5 de outubro de 2015

Capítulo 31 - Zoey

Quando acordamos perto do crepúsculo eu não conseguia suportar pensar em Kalona e no sonho, então eu me concentrei em Heath.
— Ok, hora de ligar para seu pai e mãe para que eles possam te dizer para ir pra casa.
— Você está bem, Z? — Stevie Rae perguntou enquanto secava o cabelo. Ela e eu tínhamos enfiado coisas na minha mochila enquanto Heath tomava banho, então nós revezamos em nos aprontar. A pergunta dela me fez perceber que em todo aquele tempo eu não tinha feito muito mais do que murmurar respostas monossilábicas para qualquer coisa que ela e Heath diziam.
— Yep, estou bem. Só vou sentir falta de Heath, só isso — eu menti. Ok, bem, não era bem uma mentira, porque eu ia sentir falta de Heath enquanto estivéssemos na Itália, mas não era por isso que eu não estava a fim de conversar. Kalona era o motivo de eu não estar a fim de conversar. Eu temia que se eu falasse muita coisa o sonho de ontem a noite iria começar a sair pela minha boca e eu ia contar tudo a Stevie Rae, e eu não queria fazer isso na frente de Heath. Não, tinha mais do que só isso. Eu não queria contar a ninguém sobre a nova versão de Kalona que eu vi. Eu não queria ouvir eles dizerem que era fumaça e espelhos. O abraço de Heath me fez pular.
— Aw, isso é doce, Zo — ele disse, inconsciente a terrível decepção que estava na minha cabeça. — Mas você não vai ter que sentir minha falta. Eu tenho um bom pressentimento sobre essa ligação telefônica.
Eu balancei minha cabeça para ele. — De jeito nenhum sua mãe vai deixar você ir para a Itália comigo.
— Não com você, talvez. Mas com a sua escola – isso é outra coisa.
Antes de eu poder dizer qualquer coisa ele pegou seu telefone, e o seu lado da conversa começou:
— Hey, mãe, sou eu. Yep, estou bem. Yep, ainda estou com Zoey. — Ele pausou então olhou para mim e disse, — Mamãe te mandou um oi.
— Diga a ela oi por mim. — Então eu sussurrei: — Anda logo!
Ele acenou. — Hey mãe, falando na Zo, ela e alguns garotos da House of Night vão para a Itália. Veneza na verdade, bem, mais como uma ilha perto de Veneza. Você sabe, São Cle-alguma coisa. Onde o Alto Conselho de vampiros se reúnem e tudo mais. Eu quero saber se posso ir com eles. Eu podia ouvir a voz da mãe dele se erguendo e tive que suprimir um sorriso. Eu sabia que a mãe dele iria surtar. É claro, eu não sabia a carta que Heath tinha na manga.
— Espera aí, mãe. Não tem nada demais. É como aquela viagem que eu queria fazer com o professor de espanhol no verão passado, mas não pude ir porque os treinos de futebol estavam começando. Lembra? — Ele acenou para o que quer que fosse que sua mãe estava dizendo. — Yeah, é um negócio da escola. Ficaremos fora oito dias, como na viagem de espanhol. Na verdade, eu acho que posso usar meu espanhol porque italiano é, tipo, um primo. — Ele pausou de novo, e então disse, — Ok, yeah, isso é legal. - Ela disse que eu tenho que pedir pro papai — ele sussurrou, cobrindo o telefone com sua mão.
Então eu ouvi uma voz profunda do outro lado da linha, e Heath disse, — Hey, pai. Yeah, estou bem. — Ele esperou um pouco enquanto seu pai falava, e então continuou, — Yeah, é basicamente isso. É uma viagem escolar. Eu posso fazer dever de casa online. — Heath sorriu em resposta ao que o pai dele estava dizendo. — Mesmo? Eles estão cancelando as aulas pela próxima semana porque estamos sem energia no bairro? — Ele ergueu suas sobrancelhas para mim. — Wow, isso torna essa viagem super conveniente. E, escuta isso pai, já que vamos viajar pelo jato da House of Night, e ficar em uma ilha com vampiros, não vai custar nada.
Eu cerrei os dentes. Eu não podia acreditar que ele estava lidando com seus pais tão facilmente. É claro, era verdade que mesmo que Nancy e Steve Luck fossem boas pessoas e bons pais, eles não tinham nenhuma noção sobre coisas adolescentes. Sério. Heath bebia a anos e eles nunca notaram, nem quando ele chegava em casa fedendo a vômito e cerveja. Ugh.
— Ótimo, pai! Brigadão! — A exuberância de Heath me fez piscar e me refocar nele e não no tagarelar da minha mente. — Yeah, eu vou ligar para vocês todo dia. — Ele pausou enquanto seu pai dizia algo. — Oh, eu quase esqueci disso. Ok, bem, enquanto Zo e o resto se arruma, eu passo em casa e pego meu passaporte algumas roupas. Diga a mamãe que só devemos levar uma mochila, para não ficarmos enlouquecendo com bagagem. Ok, te vejo daqui a pouco! Tchau!
Sorrindo como se estivesse de volta no ensino fundamental e tivesse acabado de receber um chocolate extra durante a hora do lanche, ele desligou.
— Isso foi doente — Stevie Rae disse.
— Eu esqueci da viagem de espanhol — eu disse.
— Eu não. Então parece que preciso ir para casa e pegar meu passaporte e tudo mais. Te encontro no aeroporto. Não vá sem mim!
Ele me beijou rapidamente, pegou seu casaco, e saiu do quarto como se quisesse escapar antes de eu poder dizer a ele de uma vez por todas, que não importa o que os pais sem noção dele tinham dito, ele não ia.
— Você realmente vai deixar ele ir com vocês? — Stevie Rae disse.
— Yeah — eu disse apática. — Eu acho que vou.
— Bem, fico feliz. Sem querer ser má nem nada disso, mas acho uma boa ideia pelo negócio do sangue.
— Negócio de sangue?
— Z, ele é o humano com quem você teve um Imprint. O sangue dele é super bom para você. Você vai estar em uma situação perigosa, confrontando Kalona e Neferet no Alto Conselho, então você pode precisar de um sangue super-bom-pra-você.
— Yeah, acho que você está certa.
— Ok, Z. Qual o problema?
Eu pisquei para ela. — Como assim?
— Você está agindo como um zumbi. Então me conte sobre o ‘estranho’ sonho que te acordou.
— Eu achei que você estava dormindo.
— Era isso que eu queria que você pensasse caso você e Heath quisessem se agarrar.
— Com você no quarto? Isso é nojento — eu disse.
— Verdade, mas eu estava tentando ser educada.
— Jeesh — eu disse. — Nojento. Eu seriamente não faria isso.
— E eu não vou deixar você mudar de assunto. O sonho – lembra? Me conte. — Eu suspirei. Stevie Rae era minha melhor amiga, e eu realmente deveria falar com ela.
— Era sobre Kalona — eu disse.
— Ele entrou no seu sonho mesmo com você dormindo com Heath?
— Não. Ele não entrou no meu sonho — eu disse verdadeiramente, embora de forma evasiva. — Foi mais como uma visão do que um sonho.
— Uma visão do que?
— Do passado dele. Muito tempo atrás. Antes dele cair.
— Cair? De onde?
Eu respirei fundo e contei a verdade. — Do lado de Nyx. Ele costumava ser guerreiro dela.
— Ohminhadeusa! — Ela sentou na cama. — Tem certeza?
— Sim... não... eu não sei! Parecia real, mas não tenho certeza. Eu não sei como posso ter certeza — Então minha respiração se prendeu. — Oh, não.
— O que?
— Na memória que eu tive de A-ya, ela disse algo sobre Kalona não ser feito para andar nesse mundo. — Eu engoli e juntei minhas mãos para me impedir de tremer. — E ela chamou ele de guerreiro.
— Uh-oh. Você quer dizer que ela sabia que ele era guerreiro de Nyx antes de cair?
— Oh, deusa, eu não sei. — Mas eu sabia. No meu coração eu sabia que A-ya estava tentando confortar Kalona com familiaridade. Ele foi um guerreiro uma vez; ele iria querer ser um guerreiro de novo.
— Talvez devêssemos falar com Lenobia sobre — Stevie Rae começou.
— Não! Stevie Rae, prometa que não vai contar a ninguém. Eles já sabem que eu tive uma memória de estar com Kalona. Acrescente isso a visão de Aphrodite, e eles iriam surtar achando que eu ia perder a cabeça e ficar com ele de novo – e isso não vai acontecer. — Eu disse como se tivesse falado sério, e eu falei. Eu não me importei que isso me fez ficar enjoada. Eu não podia estar com Kalona. Como eu disse a ele, era impossível.
Mas eu não tinha que me preocupar com Stevie Rae me delatando. Ela estava acenando a cabeça e olhando para mim com olhos cheios de entendimento.
— Você quer entender ele sozinha, não é?
— Yeah. Parece idiota, não parece?
— Não — ela disse firmemente. — Às vezes as coisas simplesmente não são da conta de ninguém. E algumas coisas que parecem totalmente impossíveis acabam sendo diferentes do que esperamos.
— Você realmente acha isso?
— Espero que sim — ela disse ansiosa. Parecia que Stevie Rae queria dizer algo mais, mas foi interrompida por uma batida na porta de Aphrodite.
— Dá para vocês se apressarem? Todo mundo já comeu e temos um jato para pegar.
— Estamos prontas — Stevie Rae disse, e então jogou a mochila para mim. — Eu acho que você deve seguir o que o seu instinto está te dizendo, como Nyx sempre disse. Claro, você fez besteira no passado. Eu também. Mas nós duas escolhemos estar no lado de nossa deusa, e é isso o que conta no fim. — Eu acenei, de repente achando difícil falar. Stevie Rae me abraçou. — Você vai fazer a coisa certa. Eu sei que vai — ela disse.
Minha risada soava mais como um soluço, e eu disse, — Yeah, mas depois de quantos erros? — Ela sorriu para mim.
— A vida é sobre cometer erros. E estou começando a achar que não seria tão excitante se fosse perfeita.
— Eu podia fazer uma reverência agora mesmo — eu disse.
Nós estávamos rindo quando saímos para o corredor e nos juntamos à irritada Aphrodite. Eu notei que a ‘mochila’ dela era uma Betsey Johnson7, e que estava tão cheia que se desdobrando.
— Eu acho que isso é trapaça — eu disse, apontando para a bolsa dela.
— Não estou trapaceando. Estou improvisando.
— Bolsa bonita — Stevie Rae disse. — Eu amo uma Betsey Johnson.
— Você é country demais para uma Betsey — Aphrodite disse.
— Não sou — Stevie Rae disse.
— É sim — Aphrodite disse, e complementou com — Prova A – esses jeans horríveis. Cordas de amarrar? Sério? Eu tenho duas palavras para você: Up. Date.
— Oh, não. Você não acabou de falar mal das minhas cordas...
Eu deixei as duas discutindo enquanto ia para o refeitório. Na verdade, eu mal as escutei. Minha mente estava a quilômetros de distância em um telhado no meio de um sonho. O refeitório estava cheio, mas bizarramente, muito silencioso enquanto Aphrodite, Stevie Rae, e eu nos juntávamos as Gêmeas, Jack, e Damien, que já estavam comendo bacon e ovos. Como eu esperava, eu estava atraindo muitos olhares de quero te matar, especialmente de uma das mesas cheias de garotas.
— Ignore eles. Eles são idiotas — Aphrodite disse.
— É tão estranho que Kalona ainda esteja mexendo com a cabeça deles — Stevie Rae disse enquanto enchíamos nossos pratos e continuávamos a olhar sobre nossos ombros para o silencioso e mal humorado refeitório.
— É escolha deles também — minha boca disse antes de eu poder impedir.
— Como assim? — Stevie Rae perguntou.
Eu engoli uns ovos e disse, — Eu me refiro aos garotos — eu pausei e acenei meu garfo para o resto do salão para dar ênfase — os que estão nos olhando feio e sendo tão insanamente horríveis, estão escolhendo ser assim. Yeah, Kalona começou, mas eles estão escolhendo seu próprio caminho.
A voz de Stevie Rae era suave com entendimento, mas não menos insistente. — Isso pode ser verdade, Z, mas você tem que lembrar que está acontecendo por causa de Kalona – bem, ele junto com Neferet.
— O que é verdade é que Kalona é uma merda má, e Zoey tem que lidar com ele de uma vez por todas — Aphrodite disse. Meus ovos de repente pareciam menos saborosos. Estávamos todos em uma mesa, comendo e tentando fingir que as pessoas não estavam nos matando com seu olhar, quando Stark se juntou a nós. Ele parecia cansado, e quando o olhar dele encontrou o meu, eu reconheci a tristeza em seus olhos. Eu tinha visto nos olhos de Kalona quando ele falou de Nyx. Stark acreditava que tinha falhado comigo. Eu sorri para ele, querendo tirar a preocupação do rosto dele.
— Oi — eu disse suavemente.
— Oi —— ele disse. Então nós percebemos que nossa mesa, assim como o refeitório inteiro, estava nos olhando e ouvindo. Stark limpou sua garganta, pegou uma cadeira, baixou sua voz e disse, — Darius e Lenobia já estão no aeroporto. Eu vou levá-los no Hummer. — Ele olhou em volta, e eu vi sua expressão relaxar um pouco. — Então, eu imagino que você tenha mandado Heath para casa?
— Para pegar seu passaporte — Stevie Rae afirmou.
É claro que isso causou um pequeno alvoroço em nossa mesa. Eu suspirei e esperei que a tempestade passasse. Quando todos finalmente calaram a boca, eu disse, — Sim, Heath vem conosco. Fim.
Aphrodite ergueu uma sobrancelha loira. — Bem, suponho que faça sentido trazer o sangue-móvel com você. Até o Menino Flecha com cara feia tem que concordar com isso.
— Eu disse ‘fim’ porque não vou falar sobre isso. E não chame Heath de sangue-móvel.
— Não é nada educado — disse Stevie Rae.
— Que se dane — disse Aphrodite, claramente sem pensar, já que as Gêmeas começaram a dar risadinhas automaticamente.
— Stevie Rae não vem conosco — eu interrompi a diversão das Gêmeas. — Isso quer dizer que quando nós fizermos o círculo, Aphrodite estará representando espírito. — Isso calou as Gêmeas. Todos olhavam para Stevie Rae.
— Eles podem não ser salvos — disse Damien solenemente.
— Eu sei, mas vou tentar mais uma vez.
— Ei, me faça um favor, sim? — Aphrodite disse. — Poderia por favor não morrer? De novo. Eu tenho certeza de que seria muito desconfortável para mim.
— Eu não vou morrer — Stevie Rae respondeu.
— Prometa que não vai voltar lá sozinha — disse Jack.
— É uma promessa que você precisa fazer — concordou Stark.
Eu não disse nada. Eu não estava mais tão convencida quanto ao modo certo de fazer as coisas. Por sorte, meu silêncio não foi percebido porque, naquele momento, os calouros vermelhos fizeram sua entrada, e o refeitório inteiro passou a ficar boquiaberto e sussurrando sobre eles.
— Melhor ter certeza de que eles estejam bem — Stevie Rae falou. Ela levantou e sorriu para nós. — Vocês vão se apressar e ajeitar as coisas lá para que possam voltar para casa aqui. — Ela me abraçou, sussurrando, — Você vai fazer a coisa certa.
— Você também — eu sussurrei de volta. Então, ela se afastou e eu assisti ela tomar conta dos calouros vermelhos (que acenaram para nós quando entraram na fila). Stevie Rae agia tão normalmente, falando com seus filhos como se eles não tivessem pisado no refeitório pela primeira vez desde que cada um deles havia morrido, que o grupo começou a relaxar instantaneamente, ignorando olhares e sussurros.
— Ela é uma boa líder — eu disse, pensando alto.
— Eu espero que ela não entre em confusão — Aphrodite disse. Eu olhei de Stevie Rae para ela, e ela encolheu os ombros. — Algumas pessoas – especialmente mortos-vivos malignos – não podem ser lideradas.
— Ela fará a coisa certa. — Eu repeti as palavras de Stevie Rae.
— Sim, mas e eles? — Aphrodite perguntou. Eu não tinha resposta para isso, então eu peguei meus ovos.
— Vocês estão prontas? — Stark finalmente perguntou.
— Estou — eu disse. Todos os outros acenaram as cabeças, então pegamos nossas mochilas e fomos para a porta. Stark e eu estávamos atrás.
— Ei, Zoey. — A voz de Erik me fez parar. Stark ficou comigo, seus olhos observando meu ex-namorado.
— Oi, Erik — eu disse na defensiva.
— Boa sorte — ele disse.
— Obrigada. — Eu estava surpresa pela sua expressão neutra e falta da escória de Vênus ao seu lado. — Você vai ficar na escola e ensinar teatro de novo?
— Sim, mas só até conseguirmos um professor novo. Então, se eu não estiver aqui quando você voltar, eu só quero que saiba que, hm — Ele olhou de Stark para mim, e então encerrou com — que eu desejei boa sorte.
— Oh, ok. Bem, obrigada de novo.
Ele acenou e saiu da cafeteria caminhando rápido, provavelmente subindo para o refeitório dos professores.
— Uh. Isso foi estranho, mas legal da parte dele — eu disse.
— Ele finge demais.
— É, eu sei disso, mas estou feliz que ele disse algo legal antes de partirmos. Eu odeio esse lance desconfortável de ex-namorado.
— Mais uma razão pra estar feliz que não sou tecnicamente seu namorado — Stark disse. O resto do grupo estava bem longe de nós, então tivemos um momento de privacidade. Eu estava tentando entender se Stark estava perto de falar com ódio no seu comentário sobre não ser meu namorado ou não quando ele perguntou, — Estava tudo bem noite passada? Você me acordou uma vez.
— Tudo estava bem.
Ele hesitou e então disse, — Você não mordeu Heath de novo.
Não foi uma pergunta, mas eu respondi de qualquer jeito, apesar de que minha voz soou mais azeda do que eu queria. — Não. Eu estava bem, então não precisava.
— Mas eu vou entender se você fizer — ele disse.
— Podemos não falar disso agora?
— Claro, tudo bem. — Caminhamos mais alguns passos e estávamos quase no estacionamento, então ele diminuiu a velocidade, nos dando mais um momento de privacidade. — Está brava comigo? — ele perguntou.
— Por que eu estaria brava com você? — Ele ergueu os ombros. — Bem, primeiro foram as visões de Aphrodite. Ela vê você em perigo. Perigo sério. Mas ou ela me vê e eu não faço nada, ou ela não me vê. E agora, Heath vem conosco para a Itália... — Suas palavras sumiram, fazendo com que ele parecesse frustrado.
— Stark, as visões da Aphrodite podem mudar. Fizemos isso várias vezes. Uma vez, eu mesma fiz. Vamos mudar a do afogamento, também. Aliás, você provavelmente a mudará. Você não deixará nada de ruim acontecer comigo.
— Mesmo que eu tenha um problema em sair na luz do sol? — Finalmente, eu entendi uma das razões para que meu risco o incomodasse tanto – ele achava que podia não conseguir estar lá quando eu precisasse.
— Você vai descobrir como ter certeza de que eu estarei a salvo, mesmo que não possa estar comigo fisicamente.
— Você acredita nisso?
— Do fundo do meu coração — eu disse com sinceridade. — Não há nenhum outro vampiro que eu ia querer como meu guerreiro. Eu confio em você. Sempre.
Stark parecia ter tido um zilhão de pesos tirados de suas costas. — É bom ouvir você dizendo isso.
Eu parei e olhei diretamente para ele. — Eu teria dito isso antes, mas pensei que você já soubesse.
— Eu acho que sim. Aqui. — Stark tocou o peito na região do coração. — Mas meus ouvidos precisavam ouvir. — Eu caminhei até seus braços e afundei meu rosto contra seu pescoço.
— Eu acredito em você. Sempre — eu repeti.
— Obrigado, minha senhora — ele sussurrou enquanto seus braços fortes me abraçavam apertado. Eu dei um passo para trás e sorri para ele. De repente, Kalona parecia muito distânte e Stark preenchia meu presente.
— Vamos dar um jeito em tudo isso, e depois disso ficaremos juntos – um Guerreiro e sua senhora.
— É isso que eu quero — ele disse com firmeza. — E pro inferno com todo o resto.
— Sim. Pro inferno com todo o resto. — Eu me recusava a pensar Kalona. Ele era um talvez – um talvez grande, assustador e confuso. Stark era um com certeza. Eu segurei sua mão e, puxando-o para mim... sempre comigo... em direção ao Hummer, disse. — Venha, Guerreiro, vamos para a Itália.

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