1 de outubro de 2015

Capítulo 30

Meu rosto se avermelhou de embaraço enquanto eu saí dos braços de Heath, limpando a boca e respirando com força. Stevie Rae estava parada no túnel só a alguns metros de nós. Lágrimas escorriam de suas bochechas e seu rosto estava virado em desespero.
— Me mate — ela repetiu em um soluço.
— Não. — Eu balancei a cabeça e dei um passo em direção a ela, mas ela se afastou de mim, levantando sua mão como se quisesse me parar. Eu parei e respirei fundo, tentando me colocar sob controle. — Volte para a House of Night comigo. Vamos descobrir como isso aconteceu. Vai ficar tudo bem, Stevie Rae, eu prometo. Tudo o que importa é que você está viva.
Stevie Rae começou a tremer as mãos quando comecei a falar. — Eu não estou realmente viva, eu não posso voltar lá.
— É claro que você está viva. Está andando e falando.
— Eu não sou mais eu. Eu morri, e parte de mim – a melhor parte de mim – ainda está morta, assim como é para o resto de nós. — Ela gesticulou de volta para a caverna.
— Você não parece com eles — eu disse firmemente.
— Eu sou mais como eles do que como você. — O olhar dela mudou de mim para Heath, que estava parado quieto ao meu lado. — Você não iria acreditar nas coisas horríveis que passam pela minha cabeça. Eu poderia matar ele sem pensar duas vezes. Eu já teria feito, se o sangue dele não tivesse mudado devido ao Imprint com você.
— Talvez não seja só isso, Stevie Rae. Talvez você não tenha matado ele porque você não queria — eu disse.
Os olhos dela encontraram os meus de novo. — Não. Eu queria matar ele. Ainda quero.
— O resto deles mataram Brad e Chris — Heath disse. — E isso foi minha culpa.
— Heath, agora não é a hora — eu comecei, mas ele me cortou.
— Não, precisamos deixar isso claro, Zoey. Aquelas coisas agarraram Brad e Chris porque eles estavam perto da House of Night, e isso é minha culpa porque eu disse a eles o quão quente você é. — Ele me deu um olhar apologético. — Desculpe, Zo. — Então a expressão dele endureceu e ele disse, — Você deveria matar ela. Você deveria matar todos eles. Desde que eles estejam vivos, as pessoas estarão em perigo.
— Ele está certo — Stevie Rae disse.
— E como matar você e o resto deles resolve isso? Mais de vocês não vão aparecer? — Eu me decidi e fechei o espaço entre Stevie Rae e eu. Ela parecia querer ir embora, mas minhas palavras a impediram. — Como isso aconteceu? O que te fez ficar assim?
O rosto dela se contorceu de angustia. — Eu não sei como. Só sei quem.
— Então quem fez isso?
Ela abriu a boca para me responder, com um movimento tão rápido que o corpo dela virou um borrão, ela de repente estava assustada contra o lado do túnel.
— Ela está vindo!
— O que? Quem? — Eu me abaixei ao lado dela.
— Saia daqui! Rápido. Provavelmente ainda tem tempo para você fugir. — Então Stevie Rae se estendeu e pôs minha mão na dela. A pele dela era fria, mas seu aperto era forte. — Ela vai te matar se te ver – você e ele. Você sabe demais. Ela pode te matar mesmo assim, mas será mais difícil para ela fazer isso, se você voltar para a House of Night.
— De quem você está falando, Stevie Rae?
— Neferet.
O nome passou por mim mesmo enquanto eu balançava a cabeça em negação e sentia a verdade se aprofundar em mim.
— Neferet fez isso com você, com todos vocês?
— Sim. Agora saia daqui, Zoey!
Eu podia sentir o terror dela e sabia que ela estava certa. Se Heath e eu não fossemos embora, nós iríamos morrer.
— Eu não vou desistir de você, Stevie Rae. Use seu elemento. Você ainda tem uma conexão com a terra, eu posso sentir. Então use seu elemento para ficar forte. Eu vou voltar por você, e de alguma forma vamos resolver isso – vamos fazer ficar tudo bem. Eu prometo. — Então eu abracei ela, e depois de apenas uma pequena hesitação, ela me abraçou também.
— Vamos, Heath. — Eu agarrei a mão dele para poder guiar ele rapidamente pelo túnel escuro. A luz na minha palma tinha apagado quando eu chamei a terra, e de jeito nenhum eu ia me arriscar em confiar nele. Pode guiar ela a nós. Enquanto eu corria pelo túnel eu ouvi o sussurro de Stevie Rae — Por favor, não esqueça de mim... — nos seguir.
Heath e eu corremos. A onda de energia do sangue que ele tinha me dado não durou muito tempo, quando chegamos à escada de metal que levava para a grade do porão, eu queria cair e dormir por dias. Heath estava se apressando na escada e para entrar no porão, mas eu o fiz esperar. Respirando com força, eu me inclinei contra o lado do túnel e buscando meu celular no bolso da minha calça, junto com o cartão do Detetive Marx. Eu abri o telefone e eu juro que meu coração não bateu até as barras começarem a ficar verdes.
— Você pode me ouvir agora? — Heath disse, rindo para mim.
— Sssh! — Eu disse a ele, mas sorrindo em resposta. Então digitei o número do detetive.
— Aqui é Marx — a profunda voz respondeu no segundo toque.
— Detetive Marx, aqui é Zoey Redbird. Eu só tenho um segundo para falar, então tenho que desligar. Eu encontrei Heath Luck. Estamos no porão do depósito de Tulsa, e precisamos de ajuda.
— Aguentem firme. Eu estarei ai em breve!
Um barulho de baixo fez eu cortar a conexão e desligar o telefone. Eu pressionei meu dedo nos lábios quando Heath começou a falar. Heath pôs seus braços ao meu redor, e tentamos não respirar. Então ouvi o coo-coo de um pomba e o agito de asas.
— Eu acho que é só uma ave — Heath sussurrou. — Eu vou olhar.
Eu estava muito cansada para discutir com ele, além do mais Marx estava a caminho e eu estava cheia do túnel úmido e nojento. — Cuidado — eu sussurrei para ele.
Heath acenou e apertou meu ombro, então subiu a escada. Devagar e com cuidado ele ergueu a grade de metal, colocando a cabeça para fora e espiando ao redor. Logo ele desceu e fez uma menção para mim subir e pegar a mão dele. — É só um pombo. Vem.
Cansada, eu subi com ele e deixei ele me puxar para o porão. Sentamos no canto perto da grade por vários longos minutos, ouvindo atentamente. Finalmente, eu sussurrei:
—Vamos sair e esperar por Marx lá. — Heath já tinha começado a tremer, mas eu lembrei do cobertor que Aphrodite tinha me feito trazer. Além do mais, eu prefiro arriscar com o tempo do que ficar nesse porão assustador.
— Eu odeio aqui também. É como uma droga de tumba — Heath disse suavemente entre o ranger dos dentes.
Com a mão na mão dele, andamos pelo porão, passando pela forte luz acinzentada que refletia o mundo de fora. Estávamos na porta de ferro quando eu ouvi o distante barulho da sirene da polícia. A terrível tensão em meu corpo tinha começado a relaxar quando a voz de Neferet veio das sombras.
— Eu deveria saber que você estaria aqui.
O corpo de Heath pulou surpreso e eu apertei minha mão na mão quente dele. Quando viramos para olhar para ela, eu estava me centrando e podia sentir o poder dos elementos começarem a tremer o ar ao meu redor. Eu respirei fundo e cuidadosamente limpei minha mente.
— Oh, Neferet! Estou tão feliz por ver você! — Eu apertei a mão de Heath mais uma vez antes de soltar, tentando telegrafar concorde com o que quer que eu diga, através do toque. Então eu corri, soluçando até a os braços da Alta Sacerdotisa. — Como você me achou? O Detetive Marx te ligou?
Eu podia ver indecisão nos olhos dela enquanto Neferet suavemente se afastava dos meus braços. — Detetive Marx?
— Yeah. — Eu funguei e limpei meu nariz na manga, me forçando a emitir alíuvio e confiança nela.
— É ele vindo agora mesmo. — O som da sirene estava muito próximo, e eu pude ouvir que estava junto de pelo menos mais dois carros. — Obrigado por me encontrar! — Eu disse emocionada. — Foi tão terrível. Eu pensei que as pessoas de rua iam matar nós dois. — Eu me movi até Heath e peguei a mão dele de novo. Ele estava olhando para Neferet, parecendo muito como se estivesse em choque. Eu percebi que ele provavelmente estava lembrando partes da única outra vez que ele viu a Alta Sacerdotisa – a noite que os vampiros fantasmas quase o tinham matado – e imaginei que a mente dele estava muito apavorada para Neferet sentir o que estava acontecendo dentro da cabeça dele. Uma boa coisa.
As portas do carro estavam batendo e pés pesados estavam andando na neve.
— Zoey, Heath... — Neferet se moveu rapidamente até nós. Ela levantou suas mãos, que brilhavam de forma estranha, com uma luz vermelha, de repente me lembrando de coisas mortas vivas. Antes de eu poder correr ou gritar ou até respirar, ela agarrou nossos ombros. Eu senti Heath ficar rígido enquanto dor passava pelo meu corpo. Explodiu na minha mente e meus joelhos teriam cedido se as mãos não estivem me segurando firme. — Você não irá lembrar de nada! — As palavras ecoaram pela minha mente cheia de agonia, e então só ouve escuridão.

7 comentários:

  1. cade a égua ?????

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  2. Merda!!!!!!!!!!!! Odeio a Neferet!!

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  3. Agora pronto! Lascou-se! Danô-se!

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  4. Com as palavras de raspucha o filme norbit: "Aquela Vaaaaaaaaaccaa!!"

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