2 de outubro de 2015

Capítulo 4

Vovó tentou salvar o resto da celebração do meu aniversário. Andamos pela Utica Square até o Restaurante Stonehorse, onde decidimos comer um bolo de aniversário descente. O que significa que vovó tomou duas taças de vinho tinto e eu tomei uma coca com um enorme, e grudento pedaço de bolo do diabo. (Sim, nós gostamos da ironia.)
Vovó não tentou fabricar alguma porcaria de desculpa sobre a minha mãe não ter falado sério... ela vai dar a volta por cima... só dê a ela tempo... blá... blá... blá. Vovó foi muito mais prática e muito mais legal que isso.
— Sua mãe é uma mulher fraca que só consegue encontrar identidade através de um homem — ela disse enquanto tomava um gole de vinho. — Infelizmente, ela escolheu um péssimo homem.
— Ela nunca vai mudar, vai?
Vovó tocou minha bochecha gentilmente. — Ela pode, mas eu honestamente duvido, Zoey Passarinha.
— Eu gosto que você não minta para mim, vó — eu disse.
— Mentir não conserta as coisas. Nem facilita as coisas, pelo menos não a longo prazo. Melhor falar a verdade e então limpar uma honesta confusão.
Eu suspirei.
— Querida, você tem uma confusão que precisa limpar? — Vovó perguntou.
— Yeah, mas infelizmente não é uma honesta. — Eu dei a vovó um sorriso envergonhado e contei a ela sobre a minha desastrosa festa de aniversário.
— Sabe, você vai ter que dar um jeito nesse problema com namorado. Heath e Erik não vão aguentar um ao outro por muito tempo. — Ela levantou seus dedos, medindo um centímetro junto à palavra “muito tempo.”
— Eu vou, mas Heath esteve no hospital por quase uma semana depois de todo o problema do serial killer que eu o salvei, e então seus pais o levaram para as Ilhas Cayman para as férias de Natal. Eu não o vejo a um mês. Então não tive chance para resolver os problemas sobre Heath e Erik. — Eu me concentrei em raspar o fundo do prato ao invés de olhar para vovó. O “todo o problema do serial killer” era mentira. Eu salvei Heath, mas não foi de algum humano maluco. Eu o salvei de um grupo de criaturas que minha melhor amiga, a morta viva Stevie Rae, foi (e provavelmente ainda é) a líder. Mas eu não podia contar a vovó isso. Eu não podia contar a ninguém, porque atrás disso estava a Alta Sacerdotisa da House of Night, minha mentora, Neferet, e ela é psíquica demais para o meu próprio bem. Ela parece não conseguir ler minha mente, pelo menos não muito bem, mas se eu conto a alguém – ela lê a mente dele – e ficamos com muitos problemas.
Em falar em estresse.
— Talvez você devesse ir para casa e resolver — vovó disse. Então, quando ela viu meu olhar assustado ela acrescentou, — Quero dizer, resolver seus problemas com o presente de natal-aniversário, com Heath e Erik.
— Oh, ótimo. Yeah, eu deveria fazer isso. — Eu parei, pensando sobre o que ela tinha dito. — Sabe, ela realmente se transformou em casa.
— Eu sei. — Ela sorriu. — Estou feliz por você. Você está encontrando seu lugar, Zoey Passarinha, e estou orgulhosa de você.
Vovó me levou até onde eu estacionei o antigo VW Fusca, e me abraçou dando tchau. Eu a agradeci por seus grandes presentes de novo, e nenhuma de nós mencionou minha mãe. Isso é algo que não faz bem nenhum comentar. Eu disse a vovó que eu ia voltar para a House of Night para consertar as coisas com meus amigos, e falei sério. Mas ao invés disso eu me descobri dirigindo para o centro. De novo.
No último mês toda a noite que eu podia dar uma desculpa esfarrapada para sair sozinha, eu andei assombrando as ruas do centro de Tulsa. Assombrando... eu bufei para mim mesma. Essa era uma excelente palavra para usar em minha busca por minha melhor amiga, Stevie Rae, que morreu a um mês atrás, e se tornou uma morta viva.
Sim, era tão estranho quanto soava.
Calouros morrem. Todos sabemos disso. Eu testemunhei a morte de dois dos três que morreram desde que estive na House of Night. Ok, então todos sabíamos que podíamos morrer. O que ninguém sabia era que os últimos três calouros que morreram foram ressucitados, ou reviveram, ou... diabos! Eu suponho que um jeito fácil de descrever é que eles se transformaram nos estereótipos dos vampiros: vivos mortos que são monstros que sugam sangue sem humanidade. E todos cheiram mal, também.
Eu sabia porque tinha tido o azar para ver o que primeiro eu achei que fosse o fantasma dos dois calouros que morreram. Então adolescentes humanos começaram a ser mortos, e parecia que alguém estava tentando fazer parecer que um vampiro era o assassino. Isso foi uma droga, especialmente porque eu conhecia os dois primeiros garotos que foram mortos, e a atenção da polícia se voltou para mim por um tempo. O que foi ainda pior era que Heath foi o terceiro humano a ser sequestrado.
Bem, eu não podia deixar ele ser morto. Além do mais, nós meio que acidentalmente tivemos um Imprint. Com a ajuda de Aphrodite eu descobri como seguir o Imprint até Heath. A polícia achou que eu resgatei um bem acabado Heath de um humano serial killer.
O que eu realmente tinha descoberto?
Minha amiga morta viva e seus nojentos seguidores. Eu tirei Heath de lá (o “lá” eram os velhos túneis proibidos no centro, embaixo do abandonando depósito de Tulsa) e confrontei Stevie Rae. Ou o que sobrou dela.
Vê, um problema era que eu não acreditava que toda a humanidade dela tinha sido destruída, como parecia ter acontecido com os outros mortos vivos e muito nojentos ex-calouros que estavam tentando se alimentar de Heath.
O segundo problema era Neferet. Stevie Rae me disse que ela era a responsável por aquilo. Eu sabia que era verdade porque Neferet colocou um horrível feitiço em Heath e eu logo depois da polícia aparecer. Ele deveria nos fazer esquecer tudo que tinha acontecido nos túneis. Eu acho que funcionou com Heath. Só funcionou comigo temporariamente. Eu usei o poder dos cinco elementos para quebrar o feitiço em mim.
Então, resumindo. Desde então eu estava preocupada com o que diabos eu ia fazer sobre: um, Stevie Rae; dois, Neferet; três, Heath. Pode parecer que nenhuma das minhas preocupações esteve por perto no ultimo mês, mas não ajudou.
— Certo — eu disse em voz alta, — é meu aniversário, e que aniversário de merda ele foi, até mesmo para mim. Então, Nyx, só vou pedir para você um favor de aniversário. Eu quero encontrar Stevie Rae. — Eu adicionei com pressa “por favor.” (Como Damien teria me lembrado, quando falar com a deusa é melhor ser educada.)
Eu não esperava nenhum tipo de resposta, então quando as palavras abaixe sua janela, continuou indo ao redor da minha mente, eu pensei que eram as letras de uma música do rádio. Mas meu rádio não estava ligado, e as palavras não tinham nenhuma música com elas – além do mais, elas estavam dentro da minha cabeça e não saindo do meu rádio.
Me sentindo mais do que um pouco nervosa em abaixei minha janela.
Esteve raramente quente a semana toda. Hoje o pico foi 15 graus, o que era estranho para o dezembro, mas era Oklahoma, e estranho era só outra palavra para o tempo de Oklahoma. Ainda sim, era perto da meia noite e a noite definitivamente esfriava. Não que me incomodasse. Vampiros adultos não sentem o frio na mesma intensidade que os humanos. Não, não é porque eles são pedaços frios e mortos de carne reanimada (eesh, mais pode ser o que Stevie Rae é). É porque o metabolismo deles é muito diferente dos humanos. Como uma caloura, especialmente que é mais avançada que a maior parte dos garotos que foram marcados há apenas dois meses, minha resistência para o frio já era muito melhor que de garotos humanos. Então o ar frio entrando no meu Fusca não me incomodou, o que foi estranho porque de repente eu comecei a espirrar e me sentir meio assustada.
Uhg, o que era esse cheiro? Era como um porão com fungos e salada de ovo que não foi refrigerada rápido o bastante e sujeira tudo misturado junto para fazer um nojento perfume que era nojentamente familiar.
— Ah, diabos! — Eu percebi o que estava sentindo e passei meu Fusca por um beco para estacionar um pouco ao norte da estação de ônibus do centro. Mal demorei para fechar minha janela e fechar a porta (eu morreria se minha primeira edição de Drácula fosse roubada) antes de sair do carro e correr para calçada onde fiquei bem parada e cheirei o ar. Eu senti o cheiro imediatamente. Ugh. Era horrível demais para ignorar. Era muito horrível para ignorar. Ainda cheirando como um cão retardado, eu comecei a seguir meu nariz pela calçada para longe das confortáveis luzes da estação de ônibus.
Eu a encontrei em um beco. Primeiro eu achei que ela estava inclinada por cima de uma enorme sacola cheia de lixo e meu coração se apertou. Eu tinha que tirar ela desse tipo de vida – eu tinha que descobrir um jeito de manter ela segura até essa coisa horrível que aconteceu com ela ser consertada. Ou ela precisa morrer de uma vez por todas. Não! Eu fechei minha mente para esse tipo de pensamento. Eu vi Stevie Rae morrer uma vez. Eu não ia fazer isso de novo.
Mas antes de poder chegar até ela e a envolver em meus braços (enquanto segurava a respiração) e dizer a ela que tudo ficaria bem, o lixo se gemeu e se mexeu e eu percebi que Stevie Rae não estava cavando dentro de um lixo, ela estava mordendo um sem teto no pescoço!
— Oh, deus! Jessh, dá pra parar!
Com uma velocidade nada humana, Stevie Rae virou. O sem teto caiu no chão, mas Stevie Rae se manteve segurando um dos pulsos sujos dele. Os dentes cerrados e olhos brilhando em um tom muito assustador de vermelho ela assoviou para mim. Eu estava enojada demais para ficar assustada ou até mesmo surtar. Além do mais, eu acabei de ter um terrível aniversário e as pessoas, mesmo a minha melhor amiga morta viva, estavam me irritando.
— Stevie Rae, sou eu. Dá pra parar com essa merda. Além do mais, é um ridículo clichê vampiro.
Ela não disse nada por um segundo, e eu tive o terrível pensamento de que ela poderia de alguma forma ter deteriorado no mês desde que eu a vi, a um ponto em que ela ficou praticamente igual ao resto deles – bestial e inalcançável. Meu estômago deu uma virada dolorosa, mas eu encontrei os olhos vermelhos dela e virei os meus. — E, por favor, você está fedendo. Não tem chuveiros na Terra Assustadora dos Mortos Vivos?
Stevie Rae franziu, o que foi uma melhora, porque os lábios dela cobriram seus dentes. — Vá embora, Zoey — ela disse.
A voz dela era fria e chata, fazendo o que costumava ser um doce sotaque Okie soar como rouco, mas ela disse meu nome, o que era todo o encorajamento que eu precisava.
— Não vou a lugar nenhum até conversarmos. Então solte o sem teto – eesh, Stevie Rae, ele provavelmente tem piolho e quem sabe o que mais – e vamos conversar.
— Se você quer conversar vai ter que esperar eu terminar de comer. — Stevie Rae colocou sua cabeça de lado em um movimento que parecia de um inseto. — Se eu não me lembro que você teve um Imprint com seu pequeno brinquedinho humano? Me parece que você também gosta de sangue. Quer se juntar a mim? — Ela sorriu e lambeu as presas.
— Ok, nojento, apenas nojento! E para sua informação Heath não é meu brinquedinho. Ele é meu namorado, ou um deles pelo menos. Eu suguei o sangue dele por acidente. Eu ia te contar, mas você morreu. Então, não. Eu não quero morder essa pessoa. Eu nem sei onde ela andou. — Eu dei à pobre, mulher com olhos bem abertos e cabelo desarrumado um fraco sorriso. — Uh, sem ofensa, senhora.
— Ótimo. Mais para mim. — Stevie Rae começou a se curvar de volta para a garganta da mulher.
— Pare!
Ela olhou por cima dos ombros para mim. — Como eu disse, vá embora, Zoey. Você não pertence aqui.
— Nem você — eu disse.
— Isso é só uma das muitas coisas em que você está errada.
Quando ela virou de volta para a mulher, que agora estava chorando e repetindo “por favor, oh por favor” de novo e de novo, eu dei alguns passos para frente e levantei minhas mãos por cima da cabeça. — Eu disse para soltar ela.
A resposta de Stevie Rae foi assoviar e abrir sua boca para sugar o pescoço da mulher. Eu fechei meus olhos e rapidamente me concentrei. — Ar, venha até mim! — eu comandei. Eu circulei uma mão na minha frente, imaginando um mini-tornado. Eu abri meus olhos quando virei meu pulso e joguei o poder do ar em direção a chorosa sem teto. Exatamente como eu tinha imaginado, o ar a cercou, e mal tocou em um fio de cabelo de Stevie Rae, pegando a vítima dela e carregando ela pelo beco, a soltando apenas quando ela chegou em segurança para o poste de luz. — Obrigado, ar — eu murmurei, e senti a brisa passar pelo meu rosto carinhosamente antes de desaparecer.
— Você está ficando boa nisso.
Eu virei para Stevie Rae. Ela estava me observando com uma expressão obviamente alerta, como se ela achasse que eu ia conjurar outro tornado e prender ela dentro dele.
Eu dei nos ombros. — Estive praticando. Tem a ver com controle e concentração. Você saberia disso se também estivesse praticando.
Um flash de dor passou pelo rosto magro de Stevie Rae tão rapidamente que eu me perguntei se eu realmente o tinha visto ou apenas imaginado. — Os elementos não tem nada a ver comigo agora.
— Isso é bobagem, Stevie Rae. Você tem uma afinidade pela terra. Você tinha antes de morrer, ou algo assim — eu pensei sobre o quão estranho era falar para a Stevie Rae morta viva sobre estar morta. — Esse tipo de coisa não desaparece. Além do mais, lembra nos túneis? Você ainda tem uma afinidade com eles.
Stevie Rae balançou a cabeça e seus cachos curtos e loiros, os que não estavam grudados e sujos, balançaram, me lembrando de como ela costumava parecer. — Desapareceu. Quando eu morri e junto com ela a minha parte humana. Você precisa aceitar isso e seguir em frente. Eu segui.
— Eu nunca vou aceitar isso. Você é minha melhor amiga. Eu não vou seguir em frente.
De repente Stevie Rae fez um horrível som feral, e seus olhos brilharam de um vermelho sangue. — Eu pareço sua melhor amiga?
Eu ignorei o jeito que meu coração estava batendo no meu peito. Ela estava certa. O que ela se tornou não tinha nada a ver com a Stevie Rae que eu conheci. Mas eu não ia acreditar que ela tinha desaparecido por completo. Eu vi deslumbres da minha melhor amiga nos túneis e isso significava que eu não ia desistir dela. Eu queria chorar, mas ao invés disso eu me segurei e forcei minha voz a soar normal.
— Bem, diabos, não, você não parece com a Stevie Rae. Quanto tempo faz desde que você lavou o cabelo? E o que você está usando? — Eu apontei para as calças de ginástica e camiseta muito grande que estavam cobertas por um longo, nojento casaco preto como um daqueles que os bizarros garotos góticos gostam de usar mesmo quando está 50 graus do lado de fora. — Eu não iria parecer como eu se também estivesse vestida assim. — Eu suspirei e dei alguns passo em direção a ela. — Porque você não vem comigo? Eu te levo escondida para o dormitório. Vai ser fácil – não tem praticamente ninguém lá. Neferet não está lá — eu acrescentei, e então me apressei (eu duvidava que qualquer um de nós quisesse falar sobre Neferet ali – diabos, que algum dia iríamos querer falar dela). — A maior parte dos professores está de férias e o pessoal está fazendo viagens rápidas para ver suas famílias. Absolutamente nada está acontecendo. Nem seremos incomodadas por Damien e as Gêmeas e Erik porque eles estão fulos comigo. Então você pode ir junto, tomar um banho, e vou te conseguir algumas roupas de verdade, então podemos conversar. — Eu estava olhando nos olhos dela, então eu vi a saudade que os encheu. Só durou um instante, mas eu sabia que estavam ali. Então ela olhou rapidamente para longe.
— Eu não posso ir com você. Eu preciso me alimentar.
— Não tem problema. Vou conseguir algo para você comer na cozinha do dormitório. Hey, eu aposto que posso encontrar uma tigela de Lucky Charms — eu sorri. — Lembra, eles são magicamente deliciosos – e tem absolutamente nenhum valor nutricional.
— Como se Count Chocula tivesse?
Meu sorriso aumentou aliviado quando Stevie Rae retomou nossa antiga discussão sobre quais dos nossos cereais favoritos eram o melhor. — Count Chocula tem chocolate. Cacau é uma planta. É saudável.
Os olhos de Stevie Rae encontraram os meus. Os dela não estavam mais brilhando em vermelho, e ela também não estava tentando esconder as lágrimas que os estavam enchendo e caindo nas suas bochechas. Eu automaticamente me mexi para abraçar ela, mas ela se afastou.
— Não! Eu não quero que você me toque, Zoey, eu não sou quem costumava ser. Estou suja e nojenta.
— Então volte para a escola comigo e se limpe! — Eu implorei. — Vamos dar um jeito nisso – eu prometo.
Stevie Rae balançou a cabeça tristemente e limpou as lágrimas. — Não tem como dar um jeito nisso. Quando digo que estou suja e nojenta não digo do lado de fora. O que você vê no meu exterior não é metade do nojento que eu sou do lado de dentro. Zoey, eu tenho que me alimentar. Isso não é comer cereais ou sanduíches e beber coca. Eu preciso de sangue. Sangue humano. Se não — Ela parou e vi o terrível tremor que se moveu pelo corpo dela. — Se não, a dor vai me consumir, da fome que queima e eu não vou aguentar. E você precisa entender que eu quero me alimentar. Eu quero abrir as gargantas de humanos e beber o quente sangue tão cheio de terror e raiva e dor que me faz ficar tonta. — Ela parou de novo, dessa vez respirando com força.
— Você não pode realmente querer matar as pessoas, Stevie Rae.
— Você está errada, eu quero.
— Você diz isso, mas eu sei que ainda tem partes da minha melhor amiga dentro de você, e Stevie Rae não ficaria confortável batendo num filhote, muito menos matando alguém. — Eu me apressei quando ela abriu a boca para discordar de mim. — E se eu te conseguir sangue humano para que não tenha que matar ninguém?
Naquele tom sem emoção ela disse, — Eu gosto de matar.
— Você também gosta de ficar imunda e fedendo e parecer nojenta? — eu surtei.
— Eu não me importo mais com o que eu pareço.
— Verdade? E se eu te dissesse que posso te conseguir sua jeans Roper, botas de cowboy, e uma camiseta boa de manga comprida que é muito bem passada? — Eu vi uma faísca nos olhos dela e sabia que tinha conseguido tocar a antiga Stevie Rae. Minha mente se apressou, tentando bolar a coisa certa para dizer enquanto ainda tinha uma parte dela ouvindo. — Então esse é o negócio. Me encontre amanhã a meia noite – não, espere. Amanhã é sábado. De jeito nenhum as coisas vão estar calmas o bastante para mim sair. Então as 3 da manhã no gazebo do Philbrook. — Eu parei um segundo para rir para ela. — Você lembra daquele lugar, certo? — É claro que eu sabia que ela definitivamente lembraria onde era. Ela esteve lá comigo antes, só que aquela noite ela estava tentando me salvar, e não ao contrário.
— Sim. Eu lembro. — Ela disse as palavras com a mesma voz fria e chata.
— Ok, então me encontre lá. Eu vou ter sua roupa comigo e também sangue. Você pode comer, ou beber, ou o que seja, e mudar de roupa. Então podemos começar a dar um jeito nisso. — Eu acrescentei para mim mesma que eu também teria sabão e shampoo e iria conjurar água para a garota se lavar. Eesh, ela tinha um cheiro tão ruim quanto a sua aparência. — Ok?
— Não tem porque.
— Você pode por favor me deixar decidir isso? Além do mais, eu não te contei o horror do meu aniversário ainda. Vovó e eu tivemos uma horrível cena com minha mãe e o padrasto-perdedor. Vovó chamou o meu padrasto-perdedor de cocô de macaco.
Uma risada saiu de Stevie Rae o som tão parecido com o que ela costumava ser que minha visão ficou borrada com lágrimas e eu tive que piscar freneticamente para afastá-las.
— Por favor, vá — eu disse, minha voz rouca com as emoções. — Eu sinto tanto a sua falta.
— Eu vou — Stevie Rae disse. — Mas você vai se arrepender.

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