5 de outubro de 2015

Capítulo 34 - Zoey

Quando pousamos no aeroporto de Veneza eu só estava acordada a um nano segundo. Eu juro que dormi o tempo todo, e o único sonho que tive foi sobre eu e um castor dos estranhos comercias do jogo Scrabble (que eu não jogo) e eu ganhar um zilhão de pares de sapatos dele (e ele nem tem pés). O sonho foi estranho, inofensivo, e eu dormi como uma criança nas férias de verão. A maioria do resto da turma estava limpando lágrimas de seus olhos e assoprando seus narizes.
— O que diabos aconteceu com todo mundo? — eu perguntei a Stark enquanto saíamos pelo nosso portão. Em alguma hora durante o voou ele foi para o assento na minha frente. Ele apontou com seu ombro para todos atrás de nós, incluindo Heath, que estava com os olhos meio enevoados.
— Eles acabaram de ver Milk. Fez todos eles chorar como bebês.
— Hey, esse filme é bom. E super triste também — eu disse.
— Yeah, eu vi quando lançaram, mas queria manter minha masculinidade calma, então decidi vir pra cá e ler. — Ele ergueu o livro do seu colo, que eu notei que se chamava Minha Estação Perdida de um cara chamado Pat Conroy.
— Você realmente lê, hein?
— Yep. Realmente leio.
— Uma estação perdida? Como ele escreveu sobre isso?
— Você realmente quer saber?
— Yeah, é claro que quero — eu disse.
— Ele escreveu o livro para mostrar que sofrimento pode ser a fonte de força.
— Huh — eu disse, não tão brilhante e nem leitora muito esperta.
— Ele é meu autor favorito — Stark disse, um pouco timidamente.
— Eu vou ter que dar uma olhada.
— Ele não escreveu livro para garotas — Stark disse.
— Esse é um terrível estereótipo! — eu comecei, e estava pronta para me lançar numa lição sobre o misogino (uma palavra que aprendi com Damien enquanto líamos A Carta Escarlate na aula de literatura) ideia de que livros masculinos são para homens e livros inúteis, fofos e inúteis são para garotas quando o avião deu uma pequena guinada e parou. Nós todos meio que ficamos nos olhando, sem ter certeza do que fazer, mas em apenas um segundo mais ou menos a porta do cockpit se abriu e a copiloto vampiro saiu com um sorriso.
— Bem vindos a Veneza — ela disse. — Eu sei que pelo menos um de vocês tem necessidades especiais, então paramos diretamente no nosso hangar privativo.
Eu podia ouvir as Gêmeas abafando o riso sobre Stark ter “necessidades especiais”, mas nós ignoramos elas. — Erce vai encontrar vocês aqui. Ela vai ser sua escolta para a Ilha São Clemente. Tenham certeza de levar todas as suas coisas com vocês, e abençoados sejam. — Então ela se moveu para a porta e, com alguns flips das alavancas levantadas, abriu o avião. Houve algum barulho, e então ela disse, — vocês podem descer.
— Eu vou primeiro — eu disse a Stark, que já estava de pé, seu livro guardado em sua mochila que estava pendurada em seu ombro. — Eu quero me certificar que não tem realmente nenhum sol para te fritar.
Stark ia discutir comigo, mas Darius passou por nós dois com um rápido, — Fique aqui. Eu vou ver se é seguro.
— Ele está dando uma de guerreiro — Aphrodite disse, descendo na frente de todo mundo que ficou com sua bolsa da Betsey Johnson. — Eu gosto quando ele fica cheio de testosterona, mas eu queria que ele tivesse lembrado de carregar minha bolsa.
— Ele precisa das mãos livres caso tenha que defender você — Stark disse a ela, com a parte do “sua idiota” deixada da frase, mas implícita. Ela cerrou os olhos para ele, mas Darius apareceu de novo no avião.
— Tudo está bem. — Então viramos, como ovelhas, e enchemos a porta. A vampira parada na beira da escada que levava ao avião era alta e tinha uma aparência de realeza, e era tão negra quanto Lenobia era bela, mas ela ainda definitivamente me lembrava uma Mestre de Cavalos. Erce tinha aquele jeito calmo que Lenobia também tinha. Eu decidi que deve ser algo em relação à afinidade delas com cavalos. Elas são calmas e sábias porque cavalos, que são os animais mais legais do mundo, fora gatos, escolhem pessoas que são leves e inteligentes.
— Eu sou Erce. Merry meet, Zoey. — Os olhos escuros dela me encontraram instantaneamente, embora eu estivesse descendo as escadas atrás de Stark e Darius.
— Merry meet — eu disse a ela. Então o olhar dela foi para Stark. Eu vi os olhos dela se arregalarem enquanto ela absorvia as tatuagens vermelhas dele com padrões intrincados de flechas do lado da lua crescente no meio da testa dele. — Esse é Stark — eu disse, precisando quebrar o que estava vindo como um silêncio constrangedor.
— Merry meet, Stark — ela disse.
— Merry meet — ele respondeu automaticamente, embora ele soasse contido.
Eu entendia como ele se sentia, mas estava me acostumando com os vampiros e calouros encarando minhas tatuagens. — Stark, eu cuidei para ter certeza que nosso barco tenha cortinas e janelas escuras, apesar do por do sol ser dentro de uma hora, e ter estado nevado o dia todo, então o brilho do sol ainda é fraco. — A voz dela era musical e boa de ouvir, tão boa que eu levei um momento para ouvir o que ela estava dizendo.
— Barco? — eu disse. — Como ele vai até o barco?
— Bem, está bem aqui, Zo. — Heath, que estava deslizando escada abaixo com seus pés para cima e mãos sobre o trilho, apontou seu queixo em direção a um lado do hangar. Saindo do chão de uma das extremidades do prédio estava uma doca grande e retangular com uma grande porta que me lembrava uma garagem com uma saída fechada. Na outra estava um polido aparentemente preto barco de madeira. A parte de cima frontal era de vidro, e eu podia ver dois altos vampiros em pé lá na cabine. Atrás deles escadas de madeira polida levavam para baixo no que devia ser a área de passageiros. Eu disse “deve ser” porque, mesmo que tivessem janelas ao longo da lateral do barco, elas eram, realmente, completamente cobertas.
— Se o sol esta atrás das nuvens, eu posso suportar — disse Stark.
— Então é verdade que a luz do sol não é simplesmente desconfortável para você? Ele irá literalmente queimar você? — Eu conseguia ouvir a curiosidade na voz dela, e isso não soava forçado ou “oh-meu-deus você é muito estranho”. Ela soava honestamente preocupada.
— Luz solar direta me mataria — Stark disse sem enrolação. — Sol de fundo ou indireto estaria em algum lugar entre muito perigoso a desconfortável.
— Interessante — ela refletiu.
— Eu acho que interessante é um jeito de ver isso. Eu geralmente penso nisso como irritante e inconveniente — Stark disse.
— Nós vamos ter tempo para compras antes do encontro com o Alto Conselho? — Aphrodite perguntou.
— Ah, você deve ser Aphrodite.
— Sim, merry meet, que seja. Então podemos ir fazer compras?
— Eu temo que vocês não irão ter tempo. Vai levar meia hora para chegar a ilha, ai então eu iria acomodar vocês e, mais importante, dar um resumo a vocês sobre as regras do Conselho. Na verdade, nós temos que ir indo agora. — Ela começou nos conduzir ao barco.
— Eles vão me deixar falar perante eles, ou eu não sou boa o suficiente agora que eu sou apenas uma humana? — Aphrodite disse.
— A regra sobre humanos não tem nada haver sobre eles não serem bons o suficiente para falar diante o conselho — Erce disse enquanto nos movíamos da parte parecida com uma doca do hangar e embarcávamos no barco, entrando em um escura e luxuosa cabine. — Consortes vem há muito tempo sendo permitidos na câmara do Conselho por causa da importância deles para seus vampiros. — Ela pausou aí e sorriu para Heath, que era totalmente e obviamente humano. — Eles não tem permissão para falar perante o Alto Conselho porque humanos não tem o que dizer sobre políticas e problemas vampiricos.
— Heath suspirou dramaticamente, se ajeitando perto de mim e, ignorando Stark, que estava sentado no meu outro lado, colocou seu braço possessivamente ao redor dos meus ombros.
— Eu irei acotovelar a merda de você se você não abaixar o braço e agir direito — eu sussurrei. Heath sorriu timidamente e tirou seu braço, entretanto ele não se afastou de mim.
— Então isso significa que eu posso atender a toda poderosa reunião do Conselho, mas tenho que calar a boca como o doador de sangue ali? — Aphrodite perguntou.
— Para você eles fizeram uma exceção. Você pode atender, e poderá falar, mas você terá que seguir todas as regras do Conselho.
— O que significa nada de compras agora — Aphrodite disse.
— É isso mesmo o que significa — Erce disse. Eu estava impressionada pela paciência dela. Lenobia teria provavelmente arrancado a cabeça de Aphrodite fora depois da atitude de espertinha dela.
— Poderá todo o resto de nós ir para a reunião do Conselho também? Oh, oi e merry meet, eu sou Jack — ele disse.
— Vocês todos estão convidados a reunião perante o Conselho.
— E sobre Neferet e Kalona? Eles estarão lá também? — eu perguntei.
— Sim, apesar de agora Neferet se auto denominar a encarnação de Nyx, e Kalona diz que seu nome real é Erebus.
— Isso é mentira — eu disse. O sorriso de Erce era amargo.
— Isso, minha jovem e incomum caloura, é exatamente o porque você está aqui.
Nós não dissemos muito mais durante o resto da viagem. O motor do barco ligou e era alto e muito mais que um pouco desorientador dentro da cabine do barco. Balançava muito, e eu estava ocupada concentrando em não vomitar meu estômago. A velocidade do barco diminuiu, junto com o rolar e balançar na água, sinalizando nossa chegada na ilha, quando a voz de Darius superou o barulho da máquina.
— Zoey! — Ele e Aphrodite estavam sentados em um dos assentos duas filas atrás de mim e eu tive que girar ao redor da minha cadeira para vê-lo. Stark se virou comigo, então nós dois nos levantamos ao mesmo tempo.
— Aphrodite, qual o problema? — eu corri até ela. Ela estava segurando sua cabeça com as mãos como se ela estivesse com medo que isso estivesse perto de explodir. Darius estava observando sem poder fazer nada. Ele continuava tocando um dos ombros dela, murmurando coisas que eu não conseguia ouvir para ela, e tentando fazer ela olhar para ele.
— Oh, Deusa! Minha cabeça está me matando. Que merda é essa?
— Ela está tendo uma visão? — Erce disse, vindo por trás de mim.
— Eu não sei. Provavelmente — eu disse. Eu me ajoelhei em frente a Aphrodite e tentei fazer com que ela olhasse para meus olhos. — Aphrodite, é Zoey. Me diga o que você esta vendo.
— Eu estou muito quente. Muito quente inferno! — Aphrodite estava dizendo. Seu rosto tinha se tornado corado e suado, mesmo que estivesse na verdade fresco no barco. Com olhos esbugalhados e em pânico ela olhou ao redor, apesar de eu achar que ela não estava vendo o interior do caro pequeno barco.
— Aphrodite, fale comigo! O que a sua visão está mostrando? — Ela olhou para mim então, e eu percebi que os olhos dela estavam claros e o não dolorosamente cheios de sangue que tinha começado a aparecer com cada visão dela.
— Eu não estou vendo nada. — Ela engoliu ar, ainda abanando seu rosto suado. — Não é uma visão: é Stevie Rae e o nosso maldito Imprint. Alguma coisa está acontecendo com ela. Algo muito, muito ruim.

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