9 de outubro de 2015

Capítulo 4 - Aurox

Aurox correu, sem saber ou se importar para onde o seu corpo o estava levando. Ele só sabia que tinha que fugir do círculo, e de Zoey, antes que ele cometesse outra atrocidade. Os seus pés, completamente transformados em cascos fendidos e demoníacos, rasgavam o solo fértil, transportando-o em uma velocidade sobre-humana através dos campos de lavanda adormecidos pelo inverno.
Como o vento que batia no seu corpo, as emoções oscilavam dentro de Aurox.
Confusão – ele não queria machucar ninguém, mas mesmo assim tinha matado Dragon e talvez até Rephaim. Raiva – ele tinha sido manipulado, controlado contra a sua vontade! Desespero – jamais acreditariam que ele não tinha a intenção de machucar ninguém. Ele era uma besta, uma criatura das Trevas. O Receptáculo de Neferet. Todos iriam odiá-lo. Zoey iria odiá-lo. Solidão – mesmo assim, ele não era o Receptáculo de Neferet.
Não importava o que havia acontecido naquela noite. Não importava como ela tinha conseguido controlá-lo. Ele não pertencia, não iria pertencer a Neferet. Não depois de ver o que ele tinha visto esta noite... e de sentir o que ele havia sentido.
Aurox havia sentido a Luz. Apesar de ele não ter sido capaz de abraçá-la, ele havia compreendido a força de sua bondade no círculo mágico e reconhecido a sua beleza na invocação dos elementos. Até aqueles filamentos repugnantes controlarem a besta dentro dele, Aurox tinha assistido, fascinado, ao ritual comovente que havia culminado com a Luz limpando o toque das Trevas na terra e nele, apesar de a purificação que sentiu ter durado apenas um momento.
Que foi o bastante para que Aurox percebesse o que havia feito. E então a raiva justa e o ódio compreensível que os guerreiros sentiram tomaram conta dele, e Aurox só teve humanidade suficiente para fugir e não matar Zoey.
Aurox encolheu os ombros e gemeu quando a transformação de besta em garoto novamente ondulou pelo seu corpo, deixando-o descalço e com o peito nu, vestido apenas com um jeans rasgado. Uma fraqueza terrível dominou o seu corpo. Trêmulo e respirando com dificuldade, ele diminuiu a velocidade, passando a caminhar de modo vacilante. A sua mente era uma batalha. Ele sentia ódio por si mesmo.
Aurox vagou a esmo antes do amanhecer, sem saber ou se importar com onde ele estava, até que ele não pode mais ignorar as necessidades físicas do seu corpo e seguiu o cheiro e o barulho de água. Na beira de um riacho cristalino, Aurox se ajoelhou e bebeu, até que o fogo dentro dele estivesse saciado. E então, dominado pela exaustão e pelas emoções, ele desabou. Um sono sem sonhos finalmente venceu a batalha dentro dele, e Aurox adormeceu.
Aurox despertou com o som dela cantando. Era uma voz tão serena e relaxante que no começo ele nem abriu os olhos. A voz dela era cadenciada, como a batida do coração, mas foi algo além do seu ritmo que tocou Aurox. Foi a emoção que inundava a sua canção.
Não que ele a sentisse do mesmo modo que acontecia quando canalizava emoções violentas para alimentar a metamorfose que transformava o seu corpo de garoto em uma besta. A emoção na canção vinha da própria voz dela – alegre, cheia de vida, agradável.
Ele não sentiu essas coisas junto com ela, mas elas trouxeram para ele imagens de alegria e permitiram que uma possível felicidade tocasse em sua mente desperta. Aurox não conseguia entender nenhuma das palavras, mas ele não precisava. A voz dela se elevava, e isso transcendia qualquer linguagem.
Mais completamente desperto, ele quis ver a dona da voz. Quis questioná-la sobre alegria. Para tentar entender como ele poderia criar aquele sentimento por si próprio. Aurox abriu os olhos e se sentou. Ele havia desabado não muito longe da casa da fazenda, perto da margem do pequeno córrego. Era uma faixa sinuosa de água límpida que corria calmamente, musicalmente, sobre areia e pedras.
O olhar de Aurox seguiu o curso do riacho, à sua esquerda, até onde a mulher estava, usando um vestido sem mangas, com longas franjas de couro decoradas com contas e conchas. Ela dançava graciosamente, acompanhando o ritmo da sua canção com os pés descalços. Apesar de o sol estar apenas se levantando no horizonte e de a manhã estar fria, ela estava corada, animada, cheia de energia. A fumaça do feixe de plantas secas na mão dela flutuava ao seu redor, aparentemente no mesmo ritmo da canção.
Apenas observá-la fez com que Aurox se sentisse melhor. Ele não precisou canalizar a alegria dela – a alegria era palpável ao seu redor. O espírito dele se elevou porque a mulher estava tão tomada pela emoção que ela transbordava. Ela jogou a cabeça para trás, e o seu longo cabelo prateado com fios negros tocou facilmente a sua cintura fina. Ela ergueu os braços nus, como que abraçando o sol nascente, e então começou a se mover em círculo, marcando o compasso com os pés.
Aurox estava tão envolvido pela canção que não reparou que ela estava se virando na sua direção, e que iria vê-lo, até que os olhos deles se encontraram. Então ele a reconheceu. Era a avó de Zoey, que havia ficado no centro do círculo na noite anterior. Ele esperou que ela ofegasse ou gritasse ao vê-lo de repente ali, no extenso gramado na beira do seu riacho. Em vez disso, a sua dança alegre terminou. A sua canção cessou. E ela falou com uma voz clara e calma:
— Eu o reconheço, tsu-ka-nv-s-di-na. Você é o transmorfo que matou Dragon Lankford na noite passada. Você também tentou matar Rephaim, mas não conseguiu. E você ainda arremeteu contra minha amada neta, como se pretendesse machucá-la. Você está aqui para me matar também? — Ela ergueu os braços de novo, inspirou profundamente o ar frio e puro da manhã e concluiu: — Se for assim, então eu vou dizer ao céu que meu nome é Sylvia Redbird e que hoje é um bom dia para morrer. Eu irei até a Grande Mãe para encontrar meus ancestrais com o espírito cheio de alegria.
Então ela sorriu para ele.
Foi o sorriso dela que o quebrou. Ele se sentiu despedaçar e, com uma voz trêmula que ele mal reconheceu como sua, Aurox respondeu:
— Eu não estou aqui para matá-la. Estou aqui porque não tenho nenhum outro lugar para ir.
E então Aurox começou a chorar.
Sylvia Redbird hesitou por apenas um instante. Através das suas lágrimas, Aurox a observou erguendo a cabeça de novo e assentindo, como se ela tivesse recebido a resposta para alguma pergunta. Então ela caminhou graciosamente até ele, com as longas franjas de couro do seu vestido farfalhando musicalmente com os seus movimentos e o toque da brisa fria da manhã.
Ela não hesitou quando chegou perto dele. Sylvia Redbird se sentou, cruzando seus pés descalços, e então colocou os braços em volta de Aurox, aconchegando a cabeça dele no seu ombro.
Aurox nunca soube quanto tempo eles ficaram sentados assim, juntos. Só sabia que, quando ele chorou de modo soluçante, ela o acalentou e o balançou suavemente, para a frente e para trás, cantando uma cantiga bem baixinho, dando tapinhas nas suas costas no mesmo ritmo do coração dela.
Finalmente, ele se afastou, desviando o rosto de vergonha.
— Não, meu filho — ela disse, segurando os ombros dele e forçando-o a encontrar o seu olhar. — Antes de se afastar, conte-me por que você estava chorando.
Aurox enxugou o rosto, limpou a garganta e, com uma voz que soou para ele muito jovem e tola, respondeu:
— É porque eu sinto muito.
Sylvia Redbird sustentou o seu olhar.
— E? — ela o estimulou a continuar.
Ele soltou um longo suspiro e admitiu:
— E porque eu estou muito sozinho.
Sylvia arregalou seus olhos negros.
— Você é mais do que parece ser.
— Sim. Eu sou um monstro das Trevas, uma besta — ele concordou com ela.
Os lábios dela se curvaram em um sorriso.
— Uma besta costuma chorar de tristeza? As Trevas têm a capacidade de sentir solidão? Acho que não.
— Então por que eu me sinto tão tolo por chorar?
— Pense nisto: o seu espírito chorou. Ele precisou desse pranto porque sentiu tristeza e solidão. É você quem deve decidir se isso é tolo ou não. De minha parte, já decidi que não é vergonha nenhuma ser encontrado chorando lágrimas honestas. — Sylvia Redbird se levantou e estendeu uma mão pequena e ilusoriamente frágil para ele. — Venha comigo, meu filho. Minha casa está aberta para você.
— Por que você faria isso? Na noite passada, você me viu matar um guerreiro e ferir outro. Eu também podia ter matado Zoey.
Ela inclinou a cabeça para o lado e o examinou com atenção.
— Podia mesmo? Acho que não. Ou, pelo menos, acho que o garoto que eu estou vendo neste momento não seria capaz de matá-la.
Aurox sentiu que os seus ombros desabaram.
— Mas só você acredita nisso. Ninguém mais vai acreditar.
— Bem, tsu-ka-nv-s-di-na, eu sou a única pessoa aqui com você neste momento. O fato de eu acreditar não basta?
Aurox enxugou o rosto de novo e se levantou, um pouco inseguro. Então ele pegou com muito cuidado a delicada mão dela.
— Sylvia Redbird, o fato de você acreditar é o bastante neste momento.
Ela apertou a mão dele, sorriu e disse:
— Pode me chamar de Vovó.
— Do que você me chamou, Vovó?
Ela sorriu.
— Tsu-ka-nv-s-di-na é a palavra que meu povo usa para dizer touro.
Ele sentiu uma onda de calor e depois de frio.
— A besta na qual eu me transformo é mais terrível do que um touro.
— Então talvez chamar você de tsu-ka-nv-s-di-na tire um pouco do horror daquilo que dorme dentro de você. Há poder em nomear as coisas, meu filho.
— Tsu-ka-nv-s-di-na. Vou me lembrar disso — Aurox afirmou.
Ainda se sentindo trêmulo, ele caminhou com a velha mulher mágica até a pequena casa de fazenda que ficava no meio de campos de lavanda adormecidos. Ela era feita de pedra e tinha uma ampla e convidativa varanda na entrada. Vovó o guiou até um sofá macio de couro e entregou a ele um cobertor feito à mão para colocar nos seus ombros. Então ela disse:
— Quero pedir que você descanse o seu espírito.
Aurox fez o que ela pediu, enquanto Vovó cantarolava uma canção para si mesma, acendia a lareira e fervia água para o chá. Depois ela encontrou e deu para ele um suéter e sapatos macios de couro que estavam em outro quarto. Quando a sala ficou aquecida e a canção dela cessou, Vovó fez um gesto para que ele se juntasse a ela em uma pequena mesa de madeira, oferecendo a ele a comida que estava em um prato de cor púrpura.
Aurox provou o chá adoçado com mel e comeu o que estava no prato.
— O-obrigado, Vovó — ele disse com voz trêmula. — A comida está boa. A bebida está boa. Tudo aqui é tão bom.
— O chá é de camomila e hissopo. Eu uso esse chá para me ajudar a ficar calma e focada. Os cookies são de uma receita minha: chocolate com um toque de lavanda. Sempre acreditei que chocolate e lavanda são bons para a alma — Vovó sorriu e mordeu um cookie.
Eles comeram em silêncio.
Aurox nunca tinha se sentido tão satisfeito. Ele sabia que não fazia sentido, mas de algum modo ele teve uma sensação de pertencimento ali com aquela mulher. Foi essa estranha mas maravilhosa sensação de pertencimento que permitiu que ele começasse a falar com o seu coração.
— Neferet ordenou que eu viesse até aqui na noite passada. Eu deveria interromper o ritual.
Vovó assentiu. A expressão dela não era surpresa, mas contemplativa.
— Ela não queria ser descoberta como a assassina da minha filha.
Aurox a observou com atenção.
— A sua filha foi assassinada. Você assistiu ao registro disso na noite passada, mas ainda assim está serena e alegre hoje. Onde você encontra tanta paz?
— Aqui dentro — ela respondeu. — Essa paz também vem da crença de que há mais coisas funcionando aqui do que podemos ver ou provar. Por exemplo, no mínimo eu deveria temê-lo. Alguns diriam que eu deveria odiá-lo.
— Muitos diriam isso.
— Ainda assim, eu não temo nem odeio você.
— Você... você está me confortando. Dando-me abrigo. Por quê, Vovó? — Aurox perguntou.
— Porque eu acredito no poder do amor. Acredito na escolha da Luz em vez das Trevas, da alegria ao invés do ódio, da confiança ao invés do ceticismo — Vovó afirmou.
— Então isso não tem nada a ver comigo. É simplesmente porque você é uma pessoa boa — ele falou.
— Eu acho que ser uma pessoa boa nunca é muito simples, você não acha? — ela disse.
— Eu não sei. Nunca tentei ser uma boa pessoa — ele passou a mão pelo seu cabelo loiro e grosso, como um sinal de frustração.
Os olhos de Vovó se enrugaram quando ela sorriu.
— Nunca mesmo? Na noite passada, uma imortal poderosa ordenou que você interrompesse um ritual e mesmo assim, milagrosamente, o ritual foi completado. Como isso aconteceu, Aurox?
— Ninguém vai acreditar na verdade sobre isso — ele desabafou.
— Eu vou — Vovó o encorajou. — Conte-me, meu filho.
— Eu vim até aqui para seguir as ordens de Neferet: matar Rephaim e distrair Stevie Rae, para que o círculo fosse quebrado e o ritual não funcionasse, mas eu não poderia fazer isso. Eu não poderia quebrar algo que estava tão cheio de Luz, tão bom — ele falou com pressa, querendo botar a verdade para fora antes que Vovó o parasse. — Então as Trevas tomaram posse de mim. Eu não queria me transformar! Eu não queria que aquela criatura feito touro emergisse! Mas eu não consegui controlá-la e, quando ela se fez presente, só lembrava da sua última ordem: matar Rephaim. Foi só a onda de elementos e o toque da Luz que detiveram a besta o suficiente para que eu recuperasse algum controle e fugisse.
— Foi por isso que você matou Dragon. Porque ele tentou proteger Rephaim — ela concluiu.
Aurox concordou, abaixando a cabeça de vergonha.
— Eu não queria matá-lo. Eu não pretendia matá-lo. As Trevas controlaram a besta, e a besta me controlou.
— Mas não agora. A besta não está aqui agora — Vovó disse suavemente.
Aurox encontrou o olhar dela.
— Ela está. A besta sempre está aqui — ele apontou para o meio do seu peito. — Ela está eternamente dentro de mim.
Vovó cobriu a mão dele com a sua.
— Pode ser, mas você também está aqui. Tsu-ka-nv-s-di-na, lembre-se de que você controlou a besta o suficiente para fugir. Talvez isso seja um começo. Aprenda a confiar em si mesmo, e então os outros podem aprender a confiar em você.
Ele balançou a cabeça.
— Não, você é diferente de todos os outros. Ninguém vai acreditar em mim. Eles só vão enxergar a besta. Ninguém vai se importar o bastante para confiar em mim.
— Zoey o protegeu dos guerreiros. Foi por causa da proteção dela que você conseguiu fugir.
Aurox piscou os olhos, surpreso. Ele não tinha pensado nisso. As emoções dele estavam em um turbilhão tão grande que ele nem tinha percebido a extensão dos atos de Zoey.
— Ela realmente me protegeu — ele disse devagar.
Vovó acariciou a mão dele.
— Não deixe que a crença dela em você seja desperdiçada. Escolha a Luz, meu filho.
— Mas eu já tentei e falhei!
— Tente de novo, esforce-se mais — ela falou com firmeza.
Aurox abriu a boca para protestar, mas os olhos de Vovó calaram as suas palavras. O olhar dela disse que as suas palavras eram mais do que uma ordem: era uma crença de que ele era capaz.
Ele abaixou a cabeça novamente. Desta vez não de vergonha, mas devido a um lampejo incerto de esperança. Aurox levou um momento para saborear esse novo e maravilhoso sentimento. Então, gentilmente, ele tirou sua mão debaixo das mãos de Vovó e se levantou. Em resposta ao olhar questionador dela, ele disse:
— Tenho que aprender como fazer para provar que você está certa.
— E como você vai fazer isso, meu filho?
— Preciso encontrar a mim mesmo — ele falou sem hesitação.
Ela deu um sorriso afetuoso e iluminado. Inesperadamente, aquele sorriso o lembrou de Zoey, o que fez com que aquele lampejo incerto de esperança se expandisse até aquecer o seu interior.
— Aonde você vai? — ela quis saber.
— Aonde eu possa fazer o bem — ele respondeu.
— Aurox, meu filho, saiba que, desde que você controle a besta e não mate de novo, sempre pode encontrar abrigo aqui comigo.
— Nunca vou me esquecer disso, Vovó.
Quando ela o abraçou perto da porta, Aurox fechou os olhos e inspirou o aroma de lavanda e o toque de amor de uma mãe. Aquele aroma e aquele toque permaneceram com ele enquanto dirigia devagar de volta para Tulsa.
Aquele dia de fevereiro estava claro e, como o homem no rádio havia dito, quente o bastante para os carrapatos começarem a acordar. Aurox estacionou o carro de Neferet em uma das vagas da parte dos fundos da Utica Square, e então ele deixou que o seu instinto guiasse os seus passos enquanto caminhava do movimentado centro de compras até a rua detrás, chamada South Yorktown Avenue.
Aurox sentiu o cheiro de fumaça antes de chegar ao grande muro de pedra que circundava a House of Night.
Esse fogo é obra de Neferet. Tem o cheiro desagradável das Trevas que emanam dela, Aurox pensou. Ele não se permitiu imaginar o que aquele fogo podia ter destruído. Ele se concentrou em apenas seguir o seu instinto, que estava dizendo que ele deveria voltar para a House of Night para encontrar a si mesmo e a sua redenção.
O coração de Aurox estava batendo forte quando ele passou por ali despercebido e entrou nas sombras do muro, aproximando-se de modo rápido e silencioso da fronteira leste da escola. Então ele chegou perto de um velho carvalho que havia sido partido ao meio tão violentamente que uma parte dele estava apoiada contra o muro da escola.
Foi realmente fácil escalar o muro, agarrar os galhos desfolhados pelo inverno da árvore despedaçada e então aterrissar no chão do outro lado. Aurox se agachou na sombra da árvore. Como ele esperava, a luminosidade do sol havia esvaziado os jardins da escola, mantendo novatos e vampiros dentro dos edifícios de pedra, atrás de janelas com cortinas escuras. Ele deu a volta na base partida da árvore, analisando a House of Night.
Era o estábulo que havia pegado fogo. Ele podia ver isso facilmente. Parecia que o incêndio não tinha se alastrado, apesar de ter deixado uma parede externa do estábulo no chão. Aquela abertura avariada já havia sido coberta com uma grossa lona preta.
Aurox se encostou mais na árvore. Escolhendo cuidadosamente o seu caminho por entre os fragmentos espalhados da base quebrada da árvore e da confusão de galhos emaranhados, Aurox se perguntou por que ninguém tinha pensado em tirar aqueles escombros do outrora bem cuidado jardim. Mas ele não teve tempo de pensar muito nisso. Um corvo enorme de repente pousou em um galho inclinado bem na frente dele e começou uma série terrível e bem alta de grasnados e pios estranhamente perturbadores.
— Vá embora! Suma daqui! — Aurox sussurrou, fazendo barulhos para enxotar a grande ave, o que só fez com que a criatura explodisse em mais grasnados.
Aurox se lançou na direção do corvo, com a intenção de sufocá-lo, mas seus pés ficaram presos em uma raiz exposta. Ele caiu para a frente, batendo no chão com força. Para o seu espanto, ele continuou caindo quando a terra se abriu embaixo dele, com o peso do seu corpo, e ele foi arremessado de ponta-cabeça para baixo, e foi caindo, caindo...
Até que Aurox sentiu uma dor terrível no lado direito da cabeça, e então o seu mundo ficou escuro.

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