6 de outubro de 2015

Capítulo 31 - Stevie Rae

Enquanto o sol se punha, os olhos de Stevie Rae se abriram. Por um segundo ela estava super confusa. Estava escuro – mas isso não a desorientou – isso era legal. Ela podia sentir a terra ao seu redor, embalando-a e protegendo-a – isso era legal, também. Houve um movimento leve do seu lado, e ela virou sua cabeça. Sua visão noturna afiada era capaz de diferenciar uma profundidade de escuridão da outra, e a asa enorme tomou forma, seguido por um corpo.
Rephaim.
Tudo voltou para ela, então: os calouros vermelhos, Dallas, e Rephaim. Sempre Rephaim.
— Você ficou aqui em baixo comigo?
Os olhos dele se abriram, e ela sentiu os dela se ampliarem em surpresa. O escarlate ardente dentro deles tinha se acalmado para uma cor de ferrugem que era mais âmbar do que vermelho.
— Eu fiquei. Você é vulnerável quando o Sol está no céu.
Ela pensou que ele soava nervoso, quase apologético, então ela sorriu para ele. — Obrigada, mesmo que seja meio obsessivo de sua parte me observar dormir.
— Eu não te observei dormir!
Ele falou tão rápido que era óbvio que ele estava mentindo. Ela abriu a boca para falar para ele que estava ok – que ele não precisava fazer isso todo o tempo, mas era realmente legal da parte dele ter certeza que ela ficasse segura, especialmente depois do dia que ela teve – e seu telefone escolheu então gorjear o som de – você tem mensagem de voz.
— Ele tem feito barulho. Muito barulho. — Rephaim falou para ela.
— Droga. Eu não posso ouvir nada quando durmo desse jeito. — Ela suspirou e relutantemente pegou o Iphone de onde ela tinha colocado ao seu lado. — Eu acho que é melhor encarar a droga da música. — Stevie Rae abriu a tela, viu que a bateria estava quase sem carga, e suspirou novamente. Ela gesticulou para a tela das chamadas perdidas. — Ah, droga. Seis chamadas perdidas. Uma de Lenobia e cinco de Aphrodite. — Coração batendo, ela clicou no de Lenobia primeiro. Colocando no viva-voz, ela olhou para Rephaim. — Você também pode ouvir o que está acontecendo. Eles provavelmente vão falar sobre você.
Mas a voz de Lenobia não soava toda “Puta merda você está com um Corvo Escarnecedor e eu vou caçar você!” Ela parecia totalmente normal. — Stevie Rae, me ligue quando você acordar. Kramisha disse que ela não tinha certeza onde você estava, mas que você está segura apensar de Dallas ter fugido. Eu vou te pegar de imediato. — Ela hesitou, abaixou sua voz, e adicionou. — Ela também me contou o que aconteceu com os outros calouros vermelhos. Eu enviei uma oração a Nyx por seus espíritos. Abençoada seja, Stevie Rae.
Ela sorriu para Rephaim. — Ahh, aquilo foi legal da parte dela.
— Dallas não chegou a ela ainda.
— Não. — Ela disse, seu sorriso sumindo. — Definitivamente não. — Ela virou sua atenção de volta para o telefone. — Quatro chamadas perdidas de Aphrodite, mas ela só deixou uma mensagem. Aqui estamos esperando que não sejam más notícias. — Ela apertou o botão de tocar. A voz de Aphrodite soava metálica e distante, mas não menos odiosa.
— Oh, pelo amor do saco plástico, atenda a sua droga de telefone! Ou você está na sua caixinha de joias? Deusa! Fusos horários são chatos. De qualquer maneira, atualização: Z ainda é uma berinjela, e Stark ainda está fora e sendo fatiado. Essas são as notícias boas. As notícias ruins é que a minha visão mais nova estrela você, uma criança índia quentinha, e o maior ruinzinho de todos os Corvos Escarnecedores, Rephaim. Nós temos que conversar porque eu tenho um dos meus pressentimentos sobre isso, o que significa Nada Bom. Então apresse o inferno e me ligue. Se eu estiver dormindo, eu vou realmente acordar e responder você.
— Grande surpresa que ela desligou sem dizer tchau — Stevie Rae disse. Não querendo ficar no mesmo quarto com as palavras e o maior ruinzinho de todos os Corvos Escarnecedores, Rephaim, rondando sem destino, ela enfiou o telefone no seu bolso e começou a subir as escadas do porão. Ela não teve que olhar atrás dela para ter certeza que ele a estava seguindo. Ela sabia que ele estava.
A noite estava legal, mas não fria, bem na borda daquela linha congelada/enlameada. Stevie Rae sentiu pena pelas pobres pessoas nas casas ao redor de Gilcrease e estava grata por ver um monte de luzes se acenderem de volta. Mas ao mesmo tempo, deu a ela um estranho sentimento de “Nós estamos sendo vigiados,” e ela hesitou na varanda da frente da mansão.
— Não tem ninguém por perto. Eles estão se focando em consertar o poder para as pessoas primeiro. Esse é um dos últimos lugares que eles vêm, especialmente a noite.
Aliviada, Stevie Rae acenou e deixou a varanda, andando a esmo em direção ao chafariz, que sentava fria e silenciosamente no meio do jardim.
— O seu povo vai descobrir sobre mim. — Rephaim disse.
— Alguns deles já descobriram. — Stevie Rae procurou e tocou a beirada do chafariz, quebrando um pingente de gelo que estava suspenso lá e deixando cair dentro da água na poça que estava embaixo.
— O que você vai fazer? — Rephaim ficou de pé do lado dela. Ambos olharam para a água negra do chafariz, como se eles pudessem descobri a resposta lá.
Finalmente, Stevie Rae disse, — Eu acho que a questão é mais como, o que você vai fazer?
— O que quer que eu faça?
— Rephaim, você não pode responder minha pergunta com uma pergunta.
Ele fez um barulho ridículo. — Você respondeu a minha.
— Rephaim, pare. Me diga o que você quer fazer sobre, bem, nós.
Ela olhou para os olhos mudados dele, desejando que suas feições fossem mais fáceis de ler. Ele demorou tanto para responder que ela pensou que ele não ia, e a frustração a atormentou. Ela tinha que voltar para a House of Night. Ela tinha que fazer um controle de danos lá antes que Dallas estragasse tudo.
— O que eu faria é ficar com você.
As palavras dele, simples, honestas, e ditas de uma só vez, não penetraram de primeira. A princípio ela somente olhou para ele interrogativamente, incapaz de compreender totalmente o que ele disse. E então ela realmente o ouviu, e entendeu, e ela sentiu uma agitação de alegria inesperada e indesejada.
— Vai ser ruim. — Ela disse. — Mas eu quero que você fique comigo, também.
— Eles vão tentar me matar. Você deve saber disso.
— Eu não vou deixá-los! — Stevie Rae procurou e pegou a mão dele. Lentamente, muito lentamente, os dedos dele se entrelaçaram com os dela, e ele deu um pequeno puxão, colocando-a bem perto do seu lado. — Eu não vou deixá-los — ela repetiu. Ela não olhou para ele. Em vez disso, ela segurou a mão dele e roubou um pequeno momento juntos. Ela tentou não pensar muito. Ela tentou não questionar tudo. Ela olhou dentro da água do chafariz preta e parada, e a nuvem que estava cobrindo a lua elevada, revelando o reflexo deles. Eu sou uma garota que de algum jeito está ligada à humanidade de um cara que é uma fera, Em voz alta, ela disse, — Eu estou ligada a você, Rephaim.
Sem nenhuma hesitação ele disse, — E eu, a você, Stevie Rae.
Enquanto ele falava, a água ondulou, como se a própria Nyx tivesse respirado contra a superfície, e o reflexo deles mudou. A imagem revelada na água era Stevie Rae segurando a mão de um menino Nativo Americano alto e musculoso. O cabelo dele era grosso e longo, e tão negro quanto as penas de corvo que foram trançadas no seu comprimento. O seu peito estava nu, e ele era mais quente que as estradas de Oklahoma no meio do verão.
Stevie Rae ficou muito parada, com medo que se ela se movesse o reflexo mudaria. Mas ela não conseguiu não sorrir e, gentilmente ela falou, — Oh, você é muito bonito.
O cara no reflexo piscou um monte de vezes, como se ele não tivesse certeza que estava vendo claramente, então na voz de Rephaim, ele disse, — Sim, mas eu não tenho asas.
O coração de Stevie Rae vibrou, e seu estômago se apertou. Ela queria dizer algo profundo e realmente esperto, ou pelo menos um pouco romântico. Em vez disso, ela se ouviu dizer, — Claro, isso é verdade, mas você é alto e tem essas penas legais trançadas em seu cabelo.
No reflexo, o garoto levantou a mão que não estava segurando a dela, e tocou seu cabelo.
— Elas não são muita coisa se você compará-las com as asas — ele disse, mas sorriu para Stevie Rae.
— Bem, é, mas eu aposto que são mais fáceis de servir nas camisetas.
Ele riu, e com um óbvio sentimento de admiração, deixou a mão dele tocar seu rosto. — Macio — Rephaim disse — O rosto humano é tão macio.
— Yeah, é. — Stevie Rae disse, totalmente hipnotizada pelo que estava acontecendo no reflexo deles.
Tão lentamente quanto ele entrelaçou seus dedos, sem tirar o olhar fixo do reflexo, Rephaim foi de seu rosto para o dela. A mão dele tocou sua pele levemente, gentilmente. Ele acariciou sua bochecha e deixou seus dedos passarem por seus lábios. Ela sorriu, então, e não conseguiu segurar uma risadinha estranha. — É só que você é tão bonito!
O reflexo humano de Rephaim sorriu, também. — Você é bonita. — Ele disse tão gentilmente que ela quase não o ouviu.
Coração batendo, ela disse, — Você acha? Mesmo?
— Mesmo. Eu só nunca posso te contar. Eu nunca posso deixar você saber como eu realmente me sinto.
— Você está agora — Ela disse.
— Eu sei. Pela primeira vez eu sinto...
As palavras de Rephaim pararam no meio da frase. O reflexo do garoto vacilou e então desapareceu. Em seu lugar, a Escuridão levantou-se da água parada, tomando a forma de asas de corvos e o corpo de um imortal poderoso.
— Pai!
Rephaim não precisou falar o nome. Stevie Rae sabia o que tinha vindo entre eles no momento que aconteceu. Ela tirou sua mão da mão dele. Ele resistiu por somente um instante antes de deixá-la ir. Então ele virou para encará-la, trazendo uma asa negra para frente para apagar a vista dela do reflexo deles no chafariz.
— Ele retornou para seu corpo. Eu posso sentir.
Stevie Rae não confiava em si mesma para falar. Ela só pôde assentir.
— Ele não está aqui, entretanto. Ele está muito longe daqui. Deve estar ainda na Itália. — Rephaim estava falando rapidamente. Stevie Rae deu um passo para longe dele, ainda incapaz de falar qualquer coisa.
— Ele se sente diferente. Algo mudou. — Então era como se os pensamentos dele tivessem alcançado-o, e os olhos de Rephaim encontraram os dela. — Stevie Rae? O que nós vamos...
Stevie Rae arfou, cortando as palavras dele. Terra girou em torno dela, enchendo seus sentidos com uma alegria dança de boas-vindas. A paisagem fria de Tulsa tremeluziu, mudou, e repentinamente ela estava cercada por árvores maravilhosas, todas verdes e com folhagens brilhantes, e uma cama feita de musgo grosso e macio. Então a imagem se focou, e Zoey estava ali, nos braços de Stark, rindo e inteira novamente.
— Zoey! — Stevie Rae gritou, e a imagem desapareceu, deixando somente a alegria daquilo e a certeza de que sua melhor amiga estava inteira novamente e definitivamente viva. Sorrindo, ela foi para Rephaim e jogou seus braços ao redor dele. — Zoey está viva!
Seus braços se apertaram ao redor dela, mas somente pelo tempo de uma respiração, e então ambos lembraram a verdade, e ao mesmo tempo, se afastaram um do outro.
— Meu pai retornou.
— Assim como Zoey.
— E para nós isso significa que não podemos ficar juntos. — ele disse.
Stevie Rae se sentiu doente e triste. Ela balançou a cabeça. — Não, Rephaim. Só significa isso se você deixar.
— Olhe para mim! — Ele gritou. — Eu não sou o garoto no reflexo. Eu sou uma fera. Eu não pertenço com você.
— Isso não é o que o seu coração diz! — Ela gritou de volta para ele.
Os ombros dele caíram, e ele olhou para longe dela. — Mas, Stevie Rae, meu coração nunca importou.
Ela andou para perto dele. Automaticamente, ele encarou-a. Seus olhares se encontraram, e com um terrível desespero ela viu que o escarlate estava, de novo, brilhando nos olhos dele. — Bem, quando você decidir que o seu coração importa tanto para você quanto importa para mim, venha me encontrar novamente. Deve ser fácil. Somente siga o seu coração. — Sem nenhuma hesitação, ela colocou seus braços ao redor dele e segurou-o fortemente. Stevie Rae ignorou o fato que ele não retornou seu abraço. Em vez disso, ela sussurrou, — Eu vou sentir sua falta — antes de deixá-lo ir.
Enquanto ela começou a andar pela estrada Gilcrease, o vento noturno trouxe para ela o sussurro de Rephaim, Eu vou sentir a sua falta, também...


Zoey

— É realmente bonito. — Eu disse, olhando para a árvore e as zilhões de tiras de pano penduradas amarradas lá. — Do que você chama, de novo?
— A árvore de pendurar — Stark disse.
— Não parece um nome muito romântico para algo tão legal. — Eu disse.
— É, foi o que eu pensei a princípio, também, mas meio que já cresceu em mim.
— Oh! Olhe para aquele pedaço. É tão brilhante. — Eu apontei para uma fina fita dourada que tinha aparecido repentinamente. Diferente do resto das tiras de roupa, não estava amarrada à outra. Em vez disso, flutuou livremente para baixo e para baixo até que ficou acima de nós.
Stark procurou e agarrou-a. Ele ofereceu-a para mim para que eu pudesse tocar sua maciez resplandecente. — É o que eu segui para achar você.
— Sério? É como um fio de ouro,
— Sim, me lembrou ouro, também.
— E você seguiu isso para me achar?
— Sim.
— Ok, bem, então. Vamos ver se vai funcionar duas vezes. — Eu disse.
— Somente me diga o que fazer. Estou à suas ordens. — Olhos cintilando com humor, Stark se inclinou para mim.
— Pare de brincar. Isso é sério.
— Oh, Z, você não vê? Não é que eu não ache que isso é sério. É que eu confio totalmente em você. Eu sei que você vai me levar com você. Eu acredito em você, mo banm ri.
— Você arranjou algumas palavras estranhas enquanto eu estive fora.
Ele sorriu para mim. — Apenas espere. Você não ouviu nada ainda.
— Você quer saber, garoto? Eu estou cansada de esperar. — Eu amarrei uma ponta do fio de ouro ao redor do pulso dele. Eu mantive a outra ponta fortemente enrolada na minha mão. — Feche os seus olhos — eu disse. Sem me questionar, ele fez como eu falei. Eu fiquei nas pontas dos pés e o beijei. — Vejo você em breve, Guardião.
Então eu me distanciei da árvore de pendurar e do arvoredo e de toda magia e mistérios do reino de Nyx. Eu encarei a enorme escuridão que parecia se estender dentro do infinito. Estendendo meus braços, eu disse — Espírito, venha para mim. — O último dos cinco elementos, e com o qual eu mais me sentia próxima, me preencheu, fazendo minha alma curada tamborilar com alegria e compaixão, força, e – finalmente – esperança. — Agora, por favor me leve para casa! — Enquanto eu falava, eu corri para frente, e, completamente destemida, saltei dentro da escuridão.
Eu pensei que seria como mergulhar de um penhasco, mas eu estava errada. Era mais suave, mais macio. Mais como descer de elevador do topo de um arranha-céu. Eu me senti acomodada, e eu sabia que estava de volta.
Eu não abri meus olhos imediatamente. Primeiro eu queria me concentrar – saborear cada sensação de retorno. Eu senti que estava deitada em algo duro e frio. Eu tomei uma respiração profunda e fiquei surpresa de cheirar o cedro que costumava ficar no canto de baixo da casa da minha mãe, em Broken Arrow. Eu só ouvi o suave murmurar de vozes sussurradas a princípio, mas depois de somente algumas respirações aquilo mudou com o grito de Aphrodite de — Oh, pelo amor do saco plástico, abra os seus olhos! Eu sei que você está aí dentro!
Eu abri meus olhos então. — Jeesh, você é do subúrbio? Você tem que ser tão escandalosa?
— Subúrbio? Olha, você não deveria estar xingando, e essa é definitivamente uma palavra nojenta para mim. — Aphrodite disse. Então ela sorriu e riu e me puxou para um abraço superforte que eu tinha certeza que ela negaria fazê-lo para sempre depois. — Você realmente está de volta? E você não é, tipo, cérebro-danificado ou nada?
— Eu estou! — Eu ri — E eu não sou mais cérebro-danificado do que eu era quando parti.
Por cima do seu ombro Darius apareceu. Os olhos dele estavam suspeitosamente brilhantes enquanto ele colocou a mão sobre o seu coração e se inclinou para mim. — Bem vinda de volta, Alta Sacerdotisa.
— Obrigada, Darius. — Eu sorri para ele e estendi minha mão para que ele pudesse me ajudar a levantar. Eu tinha estranhas pernas de geleia, então eu continuei me segurando nele enquanto o quarto rodava e lançava ao redor de mim.
— Ela precisa de comida e bebida. — Disse uma super voz tipo-no-comando.
— Imediatamente, majestade — veio a resposta imediata.
Eu finalmente pisquei limpando a tontura, para que eu pudesse ver. — Oh, um trono! Sério?
A bela mulher sentada no trono de mármore esculpido sorriu para mim. — Bem vinda de volta, jovem rainha. — Ela disse.
— Jovem Rainha. — Eu repeti, meio rindo. Mas enquanto os meus olhos viajaram ao redor do quarto, minha risada se dissolveu, e o trono, o quarto legal, e as questões do reino da rainha se evaporaram.
Stark estava ali. Ele estava deitado em uma rocha enorme. Tinha um vampiro Guerreiro de pé perto da sua cabeça, e o cara estava segurando um punhal de lâmina afiada sobre o peito de Stark, que já estava ensanguentado e coberto de facadas.
— Não! Pare! — Eu chorei. Eu me afastei de Darius e comecei a me precipitar em direção ao vampiro.
Mais rápido do que ela deveria ter sido capaz de se mover, a rainha estava repentinamente de pé entre o Guerreiro e eu. Ela colocou uma mão no meu ombro e perguntou gentilmente para mim. — O que Stark te disse?
Eu me sacudi mentalmente, tentando pensar através da visão sangrenta do meu Guerreiro, meu Guardião.
Meu Guardião...
Eu olhei para a rainha. — Foi assim que Stark foi para o Outromundo. Aquele Guerreiro. Ele está realmente ajudando-o.
— Meu Guardião. — A rainha me corrigiu. — Sim, ele está ajudando Stark. Mas agora a sua busca está completa. É sua responsabilidade como a rainha dele trazê-lo de volta.
Eu abri minha boca para perguntá-la como, mas fechei-a antes de falar. Eu não tinha que perguntá-la. Eu sabia. E era minha responsabilidade ajudar meu Guardião a voltar.
Ela deve ter visto em meus olhos, porque a rainha inclinou sua cabeça, bem levemente, e se afastou.
Eu andei em direção ao homem que ela chamava de seu Guardião. Suor caía pelo seu peito musculoso. Ele estava completamente focado em Stark. Parecia que ele não via ou ouvia mais ninguém no quarto. Enquanto ele levantava a faca, obviamente se preparando para fazer outro corte, a luz da tocha cintilou um bracelete de ouro que foi feito para torcer ao redor do seu pulso. Eu entendi então de onde o fio de ouro que tinha levado Stark até mim tinha vindo, e eu senti uma sensação de calor pelo Guardião da rainha. Eu toquei seu pulso gentilmente, do lado do pedaço de ouro, e disse, — Guardião, você pode parar agora. É hora dele voltar.
A mão dele parou instantaneamente. Um tremor passou através do corpo do Guardião. Quando ele olhou para mim, eu vi que as pupilas dos seus olhos azuis estavam inteiramente dilatadas.
— Você pode parar agora. — Eu repeti gentilmente. —E obrigada por ajudar Stark a chegar até mim.
Ele piscou, e seus olhos clarearam. Sua voz era grave, e eu quase sorri quando reconheci o sotaque Escocês que Stark tinha imitado para mim. — Sim, mulherr... como você desejar. — Ele cambaleou para trás. Eu sabia que a rainha tinha pegado-o em seus braços, e eu podia ouvi-la murmurando coisas para ele. Eu sabia que outros Guerreiros estavam no quarto, também, e eu podia sentir Aphrodite e Darius me observando – mas eu ignorei todos eles.
Para mim, Stark era a única pessoa no quarto. A única coisa que importava.
Eu fui até ele onde ele estava deitado em uma pedra no seu sangue empoçado. Dessa vez, o cheiro dele veio até mim, e me afetou. Doce e estonteante, me deu água na boca. Mas eu tinha que parar. Agora não era a hora para a minha cabeça ficar bagunçada pelo sangue de Stark e o desejo que persistia em mim disso.
Eu levantei minha mão. — Água, venha para mim. — Quando a macia umidade do elemento me rodeou, eu acenei minha mão sobre o corpo ensanguentado de Stark. — Lave isso dele. — O elemento fez como eu pedi, chovendo gentilmente nele. Eu assisti-o limpar o sangue do seu peito, derramar sobre a rocha, seguir o intricado nó de trabalhos descer todos os lados da pedra enorme e preencher as duas ranhuras que cortavam dentro do piso dos dois lados dela. Chifres, eu percebi, eles me lembram chifres supergrandes.
Suficientemente estranho, quando o sangue estava todo lavado, as ranhuras não estavam brancas como o resto do piso. Em vez disso, elas brilharam um negro bonito e místico, me lembrando um céu noturno.
Mas eu não tomei tempo para admirar a magia que senti ali. Eu fui até Stark. Seu corpo estava limpo agora. As feridas não estavam sangrando mais, mas elas estavam em carne viva e vermelhas. E então eu percebi o que estava vendo e tomei uma profunda respiração. Em cada lado do peito de Stark o trabalho do corte formou flechas, completas com penas e pontudas, pontas triangulares. Elas faziam uma balança perfeita para a queimada flecha quebrada sobre o seu coração.
Eu puxei a minha mão e descansei-a no topo da cicatriz, aquela da vez que ele salvou minha vida – a primeira vez que ele salvou minha vida. Fiquei surpresa ao descobrir que ainda segurava o fio de ouro. Gentilmente, eu levantei o pulso de Stark e envolvi o fio de ouro ali. O comprimento de seda endureceu, torceu, e então fechou, parecendo muito como a do Guardião, exceto que no bracelete de Stark eu podia ver as imagens cedidas de três flechas – uma delas quebrada.
— Obrigada, Deusa. — Eu sussurrei. — Obrigada por tudo.
Então eu coloquei minha mão sobre o coração de Stark e me inclinei. Antes de pressionar meus lábios nos dele, eu disse, — Volte para a sua rainha, Guardião. Está tudo acabado agora.
Enquanto suas pálpebras tremeram e se abriram, eu ouvi a risada musical de Nyx preencher minha mente, e sua voz dizendo:
Não, filha, não está tudo acabado. Está apenas começando...

3 comentários:

  1. ishhh! N gosto desse "Ta so começando..." Da outra vez depois q ela disse isso o mundo da Zo explodiu...! Da medo mesmo

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  2. Estamos em qual? 6° livro. Num pode começa agora não, dá um descanso pra Zoey

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