Ela fez uma pausa, deixando o desgosto de sua implicância se aprofundar. 
— Como é não ser eu mesma?
— Você escolheu o canto mais escuro, horripilante canto bem aqui. Você soprou as velas e ficou ainda mais escuro. E você sentada aqui tão deprimida tão alto, que eu quase posso ouvir seus pensamentos.
— Você não pode ouvir meus pensamentos.
A voz dura de Stevie Rae fez os olhos de Kramisha se arregalarem. — Claro que eu não posso. Não há necessidade de você ficar toda zangada. Eu disse quase. Eu não sou Sookie Stackhouse. Além disso, mesmo se eu fosse eu não iria escutar seus pensamentos. Isso seria rude e minha mãe me criou melhor do que isso. — Kramisha sentou ao lado de Stevie Rae no banquinho de madeira. — Falando nisso eu sou a única que pensa que os lobisomens são mais quentes que Bill e Eric juntos?
— Kramisha, não estrague a terceira temporada de True Blood para mim. Eu não terminei meus DVDs da segunda temporada.
— Bem, eu só estou dizendo, se preparar para algumas sérias gostosuras de quatro patas.
— Sério. Não se atreva a me dizer mais nada.
— Ok, ok, mas a coisa de cara-lobo-monstro-gostoso é algo que eu preciso falar com você.
— Este banco é feito de madeira. A madeira é igual à terra. O que significa que eu provavelmente posso descobrir uma maneira de fazê-lo bater para fora se você fizer falar uma merda de True Blood para mim.
— Você pode relaxar? Eu já estou longe disso. Eu tenho mais uma coisa que temos que discutir antes de irmos para, o que eu sei, que vai ser uma Reunião do Conselho extremamente chata.
— É parte do que temos que fazer. Eu sou uma Sacerdotisa. Você é uma Poeta Laureate. Temos de ir às reuniões do Conselho. — Stevie Rae soltou uma longa baforada de ar e sentiu cair seus ombros.
— Caramba, vou ficar feliz quando Z voltar aqui amanhã.
— Sim, sim, eu entendo. O que eu não entendo é o que a confundiu tanto sua cabeça que parece virada do avesso.
— Meu namorado perdeu sua maldita cabeça e desapareceu da face da terra. Minha melhor amiga quase morreu no Outromundo. Os calouros vermelhos - aqueles outros - ainda estão por aí fazendo Bubba-sabe-que, que eu tenho certeza que significa comer pessoas. E ainda por cima de tudo isso eu deveria ser uma Alta Sacerdotisa, embora eu nem tenha certeza do que tudo isso significa. Eu acho que é bagunça suficiente para a cabeça de qualquer um.
— Sim, é. Mas não é suficiente para impedir de receber poemas de merda que todos têm a mesma mensagem bizarra. Eles são sobre você e bestas, e eu quero saber o porquê.
— Kramisha, eu não sei sobre o que você está falando. — Stevie Rae começou a levantar, mas Kramisha enfiou a mão na enorme bolsa e puxou um pedaço de papel de cor violeta, que tinha sua escrita arrojada rabiscada nele.
Com outro exalar de respiração pesada, Stevie Rae sentou-se e estendeu a mão. — Tudo bem. Deixe-me ver.
— Eu escrevi ambos neste papel. O velho e o novo. Algo me diz que você pode precisar refrescar sua memória.
Stevie Rae não disse nada. Seus olhos foram para o primeiro poema no papel. Ela levou um tempo lendo aquilo. Não porque ela precisava de sua refrescar sua memória. Ela não precisava. Cada linha do poema tinha sido queimada em sua mente.

A Vermelha anda para dentro da Luz
Lombos envolvidos pela sua parte
Na luta apocalíptica.
A Escuridão se esconde sob diversas formas
Ver através da forma, cor, mentiras
e das tempestades emocionais.
Aliado com ele, pagar com o seu coração
embora a confiança não possa ser dada
a menos as Trevas que você divide.
Ver com a alma e não com seus olhos
porque para dançar com os animais você
deve penetrar seu disfarce.

Stevie Rae disse a si mesma que não iria chorar, mas seu coração estava machucado e quebrado. O poema tinha razão. Ela tinha visto Rephaim com sua alma, não com seus olhos. Ela dividiu Escuridão e confiou e aceitou ele - e por isso, porque ela aliou-se com uma besta, tinha pago com seu coração. Ela ainda estava pagando com seu coração.
Relutantemente, Stevie Rae olhou para o segundo poema sob a página - o novo. Lembrando-se a não reagir, a não deixar o rosto dela dar nada, ela começou a ler:

Feras podem ser belas
Sonhos se tornam desejos
A realidade muda com a razão
Confie na sua verdade
Homem... monstro... mistério... magia
Escute com seu coração
Veja sem desprezo
O amor não vai perder
Confie em sua verdade
Sua promessa é a prova
O teste é o tempo
A fé liberta
Se houver coragem para mudar.

Stevie Rae boca estava seca.
— Desculpe, eu não posso te ajudar. Eu não sei sobre o que estas coisas são. — Ela tentou entregar o pedaço de papel para Kramisha, mas as mãos da poeta se cruzaram sobre o peito.
— Você não é uma boa mentirosa, Stevie Rae.
— Não é inteligente chamar a sua Alta Sacerdotisa de mentirosa. — Havia uma ponta de maldade na voz de Stevie Rae que Kramisha sacudiu a cabeça.
— O que está acontecendo com você? Você está lidando com algo que está comendo você de dentro para fora. Se você fosse você mesma, você estaria falando comigo. Você ficaria tentando descobrir isso.
— Eu não consigo entender essa coisa de poesia! Ela tem metáfora e o simbolismo e é estranha, confusas previsões.
— Isso é uma mentira maldita — Kramisha disse. — Temos descoberto essas coisas. Zoey tem. Você e eu temos, ou pelo menos tínhamos o suficiente para obter informação para Z no Outromundo. E isso ajudou. Stark disse que ajudou. — Kramisha apontou para o primeiro poema. — Parte desse primeiro se tornou realidade. Você conheceu uma besta. Aqueles touros. Você está diferente desde então. Agora me foi dado um outro poemas sobre bestas. Sei que é para você. E eu sei que você sabe mais
do que você está dizendo.
— Olha, fique fora dos meus assuntos, Kramisha. — Stevie Rae se levantou, saiu da alcova, e enquanto ela caminhava direto para Dragon Lankford ela gritou para Kramisha, — Eu estou cheia sobre essa coisa de bestas.
— Ei, ei, que história é essa? — A mão forte de Dragon firmou Stevie Rae, quando ela tropeçou por causa da colisão. — Você quis dizer coisas de besta?
— Ela falou. — Kramisha apontou para a página do caderno na mão de Stevie Rae. — Dois poemas vieram a mim, um no dia que Stevie Rae se confundiu com aqueles touros, e o segundo apenas há pouco tempo atrás. Ela não quer gastar com eles nenhum pensamento.
— Eu não disse que eu não ia gastar nenhum pensamento com eles. Eu só quero cuidar dos meus assuntos de mim mesma, sem todo corpo maldito no universo me bisbilhotando.
— Você me considera cada corpo maldito? — Dragon perguntou.
Stevie Rae se viu obrigada a encontrar o seu olhar. — Não, claro que não.
— E você concorda comigo que os poemas de Kramisha são importantes.
— Bem, sim.
— Então você não pode simplesmente ignorá-los. — Dragon descansou a mão no ombro de Stevie Rae.
— Eu sei como é querer manter sua vida privada, mas você ficou em uma posição onde há coisas mais importantes que a sua privacidade.
— Eu sei disso, mas eu posso lidar com isso sozinha.
— Você não lidou com os touros — Kramisha disse. — Eles ainda existem.
— Eles se foram, não é? Então eu lidei com eles muito bem.
— Eu me lembro de vê-la depois de sua batalha com o touro. Você estava gravemente ferida. Se você tivesse entendido o alerta de Kramisha o custo para que você não seria tão grande. E depois há o fato de que um Corvo Escarnecedor apareceu, e ele pode até ser a criatura Rephaim. Esse monstro ainda está lá fora e é um perigo para todos nós. Então, você tem que entender, jovem Sacerdotisa, que significava um prenúncio de que não pode ter privacidade porque toca a vida dos outros. — Stevie Rae olhou nos olhos de Dragon. Suas palavras eram fortes. Seu tom era amável. Mas aquilo era desconfiança e raiva que ela viu em sua expressão, ou era só o sofrimento o circulava desde a morte de sua esposa? Enquanto ela hesitou, Dragon continuou, — Uma besta matou Anastasia. Não podemos permitir que qualquer outro inocente seja tocado por essas criaturas da Escuridão se podemos evitá-lo. Você sabe que eu falo a verdade, Stevie Rae.
— Eu - eu sei — ela gaguejou, tentando ordenar as palavras dela. Rephaim matou Anastasia na noite que Darius atirou nele no céu. Ninguém nunca ia esquecer que - nunca se pode esquecer, especialmente agora que as coisas mudaram. Havia semanas e eu não o vi. Não mesmo. Nosso Imprint ainda existe. Eu posso sentir isso, mas não senti nada dele. E essa falta de sentimento tomou Stevie Rae. — Ok, você está certo. Preciso de ajuda com isso. — Talvez esta seja a maneira como ele foi concebido para ser, ela pensou como ela entregou os poemas a Dragon. Talvez Dragon descubra o meu segredo, e quando ele fizer isso tudo será destruído: Rephaim, o nosso Imprint, e meu coração. Mas pelo menos vai acabar.
Enquanto Dragon lia a poesia Stevie Rae viu sua expressão ficar mais escura. Quando ele finalmente olhou da página para seus olhos, não havia dúvida de sua preocupação.
— O segundo touro que você conjurou, o negro que derrotou o touro mal, que tipo de conexão você teve com ele?
Stevie Rae tentou não demonstrar o quanto ela estava aliviada que Dragon estava se concentrando em touros e não em questioná-la sobre Rephaim.
— Eu não sei se você pode realmente chamar de ligação, mas eu pensei que ele era bonito. Ele era negro, mas não houve trevas sobre ele. Ele foi incrível, como o céu noturno, ou a terra.
— A terra ... — Dragon parecia estar pensando em voz alta. — Se o touro pareceu a você como seu elemento, talvez isso seja o suficiente para os dois de vocês permanecerem conectados.
— Mas sabemos que ele é bom — disse Kramisha. — Não há mistério nenhum quando a isso. Os poemas não podem estar falando dele.
— Então? — Stevie Rae não conseguia esconder sua irritação. Kramisha era como um maldito cachorro com uma sopa de osso. Ela só não ia deixar pra lá.
— Assim, o poema, especialmente o último, é tudo sobre a confiança na verdade. Nós já sabemos que ele é bom. Você pode confiar no touro negro. Porque você precisa de um poema para dizer-lhe isso?
— Kramisha, como eu tentei te dizer antes, eu não sei.
— Eu não acho que ele está falando sobre o touro negro — disse Kramisha. — O que mais eles podem estar falando? Eu não sei de qualquer outra besta. — Stevie Rae disse as palavras rápido, como se a velocidade pudesse tirar a mentira.
— Você disse que Dallas tem uma afinidade incomum, e que ele parecia louco. Isso está correto? — Dragon perguntou.
— Sim, basicamente — Stevie Rae disse.
— A referência besta poderia ser simbólica de Dallas. O poema pode significar que você precisa confiar que a humanidade ainda está dentro dele. — Dragon disse.
— Eu não sei nada sobre isso — Stevie Rae disse. — Ele era uma grande bagunça e super louco última vez que eu vi. Quero dizer que ele estava dizendo alguma coisa seriamente estranha sobre aquele Corvo Escarnecedor que ele viu.
— A Reunião do Conselho está sendo chamada para a sessão! — A voz de Lenobia saiu no corredor da porta aberta para a sala do Conselho.
— Você se importaria se eu ficar com isso? — Dragon ergueu o pedaço de papel quando eles começaram a descer o corredor. — Eu vou copiá-lo e devolvê-lo para você, mas eu gostaria de uma oportunidade de estudar e analisar a poesia mais a fundo.
— Sim, está tudo bem por mim — Stevie Rae disse.
— Bem, eu estou contente que nós tivemos seu cérebro trabalhando nisso, Dragon — Kramisha disse.
— Eu também — Stevie Rae disse, tentando soar como se ela estivesse dizendo a verdade. Dragon fez uma pausa.
— Eu não vou compartilhar isso com todos, só com os vampiros que acredito que poderiam nos ajudar a compreender o significado da poesia. Eu entendo o seu desejo de privacidade.
— Eu vou dizer a Zoey sobre ele, logo que ela voltar amanhã — Stevie Rae disse.
Dragão fez uma careta. — Eu acho que você deveria compartilhar a poesia com Zoey, mas, infelizmente, ela não vai voltar amanhã para a House of Night.
— O quê? Por que não?
— Aparentemente, Stark não está bem o suficiente para viajar, por isso Sgiach deu-lhes autorização para permanecer em Skye indefinidamente.
— Zoey te disse isso? — Stevie Rae não podia acreditar que sua melhor amiga tinha chamado Dragon e não ela. O que Z estava pensando?
— Não, ela e Stark falaram com Jack.
— Oh, o Ritual de Celebração. — Stevie Rae assentiu com a cabeça em compreensão. Z não tinha escondido nada dela. Jack tinha sido superexuberante sobre o ritual que ele nomeou a si mesmo responsável pela música, comida e decoração para – ele provavelmente ligou com uma lista completa de perguntas como: Qual é sua cor favorita? e Doritos ou Ruffles? — Menino gay é excessivamente obcecado. Aposto que ele perdeu a maldita cabeça quando ele descobriu que Z não estaria vindo para casa amanhã.
— Na verdade, ele está usando o tempo extra para continuar a praticar a música que quer cantar, e ele está decorando — Dragon disse.
— Deusa nos ajude — disse Kramisha. — Se ele tentar pendurar o arco-íris e unicórnios em todos os lugares e fazer todos nós usarmos casacos de penas de novo, eu só vou dizer “ah inferno não.”
— Espadas de Origami — Dragon disse.
— Desculpe? — Stevie Rae tinha certeza que ela não tinha ouvido ele direito.
Dragon riu. — Jack apareceu na casa de campo e pediu uma claymore para que ele pudesse ter um exemplo real para trabalhar. Em honra a Stark, ele vai usar espadas de
origami penduradas com linha de pesca. Ele disse que pareceria com a música.
— Porque elas estarão desafiando a gravidade. — Stevie Rae não podia deixar de rir. Ela sentiu carinho por Jack. Ele era muito fofo para palavras.
— Espero que ele não os faça em papel rosa. Isso não seria certo.
Tinham chegado à porta da Câmara do Conselho, e antes de entrar na sala já cheia, Stevie Rae ouviu Dragon dizer: — Rosa não. Roxo. Eu o vi carregando um rolo de papel roxo.
Stevie Rae ainda estava sorrindo quando Lenobia chamou ordem na Reunião do Conselho nos dias que se seguiram, ela se lembraria de seu sorriso e gostaria que ela pudesse resistir à imagem de Jack fazendo espadas de papel roxo e cantando “Defying Gravity”, eternamente olhando para o lado brilhante da vida, eternamente doce, eternamente feliz, e, mais importante, eternamente seguro.

Um comentário:

  1. Eu amo o Jack <3 O personagem mais adorável que já vi

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