3 de outubro de 2015

Capítulo 26

De novo eu ouvi meus instintos, e ao invés de libertar meu espírito escondido do lado da sala do Conselho, eu me movi rapidamente pelo corredor, fazendo meu caminho de volta até estar na ponta das escadas. Então eu tirei meu encobrimento, agradecendo ao espírito, e voltei a subir pelas escadas completamente visível e dizendo a mim mesma, fique calma... fique normal... Neferet é uma mentirosa e Shekinah é muito, muito sábia...
Fora da sala do Conselho, eu pausei e bati na porta duas vezes.
— Você pode entrar, Zoey! — Shekinah disse.
Eu tentei não me perguntar se ela sabia que eu estava do lado de fora antes. Colocando um sorriso no rosto, eu entrei na sala. Eu coloquei meu punho por cima do coração e fiz uma reverencia respeitosa. — Merry meet, Shekinah.
Merry meet, Zoey Redbird. — Ela disse. Eu não notei nada estranho na voz dela. — Então, como foi sua primeira visita aos Gatos de Rua?
Eu ri. — Você sabia que os Gatos de Rua são controlados pelas freiras Beneditas?
Ela sorriu para mim. — Não, embora eu esperasse que a caridade fosse controlada por mulheres. Mulheres têm uma forte conexão com gatos. As boas irmãs foram abertas ao seu trabalho voluntário?
— Definitivamente. Elas foram muito gentis. Oh, e Aphrodite adotou uma gata enquanto estávamos lá, embora Malévola ter adotado Aphrodite seja uma descrição mais precisa do que aconteceu.
— Malévola? Esse é um estranho nome.
— Yeah, mas combina com ela. Todo aquele barulho que estava vindo de fora. — Eu apontei minha cabeça na direção do corredor e para frente da escola. Nós duas ouvimos para poder ouvir um cão latindo, um gato miando, e os garotos gritando. — Eu acho que você vai descobrir que tem a ver com Malévola.
— Então o que você está dizendo é que as freiras tiveram que agradecer duplamente. Pelo trabalho voluntário e pela ajuda para se livrarem desse felino muito difícil?
— Sim, é exatamente o que estou dizendo. Oh, e Irmã Mary Angela me perguntou se eu poderia checar com você sobre o data do mercado de pulgas. Ela disse que ela vai fazer o horário dela através do nosso. Além disso, eles vão ficar abertos até mais tarde nos sábados a noite para que a gente possa ser voluntários uma vez por semana.
— Isso parece ótimo. Vou me encontrar com Neferet e falaremos sobre uma data que seja melhor para a escola. — Shekinah pausou por um momento, e então acrescentou, — Zoey, Neferet é sua mentora, não é?
Eu ouvi sinos de aviso na minha cabeça, mas me forcei a relaxar. Eu iria responder a Shekinah da forma mais honesta que eu pudesse a tudo que ela me perguntasse. Eu não tinha feito nada errado!
— Sim. Neferet é minha mentora.
— E você é próxima a Neferet?
— Costumava ser. Éramos muito próximas quando eu cheguei. Na verdade, minha mãe não é próxima de mim há vários anos, e eu meio que sentia que Neferet era a mãe que eu queria ter — eu disse verdadeiramente.
— Mas isso mudou? — ela perguntou gentilmente.
— Sim — eu disse.
— E porque?
Eu hesitei, escolhendo minhas palavras com cuidado. Eu queria dizer o máximo possível da verdade para Shekinah, e por um instante eu considerei contar a ela tudo – a verdade toda sobre Stevie Rae e a profecia e do que tínhamos medo que acontecesse, mas meus instintos me falaram que eu não deveria revelar nada. Shekinah saberia a verdade amanhã. Até lá, eu não queria que Neferet tivesse qualquer pista sobre o que iria acontecer – sobre o fato de que ela iria ter que enfrentar o que ela fez, e o que ela estava se tornando.
— Não tenho muita certeza — eu disse.
— Qual seu melhor palpite?
— Bem, eu acho que ela mudou ultimamente, e não tenho certeza do porque. Uma parte pode ser devido a umas coisas pessoais que aconteceram entre a gente. Mas eu prefiro não falar disso, se estiver tudo bem por você.
— É claro. Eu entendo sua necessidade de manter coisas privadas para si mesma. Mas, Zoey, você deve saber que estou aqui se você precisar conversar. Embora faça muito tempo, eu lembro muito bem o que é ser uma caloura poderosa e sentir como se estivesse carregando tantas responsabilidades que o fardo delas as vezes parece demais para suportar.
— Yeah — eu disse, de repente tendo que lutar com as lágrimas. — É exatamente assim que parece as vezes.
O leal sorriso dela era quente e gentil. — Vai melhorar. Eu te prometo isso.
— Eu realmente espero que sim — eu disse. — Oh, e falando em deixar as coisas melhores – minha avó gostaria de vir para uma visita. Ela e eu somos muito próximas. Eu ia passar um pouco do feriado de inverno com ela, mas, bem, você sabe que o feriado foi cancelado. Então vovó disse que ela gostaria de vir aqui passar um tempo comigo. Você acha que teria problemas se ela ficasse na escola?
Shekinah me estudou cuidadosamente. — Tem quartos de hóspede no prédio dos professores, mas acredito que estejam todos preenchidos agora devido a minha visita e ao Filhos de Erebus.
— Ela poderia ficar no meu quarto comigo? Minha colega de quarto, Stevie Rae, morreu mês passado, e eu não tenho uma nova, então eu tenho uma cama vazia e tudo mais.
— Eu suponho que eu não veja nenhum mal nisso. Se sua avó estiver confortável em estar cercada por tantos calouros.
Eu ri. — Vovó gosta de adolescentes. Além do mais, ela conhece vários dos meus amigos, e eles todos gostam dela.
— Então vou falar aos Filhos de Erebus, assim como Neferet, que você tem permissão para sua avó visitar e ficar no seu quarto. Zoey, você sabe que pedir por um favor especial nem sempre é sábio, mesmo que você tenha habilidades especiais.
Eu olhei Shekinah nos olhos firmemente. — Esse é o primeiro favor que eu peço desde que cheguei na House of Night. — E então eu pensei sobre isso e então me corrigi. — Não, espera. Foi o segundo. O primeiro favor que eu pedi foi para ficar com algumas coisas da minha colega de quarto depois que ela morreu.
Shekinah acenou devagar, e eu esperei o máximo que pude que ela tivesse acreditado em mim. Eu queria gritar: cheque com os outros professores! Eles sabem que eu não peço tratamento especial! Mas eu não podia dizer nada que fizesse Shekinah acreditar que eu ouvi a conversa dela com Neferet.
— Bem, ótimo. Então você está no caminho certo. Dons da nossa deusa não significam privilégios – eles significam responsabilidade.
— Eu entendo isso — eu disse firmemente.
— Eu acredito que sim — Ela disse. — Agora, eu tenho certeza que você tem dever de casa para fazer e um ritual para se preparar para liderar amanhã, então vou te dar boa noite e espero que você seja abençoada — ela disse.
— Abençoada seja. — Eu saudei ela formalmente de novo, fiz uma reverência, e sai da sala.
As coisas realmente não saíram tão ruins. Claro, Neferet estava mentindo pra caramba sobre mim e era claramente uma vadia do inferno, mas eu já sabia disso. Shekinah não era idiota, e ela certamente não iria ser feita de boba por Neferet (como Loren tinha sido, minha mente sussurrou). Vovó estava a caminho da escola, e ela iria ficar comigo enquanto eu descubro todo esse negócio da profecia. Meus amigos finalmente sabem tudo, então eu não tinha que constantemente dar desculpas e ser evasiva com eles, e eles estavam me protegendo, embora só de pensar nos Corvos Escarnecedores me assustava completamente. Mas eu poderia lidar com a parte assustadora com meus amigos do meu lado. E amanhã todos saberiam sobre Stevie Rae e os calouros vermelhos, e Neferet iria perder o poder do segredo. Então talvez Stark não estivesse realmente morto, e voltasse. As coisas realmente estão parecendo boas! Eu estava abrindo a porta do prédio principal e rindo como uma boba quando dei de cara com Erik.
— Oh, desculpe eu não estava olhando — ele começou, automaticamente me segurando antes dele perceber quem ele quase derrubou. — Oh — ele repetiu, dessa vez com uma voz muito menos gentil. — É você.
Eu tirei meus braços da mão dele e dei um passo para trás, tirando meu cabelo do rosto. Olhar para os olhos azuis e frios dele era como mergulhar na água fria – e eu já tinha tido o bastante de água fria jogada no meu rosto por ele.
— Olha, eu preciso de te dizer algo. — Eu me movi para a frente dele, bloqueando o caminho dele até o prédio.
— Então diga.
— Você gostou de me beijar hoje. Você gostou muito.
O sorriso dele era de zombação e muito bem ensaiado. — Yeah, e daí? Eu nunca disse que não gosto de beijar você. O problema é que muitos caras gostam de beijar você.
Eu me senti corar. — Não se atreva a falar comigo assim!
— Porque não? É verdade. Você estava beijando seu namorado humano. Você estava me beijando. E você estava beijando Blake. Até onde eu sei, isso são muitos caras.
— Desde quando você se tornou tão idiota? Você sabia sobre Heath. Eu nunca tentei esconder ele de você. Você sabia que era difícil para mim já que eu tinha um Imprint com ele e me importava com você ao mesmo tempo.
— Yeah, e quanto a Blake? Explique isso.
— Loren foi um erro! — eu gritei, finalmente perdendo o controle. Eu estava cansada de Erik me julgar por algo que eu já estava me remoendo a mais tempo do que podia dizer. — Você estava certo. Ele estava me usando. Mas não era para sexo – esse foi só o jeito que ele conseguiu para me fazer acreditar que ele me amava. Você ouviu a cena entre Neferet e eu. Você sabe que tem mais acontecendo aqui do que todos pensam. Neferet mandou Loren, o amante dela, me seduzir – me fazer acreditar que ele me amava porque eu sou especial. — Eu pausei, limpando com raiva as lágrimas que de alguma forma encheram meus olhos. — Mas na verdade ele estava atrás de mim para eu poder irritar todos os meus amigos e ficar sozinha e magoada e distraída para meus poderes não significarem mais nada. E teria funcionado se Aphrodite não tivesse me apoiado. Você com certeza não se importou em me dar uma chance para explicar.
Erik passou a mão pelo cabelo preto dele. — Eu vi ele fazer amor com você.
— Quer saber o que você viu, Erik? Você viu ele me usar. Você me viu cometer o maior erro da minha vida. Pelo menos até agora. Foi isso o que você viu. Eu sei e eu sinto muito. Mas eu acho que não teremos muito juntos se não podemos aprender a perdoar um ao outro por essa bagunça.
— Você acha que precisa me perdoar?
Ele começou a parecer um idiota de novo. Eu definitivamente tinha tido o bastante do idiota Erik. Meus olhos se estreitaram e eu surtei, — Yeah! Eu preciso perdoar você. Você disse que se importava comigo, mas você me chamou de vadia. Você me envergonhou na frente de todos os meus amigos. Você me envergonhou na frente de uma turma toda. E você fez tudo isso porque só sabia parte da história, Erik! Então, yeah, você não é totalmente santo nessa coisa toda também!
Erik piscou surpreso com minha explosão. — Eu não sabia que só tinha parte da história.
— Talvez da próxima vez você devesse pensar antes de explodir sem saber a história toda.
— Então você me odeia agora? — ele disse.
— Não. Eu não te odeio. Eu sinto sua falta.
Nós nos olhamos, nenhum de nós sabendo o que fazer a partir daí.
— Eu também sinto sua falta — ele finalmente disse.
Meu coração parou de bater por um segundo.
— Talvez possamos conversar de novo — eu disse. — Eu quero dizer, sem a parte da gritaria.
Ele olhou para mim por um longo, longo tempo. Eu tentei ler os olhos dele, mas eles só refletiam a minha própria confusão.
Meu telefone tocou, e eu o tirei do meu bolso. Era vovó. — Oh, desculpe. É minha avó — eu disse a Erik. Então eu abri o celular. — Oi, vovó, você chegou? — eu acenei enquanto ele me dizia que ela tinha acabado de parar no estacionamento. — Ok, te encontro aí em alguns minutos. Mal posso esperar pra te ver! Tchau!
— Sua avó está aqui? — Erik perguntou.
— Yeah. — Eu ainda estava sorrindo. — Ela veio ficar um tempo. Você sabe, já que o feriado de inverno foi curto e tudo mais.
— Oh, yeah. Isso faz sentido. Ok, eu acho, que te vejo por ai.
— Uh, quer me levar até o estacionamento? Vovó disse que ela está trazendo umas coisas, o que significa que ela provavelmente trouxe uma enorme mala e 10 pequenas, e ela definitivamente vai precisar de um vampiro adulto carregando para ela, já que eu sou só uma caloura pequena.
Eu segurei o fôlego, achando que tinha feito besteira (de novo) e passei dos limites muito cedo com ele. E, certa o bastante, o olhar cuidadoso estava de volta nos olhos dele.
Foi exatamente aí que um vampiro Filho de Erebus apareceu na porta atrás de mim.
— Desculpe — Erik disse para ele. — Essa é Zoey Redbird. Uma convidada dela acabou de chegar. Você está disponível para ajudar a trazer a bagagem?
O guerreiro me saudou respeitosamente. — Eu sou Stephan, e será um prazer ajudar você, jovem Sacerdotisa.
Eu me fiz sorrir e disse obrigado. Então eu olhei para Erik. — Então, te vejo mais tarde? — eu disse.
— É claro. Você está na minha aula. — Ele me saudou e então entrou no prédio.
O estacionamento era depois de uma volta ao redor do prédio principal. Então, graças a Deus, eu não tive que caminhar muito tempo em um silêncio desconfortável com o guerreiro. Vovó acenou para mim do estacionamento bem lotado. Eu acenei em resposta, e Stephan e eu fomos até ela.
— Wow, tem vários vampiros aqui — eu disse, olhando para os desconhecidos carros.
— Muitos Filhos de Erebus foram chamados para essa House of Night — Stephan disse.
Eu acenei pensativa.
Eu podia sentir os olhos dele em mim. — Sacerdotisa, você não precisa temer sua segurança — ele disse com uma quieta autoridade.
Eu sorri para ele e pensei, se apenas você soubesse, mas não disse nada.
— Zoey! Oh, querida! Aqui está você. — Vovó me enrolou nos braços dela, e eu a abracei com força, sentindo o cheiro familiar de lavanda e de casa.
— Vovó, estou tão feliz que você esteja aqui!
— Eu também, querida. Eu também. — Ela me apertou com força.
Stephan fez uma reverência respeitosa para vovó antes de juntar a bagagem dela.
— Vovó, você está planejando ficar um ano? — eu perguntei, jogando uma risada por cima dos ombros para a enorme quantidade de bagagem.
— Bem, querida, devemos sempre estar preparados para tudo. — Vovó Redbird enrolou os braços ao redor dos meus, e começamos a andar pela calçada que levava para o dormitorio das garotas, com Stephan nos seguindo atrás de nós.
Logo ela colocou a cabeça dela perto da minha e sussurrou, — a escola está completamente cercada.
Eu senti uma onda de medo. — Pelo que?
— Corvos. — Ela disse a palavra como se tivesse um gosto ruim na boca. — Estão todos ao redor do território, mas nenhum deles está dentro dos muros da escola.
— Isso é porque eu os afastei — eu disse.
— É mesmo? — ela sussurrou. — Muito bem, Zoey Passarinha!
— Eles me assustam, vovó — eu respondi sussurrando. — Eu acho que eles estão ganhando o corpo deles de volta.
— Eu sei, querida. Eu sei.
Tremendo, nos abraçamos com força enquanto corríamos para meu quarto. A noite parecia observar nós andarmos.

2 comentários:

  1. Aaaaah Erik uahshshuah ainda está com o ego ferido

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  2. erik eu te amoooo muito,mas se deu mal na discuçao!!!!!

    ass: aninha

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