3 de outubro de 2015

Capítulo 21

— A letra da sua avó? — Aphrodite disse. — Tem certeza?
— Absoluta.
— Mas isso é impossível. Eu escrevi a porcaria a apenas alguns minutos.
— Olha, eu fui praticamente transportada aqui por Darius, e isso deveria ser impossível, mas eu definitivamente fiz isso.
— Sim, nerd, já que não existe tal coisa a não ser em Star Trek.
— Você reconhece a referencia do meio de transporte. Você é uma nerd também. — Eu disse presumidamente.
— Não, eu só estou rodeada de amigos nerds.
— Olha, eu tenho certeza que essa é a letra da minha vó, mas espera. Eu tenho uma carta dela no meu quarto. Eu vou pegar. Talvez você tenha razão... — Eu ergui minhas sobrancelhas para ela e acrescentei, — ... para variar, e ele só me lembra a letra dela. — Eu comecei a correr para o meu quarto, mas pensando bem eu parei para mostrar o poema para Aphrodite. — Essa é sua letra normal?
Ela pegou o papel da minha mão e piscou várias vezes para clarear a visão. Eu vi o choque passar pelo rosto dela e sabia o que ela ia dizer antes de dizer. — Bem, merda! Essa com certezaaaa não é minha letra.
— Eu já volto.
Eu tentei não pensar demais no que estava acontecendo enquanto eu corria pelo corredor até o meu quarto, abria a porta, e recebi o “mee-uf-ow!” de surpresa de Nala quando interrompi o sono de beleza dela.
Eu só levei um segundo para pegar o último cartão que vovó tinha me mandado. Ele estava na minha mesa (uma versão muito mais barata que a de Aphrodite). Na frente havia uma figura de três freiras sorrindo (freiras!). Embaixo delas estava escrito, A BOA NOTICIA É QUE ESTAMOS REZANDO POR VOCÊ. Virando o cartão havia uma continuação, A MÁ NOTÍCIA É QUE SÓ TEM TRÊS DE NÓS. Eu ainda estava rindo quando voltei para o quarto de Aphrodite, enquanto imaginava se Irmã Mary Angela iria achar o cartão engraçado ou um insulto. Eu apostei em engraçado, e fiz uma nota mental para perguntar para ela uma hora dessas.
Aphrodite já estava com a mão para fora quando voltei para o quarto dela. — Ok, me deixa ver. — Eu dei a ela o cartão e olhei para ela enquanto ela segurava a curta nota que vovó tinha me escrito. Então ela segurou o papel que tinha o poema do lado dele e ficou olhando de um para o outro, comparando a letra.
— Isso é muito estranho! — Aphrodite disse, balançando a cabeça para as caligrafias similares. — Eu juro que escrevi esse poema 5 minutos atrás, mas essa definitivamente é a letra da sua avó e não minha. — Ela olhou para mim. O rosto dela estava ultra branco em comparação com os horríveis olhos vermelhos. — É melhor ligar para ela.
— Yeah, eu vou. Primeiro eu quero saber tudo que você lembra sobre a visão.
— Tudo bem por você se eu fechar os olhos e colocar o pano de volta no rosto enquanto conversamos?
— Yeah, e eu vou pegar água fresca. Falando nisso, beba um pouco mais da sua garrafa. Você parece, bem, mal.
— Não é de se admirar. Eu me sinto mal. — Ela bebeu o resto da água Fiji enquanto eu molhava o pano de novo. Depois de eu dobrar ele o entregar para ela, ela deitou e se ajeitou nos travesseiros de novo, distraidamente acariciando Malévola. — Eu queria saber sobre o que é isso — ela disse.
— Eu acho que eu sei.
— Não brinca? Você descobriu o poema?
— Não, não quis dizer isso. Eu acho que isso é sobre o mal pressentimento que Stevie Rae e eu estamos sentindo em relação a Neferet. Ela está aprontando algo – algo muito pior do que o normal. Eu acho que ela estava aprontando quando Loren foi morto.
— Eu não ficaria surpresa se você estivesse certa, mas eu tenho que te dizer Neferet não teve nenhum papel na minha visão.
— Então me explique.
— Bem, foi meio que estranhamente claro diferente do tipo das visões que eu tenho tido ultimamente. Era um bonito dia de verão. Eu não sei dizer quem eu era, mas tinha uma mulher sentada no meio de um campo ou, não, era mais como um pasto ou algo assim. Eu podia ver um pequeno penhasco não muito longe, e eu podia ouvir água de uma corrente ou um pequeno rio perto. De qualquer forma, a mulher estava sentada em um grande e branco acolchoado. Eu lembro de pensar que não era muito inteligente da parte da mulher ter um acolchoado branco no chão daquele jeito. Ia ficar todo manchado.
— Não fica. — Eu falei através da dormência e do frio. — Ele é feito de algodão, e lava fácil.
— Então você conhece o que estou descrevendo?
— É o acolchoado da vovó.
— Então devia ser sua avó que estava segurando o poema. Eu não vi o rosto dela. Na verdade eu não vi muito dela. Ela estava sentada com as pernas cruzadas, e era como se eu estivesse parada atrás dela, espiando por cima do ombro dela. Só que, quando eu vi o poema, tudo saiu da minha visão e eu só me foquei nele.
— Porque você o copiou?
Ela deu nos ombros. — Não sei. Eu só precisava, só isso. Então eu o escrevi enquanto ainda estava tendo a visão. Então eu sai dela, procurei por Darius, pedi para ele te chamar, e então eu acho que eu desmaiei.
— É isso?
— O que mais você quer? Eu copiei toda a porcaria do poema.
— Mas suas visões normalmente são avisos sobre coisas realmente ruins que vão acontecer. Então onde está o aviso?
— Não teve um. Na verdade, eu não tive nenhum mau pressentimento. Só havia o poema. O campo era bem legal – quer dizer por ser da natureza. Como eu disse, era um bonito dia de verão. Tudo parecia bem e feliz até eu sair da visão e minha cabeça e olhos doíam pra caramba.
— Bem, eu tenho maus pressentimentos o bastante por nós duas — eu disse, tirando meu telefone da bolsa. Eu olhei para a hora. Quase três da manhã. Droga! Vovó ia estar dormindo. Eu também percebi que perdi todas as minhas aulas hoje a não ser por aquela cena pública com Erik na aula de teatro. Ótimo. Eu suspirei. Eu sabia que vovó ia ser compreensiva – eu só esperava que meus professores também fossem.
Ela atendeu no primeiro toque.
— Oh, Zoey Passarinha! Estou tão feliz por você ter ligado.
— Vovó, desculpe ligar tão tarde. Eu sei que você estava dormindo, e eu odeio te acordar — eu disse.
— Não, u-we-tsi-a-ge-ya, eu não estava dormindo. Eu acordei horas atrás por causa de um sonho com você, e estive acordada e rezando desde então.
A palavra Cherokee familiar para “filha” me fez sentir amada e segura, e de repente eu desejei tanto que a fazenda de lavanda dela não fosse a uma hora e meia de Tulsa. Eu queria poder ver ela agora e deixar ela me abraçar e me dizer que tudo ficaria bem, como ela costumava fazer quando eu era pequena e ficava com ela depois que a minha mãe casou com meu padrasto-perdedor e virou uma ultra-religiosa versão da Esposa de Stepford.
Mas eu não era mais pequena, e vovó não podia me abraçar e espantar meus problemas. Eu estava me tornando uma Alta Sacerdotisa, e pessoas dependiam de mim. Nyx tinha me escolhido, e eu tinha que aprender a ser forte.
— Querida? O que é? O que aconteceu?
— Está tudo bem, vovó; estou bem — Eu a assegurei rapidamente, odiando ouvir a preocupação na voz dela. — É só que Aphrodite teve outra visão, e tem algo a ver com você.
— Estou em perigo de novo?
Eu não pude me impedir de sorrir. Ela soava preocupada e chateada quando achou que algo estava errado comigo, mas quando era apenas ela que podia estar em perigo, ela soava durona e pronta para dominar o mundo. Eu realmente amo minha vó!
— Não, eu acho que não — eu disse.
— Eu também acho que não — Aphrodite disse.
— Aphrodite disse que você não está em perigo. Pelo menos não nesse instante.
— Bem, isso é bom — vovó disse, soando muito “aliás.”
— Isso definitivamente é bom. Mas, vovó, o negócio é que eu realmente não entendo sobre o que foi a visão de Aphrodite dessa vez. Normalmente tem um aviso. Dessa vez ela te viu segurando um pedaço de papel com um poema nele, e ela sentiu que precisava copiar o poema. — Eu não mencionei a parte sobre ela copiar a letra da vovó. Isso parecia acrescentar uma coisa super estranha no que já era muito estranho. — Então ela copiou, mas não faz sentido para nenhuma de nós.
— Bem, talvez você devesse ler o poema para mim. Talvez eu reconheça.
— Yeah, foi o que eu pensei. Ok, aqui vai. — Suspirando Aphrodite me entregou o pedaço de papel com o poema nele. Eu peguei da mão dela e comecei a ler:

Antigo dormindo, esperando acordar
Quando o poder da terra sangra num vermelho sagrado
A marca padece verdadeira; a Rainha Tsi Sgili arquitetará

Aqui vovó me parou. — Se pronuncia t-sis-gi-li — ela disse, com uma ênfase especial na última palavra. A voz dela soava estrangulada e ela falou quase como um sussurro.
— Você está bem, vovó?
— Continue lendo, u-we-tsi-a-ge-ya — ela mandou, soando mais como ela mesma. Eu continuei lendo, repetindo a última linha com a pronúncia certa:

A marca padece verdadeira; a Rainha Tsi Sgili arquitetará
Ele será lavado da cama que o enterra

Através da mão da morte ele é liberto
Terrível beleza, monstruosa visão
Governados novamente eles serão
Mulheres ajoelhar-se-ão ante sua vontade sombria

A música de Kalona soa doce
Enquanto nós morremos com a fria onda

Vovó arfou e chorou, — Oh Grande Espirito nos proteja!
— Vovó! O que foi?
— Primeiro a Tsi Sgili e agora Kalona. Isso é ruim, Zoey. Isso é muito, muito ruim.
O medo dela estava totalmente me assustando. — O que é Tsi Sgili e Kalona? Porque é tão ruim?
— Ela conhece o poema? — Aphrodite perguntou, sentando e tirando o pano do rosto. Eu notei que os olhos dela estavam começando a parecer mais normais e o rosto dela tinha um pouco mais de cor.
— Vovó, você se importa se eu colocar no viva voz?
— Não, é claro que não, Zoey Passarinha.
Eu pressionei o botão do viva voz e coloquei ele na cama ao lado de Aphrodite. — Ok, você está no viva voz agora, vovó. Estamos apenas eu e Aphrodite aqui.
— Aphrodite e eu — ela automaticamente me corrigiu.
Eu virei meus olhos para ela. — Desculpe, vovó, Aphrodite e eu.
— Sra. Redbird, você reconhece o poema? — Aphrodite perguntou.
— Querida, me chame de Vovó. E, não, eu não o reconheço, como se tivesse lido ele antes. Mas eu ouvi ele, ou pelo menos ouvi sobre o mito, passado de geração em geração pelo nosso povo.
— Porque você surtou sobre a parte do Tsi Sgili e Kalona? — eu perguntei.
— Eles são demônios Cherokee. Espíritos malignos do pior tipo. — Vovó hesitou, e eu podia ouvir ela mexendo em algo. — Zoey, eu vou acender a panela de ervas antes de continuarmos falando sobre essas criaturas. Estou usando sálvia e lavanda. Vou assoprar a fumaça com uma pena enquanto falamos. Zoey Passarinha, sugiro que você faça o mesmo.
Eu senti uma onda de surpresa. Fazer fumaça era usado em rituais dos Cherokee a mais de centenas de anos – especialmente quando limpeza, purificação, e proteção eram necessários. Vovó se esfumaçava e se limpava regularmente – eu cresci acreditando que era só um jeito de honrar o Grande Espirito e manter meu próprio espírito limpo. Mas nunca na minha vida vovó sentiu a necessidade de fazer isso devido a menção de alguém ou alguma coisa.
— Zoey, você deveria fazer isso agora — vovó disse afiadamente.

6 comentários:

  1. a segunda parte do poema e uma ameaça , elas nao achao ruim para uma visao ,

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  2. Quando a Zoey leu essa parte:
    "Quando o poder da terra sangra num vermelho sagrado"
    So me veio a Cabeça a Stive, por que tipo ela tem a afinidade com a Terra ( o poder da terra) é a lua e as marcas que ela possui e no tom de vermelho sangue (sangra num vermelho sagrado) então a minha interpretação era que Quando o poder da terra sangra num vermelho sagrado eu entendi que quando a Stive adiquiriu aquele tipo de mudança foi como o poder da terra sangrasse em um vermelho sagrado... sei lá e muita viagem minha?

    sem contar que logo em seguida a Zoey fala:
    "A marca padece verdadeira; a Rainha Tsi Sgili arquitetará"
    eu pensei que a Nefereti era essa tal rainha e quando souber de Stive ela irá arquitetar algo. Viajei total?

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    1. TEM SENTIDO
      LANNY

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    2. Não... Mas deu uma viajada o q acontece e nada mais nada menos q nossa amiga sangrando e SUPER machucada (agr e so vcs pensarem em qual amiga pode ser... mas, ta super facil) !

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  3. Cabuloso! Parece que a Neferet tá querendo trazer pra terra esses demo pra meter o bicho.

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  4. em outro capitulo Nix disse que Neferet estava ao lada do caos e na mitologia grega Caos é o nome do deus do abismo será que isso tem algum sentido????

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