4 de outubro de 2015

Capítulo 32

Os três cavalos assustados estavam esperando por nós. Erin e Shaunee já estavam montadas em Destino. Shaunee estava “dirigindo.” Ela tinha tido aulas de Caçador/Pular na escola preparatória particular dela antes dela ser Marcada, então ela se proclamou “uma quase medíocre cavaleira.” Aphrodite e Damien estavam parados perto de Persephone e Esperança. Damien parecia prestes a vomitar a qualquer instante.
— Eu senti o espírito me tocar e assumi que vocês foram bem — Lenobia disse enquanto ela passava por nós e começava a checar novamente os cavalos.
— O muro foi quebrado, mas eu fui forçado a matar um Corvo Escarnecedor. Tenho certeza que ele será descoberto em breve — Darius disse.
— Na verdade, isso é bom. Vai nos dar mais credencial sobre a ideia de que vocês vão tentar escapar pelo muro quebrado — Lenobia disse. — Hora de montar. Shaunee, você está pronta?
— Eu nasci pronta — Shaunee disse.
— Muito bem, e quanto a você, Erin?
Erin acenou. — Idem. Estou pronta.
— Damien?
Ele respondeu Lenobia, mas ele falou comigo, — Estou assustado.
Eu corri para o lado dele e tomei a mão dele. — Estou assustada também. Mas é muito menos assustador se eu lembrar que estamos juntos.
— Mesmo que estejamos juntos num cavalo?
Eu sorri. — Mesmo assim. Além do mais, Persephone é uma leide perfeita. — Eu tomei a mão de Damien e a pressionei contra a graciosa curva do pescoço da égua.
— Ooooh, ela é suave e quente — ele disse.
— Aqui, eu te dou uma ajuda — Lenobia disse, se curvando ao nosso lado e oferecendo a Damien um pé fazendo um berço com as mãos.
Com um longo e sofrido suspiro ele pôs os joelhos nas mãos dela e tentou (sem sucesso) reprimir um gritinho muito gay enquanto ela o empurrava para as costas de Persephone.
Antes de Lenobia me ajudar a subir ela pôs as mãos nos meus ombros e tentou olhar nos meus olhos. — Siga seu coração e seu instinto, e você não fará nada errado. Faça ele fugir, Sacerdotisa.
— Farei meu melhor — eu disse.
— É por isso que tenho tanta fé em você — ela disse.
Assim que estávamos todos montados, Lenobia nos levou até a porta que se abria para o curral. Mais cedo Lenobia tinha discretamente aberto o portão para fora do curral. Agora nada estava entre nós e o mundo de fora a não ser muito gelo, os portões da frente da escola, vários Corvos Escarnecedores, o paizinho deles, e uma maluca ex-Alta Sacerdotisa.
Como vocês podem muito bem imaginar, eu estava bem preocupada sobre ter um sério caso de diarreia nervosa. Graças a Deus, eu não tinha tempo de sobra o bastante pra dar a meu corpo muita ideia.
Lenobia abriu as portas. Ela já tinha apagado as luzes nessa parte do estábulo, para que não ficássemos com a silhueta a mostra. Nós espiamos a escuridão gelada, imaginando a tempestade que está para vir.
— Eu vou te dar apenas alguns minutos para chamar os elementos — Lenobia disse. — O repentino aumento de intensidade na tempestade é a deixa de Anastasia para começar um feitiço de confusão do outro lado do campus, e não se esqueça que Dragon se colocou no portão da frente. Ele vai cortar os Corvos Escarnecedores que estão lá assim que ele ouvir cascos se aproximando. Shaunee, quando estiver pronta, coloque o estábulo em chamas. Quando eu vir as chamas, eu vou libertar o resto dos cavalos. Eles já sabem que eles devem correr pela escola e criar o máximo de destruição possível.
Shaunee acenou. — Eu entendi.
— Então refoque as chamas nos cascos dos cavalos. — Lenobia pausou e reiterou — eu quero dizer as patas dos sapatos em seus cascos. Eu vou dizer a Persephone quando ir. O resto de vocês só precisa se segurar e seguir a líderança dela. — Ela deu tapinhas carinhosos na minha égua. Então ela olhou para mim — Merry meet, merry party e merry meet again, Alta Sacerdotisa. — ela disse. Com a mão em punho sob o coração, ela me reverenciou.
— Brilhantes bênçãos para você, Lenobia — eu disse. Enquanto ela começou a andar rapidamente para longe, eu a chamei — Lenobia, por favor, reconsidere sair daqui. Se eu não me livrar de Kalona, você e Dragon e Anastasia tem que ir para o subsolo – os túneis debaixo do depósito, a abadia, ou até mesmo o porão de um dos prédios do centro. Essa é realmente a única chance que vocês vão ter de estarem seguros.
Lenobia pausou e olhou por cima do ombro para mim. O sorriso dela era sereno e sábio. — Mas, Sacerdotisa, você vai ter sucesso. — E ela correu para longe.
— Jeesh, ela é teimosa — Shaunee disse.
— Vamos apenas nos certificar que ela tenha razão — eu disse. — Ok, estão prontos?
Meus amigos acenaram. Eu respirei fundo e me concentrei. Estávamos apontando para o norte, então eu virei Persephone para a direita para que estivéssemos olhando para o leste. Não havia tempo para palavras floridas ou música inspiradora; só havia tempo para ação. Rapidamente eu invoquei cada um dos elementos, sentindo meus nervos se
firmarem enquanto eles preenchiam o ar e criavam um circulo brilhante que nos ligava.
Quando espírito cresceu em mim, eu não pude me impedir de rir em voz alta. Ainda rindo, eu disse, — Damien, Erin, coloquem seus elementos para funcionar!
Eu senti Damien erguer suas mãos atrás de mim, e vi Erin fazer o mesmo. Eu podia ouvir Damien sussurrando palavras para o ar, pedindo para o vento gelado soprava, se arremessava e brigava, tudo ao redor de nós. Eu sabia que Erin estava pedindo algo similar para a água - comandando que ela aumentasse a chuva e inundasse o mundo ao nosso redor.
Eu me segurei para ajudar eles a canalizar e controlar seus elementos para que pudéssemos (em teoria) nos mover dentro de uma pequena bolha de redemoinho de elementos. Os elementos responderam instantaneamente. Olhamos para fora para ver a noite na nossa frente irromper em uma tempestade que provavelmente deixava Doppler 8 no chinelo.
— Ok — eu gritei sobre o vento. — É a vez do fogo.
Shaunee ergueu os braços, jogou sua cabeça para trás, e como se estivesse jogando basquete, jogou o fogo que estava entre as palmas dela no vazio, e cheio de palha estábulo que Lenobia tinha dito a ela para destruir. O estábulo explodiu em chamas furiosas.
— Agora os cascos dos cavalos — eu gritei.
Ela acenou. — Me ajude a acompanhar.
— Eu vou, não se preocupe.
Shaunee apontou para o casco dos cavalos. — Aqueça os pés deles! — ela gritou.
Persephone bufou. A cabeça dela se curvou, e enquanto o pó do estábulo começava a virar fumaça sob os pés dela.
— Oh, cara... precisamos sair daqui antes que as patas deles queimem tudo — Damien disse. Ele estava me apertando com tanta força que era um pouco difícil para eu respirar, mas eu não quis dizer nada que pudesse fazer ele cair na calçada.
Eu estava pensando que nós realmente podíamos incendiar a serragem quando eu ouvi um enorme barulho atrás de nós que eu sabia que deveria ser Lenobia soltando os cavalos que corriam para a parte principal do campus, como se estivessem malucos devido ao estábulo em chamas. Persephone jogou sua cabeça e bufou. Eu senti os músculos dela tremerem e só tive tempo o bastante para segurar com força com minhas coxas e gritar para Damien, — Segure firme! Aqui vamos nós! — E então a égua se lançou para fora dos estábulos e para a enfurecida noite.
Os três cavalos, lado a lado, galoparam através do curral e através do portão que Lonobia tinha deixado aberto. Eles viraram com força para a esquerda, circulando ao redor da parte de trás do prédio principal, e mais cedo do que eu imaginaria possível, havia vapor e névoa se erguendo em ondas ao redor de nós enquanto os telhados quentes encontravam o gelo que cobria o asfalto do estacionamento.
Atrás de nós eu podia ouvir os gritos de cavalos apavorados e o terrível choro dos Corvos Escarnecedores. Eu cerrei os dentes e esperei que as éguas de Lenobia estivessem derrubando vários homem pássaros. Persephone bufou de novo contra a escorregadia estrada que levava a entrada da escola.
— Oh, deusa! Olhe! — Damien gritou. Ele apontou por cima do meu ombro para frente para a esquerda na linha de árvores que emolduravam o gramado. Dragon estava lá lutando com três Corvos Escarnecedores. A lâmina dele era um borrão prateado enquanto ele atacava, se defendia e virava. Quando ficamos a vista, os homens pássaros tentaram passar sua atenção para nós, mas Dragon redobrou seu ataque, espetando um deles instantaneamente e fazendo os outros dois virarem, assoviando, de volta para ele.
— Vão! — ele gritou enquanto passávamos por ele galopando — e que Nyx os abençoe!
O portão estava aberto, Dragon tinha feito isso eu tinha certeza. Nós passamos por ele, viramos para direita, e galopamos pela gelada e deserta Utica Street. Na luz da Rua Twenty-First, que não estava funcionando, viramos os cavalos para a direita, posicionando eles no meio da rua, e os conduzimos.
O centro de Tulsa tinha se tornado fantasmagórico e gelado. Se eu não estivesse concentrada e não tivesse absoluta certeza que nossos cavalos estavam galopando pela Rua Twent-first, eu teria pensando que estávamos perdidos em um pós-apocalíptico mundo gelado. Não havia nada nem um pouco familiar ao meu redor. Nenhuma luz. Nenhum carro se movendo. Nenhuma pessoa. Frio e escuridão em todo lugar.
As lindas árvores antigas do centro estavam cercadas por tanto gelo que muitas delas tinham literalmente partido no meio. As linhas de energia estavam caídas, serpenteando pelas ruas como víboras malucas. Os cavalos não prestaram atenção a elas. Eles pularam sobre galhos e linhas, seus cascos em chamas passando pelo gelo fazendo faíscas contra o pavimento.
E então, contra a fraca luz e os telhados e o assobio de chamas no gelo, eu ouvi o terrível bater de asas e o choro do primeiro e então outro e então outro Corvo Escarnecedor.
— Darius — eu gritei. — Corvos Escarnecedores!
Ele olhou para trás de nós, e acenou com desgosto. Então ele fez algo que me chocou completamente. Da jaqueta dele ele tirou uma arma preta. Eu nunca vi nenhum Filho de Erebus carregar nenhuma arma moderna, e parecia completamente deslocada na mão dele. Ele disse algo para Aphrodite, que estava pressionada contra as costas dele. Ela deslizou para o lado um pouco, permitindo que ele virasse. Ele ergueu a arma, mirou, e deu metade de um total de 12 tiros. O som era ensurdecedor na noite congelada, mas nem metade tão estranho do que o seguiu - os gritos de Corvos Escarnecedores feridos e os thud! e batidas! De corpos que caiam do céu.
— Lá! — Shaunee gritou, apontando para nossa frente e para a direita. — Eu vejo chamas!
A princípio eu não vi nada, e então através de várias árvores cobertas de gelo eu vi um sinal de um primeiro e então outra e então outra luz de vela dando boas vindas. O que era isso? Era a abadia das freiras Beneditas? Visivelmente era terrível, e tudo era tão desorientador e escuro, que eu não sabia dizer se era a abadia ou só uma daquelas casas que servem de escritório para cirurgiões plásticos que se alinhavam nessa parte da rua.
Se concentre! Se é um lugar de poder, então eu devo ser capaz de sentir. Eu respirei fundo e busquei meus instintos, e eu senti - a inconfundível atração que vinha do poder da combinação de espírito e terra.
— É isso! — eu gritei. — Essa é a abadia!
Puxamos a cabeça dos cavalos para a direita e saímos da rua, através de uma vala, e então a um terrapleno pontilhado com árvores. Os cavalos tiveram que devagar desviar dos troncos caídos, e das linhas de energia, e então aparecemos através das árvores na claridade. Diretamente na nossa frente havia um enorme carvalho. Seus galhos mais baixos estavam cheios de pequenas jaulas de vidro que mantinham velas acessas. Havia um toldo atrás das árvores, e alem dele eu só podia ver a forma de um prédio de tijolos que era a abadia das freiras Beneditas, ou pelo menos eu podia ver suas janelas, porque haviam velas alinhadas em cada uma delas.
— Ok, vocês podem parar com os elementos agora e deixar as coisas se acalmarem. — As Gêmeas e Damien sussurraram para seus elementos, e a louca tempestade começou a se acalmar em uma fria noite.
— Whoa! — eu chamei, e nossas obedientes e leais éguas pararam diante de uma figura com um hábito preto e um véu.
— Olá, criança. Me falaram que você estava vindo — ela disse, sorrindo para mim.
Eu deslizei das costas de Persephone e me joguei nos braços dela. — Irmã Mary Angela! Estou tão feliz em ver você!
— Como eu estou feliz em ver você também — ela disse. — Mas, criança, talvez devêssemos adiar nossos olás até lidarmos com as criaturas negras que estão enchendo as árvores atrás de você.
Eu virei em tempo de ver uma dúzia de Corvos Escarnecedores pousando nas árvores. A não ser pelo som da asas deles eles foram absolutamente silenciosos, e os olhos vermelhos dele brilhavam como se eles fossem demônios vigilantes.
— Bem, diabos! — eu disse.

Um comentário:

  1. Mas que caramba, esses corvos parecem carrapatos, não desgrudam

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