9 de outubro de 2015

Capítulo 22 - Aurox

Ter que ficar esperando na torre do prédio da estação foi uma chance para Aurox relaxar. Era estranho, mas, desde que ele havia recebido a responsabilidade de salvar Vovó Redbird, o caos e o tumulto em sua mente tinham se acalmado. Ele estava no caminho certo, e sabia disso. E quando os elementos o alcançaram e o fortaleceram tanto que a vontade dele controlou a besta, Aurox se encheu de júbilo.
— Eu sou mais do que uma concha moldada pelas Trevas — as suas palavras ecoaram contra as paredes de pedra da torre, e Aurox sorriu. Ele queria poder gritá-las do alto do edifício Mayo. — Eu vou gritar — ele prometeu a si mesmo em voz alta. — Quando Vovó Redbird estiver livre e segura, vou gritar que escolhi a Luz em vez das Trevas — ele se sentiu bem só de dizer isso, apesar de ser o único a ouvir.
A menos que a Deusa esteja ouvindo...
Aurox levantou os olhos para a noite. O céu estava limpo e, apesar de a estação ficar bem no centro da cidade, um monte de estrelas estava visível, além de uma lasca brilhante de lua.
— A lua crescente. O seu símbolo — Aurox falou para a lua. — Nyx, se você está me ouvindo, eu quero agradecê-la. Você deve ter alguma coisa a ver com o fato de eu poder escolher ser mais do que aquilo que me criou. As Trevas não teriam me dado essa escolha, só pode ter sido você. Portanto, obrigado. E eu também ficarei muito grato se você puder fortalecer Vovó Redbird. Ajude-a a aguentar firme até eu chegar lá para resgatá-la.
Sentindo-se confiante e feliz, Aurox se recostou na parede arredondada da torre de pedra, fechou os olhos e, com um sorriso ainda no rosto, caiu em um sono profundo.
Aurox não costumava sonhar. Raramente ele se lembrava de alguma coisa do tempo que passava dormindo. Então aquele sonho em que ele estava pescando foi incomum desde o começo.
Aurox nunca tinha pescado, mas o cais em que ele estava sentado parecia muito familiar. O lago plácido era de um azul-topázio e estava dentro de um lindo bosque com árvores aparentemente ancestrais. Ele nunca tinha segurado uma vara de pesca antes, mas aquela vara parecia se encaixar naturalmente em suas mãos. Aurox enrolou a linha e depois a arremessou. A boia caiu no lago fazendo um barulho reconfortante. Ele suspirou e olhou preguiçosamente para a superfície espelhada da água – e sentiu um choque perturbador.
O rosto de Aurox não estava olhando de volta para ele, mas, sim, o rosto de outro garoto. Ele tinha um cabelo bagunçado cor de areia, e os seus olhos azuis estavam arregalados com a surpresa que Aurox estava sentindo.
Ele levantou a mão e tocou o seu rosto.
— Este não sou eu — ele falou para o reflexo incorreto e sentiu uma onda de choque de novo. A voz era sua, mas ela estava dentro do corpo errado! — É um sonho. Simplesmente uma imagem da minha mente adormecida.
Aurox só precisava acordar. Mas ele não conseguia parar de olhar para o garoto. Então o reflexo abriu a boca e começou a falar palavras sobre as quais Aurox não tinha nenhum controle.
— Ei, se liga. Você só pegou a minha escolha e a minha bondade emprestadas. Elas não são suas.
O pavor tomou conta de Aurox. O garoto em seu corpo estava dizendo a verdade. No reflexo, Aurox se viu balançando a cabeça de um lado para o outro sem parar, negando o que o seu coração afirmava.
— Não, eu escolhi a Luz em vez das Trevas. Eu fiz essa escolha!
— Pense melhor, cara. Eu fiz a escolha, você só pegou carona. Então você não pode se dar ao luxo de relaxar, principalmente quando vai resgatar a avó de Zo.
— Zo — Aurox franziu a testa. — Eu não devo chamá-la dessa forma.
— Ah, não diga, Sherlock. Isso é porque eu costumava chamá-la de Zo. Só estou avisando para você ficar ligado. Não fique tão convencido. As coisas não vão ser tão fáceis assim para você. Estou fazendo o melhor que eu posso, mas vai chegar a hora em que você vai ter que assumir a responsabilidade.
Então um peixe puxou a linha de Aurox, fazendo a água se ondular, turvando a sua superfície espelhada e fragmentando o sonho.
Aurox abriu os olhos. Ele ficou ofegante e se sentou rapidamente. O seu coração estava batendo tão forte que Aurox sentiu a besta dentro dele se agitar. Ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro para aplacar a sua ansiedade.
Ele levantou os olhos para o céu. O crescente prateado havia se movido. Aurox olhou para o relógio que Stark tinha emprestado para ele. Já eram quase 22 h. Thanatos iria estar de volta para buscá-lo a qualquer momento. Ele precisava se recompor e descer até a frente do velho edifício da estação. Ele precisava reencontrar a sua confiança e se preparar para confrontar Neferet e as Trevas.
Aurox subiu a escada de metal enferrujada e então saltou de cima da torre para o telhado da estação. De lá, correu até alcançar a escadaria lateral. Ele estaria esperando quando Thanatos o chamasse. Ela estava contando com ele. Zoey estava contando com ele. Todos estavam contando com ele.
Ele iria provar que eles estavam certos em confiar a ele a vida de Vovó Redbird.
— Foi só um sonho. Nada mais do que isso — Aurox falou para o vazio da noite.
A sua voz o reconfortou, mas o seu coração doía porque uma dúvida assustadora havia se infiltrado dentro dele.


Zoey

— Lá está ele, esperando embaixo da parte mais escura da entrada da estação, exatamente onde Thanatos disse para ele ficar — apontei para a entrada da estação abandonada com aparência de Gotham City.
Aurox estava nas sombras, mas o seu cabelo superloiro e os seus olhos cor de pedra da lua não deixavam que ele ficasse exatamente camuflado.
Stark se aproximou mais dele e Thanatos abriu a porta traseira do carro, um dos muitos SUVs da escola, fazendo um gesto para que ele entrasse.
— Não está todo mundo aqui — Aurox disse depois de fechar a porta e olhar ao redor dentro do veículo.
— Ahn, é claro que não — respondi, pensando que ele parecia muito nervoso. — Thanatos fingiu que nos dividiu para cumprirmos diferentes missões, para que Neferet não escute nada que a deixe desconfiada, lembra?
— Ah, sim. Sim. — Ele fez uma pausa e então acrescentou: — Merry meet, Thanatos.
— Merry meet, Aurox. Não se preocupe. O resto do nosso grupo vai se juntar a nós perto do edifício Mayo.
— Você está bem? Parece que você está meio pálido — Shaylin falou do banco de trás.
Estiquei o pescoço para olhar para ele.
— Pálido como? A aura dele está mudando?
— Não, a aura dele está igual. Eu quis dizer pálido mesmo. O rosto dele está branco — Shaylin observou.
— Eu estou bem — Aurox disse com firmeza. — Apenas ansioso para terminar de fazer o que tem que ser feito.
— Assim como nós — Thanatos afirmou. — Acalme-se e deixe essa tensão para a batalha.
Aurox assentiu e ficou em silêncio. Eu mordi o lábio e fiquei pensando em Vovó e olhando para fora da janela. Felizmente, o edifício Mayo não ficava longe da estação. Stark saiu da Quinta Avenida e estacionou nos fundos do edifício Oneok Plaza, que ficava em frente ao Mayo. Outro SUV escuro já estava lá. Darius, Aphrodite, Shaunee e Damien desceram do carro. Shaunee e Damien estavam segurando as velas dos seus elementos. Aphrodite estava dando uma mão para Darius e, na outra mão, ela tinha um livro de Geometria supergrosso.
— Geometria? Sério? Essa era a melhor escolha para a nossa falsa sessão de estudos? — percebi que eu estava falando coisas bobas sem pensar, mas realmente detestava Geometria.
— Falsa é a palavra-chave. A gente não vai estudar de verdade. A gente só vai fingir que está estudando, retardada.
— Sim, ok, tudo bem — eu falei. — Eu sei que a gente não vai estudar de verdade. Eu só estou muito nervosa e preocupada com Vovó.
— O que é totalmente compreensível — Damien me abraçou.
— É por isso que estamos aqui. A gente vai resgatá-la — ele olhou para Aurox. — Você está pronto?
Aurox assentiu. Eu achei que ele não parecia estar pronto, mas provavelmente eu também não parecia pronta, então tentei não julgá-lo. Shaylin e eu estávamos pegando as nossas velas dos elementos nas nossas bolsas quando Kalona, silencioso como a própria noite, desceu do céu.
— Alguma novidade na escola? — Thanatos perguntou para o imortal alado.
— Dallas e Erin fragmentaram o grupo dos novatos vermelhos. Eles semeiam a discórdia, mesmo dentro da sua própria espécie. Vamos ter que lidar com eles quando isto aqui acabar.
— De acordo — Thanatos afirmou. — Mas o nosso plano funcionou.
— Sim. Eles estão tão ocupados exibindo para os outros estudantes a responsabilidade que você deu a eles que não estão preocupados com o que Zoey, você e qualquer um de nós estamos fazendo — Kalona contou.
— Erin está cometendo um grande erro — Shaunee falou em voz baixa.
— Estou feliz que ela está errando sozinha, sem você — Damien disse.
— Todos nós estamos felizes por isso — concordei.
Então o meu fusca estacionou, e Stevie Rae e Rephaim saíram do carro.
— Desculpem pelo atraso — ela chegou apressada com a sua vela verde. — Erin e Dallas estavam em um carro atrás de mim, então tive que fingir que estava indo para o clube Henrietta Hen. Aff, eu estava com medo de que eles me seguissem o caminho todo, até que saíram da estrada e percebi que só estavam indo para a loja de iluminação Garbes. — Ela fez uma pausa e olhou para mim. — Você está bem, Z? Você está parecendo um cervo assustado na frente do carro, iluminado pelos faróis.
Pisquei e percebi que eu a estava encarando.
— É que é tão estranho ver você sem as suas tatuagens.
Stevie Rae levantou a mão e tocou a testa, tomando cuidado para não borrar a maquiagem pesada que cobria a sua bela Marca de vampira.
— É, para mim também é. Todos vocês estão estranhos.
— Mas assim chamamos menos atenção, e é isso o que importa hoje à noite — Stark afirmou.
Eu entendia e concordava que todos nós tínhamos que ser discretos – que inferno, até Kalona estava usando um casaco de couro comprido que, no escuro, realmente escondia a maior parte das suas asas gigantes. Mas isso não mudava o fato de que, sem as nossas Marcas, nós parecíamos estranhos, comuns e ordinários. Ordinários demais. E hoje nós precisávamos ser poderosos, confiantes e extraordinários. Tentei me concentrar no lado positivo e acreditar que todos nós ficaríamos bem, mas a verdade era que o meu estômago estava doendo e eu estava me esforçando para não chorar.
Não. Eu não vou chorar. Garotinhas fracas choram. Líderes agem. Para o bem de Vovó, se não pelo meu próprio bem, eu vou agir.
— Ei, a sua Marca está dentro de você. Ela nunca pode ser coberta, perdida ou esquecida — Stark falou para mim, obviamente sentindo a minha tensão.
— Obrigada por me lembrar disso — respondi, tocando com carinho o seu rosto temporariamente sem tatuagens.
— Vamos todos nos lembrar disso. O nosso poder não reside nos ornamentos da nossa espécie, mas dentro de cada um de nós, através das nossas escolhas e dos dons concedidos pela nossa Deusa — Thanatos afirmou. — Portanto, nós devemos começar. O primeiro passo nesta noite é a abertura do nosso círculo e a realização de um feitiço de proteção. Quando eu colocar o feitiço em andamento, o nosso círculo vai ser encoberto. Desde que o círculo não se rompa, vocês cinco estarão seguros. Os olhos humanos não serão capazes de vê-los. As mãos humanas não poderão fazer mal a vocês. Mas, antes e depois do feitiço, todos vocês estarão vulneráveis.
Os pelinhos do meu braço estavam se arrepiando e eu tinha que respirar fundo para não surtar totalmente. Continuei olhando de relance para Aurox. Ele quase não tinha falado nada desde que nós o havíamos buscado. Na minha mente, imaginei a Deusa como da última vez em que eu a vira: voluptuosa, sábia e forte. Rezei em silêncio. Por favor, Deusa, faça com que ele esteja preparado para isso!
— Shaunee, a frente do edifício Mayo é voltada para o sul. Apesar de estarmos no inverno, há mesas tipo bistrô ao ar livre perto da entrada. É lá que você vai se posicionar com a sua vela. Darius, você vai com Shaunee. Proteja-a — Thanatos os orientou.
— Sim, Alta Sacerdotisa — Darius respondeu solenemente. — Eu também estarei perto o bastante para proteger Aphrodite e Zoey, se for preciso.
— As mesas fazem parte do restaurante. Elas ainda estão lá por causa dos fumantes — Aphrodite explicou.
Ela enfiou a mão na bolsa, vasculhou o seu interior e depois jogou um maço de cigarros para Shaunee.
— Você fuma? — parecia uma pergunta idiota, mas, depois de tudo o que passamos juntas, fiquei chocada de pensar que Aphrodite podia ser fumante.
— Que inferno, claro que não. Você não sabe que cigarro causa rugas? Hello, não quero ficar com a pele esturricada aos trinta anos. Eu sei sobre as mesas para fumantes porque já estive no restaurante do edifício Mayo antes, então eu vim preparada — Aphrodite olhou para Shaunee. — Enquanto Zoey e eu fingimos estudar, você pode fingir que fuma e que Darius é o seu namorado. Atenção, fingir é uma palavra importante aqui. Lembre-se que eu vou estar logo atrás da janela, de onde posso ver tudo, e que vou matar você se o fingimento for muito convincente. Ah, peça a sopa de chili branco. Essa você não precisa fingir que vai comer. É boa.
— Obrigada — Shaunee agradeceu. — E apesar de você ser mais do que detestável, obrigada pelo empréstimo do seu guerreiro.
— Não precisa agradecer nem tocar mais nesse assunto. Sério. Jamais.
— Damien — Thanatos continuou, ignorando Aphrodite, assim como todos nós — um beco acompanha a parede leste do edifício Mayo. É mal iluminado e é lá que eles acondicionam o lixo. Você pode se posicionar ali. Stark, você acompanha Damien. Se alguém tentar mexer com ele antes de o círculo estar traçado e de o feitiço de proteção ser feito, você deve usar todas as suas habilidades de controle da mente para afastar essa pessoa.
Stark assentiu.
— Entendido. Não vou deixar ninguém mexer com Damien. Assim como Darius não vai deixar ninguém mexer com a minha Z.
— Você tem a minha palavra de que não vou mesmo — Darius afirmou.
Apertei a mão de Stark. Eu sabia que ele odiava se separar de mim, mas, assim como eu, ele entendia o motivo. O círculo tinha que ser protegido, e o ar de Damien era o primeiro elemento a ser chamado, então ele ficaria ali, segurando uma vela, parado num beco frio e escuro, esperando que Thanatos desse toda a volta no quarteirão e fizesse o feitiço de proteção. Damien ia ficar muito mais vulnerável do que eu, num restaurante bacana, fingindo estudar Geometria.
— Stevie Rae, o beco de Damien acaba no caminho de entrada dos funcionários, bem atrás do edifício, num trecho da Quarta Avenida.
Stevie Rae assentiu para Thanatos.
— Lá é o meu norte. Rephaim e eu estaremos lá.
Thanatos se voltou para Shaylin.
— A Cheyenne Street é a rua do lado oeste do edifício Mayo. Não há nenhum local adequado para você se esconder. É simplesmente uma calçada entre um prédio e uma rua. A água é o terceiro elemento a ser chamado. Não vou mentir. Você vai ficar sozinha até que a terra e o fogo completem o círculo.
— Não, ela não vai estar sozinha — eu disse rapidamente, satisfeita com as palavras que a minha intuição estava me levando a falar. — Nyx vai estar com ela. Ela já concedeu dons incríveis a Shaylin: a Visão Verdadeira, uma afinidade com a água e a capacidade de poder mental que todos os novatos vermelhos têm.
— É verdade, Shaylin — Stevie Rae acrescentou. — Você não foi Marcada há muito tempo, então não teve muito tempo para praticar porque, bem, nós decidimos que não é muito legal ficar mexendo na cabeça de pessoas comuns, mas você pode fazer isso. Se alguém tentar perturbá-la, apenas olhe para essa pessoa. Faça com que ela olhe nos seus olhos e depois diga o que você quer que ela faça, pensando seriamente nisso.
Shaylin assentiu. Ela não parecia nem um pouco nervosa. Ela parecia firme feito uma rocha.
— Eu vou pensar: “Vá embora, deixe-me em paz, esqueça que você me viu!”. Está bom assim?
— Sim, está ótimo — Stevie Rae sorriu. — Viu só, é moleza.
— Eu também vou cuidar de você — Kalona disse.
— Não! Shaylin pode cuidar de si mesma. Todos nós podemos. Você não deve tirar os olhos do alto do edifício Mayo e da varanda da cobertura de Neferet. No mesmo segundo em que você avistar Vovó, voe imediatamente até ela e a salve. Esse é o seu único trabalho hoje — eu afirmei.
— Isso não é verdade, jovem Sacerdotisa — Thanatos me corrigiu. — Kalona é o meu guerreiro, e como tal ele tem a responsabilidade de proteger os nossos novatos, além de proteger a mim — ela caminhou na direção de Kalona. — Encubra-me enquanto eu traço o círculo e faço o feitiço. Cuide dos nossos. Certifique-se de que o palco esteja montado para o que nós pretendemos realizar nesta noite — o olhar de Thanatos passou por mim e então se fixou em Aurox, que estava parado na beirada do nosso grupo. — Até que o círculo seja traçado, você não deve entrar no covil de Neferet.
— Eu vou esperar até sentir a presença dos elementos — Aurox afirmou.
— Lembre-se, Aurox, sem a força dos elementos, você não tem meios de controlar a besta, e ela vai emergir quando Neferet perceber que você foi até lá para salvar a prisioneira dela — Thanatos o advertiu.
— Vou me lembrar disso — ele falou.
— E eu vou me certificar de que o seu círculo seja traçado — Kalona disse. — Do céu, vou zelar por todos vocês — o imortal alado virou o seu olhar âmbar e frio para Aurox. — Você sabe que eu não posso ajudá-lo. Você vai ter que lutar sozinho para escapar do covil de Neferet.
Senti uma pequena onda de surpresa. Eu estava tão concentrada em tirar Vovó a salvo de lá que nem pensei no que ia acontecer a Aurox depois de tudo.
— Espere, você não pode carregar os dois para fora de lá? — perguntei a Kalona.
— Em segurança? Não. Há alguns limites para a minha força imortal — Kalona respondeu. — Aurox, se eu derrubar você do céu, você morre?
Kalona falou sobre cair do céu para Aurox de um jeito tão natural e bizarro, como se ele estivesse perguntando se ele preferia queijo suíço com presunto ou com peito de peru.
Aurox fez um movimento impaciente com o ombro.
— Acho que isso depende do fato de a besta dentro de mim ter se manifestado ou não. A besta é muito mais difícil de ser destruída do que eu.
— Quando Vovó estiver segura, nós vamos retirar os nossos elementos — agora eu estava soando tão estranhamente calma quanto os dois. — Aurox, deixe a besta assumir o controle o suficiente para que você consiga lutar para sair de lá.
— Você acredita que isso é possível? — Thanatos perguntou a ele.
— Talvez. Acho que isso vai depender muito de Neferet. E-eu não pensei em sair de lá, só em entrar — Aurox respondeu.
— Eu concordo com Zoey. Use a besta. Neferet já precisou de um sacrifício para controlá-la antes. Ela vai precisar disso de novo, mas nessa hora nós já teremos levado o sacrifício dela embora — Thanatos afirmou. — Eu posso mantê-lo em segurança. Quando você voltar a si novamente, vá até a House of Night.
O rosto de Aurox pareceu se iluminar.
— Para ficar? Eu vou poder frequentar a escola?
— Essa é uma pergunta muito séria para que eu possa responder sozinha. O Conselho Supremo deve decidir o seu destino — Thanatos disse.
Prendi a respiração, esperando Aurox pular fora, esperando ele perceber que basicamente estava em uma missão suicida, esperando que ele nos mandasse para o inferno e fosse embora. Mas ele não fez nada disso. Em vez disso, ele encontrou os meus olhos e falou:
— Eu tenho uma pergunta para você.
— Sim, qual é?
— O que significa “pegar carona” em alguém?
Acho que eu não teria ficado tão surpresa se Aurox tivesse se agachado e dado à luz uma ninhada de gatinhos. Por um segundo, eu não consegui nem pensar numa resposta. Até que soltei sem pensar:
— Significa que você não conquistou o que você recebeu, mas que outra pessoa conquistou, então você está pegando carona nela e ganhando crédito dessa forma.
O rosto de Aurox era uma máscara sem emoção. Ele respirou fundo e soltou o ar devagar. Todos nós estávamos olhando para Aurox, mas ele não disse nada. Apenas ficou parado ali, respirando fundo e parecendo quase uma estátua.
— Ok, então, você está pegando carona em quem? — a voz de Stark cortou o silêncio.
Aurox virou os seus olhos de pedra da lua para o meu guerreiro.
— Em ninguém. Em ninguém mesmo, e hoje eu vou provar isso — então o olhar dele encontrou o meu novamente. — Quando eu sentir a presença dos elementos, vou até Neferet. Quando Vovó estiver livre, façam como você disse. Retirem os elementos. Então fujam. Não quero correr o risco de ferir nenhum de vocês, e não posso ter certeza de que terei algum controle sobre a besta. Digam a Vovó que eu falei que a segurança dela é mais importante do que a minha. — Ele passou os olhos pelo nosso grupo enquanto disse: — Merry meet, merry part e merry meet again.
Aurox se afastou de nós, atravessou a Quinta Avenida apressadamente e entrou no edifício Mayo pela porta da frente.
— Esta noite vai ser péssima para ele — Stark murmurou.
— Aloo, você pegou leve — Aphrodite o corrigiu. — Esta vida é péssima para ele.

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