4 de outubro de 2015

Capítulo 23

— Aí está você. Dessa vez você me trouxe a um lugar de sua escolha, ao invés de eu chamar você.
Kalona entrou em vista ao lado do banco de mármore, como se ele tivesse se materializado em pleno ar. Eu não disse nada. Eu estava muito ocupada tentado controlar o batimento em pânico do meu coração.
— Sua Deusa é bem estranha — ele disse em um tom amigável e de conversa depois que ele me sentou no banco. — Eu posso sentir o perigo nesse lugar por você. Me surpreende que ela permita que você fique aqui, especialmente porque ela deve saber que você me chamaria para você. Eu imagino que ela acredita estar avisando você, te preparando, mas ela está confundindo minhas intenções. Eu pretendo ressuscitar o passado, e para fazer isso, o presente deve morrer. — Ele pausou, e com um gesto de contemplação gesticulou em direção da riqueza da costa da água para longe de nós.
— Tudo isso não significa nada para mim.
Eu não fazia ideia do que ele estava falando e quando finalmente encontrei minha voz, tudo que eu consegui dizer foi um brilhante, — Eu não te chamei para mim.
— É claro que chamou. — Ele estava íntimo e flertando, como se fosse meu namorado e eu estivesse sendo meio tímida sobre admitir o quanto eu gostava dele.
— Não — eu falei sem olhar para ele. — Eu não te chamei para mim — eu repeti. — E eu não faço ideia do que você está falando.
— Meu reflexo não é importante. Tudo ficará claro com o tempo. Mas, A-ya, se você não me chamou, então explique como me juntei a seu sonho.
Me preparando contra a atração que eu já sentia vinda do som da voz dele, eu virei minha cabeça para olhar para ele. Ele era jovem de novo, e parecia ter 18 ou 19 anos. Ele estava usando jeans que eram confortavelmente soltas e tinha aquele sexy, esse-é-meu-jeans-favorito-porque-cabe-em-mim-perfeitamente visual. E era isso. Ele não usava sapatos ou camisa. As asas dele eram milagrosas. Elas eram do preto de um céu sem estrelas e brilhavam na luz fraca com uma beleza sedosa própria. A pele bronzeada sem falhas dele parecia se acender. O corpo dele era além do inacreditável. Era como o rosto dele - tão lindo, tão perfeito, que é impossível descrever.
Com um profundo senso de choque eu percebi que era como a aparência de Nyx tinha parecido para Aphrodite e eu. Ela tinha sido tão doutro mundo em sua beleza que fomos incapazes de descrevê-la. E, por alguma razão, a similaridade entre Kalona e Nyx me deixou incrivelmente triste, triste pelo que uma vez ele pode ter sido e para o que ele se tornou.
— O que é, A-ya? O que a fez parecer como se quisesse chorar?
Eu comecei a escolher e a pegar minhas palavras com cuidado e então parei. Se esse era meu sonho - se trazer Kalona para mim era algo que eu estava fazendo - então eu ia ser honesta. Então eu falei a verdade.
— Estou triste porque não acho que você sempre foi o que é agora.
Kalona ficou incrivelmente parado. Parecia que a perfeição nas feições dele haviam se solidificado e transformado ele na estátua de um deus.
No sonho me senti inconsciente do tempo, então pode ter passado um segundo ou um século antes dele responder. — E o que você faria se soubesse que eu nem sempre fui o que sou agora, minha A-ya? Você me salvaria ou você me sepultaria?
Eu encarei os olhos luminosamente âmbares dele e tentei ver a alma dele. — Eu não sei — eu disse honestamente. — Eu não acho que conseguiria fazer nenhum dos dois sem ajuda sua.
Kalona riu. O som dançou pela minha pele. Me fez querer jogar minha cabeça para trás e abrir meus braços e abraçar a beleza dele. — Eu acho que você está correta — ele
disse, sorrindo nos meus olhos.
Eu desviei o olhar primeiro, encarando o oceano e tentando esquecer o quão incrivelmente sedutor ele era.
— Eu gosto desse lugar. — Eu podia ouvir o sorriso na voz dele. — Eu sinto poder – um poder antigo. Não é de se admirar que elas tenham escolhido vir aqui. Me lembra o lugar de poder no qual eu me reergui dentro da House of Night, embora o elemento da terra não seja forte aqui. Isso é confortável para mim. É agradável.
Eu me foquei na única coisa que ele tinha dito que eu podia de fato compreender.
— Eu acho que não é surpresa você estar mais confortável numa ilha. Já que você não gosta muito da terra.
— Só tem uma coisa que eu gosto sobre a terra, e isso é descansar em seus braços, embora seu abraço tenha durado tempo demais mesmo para minha grande capacidade para prazer.
Eu olhei para ele de novo. Ele ainda estava sorrindo gentilmente para mim. — Você tem que saber que eu não sou realmente A-ya.
O sorriso dele não diminuiu. — Não, eu não sei disso. — Devagar, ele se estendeu e passou uma longa mecha do meu cabeço entre seus dedos. Olhando nos meus olhos, ele deixou o meu cabelo deslizar na palma dele.
— Eu não poderia ser ela — eu disse um pouco abatida. — Eu não estava na terra quando você se libertou. Eu vivo na terra pelos últimos 17 anos.
Ele continuou acariciando meu cabelo enquanto me respondia, — A-ya se foi a séculos, dissolvida novamente na terra em que a formou. Você é simplesmente ela, renascida através da filha do homem. É por isso que você é diferente dos outros.
— Isso não pode ser verdade. Não sou ela. Eu não te conhecia quando você se reergueu. — Eu disse.
— Tem certeza que não me conhecia? — Eu podia sentir o frio da pele dele irradiando pelo meu corpo, e eu queria me inclinar nele. Meu coração estava batendo com força de novo, só que dessa vez não era de medo. Eu queria estar perto desse anjo caído mais do que eu já havia querido qualquer coisa na minha vida. O desejo que eu sentia por ele era ainda maior que o do sangue Imprinted de Heath. Como seria provar o sangue de Kalona?
A ideia me fez tremer com um delicioso e proibido impulso. — Você sente também — ele murmurou. — Você foi feita para mim; você pertence a mim.
As palavras dele cortaram meu desejo. Eu levantei e virei até o fim do banco, colocando um braço de mármore dele entre nós. — Não. Eu não pertenço a você. Eu não pertenço a ninguém a não ser a mim mesma e Nyx.
— Você sempre fala naquela deusa miserável! — A sedutora intimidade evaporou da voz dele, e ele era mais uma vez o frio anjo sem moral cujo temperamento mudava num segundo e que podia matar com um pouco mais do que um pensamento. — Porque você insiste em ser leal a ela? Ela não está aqui. — Ele abriu os braços e as magníficas asas dele se espalharam como uma capa viva. — Quando você mais precisa dela, ela se afasta de você e deixa você cometer seus erros.
— Se chama livre arbítrio — eu disse.
— E o que tem de tão maravilhoso no livre arbítrio? Humanos o utilizam mal eternamente. A vida pode ser tão mais feliz sem ele.
Eu balancei minha cabeça. — Mas eu não seria mais eu mesma sem ele. Eu seria uma marionete.
— Não você. Eu não tirarei sua vontade. — O rosto dele mudou instantaneamente, voltando para o anjo amoroso, o ser que era tão lindo que era fácil entender porque alguém poderia jogar fora seu livre arbítrio só para ficar perto dele. Graças a Deus, esse alguém não era eu.
— O único jeito de você fazer eu te amar seria tirar meu livre arbítrio e me ordenar a ficar com você, como se eu fosse sua escrava. — Eu me segurei para a explosão que eu
achei que minhas palavras iriam causar, mas ele não gritou ou pulou do banco ou deu qualquer tipo de surto. Ao invés disso ele simplesmente disse, — Então seremos inimigos, você e eu.
Ele não falou como uma pergunta, então eu decidi que era melhor não responder ele. Ao invés disso eu perguntei, — Kalona, o que você quer?
— Você, é claro, minha A-ya.
Eu balancei minha cabeça e impacientemente deixei de lado a resposta dele. — Não, eu não me referi a isso. Eu quero dizer, porque você está aqui pra começo de conversa? Você não é mortal. Você... bem... — eu pausei, sem tem certeza do quanto eu podia forçar com segurança, e então finalmente decidi arriscar; ele já tinha dito que iríamos ser inimigos. — Você caiu, certo? Do, eu não sei, algum lugar em que muitos mortais chamam de paraíso. — Eu pausei de novo, esperando por algum tipo de resposta dele.
Kalona acenou levemente. — Eu caí.
— De propósito?
Ele pareceu vagamente divertido. — Sim, foi minha escolha que me trouxe aqui.
— Bem, porque você fez isso? O que você quer?
Outra mudança se apoderou das feições dele. Ele queimava com um brilho que só poderia ser imortal. Kalona levantou, abriu os braços enquanto suas asas se desdobravam, se espalhando ao redor dele com uma magnitude que fez ser difícil para eu olhar para ele e impossível para eu não olhar.
— Tudo! — ele falou com a voz de um deus. — Eu quero tudo!
E então ele estava ali diante de mim, um anjo brilhante - não caído, só miraculosamente aqui, ao alcance. Mortal o bastante para tocar, mas lindo demais para ser qualquer coisa a não ser um deus.
— Tem certeza que não poderia me amar? — Ele me puxou para os braços dele. As asas dele foram para baixo e se dobraram em mim em sua suave escuridão, um cobertor que estava em contradição direta do maravilhoso, e doloso calafrio do corpo dele que eu estava começando a conhecer tão bem. Ele se curvou, e devagar, como se estivesse dando tempo para mim me afastar, trouxe sua boca até a minha.
Quando nossos lábios se encontraram, o beijo queimou com calor através do meu corpo. Eu me senti cair. O corpo dele, a alma dele, era tudo que eu conhecia. Eu queria me pressionar nele, ter ele se prendendo em mim. A pergunta não era, se eu poderia amar ele, mas como eu podia não amar ele? Uma eternidade abraçando ele - possuindo ele - amando ele - não poderia ser o suficiente.
Uma eternidade abraçando ele...
A ideia se espalhou através de mim. A-ya, tinha sido criada para amar ele e o abraçar pela eternidade.
Oh, deusa! Minha mente chorou, eu sou realmente A-ya?
Não. Eu não podia ser. Eu não podia me permitir ser!
Eu o empurrei. Nosso abraço tinha sido uma rendição tão completa e apaixonada que minha repentina rejeição o pegou de surpresa. Ele tropeçou para trás, me deixando escorregar do abraço duplo dos braços e asas dele.
— Não! — Eu estava balançando minha cabeça para frente e para trás como uma mulher louca. — Eu não sou ela! Eu sou Zoey Redbird, e se eu amar alguém, será porque ele vale a pena amar, e não porque eu sou um pedaço de terra que foi trazido a vida.
Os olhos âmbares dele se estreitaram enquanto raiva cruzava seu rosto. Ele começou a andar em direção a mim.
— Não! — eu gritei.
Eu fui acordada com um choque aos sons de Nala assoviando como louca e alguém sentado do lado da minha cama, tentando se defender contra meus braços que se debatiam.
— Zoey! Está tudo bem. Acorde! Ow! Merda! — O cara disse quando meu punho atingiu a bochecha dele.
— Fique longe de mim! — eu chorei.
Ele prendeu meus dois pulsos com uma das mãos.
— Se controle! — Então ele se estendeu e acendeu meu abajur.
Eu pisquei para o cara que estava sentando na minha cama esfregando a bochecha.
— Stark, o que diabos você está fazendo no meu quarto?

4 comentários:

  1. Esse Kalona é muito seduzente, não tem como negar

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  2. Eu shipo eles dois fortemente!!! 😍😍

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  3. Nas últimas 48 horas, zoey já beijou 4 caras 😂 puxa

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