3 de outubro de 2015

Capítulo 31

Pareceu que a escola toda já estava lá esperando por nós. Posicionando as velas, as Gêmeas já tinham preparado o palco, então calouros e vampiros fizeram um enorme círculo ao redor da área, com o grande carvalho servindo com o ponto principal e cabeça do círculo que logo seria lançado.
Eu estava feliz por ver todos os Filhos de Erebus. Os guerreiros estavam situados em toda a extensão do círculo, mas eles também mantiveram suas posições no topo do grande muro que cercava a escola. Eu sabia que isso provavelmente seria uma droga para Stevie Rae e os calouros vermelhos poderem entrar na escola, mas entre os Corvos Escarnecedores, Kalona, e quem quer que estivesse matando vampiros – eles me faziam sentir segura.
Jack e eu ficamos de lado enquanto Damien, as Gêmeas, e Aphrodite tomavam seus lugares nas velas coloridas representando o elementos deles. Se eu ficasse na ponta dos pés, eu poderia ver a mesa de Nyx que ficava no meio do círculo. Hoje à noite eu imaginei que ela teria frutas e vegetais, como seria o apropriado para o inverno, junto com a taça do ritual com vinho, e eu achei ter visto alguém parado perto da mesa, mas tinha tantas pessoas no caminho que eu não podia ter certeza.
— Merry meet! — Shekinah me saudou.
— Merry meet. — Eu sorri e a saudei.
— Como está sua avó?
— Está se aguentando — eu disse.
— Eu considerei cancelar o ritual, ou pelo menos adiar, mas Neferet estava determinada dizendo que deveríamos continuar como o planejado. Ela parece acreditar que seria importante para você.
Eu fixei minha expressão para parecer interessada mas neutra sobre o que ela disse.
— Bem, eu acho que o ritual é importante, e eu não gostaria de ser a causa para o cancelamento dele — eu disse. Eu olhei ao redor. Estranho a própria Neferet não estar aqui para falar comigo. Eu tinha certeza que a única razão para ela insistir com isso hoje a noite era porque ela sabia que eu estaria magoada e distraída com o acidente de vovó. — Onde está Neferet? — eu perguntei.
Shekinah olhou atrás dela, e então eu vi ela franzir e olhar rapidamente na multidão. — Ela estava logo atrás de mim. Estranho eu não conseguir encontrar ela agora...
— Ela provavelmente já está no círculo. — Eu esperei que meu rosto não mostrasse todo o aviso que os sinos começaram a dar dentro da minha cabeça. Eu olhei para onde Jack estava com o equipamento de áudio. — Bem, eu deveria começar.
— Oh, eu quase esqueci de mencionar isso. Na verdade eu esperava que Neferet te falasse. — Shekinah pausou e olhou ao redor procurando Neferet de novo. — Não importa, eu posso te falar. Neferet mencionou que você nunca fez um ritual de limpeza tão grande antes e que talvez você não soubesse, porque você é uma caloura tão nova, que durante um ritual desse tipo você deve misturar sangue de um vampiro com o vinho de sacrifício que você vai oferecer para os elementos.
— O que? — Eu não podia ter ouvido certo.
— Sim, é bem simples na verdade. Erik Night se ofereceu não apenas para te chamar para o círculo, assumindo o lugar do pobre Loren Blake, mas Erik também tomará o lugar tradicional como o acompanhante da sacerdotisa e oferecer o sangue dele para você como sacrifício. Eu fiquei sabendo que ele é um excelente ator, então ele vai se sair muito bem hoje a noite. Só siga a deixa dela.
— Essa era a surpresa da qual eu estava falando! — Jack disse, aparecendo atrás de Shekinah. — Bem, a parte sobre Erik te chamar para o círculo, eu quis dizer. A parte do sangue é só tanto faz. — Disse o garoto que é jovem o bastante para não ser afetado profundamente por sangue como, vamos dizer, eu sou. — Não é legal Erik ser voluntário!
— Oh, yeah, legal — foi tudo que eu consegui me fazer dizer.
— Eu devo tomar meu lugar agora — Shekinah disse. — Abençoado seja.
Eu murmurei “Abençoado seja” para ela, então virei para Jack.
— Jack — eu sussurrei violentamente. — Erik tomar o lugar de Loren hoje não é o que eu chamo de uma boa surpresa!
Jack franziu. — Damien e eu achamos que seria. Isso só mostra que vocês podem talvez tentar conversar.
— Não na frente de toda escola!
— Oh. Um. Eu não pensei dessa forma. — Os lábios de Jack começaram a tremer. — Desculpe. Se eu soubesse que você iria ficar brava, teria te contado imediatamente.
Eu passei a mão pela minha testa, tirando meu cabelo do rosto. A única coisa que eu precisava era que Jack começasse a chorar. Não, a última coisa que eu precisava era ter que encarar o seriamente gostoso Erik e seu delicioso sangue na frente da escola toda! Ok, ok, só respire... você passou por situações mais embaraçosas que essa.
— Zoey? — Jack fungou.
— Jack, está tudo bem. Verdade. Eu só estava, bem, surpresa. Com o intuito da surpresa. Vou ficar bem agora.
— O-ok. Tem certeza? Está pronta?
— Sim e sim — eu disse antes de poder gritar e correr na direção oposta. — Comece a música para mim.
— Arrase, Z! — ele disse, e correu para o equipamento de áudio, começando o início da música.
Eu fechei meus olhos e comecei a respirar fundo para ajudar a clarear minha mente e me preparar para chamar os elementos no círculo – e por causa da surpresa de Erik, totalmente esqueci de pedir para Jack checar a câmera.
Como sempre, eu estava uma bola de nervos até eu olhar o círculo e a música me encher. Hoje a noite a trilha sonora de Memórias de Uma Gueixa era sedutora e linda. Eu ergui meus braços e deixei meu corpo se mexer graciosamente ao som da orquestra. Então a voz de Erik se juntou a música e a noite, criando mágica.

Sob as brilhantes estrelas,
Sob a brilhante lua,
Quando a noite curar as cicatrizes
Da tarde que queima...

As palavras do poema me preencheram, carregadas pela voz de Erik. Eu curvei minha cabeça e deixei meu cabelo cair ao meu redor enquanto eu me movia devagar até o círculo, enquanto as palavras se juntavam a música e a dança e a mágica.

... e então, eu digo a você,
Eu odeio possuir seu coração,
Quando o dia quente passa por ele
Oferto ao ódio que parta...

Eu me movi ao redor do círculo, adorando a perfeição do poema que Erik estava recitando. Parecia tão certo, e eu sabia disso antes, quando Loren me chamava para o círculo, ele usou essa oportunidade para me seduzir e encantar. Ele não tinha pensado sobre o que ritual significa para mim, ou o resto dos calouros, ou até Nyx. Os motivos de Loren sempre foram egoístas. Eu podia ver isso tão facilmente agora que me perguntei como ele me enganou tão completamente. Erik não gostava dele tanto quanto a lua não gostava do sol. O poema que ele escolheu era sobre perdão e cura, e embora fosse bom pensar que ele queria dizer parte dele para mim, eu sabia que o primeiro pensamento dele foi sobre o que seria melhor para a escola e os garotos que estavam tentando se curar da morte dos dois professores.

O dia decepcionante,
Esteja errado ou não, ou como,
Algumas vezes passa longe,
Acabou agora.
Esqueça, perdoe, as cicatrizes,
E o sono te encontrará em breve
Sob as brilhantes estrelas,
Sob a brilhante lua.

O poema acabou quando eu me juntei a Erik no meio do círculo na frente da mesa de Nyx. Eu olhei para ele. Ele era alto e lindo vestido de preto, que complementava o cabelo escuro dele e intensificava os seus olhos azuis.
— Olá, Sacerdotisa — ele disse suavemente.
— Olá, Consorte — eu respondi.
Ele me saudou formalmente, tocando o punho direito perto do coração; então ele virou para a mesa. Quando ele virou de volta para mim, ele estava segurando a taça ornamentada de Nyx numa mão, e uma faca cerimonial na outra. Ok, por “cerimonial” eu não me refiro de brinquedo. Era afiada, muito afiada, mas também era linda e estava entalhada com palavras e símbolos que eram sagrados para Nyx.
— Você vai precisar disso — ele disse, me entregando a faca.
Eu a peguei, perturbada por ver como a luz da lua refletia na lâmina, sem ter ideia do que fazer a seguir. Graças a Deus, a música ainda estava tocando e a horda de pessoas que assistia estava se balançando gentilmente com a linda melodia da Gueixa. Em outras palavras, eles estavam nos vendo, mas apenas com uma leve antecipação, e enquanto mantivéssemos nossas vozes baixas, eles não poderiam nos ouvir. Eu olhei para Damien, e ele remexeu as sobrancelhas para mim e piscou. Eu tirei meus olhos dele rápido.
— Zoey? Você está bem? — Erik sussurrou. — Você sabe que não vai me machucar muito.
— Não vai?
— Você não fez isso antes, fez?
Eu balancei minha cabeça.
Ele tocou minha bochecha por só um segundo. — Eu fico esquecendo que você é nova em tudo isso. Está certo, é fácil. Eu vou erguer minha mão direita, palma para cima, por cima da taça. — Ele ergueu a taça, que ele já tinha passado para a mão esquerda. Eu podia sentir o cheiro do vinho tinto que preenchia quase toda ela. — Você ergue a adaga por cima da cabeça, saúda as quatro direções com ela, então corta minha palma.
— Corta! — eu engoli em seco.
Ele sorriu. — Corta, talha, tanto faz. Só passe a lâmina pela parte mais grossa de baixo do polegar. Ela é bem afiada, então vai fazer o trabalho por você. Eu vou virar minha mão e enquanto você me agradece em nome de Nyx por meu sacrifício por ela, um pouco do meu sangue vai cair no vinho. Depois de um tempo eu fecho a mão, e você pega a taça e leva até Damien para poder começar a lançar o círculo. Hoje você dá a cada um dos representantes dos elementos um gole do vinho, ritualisticamente limpando os elementos antes de fazer a limpeza de toda a escola. Entendeu?
— Yeah — eu disse abatida.
— Melhor começar então. Não se preocupe. Você vai se sair bem — ele disse.
Eu acenei, e ergui a adaga por cima da minha cabeça. — Vento! Fogo! Água! Terra! Eu saúdo vocês! — Eu disse, virando a lâmina de leste para sul, oeste, e norte enquanto chamava o nome de cada elemento. Meus nervos começaram a baixar quando eu já podia sentir o poder dos elementos passarem por mim, ansiosos para responder meu chamado. Enquanto eu ainda podia sentir o eco da minha saudação, eu abaixei a adaga. Eu pressionei a ponta dela contra a base do polegar de Erik, que ele segurou firme para mim, e então com um movimento rápido, deslizei a lâmina afiada pela palma dele, exatamente onde ele me disse para cortar.
O cheiro do sangue dele me atingiu imediatamente, quente e escuro e indescritivelmente delicioso. Travada eu observei as gotas, como rubis, e então Erik virou a mão dele para que elas pudessem cair do vinho. Eu olhei nos olhos azuis dele.
— Em nome de Nyx, eu te agradeço por seu sacrifício hoje à noite e por seu amor e lealdade. Você é abençoado por Nyx e amado pela Sacerdotisa dela. — E então eu me curvei e gentilmente beijei as costas da mão ensanguentada dele.
Quando eu encontrei os olhos dele de novo, eu vi que eles estavam mais brilhantes que o normal, e eu achei que o rosto dele estava frágil, a expressão intimidada, mas eu não sabia dizer se ele só estava agindo como parte do consorte de Nyx, ou se ele realmente estava experimentando aqueles sentimentos que ele estava me mostrando. Ele colocou a mão em punho e me saudou de novo dizendo, — Eu sou agora, e sempre serei, leal a Nyx e a Alta Sacerdotisa dela.
Então não havia mais tempo para mim me perguntar se ele estava falando sobre mim, ou se ela estava atuando com o resto do papel dele. Eu tinha um trabalho para fazer. Então peguei minha taça de sangue com vinho e andei até parar na frente de Damien. Ele ergueu a vela amarela e sorriu para mim.
— Vento, você é tão querido para mim e familiar como o ar da vida. Hoje eu preciso da sua força para limpar o ar estagnado de morte e medo de nós. Eu peço que você venha até mim, vento! — Esse ritual era um pouco diferente, e Damien que tinha obviamente mais informações do que eu, então ele estava pronto para o isqueiro tocar a vela dele. No momento que ela se acendeu, fomos cercados por um mini-tornado de um vento totalmente controlado. Damien e eu rimos um para o outro, então eu ergui a taça para que ele pudesse tomar um gole.
Eu me movi na direção do relógio, ao redor do círculo até Shaunee, que já estava segurando a vela vermelha e sorrindo ansiosa.
— Fogo, você esquenta e limpa. Hoje eu preciso do seu poder de limpeza para queimar a escuridão dos nossos corações. Venha até mim, fogo! — Como sempre, ninguém precisou tocar a vela de Shaunee para ela se acender, ela pegava fogo com uma chama gloriosa sozinha enquanto éramos preenchidas pelo calor e luz do calor do fogo. Eu ergui a taça para Shaunee, e ela tomou um gole.
Do fogo eu me movi para água e Erin segurando a vela azul dela.
— Água, vamos até você sujos e nos erguemos de você limpos. Hoje eu peço que você nos lave de qualquer coisa que queira nos manchar. Venha até mim, água! — Erin acendeu a vela, e eu juro que podia ouvir o barulho das ondas contra a praia e sentir o frio do orvalho contra minha pele. Eu ergui a taça para Erin, e depois de um gole, ela sussurrou, — Boa sorte, Z.
Eu acenei e me movi segura para Aphrodite, que estava pálida e tensa enquanto segurava a vela verde que ela sabia que iria voar da mão dela se tentássemos chamar a terra. — Onde ela está? — eu sussurrei, mal movendo meus lábios.
Aphrodite deu nos ombros nervosamente.
Eu fechei meus olhos e rezei. Deusa, estou contando com você para fazer isso funcionar. Ou pelo menos se eu fizer papel de boba, pelo menos consiga me tirar dessa. De novo. Quando eu abri meus olhos, eu estava decidida. As coisas realmente não iriam mudar se Stevie Rae não aparecesse. Eu iria contar a todos de qualquer forma. Alguns iriam acreditar em mim sem prova. Alguns não. Eu iria arriscar. Eu sabia que estava dizendo a verdade, e meus amigos também.
Então ao invés de começar minha invocação a terra, eu pisquei para Aphrodite e sussurrei, — Bem, aqui vamos nós — e virei para olhar o círculo e os olhares de questionadores da multidão.
— Eu precisava invocar a terra a seguir. Todos sabemos disso. Mas tem um problema. Vocês todos viram que Nyx deu a Aphrodite uma afinidade com a terra. E ela tinha. Mas acontece que foi apenas um dom temporário que Aphrodite estava guardando mantendo ele seguro para quem realmente representa a terra, Stevie Rae.
Assim que eu disse o nome dela, houve um movimento no grande carvalho e os galhos que estavam em cima de nossas cabeças se mexeram, e então Stevie Rae caiu graciosamente de um galho em cima de nós.
— Droga, Z, parece que você demorou para me alcançar — ela disse. Então ela andou até o lugar de Aphrodite e pegou a vela verde dela. — Obrigada por manter meu lugar quente.
— Fico feliz que tenha conseguido vir — Aphrodite disse, dando um passo para o lado para que Stevie Rae pudesse tomar seu lugar.
Stevie Rae tomou o lugar da terra, virou, e tirando os cachos loiros do rosto, rindo para todos enquanto o intricado padrão de videiras e pássaros e flores que faziam as tatuagens escarlates dela ficarem tão claras quanto o sorriso dela. — Ok, agora você pode invocar a terra.

3 comentários:

  1. ishhh... Agr vai ferrar de vez... Acabou a paz de TODOS da House of Night!

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  2. Aaaaah caraio! Cadê a piranha da Neferet? TÁ APRONTANDO ESSA CACHORRA!

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