3 de outubro de 2015

Capítulo 32

Naturalmente uma confusão se instalou. Filhos de Erebus gritaram e começaram a ir até o círculo. Vampiros estavam chorando em choque, e eu juro que uma garota começou a gritar.
— Ah, oh — eu ouvi Stevie Rae sussurrar, — Melhor consertar isso, Z.
Eu virei para olhar para Stevie Rae. Sem tempo para gentilezas, eu disse, — Terra, venha até mim! — Por um segundo eu quis surtar porque eu não tinha isqueiro e nem Stevie Rae, mas Aphrodite, fria como nunca, se inclinou, e acendeu o isqueiro que ela segurava, e acendeu a vela. O cheiro e sons de uma campina no verão instantaneamente nos cercou. — Aqui, tome um gole. — Eu ergui a taça, e Stevie Rae deu um grande gole. Eu franzi um pouco para ela.
— O que? — Ela sussurrou. — Erik tem um gosto bom.
Eu virei os olhos para ela e voltei para o centro do círculo, onde Erik estava olhando de boca aberta para Stevie Rae. Eu ergui um braço por cima da minha cabeça. — Espírito! Venha até mim — eu disse sem tempo para um preâmbulo. Enquanto meu espírito acordava dentro de mim, eu peguei o isqueiro cerimonial da mesa de Nyx e acendi a vela púrpura que estava ali. Então eu, também, tomei um enorme gole do vinho com sangue.
E que incrível sensação! Stevie Rae tinha razão, Erik era gostoso, mas eu já sabia disso. Cheia com o regojizo do vinho misturado com sangue e do espírito, eu caminhei rápido. Eu não poderia estar mais orgulhosa dos meus amigos. Todos ficaram nos seus lugares no círculo, erguendo suas velas e mantendo o controle de seus elementos para que nosso círculo ficasse forte e inquebrável. Caminhando ao redor da circunferência com o cordão brilhante no círculo que eu tinha acabado de lançar, eu ergui minha voz e comecei a gritar sobre o pandemônio que nos cercava.
— House of Night, me escute! — Todos ficaram em silêncio quando ouviram o poder da deusa aumentar minha voz. Eu quase fiquei em silêncio também, por mais chocante que isso possa ser. Ao invés disso eu limpei minha garganta e comecei de novo, dessa vez não tendo que dar um grito para a horda de pessoas. — Stevie Rae não morreu. Ela passou por outro tipo de Mudança. Foi difícil para ela, e quase custou a humanidade de Stevie Rae, mas ela superou, e agora ela é um novo tipo de vampiro. — Eu caminhei devagar dentro do círculo, tentando olhar o máximo de olhos possíveis para poder explicar. — Mas Nyx nunca a abandonou. Como vocês podem ver, ela ainda tem sua afinidade com a terra, um dom dado por ela, e então dado a ela de novo por Nyx.
— Eu não entendo. Essa criança era uma caloura que morreu e então foi ressussitada? — Shekinah tinha dado um passo para frente e estava parada perto de Stevie Rae, encarando ela com força.
Antes de eu poder responder, Stevie Rae falou. — Sim, senhora. Eu morri. Mas então eu voltei, e quando voltei, eu não era mais a mesma. Eu me perdi, ou pelo menos quase me perdi, mas Zoey, Damien, Shaunee, Erin, e especificamente Aphrodite, me ajudaram a me encontrar de novo, e quando me encontrei, eu também passei pela Mudança para um tipo diferente de vampiro. — Ela apontou para as lindas tatuagens vermelhas.
Aphrodite deu um passo para frente, entrando no fio prateado que circulava nosso círculo como um. Eu esperava ver ela ser jogada ou perder o equilíbrio e ir para trás ou algo terrível, mas ao invés disso o fio se soltou, deixando ela andar até mim. Quando ela se juntou a mim, eu pude ver que o corpo dela estava alinhado com a mesma linha prateada do nosso círculo.
— Quando Stevie Rae Mudou, eu também mudei. — Aphrodite ergueu a mão e com um rápido movimento, ela limpou a lua crescente que estava desenhada ali. Eu ouvi várias pessoas arfando e ela continuou. — Nyx me Mudou para uma humana, mas eu sou um novo tipo de humana, como Stevie Rae é um novo tipo de vampiro. Eu sou uma humana que também foi abençoada por Nyx. Eu ainda tenho o dom das visões que Nyx me deu quando eu era uma caloura. A deusa não virou seu rosto para longe de mim. — Aphrodite ergueu sua cabeça orgulhosa e olhou para a House of Night, como se estivesse desafiando qualquer um a falar mal dela.
— Então temos um novo tipo de vampiro e um novo tipo de humano — eu disse. Eu olhei para Stevie Rae e ela riu e acenou. — E também temos um novo tipo de calouro. — Assim que eu terminei de falar, o carvalho pareceu chover calouros. Eu fiz uma nota mental de perguntar a Stevie Rae como diabos ela conseguiu esconder todos aqueles garotos ali, porque eu facilmente contei meia dúzia deles. Eu reconheci Vênus, que eu sabia que tinha sido colega de quarto de Aphrodite, e me perguntei brevemente se as duas já tinham conversado. Eu também vi Elliott, que eu juro que ainda não ia gostar. Eles estavam todos parados ali, dentro do círculo, espalhados do lado de Stevie Rae parecendo mais do que um pouco nervosos, com suas brilhantes luas crescentes muito visíveis em suas testas.
Eu podia ouvir alguns dos garotos fora do círculo chorando e chamando o nome dos calouros vermelhos que eles reconheciam como os colegas de quarto mortos e amigos, e eu senti por eles. Eu sabia o que era pensar que sua amiga estava morta, e então ver eles andando e falando e respirando de novo.
— Eles não estão mortos — eu disse firmemente. — Eles são um novo tipo de calouros – um novo tipo de pessoa. Mas eles são nossa gente, e está na hora de encontrarmos um lugar para eles conosco e aprender do porque Nyx ter trazido eles de volta para nós.
— Mentiras! — A palavra foi um grito, tão alto que eu quase podia sentir um zunido nos ouvidos. Houve um murmúrio na multidão, então as pessoas perto da parte sul do círculo se dividiram para deixar Neferet passar.
Ela parecia como uma deusa da vingança, e até eu fiquei sem fala pela beleza dela. Os suaves ombros brancos estavam exposto por um lindo vestido preto de seda que modelava o corpo gracioso dela. O grosso cabelo dela estava solto, caindo em ondas até a fina cintura dela. Os olhos verdes dela brilhavam – os lábios dela eram de um profundo vermelho como sangue fresco.
— Você nos pede para aceitar essa perversão da natureza como algo que a deusa fez? — ela falou numa linda e modulada voz. — Essas criaturas estão mortas. Elas devem morrer de novo.
A raiva que passou por mim quebrou o magnetismo dela. — Você deve saber sobre essas criaturas, como você as chamou. — Eu ergui os ombros e a encarei. Eu posso não ter a bem treinada voz dela, ou a incrível beleza, mas eu tinha a verdade e tinha minha deusa. — Você tentou usar eles. Você tentou distorcer eles. Foi você que os manteve prisioneiros até que através de nós Nyx curou e os libertou.
Os olhos dela se abriram num perfeito olhar de surpresa. — Você me culpa por essas monstruosidades?
— Hey, eu e meus amigos não somos monstros! — veio a voz de Stevie Rae atrás de mim.
— Silêncio, besta! — Neferet ordenou. — Chega! — Neferet virou para olhar para a multidão. — Hoje a noite eu descobri outra criatura que Zoey e o povo dela trouxe dos mortos. — Ela se curvou e pegou algo que estava nos pés dela, e o jogou no círculo. Eu reconheci a mochila de Jack, aberta com o monitor da câmera babá e a própria câmera expostos (que deveria estar escondida segura no necrotério). Os olhos de Neferet passaram pela multidão até eles encontrarem ele; então ela surtou, — Jack! Você nega que Zoey fez você plantar isso no necrotério, onde você mirou no corpo do recém falecido James Stark, para que ela pudesse observar quando os feitiços dela o trariam de volta?
— Não. Sim. Não foi assim — Jack disse. Duquesa, que estava pressionada contra as pernas dela reclamou penosamente.
— Deixe ele em paz! — Damien gritou do lugar dele do círculo.
Neferet olhou para ele. — Então você continua cego por ela? Você continua a seguir ela e não Nyx?
Antes dele poder responder, Aphrodite falou do meu lado. — Hey, Neferet. Onde está a insígnia da nossa deusa?
Neferet olhou de Damien para Aphrodite, e os olhos dela se estreitaram em fúria. Mas todos agora olhavam para Neferet e notaram o que Aphrodite tinha dito – que o lindo vestido de Neferet não tinha o símbolo de Nyx no peito. E então eu notei outra coisa. Ela estava usando um pendente que eu nunca vi antes. Eu pisquei, sem ter certeza se eu estava vendo corretamente, mas então, yep, eu decidi, tinha certeza do que era. Pendurado numa corrente dourada ao redor do pescoço dela estavam asas – grandes, negras, asas de corvos talhadas em onyx.
— O que é isso no seu pescoço? — eu perguntei.
A mão de Neferet foi automaticamente acariciar as asas pretas que estavam penduradas entre os seios dela. — São asas de Erebus, o consorte de Nyx.
— Um, desculpe, mas, não, elas não são — Damien disse. — Asas de Erebus são feitas de ouro. Nunca são pretas. Você mesma nos ensinou isso na aula de Sociologia Vampira.
— Eu cansei dessas conversas sem significado — Neferet surtou. — É hora dessa pequena charada chegar ao fim.
— Sabe, eu acho que essa é uma ideia excelente — eu disse.
Eu tinha começado a procurar na multidão tentando encontrar Shekinah quando Neferet deu um passo para o lado, apontando seus dedos para uma forma que pareceu se materializar atrás dela. — Venha até mim e mostre o que eles criaram hoje a noite.
O uivo de agonia de Duquesa e as reclamações que se seguiram ficaram para sempre impressos em minha mente com meu primeiro vislumbre do novo Stark. Ele se moveu para frente como um fantasma. A pele dele estava pálida, e os olhos dele eram vermelhos da cor de sangue velho. A lua crescente em sua testa também era vermelha, como a dos calouros que preenchiam meu círculo, mas ele era diferente deles. A coisa que Stark tinha se tornado ficou parado ao lado de Neferet, furioso, loucura em seus olhos. Olhando para ele, eu senti que ia vomitar.
— Stark! — Eu queria chamar o nome dele alto e forte, mas quando saiu da minha boca foi um pouco mais do que um sussurro quebrado.
Ainda sim ele virou o rosto na minha direção. Eu vi a cor de sangue nos olhos dele sumir, e por um momento eu pensei ter visto um deslumbre do garoto que eu conhecia.
— Zzzzzoey... — ele disse meu nome como um assovio, mas me deu uma onda instantânea de esperança.
Eu dei um passo em direção a ele. — Sim, Stark, sou eu — eu disse, tentando com força não chorar.
— Dddddddissse que eu ia voltar para você — ele murmurou.
Eu sorri através das lágrimas que encheram meus olhos e me movi cada vez mais perto para onde ele estava parado do lado de fora do círculo. Eu tinha aberto minha boca para dizer que tudo ficaria bem, que de alguma forma íriamos achar um jeito de fazer tudo ficar bem, mas de repente Aphrodite estava ao meu lado. Ela agarrou meu pulso, me puxando para longe da beira do círculo.
— Não vá até ele — ela sussurrou. — Neferet está armando para você.
Eu queria chacoalhar ela, especialmente quando a voz de Shekinah veio do outro lado do círculo. — O que foi feito com essa criança é bem horrível. Zoey, eu devo insistir que você feche esse ritual pela noite. Vamos levar o calouro lá dentro, e chamar o Conselho de Nyx para vir julgar esses eventos.
Eu podia sentir os calouros vermelhos ainda inquietos nas minhas costas, tirando minha atenção de Stark. Eu virei e encontrei os olhos de Stevie Rae. — Está tudo bem. Essa é Shekinah. Ela saberá a diferença entre mentiras e a verdade.
— Eu sei a diferença entre mentiras e verdade, e eu carrego um julgamento que é muito maior que algum Conselho distante. — Eu ouvi Neferet falar e virei para a encarar de novo.
— Você foi descoberta! — Eu gritei para ela. — Eu não fiz isso com Stark, ou com os outros calouros vermelhos. Você fez, e agora você vai ter que enfrentar o que fez.
O sorriso de Neferet era mais uma careta. — E ainda sim a criatura chama o seu nome.
— Zzzzoey — Stark chamou de novo.
Eu olhei para ele, tentando ver o cara que eu conheci no rosto assombrado dele. — Stark, eu sinto muito por isso ter acontecido com você.
— Zoey Redbird! — A voz de Shekinah era um chicote. — Feche o círculo agora. Esses eventos devem ser avaliados por aqueles cujo julgamento podem ser confiáveis. E eu vou levar esse pobre calouro para o meu cuidado.
Por alguma razão, o comando de Shekinah fez Neferet começar a rir.
— Eu tenho um mal pressentimento sobre isso — Aphrodite disse, me puxando de volta para o meio do círculo.
— Eu também — Stevie Rae disse da posição norte dela no círculo.
— Não feche o círculo — Aphrodite disse.
Então no meio de tudo, a voz de Neferet foi sussurrada até mim, “Não feche o círculo e você parecerá culpada. Feche e fique vulnerável. Qual você escolhe?”
Eu encontrei os olhos de Neferet do outro lado do círculo. — Eu escolho o poder do meu círculo e a verdade — eu disse.
O sorriso dela era vitorioso. Ela virou para Stark. — Vire para a marca da verdade – o que vai fazer a terra sangrar. Agora! — Neferet ordenou para ele. Eu vi ele pausar, como se estivesse lutando contra si mesmo. — Faça o que eu mandei, e eu concederei o desejo do seu coração. — Neferet sussurrou as palavras no ouvido de Stark, mas eu ouvi as palavras saírem dos lábios rubi dela. O efeito que elas tiveram nele foi instantâneo. Os olhos de Stark brilharam vermelhos e com a rapidez de uma cobra, ele ergueu o arco que eu não notei que ele segurava do lado, colocou uma flecha, e atirou. Cortando o ar como uma linha mortal, ela atingiu Stevie Rae no centro do peito dela com tamanha força que as penas escuras do final da flecha se enterraram nela.
Stevie Rae arfou e caiu no chão, se curvando. Eu gritei e corri até ela. Eu podia ouvir Aphrodite gritando para Damien e as Gêmeas não quebrarem o círculo, e eu silenciosamente abençoei ela por sua cabeça fria. Eu alcancei Stevie Rae e cai no chão ao lado dela. Ela estava respirando dolorosamente, e a cabeça dela estava curvada.
— Stevie Rae! Oh, deusa não! Stevie Rae!
Devagar ela ergueu a cabeça e olhou para mim. Sangue estava saindo do peito dela – mais sangue do que eu pensei que uma pessoa poderia ter. Estava ensopando o chão ao redor dela, que era caloso devido às raízes do grande carvalho. O sangue me hipnotizou. Não porque o cheiro era doce e embriagante, mas porque eu percebi o que parecia. Parecia que a terra na base do grande carvalho estava sangrando.
Eu olhei por cima dos ombros para Neferet, que ficou parada sorrindo com triunfo do lado de fora do meu círculo. Stark tinha caído de joelhos ao lado dela, e estava me olhando com olhos que não eram mais vermelhos, mas agora estavam cheios de terror. — Neferet, você é a monstruosidade, não Stevie Rae! — Eu gritei.
“Meu nome não é mais Neferet. Dessa noite em diante me chame de Rainha Tsi Sgili.” As palavras foram faladas dentro da minha mente como se Neferet as tivesse sussurrando no meu ouvido.
— Não! — eu chorei, e então a noite explodiu.

9 comentários:

  1. Puta merda nãooooooooooooooooooo

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  2. Neferet filha da puuutaaaaa vadia do inferno. #caindoemprantos

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  3. Ja era FU*** de vez!!!! :(( ODEIO a NEFERET ou pior a rainha TSI não sei das quantas!

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  4. Só dá merda. Afinal quando vai ser que um plano que o leitor sabe vai funcionar sem erros?

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  5. Pois é, foi o que eu tinha pensado, Neferet é a rainha e a Stevie era o sacrifício. CRLH! ESSA PIRANHAAA! QUERO MATÁ-LA

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