8 de outubro de 2015

Capítulo 3 - Kalona

Ele não teve que voar longe para encontrar seus filhos. Kalona seguiu o fio da conexão que o liga à sua prole. Meus filhos leais, ele pensou, enquanto circundava os morros cobertos de árvores na área menos habitada de Tulsa. No topo do cume mais alto, Kalona desceu do céu, voando facilmente entre os galhos sem folhas por causa do inverno, até parar no meio de uma pequena clareira. Em volta dele, feitas nas próprias árvores, havia três construções de madeira, rústicas, mas robustas. O olhar aguçado de Kalona viu quando, de dentro das janelas, olhos vermelhos brilharam na sua direção.
Ele abriu os braços.
Sim, meus filhos, eu voltei! o som de asas foi um bálsamo para a sua alma. Eles saíram rapidamente das cabanas e se ajoelharam ao redor dele, curvando-se bastante, respeitosamente. Kalona contou. Havia sete. Onde estão os outros?
Todos os Corvos Escarnecedores se agitaram inquietos, mas apenas um rosto se voltou para cima para encontrar o seu olhar e apenas uma voz sibilante respondeu.
Essscondidosss no oessste. Perdidosss na área.
Kalona observou seu filho, Nisroc, comparando-o com aquele que ele sempre considerava seu filho favorito. Nisroc era quase tão desenvolvido quanto Rephaim. Seu modo de falar era quase humano. Sua mente era quase perspicaz. Mas ele era quase. Foi essa linha tênue que tornou Rephaim o filho em quem Kalona confiava, e não Nisroc.
Kalona cerrou e descerrou o maxilar. Ele havia sido tolo ao desperdiçar tanta atenção apenas com Rephaim. Ele tinha muitos filhos para escolher e favorecer. Era Rephaim quem tinha saído perdendo ao decidir partir. Rephaim só tinha um pai, e ele não iria conseguir substituí-lo por uma Deusa ausente e uma vampira que nunca iria amá-lo de verdade.
É bom que vocês estejam aqui Kalona disse interrompendo seus próprios pensamentos. Mas eu preferia que todos vocês tivessem ficado esperando a minha volta.
Elesss pegaram, eu não pude Nisroc disse. Rephaim morto...
Rephaim não está morto! Kalona o cortou rispidamente, fazendo Nisroc estremecer e abaixar a cabeça.
O imortal alado fez uma pausa e recuperou o autocontrole antes de continuar.
Apesar de que seria melhor para ele se ele estivesse mesmo morto.
Pai?
Ele escolheu servir a Sacerdotisa vampira Vermelha e à sua Deusa.
O grupo de Corvos Escarnecedores sibilou e se encolheu como se ele os tivesse golpeado.
Como é possível? Como? Nisroc perguntou.
É possível por causa das fêmeas e das suas manipulações Kalona respondeu sombriamente. Ele sabia muito bem como alguém podia ser uma presa fácil para elas. Ele inclusive havia caído por...
Subitamente, ao se dar conta do que estava dizendo, o imortal piscou e falou, mais para si mesmo do que para seu filho:
Mas as manipulações delas não vão durar muito! ele balançou a cabeça e quase sorriu. Por que não pensei nisso antes? Rephaim vai se cansar de ser o animal da Vermelha e, quando isso acontecer, ele vai perceber o erro que cometeu; um erro que não é totalmente seu. A Vermelha o manipulou e o envenenou. Ela fez com que ele ficasse contra mim. Mas isso é apenas temporário! Quando ela o rejeitar, porque no final ela fará isso, ele sairá da House of Night e voltar para o meu... Kalona cortou as próprias palavras, decidindo rápido.
Nisroc, leve dois de seus irmãos com você. Volte a House of Night. Observe. Seja cuidadoso. Vigie Rephaim e a Vermelha. Quando aparecer uma oportunidade, fale com ele. Diga que mesmo que ele tenha cometido esse erro terrível e se afastado de mim... Kalona fez uma pausa, cerrando o maxilar, totalmente desconfortável com a tristeza e a solidão que o invadiam sempre que ele pensava demais na escolha de Rephaim. O imortal alado reordenou seus pensamentos, dominou seus sentimentos e continuou a dar instruções para Nisroc.
Diga a Rephaim que, apesar de sua escolha ter sido me deixar, ainda há um lugar esperando por ele ao meu lado, mas esse lugar terá mais utilidade se ele permanecer na House of Night, mesmo depois que ele quiser partir.
Ele essspionar! Nisroc disse, e os outros Corvos Escarnecedores refletiram sua excitação com suas grasnadas características.
Ele vai, mas no momento não pode saber disso Kalona falou. Não deve ser visto por ninguém, exceto por Rephaim.
Não matar vampirosss?
Não, a menos que você seja ameaçado. Se isso acontecer, faça como quiser, desde que não seja pego, e não mate nenhuma Alta Sacerdotisa — Kalona falou devagar e claramente. Nunca é bom provocar uma Deusa sem necessidade, então as Grandes Sacerdotisas de Nyx não devem ser mortas ele franziu a testa para Nisroc, lembrando-se de seu filho que quase havia matado Zoey Redbird não muito tempo atrás e que tinha morrido por causa disso. Você entendeu as minhas ordens, Nisroc?
Sssim. Eu vou falar com ele. Observar Rephaim. Rephaim espionar.
Faça isso e volte antes de o sol iluminar o céu. Voem alto e rápido. Voem silenciosamente. Sejam como o vento da noite.
Sssim, Pai.
Kalona olhou em volta para a floresta espessa, apreciando o fato de os seus filhos terem encontrado um lugar alto e isolado para fazer o seu ninho.
Os humanos não vêm aqui? ele perguntou.
Sssó caçadores, e não maisss Nisroc respondeu.
Kalona levantou as sobrancelhas.
Vocês mataram humanos?
Ssssim. Doisss Nisroc se remexeu excitado. Nós os jogamos contra as pedras ele apontou uma pequena trilha na frente deles.
Curioso, Kalona deu passos largos até a beirada do precipício para olhar para baixo, onde as enormes linhas de transmissão que carregavam a magia elétrica do mundo moderno se estendiam diante dele. Os humanos haviam limpado a área em volta dos altos pilares, de modo que havia uma grossa faixa de terra que avançava no horizonte. A clareira expôs um enorme afloramento rochoso de arenito em Oklahoma, pontiagudos e letais, projetando-se na direção do céu.
Excelente Kalona disse, concordando com a cabeça em sinal de aprovação. Vocês fizeram parecer um acidente. Muito bom. Então ele se voltou para a clareira e para seus filhos, que se aglomeravam ali com todas as atenções focadas somente nele. Este lugar foi bem escolhido. Quero todos os meus filhos aqui em volta de mim. Nisroc, vá para a House of Night de Tulsa. Faça o que ordenei. Quanto ao resto de vocês, voem para o oeste. Chamem seus irmãos, tragam todos para mim. Aqui nós vamos esperar. Aqui nós vamos observar. Aqui nós vamos nos preparar.
Preparar? Para que, Pai? Nisroc perguntou, inclinando a cabeça.
Kalona se lembrou de como o seu corpo havia sido aprisionado e a sua alma arrancada dele e enviada para o Outromundo. Ele se lembrou de como, após a sua volta, ela o havia açoitado e escravizado, além de tê-lo tratado como se fosse sua propriedade.
Nós vamos nos preparar para destruir Neferet ele afirmou.

Rephaim

Todos olhavam para ele com desconfiança. Rephaim odiava isso, mas entendia. Ele havia sido um inimigo. Ele tinha matado um deles. Ele fora um monstro.
A verdade é que ele ainda podia ser um monstro.
Quando a primeira aula começou e uma professora que se apresentava como Penthasilea começou a ler e a falar sobre o livro Fahrenheit 451, escrito por um vampiro antigo chamado Ray Bradbury, e sobre a importância da liberdade de pensamento e de expressão, Rephaim tentou fazer as suas novas feições humanas aparentarem atenção e interesse, mas a sua mente escapulia.
Ele queria escutar a professora e não ter mais nada para se preocupar além do que ela chamava de “interpretação do simbolismo”, mas a sua transformação de garoto em corvo o obcecava.
Esse processo foi tão doloroso e assustador quanto importante. Ele não se lembrava de quase nada do que aconteceu depois disso. Apenas algumas imagens e sensações daquele dia permaneceram com ele.

Stevie Rae foi com ele dos profundos túneis de terra até a árvore mais próxima da estação – aquela que, não muito tempo atrás, serviu de rota de fuga do sol escaldante para eles.
Volte para dentro agora. Está começando a amanhecer ele disse a ela, tocando gentilmente sua bochecha.
Eu não quero te deixar ela respondeu, envolvendo-o com os seus braços e abraçando-o forte.
Ele se permitiu abraçá-la de volta apenas por um instante, e então, delicadamente, soltou seus braços e a guiou de volta firmemente para as grades sombreadas da entrada do porão.
Vá para baixo. Você está exausta. Precisa dormir.
Eu vou ficar olhando até você virar... você sabe. Um pássaro.
Ela havia sussurrado a última parte como se o fato de não falar em voz alta pudesse mudar as coisas. Era certamente uma bobagem, mas fez Rephaim sorrir.
Não importa se você diz isso ou não. Vai acontecer.
Ela suspirou.
Eu sei. Mas mesmo assim não quero deixar você Stevie Rae saiu das sombras, em direção à manhã que já se clareava, e pegou a mão dele.
Quero que você saiba que eu estou aqui.
Eu acho que um pássaro não sabe muita coisa sobre o mundo dos humanos ele disse, pois não sabia mais o que falar.
Você não vai ser um pássaro qualquer. Você vai se transformar em um corvo. E eu não sou uma humana. Sou uma vampira. Vermelha. Além disso, se eu não ficar aqui, como você vai saber para quem voltar?
Ele escutou um soluço na voz dela que fez seu coração doer.
Rephaim então beijou a mão dela.
Eu vou saber. Dou minha palavra. Eu sempre vou encontrar o caminho de volta para você ele esteve a ponto de dar um empurrãozinho nela em direção à entrada do porão quando uma dor nauseante atravessou seu corpo.
Agora, olhando para trás, ele percebia que deveria ter esperado por isso. Como poderia não ser doloroso se transformar de garoto humano em corvo? Mas seu mundo havia sido preenchido com Stevie Rae e o prazer simples, mas absoluto, de tomá-la em seus braços, beijá-la, abraçá-la forte...
Ele não havia gasto seu tempo pensando na besta.
Pelo menos, ele estaria preparado da próxima vez.
A dor o havia rasgado. Ele ouviu o grito de Stevie Rae ecoar o seu próprio. O seu último pensamento humano foi de preocupação com ela. A sua última visão humana fora dela chorando e balançando a cabeça de um lado para o outro. Ela estendeu o braço na direção a ele quando o animal tomou totalmente o lugar do humano. Ele se lembrava de ter aberto suas asas como se tivesse se alongando depois de ficar preso em uma cela pequena ou uma jaula. E de voar.
Ele se lembrava de voar.
Quando o sol se pôs, ele se viu com frio e nu abaixo da mesma árvore ao lado da estação. Ele tinha acabado de pôr as roupas que haviam sido deixadas cuidadosamente dobradas para ele em um banquinho quando Stevie Rae irrompeu do portão.
Sem hesitar, ela se atirou nos seus braços.
Você está bem? Mesmo? Está tudo ok? ela ficava repetindo enquanto o examinava e apalpava seus braços, como se procurasse ossos quebrados.
Eu estou bem ele garantiu. Então percebeu que ela estava chorando e envolveu seu rosto com as mãos, perguntando: O que foi? Por que você chora?
Você sentiu muita dor. Você gritou como se tivesse morrendo.
Não ele mentiu. Não foi tão ruim assim. Só me pegou de surpresa.
Sério?
Ele deu um sorriso como ele amava sorrir – e a puxou para seus braços, beijando seus cachos loiros e garantindo novamente.
Sério.

Rephaim?
Rephaim foi trazido bruscamente de volta para o presente pelo seu nome sendo chamado pela professora.
Sim? ele respondeu com seu próprio tom interrogativo.
Ela não sorriu para ele, mas também não zombou dele nem o repreendeu. Ela simplesmente disse:
Eu perguntei o que você acha que a citação na página sete quer dizer. Aquela em que Montag diz que o rosto de Clarisse tem uma luz que é como “um frágil cristal leitoso” e “a estranhamente confortável, rara e agradável chama de uma vela”. O que você acha que Bradbury está tentando dizer sobre Clarisse com essa descrição?
Rephaim ficou completamente pasmo. A professora estava fazendo uma pergunta a ele. Como se ele fosse apenas mais um calouro sonhador... Como os outros... Aceito.
Sentindo-se nervoso e totalmente exposto, ele abriu a boca e falou a primeira coisa que veio à cabeça.
Acho que ele esta tentando dizer que essa garota é única. Ele reconhece o quanto ela é especial e a valoriza.
A professora Penthasilea levantou a sobrancelha e por um instante terrível Rephaim achou que ela poderia ridicularizá-lo.
É uma resposta interessante, Rephaim. Talvez, se você mantivesse a sua mente mais focada no livro e menos em outras coisas, suas respostas passariam de interessante a brilhantes – ela observou, com uma voz seca e prática.
O-obrigado Rephaim gaguejou, sentindo o rosto esquentar.
Penthasilea fez um leve aceno com a cabeça antes de se virar para um estudante sentado mais na frente da classe e perguntar:
E sobre a pergunta final dela para ele nessa cena: “Você está feliz?” Qual é o significado?
Bom trabalho Damien sussurrou da sua mesa ao lado para Rephaim.
Rephaim não conseguiu responder. Ele só fez um sinal com a cabeça e tentou esconder a súbita leveza de espírito que ele sentia.
Você sabe o que aconteceu com ela? Com essa garota especial? o sussurro veio do calouro sentado bem a frente de Rephaim. Era um rapaz baixo e musculoso, com um perfil forte. Rephaim pôde ver claramente o desdém no seu rosto quando ele se virou para trás rapidamente sobre o ombro.
Rephaim balançou a cabeça. Não, ele não sabia.
Ela é assassinada por causa dele.
Rephaim sentiu como se tivesse levado um chute no estômago.
Drew, você tem algum comentário sobre Clarisse? a professora perguntou, levantando sua sobrancelha de novo.
Drew deu de ombros indiferentemente.
Não, senhora. Eu só estava dando ao menino-pássaro uma revelação sobre o futuro ele fez uma pausa e olhou sobre o ombro antes de dizer: Sobre o futuro do livro, quero dizer.
Rephaim a professora pronunciou o seu nome com uma voz que havia se tornado dura. Rephaim ficou surpreso de sentir o poder dela na sua pele. Na minha aula, todos os calouros são iguais. Todos são chamados pelos seus nomes corretos. O dele é Rephaim.
Professora P., ele não é um calouro Drew disse.
A professora bateu a mão na sua mesa e a classe inteira vibrou com o som e a energia.
Ele está aqui. E enquanto ele estiver aqui, na minha aula, ele vai ser tratado como qualquer outro calouro.
Sim, senhora Drew respondeu, abaixando a cabeça respeitosamente.
Ótimo. Agora que isso está resolvido, vamos discutir o projeto criativo que vocês vão fazer para mim. Quero que vocês escolham e deem vida a um dos muitos elementos simbólicos que Bradbury usa esse livro maravilhoso...
Rephaim não se mexeu enquanto a atenção da classe de desviava dele e do calouro Drew de volta para o livro. A frase “ela é assassinada por causa dele” não saía da sua cabeça. Era claro o que o Drew queria dizer.
Ele não estava falando sobre uma personagem em um livro. Ele estava se referindo a Stevie Rae, insinuando que ela acabaria morta por causa dele. Nunca. Enquanto ele respirasse, ele nunca iria permitir que nada nem ninguém machucassem a sua Stevie Rae.
Quando o sino tocou sinalizando o final da aula, Drew encarou Rephaim com um ódio inabalável.
Rephaim teve que se segurar para não atacá-lo. Inimigo! Sua velha natureza gritava. Destrua-o! Mas Rephaim abaixou o queixo e sustentou o olhar de Drew sem piscar enquanto o calouro esbarrava bruscamente ao passar por ele.
E não era só Drew que o encarava com ódio. Todos o encaravam de forma hostil, assustada ou horrorizada.
Ei Damien falou ao sair da classe com ele. Não se incomode com Drew. Ele tem uma queda por Stevie Rae. Só está com ciúmes.
Rephaim concordou e então esperou até que eles se afastassem dos outros estudantes e ninguém pudesse ouvir. Então, em voz baixa, ele disse:
Não é só o Drew. São todos. Eles me odeiam.
Damien fez um sinal para que ele o seguisse um pouco para fora do caminho, então ele parou e falou:
Você sabia que não seria fácil.
Isso é verdade. Eu só... Rephaim interrompeu o que ia dizer e balançou a cabeça. Não. É a pura verdade. Eu sabia que seria difícil os outros me aceitarem ele encontrou o olhar de Damien.
O calouro pareceu abatido. A tristeza o havia envelhecido. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Ele havia perdido o amor da sua vida, mas mesmo assim estava ali sendo gentil.
Obrigado, Damien ele disse.
Damien quase sorriu.
Por dizer a você que não seria fácil?
Não, por ser gentil comigo.
Stevie Rae é minha amiga. A gentileza é para ela.
Então você é um grande amigo Rephaim falou.
Se você é realmente o garoto que Stevie Rae acha que você é, você descobrirá que, quando está do lado da Deusa, você faz um monte de grandes amigos.
Eu estou do lado da Deusa Rephaim afirmou.
Rephaim, se eu não acreditasse nisso, não estaria ajudando você, não importa o quanto eu gosto de Stevie Rae Damien disse.
Rephaim concordou.
É justo.
Oi, Damien! um dos calouros vermelhos, um garoto muito baixo, correu em direção deles, deu uma olhada para Rephaim e então acrescentou rapidamente. Oi, Rephaim.
Oi, Ant Damien respondeu.
Rephaim fez um aceno com a cabeça, desconfortável com todo esse processo de saudações.
Ouvi que você tem esgrima a esta hora. Eu também!
Eu tenho Damien confirmou. Rephaim e eu estávamos apenas... ele fez uma pausa e então Rephaim observou várias emoções passarem pelo seu rosto, terminando com constrangimento. Ele suspirou pesadamente antes de dizer: Ahn, Rephaim, Dragon Lankford é o professor de esgrima.
Então Rephaim entendeu.
Isso, ahn, não é bom Ant comentou.
Acho que é melhor eu ficar aqui, esteja Dragon lá ou não. Se eu for com você só vai causar... – a voz de Rephaim desapareceu porque ele só conseguia pensar em palavras como caos, problema e desastre.
Dissabor Damien preencheu o silêncio por ele. Provavelmente causaria dissabor. Talvez você deva matar a aula de esgrima hoje.
Parece melhor Ant opinou.
Vou esperar por você Rephaim fez um gesto vago em direção à área de árvores em volta deles.
Eles não estavam longe de um dos muros da escola onde, junto à fachada de pedra, havia um carvalho particularmente grande, embaixo do qual tinha um banco de ferro forjado.
Vou ficar sentado ali.
Combinado, eu venho encontrar você depois da esgrima. A próxima aula é espanhol. A professora Garmy é muito agradável. Você vai gostar dela Damien disse enquanto ele e Ant se dirigiam ao ginásio.
Rephaim concordou com a cabeça, acenou e se forçou a sorrir por que Damien continuou preocupado, dando olhadas por sobre o ombro para ele. Quando os dois calouros finalmente saíram de vista, Rephaim foi até o banco e se sentou pesadamente.
Ele ficou contente por ter um tempo sozinho, em que ele podia baixar a guarda, podia relaxar os ombros e não se preocupar com os olhares dos outros. Ele se sentia como um forasteiro! No que ele estava pensando quando disse que queria ser normal é ir para a escola como todo mundo? Ele não era todo mundo.
Mas ela me ama. A mim. Assim como eu sou, Rephaim lembrou a si mesmo, e pensar nisso o fez se sentir melhor – com o espírito um pouco mais leve.
Então, como ele estava sozinho, disse em voz alta.
Eu sou Rephaim e Stevie Rae me ama do jeito que eu sou.
Rephaim! Não!
A voz semi-humana sussurrada veio dos galhos do carvalho. Com uma terrível sensação de pavor, Rephaim olhou para cima para ver três Corvos Escarnecedores, três dos seus irmãos, empoleirados lá em cima, olhando para ele em choque e sem acreditar no que viam.

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