1 de outubro de 2015

Capítulo 31

Eu estava em uma linda campina que era no meio do que parecia ser uma densa floresta. Uma quente e suave brisa estava soprando o cheiro de lilás para mim. Uma corrente passou pela campina, é água cristalizada borbulhando musicalmente por cima de suaves pedras.
— Zoey? Você pode me ouvir, Zoey? — Uma voz masculina insistente se intrometeu no meu sonho.
Eu franzi e tentei ignorar ele. Eu não queria acordar, mas meu espírito se movimentava. Eu preciso acordar. Eu preciso lembrar. Ela precisa que eu lembre.
Mas quem é ela?
— Zoey... — Dessa vez a voz estava dentro do um sonho e eu podia ver meu nome pintado contra o céu azul de primavera. A voz era de mulher... um familiar... mágico... fantástico. — Zoey...
Eu olhei ao redor da claridade e encontrei a deusa sentada do lado do riacho, graciosamente empoleirada na pedra suave de Oklahoma com seus pés descalços brincando com a água.
— Nyx! — Eu chorei. — Estou morta? — Minhas palavras brilharam ao meu redor.
A deusa sorriu. — Você vai me perguntar isso toda vez que eu te visitar, Zoey Redbird?
— Não, eu, uh, desculpe. — Minhas palavras eram rosas, provavelmente corando junto com minhas bochechas.
— Não se desculpe, minha filha. Você fez muito bem. Estou satisfeita com você. Agora, é hora de você acordar. E eu também gostaria que você se lembrasse que os elementos podem restaurar assim como destruir.
Eu comecei a agradecer a ela, embora eu não tivesse ideia do que ela estava falando, mas o balanço dos meus ombros e uma repentina corrente de ar frio me interrompeu. Eu abri meus olhos.
Neve caia ao meu redor. O Detetive Marx estava abaixado perto de mim, chacoalhando meus ombros. Com a estranha nevoa na minha mente, só encontrei uma palavra. — Heath? — Eu resmunguei.
Marx virou seu queixo para a direita e eu virei minha cabeça para ver o corpo parado de Heath sendo colocado numa ambulância.
— Ele está... — eu não pude terminar.
— Ele está bem, só batido. Ele perdeu muito sangue e já estão dando algo a ele para a dor.
— Batido? — Eu estava lutando para fazer tudo ter sentido. — O que aconteceu com Heath?
— Multiplas lacerações, assim como aqueles outros garotos. Foi bom que você o encontrou e me chamou antes dele sangrar até morrer. — Ele apertou meu ombro. Um paramédico tentava mover Marx para o lado, mas ele disse, — Eu cuido dela. Ela só precisa voltar para a House of Night e ficará bem.
Eu vi o paramédico me dar um olhar que claramente dizia aberração, mas as fortes mãos do Detetive Marx estavam me ajudando a sentar e seu corpo alto bloqueou minha visão do paramédico que resmungava.
— Você pode andar até o meu carro? — Marx perguntou.
Eu acenei. Meu corpo estava se sentindo melhor, mas minha mente ainda estava toda amassada. O “carro” de Marx era um enorme caminhão com rodas gigantes e grades de estrada. Ele me ajudou a entrar no banco da frente, que estava quente e confortável, mas antes de fechar a porta eu de repente lembrei de outra coisa, mesmo que o esforço tivesse feito minha cabeça parecer que ia se abrir. — Persephone! Ela está bem?
Marx parecia confuso por um segundo, então sorriu. — A égua?
Eu acenei.
— Ela está bem. Um oficial está levando ela até o estábulo da polícia no centro até as estradas estarem limpas o bastante para pegar um trailer e levar ela de volta a House of Night. — O sorriso dele aumentou. — Parece que você é mais corajosa que a força policial de Tulsa. Nenhum deles se voluntariou para galopar ela de volta.
Eu descansei minha cabeça contra o assento enquanto ele começou a dirigir e navegar vagarosamente através da corrente de neve para longe do depósito. Deveria haver pelo menos 10 carros da polícia, junto com um caminhão de bombeiros e duas ambulâncias estacionados com luzes vermelhas e azuis e brancas contra a vazia noite gelada.
— O que aconteceu aqui hoje a noite, Zoey?
Eu pensei, e tive que apertar meus olhos contra a dor repentina na minha cabeça. — Eu não lembro — eu consegui dizer através da dor nas minhas têmporas. Eu podia sentir o afiado olhar dele em mim. Eu encontrei os olhos do detetive e lembrei dele me contar sobre sua irmã gêmea, a vampira que ainda o amava. Ele disse que eu podia confiar nele, e eu acreditava nele. — Algo está errado — eu admiti. — Minha memória está confusa.
— Ok — ele disse devagar. — Comece com a última coisa que você consegue lembrar facilmente.
— Eu estava escovando Persephone e de repente eu sabia onde Heath estava, e que ele ia morrer se eu não fosse pegar ele.
— Vocês dois tiveram um Imprint? — Minha surpresa deve ter sido fácil de ler, porque ele sorriu e continuou. — Minha irmã e eu conversamos, e eu tenho estado curioso sobre coisas de vampiros, especialmente logo depois que ela Mudou. — Ele deu nos ombros, como se não fosse grande coisa um humano saber todo tipo de informação dos vampiros. — Somos Gêmeos, então estamos acostumados a dividir tudo. Uma mudança de espécie não fez muita diferença para nós. — Ele olhou para mim de lado. — Vocês tiveram um Imprint, não é?
— Yeah, Heath e eu tivemos um Imprint. Foi assim que eu soube onde ele estava. — Eu deixei de fora as coisas sobre Aphrodite. De jeito nenhum eu ia explicar todo o as-visões-dela-são-reais-mas-Neferet-tem-estado...
— Ah! — Dessa vez eu me afoguei em voz alta devido à agonia dentro da minha cabeça.
— Profundas e calmas respirações — Marx disse, me dando olhares preocupados sempre que podia tirar os olhos da estrada. — Eu disse sempre que fosse fácil de lembrar.
— Não, está tudo bem. Estou bem. Eu quero fazer isso.
Ele ainda parecia preocupado, mas continuou a me interrogar. — Certo, você sabia que Heath estava com problemas, e sabia onde estava. Então, porque você não me ligou e me disse para ir ao depósito?
Eu tentei lembrar e a dor passou pela minha cabeça, mas junto com a dor veio raiva. Algo tinha acontecido a minha mente. Alguém tinha mexido com a minha mente. Tudo isso me irritou. Eu esfreguei minhas têmporas e cerrei meus dentes contra a dor.
— Talvez devêssemos parar um pouco.
— Não! Só me deixe pensar — eu disse. Eu podia me lembrar do estábulo e de Aphrodite. Eu podia lembrar que Heath precisava de mim, e a selvagem volta na neve com Persephone até o porão do depósito. Mas quando eu tentei lembrar além do porão a agonia que passou pela minha cabeça se tornou demais para mim.
— Zoey! — A preocupação do Detetive Marx penetrou através da dor.
— Alguma coisa mexeu com a minha mente. — Eu limpei as lágrimas que eu não percebi estarem rolando pelo meu rosto.
— Pedaços da sua memória sumiram.
Não parecia uma pergunta, mas eu acenei mesmo assim.
Ele ficou quieto por um tempo. Parecia que ele estava se concentrando na estrada deserta e cheia de neve, mas eu achei que sabia mais, e as próximas palavras dele me disseram que eu estava certa.
— Minha irmã — ele sorriu e olhou para mim — o nome dela é Anne, me avisou uma vez que se eu irritasse uma Alta Sacerdotisa eu poderia me meter em problemas sérios porque elas tem como apagar coisas, e o que ela quis dizer por “coisas” é a memória das pessoas. — Ele olhou para a estrada de novo, e dessa vez o sorriso dele sumiu. — Então, eu acho que a pergunta é: o que você fez para irritar a Alta Sacerdotisa?
— Eu não sei. Eu... — Minha voz morreu quando pensei sobre o que ele tinha dito. Eu não tentei lembrar o que aconteceu. Ao invés disso, eu deixei minha mente viajar preguiçosamente mais para trás... para Aphrodite e o fato de que Nyx ainda a estava abençoando ela com visões, embora Neferet tivesse espalhado que as visões dela eram falsas... até o pequeno, quase imperceptível senso de algo errado que cresceu como um fungo ao redor de Neferet, até o culminante domingo a noite e quando ela minou as decisões que eu fiz para as Filhas das Trevas... até a horrível cena que eu testemunhei entre Neferet e... e... eu me segurei contra o calor que estava começando a pulsar na minha cabeça e, junto com flashes de dor perfurante, lembrei da criatura que Elliott tinha se tornado, se alimentando do sangue da Alta Sacerdotisa.
— Pare o caminhão! — Eu gritei.
— Estamos quase na escola, Zoey.
— Agora! Eu vou vomitar.
Ele parou do lado da estrada vazia. Eu abri a porta e cai na rua de neve, começando a me abaixar, e vomitar minhas tripas no banco de neve. O Detetive Marx estava ao meu lado, colocando meu cabelo para trás e parecendo muito como um pai quando me disse para respirar e que tudo ficaria bem. Eu busquei por ar e finalmente levantei. Ele me entregou um lenço, um daqueles antigos de linho que estava dobrando em um limpo quadrado.
— Obrigado. — Eu tentei devolver para ele depois de limpar meu rosto e assoprar meu nariz, mas ele sorriu e disse, — Fique com ele.
Eu fique parada ali, só respirando e deixando a batida na minha cabeça sumir enquanto olhava para um calmo de neve intocada até alguns carvalhos distantes que cresciam perto de um muro de pedra e tijolos. E com uma onda de surpresa, eu percebi onde estavamos.
— É o muro leste da escola — eu disse.
— Yeah, pensei em te trazer pelas portas dos fundos – te dar mais tempo para se acalmar, e talvez restaurar um pouco da sua memória.
Restaurar... O que tinha essa palavra? Tentativamente, eu pensei com força, tentando lembrar enquanto eu me segurava contra a dor que eu tinha certeza que viria. Mas ela não veio, e na minha memória veio a visão de uma linda campina, e as sábias palavras da minha deusa... os elementos podem restaurar assim como destruir.
E então entendi o que precisava fazer.
— Detetive Marx, eu preciso de um minuto aqui, ok?
— Sozinha? — ele perguntou.
Eu acenei.
— Eu estarei no caminhão, olhando você. Se precisar, chame.
Eu sorri em agradecimento, mas antes dele virar para entrar no caminhão eu estava andando até os carvalhos. Eu não precisava ficar embaixo deles – ficar no terreno da escola, mas ficar perto deles me ajudava a me concentrar. Quando eu estava perto o bastante para ver seus galhos entrelaçados como velhos amigos, eu parei e fechei os olhos.
— Vento, eu te chamo até mim e dessa vez eu peço que você limpe qualquer mancha escura que tocou minha mente. — Eu senti uma rajada de frio, como se eu estivesse sendo pega pelo meu furacão pessoal, mas ele não estava se pressionando contra o meu corpo. Estava enchendo minha mente. Eu mantive meus olhos fortemente fechados e bloqueei a dor de cabeça que estava voltado a minhas têmporas. — Fogo, eu te chamo e peço que você queime da minha mente qualquer escuridão que a tenha tocado. — Calor encheu minha mente, só que não era como a quente corrente que eu senti antes. Ao invés disso era um bom calor, como uma calefação. — Água, eu te chamo e peço que você lave da minha mente a escuridão que a tocou. — Frio entrou no calor, acalmando o que estava super aquecido e trazendo um alívio incrível. — Terra, eu te chamo e peço que sua força nutritiva pegue da minha mente a escuridão que a tocou. — Da sola dos meus pés, onde eu estava firmemente conectada a terra, foi como se uma torneira tivesse se aberto e eu imaginei ela derramando a escuridão para fora do meu corpo para ser consumida pela força e bondade da terra. — E, espírito, eu peço que você cure o que a escuridão destruiu da minha mente, e restaure minha memória! — Algo se quebrou em mim e uma sensação quente e branca passou pelas minhas costas, me derrubando com força de joelhos.
— Zoey! Zoey! Meu Deus, você está bem?
Mais uma vez as mãos fortes do Detetive Marx estavam chacoalhando meus ombros e ele estava me ajudando. Dessa vez meus olhos se abriram facilmente e eu sorri para o resto dele.
— Mais do que bem. Eu lembro de tudo.

8 comentários:

  1. belz descoberto a cura do alzheimer.............. viva

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    1. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk morri

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  2. chuppaaaa sua vaca, maldita Neferet

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  3. Já que a linguagem do livro não colabora (nem Zoey)...
    Essa VADIA da Neferet! Ela vai pagar! Ahhhh mas vai!

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  4. Falizmente ela e poderosa o suficiente para quebrar o bloqyeio!!

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