11 de outubro de 2015

Capítulo 25 - Shaunee

— É difícil parar de pensar nisso, não é? — Shaunee perguntou, quando ela e Erik haviam caído em outro silêncio enquanto olhavam para o local que Vovó Redbird e as outras mulheres tinham coberto com sálvia e lavanda. O local onde Kalona tinha morrido.
— Foi incrível. Sei que Zoey e resto de vocês têm visto Nyx um monte de vezes, mas minha cabeça ainda gira.
— Ei, eu entendo totalmente. Sim, vi Nyx antes, mas não é como se eu tivesse me acostumado com isso. Não acho que eu vá me acostumar com isso.
— Kalona e Erebus. Uau!
Shaunee acenou com a cabeça, concordando com ele, feliz que ele ainda estivesse tão impressionado com o que ele testemunhara. Ela o observou com o canto do olho. Ele tinha mudado, e ela gostou da mudança.
— Obrigada por estar aqui sentado comigo — ela falou, olhando para os quatro montes que eram as mulheres humanas em seus sacos de dormir e, em seguida, para dentro da tenda para Thanatos, que voltara para a sua meditação silenciosa não muito tempo depois que todos já foram embora. — Seria solitário ficar aqui comigo mesma se não fosse por você.
— Eu estou feliz de estar aqui. Eu gosto de estar com você e...
Ondas de calor e dor atravessaram Shaunee, e ela se dobrou com um grito terrível. Usem-me, canalizem através de mim, deixe-me fortalecer o feitiço, Shaunee recitou mais e mais para si mesma enquanto se balançava para frente e para trás, tentando obter o controle do calor, do caos e da dor que explodiram através dela.
— Está tudo bem. Você pode fazer isso, eu sei que pode. Apenas se concentre e respire. Tente relaxar, assim como antes — Erik dizia.
— Não! — Shaunee engasgou. — Diferente. De. Antes! Ruim — ela gemeu e caiu para o lado. — Não posso controlar.
— Shaunee, ouça-me! — a voz de Erik tinha ido de calma a preocupada. — Você pode fazer isso. O fogo é o seu elemento. Lembre-se disso. Concentre-se nisso.
Dor inundava Shaunee. Era como se ela estivesse sendo incendiada por dentro. Estavam pedindo demais dela. Ela não tinha mais para dar. De repente, ela percebeu que, como Cleópatra, ela seria tragada pelo seu próprio elemento.
Então, tão rapidamente quanto chegara, a dor fora embora, deixando-a ofegante, deitada no colo de Erik. Os braços dele estavam ao seu redor e, com a mão trêmula, ele alisava o cabelo de sua testa úmida, murmurando:
— Você consegue... Você consegue...
Vovó Redbird e Irmã Mary Angela estavam ajoelhadas ao lado dele, cada uma segurando uma de suas mãos.
— Querida, você voltou para nós? — Vovó Redbird perguntou a ela.
— S-sim — Shaunee disse. — E-ele se foi. O que aconteceu, é o fim.
— Shaunee! — Thanatos estava de pé na entrada de sua tenda. Seu rosto estava completamente branco. Ela estava chorando lágrimas de sangue. — Neferet quebrou o feitiço. Avise Zoey.
Em seguida, ela entrou em colapso.
Shaunee lutava para se levantar e se apressar para Thanatos. Todos eles o fizeram. Mas antes que pudessem alcançá-la, uma névoa fumacenta se ergueu do chão na frente da Grande Sacerdotisa. A névoa rolou como se fosse água borbulhante e, em seguida, tomou a forma de uma mulher. Ela era linda e etérea, mas assustadora. Ela estendeu a mão. Thanatos abriu os olhos e tomou-a, sorrindo beatificamente.
— E então, finalmente, é a minha vez de pegar a sua mão — Thanatos falou.
“Venha comigo, onde este mundo já não lhe prenderá. Tenho um fardo que tens levado para mim por tanto tempo e tão bem. Para você, minha querida filha, os cuidados deste reino enfim terminaram.
Ainda sorrindo, Thanatos entrou no abraço da mulher, e ambas se transformaram em fumaça e em seguida névoa, que se afastaram lentamente para baixo, até que foram absorvidas pela terra.
Irmã Mary Angela benzeu-se reverentemente. Shaunee a ouviu começar a recitar o rosário.
— Essa era a morte — Erik falou. — Ela levou Thanatos embora. Toda ela!
Shaunee olhou para onde o corpo da Grande Sacerdotisa tinha estado. Ele estava certo. Suas roupas estavam largadas e vazias no chão.
— Avise Zoey! — Vovó Redbird balançou seus ombros. — Agora!
Shaunee ordenou seus pensamentos e encontrou o olhar preocupado da Vovó.
— Eu avisarei. Vamos deter Neferet. De alguma forma, nós o faremos —  ela agarrou a mão de Erik. — Leve-me para a House of Night, rápido!
— Vamos orar por você — disse a Rabina Bernstein.
Todas as mulheres se ajoelharam sob o círculo da Árvore do Conselho do Grande Carvalho.
— Que todos vocês abençoados sejam! — Vovó Redbird gritou atrás deles.


Zoey
— Ok, então cada um tem suas atribuições — Damien falou quando nós nos levantamos, esticamos e finalmente ficamos prontos para deixar a sala de jantar.
— Sim, Rainha Damien, Shaylin e eu vamos encontrar Kramisha e Lenobia. Colocaremos nossos superpoderes de profetisas junto com o que Lenobia sabe sobre o passado de Neferet, e veremos se podemos descobrir um calcanhar de Aquiles da maluca da Neferet. Depois de eu malhar — Aphrodite falou, e, em seguida, devorou outro brownie.
— Antes — falei. — Isso é mais importante do que a sua bunda.
Aphrodite me deu um olhar que claramente dizia que nada era mais importante do que seu bumbum. Felizmente, ela estava ocupada demais mastigando para falar.
— Eu vou pedir que a professora P. vá comigo ao centro de mídia para pesquisar velhos mitos e lendas. Felizmente, nós podemos encontrar algo neles que vá nos ajudar — Damien falou.
— Aurox, Rephaim e eu vamos aliviar Darius, detetive Marx e os Guerreiros novatos recrutados para patrulhar as paredes — disse Stark.
— E nós vamos discutir mais sobre o passado do Pai — Rephaim se apresentou.
— Eu odeio que você tenha que fazer isso — disse Stevie Rae.
— Ele iria querer que eu fizesse. Ele faria qualquer coisa que possa nos ajudar a deter Neferet — Rephaim falou.
— E Stevie Rae e eu faremos uma chamada via Skype para Sgiach. Mais uma vez — levantei o bloco amarelo que Aphrodite tinha me dado. — Sim, eu tenho as perguntas que nós queremos fazer-lhe.
— Excelente — Damien respondeu, e eu pensei, não pela primeira vez, que ele seria um bom professor algum dia.
— Faltam poucos minutos para meia noite — percebi. — Vamos nos encontrar aqui de volta às quatro e meia. Isso nos dará uma chance de falar sobre o que aprendemos e jantar antes do nascer do sol.
— Ok, te vejo daqui a pouco — Stark disse, inclinando-se para me dar um beijo de despedida, quando Nicole entrou na sala, seguida de Shaunee e Erik.
— Thanatos está morta. O feitiço foi quebrado. Neferet está livre! — Shaunee disse, ofegante.
— O que aconteceu? Você está bem? — perguntei enquanto Stark e Erik ajudavam-na a se sentar.
— Eu vou ficar bem. E tudo o que sei sobre o que aconteceu é que um monte de alguma coisa grande e má bateu no muro ao mesmo tempo. O fogo não pôde lidar. A força disso matou Thanatos — Shaunee engoliu o vinho que Aphrodite lhe entregou.
— Isso quase matou Shaunee, também — Erik acrescentou.
Marx e Darius correram para a sala.
— É Neferet. Ela está à solta e vindo para cá — Darius revelou.
— Estou recebendo relatórios dos policiais nas barricadas. Ela está saindo do hotel — disse Marx.
Dentro de mim, tudo ficou calmo. Meus pensamentos ficaram claros e focados.
— Damien, Shaunee, Shaylin, Stevie Rae, venham comigo — falei.
— Você não vai a lugar nenhum sem mim — disse Stark. — E por que diabos nós todos não ficamos aqui? Pelo menos há paredes ao nosso redor.
— As paredes não vão nos proteger contra Neferet. Ela vai passar sobre elas. Vai matar todo mundo, começando com esse grande grupo de humanos que vieram até nós por proteção — respondi. — Não, nós não vamos ficar aqui. Mas sim, você vem comigo. Assim como você, Rephaim, e você, Aurox.
— Você perdeu a porra da sua cabeça, se acha que vou ficar aqui — Aphrodite falou.
— Você tem que ficar. Se ela passar por nós, você, Darius e Marx têm que tirar as pessoas daqui. Vão para a abadia beneditina. Escondam-se nos túneis. Ela ficará menos poderosa lá em baixo. Ligue para o Conselho Supremo. Ligue para Sgiach. Inferno! Comece a ligar para todas as House of Night do mundo. Se nós não pudermos deter Neferet, ela não será só problema de Tulsa. Ela será problema do mundo inteiro — falei, caminhando até Aphrodite. Eu a abracei e ela me abraçou de volta. — Ore para que Nyx nos ajude a encontrar uma maneira de deter Neferet — sussurrei para ela.
Aphrodite tomou-me pelos ombros e encontrou meu olhar. Em uma voz firme e alta, ela disse:
— Eu vou orar para que você seja tão inteligente e forte como pensei que fosse desde o primeiro dia em que a conheci. Você pode detê-la. Sei que sim. Basta acreditar em si mesma.
— E em nós — acrescentou Stevie Rae.
Ela e o resto do meu círculo estavam de pé ao lado da porta.
— Acredite em todos nós, Z. Nós não vamos deixar você cair.
— Então vamos lá. Vamos detê-la para sempre — eu disse.
— Para onde estamos indo? — perguntou Stark.
— Para o Woodward Park — olhei para Marx. — Pegue seu rádio. Diga a seus homens para atrasá-la. E que enquanto estiverem fazendo isso, eles precisam gritar um para o outro que Zoey e seus vampiros estão circulando no parque, esperando para prendê-la.
— Ela vai direto para você — disse Marx.
— Esse é o plano — devolvi.
— Abençoada seja — Darius falou.
— Merry meet, merry part, e nós vamos ter um merry meet outra vez — respondi.
E então corremos para o estacionamento e entramos no Hummer.
Levou apenas alguns minutos para chegar ao Woodward Park.
— Conduza o Hummer sobre o cume, àquele que dá para o centro da cidade — enquanto eu dava a direção para Stark, tive uma explosão de realização. Caramba! Pode ser isso!
— Ali não é onde você pensou que matou aqueles homens? — Stark perguntou.
— Sim! Leve-nos até lá, rápido!
Stark saiu do meio-fio e pisou fundo no acelerador do Hummer, derrapando até parar debaixo de um carvalho enegrecido. Nós todos saltamos para fora do veículo.
— Ok, escutem, pessoal. Eu tenho um plano, é simples, mas pelo menos é alguma coisa. Na base do cume fica a gruta onde Neferet se escondeu antes de matar os dois homens que pensei que tinha matado.
— Quer que a gente monte o círculo em torno dele, Z? — perguntou Stevie Rae.
— Não. Eu vou ficar no topo dessas escadas de pedra, bem ali — apontei. Só havia um poste de luz na rua que funcionava no parque, o lugar tinha sido bastante bagunçado pelo fogo que o relâmpago causara. Mas uma luz era suficiente para que nós víssemos o caminho de pedra que levava entre aglomerados de azaleias chamuscadas e largas escadas irregulares que desciam ao nível da rua e da gruta. — Tomem suas posições, rápido.
— O norte é desse lado! — Stevie Rae apontou para nossa frente.
— O resto de vocês têm suas posições a partir daí?
Ar, fogo e água acenaram com a cabeça.
— Ok, espalhem-se. Chamem seus elementos para vocês. Eu não vou lançar um círculo, não até que ela esteja perto o suficiente para ser capturada dentro dele.
— Você quer dizer capturada dentro da gruta — disse Aurox.
Eu balancei a cabeça.
— Nossa caverna de cristal — disse Damien.
— Como nós vamos mantê-la lá uma vez que conseguirmos jogá-la para dentro? — perguntou Stevie Rae.
— Magia Antiga — respondi, com muito mais confiança do que eu sentia.
— Como é que vamos levá-la perto o suficiente da gruta? — perguntou Stark, me observando de perto.
— Bem, seu calcanhar de Aquiles ficará no topo das escadas e falará besteiras para ela até que ela esteja enfurecida o suficiente para se aproximar — expliquei.
— Você é o calcanhar de Aquiles de Neferet — Damien falou.
— Sim. Se ela foi atrás de mim desde que fui Marcada, vai continuar vindo atrás de mim.
— Eu não gosto de você sendo isca — Stark disse.
— Então me mantenha a salvo até que ela esteja perto o suficiente para eu lançar o círculo em torno dela — respondi.
— Ela terá que passar por mim para chegar até você — Stark concordou.
— E de mim — acrescentou Aurox.
— Obrigada. Eu acredito em vocês dois — eu me virei para Stevie Rae e Rephaim. — Rephaim, mantenha Stevie Rae segura. Nós vamos prender Neferet no interior da terra, o que significa que o elemento de Stevie Rae será a chave para isso.
Rephaim assentiu.
— Eu sempre vou mantê-la segura.
— Damien, Shaunee e Shaylin, usem os seus elementos para ocultá-los até que eu lhe avise que vocês podem chamá-los para o círculo. Vocês três serão os menos protegidos de todos nós.
Damien pegou as mãos de Shaunee e de Shaylin.
— Nós entendemos. E não vamos decepcioná-la.
Fui até Shaunee e peguei sua mão. Stevie Rae se juntou a mim, completando nosso círculo.
— Eu amo vocês. Todos vocês. Não importa o que aconteça comigo, se o nosso círculo for rompido, deem o fora daqui. Vão para os nossos túneis sob a estação. Stevie Era, leve-os para lá. Use a terra para selar a entrada até que vocês possam se reagrupar.
— Não sem... — Stevie Rae começou.
— Não! — minha voz estava cheia de energia, fazendo com que os quatro se contraíssem em surpresa. — Você tem que me ouvir. Se o círculo romper, eu serei como Thanatos. É o meu círculo, meu feitiço. Isso me matará — quando falei, soube que era verdade. Meu olhar encontrou Aurox. — Se eu morrer, proteja-os.
Aurox não disse nada, apenas acenou com a cabeça uma vez.
Meus olhos encontraram meu Stark.
— Se você ainda estiver vivo, ajude Aurox a levá-los à segurança.
— Farei isso, minha Grande Sacerdotisa, minha rainha e então eu a seguirei para o Outromundo — Stark respondeu, curvando-se sombriamente para mim.
— Pelo menos desta vez você saberá onde me encontrar — eu sorri para ele. — Na entrada, sob a árvore de pendurar. Eu esperarei por você.
Um grito estridente soou a distância.
— Neferet está vindo. Eu sou o seu centro. Formem o círculo ao meu redor, mas se escondam! Agora! E que todos vocês abençoados sejam.
Meu círculo se espalhou para norte, sul, leste e oeste, deixando-me sozinha com Aurox e Stark. Puxei a pedra da vidência para fora da minha camiseta e tirei a fina corrente de platina sobre a minha cabeça. Segurando-a apertada em minha mão, olhei de Stark para Aurox.
— Se essa coisa começar a me mudar, me mate antes que eu fique como ela.
— Será como você diz — Aurox concordou.
Stark estava pálido, mas acenou com a cabeça.
— Eu não vou deixar isso fazer de você um monstro.
— Obrigada. E agora vamos parar essa vadia antes que ela machuque qualquer outra pessoa que amamos.
Stark e Aurox me seguiram enquanto eu andava rapidamente pelo caminho de pedra. Senti uma estranha sensação de déjà vu. Fazia apenas alguns dias que eu percorrera este caminho, chateada com o mundo? Parecia um século atrás, e eu parecia uma pessoa totalmente diferente.
Eu sou uma pessoa diferente. O que aconteceu aqui me mudou. O que aconteceu aqui me fez crescer, percebi.
Fui para o topo das largas escadas de pedra e parei. Apontando para baixo ao longo da borda do cume, eu disse:
— Estão vendo isso? Dentro dessa área de pedra arredondada é a gruta. É ali que nós vamos prendê-la.
Ouvimos outro grito, estava mais perto do parque.
— Vou descer — Aurox apontou. — Eu vou me esconder atrás das pedras na base das escadas. Neferet espera ver Stark. Ela não procurará por mim — ele olhou para Stark. — Eu vou me transformar. Se eu perder o controle e atacar qualquer um de vocês, faça o que for preciso, mas me impeça.
— Aurox, você não vai perder o controle — as palavras foram sussurradas pela minha mente e eu as repeti em voz alta. Minha voz nem sequer soou como minha, era mais velha, mais sábia, mais forte e totalmente cheia de amor. — O seu Touro mudou. Já não é uma criatura das Trevas. Sua Magia Antiga agora é da Luz.
— Quem é você? Como você sabe disso?
Os sussurros me deixaram e na minha própria voz, respondi:
— Bem, eu sou uma Sacerdotisa de sua Deusa. Ela me diz coisas. Desta vez, também falou para você.
— Tudo terá valido a pena se isso for verdade — disse Aurox.
— Então valeu a pena, porque a nossa Deusa nunca mente — respondi.
Stark estendeu a mão para Aurox.
— Boa sorte. Fico feliz que você esteja aqui com a gente no final. É justo que você me ajude a proteger Zoey.
Aurox agarrou seu antebraço.
— Quando isso acabar, eu gostaria que nós dividíssemos uma cerveja, ou meia dúzia.
Stark sorriu.
— De acordo.
— Ótimo — eu disse, balançando a cabeça para os dois. — Estamos falando em morte, destruição, nossa Deusa e vocês querem cerveja.
— Não agora, Zo. Depois disso — Aurox falou do seu jeito Heath e então desceu as escadas, pulando três degraus de uma vez.
Virei para Stark, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele me puxou para os seus braços e me beijou.
— Apenas fique viva — ele falou, quando finalmente me soltou.
— Eu vou se você ficar — respondi.
— De acordo — concordou ele.
Em seguida, um movimento por cima do ombro chamou minha atenção. Sob a luz da rua no cruzamento da Vigésima primeira com a Peoria, gavinhas das Trevas começaram a invadir o espaço.
— Ela está aqui — falei. Segurei minha pedra da vidência, pensando... Pensando... E então eu sabia pelo menos parte do que precisava fazer. — Tem que ser como em Skye. Os Duendes estão ligados à Magia Antiga!
— O que posso fazer para ajudá-la?
— Eu preciso de algo afiado.
— Não se preocupe. Eu tenho isso — Stark correu para o Hummer, abrindo a porta e tirando a aljava cheia de flechas que havia trazido. Em seguida, ele correu de volta para mim. Ele fez uma pausa e pegou uma das setas da aljava. — Seja cuidadosa. É realmente afiada.
Ele me beijou rapidamente, puxou seu arco das costas e tomou posição três degraus abaixo de mim. Ele sorriu tristemente e disse:
— Eu não posso matá-la, mas com certeza posso machucá-la.
— Ela é vazia. Lembre-se que. Aponte para o rosto dela — recomendei. — Isso vai irritá-la pra caramba.
Em seguida, toda a minha atenção estava voltada para seus tentáculos das Trevas. Eles fervilhavam no parque como o óleo preto derramado sobre a superfície do oceano. No centro deles, sendo levada adiante com sua maré do mal, estava Neferet.
Eu não deveria ter ficado surpresa por ela ter mudado. Nós todos tínhamos mudado desde a última vez que a vi. Eu só não esperava que a loucura dentro dela acabasse por escoar para fora de forma tão visível.
Neferet estava maior do que antes. Seus braços e pernas estavam fora de proporção com o resto dela. Eles haviam alongado especialmente nos dedos. Eles mudavam de forma contínua, sem descanso, como se ela não pudesse manter-se parada.
Uma aranha! Oh, Deusa, ela me lembra uma aranha!
— Espírito, venha a mim — pedi antes que o medo tomasse conta de mim.
Imediatamente, me senti ser preenchida por meu elemento favorito, acalmando os nervos, acalmando o meu medo.
Nyx, eu farei o resto, se você, por favor, apenas me ajudar a ser sábia e forte.
A voz da Deusa inundou minha mente, juntamente com o espírito, me enchendo e afugentando o último dos meus medos. Você tem a minha bênção, Zoey Redbird. Lembre-se, o amor é o mais forte de todos eles...
Com confiança, dei um passo para a borda da escada de pedra.
— Neferet! É Zoey Redbird. Estou aqui porque eu já tive o suficiente de suas besteiras. Seu tempo de matar vai acabar. Agora.
O olhar esmeralda de Neferet focou em mim imediatamente. Seu sorriso era reptiliano.
— Não quer dizer que você já teve o suficiente da minha grandiosidade, sua insípida criança ridícula?
— Na verdade, não. Ao contrário de você, eu quero dizer que digo. Besteira! Você é cheia de pura besteira.
— Que maduro de sua parte — ela zombou. — E que agradável surpresa é encontrá-la de forma rápida e fácil. Pensei que eu teria que forçá-la a sair do meio do seu círculo depois que cada um dos seus amigos se sacrificasse por você de boa vontade e estupidamente.
— Bem, Neferet, você está errada. Mais uma vez.
Enquanto ela ria de mim e deslizava sobre a calçada para o parque, eu respirei fundo.
Eu posso fazer isso. Sei que há Magia Antiga em Tulsa e onde há a mais antiga das magias, há também os duendes.
Ergui a pedra da vidência e pensei sobre o que Sgiach tinha me ensinado, bem como o que Nyx me lembrara, e cortei toda a minha palma com ponta da flecha. Dobrei minha mão, jorrando sangue, em seguida, ergui minha pedra da vidência, dizendo: — Duendes do espírito! Vinham a mim!
Dei um grande sopro de ar sobre a palma da mão, disparando uma cascata de sangue na pedra da vidência. Como se o sangue tivesse sido capturado em um vórtice, ele varreu o centro da pedra, e quando saiu do outro lado, houve uma explosão de luz roxa brilhante.
Eu sorri para os espíritos.
— Obrigada por me ouvirem. Peço uma coisa dos duendes. Derramem sua Luz nas Trevas.
Apontei para o ninho de criaturas se contorcendo em torno Neferet.
Os espíritos se afastaram de mim. Segundos depois, luzes roxas explodiram em torno de Neferet, enviando sangue e carne em direção ao céu.
— Não! — Neferet gritou. Com os dedos anormalmente dilatados, ela acariciava as criaturas feridas que deslizavam de volta para ela, murmurando para eles como se eles realmente fossem seus filhos. Em seguida, ela se endireitou. Sua raiva brilhou para mim. — Você vai se arrepender de você ter feito isso! — Neferet começou a deslizar para frente, ordenando: — Finalmente, finalmente, matem Zoey Redbird!

2 comentários:

  1. A batalha final começou muito rápida, achei. A autora tinha que matar Thanatos, para Zoey e seu grupo serem os, hum, ''responsáveis''?, agora. Suspeitava que ela iria fazer isso, uma hora ou outra, pois Zoey e o resto não podiam contar toda hora com alguém para quem recorrer. Primeiro, Kalona, e depois, Thanatos. Não foi uma surpresa, achei, mas... Bem, só posso resumir em uma expressão: (๑´ㅂ`๑). De qualquer forma, na primeira vez que li, fiquei animada, depois decepcionada. Algumas vezes não é bom ter expectativas demais de certas coisas. Foi um longo caminho de o que considero enrolação, mas pelo menos faz sentido e é realmente um THE END. Lágrimas são derramadas (devo dizer que desta vez não derramei nenhuma, mas na primeira sim), sorrisos foram aumentando e a satisfação e tristeza de terminar o último livro são quase demais para meus nervos. ( •̀∀•́ )/

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  2. Aí minha deusa! O bicho agora vai pegar!

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