2 de outubro de 2015

Capítulo 3

A Starbucks na Utica Square, o legal shopping ao ar livre que era logo na rua debaixo da House of Night, estava muito mais cheia do que achei que estaria. Quero dizer, era uma rara noite quente de inverno, mas também era 24 de dezembro, e quase 9 da noite. É de se imaginar que as pessoas estariam em casa se preparando para visões de bombons e uma coisa qualquer, e não procurando por café.
Não, eu disse a mim mesma firmemente, eu não vou estar de mau humor para falar com vovó. Eu mal a vejo, e não vou estragar o pouco tempo que temos juntas. Além do mais, vovó sabia do fato de que presentes de aniversário natalinos são totalmente chatos. Ela sempre me compra algo tão único e maravilhoso quanto ela.
— Zoey! Estou aqui!
Na parte mais distante da Starbucks na área da calçada eu podia ver os braços da vovó acenando para mim. Dessa vez não tive que plantar um sorriso falso. A onda de felicidade de ver ela sempre me trazia um sorriso autêntico e eu estava me esquivando na multidão para me apressar até ela.
— Oh, Zoey Passarinha! Eu senti sua falta, u-we-tsi-a-ge-ya! — A palavra Cherokee para palavra filha se enrolou ao meu redor, junto com os braços quentes e familiares de vovó, que tinham o doce, e suave cheiro de lavanda e de casa. Eu me segurei nela, absorvendo amor, segurança e aceitação.
— Eu senti sua falta, vovó.
Ela me apertou mais uma vez e então me afastou um pouco. — Me deixe olhar para você. Sim, eu posso perceber que tem 17 anos. Você parece tão mais madura, e eu acho que um pouco mais alta do que quando você tinha 16.
Eu ri. — Oh, vovó, você sabe que eu não estou diferente.
— É claro que está. Idade sempre acrescenta beleza e força para um certo tipo de mulher – e você é esse tipo.
— E você também, vovó. Você está ótima! — Eu não estava só dizendo por dizer. Vovó tinha um zilhão de anos – pelo menos uns 50 e poucos – mas ela parecia muito jovem para mim. Ok, não muito jovem como uma mulher vampira que parece ter vinte e poucos quando tem 50 e poucos (ou cento e cinquenta e poucos). Ela era uma adorável humana jovem com seu grosso cabelo prateado e seus gentis olhos marrons.
— Eu queria que você não tivesse que cobrir suas adoráveis tatuagens aqui. — Os dedos de vovó descansaram brevemente na minha bochecha onde passei a concentrada maquiagem que calouros tinham que usar sempre que saíssem do campus da House of Night. Sim, humanos sabiam que vampiros existem – vampiros adultos não se escondiam. Mas as regras para calouros eram diferentes. Eu suponho que faça sentido – adolescentes nem sempre lidam bem com conflitos – e os humanos tendem a ter conflitos com vampiros.
— É assim que funciona. Regras são regras, vovó — eu dei nos ombros.
— Você não cobriu as lindas Marcas no seu pescoço e ombros, cobriu? —
— Não, é por isso que estou usando essa jaqueta. — Eu olhei ao redor para me certificar de que ninguém estava olhando para nós, então afastei meu cabelo e abaixei o ombro da minha jaqueta para que as linhas safiras do meu pescoço e ombros ficasse visível.
— Oh, Zoey Passarinha, é mágico — vovó disse suavemente, — estou tão orgulhosa pela deusa ter Escolhido você como especial e tenha te Marcado de forma tão única.
Ela me abraçou de novo, e eu me segurei nela, incrivelmente feliz por ter ela em minha vida. Ela me aceitava pelo que eu era. Não importava para ela que eu estava virando uma vampira. Não importava para ela que eu já estava experimentando ânsia por sangue e que eu tinha o poder de manifestar os cinco elementos: ar, fogo, água, terra, e espírito. Para vovó, eu era sua verdadeira u-we-tsi-a-ge-ya, a filha do seu coração, e todo o resto que vinha comigo era só coisas secundarias. Era estranho e maravilhoso que ela e eu pudéssemos ser tão intimas e tão parecidas quando sua filha verdadeira, minha mãe, era tão completamente diferente.
— Aí está você. O trânsito estava horrível. Eu odeio deixar Broken Arrow e lutar pra chegar a Tulsa durante o movimento do feriado.
Como se meus pensamentos de alguma forma tragicamente a tivessem conjurado, a voz da minha mãe jogou água fria na minha felicidade. Vovó e eu nos soltamos para ver minha mãe parada perto da nossa mesa, segurando uma caixa retangular de padaria e um presente embrulhado.
— Mamãe?
— Linda?
Vovó e eu falamos juntos. Não foi surpresa vovó parecer tão chocada quanto eu pelo aparecimento repentino da minha mãe. Vovó nunca teria convidado minha mãe sem me dizer. Nós duas tínhamos a mesma imagem da minha mãe. Ela nos fazia triste. E nós desejávamos que ela mudasse. Mas sabíamos que ela provavelmente não mudaria.
— Não fiquem tão surpresas. Como se eu não fosse aparecer para a celebração do aniversário da minha própria filha?
— Mas, Linda, quando falei com você semana passada você disse que ia mandar o presente de aniversário de Zoey pelo correio. — Vovó disse, parecendo tão incomodada quanto eu me sentia.
— Isso foi antes de você dizer que ia encontrar ela aqui. — Minha mãe disse a vovó, então ela franziu para mim. — Não é como se Zoey tivesse me convidado, mas estou acostumada a ter uma filha que não me considera.
— Mãe, você não fala comigo a um mês. Como eu poderia convidar você para qualquer lugar? — Eu tentei manter meu tom neutro. Eu realmente não queria que a visita de vovó deteriorasse em uma enorme cena dramática, mas minha mãe não tinha dito 10 frases e já estava me irritando. A não ser pelo estúpido cartão de natal-aniversário que ela me mandou, a única comunicação que eu tive com minha mãe foi quando ela e seu horrível marido, o padrasto-perdedor, tinham vindo para a visitação dos pais na House of Night um mês atrás. E foi um pesadelo. O padrasto-perdedor, que era um ancião da Igreja das Pessoas da Fé, foi como sempre uma mente pequena, julgador, teimoso e tinha terminado basicamente sendo expulso e avisado para nunca mais voltar. Como sempre, minha mãe tinha ido junto com ele como uma boa esposa submissa.
— Você recebeu meu cartão? — O tom amargo da minha mãe começou a afetar meu olhar firme.
— Sim, mãe. Recebi.
— Vê, eu estive pensando em você.
— Ok, mãe.
— Sabe, você poderia ligar para sua mãe de vez em quando — ela disse um pouco chorosa.
Eu suspirei. — Desculpe, mãe. A escola tem estado uma loucura com as provas de fim de semestre tudo mais.
— Espero que você esteja tirando boas notas naquela escola.
— Estou, mãe. — Ela me fez sentir triste e sozinha e com raiva ao mesmo tempo.
— Bem, ótimo. — Minha mãe limpou suas lágrimas e começou a mexer no pacote que ela trouxe. Com uma voz obviamente forçada de alegria ela disse, — Anda, vamos sentar. Zoey, você entra na Starbucks e pega algo para gente beber em um minuto. É uma boa coisa sua avó ter me convidado. Como sempre, mais ninguém pensou em trazer um bolo.
Nós sentamos e minha mãe lutou com a fita adesiva na caixa da padaria. Enquanto ela estava ocupada, vovó e eu dividimos um olhar de completo entendimento. Eu sabia que ela não tinha convidado minha mãe, e ela sabia que eu absolutamente odiava bolo de aniversário. Especialmente do tipo barato e super açucarado que minha mãe sempre pedia.
Com uma horrível fascinação geralmente reservada para olhar para acidentes de carro eu vi mamãe abrir a caixa da padaria e revelar um pequeno bolo quadrado com apenas uma camada. O genérico Feliz Aniversário estava escrito em vermelho, que combinava com os copos-de-leite em cada canto. Açúcar cristalizado cobria o negócio todo.
— Não parece bom? Bonito e natalino — mamãe disse enquanto tentava tirar o adesivo de metade do preço da caixa. Então ela congelou e olhou para mim com olhos bem abertos. — Mas você não celebra mais natal, celebra?
Vovó explicou antes que eu. — Linda, Yule era celebrado muito antes do natal. Pessoas antigas decoravam árvores de natal — ela disse a palavra com uma entonação levemente sarcástica, — há centenas de anos. Foram os cristãos que adpataram suas tradições dos Pagãos, não ao contrário. Na verdade, a Igreja escolheu o dia 25 de dezembro para a data do nascimento de Jesus para que conhecidisse com a data de Yule. Se você lembrar, o tempo todo que você estava crescendo passávamos manteiga de amendoim, pendurávamos maçãs e pipoca e amoras juntas, e decorávamos uma árvore do lado de fora que sempre era chamada de árvore Yule, junto com nossa árvore de natal do lado de dentro. — Vovó deu um sorriso meio triste, meio confuso, para sua filha antes de se virar para mim. — Então vocês decoraram as árvores no campus?
Eu acenei. — Yeah, elas estão incriveis, e as aves e os esquilos estão completamente loucos também.
— Bem, porque você não abre nossos presentes, então podemos comer bolo e tomar café? — Minha mãe disse, agindo como se vovó e eu não tivéssemos falado.
Vovó falou polidamente. — Sim, eu estava ansiosa para te dar isso já faz um mês. — Ela se inclinou e tirou dois presentes do lado dela da mesa. Um era grande e tentador com brilhantes e coloridos (e definitivamente não natalino) papel de embrulho. O outro era do tamanho de um livro e estava coberto por um papel creme que você encontra em uma boutique chique. — Abra esse primeiro. — Vovó empurrou o maior presente para mim e eu ansiosamente o desembrulhei para encontrar a mágica da minha infância embaixo dele.
— Oh, vovó! Muito obrigado! — eu pressionei meu rosto na brilhante lavanda que ela plantou em um vaso púrpura e inalei. O aroma da incrível erva trouxe lembranças dos verões preguiçosos e os dias de piquenique com vovó. — É perfeito — eu disse.
— Eu tive que correr na estufa para que ela florescesse para você. Oh, e você vai precisar disso. — Vovó me deu uma grande sacola. — Tem uma lâmpada para crescimento e um suporte para você ter certeza que ela receba luz suficiente sem ter que abrir as cortinas do seu quarto e machucar seus olhos.
Eu ri para ela. — Você pensa em tudo. — Eu olhei para minha mãe, e vi que ela tinha aquele olhar em branco no rosto que eu sabia significava que ela queria estar em outro lugar. Eu queria perguntar porque ela se incomodou em vir, mas dor fechou minha garganta, o que me surpreendeu. Eu pensei ter crescido além da habilidade dela de me magoar. Parece que na verdade ter 17 anos não é ser tão velha quanto eu imaginava.
— Aqui, Zoey Passarinha, eu te comprei outra coisa — vovó disse, me entregando o presente embrulhando com o papel chique. Eu pude ver que ela começou a notar o silêncio de pedra da minha mãe e, como sempre, ela estava tentando me recompensar por sua filha.
Eu engoli o nó na minha garganta e desembrulhei o presente que revelou um livro com capa de couro que era obviamente antigo e sujo. Então notei o titulo e arfei. — Drácula. Você me comprou uma antiga edição de Drácula!
— Olhe para a página dos direitos autorais, querida — vovó disse, os olhos brilhante de deleite.
Eu virei a página de publicação e não podia acreditar no que vi. — Ohmeudeus! É a primeira edição!
Vovó riu feliz. — Vire algumas páginas. — Eu virei, e encontrei a assinatura de Stoker embaixo da página do titulo datado de janeiro, 1899.
— É uma primeira edição autografada! Deve ter custado um zilhão de dólares! — Eu joguei meus braços para cima e abracei vovó.
— Na verdade, eu encontrei numa velha livraria que estava falindo. Foi uma barganha. Só é a primeira edição da publicação americana de Stoker.
— É legal muito além do possível, vovó! Muito obrigado.
— Bem, eu sei o quanto você gosta dessa assustadora antiga história, e devido aos recentes eventos eu achei que seria ironicamente engraçado para você ter uma edição autografada — vovó disse.
— Você sabia que Bram Stoker teve um Imprint com uma vampira, e que é por isso que ele escreveu o livro? — eu disse enquanto com-muito-cuidado virava as páginas do grosso livro, observando as velhas ilustrações, que eram, de fato, assustadoras.
— Eu não fazia ideia que Stoker teve uma relação com uma vampira — vovó disse.
— Eu não chamaria ser mordido por uma vampira e então ser colocado sob um feitiço de relação — minha mãe disse.
Minha avó e eu olhamos para ela. Eu suspirei. — Mãe, é muito possível para um vampiro e um humano terem uma relação. Isso é o que é o Imprint. — Bem, também tinha a ver com ânsia por sangue e um sério desejo, junto com um link psíquico que podia ser desconcertante, tudo pelo qual eu conhecia por minha própria experiência com Heath. Mas eu não ia mencionar isso para minha mãe.
Minha mãe tremeu como se algo nojento tivesse passado seus dedos pela espinha dela. — Parece nojento para mim.
— Mãe. Você não entende que só existem duas escolhas bem específicas para o meu futuro? Uma seria eu me tornar a coisa que você diz ser nojenta. A outra é que nos próximos quatro anos eu vou morrer. — Eu não queria entrar nisso com ela, mas a atitude dela estava me irritando seriamente. — Então você prefere me ver morta ou uma vampira adulta?
— Nenhum dos dois, é claro — ela disse.
— Linda — vovó pôs uma mão na minha perna debaixo da mesa e apertou. — O que Zoey está dizendo é que você precisa aceitar ela e seu novo futuro, e que sua atitude está magoando ela.
— Minha atitude! — eu pensei que minha mãe ia começar com uma das suas tiradas sobre “porque você está sempre me enchendo,” mas ao invés disso ela me surpreendeu por respirar fundo e então me olhar diretamente nos olhos. — Eu não quero te magoar, Zoey.
Por um segundo ela parecia como antigamente, como a mãe que ela era antes de casar com John Haffer e virar a Perfeita Esposa da Igreja, e eu senti meu coração se apertar. — Mas você me magoa, mãe. — Eu me ouvi dizer.
— Desculpe — ela disse. Então ela estendeu sua mão até mim. — Que tal tentarmos essa coisa de aniversário de novo?
Eu pus minha mão na dela, me sentindo cuidadosamente esperançosa. Talvez parte da minha antiga mãe estivesse dentro dela. Quero dizer, ela veio sozinha, sem o padrasto-perdedor, o que era bem perto de um milagre. Eu apertei a mão dela e sorri. — Parece bom para mim.
— Bem, então, você deveria abrir seu presente e vamos comer bolo — Minha mãe disse, deslizando a caixa que estava perto do ainda intocado bolo.
— Ok! — Eu tentei manter um entusiasmo na minha voz, embora o presente estivesse enrolado com um papel coberto de uma cena nativa verde. Meu sorriso se manteve até que reconheci a capa branca de couro e as letras douradas. Com meu coração afundando no estômago, eu virei o livro e li: O mundo sagrado, Edição das Pessoas da Fé escrito com a letra cursiva dourada na capa. Outro brilho excessivo chamou minha atenção. Na parte debaixo da capa estava escrito, A Família Heffer. Havia um marcador de texto de veludo vermelho com uma franja dourada presa dentro das primeiras páginas do livro e, tentando conseguir tempo para pensar em algo para dizer a não ser “esse é um presente maravilhoso,” eu deixei as páginas abrirem ali. Então eu pisquei, esperando que o que eu estava lendo fosse só um truque do meu olho. Não. Estava realmente ali. O livro abriu na árvore da família. No terceiro dorso do lado esquerdo escrito no que eu facilmente reconheci com a letra do meu padrasto-perdedor, o nome da minha mãe LINDA HEFFER foi acrescentado. Uma linha tinha sido desenhada para ligar ela a JOHN HEFFER, com a data do casamento deles do lado, embaixo do nome deles, escrito como se tivéssemos nascido deles, estavam os nomes do meu irmão, minha irmã, e eu.
Ok, meu pai biológico, Paul Montgomey, nos abandonou quando eu era só uma criança e tinha desaparecido da face da terra. De vez em quando uma pateticamente pequena pensão chegava dele sem endereço para devolução, mas fora esses raros instantes, ele não era parte da nossa vida a 10 anos. Sim, ele era um péssimo pai. Mas ele era meu pai, e John Heffer, que eu seriamente odiava, não era.
Eu olhei da falsa árvore genealógica para os olhos da minha mãe. Minha voz soava surpreendentemente firme, até mesmo calma, mas dentro de mim eu era uma bagunça de emoções. — O que você estava pensando quando decidiu me dar esse presente?
Ela pareceu incomodada com minha pergunta. — Estávamos pensando que você gostaria de saber que ainda é parte dessa família.
— Mas eu não sou. Eu não sou a um longo tempo, antes até de ser Marcada. Você sabe disso e eu sei disso e John sabe disso.
— Seu pai certamente não –
Eu levantei minha mão para cortar ela. — Não! John Heffer não é meu pai. Ele é seu marido, e isso é tudo que ele é. Sua escolha – não minha. Isso é tudo que ele sempre foi. — As palavras que estavam saindo de dentro de mim desde quando minha mãe apareceu saíram e uma hemorragia de raiva passou pelo meu corpo. — Esse é o negócio, mãe. Quando você comprou meu presente você deveria estar escolhendo algo que achasse que eu iria gostar, não algo que seu marido queria enfiar na minha goela abaixo.
— Você não sabe o que está falando, mocinha — minha mãe disse. Então ela olhou para vovó. — Ela puxou essa atitude de você.
Minha avó ergueu uma sobrancelha prateada para a filha e disse, — Obrigado, Linda, essa pode ter sido a coisa mais gentil que você já me disse.
— Onde ele está? — Eu perguntei a minha mãe.
— Quem?
— John. Onde ele está? Você não veio aqui por mim. Você veio aqui porque ele queria que você me fizesse sentir mal, e isso não é algo que ele iria perder. Então onde ele está?
— Eu não sei do que você está falando. — Os olhos dela passaram ao redor de forma culpada, e eu sabia que tinha adivinhado certo.
Eu levantei e chamei da calçada. — John! Apareça, apareça de onde estiver!
Certa, um homem saiu do balcão que estava no lado oposto da calçada perto da entrada da Starbucks. Eu o estudei enquanto ele andava até nós, tentando entender o que minha mãe tinha visto nele. Ele era um cara totalmente nada espetacular. Altura média – cabelo escuro e ficando cinza – um queixo fraco – ombros estreitos – pernas finas. Não era até você olhar nos olhos dele que você via algo raro, e então o que se revelava era uma ausência de calor. Eu sempre achei estranho um cara tão frio e sem alma falar sobre religião.
Ele alcançou nossa mesa e começou a abrir a boca, mas antes de falar eu joguei meu “presente” nele.
— Fique com ele. Não é minha família nem minhas crenças — eu disse, olhando para ele com sinceridade nos olhos.
— Então você está escolhendo o mal e a escuridão — ele disse.
— Não, estou escolhendo uma deusa amorosa que me Marcou como igual e me deu poderes especiais. Eu escolho um caminho diferente do seu. É só isso.
— Como eu disse, você escolhe o mal. — Ele pôs as mãos nos ombros da minha mãe, como se ela precisasse do apoio dele para ser capaz de ficar sentada ali. Ela cobriu as mãos dele com as dela e fez sons de fungo.
Eu o ignorei e me centrei nela.
— Mãe, por favor não faça isso de novo. Se você me aceitar, e realmente quiser me ver, então ligue e nos encontraremos. Mas fingir que quer me ver por que John te diz o que fazer para me magoar não é bom para nenhuma de nós.
— É bom para uma esposa ser submissa a seu marido — John disse.
Eu pensei em mencionar sobre o quanto chauvinista e machista e errado ele soava, mas ao invés disso eu decidi não desperdiçar saliva e disse, — John vai pro inferno.
— Eu queria que você desse as costas para o mal — minha mãe disse, chorando suavemente.
Minha avó falou. A voz dela era triste mas firme. — Linda é uma infelicidade que você tenha encontrado e então caído completamente no sistema de crenças que insiste que diferente significa mal.
— O que sua filha encontrou é Deus, não graças a você. — John surtou.
— Não. Minha filha encontrou você, e é triste, mas a verdade, é que ela nunca gostou de pensar por si. Agora você está pensado por ela. Mas aqui está um pequeno pensamento independente que Zoey e eu gostaríamos de deixar com você — vovó continuou falando enquanto pegou a lavanda e a primeira edição de Drácula, e então pegou meu cotovelo e me levantou. — Aqui é a América, e isso significa que você não tem o direito de pensar pelo resto de nós. Linda, eu concordo com Zoey. Se você encontrar algum senso na sua cabeça e quiser nos ver porque nos ama como te amamos, então me ligue. Se não, eu não quero mais ouvir falar de você. — Vovó pausou e balançou a cabeça enojada para John. — E você, eu não quero mais ouvir falar de você, não importa o que.
Enquanto nos afastávamos, a voz de John foi até nós, afiada e cortada com ódio e raiva. — Oh, você vai ouvir de mim de novo. As duas vão. Há muitas pessoas boas, decentes e tementes a Deus que estão cansadas de tolerar o mal de vocês, que acreditam que chega é chega. Não iremos viver lado a lado com adoradores da escuridão por muito mais tempo. Marque minhas palavras... espere e verão... e dessa vez vão se arrepender...
Graças a Deus, logo estavamos além do alcance da voz dele. Eu senti que ia chorar até perceber o que minha doce e velha avó estava murmurando para si mesma.
— Aquele homem é uma droga de um cocô de macaco.
— Vovó! — eu disse.
— Oh, Zoey Passarinha, eu chamei o marido da sua mãe de droga de cocô de macaco em voz alta?
— Sim, vovó, você chamou.
Ela olhou para mim, e seus olhos escuros brilharam. — Ótimo.

9 comentários:

  1. Kkkk... Eita vovó mandou bem.
    Ana

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  2. Gostei dela kkk Arrasou Coroa

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  3. kkkkkkk amei, mas ele vai vai causar problemas pra ela com todo certeza '-'

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  4. Boa colocaçao sobre o natal. Essa comemoraçao pode ser qq coisa, menos cristã. Ta cheio de informaçao por aí, mas em vez de pesqiisar e pensar, é mais facil seguir tradiçoes religiosas sem questionar... vamos pensar fora da caixa!!!

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    1. O Natal (Yule) já existia, mas os cristãos resolveram adotar a mesma data para o nascimento de Jesus também e se tornou uma data cristã, mas são as DUAS coisas, vc comemora do jeito que quiser, se vc não é Cristão, vc com certeza não vai comemorar o nascimento de Jesus, vai tratar o Natal apenas como uma data festiva. Por isso que nos EUA, quando eles desejam feliz natal pra alguém que não é religioso, eles falam "Merry Xmas" e não "Merry Christmas".

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  5. Quem quer ter mais uma avó como essa levanta a mão

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  6. Esse John ainda vai fazer merda. São a escória mesmo esse povo conservador que não respeita o livre arbítrio alheio, pqp.

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