1 de outubro de 2015

Capítulo 29

A chama em minha palma emitiu faíscas e desapareceu quando o choque quebrou minha concentração. — Stevie Rae! — Eu comecei a dar um passo em direção a ela, mas a verdade da aparência dela me atingiu e senti meu corpo ficar frio e duro. Ela parecia terrível – pior do que no meu sonho visão. Não era tanto sua pálida magreza e o horrível cheiro errado que saia dela e a fazia parecer mudada. Era a expressão dela. Viva, Stevie Rae era a pessoa mais gentil que eu conheci. Mas agora, o que quer que ela fosse – morta, morta viva, bizarramente ressucitada – ela estava diferente. Os olhos dela eram cruéis e chatos. O rosto dela não tinha expressão nenhuma a não ser uma, e aquela emoção era ódio.
— Stevie Rae, o que aconteceu com você?
— Eu morri. — A voz dela era uma virada e mal formada sombra do que algum dia havia sido. Ela ainda tinha seu sotaque Okie, mas a suave delicadeza que a preenchia tinha sumido completamente. Ela soava como um lixo maldoso.
— Você é um fantasma?
— Um fantasma? — A risada dela era um desprezo. — Não, eu não sou porcaria de fantasma nenhum.
Eu engoli e senti uma tonta onda de esperança. — Então você está viva?
Ela curvou os lábios em um sorriso sarcástico que parecia tão errado no rosto dela que fez meu físico adoecer. — Você diz que eu estou viva, mas eu digo que não é tão simples. Mas também, não sou tão simples como costumava ser.
Bem, pelo menos ela não tinha assoviado para mim como aquele Elliott tinha. Stevie Rae estava viva. Eu me segurei com força naquele milagre, engolindo meu medo e repulsão, e me mexendo tão rapidamente que ela não teve tempo de se afastar (ou me morder, ou o que fosse), eu a segurei, ignorando o horrível cheiro dela, e a abracei forte. — Estou tão feliz que você não esteja morta! — Eu sussurrei para ela.
Era como abraçar um pedaço grande de pedra. Ela não se afastou de mim. Ela não me mordeu. Ela não reagiu, mas as criaturas ao nosso redor reagiram. Eu podia ouvir eles sussurrando e assoviando. Eu soltei ela e me afastei.
— Não me toque de novo — ela disse.
— Stevie Rae, tem algum lugar em que possamos conversar? Eu preciso levar Heath para casa, mas eu posso voltar e encontrar você. Ou talvez você possa voltar para a escola comigo?
— Você não entende nada, entende?
— Eu entendo que algo ruim aconteceu com você, mas você ainda é minha melhor amiga, então podemos dar um jeito nisso.
— Zoey, você não vai a lugar nenhum.
— Ótimo — eu propositalmente fingi que entendi errado a ameaça dela. — Eu acho que podemos conversar aqui, mas, bem... — Eu olhei para as nojentas criaturas. — Não é muito privado, e também é nojento aqui embaixo.
— Sóóóóóó mate eles! — Elliott resmungou atrás de Stevie Rae.
— Cale a boca, Elliott! — Stevie Rae e eu surtamos ao mesmo tempo. Os olhos dela encontraram os meus e eu juro que vi algo que era mais do que apenas raiva e crueldade.
— Você sabe que eles não podem viver agora que nosssss virraaam — Elliott disse. As outras criaturas ficaram inquietas, fazendo diabólicos barulhinhos de concordância.
Então uma garota saiu do bando de criaturas. Ela obviamente costuma ser linda. Mesmo agora havia uma assustadora sedução nela. Ela era alta e loira, e se movia mais graciosamente que os outros. Mas quando olhei nos olhos vermelhos dela só vi maldade.
— Se você não pode fazer, eu faço. Eu pego o macho primeiro. Eu não me importo que o sangue dele tenha sido manchado por um Imprint. Ele ainda é quente e vivo — ela disse, e ela pareceu dançar em direção a Heath.
Eu parei na frente dele, bloqueando o caminho dela. — Toque ele e você morre. De novo — eu disse.
Stevie Rae interrompeu a risada assoviada dela.
— Volte com os outros, Vênus. Você não ataca até eu mandar.
Vênus. O nome remexeu minha memória. — Venus Davis? — eu disse.
A loira bonita estreitou seus olhos para mim. — Como você me conhece, caloura?
— Ela sabe várias coisas — Heath disse, parando perto de mim. Ele estava usando o que eu costumava chamar de sua voz de jogador. Ele soava durão e irritado e totalmente pronto para uma luta. — E eu estou cheio de todos você criaturas fudidas.
— Porque isso está falando? — Stevie Rae cuspiu.
Eu suspirei e virei os olhos. Eu concordo com Heath – eu estava totalmente cheia de toda essa assustadora estranheza. Era hora de nós sairmos dali, e também era hora da minha melhor amiga começar a agir como a pessoa do qual eu vi o deslumbre em seus olhos. — Ele não é isso. Ele é o Heath. Lembra, Stevie Rae? Meu ex-namorado?
— Zo. Não sou seu ex-namorado. Sou seu namorado.
— Heath. Eu te disse antes que isso entre nós não pode funcionar.
— Anda, Zo, a gente teve um Imprint. Isso significa você e eu, baby! — Ele riu para mim como se estivéssemos no meio do baile de formatura ao invés do meio de um grupo de criaturas mortas vivas que queriam nos comer.
— Isso foi um acidente, e vamos ter que falar sobre isso, mas essa definitivamente não é hora.
— Oh, Zo, você sabe que me ama. — O sorriso de Heath não diminuiu nem um pouco.
— Heath, você é o cara mais teimoso que eu já conheci. — Ele piscou para mim e eu não consegui me impedir de sorrir para ele. — Ótimo. Eu amo você.
— O que estáááá acontecendo... — a nojenta criatura Elliott assoviou. O resto das horríveis coisas que nos cercavam se moviam inquietas, e Vênus deu um passo mais perto de Heath. Eu me forcei a não tremer ou gritar ou o que fosse. Ao invés disso, uma estranha calma se apoderou de mim. Eu olhei para Stevie Rae, e de repente eu sabia o que precisava dizer. Eu pus minhas mãos nos quadris e a encarei.
— Diga a ele — eu disse. — Diga a todos eles.
— Dizer o que? — Ela estreitou os olhos vermelhos perigosamente.
— Diga a eles o que está acontecendo aqui. Você sabe. Eu sei que você sabe.
O rosto de Stevie Rae se contorceu, e as palavras soaram como se estivessem sendo violentamente tiradas da garganta dela.
— Humanidade! Eles estão mostrando a humanidade deles. — As criaturas reclamaram como se água benta tivesse sido jogada neles (e por favor, esse é um clichê tão nada verdadeiro sobre vampiros).
— Fraqueza! É por isso que somos mais fortes que eles. — Vênus curvou os lábios. — Porque é uma fraqueza que não temos mais.
Eu ignorei Vênus. Eu ignorei Elliott. Diabos, eu ignorei todos eles e olhei para Stevie Rae, forçando ela a encontrar meus olhos, e me forçando a não olhar para longe ou me esquivar do seu olhos vermelhos e brilhantes.
— Besteira — eu disse.
— Ela está certa — Stevie Rae disse. A voz dela era mais fria do que maldosa. — Quando morremos, a nossa humanidade morreu junto.
— Isso pode ser verdade com eles, mas não acredito que seja verdade com você — eu disse.
— Você não sabe nada sobre isso, Zoey — Stevie Rae disse.
— Eu não preciso. Eu conheço você, conheço nossa deusa, e isso é tudo que preciso saber.
— Ela não é mais minha deusa.
— Verdade, assim como sua mãe não é mais sua mãe? — Eu sabia que tinha acertado um nervo quando eu a vi se curvar como se tivesse com uma dor física.
— Eu não tenho uma mãe. Eu não sou mais humana.
— Grande coisa. Tecnicamente, eu também não sou mais humana. Eu estou no meio da Mudança, o que me faz um pouco disso e muito daquilo. Diabos, o único que ainda é humano aqui é Heath.
— Não que eu seja contra sua não humanidade — Heath disse.
Eu suspirei. — Heath, não humanidade não é uma palavra. É desumanidade.
— Zo, eu não sou burro. Você sabe disso. Só estou cunhando a palavra.
— Cunhando? — Ele realmente tinha dito isso?
Ele acenou. — Eu aprendi na aula de inglês de Dickson. Tem a ver com... — ele pausou, e eu juro que até as criaturas estavam ouvindo com expectativa. — Poesia.
Apesar da horrível situação eu ri. — Heath, você realmente tem estudado!
— Eu te disse. — Ele riu, parecendo completamente adorável.
— Chega! — A voz de Stevie Rae ecoou ao redor das paredes do túnel. — Eu cansei disso. — Ela virou suas costas para Heath e eu, nos ignorando completamente. — Eles nos viram. Eles sabem demais. Eles tem que morrer. Matem eles. — E ela se afastou.
Dessa vez Heath não tentou me colocar atrás dele. Ao invés disso ele se mexeu ao redor, me pegando completamente de guarda baixa, cuidando para que eu caísse de bunda no nojento colchão com um oofh. Então ele virou para o círculo que se fechava de criaturas mortas vivas com suas pernas plantadas e seus lábios largamente separados e suas mãos fechadas em punho quando ele deu seu grito de Tigre do Broken Arrow.
— Mandem ver, aberrações!
Ok, não é que eu não aprecie a masculinidade de Heath. Mas o garoto estava muito acima do seu fofo cabelo loiro. Eu levantei e me centrei.
— Fogo, eu preciso de você de novo! — Dessa vez eu gritei as palavras com o comando de uma Alta Sacerdotisa. Chamas criaram vida nas minhas palmas das mãos e eu levantei meus braços. Eu teria gostado de ter tido tempo para estudar o fogo que eu chamei – era legal que ele queimasse em mim, e não a mim, mas não havia tempo para isso. — Mexa-se, Heath.
Ele olhou por cima dos ombros, e seus olhos ficaram enormes e redondos. — Zo?
— Estou bem. Só anda!
Ele saiu do meu caminho enquanto, queimando, eu andei para frente. As criaturas se afastaram de mim, mesmo que suas mãos tentassem pegar Heath.
— Parem! — Eu gritei. — Se afastem e deixem ele em paz. Heath e eu vamos sair daqui. Agora. Se vocês tentarem nos impedir, eu vou matar vocês, e eu tenho o pressentimento que desta vez, vai ser para sempre. — Ok, eu realmente, realmente não queria matar ninguém. O que eu queria fazer era tirar Heath daqui, e encontrar Stevie Rae e fazer ela explicar para mim como calouros que deveriam estar mortos poderiam estar andando com péssimas atitudes, olhos brilhantes, e cheirando a mofo e pó.
No canto da minha visão eu vi um movimento. Eu me virei em tempo para ver uma das criaturas se lançar em Heath. Eu levantei meu braço e joguei o fogo nela como se estivesse jogando uma bola. Quando ela gritou e pegou fogo eu a reconheci e tive que lutar para não ficar enjoada. Era Elizabeth Sem Sobrenome – a garota gentil que tinha morrido mês passado. Agora o corpo que estava se queimando dela estava jogado no chão, cheirando a carne estragada e decadência, o que foi tudo o que sobrou da sua concha sem vida.
— Vento e chuva! Eu chamo vocês — eu chorei, e quando o ar começou a surgir e se encher com o cheiro de chuva, eu vi um deslumbre de Damien e Erin sentados de pernas cruzadas perto de Shaunee. Seus olhos estavam fechados em concentração e eles estavam segurando velas da cor de seus elementos. Eu apontei meu dedo em chamas para o corpo que queimava de Elizabeth e ele foi lavado de repente por uma onda de chuva, então uma brisa fria levou para longe a fumaça, a levantando acima de nossas cabeças, e a carregando para fora do túnel até a noite.
Eu olhei para as criaturas de novo. — É o que eu vou fazer com qualquer um de vocês que tentar nós impedir. — Eu fiz menção para Heath andar na minha frente, e eu o segui, me afastando das criaturas.
Eles nos seguiram. Eu nem sempre conseguia ver eles enquanto voltamos pelo escuro túnel, mas eu podia ouvir seus pés e seus abafados resmungos. Foi aí que eu comecei a sentir a exaustão. Era como se eu fosse um celular que não tinha sido carregado a um tempo, e alguém estava falando comigo a tempo demais. Eu deixei o fogo que seguia meus braços apagar a não ser pela vacilante chama da minha mão direita. De jeito nenhum Heath ia poder ver para sair daqui, e eu ainda estava atrás dele, mantendo os olhos em um ataque das criaturas. Depois de passar por dois desdobramentos do túnel eu pedi para Heath parar.
— Devemos nos apressar, Zo. Eu sei que você tem esse negócio de poder, mas tem muitos deles – mais do que tinham lá atrás. Eu não sei com quantos você consegue lidar. — Ele tocou meu rosto. — Sem querer ser mal nem nada, mas você parece horrível.
Eu me sentia como cocô também, mas não queria mencionar. — Eu tenho uma ideia. — Tinhamos acabado de passar por uma curva onde o túnel se estreitava até eu poder tocar os dois lados só esticando os braços. Eu andei até a parte mais estreita da curva. Heath começou a me seguir, mas eu disse a ele, — Fique aí — e apontei para mais longe do túnel no caminho que estavamos indo. Ele franziu, mas fez o que eu disse a ele.
Eu virei minhas costas para Heath e me concentrei. Erguendo os braços, eu pensei nos campos lavrados, e as lindas campinas de Oklahoma cheia de feno não cortado. Eu pensei sobre a terra e pensei sobre como estava pisando nela... cercada por ela...
— Terra! Eu te chamo! — Quando ergui meus braços uma visão de Stevie Rae passou pelos meus olhos fechados. Ela não era quem costumava ser – doce e se concentrando com força numa vela verde acessa. Ela estava curvada no canto do escuro túnel. O rosto dela era magro e branco enquanto seus olhos brilhavam na cor escarlate. Mas seu rosto não era uma paródia sem emoção dela mesma ou uma máscara cruel. Ela estava chorando abertamente, sua expressão cheia de desespero. É um começo, eu pensei. Então, com uma rápida e poderosa emoção eu baixei meus braços quando comandei, — Feche! — Na frente e atrás de mim, pedaços de terra e pedras começaram a cair do teto. A princípio era só uma corrente de seixos, mas logo houve uma mini avalanche que rapidamente afogou os assovios irritados das criaturas presas.
Uma onda de fraqueza passou por mim e eu balancei para trás.
— Te peguei, Zo. — Os braços fortes de Heath estavam ao meu redor e eu me permiti descansar contra ele. Vários dos cortes dele tinham aumentando durante nossa fuga, e o perfeito cheiro do sangue dele fez cócegas contra meus sentidos.
— Eles não estão realmente presos, sabe — eu disse suavemente, tentando manter minha mente longe do quanto eu queria lamber a linha de sangue que estava escorrendo no pescoço dele. — Passamos por alguns outros túneis. Tenho certeza que eles vão ser capaz de encontrar a saída eventualmente.
— Está tudo bem, Zo. — Heath manteve os braços ao meu redor, mas se afastou o bastante para olhar nos meus olhos. — Eu sei o que você precisa. Eu posso sentir. Se você se alimentar de mim não vai se sentir tão fraca. — Ele sorriu, e os olhos azuis dele escureceram. — Está tudo bem — ele repetiu. — Eu quero.
— Heath, você passou por coisas demais. Quem sabe quanto sangue você já perdeu? Eu beber mais não é uma boa ideia. — Eu estava dizendo não, mas minha voz tremeu de desejo.
— Você está brincando? Um enorme e forte jogador de futebol como eu? Eu tenho muito sangue extra — Heath provocou. Então a expressão dele ficou séria. — Por você, eu tenho qualquer coisa extra. — Enquanto ele olhava nos meus olhos, ele passou um dos dedos no corte da sua bochecha e esfregou o sangue no seu lábio. Então ele se curvou para me beijar.
Eu experimentei a doçura do seu sangue e como ele dissolveu na minha boca e mandou uma onda de um ardente prazer e energia pelo meu corpo. Heath tirou seus lábios dos meus e me guiou até o corte no pescoço dele. Quando minha língua contorceu-se e o tocou, ele gemeu e pressionou meus lábios mais perto dele. Eu fechei os olhos e comecei a lamber –
— Me mate! — A voz de Stevie Rae quebrou o feitiço do sangue de Heath.

8 comentários:

  1. Oi? OI?? Produção... Eu só... Grrrrr!!! Por mais que eu goste do Heath... ELE TÁ ENCHENDO O SACO COM ESSA NECESSIDADE DE ZOEY BEBER DELE! QUE COISA?!

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    1. eu acho exitante 😈😈😈 mas prefiro o erik

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    2. também acho mega excitante, mas é o imprint, miga. Ele tem essa necessidade de ter essa conexão com ela.

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  2. Tipo tem o cara erado= heath(ele é humano)
    Tem o certo= erik(ele é o jovem vampiro de uma fachetaria proxima)
    E tem o incerto= loren(ele é professor)
    Ta dificil escolher um casal pra shippa

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  3. — Heath, você é o cara mais teimoso que eu já conheci. — Ele piscou para mim e eu não consegui me impedir de sorrir para ele. — Ótimo. Eu amo você.


    Awwwwwwwwwwwwwwnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnn q fofo kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  4. kkkkkkkkkkkkk legal... gosteii..
    tomara q a Stevie Rae volte pro bem :)

    e eu prefiro q ela fique com o Erick e esqueça os outros dois, ja ta chato ja

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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