3 de outubro de 2015

Capítulo 29

Eu não sei quantas horas passaram. Eu mandei Darius e Aphrodite de volta para a escola – sob protesto – mas Aphrodite sabia que eu precisava dela para se certificar de que tudo estava bem lá, então eu não teria que me preocupar enquanto estivesse aqui, me preocupando com vovó, e lembrar isso a ela finalmente fez ela ir embora. E eu prometi a Darius que não sairia do hospital a não ser que eu chamasse uma carona para ele, embora a escola fosse a menos de um quilômetro de distância, e seria mega-fácil eu voltar a pé.
O tempo passa estranhamente na UTI. Não havia uma janela para o lado de fora e, a não ser pelos instrumentos de ficção científica e batidas e cliques das máquinas do hospital, o quarto era escuro e quieto. Eu imaginei que era como esperar no quarto da morte, o que totalmente me assustou. Mas eu não poderia deixar vovó. Eu não poderia deixar ela, não a não ser que alguém pronto para batalhar com demônios tomasse meu lugar. Então eu sentei e esperei e continuei olhando o corpo adormecido dela enquanto lutava para se curar.
Eu estava sentada ali, segurando a mão dela e suavemente cantando as palavras de uma canção Cherokee que ela gostava de cantar para mim quando Irmã Mary Angela finalmente entrou no quarto.
Ela olhou para mim, olhou para minha avó, e então abriu os braços. Eu corri até os braços dela, reprimindo meu choro contra o suave material do hábito dela.
— Shh, agora. Tudo ficará bem, criança. Ela está na mão da nossa Senhora agora — ela murmurou enquanto dava tapinhas nas minhas costas.
Quando eu finalmente consegui falar, eu olhei para ela e pensei que nunca tinha ficado tão feliz por ver alguém na minha vida. — Muito obrigado por vir, Irmã.
— Fiquei honrada por você me chamar, e sinto muito por ter demorado tanto para chegar aqui. Eu tive que apagar algumas fogueiras antes de sair do mosteiro — ela disse. Ainda mantendo um braço ao meu redor, ela andou até o lado de vovó.
— Está tudo bem. Só estou feliz que você esteja aqui agora. Irmã Mary Angela, essa é minha vó, Sylvia Redbird — eu disse em uma voz meio estrangulada. — Ela tem sido minha mãe e pai. Eu a amo muito.
— Ela deve ser uma mulher bem especial para ter uma neta tão devotada.
Eu olhei rapidamente para Irmã Mary Angela. — Esse hospital não sabe que sou uma caloura.
— Não deveria importar o que você é — a freira disse firmemente. — Se você ou seu familiar precisa de companhia e cuidado, eles devem prover isso.
— Nem sempre funciona assim — eu disse.
Os olhos sábios dela me estudaram. — Infelizmente, eu devo concordar com você.
— Então você me ajudará sem dizer a eles quem eu sou?
— Eu vou — ela disse.
— Bom, porque vovó e eu precisamos da sua ajuda.
— O que eu posso fazer?
Eu olhei para vovó. Ela parecia estar descansando pacificamente como ela tinha estado desde que eu havia sentado ao lado dela. Eu não ouvi mais asas de pássaros, e não senti nenhuma premonição do mal. E ainda sim eu estava relutante em deixar ela sozinha, mesmo que fosse apenas por alguns minutos.
— Zoey?
Eu olhei para os sábios e gentis olhos dessa incrível freira e contei a ela a verdade. — Eu preciso falar com você, e eu não quero fazer aqui, onde podemos ser interrompidas ou ouvidas, mas estou assustada por deixar minha avó sozinha e sem proteção.
Ela me olhou calmamente, nem um pouco perturbada por minha estranheza. Então ela colocou a mão num dos bolsos da frente do volumoso hábito preto e tirou uma linda e detalhada estatueta da Virgem Maria.
— Iria acalmar sua mente se eu deixasse Nossa Senhora aqui com sua avó enquanto você e eu conversamos?
Eu acenei. — Eu acho que iria, Irmã — eu disse, tentando não analisar do porque eu ficar tão segura por um ícone da mãe do cristianismo que uma freira tinha trazido consigo. Eu só tinha um pressentimento que estava dizendo que eu podia confiar na freira e na “mágica” que ela carregava.
Irmã Mary Angela colocou a pequena estátua da Maria na cabeceira de vovó. Então ela curvou a cabeça e junto as mãos. Eu podia ver ela movendo os lábios, mas as palavras dela eram tão suaves que eu não podia as ouvir. A freira fez o sinal da cruz, beijou seus dedos, e tocou a estátua de leve, e então ela e eu saímos do quarto de vovó.
— Ainda é dia do lado de fora? — eu perguntei.
Ela olhou para mim surpresa. — Não é dia a horas, Zoey. São 10 da noite.
Eu esfreguei meu rosto. Eu estava exausta. — Você se importa de andar lá fora um pouco comigo? Eu tenho que te contar muitas coisas complexas, e vai ser mais fácil se eu puder sentir o ar da noite me cercando.
— Está uma adorável noite fresca. Ficaria feliz por dar uma volta com você.
Nós andamos pelo labirinto de St. John e finalmente saímos pelo lado leste, do lado da rua Utica e da linda fonte de cachoeira do outro lado da rua no canto da Vinte e um com a Utica.
— Quer andar até a fonte? — eu perguntei.
— Lidere o caminho, Zoey — Irmã Mary Ângela disse com um sorriso.
Não conversamos enquanto andávamos. Eu olhei ao nosso redor, tendo cuidado com imagens de pássaros distorcidos escondidos nas sombras, ouvindo os sons que passavam muito facilmente por simples corvos. Mas não havia nada. A única coisa que eu senti na noite ao nosso redor foi espera. E eu não sabia se esse era um bom ou um mau sinal.
Havia um banco perto da fonte. Ele ficava na frente da estátua de mármore de Maria cercada por cordeiros e pastores que decoravam a parte sudeste do hospital. Também havia uma bonita estatua de Maria totalmente colorida, usando a famosa manta azul, dentro da emergência. Estranho como eu não notei quantas estátuas haviam de Maria por aqui até agora.
Eu fiquei sentada no banco por um tempo, só descansando na brisa silenciosa da noite, quando eu respirei fundo e virei no banco para poder olhar para Irmã Mary Angela.
— Irmã, você acredita em demônios? — Eu decidi ir direto ao assunto. Não havia porque enrolar. Além do mais, eu não tinha o tempo ou a paciência para isso.
Ela ergueu as sobrancelhas cinzas. — Demônios? Bem, sim, eu acredito. Demônios e a igreja católica tem uma longa e turbulenta história.
Então ela só olhou firmemente para mim, esperando como se fosse minha vez. Essa era uma das coisas que eu mais gostava na Irmã Mary Angela. Ela não era um daqueles adultos que acham que é seu trabalho terminar uma frase por você. Ela também não era um daqueles adultos que não aguentava ficar quieto e esperar enquanto um garoto colocava os pensamentos em ordem.
— Você já conheceu algum pessoalmente?
— Não um real, não. Eu tive alguns contatos próximos, mas todos eles acabaram sendo ou pessoas muito doentes ou pessoas muito desonestas.
— E que tal anjos?
— Se eu acredito ou se conheço algum?
— Os dois — eu disse.
— Sim e não, nessa ordem. Embora eu prefira encontrar um anjo do que um demônio, se for minha escolha.
— Não tenha tanta certeza.
— Zoey?
— A palavra Nefilim soa familiar para você?
— Sim, são referencias no Antigo Testamento. Alguns teológicos assumem que Golias era um Nefilim, ou o filho de um.
— E Golias não era um cara bom, certo?
— Não de acordo ao Velho Testamento.
— Ok, bem, eu preciso te contar uma história sobre outro Nefilim. Ele também não era um cara bom. É uma história que vem do povo da minha avó.
— O povo dela?
— Ela é Cherokee.
— Oh, então prossiga, Zoey. Eu gosto dos contos Nativo Americanos.
— Bem, segure sua felicidade. Essa não é uma história para dormir. — Então eu contei uma versão abreviada do que vovó tinha me dito sobre Kalona, os Tsi Sgili, e os Corvos Escarnecedores.
Eu terminei a história com a prisão de Kalona e a música perdida dos Corvos Escarnecedores que profetizaram que o pai deles retornaria. Irma Mary Ângela não disse nada por vários minutos. Quando ela falou, foi estranho o quanto ela ecoou a minha primeira reação a história.
— As mulheres fizeram o que era um pouco mais do que uma mulher de barro ganhar vida?
Eu sorri. — Foi o que eu disse para vovó quando ela me contou a história.
— E como ela respondeu?
Eu podia ver pela expressão serena no rosto dela que ela esperava que eu risse e falasse que vovó tinha explicado que era um conto de fadas, ou talvez uma alegoria religiosa. Ao invés disso eu contei a ela a verdade.
— Vovó me lembrou que mágica existe. E que os ancestrais dela, que são meus ancestrais também, não são menos acreditáveis do que uma garota que pode convocar os cinco elementos.
— Você está dizendo que esse é o seu dom e é por isso que você é tão importante a ponto de precisar um guerreiro te escoltar aos Gatos de Rua? — Irmã Mary Angela disse.
Eu podia ver nos olhos dela que ela não queria me chamar de mentirosa e quebrar nossa amizade recém formada, mas ela não acreditava em mim. Então eu levantei dei um breve passo para longe do banco para ficar fora da luz abrasiva do poste de luz. Eu fechei meus olhos e respirei profundamente o frio ar da noite. Eu não tive que pensar muito para encontrar o leste. Ele veio para mim naturalmente. Eu virei para o St. John, que era do outro lado da rua e na direção do leste de onde eu estava. Eu abri meus olhos, e sorrindo eu disse, — Vento, você respondeu meu chamado frequentemente nos últimos dias. Eu honro você por sua lealdade e peço que você me responda mais uma vez. Venha até mim, vento!
Não havia virtualmente nenhuma brisa na noite, mas no momento que eu invoquei o primeiro elemento, uma doce e provocadora brisa começou a passar por mim. Irmã Mary Angela estava perto o bastante para sentir o vento me obedecer. Ela teve que colocar uma mão na touca para que ela não saísse voando da cabeça dela. Eu ergui minhas sobrancelhas para o olhar surpreso dela. Então virei a minha direita, olhando para o sul.
— Fogo, a noite está fria e, como sempre, precisamos da sua proteção e calor. Venha até mim, fogo!
O frio vento de repente ficou morno, até quente. Eu podia ouvir o som de uma lareira me cercando, e pareceu que Irmã Mary Ângela e eu estavamos prontas para assar salsichas numa noite quente de verão.
— Meu Deus! — eu a ouvi arfar.
Eu sorri e virei para a minha direita de novo. — Água, precisamos da sua limpeza e alivio que o calor do fogo trás. Venha até mim, água!
Eu fiquei mais do que um pouco aliviada quando senti o calor instantaneamente parar com o cheiro e toque de uma chuva de primavera. Minha pele não se molhou, mas deveria. Era como estar no meio de uma tempestade e ser lavada, esfriada, e renovada.
Irmã Mary Angela ergueu o rosto para o céu e abriu a boca, como se ela achasse que podia pegar uma gota de chuva.
Eu continuei a minha direita. — Terra, eu sempre me sinto próxima a você. Você nutre e protege. Venha até mim, terra!
A chuva de primavera se metaforizou em um recém cortado campo de feno. A chuva que esfriou a brisa agora estava cheia do cheiro de alfafa e sol e o som feliz de crianças brincando.
Eu olhei para a freira. Ela ainda estava sentada no banco, mas ela tirou a touca para que o curto cabelo cinza soprasse ao redor do rosto dela e ela riu e respirou profundamente a brisa de verão, fazendo ela parecer uma bonita criança de novo.
Ela sentiu meu olhar nela e encontrou meus olhos logo antes de eu erguer meus braços por cima da minha cabeça. — É o espírito que nos une, e o espírito que nos faz únicos. Venha até mim, espírito!
Como sempre uma familiar sensação da minha alma sendo erguida me pegou e me encheu enquanto o espírito respondia meu chamado.
— Oh! — o arfar da Irmã Mary Angela não soou assustado ou irritado. Soava apavorado. Eu observei a freira curvar a cabeça e pressionar o rosário que ela usava no pescoço sobre o coração.
— Obrigado, espírito, terra, água, fogo, e vento. Vocês podem partir com meu agradecimento. Eu aprecio vocês! — Eu disse, jogando meus braços abertos para os elementos que me circulavam brincando e então desapareceram na noite.
Devagar, eu voltei para o banco e sentei ao lado da Irmã Mary Angela, que estava alisando o cabelo e recolocando a touca. Finalmente ela olhou para mim.
— Eu suspeitava há muito tempo.
Não era isso que eu esperava que ela dissesse. — Você suspeitava que eu podia controlar elementos?
Ela riu. — Não, criança. Eu suspeitava que o mundo está cheio de poderes não vistos.
— Sem ofensa, mas é estranho ouvir uma freira dizer isso.
— Verdade? Eu não acho que é tão estranho quando você lembra que eu estou casada com o que em essência é um espírito. — Ela hesitou, então continuou, — E eu tenho sentido as ondas desses poderes –
— Elementos — eu interrompi. — Eles são os cinco elementos.
— Eu me corrijo. Eu tenho sentido a onda desses elementos frequentemente antes no nosso mosteiro. Diz a lenda que o mosteiro foi construído num antigo lugar de poder. Você vê, Zoey Redbird, caloura Sacerdotisa, o que você me mostrou hoje é mais uma validação do que um choque.
— Huh, bem, é bom ouvir isso.
— Então, você estava explicando como as Mulheres Ghigua criaram uma virgem de barro para prender o anjo caído, e os Corvos Escarnecedores cantaram uma canção sobre o retorno deles, e eles se transformaram em espíritos? Então o que acontece?
Eu ri para o jeito “aliás” que ela falou antes da minha expressão ficar séria de novo.
— Aparentemente nada aconteceu por muitos anos – como mil anos ou algo assim. Então, alguns dias atrás, eu comecei a ouvir o que eu achei que eram corvos fazendo barulhos odiosamente na noite.
— Você não acha que eles são corvos?
— Eu sei que não são. Primeiro, cacarejar não é o que eles fazem – eles grasnam.
Ela acenou. — Urubus cacarejam. Corvos grasnam.
Eu acenei. — Foi o que eu recentemente aprendi. Segundo, não só eu fui atacada por dois deles, mas eu vi um ontem a noite. Ele estava ouvindo na minha janela enquanto vovó e eu estávamos dizendo que ela iria vir para cá enquanto eu dormia. Foi enquanto ela estava dirigindo que ela teve esse estranho, e quase fatal, ‘acidente’. — Eu fiz aspas no ar quando falei acidente. — Testemunhas dizem que o que causou foi um enorme pássaro preto voando diretamente para o carro dela.
— Mãe de Deus! Porque um Corvo Escarnecedor estava atrás da sua avó?
— Eu acho que ele estava atrás dela para me atingir e se certificar que ela não nos ajude mais do que já ajudou.
— Ajudar você e quem mais com o que?
— Me ajudar e meus amigos calouros. A maior parte deles tem afinidades singulares com os elementos, e um dos meus amigos tem visões que avisam sobre coisas ruins que vão acontecer – normalmente morte e destruição, você sabe, coisas normais para uma visão.
— Essa seria Aphrodite, a adorável mocinha que – graças a Deus – adotou Malévola ontem?
Eu ri. — Yeah, essa é a Garota da Visão. E não, nenhum de nós está muito feliz com a adoção de Malévola. — Irmã Mary Ângela riu, e eu continuei. — De qualquer forma, Aphrodite viu o que achamos que seja a profecia dos Corvos Escarnecedores na última visão, e ela a escreveu.
O rosto de Irmã Mary Ângela ficou pálido. — E a profecia prevê o retorno de Kalona?
— Sim, o que aparentemente está acontecendo agora.
— Oh, Maria! — ela perdeu o fôlego, fazendo o sinal da cruz.
— É por isso que preciso da sua ajuda — eu disse.
— Como posso ajudar em impedir a profecia de se tornar realidade? Eu sei algumas coisas sobre os Nefilim, mas nada específico sobre as lendas Cherokee.
— Não, eu acho que descobrimos a maior parte, e hoje à noite vamos começar algumas coisas que vão prejudicar a habilidade da profecia se cumprir completamente. O que eu preciso que você me ajude é com vovó. Veja bem, os Corvos Escarnecedores estavam certos. Mexendo com ela, eles mexem comigo. Eu não vou deixar ela sozinha para eles a atormentarem. O pessoal em St. John não vai chamar um Homem da Medicina porque eles não gostam de coisas pagãs. Então eu preciso de alguém que é espiritualmente poderoso, e que acredita em mim.
— Então é aí que eu entro — ela disse.
— Sim. Você vai me ajudar? Você vai ficar com minha avó e a proteger dos Corvos Escarnecedores enquanto eu tento mandar a profecia de volta para milhares de anos atrás?
— Eu adoraria. — Ela levantou e começou a andar firmemente pela calçada. Ela olhou para trás para mim. — O que? Você achou que teria que conjurar o vento para me empurrar de volta para lá?
Eu ri e atravessei a rua com ela. Dessa vez quando ela parou diante da estátua de Maria diante da sala de espera, curvando a cabeça e sussurrando uma breve reza, eu não esperei impaciente. Dessa vez eu olhei para a estátua da Virgem, notando pela primeira vez a bondade no rosto dela e a sabedoria nos olhos dela. E enquanto Irmã Mary Angela estava de joelhos, eu sussurrei, — Fogo, preciso de você. — Quando senti o calor crescer ao meu redor, eu o coloquei na minha mão e então passei minha mão por uma das velas que estava, apagada, no pé da estatua. Instantaneamente, junto com mais meia dúzia, elas se acenderam. — Obrigado, fogo. Você pode ir brincar agora — eu disse.
A Irmã Mary Angela não disse nada; ela só pegou uma das velas acessas e olhou para mim com expectativa. Quando eu não disse nada, ela falou, — Você tem 25 centavos?
— Yeah, eu acho que sim. — Eu afundei minha mão no bolso da minha jeans e tirei o troco que eu recebi da máquina de coca mais cedo. Havia duas de 25 centavos, duas de 10, e uma de cinco centavos. Sem ter certeza do que ela queria que eu fizesse, eu entreguei o troco para ela.
Ela sorriu e disse, — Bom, coloque tudo no lugar dessa vela, e vamos subir.
Eu fiz o que ela mandou e então andamos de volta para o quarto da vovó enquanto ela protegia a vela com a mão.
O barulho de asas não nos saudou quando entramos no quarto da minha avó. E não haviam sombras negras que passavam repentinamente pela minha visão. Irmã Mary Angela foi para a estátua de Maria e colocou a vela na frente dela; então ela sentou na cadeira que eu estava usando para ficar sentada o dia toda e tirou o rosário do pescoço dela. Sem olhar para mim, ela disse, — Não é melhor você ir, criança? Você tem sua própria batalha para travar.
— Yeah, eu tenho. — Eu corri para o lado da cama da vovó. Ela não se moveu, mas eu tentei acreditar que a cor dela parecia um pouco mais saudável e que o coração dela ainda batia forte. Eu beijei a testa dela e sussurrei, — Eu amo você, vovó. Eu volto logo. Até lá, Irmã Mary Ângela vai ficar com você. Ela não vai deixar os Corvos Escarnecedores levarem você.
Então eu me virei para a freira que parecia tão serena e de outro mundo sentada na cadeira do hospital, segurando o rosário na pequena luz da vela que fazia sombra nela e na deusa dela. Eu estava abrindo a boca para agradecer quando ela falou primeiro.
— Não precisa me agradecer, criança. É meu trabalho.
— Sentar com os doentes é seu trabalho?
— Ajudar o bem a manter o mal longe é meu trabalho.
— Estou feliz por você ser bom nele — eu disse.
— Como eu.
Eu me curvei e a beijei suavemente, e ela sorriu. Mas havia mais uma coisa que eu precisava dizer antes de sair. — Irmã, se eu não fizer... se meus amigos e eu não impedirmos Kalona de se reerguer, vai ser ruim para as pessoas ao redor daqui, especialmente mulheres. Você precisa ir para algum lugar subterrâneo. Você conhece algum lugar, como um porão ou uma adega ou até uma caverna, que você possa ir rapidamente e ficar por um tempo?
Ela acenou. — Debaixo do nosso mosteiro tem uma enorme adega que foi usada para muitas coisas. Incluindo esconder bebida ilegal nos anos 20, se podemos acreditar em antigas histórias.
— Bem, é para onde você deve ir. Pegue as outras freiras – diabos, leve todo o Gatos de Rua também. Só vá para o subterrâneo. Kalona odeia a terra, e ele não vai seguir você para lá.
— Eu entendi, mas vou acreditar que você será vitoriosa.
— Eu espero que você tenha razão, mas prometa que você vai para o subterrâneo se eu não for, e que você irá levar vovó com você. — Eu olhei nos olhos dela, esperando que ela me lembrasse que levar uma mulher ferida para fora da UTI e levar para uma adega não seria fácil.
Ao invés disso ela sorriu serenamente. — Você tem minha palavra.
Eu pisquei surpresa para ela.
— Você achou que era a única que podia fazer mágica? — A sobrancelha da freira se ergueu para mim. — Pessoas raramente questionam as ações de uma freira.
— Huh. Bem, ótimo. Ok, então, eu tenho o seu celular. Mantenha ele próximo. Eu te ligo assim que puder.
— Não se preocupe com sua avó ou eu. Mulheres velhas sabem cuidar de si.
Eu beijei a bochecha dela de novo. — Irmã, você é exatamente como minha avó. Vocês duas nunca serão velhas.

2 comentários:

  1. "— Não importa o que aconteça, eu quero que você prometa que vai lembrar que Kalona não deve se erguer. Nada e ninguém é mais importante que isso."

    Traduzindo: esteja pronta pra fazer sacrifícios. CRLH o negócio vai ser tenso

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  2. gente apaixonei pela freirinha !!!!!

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