5 de outubro de 2015

Capítulo 37 - Stevie Rae

A terra a engoliu, e por um instante pareceu que tudo estaria bem. A escuridão fria era um alívio para sua pele queimada, e ela gemeu baixo.
— Vermelha? Stevie Rae? — Não foi até ele falar que ela percebeu que ainda estava presa nos braços de Rephaim. Ela se soltou dele e se afastou, apenas para chorar de dor quando suas costas tocaram a parede de terra que seu elemento abrira para protegê-la, e então fechou-se de novo. — Você está bem? E-eu não consigo vê-la — Rephaim disse.
— Estou bem. Eu acho. — Sua voz a surpreendeu. Soava tão fraca, tão fora do normal que foi a primeira indicação que, embora ela tivesse escapado do sol, não escapara de seus efeitos.
— Não consigo ver nada — ele disse.
— É porque a terra se fechou sobre nós para me proteger do sol.
— Estamos presos aqui? — Sua voz não tinha pânico, mas também não estava calma.
— Não, eu posso nos tirar daqui quando quiser — ela explicou. Então, pensando melhor, ela adicionou, — E, bem, a terra acima de nós não é muito profunda. Se eu cair morta, você pode cavar para fora facilmente. Como você está? Essa asa deve doer.
— Você acha que pode morrer? — ele perguntou, ignorando a pergunta sobre sua asa. — Acho que não. Na verdade, eu não sei. Eu me sinto esquisita.
— Esquisita? Explique isso.
— Como se não estivesse realmente presa ao corpo.
— Seu corpo dói?
Stevie Rae pensou nisso e se surpreendeu ao descobrir a resposta. — Não. Na verdade, não sinto dor alguma. — Era estranho, no entanto, que sua voz ficava cada vez mais fraca. De repente, a mão dele tocava sua face, descendo por seu pescoço e braço e... — Ai! Você está me machucando.
— Você se queimou seriamente. Posso sentir. Você precisa de ajuda.
— Não posso sair daqui ou vou terminar de queimar — ela disse, se perguntando por que a terra parecia girar abaixo dela.
— O que posso fazer para ajudá-la?
— Bem, você pode colocar um lenço grande por cima de mim e me levar ao banco de sangue no centro da cidade. Soa bom para mim agora. — Stevie Rae ficou deitada ali, achando que nunca sentiu tanta sede em toda a sua vida. Ela se perguntou, com um senso desapegado de curiosidade, se ela realmente morreria. Seria uma pena, depois de tudo que Rephaim fez por ela.
— É de sangue que precisa?
— Sangue é tudo de que preciso. É o que me faz funcionar. O que é mais do que nojento, mas mesmo assim. É a verdade. Atravessar meu coração e esperar a morte. — Ela riu meio histericamente, e então se recuperou. — Espere, isso não é engraçado de verdade.
— Se não receber sangue, você vai morrer?
— Acho que poderia — ela disse, achando difícil se importar tanto.
— Então, se sangue irá curá-la, tome o meu. Eu lhe devo minha vida. É por isso que lhe salvei no telhado, mas se você morrer aqui, morrerá sem que minha dívida esteja paga. Então, se precisa de sangue, beba o meu — ele repetiu.
— Mas você não cheira bem — ela disse. Na escuridão, ele soava irritado e ofendido.
— Isso foi o que os calouros vermelhos disseram, também. Meu sangue não tem cheiro bom porque eu não sou a presa de vocês. Eu sou o filho de um imortal. Não sou sua vítima.
— Ei, eu não tenho vítimas; não mais — ela protestou fracamente.
— A verdade se mantém. Eu tenho cheiro diferente porque sou diferente. Não nasci pra ser seu almoço.
— Eu nunca disse que você era. — Ela queria que a voz saísse cortante e defensiva. Ao invés disso, estava fraca, e sua cabeça parecia estranhamente grande, como se fosse cair de seu pescoço a qualquer momento e flutuar através da terra em direção às nuvens como um balão de aniversário gigante.
— Cheiro bom ou não, é sangue. Eu lhe devo minha vida. Então, você vai beber e vai viver. — Stevie Rae gritou quando a mão de Rephaim a encontrou de novo e a puxou contra seu corpo. Ela sentiu a pele de seus braços e ombros queimados se rasgar e misturar com a terra. Então, ela estava descansando na maciez de suas penas. Ela suspirou fundo. Não seria tão ruim morrer ali na terra, num ninho de penas. Desde que ela não se movesse, nem sequer doía muito. No entanto, ela sentiu Rephaim se mexer. E percebeu que ele passara o bico através do corte que Kurtis fizera em seu bíceps. Havia parado de sangrar, mas a nova laceração fez o líquido voltar a escorrer imediatamente, preenchendo o pequeno bolso de terra com o cheiro grosso do sangue imortal. Então ele se moveu de novo e, de repente, seu braço sangrento estava pressionado contra os lábios dela. — Beba — ele disse asperamente. — Me ajude a me livrar dessa dívida.
Ela bebeu, no começo de forma automática. Seu sangue era, afinal de contas, fedorento. Cheirava mal, mal, mal. Então, ele tocou sua língua. O gosto não era nada que Stevie Rae pudesse imaginar. Não era como o cheiro dele; não era remotamente similar ao cheiro dele. Ao invés disso, era uma surpresa incrível, preenchendo sua boca e sua alma com sua complexidade rica, sua diferença absoluta quanto a qualquer coisa que ela já tivesse experimentado. Ela o ouviu silvar, e a mão que estava em sua nuca, guiando-a para o braço, aumentou seu aperto. Stevie Rae gemeu. Beber do Corvo Escarnecedor não era uma experiência sexual, mas também não chegava a ser exatamente diferente. Stevie Rae teve o pensamento fugaz de desejar ter tido algum tipo de experiência com caras – alem de beijar Dallas no escuro – porque ela não sabia o que pensar sobre tudo o que estava passando por sua cabeça e emergindo em seu corpo. Era bom, tão quente e formigante e poderoso, mas nada similar ao que Dallas lhe fizera sentir. No entanto, ela gostava. E ali, por um momento breve, Stevie Rae esqueceu que Rephaim era uma mistura de imortal e besta, criado da violência e da luxúria. Naquele instante, ela só conhecia o prazer de seu toque e a força de seu sangue. Foi aí que seu Imprint com Aphrodite se desfez e Stevie Rae, primeira vampira vermelha Alta Sacerdotisa de Nyx, formou Imprint com Rephaim, filho favorito de um imortal caído. Foi também nesse momento que ela se soltou de seu aperto e afastou-se dele. Nenhum dos dois disse nada. O silêncio de seu pequeno quarto de terra só era interrompido pelo som de suas respirações arfantes.
— Terra, preciso de você de novo — Stevie Rae falou para a escuridão. Sua voz estava normal de novo. Seu corpo doía. Ela podia sentir suas queimaduras e seu corpo em carne viva, mas o sangue de Rephaim lhe permitiu começar a se recuperar, e ela entendia bem demais que estivera à beira da morte.
A terra veio a ela, enchendo o local com um cheiro de pasto primaveril. Stevie Rae apontou para cima, para um ponto tão distante dela mesma quanto conseguiu. — Abra apenas um pequeno espaço, o bastante para deixar a luz entrar, mas não para que eu seja queimada. — O elemento aceitou. A terra acima deles tremeu, sujeira caindo enquanto ela se abria, deixando uma pequena fresta de luz solar. Os olhos de Stevie Rae adaptaram-se quase instantaneamente, então ela assistiu Rephaim piscar surpreso enquanto tentava se acostumar à luz súbita. Ele estava sentado perto dela. Estava terrível – ferido e ensanguentado. Sua asa quebrada havia escapado completamente das ataduras de toalhas que ela havia feito para ele e estava dependurada em suas costas. Ela soube no instante em que a visão dela clareou. Aqueles olhos humanos, marcados de vermelho, acharam os dela.
— Sua asa está arrebentada de novo — ela disse. Ele grunhiu, e ela percebeu que foi o seu jeito de dizer que concordava com ela. — Eu devia arrumá-la de novo. — Ela começou a se levantar e ele ergueu uma mão para pará-la.
— Você não devia se mexer. Você devia só descansar em sua terra e recuperar suas forças.
— Não, está tudo bem. Não estou cem por cento, mas estou muito melhor. — Ela hesitou e então continuou. — Não consegue perceber isso?
— Por que eu iria... — As palavras do Corvo Escarnecedor terminaram subitamente. Stevie Rae viu seus olhos se arregalarem com compreensão. — Como isso é possível? ele disse.
— Não sei — ela disse, levantando e começando a desfazer a bagunça de toalhas ao redor dele. — Eu não acharia possível. Mas, bem, aqui estamos nós e é isso que temos aqui.
— Um Imprint — ele disse.
— Entre nós — ela disse. Nenhum dos dois disse mais nada. Quando ela ajeitou a bagunça das bandagens, ela lhe disse, — Ok, eu vou ajeitar sua asa como ela estava e amarrá-la de novo. Vai doer de novo. Desculpe. Claro que, dessa vez, vai doer em mim, também.
— De verdade? — ele disse. — Bem, é. Eu meio que sei como esse negócio de Imprint funciona, já que já tive uma humana com Imprint por mim. Ela sabia todo o tipo de coisa sobre mim. Agora, tenho Imprint por você, então parece que vou saber coisas sobre você, incluindo quando você estiver sentindo dor excruciante.
— Você ainda tem Imprint por ela? — Stevie Rae sacudiu a cabeça.
— Não, se foi. O que, tenho certeza que vai deixar ela alegrinha.
— Deixar ela alegrinha?
— É uma expressão que minha mãe costumava usar. Quer dizer que ela vai ficar feliz que não temos mais o Imprint.
— E você? Como você fica? — Stevie Rae olhou nos olhos dele e respondeu honestamente.
— Estou completamente confusa com relação a nós, mas nem um pouco triste por não ter mais o Imprint com Aphrodite. Agora, fique firme e deixe-me terminar logo com isso. — Rephaim manteve-se perfeitamente imóvel enquanto Stevie Rae recolocava sua asa no lugar. Foi ela quem fez o arfar e as exclamações doloridas. Ela quem estava pálida e trêmula quando havia acabado. — Droga, asas doem. Muito. — Rephaim olhou para ela, balançando a cabeça.
— Você sentiu, não foi?
— Infelizmente, sim, eu senti. Foi quase pior que morrer. — Ela encontrou seus olhos.
— Vai ficar boa?
— Vai sarar.
— Mas? — Ela sentiu a palavra no final da frase dele.
— Mas eu não acredito que voltarei a voar. — O olhar de Stevie Rae manteve-se no dele.
— Isso é ruim, não é?
— É.
— Talvez sare melhor do que você pensa. Se você voltar à House of Night comigo, eu poderia....
— Não posso ir lá. — Ele não aumentara o volume de sua voz, mas as palavras tinham um sentido de finalidade nelas. Stevie Rae tentou De novo.
— Era isso que eu costumava pensar, mas eu voltei e eles me aceitam. Bem, alguns deles.
— Não seria assim comigo, e você sabe disso. — Stevie Rae olhou para baixo. Seus ombros caíram.
— Você matou a professora Anastasia. Ela era legal. Seu par, Dragon, está perdido sem ela.
— Eu fiz o que tive que fazer por meu pai.
— E ele o desertou — ela disse.
— Eu o desapontei.
— Você quase morreu!
— Ele continua sendo meu pai — ele disse calmamente.
— Rephaim, esse Imprint. Ele parece alguma coisa para você? Ou só eu que tive a mudança?
— Mudança?
— Sim. Eu não sentia sua dor antes, mas agora eu consigo. Não sei dizer o que você está pensando, mas eu posso sentir coisas sobre você, como por exemplo, saber onde você está e o que está havendo com você mesmo que você estivesse muito longe de mim. É estranho. É diferente do que o que tive com Aphrodite, mas está aí. Não tem nada de diferente com você? — Ele hesitou um longo tempo antes de responder a ela, e ele soava confuso ao fazer isso.
— Eu me sinto protegendo você.
— Bem. — Stevie Rae sorriu.
— Você me protegeu de morrer lá em cima.
— Aquilo foi pagamento de uma dívida. Isso é mais.
— Como o quê?
— Fico doente em pensar quão perto você esteve de morrer — ele admitiu, sua voz defensiva e incomodada.
— Isso é tudo?
— Não. Sim. Eu não sei! Não estou acostumado a isso.
— Ele bateu no peito com seu punho.
— Isso o quê?
— Esse sentimento que tenho por você. Não sei como chamá-lo.
— Talvez pudéssemos chamar de amizade?
— Impossível. — Stevie Rae sorriu. — Bem, eu disse para Zoey que todo aquele negócio que achávamos impossível pode não ser tão preto no branco.
— Não é preto no branco, mas bem e mal. Nós dois somos opostos na balança de bem e mal.
— Não acho que isso esteja gravado na pedra — ela disse.
— Ainda sou o filho de meu pai — ele disse.
— Bem, me pergunto onde isso nos coloca? — Antes que ele pudesse responder, o som de gritos passou pela rachadura na terra.
— Stevie Rae! Você está aí?
— É Lenobia — Stevie Rae disse.
— Stevie Rae! — Outra voz se juntou a da Domadora de Cavalos.
— Merda! É o Erik. Ele sabe o caminho para os túneis. Se ele chegar aqui, isso vai virar um inferno.
— Eles vão protegê-la da luz do sol?
— Bem, sim, eu imagino que sim. Eles não me querem queimando.
— Então, chame-os até você. Você devia ir com eles — ele disse. Stevie Rae concentrou-se, sacudiu a mão e a pequena abertura no outro lado do telhado de seu esconderijo tremeu e ficou maior. Stevie Rae apertou suas costas contra o chão. Então ela colocou as mãos ao redor da boca e chamou:
— Lenobia! Erik! Estou aqui embaixo!
Rapidamente, ela se inclinou, apoiando as palmas das mãos na terra do outro lado de Rephaim. — Esconda-o para mim, terra. Não deixe-o ser descoberto. — Então ela empurrou, e como água escapando por um ralo, a sujeira atrás dele foi para trás, deixando um buraco do tamanho de um Corvo Escarnecedor, para dentro do qual ele se arrastou relutante.
— Stevie Rae? — A voz de Lenobia surgiu acima deles, perto da abertura.
— Sim, estou aqui, mas não posso sair a menos que vocês cubram parte do chão com uma barraca ou coisa assim.
— Vamos cuidar disso. Apenas fique aí embaixo onde você está segura.
— Você está bem? Precisamos pegar algo para você? — A voz de Erik perguntou. Stevie Rae entendeu que o “algo” a que Erik se referia era um saco ou uma dúzia de sacos de sangue da geladeira dos túneis, e ela não o queria lá embaixo de jeito nenhum.
— Não! Eu estou bem. Só pegue alguma coisa para me cobrir do sol.
— Sem problemas. Voltamos em um instante.
— Não vou a lugar nenhum — ela respondeu. Então ela voltou-se para Rephaim. — E quanto a você?
— Eu vou me manter aqui, escondido nesse canto. Se você não disser a eles que estou aqui, eles nunca saberão. — Ela sacudiu a cabeça.
— Não digo agora. Claro que não direi a eles que você está aqui embaixo. Mas onde você vai?
— Não volto aos túneis — ele disse.
— Sim, isso certamente não seria uma boa ideia. Ok, deixe-me pensar. Assim que Lenobia e Erik se forem, você poderá sair facilmente. Os calouros vermelhos não podem sair no sol e é super cedo, então a maioria das pessoas está dormindo. — Ela considerou suas opções. Ela o queria por perto, e não apenas porque imaginava que ele precisaria de ajuda para conseguir comida, e as bandagens estavam terrivelmente sujas, então ele certamente precisaria de alguém cuidando dele. Stevie Rae também sabia que precisava vigiá-lo. Ele podia melhorar e ficar mais forte, como ele costumara ser. E então, o que ele faria? E havia o pequeno fato do Imprint, que significava que era desconfortável pensar nele se afastando muito dela. Estranho ela não ter sentido isso por Aphrodite...
— Stevie Rae, posso senti-los voltando. — Rephaim disse. — Para onde devo ir?
— Ah, merda... hm... bem, você precisa de algum lugar aqui perto mas que sirva de esconderijo. E não seria ruim se tivesse uma reputação assustadora que afastasse as pessoas, ou que pelo menos não achassem tão estranho se esbarrassem em você de noite. — Seus olhos se arregalaram e ela sorriu para ele. — Já sei! Depois do Halloween, Z e a turma e eu vamos no tour fantasma de Tulsa. Era um daqueles carrinhos antigos e legais.
— Stevie Rae! Você continua bem aí embaixo? — A voz de Erik chamou lá de cima.
— Sim, ok — ela gritou de volta.
— Vamos montar uma barraca nessa abertura e ao redor da árvore. Vai ser bom o bastante para você?
— Só preciso de um espaço me cobrindo. Eu posso cuidar da parte de sair.
— Certo, eu aviso quando estivermos prontos — ele disse. Stevie Rae voltou-se para Rephaim.
— Então, é aqui que quero chegar. A última parada do carrinho foi o Museu Gilcrease. É no norte de Tulsa. Tem uma casa grande e velha lá no meio completamente desocupada. Eles vivem falando em reformá-la, mas nunca juntam o dinheiro. Você pode se esconder lá.
— As pessoas não vão me ver?
— Claro que não! Não se você ficar na casa durante o dia. É uma bagunça – toda cheia de tábuas e trancada para que os turistas não entrem nela. E aqui está a melhor parte – é super mal-assombrada! É por isso que estava no tour fantasma. Parece que o Sr. Gilrease, sua segunda esposa e mesmo crianças fantasmas aparecem lá regularmente, então se alguém ouvir algo estranho – ou seja, você – eles vão se apavorar e pensar que são fantasmas.
— Espíritos dos mortos. — Stevie Rae ergueu as sobrancelhas.
— Você não tem medo deles, tem?
— Não. Eu os entendo muito bem. Eu existi como um espírito por séculos.
— Droga, desculpa! Eu esqueci que...
— Certo, Stevie Rae! Estamos prontos para você aqui em cima — Lenobia disse.
— Tá bom, eu já subo. Mas é bom se afastar, ou você vai cair quando eu aumentar a passagem. — Ela levantou e se aproximou mais da abertura, que não estava mais deixando passar muita luz.
— Eu vou tirá-lo daqui logo. Aí, você vai para os trilhos de trem. Você vai ver a estrada 244 leste – siga-a. Vai dar em OK 51. Vá para o norte e verá a placa de saída do Museu Gilcrease. A pior parte vai ter acabado, porque tem várias árvores e outras coisas para se esconder na estrada. É na estrada que você terá problemas. Mova-se o mais rápido que conseguir e fique para o lado e na vala. Se você se abaixar, quem vê-lo pode pensar que é só um pássaro gigante. — Rephaim fez um som de desgosto, o qual Stevie Rae ignorou. — A casa está no meio do terreno do museu. Esconda-se lá e eu levarei comida e coisas para você amanhã de noite.
Ele hesitou e disse, — não é sábio de sua parte me ver de novo.
— Nada disso foi muito esperto, se você pensar nisso — ela disse.
— Então, eu a verei amanhã, já que nenhum de nós parece ser esperto enquanto isso afetar o outro.
— Então, tchau e até amanhã.
— Fique segura — ele disse. — Se você não ficar, eu... bem, eu acredito que talvez fosse capaz de sentir sua perda. — Ele hesitou nessas palavras, como se não soubesse bem como dizê-las.
— É, o mesmo para você — ela disse. Antes que ela erguesse os braços para abrir a terra, ela adicionou, — Obrigada por salvar minha vida. Sua dívida está completamente quitada.
— Estranho como não me sinto livre dela — ele disse calmamente.
— É — disse Stevie Rae. — Eu sei o que quer dizer.
E então, com Rephaim encolhido dentro da terra, Stevie Rae convocou seu elemento, abrindo o teto de sua câmara, e deixou que Lenobia e Erik lhe libertassem. Ninguém olhou atrás dela. Ninguém suspeitou. E ninguém viu uma criatura, meio corvo, meio homem, se arrastando até o Museu Gilcrease para esconder-se entre os espíritos do passado.

2 comentários:

  1. Shippando loucamente Stive Rae e Rephaim

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  2. Tá meio na cara que os dois estão se apaixonando, só não se ligaram ainda

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