3 de outubro de 2015

Capítulo 33

O chão embaixo dos meus pés. Ensopado com o sangue de Stevie Rae, começou a tremer, a se abrir como se não fosse mais terra sólida mas de repente tivesse virado água. Através dos choros de pânico, eu ouvi a voz de Aphrodite de novo, tão calma como se ela estivesse apenas gritando com Damien e as Gêmeas sobre as escolhas de moda deles.
— Nos mova, mas não quebre o círculo!
— Zoey. — Stevie Rae arfou meu nome. Ela olhou para mim com olhos cheios de dor. — Escute Aphrodite. Não quebre o círculo. Não importa o que!
— Mas você está –
— Não! Eu não estou morrendo. Eu prometo. Ele só tomou meu sangue, não minha vida. Não quebre o círculo. — Eu acenei, e levantei. Erik e Venus estavam mais perto de mim. — Fiquem um em cada lado de Stevie Rae. Ajudem ela a levantar. Ajudem ela a segurar a vela, e não importa o que, não deixem apagar e não deixem o círculo se quebrar.
Venus parecia abatida, mas ela acenou e moveu Stevie Rae. Erik, com o rosto branco de choque, só me encarou.
— Faça sua escolha agora — eu disse. — Ou você está com a gente ou com Neferet e o resto deles.
Erik não hesitou. — Eu fiz minha escolha quando fui voluntário para ser seu consorte hoje à noite. Estou com você.
Então ele correu para ir ajudar Venus a levantar Stevie Rae.
Tropeçando pelo chão instável, eu fui até a mesa de Nyx e peguei a vela púrpura logo antes de cair e apagar. Agarrando ela perto de mim, eu virei minha atenção para Damien e as Gêmeas. Eles estavam seguindo as instruções calmas de Aphrodite e, no meio dos gritos e do caos que havia do lado de fora do nosso círculo, eles estavam andando devagar juntos, diminuindo a circunferência do fio prateado em direção a Stevie Rae, até que todos nós, Damien, as Gêmeas, Aphrodite, Erik, os calouros vermelhos, e eu nos amontoamos juntos ao redor de Stevie Rae.
— Comecem a mover ela para longe da árvore — Aphrodite disse. — Todos nós, sem quebrar o círculo. Precisamos ir para a porta escondida no muro. Agora.
Eu encarei Aphrodite, e ela acenou solenemente. — Eu sei o que vai acontecer a seguir, e não vai ser bom.
— Então vamos sair daqui — eu disse.
Começamos a andar como um grupo, dando passos pequenos na terra quebrada, tendo um ultra cuidado com Stevie Rae e as velas e tentando manter o círculo. É de se imaginar que calouros e vampiros estariam em nosso caminho. Era de se imaginar que pelo menos Shekinah teria dito algo para nós, mas parecia existir uma estranha bolha de serenidade em um mundo repentino lavado em sangue e pânico e caos. Estávamos nos mantendo longe das árvores, seguindo o muro, devagar e cuidadosamente fazendo progresso. Eu notei que a grama embaixo dos nossos pés estava lisa e completamente seca com o sangue de Stevie Rae quando a terrível risada de Neferet chegou até mim.
O carvalho, com um terrível som de corte, se rasgou em dois. Eu estava andando de costas, ajudando a levar Stevie Rae que estava na frente, então eu tinha uma clara visão da árvore quando ela se partiu. Debaixo do meio da árvore destruída uma criatura surgiu. Primeiro o que eu vi foram asas negras que complemente cobriam algo. Então ele saiu do carvalho destruído, endireitou o corpo e desdobrou suas asas da cor da noite.
— Oh, deusa! — o choro saiu de mim no meu primeiro deslumbre de Kalona. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto. A pele dele era lisa e complemente ilesa, e era dourada com o que parecia o beijo dos raios do sol. O cabelo dele era tão negro quanto as asas, e caia solto ao redor dos ombros dele, fazendo ele parecer um antigo guerreiro. O rosto dele – como eu posso descrever completamente o lindo rosto dele? Era como uma escultura que tinha ganhado vida, e fazia até o mortal mais lindo, seja ele humano ou vampiro, parecer uma boba e falha tentativa de imitar a glória dele. Os olhos dele eram âmbar, tão perfeitos, que eram quase dourados. Eu me encontrei querendo me perder neles. Aqueles olhos me chamavam... eles me chamavam...
Eu parei, e eu juro que eu podia ter quebrado o círculo ali mesmo para poder correr de volta e cair nos pés dele, se ele não tivesse erguido os lindos braços e chamado numa voz que era profunda e rica e cheia de poder, — Levantem comigo, filhos!
Corvos Escarnecedores saíram do buraco no chão e encheram a noite, e foi o medo que me encheu ao ver aquelas terríveis criaturas familiares que se dissipou pelo meu corpo que quebrou o feitiço de beleza que Kalona tinha lançado em mim. Eles clamaram e circularam ao redor de seu pai, que riu e ergueu seus braços mais alto para que as asas deles pudessem acariciar ele.
— Temos que sair daqui! — Aphrodite assoviou.
— Sim, agora! Depressa — eu disse, voltando totalmente ao normal. O chão não estava mais tremendo, então fomos capazes de andar mais rápido. Eu ainda estava me movendo de costas, então eu observei com um horror fascinado enquanto Neferet se aproximava do anjo recém libertado. Ela parou diante dele e deu uma graciosa cortesia.
Ele inclinou a cabeça, os olhos dele brilhando de luxúria enquanto ele olhava para ela. — Minha Rainha — ele disse.
— Meu Consorte — ela disse. Então ela virou para olhar para a multidão que tinha parado de correr em pânico e agora olhavam com fascinação para Kalona.
— Esse é Erebus, que finalmente veio para a terra! — Neferet proclamou. — Curvem-se ao Consorte de Nyx, e nosso novo senhor na terra.
Muitos que observavam na multidão, especialmente os calouros, instantaneamente caíram de joelhos. Eu olhei para Stark, mas ele não me viu. Eu vi Shekinah começando a andar, a expressão dela fixada com um profundo franzido. Enquanto ela andava, muitos Filhos de Erebus se juntaram a ela, parecendo alerta, mas eu não sabia dizer se eles estavam indo questionar Kalona, como Shekinah obviamente iria fazer, ou se eles estavam pensando em proteger ele da Alta Sacerdotisa. Antes de Shekinah poder passar pela multidão e confrontar o anjo, Neferet ergueu a mão e fez um breve movimento com o pulso. Foi um gesto tão pequeno e insignificante que se eu não tivesse olhando para ele, não teria notado.
Os olhos de Shekinah ficaram selvagens, ela arfou, segurou o pescoço, e caiu no chão. Os Filhos de Erebus correram até o corpo dela.
Foi nesse momento que tirei meu celular do bolso e liguei para Irmã Ângela.
— Zoey? — ela atendeu no primeiro toque.
— Saia daí. Saia agora — eu disse.
— Eu entendi. — Ela soava calma.
— Leve vovó! Você tem que levar vovó com você!
— É claro que vou. Cuide de você e do seu povo. Eu vou cuidar dela.
— Eu ligo quando puder. — E desliguei.
Quando olhei para cima do meu telefone eu vi que Neferet tinha voltado sua atenção para nós.
— Chegamos! — Aphrodite disse. — Abra a porcaria da porta agora!
— Já está aberta — disse uma voz familiar. Eu olhei por trás de mim para o muro e vi Darius parado do lado de uma porta aberta que parecia estar aparecendo magicamente no muro de tijolos. E, com uma onda de alívio, eu vi que Jack estava parado do lado do guerreiro, girando os olhos, mas inteiro com Duquesa do lado.
— Se você está conosco, está contra eles — eu disse a Darius, apontando meu queixo em direção a House of Night e aos Filhos de Erebus que encheram o campo da escola e que não estavam fazendo nenhum ataque contra Kalona.
— Eu fiz minha escolha — disse o guerreiro.
— Podemos por favor sair daqui? Ela está olhando para nós! — Jack disse.
— Zoey! Você tem que nos comprar um pouco de tempo — Aphrodite disse. — Use os elementos – todos eles. Nos proteja.
Eu acenei e fechei meus olhos, me concentrando. Vagamente no fundo da minha mente eu sabia que Aphrodite estava ordenando os calouros vermelhos e dizendo para ficarem perto, dentro do círculo, mesmo que ele ficasse esmagado e não tivesse mais uma forma de um círculo enquanto nós passávamos pela porta escondida. Mas havia só uma parte minha ali. O resto de mim estava comandando o vento, fogo, água, terra, e espírito para nos cobrir, nos proteger, para nos tirar do campo de visão de Neferet. Enquanto eles me obedeciam, eu senti minha força ser drenada como nunca tinha sentido antes. É claro eu nunca tentei comandar os cinco elementos de uma vez para fazer um trabalho tão poderoso por mim – eu sentia como se minha mente, minha vontade, estavam tentando correr uma maratona.
Eu cerrei os dentes e continuei firme. Os elementos passaram abaixo e ao nosso redor. Eu podia ouvir o vento e o cheiro do oceano enquanto uma forte brisa passava ao nosso redor. Então um trovão passou pelo repentino céu cheio de nuvens e com um crack! Um trovão deslizou para baixo, atingindo uma árvore alguns metros de nós. A árvore pareceu se estender enquanto a terra se aumentava, e quando abri meus olhos enquanto um dos calouros vermelhos me guiava de costas pela porta escondida eu vi nosso pequeno grupo complemente protegido pela fúria dos elementos. No meio do caos, eu vi um maravilhoso som de “mee-uf-ow!” e olhei para a porta escondida para ver Nala sentada no chão do lado de fora da escola na liderança de vários gatos, incluindo a horrível e com uma aparência muito enganadora Malévola, que estava perto do odioso Beelzebub das Gêmeas.
Eu tive um último deslumbre de Neferet enquanto ela olhava selvagemente ao redor, claramente não querendo acreditar que de alguma forma tínhamos escapado dela. E então a porta se fechou, nos selando para fora da House of Night.
— Ok, reformem o círculo. Se apertem. Gêmeas! Vocês estão muito próximas. Vocês estão deixando um lado solto. Gatos! Parem de assoviar para Duquesa. Não temos tempo para isso. — Aphrodite estava dando ordens como um sargento.
— Os túneis. — A voz fraca de Stevie Rae pareceu cortar a noite.
Eu olhei para ela. Ela não conseguia ficar de pé. Erik a ergueu nos braços, e ele estava segurando ela como um bebê, tomando cuidado para não tocar a flecha que ainda estava enfiada nas costas dela. O rosto dela estava completamente branco a não ser pelas tatuagens vermelhas.
— Temos que ir para os túneis. Ficaremos seguros lá — ela disse.
— Stevie Rae tem razão. Ele não irá nos seguir lá, e nem Neferet irá — Aphrodite disse.
— Que túneis? — Darius perguntou.
— Ficam abaixo da cidade, lugares velhos e proibidos. A entrada é no depósito do centro — eu disse.
— O depósito. Isso é a alguns quilômetros de distância, no coração da cidade — ele disse. — Como vamos — As palavras dele se quebraram quando ele ouviu um terrível grito vindo do lado de dentro da House of Night. Bolas de fogo estavam florescendo no céu como terríveis e mortais flores.
— O que está acontecendo? — Jack perguntou, se movendo mais para perto de Damien.
— São os Corvos Escarnecedores. Eles tem seu corpo de volta, e estão com fome. Estão se alimentando de humanos — Aphrodite disse.
— Eles podem usar fogo? — Shaunee perguntou, parecendo irritada.
— Eles podem — Aphrodite disse.
— Diabos que eles podem! — Shaunee começou a erguer os braços, e eu senti calor passando no ar ao redor de nós.
— Não! — Aphrodite gritou. — Você não pode chamar atenção para nós. Não hoje. Se você fizer, estamos acabados.
— Você viu isso? — Eu perguntei.
Ela acenou. — Tudo isso e mais. Aqueles que não foram para o subterrâneo serão a presa deles.
— Então temos que ir para os túneis — eu disse.
— Como? — um dos calouros vermelhos que eu não reconheci perguntou. Ela soava jovem e com muito medo.
Eu me segurei, já estava exausta por manipular os cinco elementos com tamanha extensão. Eu não queria que eles soubessem que eu estava tão drenada quanto me sentia. Eles tinham que acreditar que eu era forte e segura e estava no controle. Eu respirei fundo. — Não se preocupe. Eu sei como andar sem ser vista. Eu já fiz isso antes. — Eu sorri para Stevie Rae. — Nós já fizemos isso antes. — Olhei para Aphrodite. — Não é mesmo?
Stevie Rae conseguiu acenar fracamente.
— Yep, com certeza — disse Aphrodite.
— Então qual o plano? — Damien perguntou.
— Yeah, vamos trabalhar — Erin disse.
— Idem. Estou ficando com câimbras por ficar tão perto de todo mundo — Shaunee murmurou, obviamente ainda irritada por não poder lutar.
— Esse é o plano. Vamos nos tornar uma névoa e sombra, noite e escuridão. Não existimos. Ninguém pode nos ver. Nós somos a noite e a noite é a gente. — Enquanto eu explicava, eu senti o calafrio familiar do meu corpo e vi os calouros vermelhos arfarem e sabia quando eles olhavam para mim, que estavam vendo nada a não ser névoa coberta com escuridão, escondida nas sombras. Eu pensei que era estranho ser tão fácil me misturar com a noite agora que eu estava tão cansada... era como se eu pudesse sumir e finalmente dormir...
— Zoey! — A voz de Erik quebrou meu perigoso transe.
— Estou bem! Estou bem — eu disse rapidamente. — Agora vocês façam. Concentrem-se. Não é diferente de quando vocês costumavam sair da House of Night para ver namorados ou ir até o rituais fora do campus, só que vocês tem que se concentrar ainda mais. Vocês conseguem. Vocês são névoa e sombra. Ninguém pode ver vocês. Ninguém pode ouvir vocês. Só existe a noite aqui, e vocês são parte da noite.
Eu vi meu grupo tremer e começar a dissolver. Não estava perfeito, e Duquesa ainda era tão solida como um grande labrador – diferente dos nossos gatos ela não podia se misturar com a noite – mas o garoto com quem ela estava próxima era um pouco mais do que uma sombra.
— Agora vamos. Fiquem juntos. Deem as mãos. Não deixem nada atrapalhar a concentração de vocês. Darius, lidere — eu disse.
Nós andamos no que tinha se tornado uma cidade de pesadelos vivos. Eu me perguntei mais tarde como conseguimos, e percebi a resposta mesmo enquanto me perguntava do porque. Conseguimos porque a mão de Nyx estava em nós. Nos movemos na sombra dela. Cobertos com o poder dela nos tornamos a noite, embora o resto da noite tivesse se tornado loucura.
Os Corvos Escarnecedores estavam em todo lugar. Era logo depois da meia noite do ano novo, e as criaturas podiam escolher os humanos bêbados que celebravam e estavam juntos em clubes e restaurantes e mansões velhas porque eles ouviram o fogo das criaturas não humanas, pensando que a cidade tinha bolado fogos de artifício, e correram para ver o show. Eu me perguntei com horror quantos deles tinham olhado para o céu apenas para ter seu último suspiro de horror olhando para olhos vermelhos de homens olhando para eles com rostos monstruosos.
Antes de alcançarmos o ponto entre Cincinnati e a Treze eu comecei a ouvir a policia e sirenes de bombeiros, junto com tiros, o que me fez dar um sorriso. Isso era Oklahoma, e nós Okies amávamos nossas armas. Yep, nós exercitamos nosso direito da Segunda Emenda com orgulho e vigor. Eu queria ter ideia se armas modernas poderiam fazer diferença com criaturas nascidas de magia e mito, e sabia que não iria ter que imaginar isso por muito tempo. Logo todos iríamos descobrir.
A uma quadra do depósito abandonado de Tulsa, começou uma fria e miserável chuva que nos gelou até os ossos, mas ajudou a esconder nosso grupo ainda mais dos olhos que sondavam – sendo eles humanos ou bestas.
Corremos para o porão do depósito abandonado, entrando facilmente pela grade de metal aberta que parecia uma barreira. Assim que a escuridão do portão nos engoliu, demos um suspiro aliviado.
— Ok, agora podemos fechar o círculo.
— Obrigado espírito, você pode partir. — Eu comecei. Eu virei para Stevie Rae, ainda nos braços de Erik. — Sou agradecida a você, terra, você pode partir. — Erin estava a minha esquerda, e eu sorri através da escuridão para ela. — Água, você se saiu bem hoje. Você pode partir. — Ainda virando na minha esquerda, eu encontrei Shaunee. — Fogo, obrigado, por favor parta. — Então eu fechei o círculo com o elemento que eu o abri. — Vento, você tem minha gratidão como sempre. Você pode partir. — E com um pequeno estouro, o fio prateado que nos ligava, desapareceu.
Eu cerrei os dentes contra a exaustão que ameaçava me sobrepujar, e eu acho que teria caído se Darius não tivesse agarrado meu braço para firmar meus joelhos fracos.
— Vamos descer. Ainda não estamos completamente seguros — Aphrodite disse.
Todos nos movemos para a parte de trás do porão na entrada que eu sabia que escondia um sistema de túneis. Voltar nesses túneis era uma experiência tão surreal como a noite tinha se tornado. A última vez que estive aqui foi no meio de uma nevasca. Eu estava lutando para salvar Heath de Stevie Rae e um bando de calouros que eu agora lutava para salvar.
Heath!
— Zoey, vem — Erik disse quando eu hesitei. Ele passou Stevie Rae para Darius, para que ele e eu fossemos os últimos do grupo a descer.
— Tenho que fazer duas ligações primeiro. Não tem recepção lá embaixo.
— Então seja rápida — ele disse. — Eu vou dizer a eles que você está indo.
— Obrigado. — Eu sorri carinhosamente para ele. — Vou me apressar.
Ele me deu um acenou e então desapareceu pelas escadas de ferro que levavam para os túneis.
Eu fiquei surpresa quando Heath atendeu ao primeiro toque. — O que você quer, Zoey?
— Me escute, Heath, eu tenho que ser rápida. Algo terrível foi solto na House of Night. Vai ser ruim, muito ruim. Eu não sei por quanto tempo porque eu não sei como impedir. Mas o único jeito de você ficar seguro é se você for para o subterrâneo. Ele não gosta de terra. Você entendeu?
— Sim — ele disse.
— Você acredita em mim?
Ele nem hesitou. — Sim.
Eu suspirei aliviada. — Pegue sua família e quem mais você gosta e vá para o subterrâneo. A casa do seu avô não tem um grande porão?
— Yeah, podemos ir para lá.
— Bom, te ligo de novo quando puder.
— Zoey, você vai ficar segura também?
Meu coração se apertou. — Eu vou.
— Onde?
— Nos velhos túneis debaixo do depósito — eu disse.
— Mas eles são perigosos!
— Não, não – não é mais assim. Não se preocupe. Fique a salvo também. Ok?
— Ok — ele disse.
Eu desliguei antes de dizer algo que nós dois íriamos lamentar. Então eu disquei o segundo número que eu precisava ligar. Minha mãe não atendeu. O telefone caiu na caixa postal depois de alguns toques. Eu ouvi a voz animada dela dizer, “Aqui é a residência dos Heffer, nós amamos e tememos o Senhor e te desejamos um dia abençoado. Nos deixe uma mensagem. Amém!” Eu virei meus olhos e quando o bip veio eu disse, — Mãe, você vai achar que Satã foi solto na terra, e pela primeira vez você está muito perto da verdade. Isso é ruim, e o único jeito de ficar segura dele é ir para o subterrâneo, como um porão ou caverna. Vá para o porão da igreja e fique lá. Ok? Eu te amo, mãe, e me certifiquei que vovó também fique segura, ela está no — O serviço de mensagens me cortou. Eu suspirei e esperei que ela fosse, pela primeira vez em muito tempo, me ouvir. Então segui todos para os túneis.
Meu grupo estava esperando por mim perto da entrada. Eu vi luzes pelo túnel que se esticava, escuro e intimidador na nossa frente.
— Eu mandei os calouros vermelhos na frente para acender as luzes e tudo mais — Aphrodite disse, então ela olhou para Stevie Rae. — O ‘tudo mais’ é catar uns cobertores e roupas secas.
— Ótimo. Isso é bom. — Eu me forcei a pensar através da exaustão. Eles já tinham acendido algumas lanternas a óleo, do tipo antigo que pode ser carregado, e colocado em ganchos no nível dos olhos, então era fácil ver a expressão dos meus amigos quando olharam para mim. A mesma coisa que estava em todos os rostos, até no de Aphrodite. Eles estavam com medo.
Por favor, Nyx, eu mandei uma silenciosa e fervorosa reza, me dê a força e me ajude a dizer isso da maneira certa porque como começamos aqui será o primeiro passo de como vamos viver aqui. Por favor não me deixe fazer besteira.
Eu não recebi uma resposta em palavras, mas senti uma onda de calor e amor e confiança que fez meu coração parar e me encheu com força.
— Yeah, isso é ruim — eu comecei. — Não tem como negar. Somos jovens. Estamos sozinhos. Estamos machucados. Neferet e Kalona são poderosos e, até onde eu sei, eles podem ter todos os calouros e vampiros do lado deles. Mas temos algo que eles não tem. Temos amor e verdade e uns aos outros. Também temos Nyx. Ela Marcou cada um de nós, e de um jeito especial, nos Escolheu, também. Nunca houve um grupo como nós – somos completamente novos. — Eu pausei, tentando olhar todos nos olhos e sorrir confiante para eles. Na minha pausa, Darius falou.
— Sacerdotisa, esse mal não é nada que eu já tenha sentido antes — ele disse. — Nada que eu tenha ouvido falar antes. É uma coisa indomada que tem ódio. Quando saiu da terra, eu senti como se o mal tivesse renascido.
— Você o reconheceu, Darius. Muitos dos outros guerreiros não reconheceram. Eu vi a reação deles. Eles não pegaram suas armas ou saíram de lá, como nós.
— Talvez um guerreiro mais corajoso tivesse ficado — ele disse.
— Mentira! — Aphrodite disse. — Um guerreiro estúpido teria ficado. Você está aqui conosco, e agora tem a chance de lutar. Até onde sabemos aqueles outros guerreiros ou caíram pela porcaria daqueles pássaros, ou estão sob um feitiço como o resto dos calouros.
— Yeah — disse Jack. — Estamos aqui porque tem algo diferente sobre nós.
— Algo especial — Damien disse.
— Muito especial — Shaunee disse.
— Estou com você nessa, Gêmea. — Erin disse.
— Somos tão especiais, que quando olhamos nos ônibus, tem fotos do nosso grupo lá. — Stevie Rae disse, soando fraca mas definitivamente viva.
— Está certo. Então o que fazemos agora? — Erik disse.
Todos olharam para mim. Eu olhei para eles.
— Bem, uh, vamos fazer um plano — eu disse.
— Um plano? — Erik disse. — Só isso?
— Não. Vamos fazer um plano, e então vamos descobrir como tomar a escola de volta. Juntos. — Eu pus minha mão no meio deles, como uma nerd jogadora de algum time. — Vocês estão comigo?
Aphrodite virou os olhos, mas a mão dela foi a primeira a cobrir a minha. — Yeah, estou dentro — ela disse.
— E eu. — Disse Damien.
— Eu também — disse Jack.
— Idem — falaram as Gêmeas juntas.
— Estou dentro também — disse Stevie Rae.
— Não perderia por nada no mundo — disse Erik, colocando a mão dele no topo da pilha e sorrindo para mim.
— Muito bem, então — eu disse. — Vamos pegar eles! — E enquanto todos eles gritavam em resposta, eu senti um incrível formigar se espalhar na ponta dos meus dedos e cobrir a palma das minhas mãos, e eu sabia que quando a tirasse da pilha de mãos eu encontraria novas tatuagens intrincadas decorando a palma das minhas mãos, como se eu fosse uma exótica antiga sacerdotisa que foi Marcada com henna como especial para a deusa. Então, mesmo no meio de toda a loucura e exaustão e o caos que iria mudar nossas vidas, eu estava repleta de paz e um doce conhecimento de que eu estava trilhando o caminho que minha deusa queria que eu tomasse.
Não que esse caminho fosse suave e limpo. Mas ainda sim, era meu caminho, e como eu, estava fadado a ser único.

6 comentários:

  1. Bom bom bom... ou seria mal?

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  2. vixi, plano b coloca uma boneca de plastico pelada com uma gina que vibra de silicone;deuses tenden a repetir o erro e joga a neferet no buraco com os dois kkkkkkk

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    1. Kkkkkkkkkkkkkkk estou morta...cara kxnddkdjdkdk scrr...melhor comentário 👏👏

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  3. Tenho uma leve desconfiança sobre Erik :/
    E não É de agora kkkk
    Pode ser só minha imaginação fértil kkkk

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