3 de outubro de 2015

Capítulo 4

Eu mal tinha tocado na minha maçaneta quando a porta foi aberta e Aphrodite me agarrou pelo pulso. — Dá para pôr a bunda aqui? Merda, você é tão devagar quanto aqueles garotos gordos, Zoey. — Ela me puxou para o quarto e bateu a porta firmemente atrás de nós.
— Eu não sou devagar, e você tem um diabo de explicações pra fazer — eu disse. — Como você chegou aqui? Onde está Stevie Rae? Quando a sua Marca voltou? O que - ? — Minhas perguntas foram cortadas por uma alta, e insistente batida vindo da minha janela.
— Primeiro de tudo, você é uma idiota. É a House of Night e não a Escola Pública de Tulsa. Ninguém tranca suas portas, então eu entrei no seu quarto. Segundo, Stevie Rae está ali. — Aphrodite passou por mim e correu até a janela. Eu só fiquei parada ali olhando para ela enquanto ela abria as cortinas e começava a destrancar a janela pesada. Ela me deu um olhar de irritação por cima dos ombros. — Olá! Uma ajudinha seria bom.
Confusa, eu me juntei a ela na janela. Foi preciso nós duas para abrir ela. Eu olhei do último andar ao antigo prédio de pedra que parecia mais um castelo do que um dormitório. A noite de dezembro ainda estava fria e sombria, e agora estava preparada para chover. Eu podia ver o muro leste através da escuridão e das árvores. Eu tive um calafrio, mas calouros raramente sentem frio, e não era o tempo que estava me fazendo tremer. Foi um deslumbre do muro leste – um lugar de poder e desordem. Ao meu lado, Aphrodite suspirou e se inclinou para frente para poder espiar pela janela. — Pare de brincar e entra aqui. Você vai ser pega, e mais importante, a umidade vai frizzar meu cabelo.
Quando a cabeça de Stevie Rae apareceu, eu quase me mijei.
— Oi, Z! — ela disse alegre. — Dá uma olhada na minha nova ultra legal habilidade de escalada.
— Ohminhadeusa. Entra. Aqui. — Aphrodite passou pela janela aberta, pegou uma das mãos de Stevie Rae, e a puxou. Como se ela fosse um balão, Stevie Rae parou no meu quarto. Aphrodite rapidamente fechou a janela e as cortinas.
Eu fechei minha boca aberta, mas continuei a olhar Stevie Rae enquanto ela se levantava, limpando as jeans e colocando a camiseta de manga comprida para dentro da calça.
— Stevie Rae — eu finalmente consegui dizer. — Você escalou o lado de fora do dormitório?
— Yep! — Ela disse com um sorriso para mim, acenando a cabeça fazendo o cabelo curto dela se balançar como uma líder de torcida maluca. — Legal, huh? É como se eu fosse parte do prédio de pedra, e eu fiquei sem peso, e, bem, aqui estou. — Ela ergueu as mãos.
— Como o Drácula — eu disse, e sabia que tinha dito meu pensamento em voz alta quando Stevie Rae franziu e disse, — O que é como o Drácula?
Eu sentei pesado na ponta da minha cama. — É o livro, Drácula, o antigo de Bram Stoker — eu expliquei, — Jonathan Harker diz que viu Drácula subindo pelo lado do castelo.
— Oh, yeah, eu posso fazer isso. Quando você diz “como Drácula,” eu pensei que eu parecia como o Drácula – assustadora e pálida com um péssimo corte de cabelo e aquelas longas e nojentas unhas. Não foi isso que você quis dizer, foi?
— Não, você está ótima, na verdade. — Eu definitivamente estava dizendo a verdade. Stevie Rae parecia ótima, especialmente comparado a quando ela estava parecendo (e cheirando) mês passado. Ela parecia como a Stevie Rae de novo, antes do corpo da minha melhor amiga rejeitar a Mudança e ela morrer a quase exatamente um mês atrás, e então, de alguma forma, voltar dos mortos. Mas ela estava diferente – quebrada. A humanidade dela foi quase completamente perdida, e ela não era a única garota a que isso tinha acontecido. Havia um bando de nojentos garotos mortos vivos andando pelos túneis proibidos debaixo de Tulsa perto do depósito abandonado. Stevie Rae quase virou um deles – eu digo, odiosa, e perigosa. A afinidade dela com o elemento da terra fui tudo que a ajudou a se manter, mas não foi o suficiente. Ela estava caindo. Então, com a ajuda de Aphrodite (que também recebeu uma afinidade pela terra), eu lancei um círculo e pedi a Nyx para curar Stevie Rae.
E a deusa tinha, mas durante o processo de cura, pareceu que Aphrodite tinha que morrer para salvar a humanidade de Stevie Rae. Graças a deus, isso não foi verdade. Ao invés de morrer, a Marca de Aphrodite desapareceu enquanto a Marca de Stevie Rae milagrosamente se coloriu e expandiu, mostrando que ela completou a Mudança para uma vampira. Mas para acrescentar uma confusão geral, a tatuagem de Stevie Rae não tinha aparecido na cor tradicional de safira, a Marca de todos os adultos são dessa cor. A Marca de Stevie Rae é escarlate – a cor de sangue.
— Uh, olá. Terra para Zoey. Alguém em casa? — A voz de Aphrodite cortou minha tagarelice mental. — Melhor checar. Ela está surtando.
Eu pisquei. Embora eu estivesse rindo para Stevie Rae, eu não a estava vendo. Ela estava parada no meio do quarto – o que costumava ser nosso quarto um mês atrás, quando a morte dela mudou tudo completamente para sempre – olhando ao redor com enormes lágrimas.
— Oh, querida, desculpe — eu corri até ela e a abracei. — Deve ser difícil para você voltar aqui. — Ela parecia dura e estranha nos meus braços, e eu me afastei um pouco para poder olhar para ela.
A expressão no rosto dela gelou meu sangue. As lágrimas foram substituídas por raiva. Eu me perguntei por um instante porque a raiva dela parecia familiar – Stevie Rae estava realmente fula. E então eu percebi o que estava reconhecendo. Stevie Rae parecia como antes de eu lançar o círculo e receber sua humanidade de volta. Eu me afastei dela.
— Stevie Rae? Qual o problema?
— Onde estão minhas coisas? — A voz dela, como o rosto, era maldosa.
— Querida — eu disse gentilmente. — Os vampiros levam as coisas dos calouros quando eles, uh, morrem.
Stevie Rae virou os olhos estreitos para mim. — Eu não estou morta.
Aphrodite se moveu para ficar ao meu lado. — Hey, não fica maluca com a gente. Os vampiros acham que você está morta, lembra?
— Mas não se preocupe — eu disse rapidamente. — Eu fiz eles me devolverem várias coisas suas. E eu sei onde o resto está. Eu posso pegar de volta se você quiser.
E bem assim, a maldade desapareceu e eu estava olhando para minha melhor amiga de novo. — Até minha lâmpada feita de uma bota de cowboy?
— Até isso — eu disse, sorrindo para ela. Diabos, eu também ficaria fula, se alguém pegasse minhas coisas.
Aphrodite disse, — Era de se imaginar que se alguém morre seu senso de moda horrível fosse mudar. Mas não. Seu mau gosto continua imortal.
— Aphrodite — Stevie Rae disse firmemente a ela, — você deveria ser mais gentil.
— E eu digo tanto faz para você e seu jeito Mary Poppins de ver a vida — Aphrodite disse.
— Mary Poppins era britânica. O que significa que ela não era do campo — Stevie Rae disse de mau humor.
Stevie Rae soava tanto como a antiga ela que eu dei um grito de felicidade e joguei meus braços ao redor dela de novo. — Estou tão feliz em ver você! Você realmente está bem agora, não é?
— Meio diferente, mas ok — Stevie Rae disse, também me abraçando.
Eu senti uma incrível onda de alivio que se afogou quando ela disse “meio diferente.” Eu acho que estava tão feliz em ver ela, inteira de novo, que eu tive que manter esse conhecimento seguro e especial dentro de mim por um tempo, e essa necessidade não me deixou considerar que havia algum problema com Stevie Rae. Além do mais, eu lembrei de outra coisa. — Espera aí — eu disse de repente. — Como vocês voltaram ao campus sem os guerreiros ficarem malucos?
— Zoey, você realmente tem que começar a prestar atenção nas coisas que acontecem ao seu redor — Aphrodite disse. — Eu entrei pela porta da frente. O alarme não tocou, o que eu acho que faz sentido. Eu digo, eu recebi a mesma notificação da escola no meu celular sobre as férias de inverno terem acabado assim como todos que estavam longe do campus. Neferet teve que liberar o alarme ou esse lugar ia ficar insano de se lidar com o alarme tocando sempre que um estudante aparecesse, sem mencionar um zilhão dos deliciosos Filhos de Erebus que estavam chegando aqui como gostosos presentes para todos os estudantes.
— Você não quer dizer que todos os alarmes iam fazer Neferet ficar mais insana do que ela já é?
— Sim, Neferet é definitivamente uma maluca — Aphrodite disse, por um instante concordando completamente com Stevie Rae. — De qualquer forma, o alarme está desligado, até para humanos.
— Huh? Até para humanos? Como você sabe disso? — Eu perguntei.
Aphrodite suspirou, e com um estranho movimento em câmera lenta, ela ergueu a mão e passou pela testa, fazendo as linhas da lua crescente se mancharem.
Eu arfei. — Oh, deus, Aphrodite! Você é... — Minhas palavra foram jogadas enquanto minha boca se recusava a dizer.
— Humana — Aphrodite me ajudou, com uma voz fria.
— Como? Eu digo, tem certeza?
— Tenho certeza. Muita certeza — ela disse.
— Uh, Aphrodite, embora você seja humana, você definitivamente não é uma humana normal — Stevie Rae disse.
— Como assim? — Eu perguntei.
Aphrodite deu nos ombros. — Não significa merda nenhuma para mim.
Stevie Rae suspirou. — Sabe, você tem sorte em ter se transformado em humana e não num garoto de madeira, porque com toda essa mentira, seu nariz iria ficar um quilômetro mais longo.
Aphrodite chacoalhou a cabeça enojada. — De novo com a analogia a filmes. Eu não sei porque eu simplesmente não morri e fui pro inferno. Pelo menos eu não seria bombardeada com a Disney lá.
— Dá para me dizer o que diabos está acontecendo? — eu disse.
— Melhor explicar a ela. Ela está quase xingando — Aphrodite disse.
— Você é tão odiosa. Eu devia ter te comido quando eu estava morta — Stevie Rae disse.
— Você deveria ter comido sua mãe quando estava morta — Aphrodite disse, agindo como se ela achasse que era negra. — Não é de se admirar que Zoey precise de uma ajuda nova. Você é uma dor no traseiro total.
— Zoey não precisa de uma nova ajuda! — Stevie Rae gritou, virando para Aphrodite e dando um passo em direção a ela. Por um instante, eu achei ter visto os olhos azuis dela brilharem com o horrível vermelho que iluminava os olhos de Stevie Rae quando ela estava morta viva e fora de controle.
Sentindo como se minha cabeça fosse explodir, eu me meti entre elas. — Aphrodite, pare de mexer com Stevie Rae!
— Então é melhor você checar sua amiga. — Aphrodite foi até o espelho em cima da minha pia, pegou um lenço, e começou a limpar o que sobrou da lua crescente na testa dela. Eu notei que por todo aquele tom despreocupado, as mãos dela estavam tremendo.
Eu virei de volta a Stevie Rae, cujos olhos mais uma vez estavam de um familiar azul.
— Desculpe, Z — ela disse, sorrindo como se estivesse culpada. — Eu acho que dois dias com Aphrodite está me irritando.
Aphrodite bufou e eu olhei para ela. — Só não comecem de novo — eu disse.
— Ótimo, tanto faz. — Nossos olhos se encontraram pelo espelho, e eu tenho quase certeza que vi medo no olhar de Aphrodite. Então ela voltou a arrumar seu rosto.
Me sentindo confusa, eu tentei voltar a onde a conversa tinha ficado estranha. — Então, qual é o negócio de você dizer que Aphrodite não é normal? E eu não me refiro à atitude horrível dela — eu disse com pressa.
— Fácil-Fácil — Stevie Rae disse. — Aphrodite ainda tem visões, e as visões dela não são normais para humanos. — Ela deu a Aphrodite aquele olhar de “aí, vá em frente. Conte a Zoey.”
Aphrodite virou do espelho e sentou no banco que estava perto dela. Ela ignorou Stevie Rae e disse, — Yeah, eu ainda tenho minhas visões. Uma bosta. A única coisa que eu não gostava em ser uma caloura é a única coisa que eu ainda tenho agora que voltei a ser uma humana estúpida de novo.
Eu olhei para Aphrodite mais de perto, vendo através da atuação dela de “sou tudo isso” que ela gostava de fazer. Ela estava pálida, e havia olheiras nos olhos cheios de maquiagem dela. Sim, ela estava definitivamente parecendo como a garota que tinha passado por um bando de porcaria, e uma delas podia ser as cansativas visões dela. Não era de se admirar que ela estava sendo uma vaca; eu era uma idiota por não notar antes.
— O que você viu na visão? — eu perguntei a ela.
Aphrodite me encarou firme por um momento e deixou a parede de arrogância que ela gostava de colocar ao redor dela como um escudo. Uma terrível sombra cruzou o lindo rosto dela, e as mãos dela tremiam enquanto ela a erguia para colocar o cabelo loiro dela atrás da orelha.
— Eu vi vampiros matando humanos e humanos matando vampiros. Eu vi o mundo cheio de violência e ódio e escuridão. E na escuridão eu vi criaturas tão horríveis, que não sei dizer o que eram. Eu – eu nem consigo continuar a olhar para eles. Eu vi o fim de tudo. — A voz de Aphrodite era tão assombrada quanto o rosto dela.
— Conte o resto — Stevie Rae disse quando Aphrodite pausou, e eu estava surpresa pela repentina gentileza na voz dela. — Diga a ela porque isso estava acontecendo.
Quando Aphrodite falou, eu senti as palavras dela como se fossem pedaços de vidro que ela esmagou na minha cabeça.
— Eu vi que tudo isso estava acontecendo porque você morreu, Zoey. A sua morte faz isso acontecer.

9 comentários:

  1. vc devia dizer hominhadeusa..... kkkkkkkkkkkkk

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  2. A Zoey não pode morrer !!!!!!!!!!

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  3. oiiiiiii ? Z não pode morrer

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  4. Porra fudeu!! Zoey vc nn pode morrer. Juh

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  5. fudeu!!!!!!!!!!!como assim? issso nao pode acontecer :-O >_< ass:aninha

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  6. será que vai acontecer com a z o mesmo q aconteceu com estivie?

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