6 de outubro de 2015

Capítulo 25 - Aphrodite

— É, a luz está acesa, mas definitivamente não tem ninguém em casa. — Aphrodite balançou sua mão na frente dos olhos abertos, porém cegos de Stark. Então ela teve que tirar sua mão do caminho enquanto Seoras, ignorando que esteve perto de cortá-la, fez outro ferimento esfaqueando o lado ensaguentado de Stark.
— Ele já parece um hambúrguer. Você tem que continuar fazendo isso? — Aphrodite perguntou ao Guardião. Não tinha amor entre ela e Stark, mas isso não significava que ela estava bem assistindo-o ser fatiado em pedaços.
Seoras pareceu não ouvi-la. Ele estava inteiramente focado no garoto caído diante dele.
— Eles estão unidos pela busca. — Sgiach disse. Ela deixou seu trono para ficar ao lado de Aphrodite.
— Mas o seu Guardião está consciente e presente em seu próprio corpo. — Darius disse, estudando Seoras.
— Sim. A consciência dele está aqui. Também está tão sintonizada com o garoto que ele pode ouvir suas frequências cardíacas – sentir sua respiração. Seoras sabe exatamente o quão perto Stark está da morte física. É no limite entre a vida e morte que o meu Guardião deve mantê-lo. Muito para um lado, a alma dele retornará a seu corpo, e ele será despertado. Muito para o outro lado, a alma dele nunca retornará.
— Como ele saberá quando acabar com isso? — Aphrodite perguntou, involuntariamente hesitando enquanto a adaga de Seoras fatiou a carne de Stark novamente.
— Stark irá acordar, ou ele morrerá. De um jeito ou de outro, será o feito de Stark, e não do meu Guardião. O que Seoras faz agora permite que o garoto faça suas próprias escolhas. — Sgiach falou para Aphrodite, mas seus olhos nunca deixavam Seoras. — Você devia fazer o mesmo.
— Cortá-lo? — Aphrodite franziu as sobrancelhas para a rainha, que sorriu, mas continuou assistindo seu Guardião.
— Você disse que você é uma Profetisa de Nyx, não é?
— Eu sou sua Profetisa.
— Então considere usar o seu dom para ajudar o garoto, também.
— Eu gostaria se tivesse uma maldita pista de como fazer isso.
— Aphrodite, talvez você devesse... — Darius começou, pegando o braço de Aphrodite e colocando-a longe de Sgiach, obviamente preocupado que ela tivesse pressionando muito a rainha.
— Não, Guerreiro. Você não precisa puxá-la para longe. Uma coisa que você descobrirá sobre estar vinculado a uma mulher forte é que, às vezes, suas palavras irão colocá-la em problemas das quais você não pode protegê-la. Mas elas são suas próprias palavras, e portanto, suas próprias consequências. — Sgiach finalmente olhou para Aphrodite. — Use algo da força que faz suas palavras como adagas e procure suas próprias respostas. Uma verdadeira Profetisa recebe pouquíssima orientação nesse mundo, exceto através do seu dom; mas a força, temperada pela sabedoria e paciência, deve ensiná-la como usá-lo corretamente. — A rainha ergueu sua mão e gesticulou elegantemente para um dos vampiros nas sombras. — Mostre para a Profetisa e seu Guardião o quarto deles. Dê para eles descanço e privacidade. — Sem outra palavra, Sgiach retornou ao seu trono, seu olhar novamente se fixou solenemente em seu Guardião.
Aphrodite pressionou seus lábios juntos e seguiu o gigante ruivo cujas tatuagens eram uma série de espirais intricadas que pareciam ser feitas de pequenos pontos de safira. Eles refizeram seu caminho de volta para a escadaria dupla e depois foram até um corredor onde as paredes foram decoradas com espadas de joias que brilhavam à luz das tochas. Uma pequena e única escadaria finalmente os levou para uma porta em arco de madeira, a qual o Guardião abriu e gesticulou para eles entrarem no quarto.
— Você poderia se certificar de que alguém me avise se Stark mudar ou algo assim? — Aphrodite perguntou antes dele fechar a porta.
— Aye — o guerreiro disse em uma voz surpreendentemente gentil antes de deixá-los sozinhos.
Aphrodite se virou para Darius, — Você acha que a minha boca me coloca em problemas?
As sobrancelhas do guerreiro se levantaram. — Claro que eu acho.
Ela franziu a testa para ele. — Ok, olha, eu não estou brincando.
— E nem eu.
— Por quê? Porque eu digo o quero dizer?
— Não, minha beleza, porque você usa as suas palavras como uma adaga, e uma adaga às vezes causa problemas.
Ela bufou e sentou na enorme cama com dossel . — Se eu soo como uma adaga, então por que diabos você gosta de mim?
Darius sentou ao lado dela e pegou em sua mão. — Você esqueceu que a adaga de lançar é a minha arma favorita?
Aphrodite encontrou seus olhos, se sentindo subitamente vulnerável, apesar do seu tom de voz gentil. — Sério. Eu sou uma vadia. Você não deveria gostar de mim. Eu não acho que a maioria das pessoas gosta.
— As pessoas que te conhecem gostam de você. A real você. E o que eu sinto por você vai além de gostar de você. Eu te amo, Aphrodite. Eu amo a sua força, o seu senso de humor, a profundidade do cuidado que você mostra aos seus amigos. E eu amo o que estava quebrado dentro de você e que só agora começou a se curar.
Aphrodite continuou olhando para ele ainda que estivesse piscando fortemente para lutar com as lágrimas. — Tudo isso me torna uma vadia terrível.
— Tudo isso te torna o que você é. — Ele ergueu a mão dela para os seus lábios, beijou-a gentilmente, e então disse, — Também te torna forte o suficiente para descobrir como ajudar Stark.
— Mas eu não sei como!
— Você usou o seu dom para sentir a ausência de Zoey, assim como a de Kalona. Você não pode usar a mesma rota que você usou antes para sentir Stark?
— Tudo que eu estava fazendo com eles era ver se a alma deles estava dentro dos seus corpos ou não. Nós já sabemos que Stark se foi.
— Então você não deveria ter que tocá-lo como você fez com os outros dois.
Aphrodite suspirou. — A mesma estrada, huh?
— Sim.
Ela olhou para ele, segurando sua mão com força. — Você realmente acha que eu posso fazer isso?
— Eu acredito que são poucas as coisas que você não conseguirá fazer, uma vez que você direcionar sua mente para isso, minha beleza.
Aphrodite acenou, apertando a mão dele antes de soltá-la. Ela tirou sua bota de couro estilete e voltou para a cama, descansando contra o amontoado de almofadas.
— Me protege enquanto estou fora? — Ela perguntou ao seu Guerreiro.
— Sempre. — Darius disse.
Ele se moveu para ficar do lado da cama, lembrando muito a Aphrodite do jeito que Seoras ficou do lado do trono de sua rainha. Adquirindo força com o conhecimento de que seu coração e seu corpo sempre estariam seguros com Darius, ela fechou os olhos e se forçou a relaxar. Então ela tomou três respirações profundas e limpas e focou seus pensamentos em sua Deusa.
Nyx, sou eu. Aphrodite. Sua profetisa. Ela quase adicionou – pelo menos é disso que todo mundo está me chamando, – mas ela se impediu. Tomando outra respiração profunda, Aphrodite continuou, Eu estou pedindo a sua ajuda. Você já sabe que eu não tenho certeza absoluta de como essa coisa de Profetisa funciona, então não vai te surpreender ouvir que eu não sei como usar o dom que você me deu para ajudar Stark – mas ele precisa da minha ajuda. Eu digo, o cara está sendo fatiado em um mundo e rondando tentando usar poesia e umas palavras confusas de um cara velho para ajudar a Z, em outro. Somente entre nós, algumas vezes eu acho que Stark é mais músculo e notoriamente bom cabelo do que cérebro. Claramente, ele precisa de ajuda, e pelo bem de Zoey, eu quero dar isso a ele. Então, por favor Nyx, me mostre como ajudar.
Se dê para mim, filha.
A voz de Nyx em sua mente era como era como a vibração de uma cortina de seda diáfana, transparente, etérea e inacreditavelmente bela.
Sim! A resposta de Aphrodite foi instantânea. Ela abriu seu coração, alma e mente para a sua Deusa.
E de repente ela era a brisa flutuando ao longo da linha da voz delicada de Nyx, para cima e para fora.
Além do meu reino.
O espírito de Aphrodite voou sobre o Outromundo de Nyx. Era quase indescritivelmente amável, com variações sem fim de verde, brilhantes flores que balançavam como se fosse a música, e lagos cintilantes. Aphrodite pensou ter visto cavalos selvagens e um flash de muitas cores de pavões em voo.
E por todo o reino, espíritos esvoaçavam dentro e fora da visão, dançando, rindo, e amando.
— É aqui que nós vamos quando morremos? — Aphrodite perguntou, receosa.
Algumas vezes.
— Quais algumas vezes? Você quer dizer quando somos bons? — Aphrodite teve um afundamento sentindo que se ser bom era o critério para ir a esse lugar, ela provavelmente nunca iria.
A risada da Deusa era como mágica. Eu sou a sua Deusa, filha, não a sua juíza. Bem é um ideal com muitas faces. Eis uma faceta de bom.
A jornada espiritual de Aphrodite diminuiu, levando-a a um impasse sobre um bosque fantástico. Ela piscou em surpresa enquanto estudava-o e percebeu que a lembrava o bosque perto do castelo de Sgiach. Enquanto fez a comparação, Aphrodite afundou suavemente para baixo através do dossel de folhas finas, para descansar um pouco acima do espesso tapete de musgo que cobria o chão.
— Me ouça, Zo! Você pode fazer isso.
Ao som da voz de Heath, Aphrodite se virou para ver Zoey, parecendo tão pálida que ela estava quase translúcida, e Heath. Z estava dando voltas e voltas em círculo, parecendo totalmente assustadora, enquanto Heath permanecia parado, olhando para ela com uma expressão incrivelmente triste.
— Zoey! Finalmente! Ok, me ouça. Você tem que se juntar e voltar para o seu corpo.
Ignorando-a completamente, Zoey irrompeu em lágrimas, embora não tivesse parado de andar. — Eu não posso, Heath. Isso se foi há muito tempo. Eu não posso juntar a minha alma. Eu não consigo me lembrar das coisas – Eu não consigo me concentrar – a única coisa que eu sei com certeza é que eu mereço isso.
— Oh, pelo amor do saco plástico. ZOEY! Pare de berrar e preste atenção!
— Você não merece isso! — Heath andou para perto de Zoey e colocou suas mãos nos ombros dela, forçando-a a ficar parada. — E você pode fazer isso, Zo. Você tem que fazer. Se você fizer, nós podemos ficar juntos.
— Legal. Eu estou em Um Cântico de Natal , como os malditos fantasmas do Natal passado, presente e o que quer que seja. Eles não podem ouvir uma merda de palavra que eu estou falando!
Então talvez, filha, para variar, você devia ouvir.
Aphrodite abafou o suspiro de frustração e fez como a sua Deusa aconselhou, mesmo se sentindo um rastejador olhando estupidamente através da janela do quarto de alguém.
— Você fala sério, Heath? — Zoey olhou para Heath, parecendo por um instante mais com ela mesma do que com a coisa fantasmagórica que não conseguia se manter. — Você realmente quer ficar aqui? — Ela sorriu timidamente para Heath, o corpo dela contraiu-se inquieto sobre as mãos dele.
Ele a beijou, e então disse, — Baby, onde quer que você esteja, é onde eu quero estar – para sempre.
Com um gemido doloroso, Zoey saiu dos braços de Heath. — Me desculpe. Me desculpe. — Ela disse, andando e chorando de novo. — Eu não posso me manter. Eu não consigo descansar.
— É por isso que você tem que deixar a sua alma junta de novo. Você não pode ficar comigo se não o fizer. Zo, você não pode ser nada se não o fizer. Você vai simplesmente continuar se movendo e movendo e perdendo pedaços de si mesma até você desaparecer totalmente.
— Foi por minha culpa que você morreu; é minha culpa que você está aqui onde você não pertence. Como você ainda pode me amar? — Ela tirou seu cabelo pegajoso do rosto e começou a circular ao redor e ao redor de Heath – nunca parada – nunca descansando.
— Não é a sua culpa! Kalona me matou. Isso é tudo que existe para ele. De qualquer jeito, que diferença faz onde estamos e até se estamos vivos ou mortos, enquanto estivermos juntos?
— Você fala sério? De verdade?
— Eu te amo, Zoey. Eu te amo desde o primeiro dia que te conheci, e eu vou te amar para sempre. Eu prometo. Se você estiver inteira novamente, nós vamos ficar juntos eternamente.
— Eternamente — Zoey sussurrou a palavra. — E você realmente me perdoa?
— Baby, não tem nada para perdoar.
Com o que era obviamente um grande esforço, Zoe parou de se mover, e disse, — Então, por você, eu vou tentar fazê-lo. — Zoey abriu seus braços e jogou sua cabeça para trás. O corpo pálido dela começou a brilhar, primeiro com uma pequena e experimental luz a partir de dentro. Zoey começou a chamar nomes, e...
Aphrodite foi sacudida da visão e retirada do bosque tão rapidamente que seu estômago deu um solavanco nauseabundo. — Oh, ugh! Muito rápido, muito rápido. Posso vomitar.
Um vento morno passou por ela, acalmando sua tontura. Quando ela começou a andar de novo, a sua náusea tinha sumido, mas não sua confusão.
— Okay, eu não entendo. Z se junta de novo, mas ela fica aqui com Heath ao invés de voltar para seu corpo?
Nessa versão do futuro, sim.
Aphrodite hesitou e então, relutantemente, perguntou, — Mas ela está feliz?
Sim. Zoey e Heath estão contentes e juntos no Outromundo pela eternidade.
Aphrodite sentiu a tristeza, pesada e grossa, mas ela tinha que continuar, — Então talvez Z devesse ficar onde ela está. Nós vamos sentir falta dela. Eu vou sentir falta dela. Aphrodite hesitou, dominando um impulso inesperado de chorar antes de continuar, — Seria definitivamente uma droga para Stark, mas se este é o lugar que ela está destinada a ficar, então Zoey devia ficar.
O que é destinado para cada pessoa muda com suas escolhas. Essa é apenas uma versão do futuro de Zoey, e como muitas escolhas que são feitas no Outromundo, o dela tem tópicos que mudam a tapeçaria do futuro da Terra. Se Zoey escolher ficar, eis o novo futuro da terra.
Aphrodite foi sugada para dentro de uma cena que era muito familiar. Ela estava parada no meio do campo onde ela esteve durante sua última visão. Exatamente como antes, ela estava com as pessoas que estavam queimando – humanos, vamps e calouros. Ela reexperimentou a dor do fogo, juntamente com a agonia abstrata que a tinha envolvido durante a visão original. Como a última visão, Aphrodite olhou para cima para ver Kalona de pé diante de todos, só que desta vez Zoey não estava com ele – fazendo ou dizendo qualquer coisa que ela disse na segunda parte da visão, que o destruiu. Em vez disso, Neferet andou para a cena. Ela passou por Kalona, olhando para as pessoas em chamas. Então ela começou a traçar intricados padrões no ar ao seu redor, e enquanto ela fazia isso a Escuridão florescia ao seu redor. Se espalhando a partir dela, manchando o campo, extinguindo o fogo, mas sem levar para longe a dor.
— Não, eu não vou matá-los! — Ela gesticulou com um dedo, e um conjunto de tentáculos se enrolou ao redor do corpo de Kalona. — Me ajude a torná-los meus.
Kalona os absorveu. Aphrodite se concentrou nele, e, como uma miragem se materializando, os tentáculos da Escuridão que cobriam o corpo do imortal ficaram visíveis. Eles se contorceram, causando que a pele do imortal caído se contraísse e tremesse. Kalona arfou, e Aphrodite não conseguia dizer se ele sentiu prazer ou dor, mas ele sorriu sombriamente para Neferet, abriu seus amplos braços para aceitar a Escuridão, e disse, — Como você desejar, minha Deusa.
Coberto com os tentáculos, Kalona subiu de modo que ele ficou na frente dela, e depois o imortal caiu de joelhos e descobriu seu pescoço. Aphrodite assistiu Neferet curvar-se, lamber a pele de Kalona, e com uma fúria gananciosa que era assustadora, ela afundou seus dentes em Kalona e se alimentou dele. Os tentáculos da escuridão tremiam, vibravam, e se multiplicavam.
Totalmente extrapolada, Aphrodite desviou o olhar para ver Stevie Rae entrar no campo.
Stevie Rae?
Uma coisa negra se moveu do lado dela, e Aphrodite percebeu que Stevie Rae estava de pé do lado de um Corvo Escarnecedor, bem do lado dele – tão perto que eles pareciam estar juntos.
Que porra é essa?
A asa do Corvo Escarnecedor se abriu para cima e para fora, e então se enrolou ao redor de Stevie Rae, como se estivesse segurando-a em um abraço. Stevie Rae suspirou e se moveu para mais perto da criatura, tanto que a asa dele envolveu-a totalmente. Aphrodite estava tão chocada pelo suspiro que ela não viu de onde a criança índia veio – ele estava repentinamente ali, bem na frente do Corvo Escarnecedor.
Mesmo através da dor e do choque causado pela visão, Aphrodite conseguiu apreciar o quão incrivelmente linda essa nova criança era. O corpo dele era maravilhoso, e ele estava quase completamente nu, então tinha muita coisa à mostra. Seu cabelo era grosso e longo, e tão negro quanto às penas de corvo que foram trançadas no seu comprimento. Ele era alto e musculoso e simplesmente supergostoso, no geral.
Ele ignorou o Corvo Escarnecedor e estendeu sua mão para Stevie Rae, dizendo, — Me aceite, e ele irá embora.
Stevie Rae saiu do abraço alado da criatura, mas não pegou a mão da criança. Em vez disso, ela disse, — Não é tão simples assim.
Ainda ajoelhado em frente de Neferet, Kalona gritou, — Rephaim! Não me traia novamente, meu filho!
As palavras do imortal serviram como um incentivo para o Corvo Escarnecedor. Ele atacou a criança indiana. Os dois começaram a lutar brutalmente enquanto Stevie Rae permaneceu ali, fazendo nada exceto olhar para o Corvo Escarnecedor e chorar quebradamente. Através dos seus soluços, Aphrodite conseguiu ouvi-la dizer, — Não me deixe, Rephaim. Por favor, por favor não me deixe.
No distante horizonte atrás de todos eles, Aphrodite viu o que pensou que era um nascer do Sol escaldante, mas enquanto ela apertava os olhos contra o brilho, ela percebeu que não era o Sol, e sim um enorme touro branco subindo sobre o corpo abatido de um touro preto enquanto ele tentava, e falhava, proteger o resto do que foi, um dia, o mundo moderno.
Aphrodite foi arrancada da visão. Nyx a segurou em uma brisa carinhosa enquanto a alma dela tremia. — Oh, minha Deusa — ela sussurrou. — Não, por favor, não. Uma escolha feita por uma adolescente é capaz de bagunçar a balança da Luz e da Escuridão no mundo inteiro? Como isso é mesmo possível?
Considere que a sua escolha pelo bem abriu um caminho para que uma geração inteiramente nova de vampiros existisse.
— Os calouros vermelhos? Mas eles já existiam antes de eu fazer qualquer coisa.
Sim, mas o caminho para recuperar a humanidade deles estava fechado, até que o seu sacrifício – sua escolha – abriu-o. E você não é somente uma adolescente?
— Oh, pelo amor do saco plástico. Zoey tem que voltar.
Então Heath tem que seguir em frente do meu reino do Outromundo. Esse é o único jeito de Zoey voltar ao seu copo se sua alma ficar inteira novamente.
— Como eu posso ter certeza que isso aconteça?
Tudo que você pode fazer é dar a eles o conhecimento, filha. A escolha deve descansar com Heath e Zoey e Stark.
Com um solavanco, Aphrodite foi puxada de volta e de volta. Arfando, ela abriu seus olhos e piscou através da dor e da névoa de lágrimas vermelhas para ver Darius inclinado sobre ela.
— Você retornou para mim?
Aphrodite sentou. Ela estava tonta, e sua cabeça latejava através dos seus olhos com uma dor que ela conhecia muito bem. Ela tirou seu cabelo do rosto, surpresa por quanto a sua mão estava tremendo.
— Beba isso, minha beleza. Você deve se restabelecer após uma jornada espiritual. — Ele a ofereceu uma taça e ajudou-a a levá-la para os lábios.
Aphrodite deu um gole no vinho, e então disse, — Me ajude a chegar até Stark.
— Mas os seus olhos – você deve descansar!
— Se eu descansar, eu vou correr o risco de que a droga do mundo inteiro vá para o inferno. Literalmente.
— Então eu vou te levar até Stark.
Se sentindo fraca e de certo modo com a cabeça flutuando, Aphrodite se apoiou em seu Guerreiro enquanto eles retornavam para Fianna Foil, onde muito pouco tinha mudado. Sgiach ainda estava assistindo seu Guardião enquanto ele, lentamente e metodicamente continuava a cortar Stark.
Aphrodite não desperdiçou nenhum tempo. Ela foi direto até Sgiach.
— Eu tenho que falar com Stark. Agora.
Sgiach olhou para ela, observando seu corpo trêmulo e seus olhos injetados de sangue. — Você usou o seu dom?
— É, e eu tenho que contar algo para Stark, ou isso vai ficar ruim. Para todo mundo. Muito ruim.
A rainha acenou e sinalizou para Aphrodite seguir ela à Seol ne Gigh.
— Você terá somente um momento. Fale rápido e claramente para Stark. Se você o segurar muito aqui, ele não será capaz de refazer seu caminho para o Outromundo até que ele se recupere da jornada de hoje, e você deve entender que essa recuperação pode levar semanas.
— Eu entendi. Eu tenho uma chance nisso. Estou pronta. — Aphrodite disse.
Sgiach tocou o antebraço do seu Guardião. Era a mais leve das carícias, mas causou uma reação enorme pelo corpo de Seoras. Ele pausou o curso descendente de outra fatiada. Seu olhar fixo permaneceu em Stark, mas com uma voz como cascalho, ele disse, — Mo bann ri? Minha rainha?
— Chame-o de volta. A profetisa deve falar com ele.
Os olhos de Seoras se fecharam como se as palavras dela o ferissem, mas quando ele abriu-os novamente ele respondeu com um rosnado baixo, e disse apenas, — Sim, mulher... como você desejar. — Ele colocou a mão que não estava segurando seu punhal na testa de Stark. — Me ouça, garoto. Você dever retornar.

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