11 de outubro de 2015

Capítulo 4 - Neferet

Neferet enviou seus novos adoradores, cada um começando sua veneração oferecendo seu corpo a um de seus filhos, e ordenou que fossem despertar os convidados e residentes do hotel, e os reunissem no grande salão de baile.
Neferet decidira montar sua sala de veneração no salão principal. O espaço era cercado por colunas de mármore, tinha um lindo teto alto, ornamentado com lustres de art déco e uma grande escadaria dupla com um corrimão curvado de ferro forjado que ia até o chão – onde seus seguidores ficariam – e o nível superior, onde apenas seus adoradores mais próximos, ou aqueles que cuidariam de suas necessidades, seriam permitidos. Os outros seriam confinados em seus quartos ou no porão de armazenamento que Kylee fora tão amável em mostrar. Ou, caso fossem de muito incômodo e ela não quisesse perder um filamento para possuí-los, eles se tornariam alimento para seus filhos.
Neferet, é claro, só se alimentaria dos suplicantes que capturassem seu interesse.
Kylee fora encarregada de encontrar uma poltrona que serviria temporariamente de trono até que pudesse ter um substituto adequado, contratando alguém para esculpi-lo.
— Você precisará encontrar um mestre artesão para criar exatamente o que preciso. A madeira deve ser manchada com o vermelho escuro do sangue de um touro — ela falou, escolhendo o cenário com cuidado. — E nada daqueles assentos miseravelmente frios e duros que as anciãs do Conselho Supremo preferem. Almofadas de veludo dourado é sobre o que vou me sentar.
Neferet permitiu que duas das governantas mais atraentes a envolvessem em um luxuoso robe púrpura, e decidira não usar sapatos – ela estaria com os pés descalços como deve convir uma Deusa recém-nascida, e voltou para sua sala para encher sua taça de vinho, irritada por que não havia nenhum humano ansioso esperando por ela.
Ela já estava esperando, impacientemente, que os hóspedes e moradores fossem conduzidos para cima por sua equipe obediente para que ela pudesse fazer sua entrada no salão de baile.
— Mesmo para uma Deusa, é tão difícil encontrar uma boa ajuda. Mas deixarei esse erro passar. Há apenas vinte. Eles devem estar bastante ocupados pastoreando os humanos para o minha sala de adoração. Embora eu só deva deixar passar desta vez.
Ela estava tomando o rico líquido vermelho, apreciando o sabor do sangue do bonito carregador que tão graciosamente se oferecera para cortar sua carne e dar sabor ao seu vinho com sangue, quando a televisão chamou a atenção de sua visão periférica. Havia uma legenda na parte inferior da tela, mostrando “ASSASSINATOS EM TULSA”, e a âncora, Chera Kimiko, falava com uma expressão sombria.
Encantada, Neferet pressionou o botão de mudo, esperando reviver os deliciosos detalhes de seu festim. Mas em vez da Igreja na Avenida Boston, a tela mostrou uma imagem do Woodward Park em um estado terrível, pouco atraente e queimado. Em seguida, a câmera se moveu e as sobrancelhas de Neferet se levantaram quando se concentraram na parede de pedra ao lado da gruta que tinha sido tão recentemente seu santuário. Ela pressionou impaciente o botão de volume a tempo de ouvir Kimiko, soando totalmente séria.
“Este é o local dos assassinatos dos dois homens, cujos corpos foram encontrados pelos bombeiros na manhã de ontem. Como informamos anteriormente, a violenta tempestade que criou ventos de mais de 112 quilômetros por hora também carregara consigo o raio mortal. Relâmpagos na área de Tulsa foram responsáveis por cinco mortes de hoje, com mais dez pessoas ainda hospitalizadas em estado grave. Mas a morte destes dois homens não teve, aparentemente, relação com a tempestade. Adam Paluka está ao vivo com o detetive Kevin Marx, e seguiremos com ele para mais detalhes. Adam?”
A cena mudou do parque devastado pela tempestade para um detetive sentado atrás de uma mesa em um escritório comum. Neferet reconheceu-o como o oficial que demonstrara, irritantemente, simpatia à Zoey Redbird no passado. Ela fez uma careta enquanto observava a breve entrevista.
“Detetive Marx, você poderia explicar sobre as duas mortes em Woodward Park, e como descartou as causas relacionadas com a tempestade?”
“Os corpos de dois homens, ambos em seus quarenta e poucos anos, foram encontrados ontem. A causa da morte foi a mesma para ambos – força brusca, trauma e perda de sangue.”
Neferet sorriu, decidindo que este era um excelente ensaio pré-espetáculo para a carnificina que logo descobririam.
“E é verdade que você tem sob custódia alguém que confessou os assassinatos?”
As sobrancelhas de Neferet se ergueram.
— Confessou os crimes? Em custódia? Isso é impossível.
“Sim, estou triste em informar que uma jovem novata, que conheço pessoalmente, veio por vontade própria e confessou ter matado os dois homens.”
— Uma novata! — Neferet explodiu, levantando da poltrona e gritou para a tela da televisão.
“Podemos saber o nome desta novata?”
“Zoey Redbird.”
Neferet gritou, pegou uma das lâmpadas elétricas que tinha desligado e arremessou-a na tela.
— Aquela garota superficial e débil acredita que matou os dois homens? Eu os encontrei apenas atordoados, a poucos metros do meu santuário, e o sangue deles serviu para me alimentar para que eu pudesse fazer o meu caminho para o grande festim na Igreja da Avenida Boston! Zoey Redbird matar dois homens adultos? Que absurdo! Ela não tem vontade de matar ninguém! E ela realmente confessou o crime? Essa menina é uma idiota maior do que eu poderia ter imaginado.
Neferet jogou a cabeça para trás e um riso zombeteiro encheu a cobertura.


Neferet tinha tomado sua posição no meio da graciosa escadaria dupla do salão principal do Mayo. Ela adorava a ironia de que estava de pé no mesmo lugar onde tantos iludidos casais humanos fizeram seus votos de casamento.
— Comida enlatada dura mais tempo que a maioria dos casamentos humanos. Sabiam disso?
Ela sorriu para a multidão reunida no chão reluzente de mármore preto e branco. Ela havia ordenado que a luz dos lustres fossem diminuídas e que candelabros fossem posicionados à sua esquerda e à sua direita no patamar. Ela sabia que sua beleza era divina e seria complementada pela forma como seu vestido brilhava com a carícia da luz de velas.
Ordenado que metade dos seus vinte veneradores a cercassem, embora sem realmente entrar em seu caminho. Os outros dez seres humanos possuídos estavam parados na entrada de seu templo. Ela tinha-lhes dado um comando: ninguém está autorizado a entrar ou sair.
Seus filhos das Trevas se contorciam em volta dela, invisíveis para os boquiabertos seres humanos, mas reconfortantes para ela com sua ânsia familiar.
— Ah, vocês estão corretos em não responder. Essa questão realmente não é digna do primeiro discurso de uma Deusa para o seu povo escolhido. Deixe-me começar de novo.
Neferet se posicionou na frente de seu trono, abriu os braços e disse:
— Vejam! Eu sou Neferet, Deusa das Trevas, Rainha Tsi Sgili. Fiz deste hotel o meu Templo das Trevas, e vocês, pouco afortunados, serão os meus suplicantes fiéis, meus escolhidos. Eu, por sua vez, em troca de sua idolatria, removerei os cuidados do mundo mundano de vocês. Vocês não precisam trabalhar duro em seus empregos sem sentido. Não precisam se voltar para casamentos tediosos e crianças nada atraentes. A partir de hoje até à morte, o seu único objetivo é me venerar. Alegrem-se, humanos!
Seu discurso foi seguido por um longo momento de silêncio absoluto, e, em seguida, a multidão começou a sussurrar nervosamente.
Neferet esperou o que ela sabia que viria, e esse conhecimento manteve o sorriso em seu rosto. Ela gostaria de ensinar lições de vida aos humanos.
Como esperado, Neferet não teve que esperar muito tempo. Uma mulher deu um passo adiante. Ela era alta e morena, estava provavelmente no final da meia-idade, embora estivesse bem preservada – tinha a aparência de uma mulher que trabalhou diligentemente para manter o que restava de sua juventude. Ela usava um vestido de bom gosto, meticulosamente cortado que tinha um belo tom de verde esmeralda.
— Onde conseguiu esse lindo vestido? — Neferet perguntou à humana antes que ela pudesse falar.
A mulher piscou, obviamente surpresa com a pergunta, mas respondeu:
— É um Halston. Comprei-o na Miss Jackson.
— Kylee — Neferet chamou e a menina se levantou de onde estava, com o olhar serenamente robótico na parte inferior da escada. — Anote isso. Precisarei que você vá à Miss Jackson e escolha uma variedade de vestidos para mim. Certifique-se de incluir um dos vestidos de Halston.
— Sim, Deusa — Kylee entoou sem emoção.
Neferet franziu a testa, olhando para Kylee. Será que ela realmente queria que aquela garota escolhesse seu vestuário para ela? A criança não poderia ter mais que vinte anos, e se o seu corte de cabelo curto fosse um exemplo de seu senso de moda, ela realmente poderia ser um desastre.
— Ok, você precisa explicar o que realmente está acontecendo. Eu não tenho tempo para isso — recuperando-se da surpresa, a mulher do vestido esmeralda interrompeu a contemplação interna de Neferet. Ela descansou uma mão bem cuidada em seu quadril magro e olhou para Neferet, batendo o pé, impaciente. — Tenho planos de jantar cedo no Clube Summit, e um avião de volta para Nova York para pegar depois.
— Eu já expliquei a situação — disse Neferet. — Sou agora a sua Deusa. Você não vai ter que jantar no Clube Summit, nem voltar para Nova York, a menos que eu a mande lá em uma missão para mim. Seu único trabalho é o de me venerar. Em troca eu tirarei os seus problemas mundanos e suas preocupações. Que tamanho é esse vestido? Quarenta e dois ou quarenta e seis?
— Sério, esta é uma piada de mau gosto. Frank Snyder está por trás disso, não é? Frank? — a mulher ignorou Neferet e chamou o nome do homem, olhando em volta como se esperasse que ele aparecesse. — Ela está vestida como uma diva de um quadro de prata. Deixe-me adivinhar, ela vai cantar “Smoke gets in your eyes” pelo meu aniversário, não é? Como conseguiu encontrar um vampiro para contratar? Ou aquelas tatuagens são pintadas, hein?
A mulher dera uma volta completa e encarava Neferet novamente, olhando para ela como se estivesse pensando em esfregar suas tatuagens.
Neferet decidiu que sua paciência tinha chegado ao fim.
— Escolhidos, que isto seja uma lição para vocês. Eu não sou uma piada. Sou sua Deusa, possessiva, imortal e onisciente. Estou quase completamente desprovida de paciência, e eu nunca, nunca suporto os tolos — Neferet se inclinou para frente, descansando uma mão no corrimão de ferro. Ela encontrou o olhar da mulher e mergulhou em sua mente desprotegida. — Então seu nome é Nancy, e é o seu aniversário — o sorriso de Neferet era felino. – E você tem cinquenta e três anos, mas diz para os seus amigos que tem quarenta e cinco.
O corpo da mulher estremeceu e engasgou, chocada com a violação, mas impotente para resistir.
— Como você pode saber disso? E como se atreve a dizer!
Neferet fez um som de tédio.
— Uma vida de total autoprivação em nome da beleza. Será que ninguém lhe explicou que, não importa o que faça, você é humana – está destinada a envelhecer? Nancy, você deveria ter comido mais massas, bebido mais vinho, dormido com o jovem filho de seu vizinho mais de duas vezes e deixado seu marido repugnante quando ele teve seu primeiro caso há 25 anos. E, Nancy, sei essas coisas porque sou uma Deusa. Atrevo-me a dizer isso porque eu sou sua Deusa, e você é, obviamente, indigna de mim.
As pessoas em volta Nancy deslocaram-se, como se quisessem se afastar dela, mas ainda tinham olhares estupefatos de confusão e descrença em seus rostos bovinos.
— Seria sensato ficar longe de Nancy. Sei que meu templo tem lavanderia, mas não há nenhuma razão para manchar suas roupas desnecessariamente.
As pessoas mais próximas a Nancy deram alguns passos vacilantes para longe dela. Neferet deu um sorriso de encorajamento para elas enquanto se inclinava e erguia um dos filamentos que serpenteavam ao redor de seus pés nus. Era satisfatoriamente grosso e pesado, e sua superfície fria e elástica pulsava contra sua carne enquanto ele se enrolava ao redor de seu braço.
— Mate Nancy. Faça-a sofrer. Encha sua vida com sofrimento, assim o sofrimento da morte será um conforto para ela — Neferet falou com carinho para seu filho. — E permita-se ser visto.
Ela arremessou a criatura em Nancy. Ela tornou-se visível no ar. Houve engasgos e exclamações da multidão, que mudou para gritos quando o filamento envolveu-se o pescoço de Nancy e começou, lentamente, a rasgar sua carne até lhe cortar seu pescoço.
A multidão descongelou toda de uma vez e, gritando em pânico, dispararam para a saída.
— Eu não lhes dei permissão para deixar a minha presença! — Cheia de poder imortal, a voz de Neferet ecoou pelo vasto salão. — Crianças, mostrai-vos ao meu povo!
O ninho das Trevas em torno dela ondulava e tornou-se visível, mas algumas pessoas nem notaram. Estavam ocupadas demais olhando com horror para as cabeças de serpente negras dos tentáculos que possuíram sua equipe e que, sob seu comando, fez-se visível dentro de campo aberto, escancarando as bocas de cada um dos seres humanos robóticos guardando a saída.
Neferet fez outra nota mental, ela deveria recompensar aqueles de seus filhos que se ofereceram para a tarefa tediosa de possuir sua equipe. Estavam sendo tão obedientes e tão sensíveis. Outro festim deveria ser planejado para eles em breve.
Neferet sentiu um pequeno eixo de poder de deslizar em seu corpo e ela mudou sua atenção para Nancy, cuja cabeça tinha finalmente sido cortada. Havia muito sangue, porém, tanto que o filamento não poderia alimentar-se rápido o suficiente. Neferet suspirou. O piso de mármore brilhante seria sujo. Ela tinha que fazer tudo sozinha?
— Alimentem-se dela, rapidamente! — Neferet ordenou aos filhos mais próximos a ela. — Não posso suportar uma bagunça no meu templo. — Então ela suspirou novamente e voltou sua atenção para a multidão que entrou em pânico. — Vocês estão fazendo um mau começo! — ela gritou para eles. — Em troca de uma vida cheia de novo propósito, tudo o que peço é sua obediência e adoração. Nancy não me deu, e vocês viram o que aconteceu com ela. Que esta seja uma lição para vocês, para todos vocês.
— O que são essas criaturas? — um homem baixo e roliço perguntou, obviamente tentando controlar seu medo enquanto acariciava o braço de uma mulher que também era baixa e gorda, e que enterrara o rosto em seu paletó, soluçando.
— Eles são meus filhos, formados das trevas e leais somente a mim.
— Por que eles estão nas bocas dessas pessoas? — perguntou.
— Porque essas pessoas são a minha equipe e eles, também, devem ser leais apenas à mim. Possuí-los é mais eficiente do que cortar suas cabeças. Agora, vê como é muito mais simples se vocês acabarem por fazer o que mando?
— Mas isso é loucura! — um homem de pé nos fundos do salão gritou. — Você não pode realmente esperar que nós fiquemos aqui para adorá-la! Temos vidas, famílias. As pessoas sentirão nossa falta.
— Estou certo de que sim, mas como eles são pessoas e não imortais, não me diz respeito. Embora, se você for muito, muito bom, posso lhe dar permissão para sua família se juntar a você.
— Você não terá permissão para fazer isso — disse uma mulher entre soluços. — A polícia virá procurar por nós.
Neferet riu.
— Oh, eu espero que sim. Estou ansiosa para o confronto. Deixe-me assegurar-lhe, o Departamento de Polícia de Tulsa não sairá vitorioso.
— E agora? O que vamos fazer? Meu Deus! Oh meu Deus! — gritou outra mulher.
— Cale-a! — Neferet ordenou, e um filamento voou para a mulher, envolvendo seu rosto e fechando a sua boca. Contorcendo-se, ela caiu no chão.
Neferet deu um longo suspiro de alívio quando não apenas seus gritos pararam, mas todo o pânico semelhante do bando acalmou também. Ela ajeitou o vestido já perfeitamente ajustado e falou calmamente para seus adoradores que apresentavam olhares chocados.
— Vocês devem aprender essas lições agora — ela apontou irritadamente às lições que ensinara, gesticulando com seus dedos longos e finos. — Eu não suporto histeria. Não suporto deslealdade. Também não estou totalmente feliz com os homens brancos de meia-idade. Agora, preciso de sessenta voluntários. Quem gostaria de participar de algo muito importante em minha cobertura?
Ninguém se moveu. Ninguém encontrou seu olhar. Neferet suspirou de novo e acrescentou:
— Eu não vou me alimentar de qualquer um desses sessenta voluntários.
Uma jovem levantou a mão trêmula.
— Sim, minha querida. Qual é a sua pergunta?
— Você... Você vai dizer às cobras para entrar em nossas bocas?
Neferet sorriu docemente para ela.
— Não, eu não vou.
— En-então eu sou voluntária — disse ela.
— Muito bem! — Neferet elogiou. — Qual o seu nome?
— Staci.
— Não, eu vou te chamar Gladys. Esse é um nome muito mais digno, não acha?
A jovem assentiu com a cabeça.
— Então, Gladys, passe para o lado esquerdo da minha sala de adoração. Agora, quero mais cinquenta e nove pessoas que sejam tão entusiastas como Gladys para se juntar a ela.
Quando ninguém mais se moveu, Neferet encheu sua voz com raiva e gritou:
— Agora!
Como se tivessem sido atingidos por um chicote, um grupo de seres humanos se juntou a Gladys.
— Kylee, conte-os e me deixe saber quando eu tiver sessenta voluntários.
Com uma crescente impaciência, Neferet esperou. Finalmente, Kylee disse:
— Há sessenta voluntários, Deusa.
— Muito bem. Seja atenciosa, Kylee, e leve-os para a minha cobertura. Peça-lhes para esperar na varanda até o meu comando. Ah, e abra várias garrafas de champanhe. Sirva generosamente. Meus voluntários devem ser recompensados!
Parecendo confusos, mas aliviados, os sessenta se arrastaram até os elevadores. Neferet voltou sua atenção para os adoradores restantes. Eles olhavam para ela como se esperassem que ela lançasse uma enorme lâmina da guilhotina sobre todos eles.
— Seria mais fácil possuir todos eles. Instruir os humanos modernos sobre como venerar corretamente uma Deusa será infinitamente tedioso — Neferet murmurou para si mesma enquanto tamborilava os dedos contra a grade de ferro.
Uma mulher que estava perto o bastante para ouvi-la deu vários passos em direção à escada, e ao capturar o olhar de Neferet, curvou-se em uma profunda reverência graciosa.
As sobrancelhas de Neferet ergueram-se. Ela estudou a mulher, que permaneceu em uma reverência, a cabeça respeitosamente baixada. Ela era mais velha do que Nancy, mas não por muito. E, embora estivesse vestida com um terno caro de bom gosto e bem cortado, aparentava a idade que tinha.
— Você pode se levantar — Neferet disse finalmente.
— Obrigada, Deusa. Tenho sua permissão para me apresentar à senhorita?
— Sim, na verdade — Neferet disse completamente intrigada.
— Eu sou Lynette Witherspoon, proprietária da Everlasting Expressions. Gostaria de oferecer meus serviços a você.
— Lynette. Sim, esse nome é inofensivo. Você pode mantê-lo. E o que é exatamente Everlasting Expressions?
— É a minha companhia. Forneço o planejamento de eventos, decoração e coordenação para uma clientela discriminada — disse ela.
Neferet apreciou o orgulho e a confiança em sua voz.
— E o que você se propõe a fazer por mim?
— Tudo — Lynette respondeu com firmeza. Ela olhou ao redor do salão de baile para as pessoas amontoadas atrás dela antes de encontrar o olhar de Neferet. — Acredito que o culto de uma Deusa é um evento contínuo de grande importância que deve ser prazeroso e feito com bom gosto. Se me permitir, posso assegurar-lhe de que a sua veneração será um evento espetacular após o outro.
— Interessante... — Neferet ponderou. — Lynette, você não vai se importar se eu tiver um breve vislumbre indolor das suas intenções, vai?
Embora ela houvesse formulado como uma pergunta, Neferet não esperou pela resposta de Lynette. Ela se moveu na mente da mulher mais suavemente do que na de Nancy, no entanto.
O que ela encontrou fez o sorriso Deusa abrir-se.
— Lynette, você é uma oportunista.
— S-sim — ela respondeu um pouco trêmula depois que Neferet deixou sua mente.
— E você detesta homens.
O sorriso de Neferet alargou-se.
— Eu não sou divina, então só posso adivinhar, mas acho que você entende esse ódio — disse Lynette.
— Gosto de você, Lynette. Permitirei que você gerencie o planejamento da minha adoração.
Lynette fez uma reverência profunda novamente.
— Obrigada, Deusa.
— E qual é a sua primeira ordem de negócio? — Neferet estava quase insuportavelmente curiosa sobre o que esta humana incomum pretendia.
— Bem — disse Lynette, acariciando seu coque e estudando as pessoas que estavam em silêncio, estupidamente atrás dela — todos os eventos começam com duas coisas: a roupa e a decoração corretas.
— Eu tenho apenas um requisito — Neferet apontou.
— Sim, Deusa — Lynette concordou respeitosamente.
— E vocês, meus adoradores —- ela fez um gesto para o resto do grupo — façam o que Lynette mandar — Neferet voltou os olhos para Lynette, e acrescentou, — Enquanto ela não ordenar que tentem deixar o meu templo.
— Eu não pensaria nisso, Deusa — Lynette disse rapidamente.
— Oh, minha querida, você já pensou nisso. Apenas percebeu quão imprudente o pensamento era.
Lynette inclinou a cabeça.
— Touché, Deusa.
— Agora, deixo minha decoração em suas mãos capazes, Lynette. Vou me retirar para a minha cobertura e preparar os...
A partida de Neferet foi interrompida pelo carregador alto, Judson, que a estava chamando das portas da frente acorrentadas e trancadas do Mayo.
— Deusa! A polícia está aqui!

Um comentário:

  1. Eu sábia que não tinha sido a Zoey!
    Essa neferet é um monstro!

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