5 de outubro de 2015

Capítulo 26 - Zoey

— Heath, o que você está fazendo aqui? — Heath apertou seu peito como se eu tivesse atirado nele e deu uma volta, fazendo um barulho de ofego zombado.
— Sua frieza me mata, baby!
— Você é um nerd — eu disse. — Se alguma coisa vai te matar, é sua absoluta falta de bom senso. Então, o que você está fazendo aqui? Eu pensei que você estava lá fora queimando os pássaros com Darius e Shaunee.
— Bem, eu ia, porque eles definitivamente precisam da minha força sobre humana para ajudá-los. — Ele balançou as sobrancelhas para mim e se flexionou. Então ele sentou no banco ao meu lado. — Mas Stark me encontrou e disse que você precisava de mim – então aqui estou.
— Stark estava errado. Você deveria voltar e ajudar Darius.
— Você parece mal, Zo — ele disse, toda a brincadeira desaparecendo de sua voz. Eu suspirei.
— Passei por muita coisa, só isso – como todos nós.
— Bem, yeah, passamos. Mas eu vou ficar bem. Eu só preciso de um dia para poder dormir. Só isso.
Heath me observou por um tempo sem falar, então ele estendeu sua mão para mim. Foi um reflexo automático para me envolver meus dedos nos dele. — Zo, estou tentando muito não ficar louco por você ter uma coisa especial com Stark – algo que você não tem comigo.
— É um laço de guerreiro. Só posso ter com um vampiro. — Eu disse as palavras apologeticamente, e eu senti muito – muito por continuar a magoar o cara com quem eu estive apaixonada desde o ensino fundamental.
— Yeah, eu ouvi sobre isso. De qualquer forma, o que eu estava dizendo é que estou tentado lidar com o negócio com Stark, mas fica muito mais difícil quando você me afasta. — Eu não podia dizer nada porque eu sabia exatamente o que ele estava mesmo falando. Era por isso que Stark tinha enviado ele para cá. Heath queria que eu bebesse dele. Só de pensar nisso fez minha boca salivar e minha respiração acelerar. — Eu sei que você quer — ele sussurrou. Incapaz de encontrar seus olhos, eu encarei a nossas mãos ligadas. Na luz fraca do deserto refeitório as tatuagens em minhas palmas eram quase invisíveis e nossas mãos pareciam tão comuns – tão parecidas como a tantos anos atrás, que fez meu estômago se apertar. — Você sabe que eu quero.
Eu encontrei o olhar dele. — Eu sei que quer. Mas eu não posso, Heath. — Eu esperava que ele explodisse e ficasse fulo, mas ao invés disso ele deflacionou. Seus ombros caíram e ele balançou a cabeça.
— Porque você não me deixa te ajudar da única forma real que eu posso? — Eu respirei fundo e disse a ele a completa verdade.
— Porque eu não posso lidar com a parte do sexo agora. — Ele piscou surpreso para mim.
— Essa é a única razão?
— Sexo é uma grande razão — eu disse.
— Bem, yeah, não que eu saiba por experiência, mas eu ainda entendo o que você está dizendo.
Eu senti minhas bochechas se esquentarem. Heath ainda era virgem? Eu tinha certeza que depois que fui Marcada e deixei a vida humana e vim para House of Night, minha ex-melhor amiga tinha ido atrás dele. Na verdade, eu sabia que a vadia da Kayla tinha ido atrás dele.
— E quanto a Kayla? Eu pensei que vocês dois tinham ficado depois que eu parti. — Ele deu uma risadinha sem humor.
— Bem que ela queria. Não apenas não, mas diabos não. Eu não estava com Kayla. Só existe uma garota para mim. — A falta de humor deixou seu rosto e ele riu para mim. — E embora você seja uma importante Alta Sacerdotisa e tecnicamente não mais uma “garota”, você ainda é minha garota. — De novo, eu não sabia o que dizer. Eu sempre pensei que quando eu transasse pela primeira vez seria com Heath, mas então eu fiz uma enorme confusão e perdi minha virgindade com Loren Blake, o que foi totalmente o maior erro da minha vida. Eu ainda ficava enjoada e mais do que um pouco culpada.
— Hey, pare de pensar em Blake. Você não pode mudar o que aconteceu com ele, então vamos esquecer.
— Você lê mentes agora?
— Eu sempre fui capaz de entrar na sua cabeça, Zo. — O sorriso dele sumiu. — Bem, eu acho que não fui capaz de fazer isso muito bem recentemente.
— Desculpe por tudo isso, Heath. Eu odeio que magoe você.
— Não sou mais um garoto. Eu sabia no que estava me metendo quando subi na minha caminhonete e dirigi até Tulsa para te ver. Não tem que ser fácil entre nós, mas temos que ser honestos.
— Ok. Eu quero ser honesta também. Então estou dizendo a verdade quando digo que eu não posso me permitir beber de você. Eu não posso lidar com o que vai acontecer entre nós por causa disso. Não estou pronta para transar, mesmo que o mundo todo não estivesse indo pro inferno e desmoronando ao nosso redor.
— Inferno e desmoronando – você parece sua avó quando diz isso.
— Heath, mudar de assunto não vai me fazer mudar de ideia. Não vou transar, então não vou beber de você.
— Jeesh Zo, não sou um idiota; eu entendi isso — ele disse. — Então não vamos transar. Passamos muitos anos não transando. Somos experientes nisso.
— Tem mais nisso do que só querer um ao outro. Você sabe o que Imprint faz com nós dois. Foi intenso o bastante antes, quando eu estava tão ferida que quase morri. Seria assim 10 vezes se eu beber de você agora.
Heath engoliu com força e passou a mão pelo cabelo. — Yeah, ok, eu sei disso. Mas o que estou dizendo é o seguinte – o Imprint vai para os dois lados, certo? Enquanto você bebe meu sangue você sente o que eu sinto, e eu sinto o que você sente.
— Yeah, a coisa é prazer e sexo — eu disse.
— Ok, então, ao invés de me focar na parte do sexo, vamos nos focar na parte do prazer.
Eu ergui as sobrancelhas para ele. — Você é um cara, Heath. Desde quando você não se foca na parte do sexo?
Ao invés de responder brincando como eu esperava, a expressão dele era absolutamente séria. — Quando te pressionei sobre sexo?
— Teve aquela vez na casa da árvore.
— Você estava na quarta série. Não conta. Além do mais, você me quebrou todo.
Ele não sorriu, exatamente, mas suas sobrancelhas estavam enrugadas.
— E quanto aquela vez na sua caminhonete no verão passado no lago?
— Você não pode contar isso também. Você estava usando um biquíni novo. E eu não pressionei nada.
— Suas mãos estavam em cima de mim.
— Bem, tinha muita coisa sua aparecendo! — Ele pausou, baixando a voz para um nível normal de novo. — Meu ponto é, estamos juntos a um longo tempo. Podemos definitivamente ficar juntos sem fazer sexo. Eu quero transar com você? Diabos, sim. Eu quero fazer sexo com você quando sua cabeça está uma confusão por causa daquele Blake e suas preocupações com tudo que tem acontecido, e você não quer transar comigo? Diabos, não! Diabos, diabos, não. — Ele colocou seus dedos sobre meu queixo e me fez olhar para ele. — Eu prometo que isso não será sobre sexo porque você e eu, o que temos, significa mais do que sexo. Me deixe fazer isso por você, Zoey.
Minha boca se abriu antes de eu poder impedir e eu me ouvi sussurrar, — Ok.
O sorriso dele era como se ele tivesse vencido o campeonato mundial. — Excelente!
— Mas nada de sexo — eu disse.
— Absolutamente nada. Só me chame de Heath Sem Sexo. Diabos, meu nome do meio é Sem Sexo.
— Heath. — Eu coloquei um dedo em seus lábios para calar ele. — Você está nerdiando isso.
— Oh, yeah. Ok — ele murmurou sobre meu dedo. Então ele soltou minha mão e buscou no bolso do seu jeans, tirando um canivete. Ele tirou seu casaco e abriu o canivete. A lâmina parecia estranhamente como um brinquedo de criança no escuro refeitório.
— Espera aí! — Eu meio que gritei quando ele começou a colocar a faca na lateral do seu pescoço.
— O que?
— Um. Aqui? Vamos fazer isso aqui?
Ele ergueu a sobrancelha para mim. — Porque não? Não vamos transar, lembra?
— É claro que lembro — eu disse. — É só que, bem, alguém pode entrar.
— Stark está guardando a porta. Ninguém vai passar por ele.
Isso me chocou e fiquei quieta. Eu quero dizer, essa era a ideia de Stark, mas guardar a porta para certificar que Heath e eu tivéssemos privacidade? Isso era só – O cheiro do sangue de Heath me atingiu e todos os pensamentos sobre Stark desapareceram da minha mente. Meus olhos encontraram o pequeno corte vermelho que estava no ponto suave onde seu pescoço encontrava seu ombro. Ele clamou, colocando sua faca na mesa e abrindo seus braços para mim.
— Vem aqui, Zo. É apenas você e eu agora. Mais ninguém para você pensar. Mais ninguém para você se preocupar. Vem cá — ele repetiu. Eu fui para seus braços e inalei seu cheiro: Heath, sangue, desejo, casa, e meu passado todos envolvidos juntos em um abraço forte e familiar. Quando minha língua tocou a linha escarlate eu senti um calafrio e sabia que ele estava suprimindo um gemido de puro desejo. Eu hesitei, mas era tarde demais. Seu sangue explodiu na minha boca. Incapaz de me impedir, eu pressionei meus lábios contra a pele dele e bebi. Naquele momento eu não me importei que não estivesse pronta para sexo, ou que o mundo ao meu redor era uma enorme bola de caos, ou até mesmo que estávamos no meio do refeitório enquanto Stark guardava a porta (e provavelmente estava vivenciando tudo que eu estava sentindo). Naquele momento tudo que eu me importava era Heath e seu sangue e seu corpo e seu toque.
— Sssh. — A voz de Heath tinha ficado profunda e meio áspera, mas estranhamente suave. — Está tudo bem, Zo. Eu posso só me sentir bem e nada mais. Pense sobre o quão forte isso te faz. Você precisa ficar forte, lembra? Você tem, tipo, um zilhão de pessoas contando com você. Eu estou contando com você; Stevie Rae está contando com você; Aphrodite está contando com você, embora eu ache que ela é uma vadia. Até Erik conta com você – não que alguém se importe com ele...
As palavras de Heath continuaram sem parar. Enquanto ele falava uma coisa estranha acontecia. A voz dele deixou de ser profunda e áspera. Ele começou a soar só como Heath – como se ele e eu estivéssemos sentados aqui conversando sobre coisas normais e eu não estivesse sugando o sangue de seu pescoço. Então, sem eu ter consciência, a vontade de sentimentos que me preencheu enquanto eu bebia dele mudou de puro sexo para outra coisa. Algo que eu consegui pensar. Algo que eu podia lidar. Não me entenda mal, ainda era gostoso. Muito, muito gostoso. Mas gostoso estava mexido com o que eu só posso descrever como normal, e o normal tornou aquilo administrável. Então quando me senti força e rejuvenescida eu fui capaz de me afastar. Feche agora, eu pensei, e lambi a linha que sangrava no pescoço de Heath, automaticamente mudando as endorfinas na minha saliva de anticoagulantes para coagulantes. Eu observei o sangramento parar e o pequeno ferimento começar a curar, deixando apenas uma pequena e magra linha para trair ao mundo o que estava acontecendo conosco. Meus olhos se ergueram para encontrar o olhar de Heath.
— Obrigado — eu disse.
— A qualquer hora — ele disse. — Eu sempre estarei aqui por você, Zo.
— Bom, porque eu sempre vou precisar de você para me lembrar quem eu realmente sou.
Heath me beijou. Foi um beijo gentil, mas era profundo e íntimo e cheio de um desejo que eu sabia que ele estava segurando, esperando para que eu finalmente dissesse sim para ele. Ao invés disso, eu quebrei o beijo e me aconcheguei nos olhos dele. Eu senti ele suspirar, mas o abraço não falhou enquanto ele me segurava com força. O som da porta do refeitório se abrindo fez nós dois pularmos.
— Zoey, você realmente deveria ir ao dormitório. Eles estão esperando por você — Stark disse.
— Ok, yeah, estou indo — eu disse, saindo dos braços de Heath e ajudando ele a colocar seu casaco.
— É melhor eu encontrar Darius e aqueles caras e dar uma incrível ajuda humana com aquelas coisas — Heath disse. Como garotos culpados, andamos juntos até onde Stark estava, sem qualquer expressão, segurando a porta. — Stark. — Heath acenou para ele. — Obrigado por me trazer até ela.
— É parte do meu trabalho — Stark disse afiadamente.
— Bem, eu acho que você merece um aumento — Heath disse a ele com um sorriso, então ele se abaixou e me deu um rápido beijo antes de dizer tchau e correr pela porta que levava até ao pátio central da escola.
— Não é a parte do meu trabalho que eu gosto — eu ouvi Stark murmurar enquanto nós dois observávamos Heath desaparecer lá fora.
— Como você disse, é melhor irmos ao dormitório — eu disse, começando a andar pelo corredor que levava para o dormitório mais próximo. Stark me seguiu – junto com um desconfortável silêncio.
— Então — ele finalmente disse, sua voz soando contida.
— Isso é uma droga.— Eu falei antes de pensar, e as palavras ridículas pareceram sair da minha boca por conta própria.
— Yep. Yep foi. Literalmente.
(suck pode ser interpretado de dus formas, chupar e droga)
Então, incrivelmente, eu ri. Ok, em minha defesa, eu estava me sentindo muito bem. O sangue de Heath me fez sentir melhor do que eu me sentia desde que Kalona tinha saído da terra para avacalhar com minha vida.
— Não é engraçado — Stark disse.
— Desculpe. Foi uma piada ruim — eu disse, rindo de novo, e então fechei a boca.
— Vou fingir que você não está rindo e não sentiu tudo que sentiu lá dentro — Stark disse com uma voz contida. Mesmo com minha onda de sangue, eu entendi que deve ter sido muito difícil para Stark vivenciar um prazer tão intenso que outro cara trouxe para mim, e perceber o quão ligados Heath e eu realmente éramos. Eu passei meu braço ao redor de Stark. A princípio ele foi frio e duro, e mal respondeu, como se eu estivesse me segurando a uma estátua, mas conforme continuamos a andar ele descongelou e eu senti ele relaxar.
Logo antes dele abrir a porta do dormitório das garotas para mim, eu olhei para ele e disse, — Obrigado por ser meu guerreiro. Obrigado por se certificar que eu fique forte, mesmo que tenha machucado você.
— De nada, minha senhora. — Ele sorriu para mim, mas ele parecia velho e muito, muito triste.

2 comentários:

  1. Eu realmente odeio que isso magoe o Stark, mas não não quero que a Z abra mão do Heath, nem dele. Que raiva! É tudo tão complicado.

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  2. Tipo isso mas eu queria q ela ficasse com o Stark afinal um dia o Heath vai envelçhecer e morrer oq não seria nada bom para ela, tomara q a autora coloque uma personagem para Heath se apaixonar e se o imprint tiver que se quebrar não faça mal a Heath

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