1 de outubro de 2015

Capítulo 27

Nos reunimos no nosso pequeno grupo depois que eles saíram, e não falamos muito enquanto a sala voltava ao normal. Eu notei uma mudança no local. O DVD de Star Wars foi esquecido, pelo menos essa noite.
— Você está bem? — Erik finalmente perguntou suavemente. Ele pôs seus braços ao meu redor e eu me aninhei contra ele.
— Yeah, eu acho que sim.
— Os policias tinham noticias sobre Heath? — Damien perguntou.
— Nada mais do que já ouvimos — eu disse. — Ou se eles tem, não me falaram.
— Podemos fazer alguma coisa? — Shaunee perguntou.
Eu balancei a cabeça. — Vamos apenas assistir o canal local e ver o que o jornal das 10 tem a dizer.
Eles murmuraram OKs e todos sentaram para assistir a marotona de reprises de Will and Grace enquanto esperávamos pelo noticiário. Eu olhei para a TV, e pensei sobre Heath. Eu tinha um mal pressentimento sobre ele? Definitivamente. Mas era o mesmo pressentimento que eu tive sobre Chris Ford e Brad Higeons? Não, eu acho que não. Eu não sabia como explicar. Meu instinto dizia que Heath estava em perigo, mas não dizia que ele estava morto. Ainda.
Quanto mais eu pensava em Heath, mais inquieta eu ficava. Quando o noticiário local começou eu mal consegui ficar sentada vendo a história de como uma nevasca inesperada fez com que Tulsa e a área ao redor ficasse completamente branca. Eu fiquei inquieta enquanto assistíamos as imagens das estradas, sinistramente vazias e parecendo quase como um pós-meteoro-ou-guarra-nuclear.
Não havia nada novo sobre Heath a não ser um relatório de como o tempo estava dificuldade as buscas.
— Eu tenho que ir. — As palavras saíram da minha boca e eu estava de pé antes da minha mente lembrar que eu não fazia ideia de onde eu iria e como chegar lá.
— Ir onde, Z? — Erin perguntou.
Minha mente se debateu e se deu conta de uma coisa – uma pequena ilha de contentamento em um mundo que tinha ficado estressante e confuso e louco.
— Eu vou para os estábulos. — Erik parecia tão vazio quanto todo mundo. — Lenobia disse que eu poderia escovar Persephone sempre que eu quisesse. — Eu movi meus ombros. — Escovar ela me faz ficar calma, e agora eu poderia usar um pouco de calma.
— Bem, ok. Eu gosto de cavalos. Vamos escovar Persephone — Erik disse.
— Eu preciso ficar sozinha. — As palavras soaram tão mais duras do que eu queria, que eu sentei perto dele e deslizei minha mão na dele. — Eu sinto muito. Eu só preciso de tempo para pensar, e isso é algo que eu tenho que fazer sozinha.
Os olhos azuis dele pareciam tristes, mas ele me deu um pequeno sorriso. — Que tal eu te levar até o estábulo, e então voltar até aqui e cuidar das notícias para você enquanto você pensa?
— Eu gostaria disso.
Eu odiei o olhar de preocupação no rosto dos meus amigos, mas eu não podia fazer muito para ressegurar eles. Erik e eu não nos incomodados de usar casacos. O estábulo não era muito longe. O frio não teria chance de nos incomodar.
— Essa neve é incrível — Erik disse depois que andamos um pouco pela calçada. Alguém tinha tentado tirar ela, porque estava menos profunda na calçada que nos arredores, mas a neve estava caindo tanto que quem limpou não conseguiu acompanhar e a neve já estava no nosso calcanhar.
— Eu lembro que estava nevando assim quando eu estava na sexta ou sétima série. Foi durante o feriado de natal e foi uma droga não perdermos aula.
Erik deu uma vaga resposta, típica de um cara, e então andamos em silêncio. Normalmente, nosso silêncio não era constrangedor, mas esse parecia estranho. Eu não sabia o que dizer – como consertar as coisas.
Erik limpou a garganta. — Você ainda gosta dele, não? Quero dizer, mais do que apenas um ex-namorado.
— Sim. — Erik merecia a verdade, e eu estava cheia de mentiras.
Chegamos à porta do estábulo, e paramos perto das luzes. A entrada nos protegeu da maior parte da neve, e parecia que estávamos parados numa bolha dentro de um globo de neve.
— E quanto a mim? — Erik perguntou.
Eu olhei para ele. — Eu também gosto de você. Erik, eu queria poder consertar isso, fazer todas as coisas ruins desaparecerem, mas não posso. E eu não vou mentir para você sobre Heath. Eu acho que tive um Imprint com ele.
Eu vi surpresa nos olhos de Erik. — Daquela única vez no muro? Z, eu estava lá, e você mal provou o sangue dele. Ele só não quer perder você, é por isso que está tão obcecado. Não que eu o culpe — ele acrescentou com um sorriso torto.
— Eu o vi de novo.
— Huh?
— Foi há alguns dias atrás. Eu não consegui dormir, então fui para a Starbucks na Utica Square sozinha. Ele estava lá colocando pôsteres de Brad. Eu não queria ver ele, e se eu soubesse que ele estaria lá eu não teria ido. Eu te prometo isso, Erik.
— Mas você o viu.
Eu acenei.
— E você se alimentou dele?
— Só – só meio que aconteceu. Eu tentei negar, mas ele se cortou. De propósito. E eu não consegui me parar. — Eu mantivesse meu olhar honesto no dele, pedindo a ele que entendesse. Agora que eu estava confrontado a possibilidade de Erik e eu terminarmos, eu percebi o quanto eu não queria que isso acontecesse, o que definitivamente não ajudou na minha confusão ou no meu nível de estresse porque eu ainda me importava com Heath. — Eu sinto muito, Erik. Eu não pedi que isso acontecesse, mas aconteceu, e agora tem coisas entre Heath e eu, e eu não tenho certeza sobre o que vou fazer sobre isso.
Ele suspirou profundamente e tirou um pouco de neve do meu cabelo. — Ok, bem, tem algo entre você e eu também. E algum dia, se nós conseguirmos passar pela porcaria da Mudança, seremos iguais. Eu não vou me tornar um velho enrrugado e morrer décadas antes de você. Estar comigo não será algo que outros vampiros vão fofocar sobre, e humanos irão te odiar por isso. Será normal. Será o certo. — Então as mãos dele estavam atrás do meu pescoço e ele estava me puxando para perto dele. Ele me beijou com força. Ele tinha um gosto frio e doce. Meus braços foram para os ombros dele e eu o beijei de volta. A princípio eu só queria fazer a dor que eu causei a ele desaparecer. Então nosso beijo se aprofundou, e pressionamos nossos corpos juntos. Eu não estava sobrepujada por uma cega ânsia por sangue por ele, como o que aconteceu entre Heath e eu, mas eu gostava do jeito que o beijo de Erik me fazia sentir, um gentil calor e leve. Diabos, no final das contas eu gostava dele. Muito. Além do mais, ele tinha razão. Ele e eu seriamos o certo juntos. Heath e eu não.
O beijo terminou com nós dois respirando com dificuldade. Eu coloquei a bochecha de Erik na minha mão. — Eu realmente sinto muito.
Erik virou a cabeça e beijou minha mão. — Vamos superar isso.
— Eu espero que sim — eu sussurrei, mais para mim do que para ele. Então me afastei dele e pus minha mão na velha maçaneta. — Obrigada por me trazer até aqui. Eu não sei quando eu volto. Você não deve esperar por mim. — Eu comecei a abrir a porta.
— Z, se você realmente teve um Imprint com Heath você pode ser capaz de achar ele — Erik disse. Eu parei e me virei para Erik. Ele parecia cansado e infeliz, mas ele não hesitou para explicar. — Enquanto estiver escovando a égua, pense em Heath. Chame por ele. Se ele for capaz ele vira até você. Se não e seu Imprint for forte o bastante, você pode ter uma ideia de onde ele está.
— Obrigado, Erik.
Ele sorriu, mas não parecia feliz. — Até mais, Z. — Ele se afastou e a neve o engoliu.
O cheiro do feno misturado com o limpo cheiro de cavalo seco, contrastava dramaticamente com a fria neve do lado de fora. O estábulo estava turvamente iluminado por algumas lâmpadas. Os cavalos estavam fazendo barulhos sonolentos de mastigação. Alguns deles estavam assoprando pelo nariz, o que parecia um pouco como ronco. Eu olhei ao redor procurando por Lenobia enquanto tirava a neve da minha camiseta e cabelo e me movia para pegar a escova, mas era bem óbvio que, com exceção dos cavalos, eu estava sozinha.
Ótimo. Eu precisava pensar, e não explicar o que eu estava fazendo ali no meio de uma tempestade de neve no meio da noite.
Ok, eu disse a Erik a verdade sobre Heath e ele não terminou comigo. É claro, dependendo do que acontecesse com Heath, ele ainda podia me largar. Como essas garotas vadias saem com uma dúzia de caras ao mesmo tempo? Dois era exaustivo. A memória do sorriso sexy de Loren e incrível voz passou por minha mente cheia de culpa. Eu mordi o lábio e peguei a escova e um pente. Na verdade, eu meio que estava vendo três caras, o que era insano. Eu decidi então que já tinha problemas o suficiente sem acrescentar o estranho flerte que pode ou não estar acontecendo entre Loren e eu na mistura. Só de pensar em Erik descobrindo que mostrei toda aquela pele para Loren... Eu tremi. Me fez querer me chutar. De agora em diante eu iria evitar Loren, e se não pudesse evitar ele eu o trataria como qualquer outro professor, o que significa nada de flerte. Agora eu só precisava descobrir o que fazer com Erik e Heath.
Eu abri o estábulo de Persephone e disse a ela o quão bonita e doce ela era, quando ela me deu um sonolento e surpreso ronco e se lambeu meu rosto depois que eu a beijei suavemente no nariz. Ela suspirou e ficou parada com três patas quando eu comecei a escovar ela.
Ok, de jeito nenhum eu podia descobrir nada sobre sair com Erik e Heath até Heath estar seguro. (Eu me recusei a considerar que ele poderia nunca ficar seguro – nunca ser encontrado vivo.) Eu comecei a aquietar a tagarelice e mistura e confusão que estava na minha mente. Na verdade, eu não precisava que Erik me dissesse que eu poderia ser capaz de encontrar Heath. Essa possibilidade era uma das muitas que estavam me deixando tão inquieta hoje à noite. A verdade covarde, era que eu estava com medo – medo do que eu poderia encontrar e do que eu poderia não encontrar, e com medo de não ser forte o bastante para lidar com isso. A morte de Stevie Rae me deixou quebrada, e eu não tinha certeza se eu podia salvar alguém.
Mas não era como se eu tivesse escolha.
Então... pensando em Heath... eu comecei lembrando que fofo que ela era no primeiro grau. Na terceira série o cabelo dele era bem mais loiro do que agora, e ela tinha tipo um zilhão de redemoinhos, que costumavam ficar na cabeça dele como um ninho de pato. A terceira série foi quando ele me disse pela primeira vez que ele me amava e algum dia ia casar comigo. Eu estava na segunda série, e eu não levei ele a sério. Quero dizer, eu era quase dois anos mais nova, mas era quase 30 centímetros mais alta. Ele era fofo, mas também era um garoto, o que significa que ele era irritante.
Ok, então ele podia ainda ser irritante, mas ele cresceu e estufou. Em algum lugar no meio da terceira série e o primeiro ano eu comecei a levar ele a sério. Eu lembrei da primeira vez que ele realmente me beijou, e o jeito excitado e feliz que ele me fez sentir. Eu lembrei o quão quente e doce ele era, e como ele me fazia sentir linda, mesmo quando eu estava terrivelmente gripada e meu nariz vermelho. E como ele era um cavalheiro. Heath abria porta e carregava meus livros desde que tinha nove anos.
Então eu pensei sobre a última vez que eu o vi. Ele tinha tanta certeza que pertencíamos juntos e tão sem medo de mim que ele se cortou e ofereceu seu sangue para mim. Eu fechei meus olhos e me inclinei contra a suave costela de Persephone, pensando em Heath e deixando as memórias dele passar por minhas pálpebras como uma tela de cinema. Então as imagens do nosso passado mudaram e eu tive um vago senso de escuridão e umidade e o frio – e medo se apoderando de mim. Eu arfei, mantendo meus olhos ligeiramente fechados. Eu queria me focar nele, como eu tinha naquela vez em que de alguma forma eu o vi no seu quarto, mas essa conexão entre nós era diferente. Era menos clara, mais cheia de emoções obscuras do que desejo. Eu me concentrei mais, e fiz o que Erik disse para eu fazer. Eu chamei Heath.
Em voz alta, assim como tudo dentro de mim, e disse, — Heath, venha até mim. Estou chamando você, Heath. Eu quero que você venha até mim agora. Onde você estiver, saia daí e venha até mim!
Nada. Não houve resposta. Nenhum resultado. Nenhum sendo a não ser um profundo e frio medo. Eu chamei de novo. — Heath! Venha até mim! — Dessa vez eu senti uma onda de frustração, seguida por desespero. Mas não tive nenhuma imagem dele. Eu sabia que ele não podia vir até mim, mas eu não sabia onde ele estava.
Porque eu fui capaz de ver ele muito mais fácil antes? Como eu tinha feito? Eu estava pensando em Heath como agora. Eu estava pensando sobre...
Sobre o que eu estava pensando? Então senti meu peito ficar quente quando percebi o que tinha me atraído pra ele antes. Eu não estava pensando sobre o quão fofo ele era quando garoto ou o quão bonita ele me fazia sentir. Eu estava pensando sobre beber o sangue dele... me alimentar dele... e a ânsia por sangue que isso causou.
Ok, então...
Eu respirei fundo e pensei no sangue de Heath. Era um desejo líquido, quente e grosso e elétrico. Fez meu corpo ganhar vida em lugares que só tinham começado a se excitar antes. E esses lugares estavam famintos. Eu queria beber o doce sangue de Heath enquanto ele satisfazia meu desejo pelo toque dele, o corpo dele, o seu gosto...
A desconjunta imagem que eu tinha da escuridão se clareou com tal brutalidade que foi um choque. Ainda estava escuro, mas não era problema nenhum para minha visão noturna. A princípio eu não entendi o que estava vendo. O lugar era estranho. Era mais como uma pequena alcova numa caverna ou um túnel do que uma sala. As paredes eram redondas e úmidas. Havia alguma luz, mas estava vindo de uma turva e suave lanterna que estava pendurada em um gancho rústico. Todo o resto era uma escuridão completa. O que eu achei que era uma pilha de roupas sujas se moveu e lamentou. Dessa vez não era como se eu tivesse vendo através de um fio. Era como se eu estivesse flutuando, e quando eu reconheci o lamento o meu corpo que pairava foi até ele.
Ele estava curvado em um colchão manchado. Suas mãos e joelhos estavam presos com fita adesiva e ele estava sangrando de vários ferimentos em seus braços e pescoço.
— Heath! — Minha voz não era audível, mas ele virou minha cabeça como se eu tivesse gritado para ele.
— Zoey? É você? — E então os olhos dele se alargaram e ele sentou direito, olhando ansiosamente ao redor. — Saia daqui, Zoey! Eles são loucos. Eles vão matar você como mataram Chris e Brad. — Então ele começou a lutar, tentando desesperadamente rasgar a fita, embora tudo que estivesse acontecendo era ele fazer seus pulsos sangrarem.
— Heath, pare! Está tudo bem – estou bem. Eu não estou aqui, não de verdade. — Ele parou de lutar e virou os olhos ao redor como se estivesse tentado me ver.
— Mas eu posso ouvir você.
— Dentro da sua cabeça. É onde você me ouve, Heath. É porque você e eu tivemos um Imprint e agora estamos ligados.
Inesperadamente, Heath riu.
— Isso é legal, Zo.
Eu virei os olhos mentalmente.
— Ok, Heath se concentre. Onde você está?
— Você não vai acreditar nisso, Zo, mas estou debaixo de Tulsa.
— O que isso significa, Heath?
— Lembra da aula de história do Shaddox? Ele nos contou sobre os túneis que foram cavados de baixo de Tulsa no século 20 por causa daquela coisa nada de álcool.
— Proibição — eu disse.
— Yeah, isso. Eu estou em um deles.
Eu não soube o que dizer por um segundo. Eu vagamente lembrava de aprender sobre os túneis na aula de história, e fiquei surpresa por Heath – que não era exatamente um aluno excelente – lembrasse disso.
Como se ele entendesse minha hesitação ele riu e disse, — Era sobre esconder bebida. Eu achei legal.
Depois de outra virada de olhos mental eu disse, — Só me diga como chegar aí, Heath.
Ele balançou a cabeça bruscamente e um olhar muito familiar de teimosia se assentou no rosto dele. — De jeito nenhum. Eles vão matar você. Vá chamar a policia e peça a eles mandarem o time da SWAT ou algo assim.
Isso era exatamente o que eu queria fazer. Eu queria pegar o cartão do Detetive Marx do meu bolso, ligar para ele, e fazer ele salvar o dia.
Infelizmente, eu não podia.
— Quem são “eles”? — eu perguntei.
— Huh?
— As pessoas que pegaram você? Quem são eles?
— Não são pessoas, e não são vampiros embora bebam sangue, mas não são como você, Zo. Eles são — ele parou de repente. — Eles são outra coisa. Algo errado.
— Eles tem bebido seu sangue? — A ideia me deixava furiosa numa intensidade que eu estava tendo dificuldades de controlar minhas emoções. Eu queria rasgar alguém e gritar, Ele pertence a mim! Eu me forcei a respirar fundo várias vezes enquanto ele respondia.
— Yeah, eles tem. — Heath riu. — Mas eles reclamam muito sobre isso. Eles dizem que meu sangue não tem um bom gosto. Eu acho que a razão principal é porque ainda estou vivo. — Então ele engoliu com força e o rosto dele ficou um tom mais pálido. — Não é como quando você bebe meu sangue, Zo. Isso é bom. O que eles fazem é – é nojento. Eles são nojentos.
— Tem quantos deles? — Eu disse através dos dentes cerrados.
— Eu não tenho certeza. É tão escuro aqui e eles sempre vem em grupos estranhos, todos juntos como se tivessem medo de ficarem sozinhos. Bem, a não ser por três deles. Um se chama Elliott, uma se chama Vênus – que é completamente estranho – e a outra se chama Stevie Rae.
Meu estômago deu um nó. — Stevie Rae tem um cabelo loiro?
— Yeah. Ela que está no comando.
Heath comprovou meus medos. Eu não podia chamar a polícia.
— Ok, Heath. Eu vou sair daqui. Me diga como encontrar o túnel.
— Você vai chamar a polícia?
— Sim — eu menti.
— Não. Você está mentindo.
— Eu não estou!
— Zo, eu sei que você está mentindo. Eu posso sentir. É essa coisa de ligação. — Ele riu.
— Heath. Eu não posso chamar a polícia.
— Então não vou te dizer onde estou.
Ecoando pelo fim do túnel veio um agito que me lembrou o som de um experimento com ratos no laboratório de ciências enquanto eles corriam pelo labirinto que nós construímos na aula de biologia. O riso de Heath sumiu, assim como a cor que tinha retornado as suas bochechas enquanto conversávamos.
— Heath não temos tempo para isso. — Ele começou a balançar a cabeça. — Me escute! Eu tenho poderes especiais. Aqueles — Eu hesitei, sem ter certeza do que chamar o grupo de criaturas que de alguma forma incluía minha melhor amiga morta. — Aquelas coisas não vão ser capazes de me machucar.
Heath não disse nada, mas ele não parecia convencido e o som parecido com o de ratos estava ficando mais alto.
— Você disse que sabe que estou mentindo por causa da nossa ligação. Você tem que ser capaz de perceber o que eu estou dizendo a verdade. — Ele parecia prestes a falar besteira, então acrescentei, — Pense mais. Você disse que lembra um pouco da noite que você me encontrou em Philbrook. Eu te salvei aquela noite, Heath. Nada de polícia. Nem vampiros adultos. Eu salvei você, e eu posso fazer de novo. — Eu estava feliz por soar mais certa do que eu me sentia. — Me diga onde você está.
Ele pensou um pouco, e eu estava pronta para gritar com ele (de novo) quando ele finalmente disse, — Você sabe onde é o velho depósito no centro?
— Yeah, você pode ver ele do Centro de Artes onde fomos ver Fantasma no meu aniversário, ano passado, certo?
— Yeah. Eles me prenderam num porão. Eles passaram por algo que parece uma porta trancada. É velha e rústica, mas leva para cima. O túnel começa da rede de drenagem de lá.
— Ótimo, eu –
— Espere, isso não é tudo. Tem vários túneis. São mais como cavernas. Não é como eu imaginei que fossem na aula de história. Eles são escuros e molhados e nojentos. Pegue o da direita, e então continue virando a direita. Estou no fim de um desses.
— Ok. Eu vou estar aí assim que puder.
— Tenha cuidado, Zo.
— Eu vou. Fique seguro.
— Vou tentar. — O assobio foi acrescentado por barulhos de pessoas correndo.
— Mas você provavelmente deveria se apressar.

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