7 de outubro de 2015

Capítulo 3 - Zoey

Pela zilionésima vez eu pensei sobre como o cômodo do trono de Sgiach era um lugar incrível. Ela era uma rainha vampira anciã, a Grande Decepadora de Cabeças, superpoderosa e rodeada por seus próprios Guerreiros conhecidos como Guardiões. Inferno, há muito tempo atrás ela tinha até enfrentado o Alto Conselho de Vampiros e vencido, mas o seu castelo não era uma versão-nojenta-de-acampamento-medieval-ao-ar-livre(que nojo). O castelo de Sgiach era um forte, mas era – como eles dizem na Escócia – um castelo grã-fino. Eu juro que a vista de qualquer uma das janelas viradas para o mar, mas especialmente o do cômodo do trono, é tão incrível que parece que deveria estar um uma TV HD e não na minha frente, na vida real.
— Aqui é lindo — Ok, falar comigo mesma – especialmente tão cedo depois de ter estado, bem, meio louca no Outromundo – pode possivelmente não ser uma boa ideia. Eu suspirei e dei de ombros. — Tanto faz. Sem a Nala aqui, Stark estar meio fora de si, Aphrodite fazendo coisas que eu prefiro não imaginar com o Darius, e Sgiach por aí fazendo alguma coisa mágica ou detonando em algum treinamento estilo-super-herói com Seoras, falar comigo mesmo parece ser a única opção.
— Eu estava simplesmente conferindo meus e-mails – nada mágico ou detonante sobre isso.
Eu acredito que ela deveria ter me feito pular. Quero dizer, a rainha pareceu se materializar do ar no meu lado, mas eu acho que ter estado toda despedaçada e louca no Outromundo me deu uma grande tolerância a estranhices. E mais, eu senti uma estranha ligação com essa rainha vampira. Sim, ela inspira respeito e tem poderes loucos e tudo, mas nas semanas desde que Stark e eu voltamos, ela tem sido uma fixação do meu lado. Enquanto Aphrodite e Darius brincavam de beijinhos e andavam de mãos dadas na praia e enquanto o Stark dormia e dormia e dormia, Sgiach e eu passamos tempo juntas. Algumas vezes conversando – algumas vezes não. Ela era, eu decidi há alguns dias atrás, a mulher mais legal, vamp ou não, que eu já conheci.
— Você tá brincando né? Você é uma rainha guerreira que vive um castelo em uma ilha que ninguém pode chegar sem a sua permissão, e você está conferindo os e-mails? Parece mágica pra mim.
Sgiach riu. — Ciência muitas vezes parece mais misteriosa do que mágica, ou pelo menos eu sempre pensei. O que me lembra – eu venho considerando o quão estranho é que os efeitos da luz do dia afetam o seu Guardião com tanta severidade debilitante.
— Não é só o Stark. Quero dizer, têm sido pior com ele recentemente porque, bem, porque ele está ferido — eu pausei, me atrapalhando com as palavras e não querendo admitir o quão difícil era ver o meu Guerreiro e Guardião tão obviamente machucado. — Isso realmente não é normal pra ele. Ele normalmente consegue ficar consciente durante o dia, mesmo se ele não consegue aguentar a luz direta. Todos os vampiros vermelhos são a mesma coisa. O sol acaba com eles.
— Bem, jovem rainha, poderia ser uma desvantagem distinta caso o seu Guardião seja incapaz de te proteger durante as horas com sol.
Eu dei de ombros, mesmo apesar de suas palavras terem causado um arrepio que pode ser premonição na minha coluna. — Sim, bem, recentemente eu aprendi a cuidar de mim mesma. Eu acho que posso aguentar algumas horas sozinhas — eu disse com uma acidez que até me surpreendeu.
O olhar verde-âmbar de Sgiach fixou em mim. — Não permita que ela te deixe dura.
— Ela?
— As Trevas e a batalha contra ela.
— Eu não tenho que ser dura pra lutar? — Eu me lembrei de ter espetado Kalona até a parede da arena no Outromundo com a sua própria lança, e o meu estômago se contorceu.
Ela balançou a cabeça e a luz do dia dissipando pegou uma mecha do seu cabelo prata, fazendo com que ele brilhasse com as cores canela e dourada juntas. — Não, você deve ser forte. Você deve ser sábia. Você deve conhecer a si mesma e confiar apenas naqueles que merecem. Se você permitir que a batalha contra as Trevas te endureça, você perderá a perspectiva.
Eu desviei o olhar, olhando para as águas azul-cinza que contornavam a Ilha de Skye. O sol estava se pondo no oceano, refletindo as delicadas cores rosa e coral através do céu que escurecia. Era lindo e sossegado e parecia totalmente normal. Ficando aqui era difícil imaginar que em volta do mundo existia o mau e Trevas e morte. Mas as Trevas estão ali fora, provavelmente multiplicadas por zilhões. Kalona não me matou, e isso vai realmente irritar a Neferet. Apenas o pensamento do que isso significava, eu teria de lidar com ela e com Kalona e todas as bostinhas horríveis que vem junto com eles me fez sentir terrivelmente cansada. Eu me virei da janela, levantei meus ombros, e encarei a Sgiach.
— E se eu não quiser mais lutar? E se eu quiser ficar aqui, pelo menos por um tempo? Stark não está ele mesmo. Ele precisa descansar e melhorar. Eu já mandei aquela mensagem para o Alto Conselho sobre o Kalona. Eles sabem que ele matou o Heath e então foi atrás de mim, e que Neferet estava toda envolvida nisso e se aliou às Trevas. O Alto Conselho consegue lidar com a Neferet. Droga, adultos precisam lidar com ele e o estrago nojento do mal que ela continua tentando fazer da vida — Sgiah não disse nada, então respirei e continuei tagarelando. — Eu sou uma criança. Dezessete. Mal isso. Eu sou horrível em geometria. Meu espanhol é horrível. Eu ainda nem posso votar. Lutar contra o mal não é minha responsabilidade – é me formar do ensino médio e, esperançosamente, fazer a Mudança. A minha alma foi despedaçada e o meu namorado assassinado. Eu não mereço um descanso? Só um pouquinho?.
Totalmente me surpreendendo, Sgiach sorriu e disse — Sim, Zoey, eu acredito que você merece.
— Você quer dizer que eu posso ficar aqui?
— Por quanto tempo quiser. Eu sei como é sentir o mundo apertar muito forte. Aqui, como você disse, o mundo é apenas permitido entrar ao meu comando – e na maioria eu o mando ficar longe.
— E a luta entre as Trevas e o mau e o resto?
— Ele estará lá quando você voltar
— Uau. Sério?
— Sério. Fique aqui na minha ilha até que sua alma esteja verdadeiramente recuperada, e a sua consciência te diga para retornar para o seu mundo e a sua vida lá.
Eu ignorei a pequena pontada que eu senti com a palavra consciência. — O Stark também pode ficar, certo?
— É claro. Uma rainha deve sempre ter o seu Guardião ao seu lado.
— Falando nisso — eu disse rapidamente, feliz de mudar de assunto longe das questões da consciência e batalhar contra o mau, — há quanto tempo o Seoras tem sido o seu Guardião?
Os olhos da rainha suavizaram e o seu sorriso se tornou mais doce, mais quente, e até mais bonito.
— Seoras se tornou meu Guardião Ligado por Juramento a mais de quinhentos anos atrás.
— Putz! Quinhentos anos? Quantos anos você tem?
Sgiach riu, — Depois de um certo ponto, você não acha que idade é irrelevante?
— E não é educado perguntar a idade de uma dama.
Mesmo se ele não tivesse dito nada, eu saberia que o Seoras tinha entrado no cômodo. A face de Sgiach mudava quando ele estava por perto. Era como se ele mudasse um interruptor e algo suave e quente brilhava dentro dela. E quando ele olhava de volta a ela, apenas por um momento, ele não parecia tão mal-humorado e marcado pelas batalhas e eu-preferia-te-bater-do-que-falar-com-você.
A rainha ria e tocava o braço do seu Guardião com uma intimidade que me fazia ter esperanças de que o Stark e eu pudéssemos achar pelo menos um pedaço do que eles têm. E se ele me chamasse de dama depois de quinhentos anos, isso também seria bem legal.
Heath teria me chamado de dama. Bem, mais pra garota. Ou talvez apenas Zo – sempre apenas sua Zo.
Mas o Heath estava morto e ele nunca me chamará de nada.
— Ele está esperando por você, jovem rainha — Chocada, eu encarei Seoras.
— Heath?
O olhar do Guerreiro era sábio e compreensivo – a sua voz gentil. — Sim, o seu Heath provavelmente espera por você algum lugar no futuro, mas eu estou falando do seu Guardião.
— Stark! Ah, bom, ele acordou. — Eu sei que eu soava culpada. Eu não queria continuar pensando no Heath, mas era difícil não pensar. Ele tem sido parte da minha vida desde que eu tinha nove anos – e morreu apenas a algumas semanas. Eu me sacudi mentalmente, me curvei rapidamente a Sgiach e fui para a porta.
— Ele não está na sua câmara — disse Seoras — O garoto está perto do bosque. Ele pediu para te encontrar lá.
— Ele está lá fora? — Eu pausei, surpresa. Desde que Stark voltou do Outromundo, ele tem estado muito fraco e fora de si para fazer muito mais do que comer, dormir, e jogar jogos de computador com Seoras, o que foi uma visão super-estranha – era como se fosse: Ensino Médio encontra com “Coração Valente” e com “Call of Duty”.
— Sim, a dama acabou de ficar mexendo com a maquiagem e agora está agindo como um verdadeiro Guardião novamente.
Eu coloquei o meu punho sobre o meu quadril e estreitei meus olhos no velho Guerreiro. — Ele quase morreu. Você o cortou em pedaços. Ele estava no Outromundo. Dá um tempo pra ele. Nossa.
— Sim, bem, ele não morreu de verdade, morreu?
Eu rolei meus olhos. — Você disse que ele está no bosque?
— Sim.
— Okie dokie.
Enquanto eu me apressava para a porta, a voz de Sgiach me seguiu. — Leve aquele amável cachecol que você comprou na vila. Está um fim de tarde frio.
Eu pensei que isso era algo meio estranho da Sgiach dizer. Quero dizer, sim, estava frio (e normalmente molhado) em Skye, mas vampiros não sentem as mudanças do tempo como os seres humanos sentem. Mas tanto faz. Quando uma rainha guerreira te fala para fazer algo, normalmente é bom fazer. Então eu passei para o quarto enorme que eu compartilho com o Stark e peguei o cachecol que eu tinha deixado no fim da cama coberta. Era caxemira de cor creme, com fios de ouro por ela, e eu pensei que provavelmente parecia mais bonito dependurado contra as cortinas vermelhas da cama do que no meu pescoço.
Eu pausei por um segundo, olhando para a cama que eu vim compartilhando com o Stark pelas últimas semanas. Eu me deitei aconchegada nele, segurei sua mão, e descansei minha cabeça no seu ombro enquanto eu via ele dormir. Mas foi só isso. Ele nem tentou me provocar sobre beijar ele.
Merda! Ele tá muito ferido!
Eu me encolhi mentalmente enquanto relembrava quantas vezes o Stark sofreu por minha causa: uma flecha quase o matou porque ele tinha tomado o golpe que deveria ser pra mim; ele teve de ser fatiado e então destruiu parte dele para passar para o Outromundo para se juntar a mim; ele foi ferido mortalmente pelo Kalona porque ele acreditou que era o único modo de alcançar o que estava despedaçado em mim.
Mas eu também já o salvei, eu lembrei a mim mesma. Stark estava certo – assistir o Kalona brutalizá-lo me fez colocar-me junta, e devido a isso Nyx forçou Kalona a respirar um pedaço de imortalidade no corpo de Stark, retornando a sua vida e pagando o débito que ele devia por ter matado Heath. Eu andei pelo castelo lindamente decorado, acenando para os Guerreiros que se curvavam respeitosamente para mim, e pensei em Stark, automaticamente acelerando meu passo. O que ele estava pensando, se arrastando pra fora depois do que ele passou?
Inferno, eu não sabia o que ele estava pensando. Ele tem sido diferente desde que ele voltou.
Bem, é claro que ele está diferente, eu falei pra mim mesma severamente, me sentindo mal e desleal. O meu Guerreiro fez uma jornada até o Outromundo, morreu, foi ressuscitado por um imortal, e então trazido de volta para um corpo que estava fraco e ferido.
Mas antes mesmo. Antes de termos retornado ao mundo real, algo aconteceu entre nós. Algo mudou para nós. Eu pelo menos eu pensei que sim. Nós tínhamos sido superíntimos no Outromundo. Ele beber de mim foi uma experiência incrível. Foi algo mais do que sexo. Sim, foi bom. Muito, muito bom. Isso o curou, o fortaleceu e – de alguma forma – curou o que ainda estava quebrado dentro de mim, permitindo as minhas tatuagens a voltarem.
E essa nova aproximação com o Stark fez perder o Heath suportável.
Então porque eu estava me sentindo deprimida? O que tem de errado comigo?
Droga. Eu não sabia.
Uma mãe saberia. Eu pensei na minha mãe e senti uma solidão inesperada e terrível. Sim, ela tinha errado e basicamente escolhido um novo marido ao invés de mim, mas ela ainda era a minha mãe.
Eu sinto saudade dela, a pequena voz dentro de uma cabeça admitiu. Então eu balancei a minha cabeça. Não. Eu ainda tinha uma “mãe”. A minha avó era isso e mais pra mim.
— É a vovó que eu sinto falta. — E então, é claro, eu me senti culpada porque desde que eu voltei eu não liguei pra ela. Ok, claro, eu sabia que a Vovó sentiria que a minha alma tinha voltado – que eu estava a salvo. Ela sempre foi superintuitiva, especialmente sobre mim. Mas eu deveria ter ligado pra ela.
Sentindo-me realmente desapontada comigo e triste, eu mordi meu lábio e envolvi o cachecol de caxemira pelo meu pescoço, segurando as pontas perto de mim enquanto eu fazia meu caminho sobre a ponte e o vento batia em minha volta. Guerreiros estavam acendendo as tochas e eu cumprimentei os caras que se curvaram pra mim. Eu tentei não olhar para as caveiras assustadoramente empaladas que moldavam as tochas. Sério mesmo. Caveiras. Tipo de gente morta de verdade. Bem, eles eram todos velhos e acabados e bem sem pele, mas ainda sim, nojento. Deixando meus olhos cuidadosamente afastados, eu segui o caminho sobre a área que envolvia a parte de terra do castelo. Quando eu cheguei à estreita da estrada eu virei à esquerda. O Bosque Sagrado começava apenas um pouco longe do castelo, parecendo se alongar numa distância sem fim no outro lado da rua. Eu sabia aonde era porque eu me lembro de ser carregada, igual um corpo, passando por ele até a Sgiach. Eu sabia aonde era porque durante as últimas semanas, enquanto o Stark vem se recuperando, eu me senti atraída pelo bosque. Quando eu não estava com a rainha, ou Aphrodite, ou checando no Stark, eu vinha fazer longas caminhadas dentro dela. Isso me lembra do Outromundo, e o fato de que essa memória me confortava e me arrepiava ao mesmo tempo, me assustava.
Ainda sim, eu visitava o Bosque Sagrado, ou como o Seoras o chamava, o Croabh, mas eu sempre vinha durante as horas do dia. Nunca depois do pôr do sol. Nunca de noite.
Eu andei pela estrada. Tochas alinhavam a rua. Elas compunham sombras móveis sobre a beira do bosque, emprestando luz o suficiente para que eu pudesse ver um pouco do mundo mágico coberto de musgo dentro dos confins das árvores que nunca envelhecem. Parecia diferente sem o sol fazendo um toldo de galhos. Não era mais familiar, e eu senti uma sensação alfinetando pela minha pele, como se os meus sentidos estivessem em super alerta.
Meus olhos continuavam sendo puxados para as sombras dentro do bosque. Seriam elas mais pretas do que deveriam ser? Tinha algo não tão certo andando por ali? Eu tremi, e foi então quando eu peguei no fim da visão um movimento mais longe na rua. O meu coração pulou no meu peito enquanto eu olhava a minha frente, meio que esperando asas e frio, maldade e loucura…
Ao invés, o que eu vi teve o meu coração pulando por outros motivos. Stark estava ali, em pé em frente a duas árvores que estavam entrelaçadas juntas para formar uma.
Os galhos das arvores entrelaçadas estavam decoradas com pedaços de roupas amarradas juntas – algumas eram com cores vivas, algumas estavam desgastadas e rasgadas. Era a visão mortal da árvore que ficava no Bosque de Nyx no Outromundo, mas só porque está estava no mundo real não significava que era menos espetacular. Especialmente quando o cara estagnado na frente dela, olhando para os galhos, estava vestido com o plaid [saia masculina] xadrez MacUaliis colorido cor de terra, no jeito Guerreiro tradicional, completo com a adaga, o sporran [bolsa escocesa tradicional masculina] e todos os tipos de adornos sexys de couro com metal (como o Damien diria). Eu olhei para ele como se não o tivesse visto por anos. Stark parecia forte e saudável e totalmente lindo. Eu estava me distraindo pensando o que exatamente os Escoceses vestiam, ou não vestiam, por debaixo dessas saias quando ele se virou para mim.
O seu sorriso acendeu seus olhos. — Eu posso praticamente ouvir você pensando.
As minhas bochechas se esquentaram instantaneamente, especialmente já que o Stark tinha a habilidade de sentir as minhas emoções. — Você não deveria estar ouvindo ao menos que eu esteja em perigo.
O seu sorriso se tornou insolente e seus olhos brilharam perversamente. — Então não pense tão alto. Mas você está certa. Eu não deveria estar ouvindo porque o que eu estava captando de você era o contrário do que eu chamo de perigo.
— Engraçadinho — eu disse, mas não pude deixar de sorrir de volta.
— É, sou mesmo, mas eu sou o seu engraçadinho — Stark ofereceu a sua mão pra mim assim em que eu fui pro seu lado, e os nossos dedos se entrelaçaram. O seu toque era quente – as suas mãos fortes e seguras. Perto assim de mim eu podia ver que ele ainda tinha olheiras em baixo de seus olhos, mas ele não estava tão terrivelmente pálido quanto ele já esteve. — Você é você mesmo de novo!
— É, demorou um pouco; o meu sono tem sido estranho – não tão repousante quanto deveria ser, mas é como se um interruptor tivesse ligado dentro de mim hoje e eu finalmente recarreguei.
— Que bom. Eu estava tão preocupada com você. — Quando eu disse, eu percebi como isso era verdade e eu também disse — Eu também senti sua falta.
Ele apertou a minha mão e me trouxe mais perto dele. Todo o seu humor brincalhão evaporou. — Eu sei. Eu tenho sentido você distante e com medo. O que tem de errado?
Eu comecei a falar pra ele que ele estava errado – que eu apenas o estava dando espaço pra ele se recuperar, mas as palavras que se formaram e saíram dos meus lábios foram mais honestas. — Você tem se ferido bastante por causa de mim.
— Não por sua causa, Z. Eu tenho sido ferido por causa do que as Trevas faz – ela tenta destruir aqueles que lutam pela Luz.
— É, bem, eu queria que as Trevas pegassem no pé de algum outro por um tempo e deixasse você descansar — Ele trombou o seu ombro em mim.
— Eu sabia no que eu estava me metendo quando eu me jurei para você. Eu estava de boa antes – eu estou de boa agora – e eu ainda vou estar de boa daqui a cinquenta anos. E, Z, isso realmente não soa muito masculino e estilo-Guardião quando você diz que as Trevas estão pegando no meu pé.
— Olha, eu tô falando sério. Você quer saber o que tem de errado comigo, bem, eu estive preocupada que você pudesse ter se ferido até demais dessa vez — eu hesitei, lutando contra lágrimas não esperadas quando eu finalmente entendi. —Se ferido tanto que você não fosse melhorar. E então você também me deixaria.
A presença de Heath era tão palpável entre nós que eu meio que esperei ele aparecer do bosque e dizer Ei, Zo. Sem chorar. Você tem catarro até demais quando chora. E é claro que esse pensamento me fez teve mais dificuldade pra não chorar.
— Zoey me ouça. Eu sou o seu Guardião. Você é a minha rainha; isso é mais do que uma Alta Sacerdotisa, então a nossa ligação é até mais forte do que uma normal de um Juramento de Guerreiro.
Eu pisquei forte. — Isso é bom, porque parece que coisas ruins continuam tentando me afastar de todos que eu amo
— Nada jamais irá me afastar de você, Z. Eu fiz o meu juramento nisso. — Ele sorriu, e existia tanta confiança e confidência e amor em seus olhos que ele fez a minha respiração parar na minha garganta. — Você nunca vai se livrar de mim, mo bann ri.
— Bom — eu disse suavemente, inclinando minha cabeça no seu ombro enquanto ele me atraia pra dentro do meio circulo do seu braço. — Eu estou cansada dessa coisa toda de partir.
Ele beijou a minha testa, murmurando contra a minha pele, — É, eu também.
— Pensando melhor, eu acho que a verdade é que eu estou cansada. Ponto final. Eu também preciso recarregar — Eu olhei pra ele — Teria problema pra você se nós ficarmos aqui? Eu-eu apenas não quero ir embora e voltar para… para… — eu hesitei, sem saber como eu estava me sentindo em palavras.
— Para tudo – o bom e o ruim. Eu sei o que quer dizer — disse o meu Guardião. — Tudo bem pela Sgiach?
— Ela disse que nós poderíamos ficar até que a minha consciência me deixe — Eu disse, sorrindo um pouco sarcástica — E agora a minha consciência está definitivamente me deixando.
— Soa bom por mim. Eu não estou com pressa de voltar para todo o drama Neferet que está esperando por nós. Então nós ficamos por um tempo? — Stark me abraçou.
— Nós ficamos até você dizer pra irmos.
Eu fechei os meus olhos e descansei nos braços do Stark, sentindo que um grande peso foi tirado de mim. Quando ele perguntou:
— Ei ,você faria algo comigo? — a minha resposta foi instantânea e fácil:
— Sim, qualquer coisa.
Eu pude sentir ele rindo — Essa resposta me faz querer mudar o que eu queria te pedir.
— Não esse tipo de qualquer coisa — Eu dei um pequeno empurrão nele, mesmo apesar de estar sentindo ondas de alivio de ver o Stark definitivamente agindo como o Stark novamente.
— Não? — O seu olhar foi dos meus para os meus lábios, e ele de repente parecia menos engraçadinho e mais faminto – e esse olhar fazia o meu estomago tremer. Então ele se curvou e me beijou, forte e longo, e tirou completamente o meu fôlego. — Você tem certeza que não significa esse tipo de qualquer coisa? — ele perguntou, a sua voz mais grave e rouca do que o normal.
— Não. Sim.
Ele sorriu.
— Qual deles?
— Eu não sei. Eu não consigo pensar quando você me beija assim — eu disse pra ele honestamente.
— Então eu vou ter que fazer mais desse tipo de beijo — ele disse.
— Ok. — Eu disse, me sentindo com a cabeça leve e estranhamente com os joelhos bambos.
— Ok. — Ele repetiu — só que mais tarde. Agora eu vou te mostrar o quão forte Guardião eu sou e eu ficar com a pergunta original que eu iria perguntar. — Ele pôs a mão na sacola de couro que estava junto de seu corpo e tirou uma longa fita do xadrez MacUaliis, levantando para que ele flutuasse gentilmente na brisa. — Zoey Redbird, você amarraria os seus desejos e os seus sonhos para o futuro comigo em um nó nessa árvore?
Eu hesitei apenas por um segundo – apenas para sentir a dor aguda que era a ausência de Heath, a ausência de um futuro ligado que nunca poderia ser – e então eu pisquei os meus olhos até ficar livre de lágrimas e respondi o meu Guerreiro Guardião.
— Sim, Stark, eu amarrarei meus desejos e meus sonhos para o futuro com você.

2 comentários:

  1. Lindo! Mil vezes ela e Stark do q ela com o Erik... Melhor casal! Perfeitos!

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    Respostas
    1. Como tu ainda se lembra de Erik?!

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