5 de outubro de 2015

Capítulo 22 - Zoey

Eu ouvi o arfar horrorizado de Stevie Rae ecoar por todos que nos cercavam, mas Darius não hesitou.
— Tem algum Corvo Escarnecedor ainda vivo aqui?
— Nenhum. Que a alma deles apodreça na maior profundidade do Outromundo — Lenobia disse amargamente.
— Mais alguém morreu? — eu perguntei.
— Não, embora tenham vários feridos. Eles encheram a enfermaria. Neferet era nossa única curandeira, e agora que ela... — A voz de Lenobia morreu.
— Então Zoey precisa ir até os feridos — Stark disse. Lenobia e eu enrugamos nossas testas de forma questionadora a ele.
— Eu? Mas eu –
— Você é o mais perto que temos de uma Alta Sacerdotisa. Se tem calouros feridos e vampiros na House of Night, eles precisam de sua Alta Sacerdotisa — Stark disse simplesmente.
— Especialmente se ela tem uma afinidade com espírito. Você poderia definitivamente ajudar a suavizar os feridos — Darius acrescentou.
— Você está correto, é claro — Lenobia disse, tirando seu longo cabelo branco aloirado do rosto.
— Desculpe. A morte de Anastasia me atingiu profundamente. Não estou pensando claramente. — Ela sorriu para mim, mas foi muito mais como uma careta com os lábios erguidos do que um sorriso de verdade. — Sua ajuda é bem vinda e necessária, Zoey.
— Eu farei o que puder. — Eu coloquei confiança em minha voz, mas a verdade era que só a ideia de pessoas machucadas fazia meu estômago se retorcer.
— Todos vamos ajudar. — Stevie Rae falou. — Se uma afinidade pode ajudar, talvez cinco possam ajudar cinco vezes.
— Talvez — Lenobia disse, ainda parecendo derrotada e triste.
— Vai trazer esperança de volta.
Eu olhei surpresa para trás e vi Aphrodite se mover para o lado de Darius e envolver sua mão na dele. Lenobia deu um olhar cético. — Eu acho que você verá que as coisas mudaram na House of Night, Aphrodite.
— Tudo bem. Vamos trazer uma boa mudança. — Aphrodite disse.
— Yeah, mudança é quase nosso lema — Kramisha disse. Vários outros garotos fizeram sons de concordância. Eu estava tão orgulhosa deles que eu quase desatei a chorar.
— Eu acho que estamos todos prontos para estar em casa — eu disse.
— Casa. — Lenobia repetiu a palavra com uma voz triste e suave. — Então me sigam para ver o que nosso lar se tornou.
Ela virou, fez um som enforcado, e, como um, os três cavalos seguiram ela sem qualquer comando nosso. Da entrada principal da escola nos movemos para o estacionamento, que foi onde Darius apontou para Heath estacionar o Hummer, e todos pausamos para desmontar e reagrupar. A beira do prédio dos professores a enfermaria bloqueava nossa vista do centro da escola então, ansiosos, tudo que podíamos ver eram sombras dançando feitas pelas chamas. Fora o som do fogo consumindo a madeira, a escola estava absolutamente silenciosa.
— É ruim — Shaunee disse suavemente.
— Como assim? — eu perguntei.
— Eu posso sentir a tristeza pelas chamas. É ruim — ela repetiu.
— Shaunee está correta — Lenobia disse. — Eu vou levar os cavalos para o estábulo. Querem vir comigo, ou preferem... — A voz dela sumiu enquanto seu olhar era atraído para as sombras da fogueira feita entre os antigos carvalhos que cresciam no centro da nossa escola.
— Vamos para lá — eu disse, apontando em direção ao coração da escola. — É melhor encarar.
— Sigo vocês assim que os cavalos foram cuidados — Lenobia disse. Ela desapareceu na escuridão com os cavalos ao seu encalço. A mão de Stark era quente e firme no meu ombro.
— Lembre-se, Kalona se foi, e Neferet também. Isso deixa calouros e vampiros para você lidar, o que deve ser simples depois do que você passou — ele disse.
Heath foi para o meu lado. — Ele tem razão. Mesmo lidar com calouros vermelhos e vampiros não é tão ruim quanto Neferet e Kalona.
— É nosso lar, não importa o que aconteceu — disse Darius.
— Yeah, lar. Já era hora de voltarmos — Aphrodite disse.
— Vamos ver que tipo de confusão Neferet deixou para nós — eu disse abruptamente. Stark e Heath, liderando todo mundo pela calçada que ia até a uma fonte bonita e o jardim fora da entrada do prédio dos professores e das portas de madeira como de um castelo, ao lado de uma torre pequena que era o centro da média. Finalmente, a área central da escola ficou visível.
— Oh, deusa! — Aphrodite ofegou.
Meus pés pararam sem que eu conscientemente dissesse a eles para fazer isso. A cena era tão horrível que eu não consegui me fazer seguir em frente. A pira funerária era uma enorme fogueira que tinha sido colocada sobre e ao redor de um banco de madeira. Eu sabia que era um banco porque embora estivesse queimando, a estrutura ainda estava completamente reconhecível, assim como o corpo que estava no topo dele. Professora Anastasia, a linda esposa do nosso professor de esgrima, Dragon Lankford, tinha sido vestida com algo longo e florido e coberta por uma mortalha de linho branco. Horrível, o corpo dela ainda podia ser visto através dele. Os seus braços estavam cruzados sobre seu peito e seu longo cabelo caía em direção ao chão, se erguendo e crepitando na fogueira. Um terrível barulho, com o choro de uma criança com coração partido, perfurou a noite, e meu olhar, que estava fixado na pira, foi para um lugar perto da cabeça do bando. Dragon Lankford estava ali de joelhos. Sua cabeça estava abaixada e seu longo cabelo estava caído para frente, embora não escondesse o fato de que ele estava chorando. Ao lado dele, um grande gato que eu reconheci como Shadowfax, seu Mane Coon, se inclinou nele, encarando seu rosto. Em seus braços havia um delicado gato branco que estava ronronando e lutando para se libertar, aparentemente querendo se jogar na pira com sua vampira. — Guinevere — eu sussurrei. — É a gata de Anastacia.
Eu pressionei minha mão na minha boca, tentando segurar o soluço que estava crescendo ali. Shaunee se afastou rapidamente de nós e andou até a pira, ficando muito mais perto do que eu poderia ficar. Ao mesmo tempo, Erin se moveu para o lado de Dragon. Então Shaunee ergueu seus braços e chamou alto, — Fogo! Venha até mim!
Eu ouvi a voz suave de Erin pedindo que a água se juntasse a ela. Enquanto a pira e o corpo de repente foram engolfados em chamas camufladas, Dragon foi cercado por uma fria bruma que me lembrou lágrimas. Damien se moveu para perto de Erin. — Vento, venha até mim — ele disse. Eu observei ele direcionar uma brisa suave para soprar para longe o terrível cheiro de carne queimando. Stevie Rae se juntou a Damien. — Terra, venha até mim — ela disse. Instantaneamente a brisa que tinha soprado para longe o cheiro de morte foi preenchido com a doçura delicada de uma campina, trazendo a mente imagens da primavera, de coisas florescendo, e dos prados verdejantes da nossa deusa.
Eu saiba que minha parte era a próxima. Cheia de tristeza andei até Dragon e gentilmente coloquei minha mão em seu ombro, que tremia com o choro. Eu
ergui outra mão e disse, — espírito venha até mim. — Quando eu entendi a linda onda que era o elemento se reunindo ao meu chamado, eu continuei, — Toque Dragon, espírito. Suavize ele e Guinevere e Shadowfax. Ajude o pesar deles a ser suportável.
Então eu me concentrei em direcionar o espírito através de mim, até Dragon e os dois gatos devastados. Guinevere parou de rosnar. Eu senti o corpo de Dragon se contrair e devagar a cabeça dele se ergueu e seus olhos encontraram os meus. Eu lembrei que da última vez que eu tinha visto ele, ele estava lutando contra três Corvos Escarnecedores.
— Abençoado seja, Dragon — eu disse suavemente.
— Como algum dia será suportável, Sacerdotisa? — A voz dele era rouca. Ele soava completamente quebrado. Eu senti um pânico instantâneo – um instante de Eu tenho 17 anos! Eu não posso ajudar ele! Então, como um círculo perfeito, espírito passou de Dragon, para mim, e de volta ao professor de esgrima, e eu tirei força do meu elemento.
— Você verá ela de novo. Ela está com Nyx agora. Ela ou vai esperar por você nos prados da deusa, ou ela renascerá e sua alma irá encontrar você de novo durante esta vida. Você pode suportar porque sabe que o espírito nunca realmente desaparece – nós nunca realmente morremos.
Os olhos dele buscaram os meus, e eu segurei meu olhar firme. — Você derrotou eles? As criaturas se foram?
— Kalona e Neferet se foram. Assim como os Corvos Escarnecedores — eu assegurei a ele.
— Bom... bom... — Dragon curvou sua cabeça e eu ouvi ele rezando suavemente para Nyx, pedindo a deusa para cuidar de sua amada até que eles se encontrassem de novo. Eu apertei seu ombro mais uma vez, me sentindo como uma intrusa, e me afastei para permitir a ele privacidade com seu pesar. — Abençoado seja, Sacerdotisa — ele disse sem erguer sua cabeça.
Eu provavelmente deveria ter dito algo maduro e sábio em resposta, mas então eu estava tão cheia de emoção que não conseguia falar. Stevie Rae de repente estava ao meu lado, Damien ao lado dela. Erin se afastou de Dragon para parar do meu outro lado, e Shaunee parou ao lado dela. Ficamos parados quietos, respeitosamente, um círculo não lançado mas presente enquanto o fogo magicamente aumentado de Shaunee levava os últimos restos da concha física de Anastasia. O silêncio que nos cercava foi quebrado apenas pelo som das chamas e da reza murmurada de Dragon. E foi então que um novo pensamento me atingiu. Eu olhei ao redor da pira. Dragon a tinha colocado no meio do pavimento que circulava entre o Templo de Nyx e o prédio principal da escola. Era uma boa escolha – havia muito espaço para uma fogueira. Também tinha muito espaço para outros professores e calouros, que deveria estar lá, se posicionar ao lado de Dragon e mandando rezas para Nyx por Anastasia, assim como seu parceiro, sem interromper a dor dele, mas sendo testemunhas silenciosas de que amavam e apoiavam ele.
— Ninguém está aqui com ele — eu disse baixo, sem querer que Dragon ouvisse o nojo na minha voz. — Onde diabos estão todos?
— Ele não deveria estar aqui sozinho — Stevie Rae disse, limpando as lágrimas do seu rosto. — Não é certo.
— Eu estava com ele até sentir os cavalos se aproximando — Lenobia disse, se juntando a nós.
— E quanto a todos os outros? — eu perguntei. Ela balançou a cabeça, o nojo que eu senti espelhado no rosto dela.
— Os calouros estão em seus dormitórios. Os professores em seus quartos. Todos os outros estão na enfermaria – todos os outros que teriam se importado de ficar ao lado dele, quero dizer.
— Isso não faz sentido. — Eu não conseguia entender. — Como os estudantes e professores não se importam de ficar com ele?
— Kalona e Neferet podem ter sumido, mas seu veneno ainda permanece — Lenobia disse enigmaticamente.
— Você precisa ir para a enfermaria — Aphrodite disse, vindo por trás de nós. Eu notei que ela continuou a olhar da pira para Dragon.
— Vá — Lenobia disse. — Eu permanecerei aqui com ele.
— Nós também — Johnny B disse. — Ele era meu professor favorito antes de, você sabe.
Eu sabia. Johnny B se referia antes dele morrer e voltar a vida.
— Todos vamos ficar com ele — Kramisha disse. — Não é certo ele estar sozinho, e você e seu círculo tem coisas para fazer lá dentro. — Ela virou seus olhos para a enfermaria. — Vamos — ela chamou, e o resto dos calouros vermelhos saiu das sombras para tomar seus lugares ao lado de Dragon, criando um círculo ao redor da pira.
— Eu vou ficar também — Jack disse. Ele estava chorando, mas não hesitou em tomar seu lugar no círculo que os calouros vermelhos estavam fazendo. Duquesa ficou perto dele, seu rabo e orelhas baixas como se ela realmente entendesse. Sem dizer nada, Erik foi para o lado de Jack. Então Heath me surpreendeu por preencher o lugar ao lado de Erik. Ele acenou para mim solenemente antes de baixar sua cabeça. Eu não estava certa da minha voz, então eu simplesmente virei e, com meu círculo me seguindo, junto com Aphrodite, Stark e Darius, entramos na House of Night.

7 comentários:

  1. Coitadinho do Dragon:(

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  2. Acho q o corvo Ephraim vai mudar .

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  3. aposto 100zim que Heath vai ser um calouro kkkkk ate o final da serie.

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    1. To com vc irma ✌ ass.manu

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    2. hiii alguem vai perder a aposta...

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  4. 😦 nossa minha DEUSA!!

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