5 de outubro de 2015

Capítulo 21 - Zoey

A cavalgada de volta a House of Night foi lenta e estranha e constrangedora. Foi lenta porque mesmo com Shaunee e eu direcionando fogo para esquentar os cascos dos cavalos, para que eles pudessem trotar pela Rua 21 e nos levar para a Rua Utica (que estava completamente escura), ainda era uma pista escorregadia, gelada e difícil. Foi estranho porque tudo estava escuro. Aqui o que acontece quando a sua cidade fica sem luz: ela não parece certa. Soa simples, especialmente vindo de uma garota que deveria ser uma das filhas da noite ou algo assim, mas o mundo não parece o mesmo quando as luzes se apagam. E foi constrangedor porque Shaunee e Erin ficavam olhando para mim como achassem que eu era uma bomba que podia explodir. Johnny B e Kramisha mal falaram comigo, e Stark, que estava atrás de mim em minha égua, Persephone, nem colocava as mãos na minha cintura. Eu? Eu só queria ir para casa. Darius dirigiu o Hummer atrás de nós no que eu tenho certeza que deve ter parecido com uma multidão para ele, embora três cavalos mal conseguissem firmar um trote. Os calouros vermelhos, liderados por Stevie Rae e Erik, seguiam o Hummer. Fora o carro e trotar dos cavalos, a noite estava silenciosa e escura, embora de vez em quando, de forma bizarra, um galho cedesse sobre o peso do gelo e, com um terrível crack! o galho quebrava. Viramos a esquerda na Utica antes de eu dizer qualquer coisa.
— Então você nunca mais vai falar comigo? — eu perguntei a Stark.
— Eu falo com você — ele disse.
— Porque parece que deveria haver um ‘mas’ no final dessa frase?
Ele hesitou e eu podia praticamente sentir a tensão que irradiava dele. Finalmente ele deu um longo suspiro e disse, — Eu não sei se deveria ficar bravo com você, ou se deveria dizer que sinto muito pela merda da confusão que aconteceu no refeitório.
— Bem, o refeitório não foi sua culpa. Ou pelo menos, a maior parte não foi.
— Yeah, sabe, eu sei disso, mas eu também sei que seus sentimentos foram feridos com o negócio do Erik. — Eu não sabia o que dizer sobre isso, então cavalguei em silêncio por um tempo até que Stark limpou a garganta e disse, — Você foi bem dura com todo mundo.
— Eu tinha que terminar com a discussão, e esse pareceu o jeito mais rápido.
— Da próxima vez tente dizer algo como, “gente, parem de discutir!” Eu não sei, talvez seja só eu, mas isso faz mais sentido do que surtar contra seus amigos. — Eu segurei a vontade de ser grossa e dizer que eu gostaria de ver ele se sair melhor. Ao invés disso pensei no que ele disse. Ele podia ter razão. Eu não me sentia confortável com o fato que eu tinha surtado com todo mundo – especialmente já que vários desse “todo mundo” eram meus amigos. — Eu vou tentar fazer melhor da próxima vez — eu finalmente disse.
Stark não ficou feliz. Ele não virou um cara durão e me amparou. Ele apenas descansou suas mãos em meus ombros, apertou, e disse, — O fato de que você ouve outras pessoas é uma das coisas que eu mais gosto em você. — Eu podia sentir minhas bochechas esquentando com seu inesperado elogio.
— Obrigado — eu disse suavemente. Eu passei os dedos pela crina fria de Persephone, gostando de como suas orelhas se mexiam em resposta. — Você é realmente uma boa garota — eu disse a ela.
— Pensei que você tinha notado que eu não sou uma garota — Stark disse com um sorriso convencido em sua voz.
— Eu notei. — Eu ri e a tensão entre nós evaporou. As Gêmeas, Johnny B, e Kramisha olharam para nós com sorrisos tentadores. — Então, uh, você e eu estamos bem? — eu perguntei a ele.
— Você e eu sempre estamos bem. Sou seu guerreiro, seu protetor. Não importa o que mais esteja acontecendo, eu sempre vou cuidar de você.
Quando minha garganta se clareou o bastante para eu falar, eu disse, — Ser meu guerreiro pode nem sempre ser um trabalho fácil.
Ele riu, um riso cheio e alto e longo. Ele também deslizou seus braços pela minha cintura e disse, — Zoey, às vezes ser seu guerreiro vai ser uma merda total. — Eu ia mencionar que, só talvez, a mãe dele fosse uma droga, mas os braços dele deslizaram ao meu redor e seu toque era reconfortante. Então eu murmurei algo sobre ele ser cheio de cocô, e me deixei relaxar contra ele. — Sabe — ele disse. — Se você puder esquecer toda a loucura que a tempestade está causando, e toda a confusão Kalona-Neferet, o gelo podia realmente parecer legal. É quase como se ela tivesse nos tirado do mundo real e nos transportando para uma estranha terra invernal. Como um lugar que a Bruxa Branca realmente gostaria.
— Ooohhh, O Leão, a Bruxa e o Guarda-Roupa! Esse foi um ótimo filme.
Ele limpou a garganta. — Eu não vi.
— Você não viu? — Meus olhos se arregalaram e eu olhei por cima do ombro para ele.
— Você leu o livro?
— Livros — ele disse, dando uma ênfase especial no plural. — C.S. Lewis escreveu muito mais do que apenas um livro de Nárnia.
— Você leu?
— Eu li — ele disse.
— Huh — eu disse, me sentindo confusa (como vovó teria dito).
— Qual problema nisso? Ler é legal — ele disse defensivamente.
— Eu sei! É legal que você leia. Na verdade é quente que você lê. — E era. Eu adoro quando caras bonitos mostram seu cérebro.
— Mesmo? Bem, você definitivamente vai ficar interessada no fato que eu acabei de ler To Kill a Mockingbird. — Eu sorri e acotovelei ele.
— Todo mundo leu esse.
— Eu li cinco vezes.
— Capaz.
— Yep. Eu posso citar partes.
— Isso é cocô.
E então Stark, grande, malvado, guerreiro macho, ergueu sua voz, fez um sotaque sulista de garotinha, e disse, — Tio Jack? O que é uma senhora vadia?
— Eu não acho que essa é a citação mais importante daquele livro — eu disse, mas ri de qualquer forma.
— Ok, e quanto a: “A professora mais vadia arrogante que já nasceu não vai me obrigar a fazer nada!” Essa é minha favorita.
— Você tem uma mente maluca, James Stark. — Eu estava sorrindo e me sentindo quente e feliz quando viramos na longa entrada que levava a House of Night. Eu estava pensando o quão mágica ela parecia, iluminada e acolhedora, quando notei que havia mais luz do que o normal saindo geradores da escola e das lanternas a óleo antigas. Então eu percebi que a luz não saía de nenhum dos prédios da escola. Ao invés disso estava saindo de uma área entre o Templo de Nyx e a propriedade da escola. Eu senti Stark ficar tenso instantaneamente.
— O que é isso? — eu perguntei.
— Pare os cavalos — ele disse.
— Whoa. — Eu fiz Persephone parar, chamando Shaunee e Johnny B para que parassem seus cavalos também.
— O que está acontecendo?
— Fiquem de olhos abertos. Fiquem prontos para cavalgar de volta a abadia. Vão e vão rápido se eu mandar. E não esperem por mim! — Foi tudo que Stark disse antes de desmontar Persephone e correr até o Hummer. Eu virei e vi que Darius já estava saindo do Hummer e Heath tomou seu lugar no banco do motorista. Os dois guerreiros conversaram brevemente, e então Darius chamou Erik e todos os calouros vermelhos masculinos até ele, mais Stevie Rae. Eu estava me aprontando para guiar Persephone até o Hummer quando Stark correu até mim.
— O que foi? — eu perguntei.
— Algo está pegando fogo no território da escola.
— Da para saber o que é? — eu perguntei a Shaunee.
— Não sei — Shaunee disse, enrugando a testa em concentração. — Mas parece sagrado.
Sagrado? O que diabos? Stark pegou a rédea de Persephone para chamar minha atenção. — Olhe sobre as árvores.
Eu olhei para a direita, para o as árvores de Bradford que se alinhavam no caminho que levava para a House of Night. Tinha coisas sobre elas – sombras entre sombras de formas amassadas. Meu estômago se retorceu quando percebi o que estava vendo.
— Corvos Escarnecedores — eu disse.
— Estão mortos — Kramisha disse.
— Temos que checar. Temos que ter certeza — Stevie Rae disse. Ela tinha se apresentado junto com os calouros vermelhos homens e Erik.
— Faremos isso — Darius disse. Então, pegando uma faca com cada mão, tiradas do bolso de sua jaqueta de couro, ele disse a Stark, — Fique com Zoey.
Acenando para Stevie Rae e Erik para seguir ele, ele foi em direção às árvores. Não levou muito tempo. — Mortos — ele chamou, depois de pausar em cada um. Quando o grupo se juntou a nós de novo, eu não consegui me impedir de notar o quão branco estava o rosto de Stevie Rae.
— Você está bem? — eu perguntei a ela. Ela olhou para mim, os olhos mais do que um pouco vidrados.
— Yeah — ela disse rapidamente. — Tudo bem. É só que... — A voz dela morreu e seu olhar voltou para os calombos sobre as árvores.
— É porque eles cheiram mal. — Kramisha disse. Olhamos para ela. — Bem, é verdade. Os Corvos Escarnecedores tem algo nojento em seu sangue.
— Seu sangue cheira mesmo errado. Eu sei porque tive que limpar onde Darius atirou em alguns deles que estavam no céu na abadia — Stevie Rae falou rapidamente, como se o assunto a deixasse desconfortável.
— Foi esse o cheiro que senti em você! — Eu estava aliviada por finalmente identificar o cheiro estranho.
— Todo mundo precisa se focar no aqui e agora — Darius disse. — Não sabemos o que está acontecendo aqui. — Ele fez uma menção em direção a escola e as chamas que iluminavam o coração dela.
— O que é isso? A escola realmente está em chamas? — Stevie Rae falou seus pensamentos em voz alta.
— Eu posso te dizer o que é. — A voz surpreendeu todos nós a não ser os cavalos que montávamos, o que deveria ter me alertado instantaneamente sobre quem estava parada nas sombras no campo ao lado da alameda. — É uma pira funerária — disse Lenobia, professora de estudos equestres, e uma das poucas vampiras adultas que ficou ao nosso lado depois que Kalona e Neferet assumiram a escola. Ela foi direto para os cavalos, saudando eles, os checando, e totalmente nos ignorando até ela ter certeza que eles estavam bem. Finalmente, olhando para cima, enquanto acariciava o focinho de Persephone, ela disse, — Merry meet, Zoey.
— Merry meet — eu respondi automaticamente.
— Você matou ele? — Eu balancei a cabeça.
— Nós o expulsamos. O poema de Kramisha tinha razão. Quando nós cinco nos juntamos, fomos capazes de banir ele com amor. Mas quem –
— Neferet está morta ou fugiu com ele? — ela interrompeu minha pergunta.
— Fugiu. Para quem é a pira funerária? — eu não podia esperar mais pra perguntar. Os olhos azuis lindos de Lenobia encontraram os meus.
— Anastasia Lankford perdeu sua vida. O último ato que o filho favorito de Kalona, Rephaim, fez antes de chamar seus Irmãos para seguir você até a abadia, foi cortar a garganta dela.

7 comentários:

  1. Stevie Rae deve estar se sentindo um lixo agora :s

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  2. caramba Stevie Rae!!!!!!!!! que merda

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  3. — Eu sei! É legal que você leia. Na verdade é quente que você lê. — E era. Eu adoro quando caras bonitos mostram seu cérebro.
    Zoey me definindo :3 ♥♥♥

    Ai, cara, a Stevie Rae deve estar super mal agora! T~T

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  4. ahhhh que COCÔ!!!!
    ass:leticia

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  5. oooh merda.. quero dizer cocõ...
    lanny

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  6. Afs mentira minha DEUSA 😶

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  7. Pqp! Tinha que ser justo o Rephaim? QUE PALHAÇADAAA!

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