6 de outubro de 2015

Capítulo 21 - Stevie Rae

Ela sabia que iria aguentar um monte de porcaria quando ela voltasse para a escola, mas Stevie Rae não esperava que Lenobia estivesse à sua espera no estacionamento.
— Olha, eu só precisava de algum tempo sozinha. Como você pode ver, estou bem e...
— No noticiário da noite havia um boletim sobre um bando assaltando os apartamentos Tribune Loft. Quatro pessoas foram mortas. Suas gargantas foram cortadas, e eles foram parcialmente drenados de sangue. A única razão pela qual a polícia não está à nossa porta acusando-nos é o relato de várias testemunhas jurando que era um bando de adolescentes humanos. Com os olhos vermelhos.
Stevie Rae engoliu o gosto doente da bílis em sua garganta.
— Foram os calouros vermelhos que deixei no depósito. Eles mexeram com as memórias das testemunhas, mas nenhum deles Mudou, então eles não têm a capacidade de encobrir tudo.
— Eles não puderam limpar os olhos vermelhos das memórias dos humanos — disse Lenobia, acenando em concordância.
Stevie Rae estava fora do carro e se movendo em direção à escola. — Dragon não foi atrás deles, foi?
— Não. Eu o mantive ocupado com pequenos grupos de calouros. Ele já começou o treinamento de habilidades de autodefesa com eles em caso de outro ataque de Corvos Escarnecedores.
— Lenobia, eu penso seriamente que o do parque foi um acaso. Aposto que ele está a milhas de distância de Tulsa agora.
Lenobia fez um gesto de desdém. — Um Corvo Escarnecedor é demais, mas se ele estiver sozinho ou com um bando, Dragon e eu o caçaremos e o destruiremos. E a menos que Kalona e Neferet estejam incentivando eles, eu não acho que precisamos nos preocupar deles atacarem a escola. Eu estou muito mais preocupada com os trapaceiros calouros vermelhos.
— Eu também. — Stevie Rae estava ansiosa para mudar de assunto. — O noticiário disse que as pessoas apenas tiveram seu sangue parcialmente drenado?
Lenobia assentiu. — Sim, e suas gargantas foram arrancadas – sem cortes ou mordidas e depois sangrou como se você ou eu tivéssemos nos alimentado.
— Eles não estão se alimentando. Eles estão jogando. Eles gostam de aterrorizar as pessoas, é uma espécie de diversão para eles.
— Isso é verdadeiramente uma abominação das maneiras de Nyx. — As palavras de Lenobia vieram rápido, sua voz estava cheia de raiva. — Aqueles de quem nós nos alimentamos só devem sentir prazer. É por isso que a Deusa nos deu a capacidade de compartilhar uma sensação tão forte com os humanos. Nós não brutalizamos e torturamos. Mas os apreciamos – e os fazemos nossos cônjuges. O Alto Conselho tem mesmo banido vampiros que abusam de seus poderes sobre os humanos.
— Você não disse ao Alto Conselho sobre os calouros vermelhos, não é?
— Eu não faria isso sem discutir com você primeiro. Você é sua Alta Sacerdotisa. Mas você deve entender que as ações deles estão extrapolando e elas não podem ser ignoradas pelo resto de nós.
— Sei, mas eu ainda quero enfrentá-los sozinha.
— Não sozinha novamente. Não desta vez — disse Lenobia.
— Você está certa sobre isso. O que eles fizeram hoje me mostra como eles são perigosos.
— Devo chamar Dragon a respeito disso?
— Não. Eu não estou indo sozinha, e eu faço planos lhes concedendo uma forma de ultimato – para cima ou para fora do barco – mas se eu apanhar do lado de fora ali, eu não darei chance para nenhum deles de decidir desistir da Escuridão e vir comigo. — Então, Stevie Rae percebeu o que ela disse e parou, como se ela tivesse corrido dentro do estábulo. — Ohminhadeusa, é isso! Eu não poderia ter entendido isso antes de conhecer os touros, mas agora eu entendo. Lenobia, isso é o que fica nos possuindo depois de mortos, e, em seguida, não-mortos, e nós somos todos maus e cheios de sede de sangue e coisas – isso é parte da Escuridão. Isso significa que ela não é uma coisa nova. Tem de ser tão antigo quanto à religião do touro/Guerreiro. Neferet está por trás do que aconteceu comigo e com o resto das crianças. — Ela encontrou seu olhar com o da Senhora dos Cavalos e viu o medo que sentia refletido ali. — Ela está envolvida com a Escuridão. Não há nenhuma dúvida sobre isso agora.
— Eu estou com medo de não ter existido nenhuma dúvida sobre isso por muito tempo — disse Lenobia.
— Mas como diabos Neferet descobriu sobre a Escuridão? Durante séculos e séculos, os vampiros adoravam Nyx.
— Só porque as pessoas deixam de adorar, não significa que a divindade deixa de existir. As forças do bem e do mal se movem em uma dança atemporal, independentemente de capricho ou da moda mortal.
— Mas Nyx é a Deusa.
— Nyx é a nossa Deusa. Você não pode realmente acreditar que há somente uma divindade em um mundo tão complexo como o nosso.
Stevie Rae suspirou. — Eu acho que quando você coloca assim, eu tenho que concordar com você, mas eu desejaria que não houvesse mais de uma opção para o mal.
— Então, haveria apenas uma escolha para sempre. Lembre-se, deve haver sempre, eternamente, equilíbrio. — Elas caminharam em silêncio por um tempo antes de Lenobia dizer: — Você vai levar os calouros vermelhos com você para enfrentar os bandidos?
— Sim.
— Quando?
— Quanto mais cedo melhor.
— Existe apenas um pouco mais de três horas daqui até o amanhecer — Lenobia disse.
— Bem, eu vou lhes perguntar, é um simples sim-ou-não. Isso não vai levar muito tempo.
— E se eles disserem que não?
— Se eles disserem não, eu vou me certificar de que eles não possam usar os túneis do depósito como seu esconderijo mais confortável, e eu vou me certificar também que eles estejam separados. Como indivíduos, eu ainda não acredito que todos eles sejam maus. — Stevie Rae hesitou, e depois acrescentou: — Eu não quero matá-los. Eu sinto como se eu não fizer, estarei entregando-os para o mal. E eu não quero que a Escuridão me toque, nunca mais. — A imagem de Rephaim, de asas estendidas, completamente curado e poderoso, passou por sua memória.
Lenobia assentiu. — Eu entendo. Eu não concordo com você, Stevie Rae, mas eu entendo. Seu plano tem o mérito, no entanto. Se você sacudi-los de sua fortaleza e forçá-los a se dispersar, aqueles que forem deixados terão que se preocupar sobre a sobrevivência e não terão tempo para “brincar” com humanos.
— Ok, então vamos dividir e espalhar o aviso de que eu preciso que todos os calouros vermelhos me encontrem no Hummer no estacionamento agora. Irei aos dormitórios.
— Eu irei à Casa de Campo e ao refeitório. Na verdade, em meu caminho para encontrar você, vi Kramisha indo para o refeitório. Eu vou alcançá-la primeiro. Ela sempre sabe onde todo mundo está.
Stevie Rae assentiu, e Lenobia se moveu, deixando-a sozinha indo em direção aos dormitórios. Sozinha... e capaz de pensar. Ela devia estar pensando o que diabos ela ia dizer à estúpida Nicole e seu grupo de calouros assassinos. Mas ela não conseguia colocar Rephaim fora de sua mente.
Dirigir para longe dele tinha sido uma das coisas mais difíceis que já fez em sua vida.
Então, por que ela tinha feito?
— Porque ele está bem novamente — ela disse em voz alta, e depois fechou a boca e olhou com culpa ao seu redor. Felizmente, não havia ninguém nas proximidades. Ainda assim, ela manteve sua grande boca bem fechada enquanto sua mente continuava a correr.
Ok, Rephaim estava curado e tudo. Então? Teria ela realmente achado que ele estaria quebrado para sempre?
Não! Eu não quero que ele esteja quebrado! O pensamento veio rápido e honesto. Mas não foi apenas por que ele estava bem. Foi a Escuridão que curou ele, e fez ele parecer...
Os pensamentos de Stevie Rae sumiram, porque ela não queria ir para lá. Ela não queria admitir, mesmo silenciosamente para si mesma, como Rephaim pareceu para ela parado ali, emoldurado pela lua, e todo poderoso.
Nervosa, ela enrolou um cacho loiro. E mesmo assim, eles tiveram um Imprint. Ele devia parecer de uma certa maneira para ela.
Mas Aphrodite não a tinha afetado como Rephaim tinha desde o começo.
— Bem, eu não sou gay! — Ela murmurou, e então fechou a boca novamente, porque a ideia surgiu embora ela não quisesse.
Stevie Rae tinha gostado da forma que Rephaim pareceu. Ele tinha sido forte e bonito, e só por um momento, ela vislumbrou a beleza interior da besta, e ele não tinha sido um monstro. Ele tinha sido magnífico, e ele tinha sido dela.
Ela cambaleou até parar. Foi por causa desse maldito touro negro! Tinha que ser. Antes dele se materializar totalmente, ele perguntou a Stevie Rae: Eu posso afugentar a Escuridão, mas se eu fizer isso, você terá uma dívida com a Luz, e esta dívida é que você estará para sempre ligada à humanidade dentro dessa criatura ali, a qual você me chamou para salvar. Ela respondeu sem hesitar: — Sim! Eu vou pagar o seu preço. Então a merda do touro tinha atracado ela com algum tipo idiota de Luz, e tinha feito algo dentro dela.
Mas isso era realmente verdade? Stevie Rae girou um cacho enquanto pensava. Não – isso tinha mudado entre ela e Rephaim antes do touro negro aparecer. Isso tinha acontecido quando Rephaim enfrentou a Escuridão por ela e assumiu a dor de sua dívida.
Rephaim havia dito que ela lhe pertencia.
Hoje, ela percebeu que ele estava certo, e isso a assustou mais do que a própria Escuridão.

— Ok, então, todos nós aqui?
Cabeças assentiram e do lado dela, Dallas, disse, — Sim, todo mundo aqui.
— As crianças más mataram aquelas pessoas no Tribune Lofts, não é? — Kramisha disse.
— Sim — Stevie Rae disse. — Eu acho que sim.
— Isso é ruim — disse Kramisha. — Realmente ruim.
— Você não pode deixar eles matarem as pessoas assim — disse Dallas. — Eles nem mesmo são mendigos.
Stevie Rae soltou um longo suspiro. — Dallas, quantas vezes eu tenho que dizer a você que não importa se é mendigo ou não, não temos direito de matar ninguém.
— Desculpe — disse Dallas. — Eu sei que você está certa, mas algumas vezes antes de conseguir arrumar minha cabeça, e eu meio que esqueço.
Antes... a palavra parecia ecoar em torno deles. Stevie Rae sabia exatamente o que significava para Dallas: antes de sua humanidade ter sido salva pelo sacrifício de Aphrodite, e eles terem a capacidade de escolher o bem sobre o mal. Ela se lembrou de antes, também, mas como ela tem outro dia mais longe que aquele passado obscuro, isso era cada vez mais fácil para Stevie Rae colocá-lo fora de sua mente. Enquanto ela estudou Dallas, ela se perguntou se isto estava diferente para ele – para o resto das crianças que ainda não tinha se Transformado, porque Dallas parecia cometer pequenos deslizes que ele tinha com uma certa frequência.
— Stevie Rae? Você está bem? — Dallas perguntou, obviamente desconfortável com o seu escrutínio.
— Sim, tudo bem. Só pensando. Então, aqui vai o que está acontecendo: Estou indo de volta para os túneis sob o depósito, os nossos túneis, e eu darei para as crianças mais uma chance de decidirem agir corretamente. Se o fizerem, eles ficarão e voltarão conosco para a escola na segunda-feira. Se não o fizerem, eles terão que encontrar sua própria maneira, em seu próprio lugar, porque nós estamos tomando os túneis de volta, e eles não serão mais bem-vindos.
Kramisha sorriu. — Estamos voltando para viver nos túneis!
— Sim — disse Stevie Rae, e ela soube a partir dos aplausos e gritos de alívio de “finalmente”, ela ouviu das crianças que tinha tomado a decisão certa. — Eu não falei com Lenobia sobre isso ainda, mas eu não posso pensar que não será um problema nos transportar para cima e para baixo do depósito para a House of Night. Precisamos estar no subsolo, e mesmo que eu realmente goste dessa escola, isso não me faz mais sentir em casa. Os túneis sim.
— Eu estou com você menina — disse Dallas. — Mas nós precisamos de começar algo certo agora. Você não vai enfrentar essas crianças sozinha novamente. Estou indo com você.
— Eu também — disse Kramisha. — Eu não me importo com o tipo de grande história você ofereceu a todos os outros, eu soube que as crianças más estavam atrás de você quase te fritando em cima do telhado.
— Sim, todos nós temos falado sobre isso — o musculoso Johnny B disse. — Nós não estamos deixando a nossa Alta Sacerdotisa de cara nessa merda sozinha de novo.
— Não importa o quão poderosa usando-a-terra-para-chutar-seu-rabo ela é — disse Dallas.
— Eu não vou sozinha. É por isso que eu chamei vocês aqui. Nós estamos pegando nossos túneis de volta, e se rabos precisarem ser chutados, nós vamos fazer isso — Stevie Rae disse. — Então, Johnny B, eu preciso que você dirija o Hummer. — Atirou-lhe as chaves. O grandalhão sorriu para ela e arrebatou as chaves no ar. — Leve Ant, Shannoncompton, Montoya, Elliott, Sophie, Geraty e Vênus com você. Vou levar Dallas e Kramisha no Bug de Z. Siga-me, nós estamos indo para o estacionamento inferior do depósito.
— Parece bom, mas como vamos ter certeza de que podemos encontrar esses garotos vermelho? Você sabe que os túneis são como, bem, um formigueiro lá embaixo — disse o garotinho apelidado Ant, e todo mundo riu.
— Eu estive pensando sobre isso também — Kramisha falou. — E tenho uma ideia, se você não se importa de me dizer algo.
— Ei, essa é uma das razões de eu ter chamado vocês juntos, porque eu preciso da ajuda de todos com isso — Stevie Rae disse.
— Sim, bem, esta é a minha ideia: Aquelas crianças tentaram matá-la uma vez, certo?
Imaginando que não estava escondendo nada de seus calouros, Stevie Rae assentiu. — Certo.
— Então eu percebi que se eles tentaram, mas não conseguiram se livrar de você uma vez, eles devem querer outra chance, certo?
— Provavelmente.
— O que eles fariam se eles achassem que você está lá em baixo nos túneis de novo?
— Eles iriam me buscar — Stevie Rae disse.
— Então, use a terra para que eles saibam que você está lá novamente. Você pode fazer isso, certo?
Stevie Rae piscou surpresa. — Eu nunca pensei sobre isso antes, mas eu aposto que posso.
— Isso é genial, Kramisha! — Disse Dallas.
— Totalmente! — Stevie Rae disse. — Então, espere e deixe-me tentar algo. — Ela correu para fora do estacionamento no lado da escola que é adjacente à ele. Havia um par de velhos carvalhos ali, num banco de ferro forjado, e uma fonte tilintante rodeada pelo que era agora uma cama de gelo encapsulado de amores-perfeitos amarelos e roxos. Enquanto seus calouros assistiam, ela enfrentou o norte e se ajoelhou no chão em frente a maior das duas árvores. Ela inclinou a cabeça e se concentrou. — Vinde a mim, terra — ela sussurrou. Imediatamente, o chão em torno dos joelhos aqueceu, e ela sentiu o cheiro de flores silvestres, ondeando com a grama. Stevie Rae apertou as mãos contra a terra que ela tanto amava e se deleitou com a sua ligação com o elemento. A sensação de calor e suficiência com a força da natureza, ela disse, — Sim! Eu conheço você – eu posso me sentir dentro de você e você dentro de mim. Por favor, faça algo para mim. Por favor, leve algo de sua magia, e derrame-a dentro do túnel principal, debaixo do depósito. Que pareça que eu estou lá, tanto que qualquer um descance ao seu alcance saiba disso. — Stevie Rae fechou os olhos e imaginou um raio de energia verde brilhante deixando seu corpo, percorrendo a terra, e derramando dentro do túnel direto fora de seu antigo quarto no depósito. Então ela disse: — Obrigada, terra. Obrigado por ser meu elemento. Você pode ir agora.
Quando ela voltou para seus calouros, eles estavam todos olhando para ela com os olhos arregalados.
— O quê? — Perguntou ela.
— Foi incrível — disse Dallas, com sua voz cheia de admiração.
— Sim, você estava verde e toda brilhante — disse Kramisha. — Eu nunca vi nada como isso antes.
— Foi muito legal — disse Johnny B, enquanto o resto das crianças assentiu com a cabeça e sorriu.
Stevie Rae sorriu para eles, se sentindo como uma verdadeira Alta Sacerdotisa. — Bem, eu tenho certeza que ela trabalhou — disse ela.
— Você acha? — Disse Dallas.
— Eu acho — disse ela, e eles trocaram um olhar que fez o estômago de Stevie Rae se contrair. Ela teve que agitar-se mentalmente e se reorientar, dizendo: — Uh, tudo bem. Vamos fazer isso.
As crianças se espalharam nos dois veículos, e Dallas envolveu seu braço em torno do ombro Stevie Rae. Ela deixou ele atraí-la para perto.
— Eu estou orgulhoso de você, menina — disse ele.
— Obrigada. — Ela alcançou em torno de sua cintura e deslizou sua mão em seu bolso traseiro.
— E eu estou feliz que você está conduzindo-nos ao longo deste tempo — disse ele.
— É a coisa certa a fazer — ela disse. — Além disso, nós somos mais fortes juntos do que quando estamos separados.
Ao lado do Bug, ele parou e puxou-a todo o caminho até seus braços. Curvando-se, murmurou contra seus lábios, — Isso mesmo, garota. Nós somos mais fortes juntos. — Então, ele a beijou com uma ardente posse que surpreendeu Stevie Rae. Antes que ela realmente estivesse ciente disso, ela estava beijando ele de volta – e gostando de seu jeito quente, árduo, familiar, completamente normal do corpo estar fazendo-a sentir.
— Será que vocês podem procurar um quarto, por favor? — Kramisha falou para eles enquanto se arrastava para o banco traseiro do pequeno bug.
Stevie Rae deu uma risadinha, misteriosamente tonta, especialmente quando o pensamento 'Caia na real – você não pode sequer beijar o outro' sussurrou em sua mente.
Dallas relutantemente deixou-a sair de seus braços para que ela pudesse passar para o lado do motorista do bug. Sobre o teto, ele pegou seu olhar, e disse baixinho: — Um quarto soa bem para mim.
Stevie Rae sentiu o rosto ficar quente, e outra gargalhada escapou de sua boca. Ela e Dallas abaixaram dentro do carro. Do banco de trás, Kramisha resmungou, — Eu ouvi esta porcaria sobre um quarto soar bem, Dallas, e tudo o que eu estou dizendo é que é melhor vocês dois manterem suas mentes fora da sarjeta e sim nas crianças más que gostam de arrancar fora as gargantas das pessoas.
— Eu disse quarto, não sarjeta — Dallas sorriu confiantemente sobre o assento para Kramisha.
— E eu sou capaz de multitarefas — Stevie Rae acrescentou com outra risada.
— Qualquer que seja. Vamos embora. Eu estou me sentindo estranha sobre isso — disse Kramisha.
Imediatamente séria, Stevie Rae olhou Kramisha no espelho retrovisor enquanto ela arrancou para fora do estacionamento. — Um sentimento estranho? Você escreveu um outro poema, quero dizer, além dos que você já me mostrou?
— Não. E eu não estou falando sobre os garotos maus.
Stevie Rae franziu a testa para a reflexão de Kramisha.
— De que mais você poderia estar falando? — Dallas perguntou.
Kramisha deu uma boa olhada em Stevie Rae antes de lhe responder. — Nada. Eu justamente tenho alguma paranoia acontecendo, isso é tudo. Vocês dois chupando cara em vez de prestar atenção no negócio não está ajudando.
— Estou prestando atenção na parada — Stevie Rae disse, olhando para longe da reflexo de Kramisha e concentrando-se na estrada.
— Sim, lembre que minha garota é uma Alta Sacerdotisa, e elas podem definitivamente lidar com um monte de merda de uma vez.
— Huh — Kramisha bufou.
O passeio para o depósito foi curto e silencioso. Stevie Rae estava mais consciente de Kramisha no banco traseiro. Ela sabe sobre Rephaim. O pensamento sussurrou na mente de Stevie Rae, e ela imediatamente se silenciou. Kramisha não sabia sobre Rephaim. Ela só sabia que havia um outro rapaz. Ninguém sabe sobre Rephaim.
Exceto os calouros vermelhos.
O pânico vibrou através de seu estômago. Que diabos ela iria fazer se Nicole ou um dos outros garotos dissessem a seus calouros sobre Rephaim? Stevie Rae pôde imaginar a cena. Nicole seria detestável e rude. Seus calouros estariam totalmente chocados e assustados. Eles não iriam acreditar que ela poderia ter...
Com uma faísca de realização que quase a fez ofegar em voz alta, Stevie Rae soube a resposta para seu problema. Seus calouros não iriam acreditar que ela tinha um Imprint com um Corvo Escarnecedor. Nunca. Ela simplesmente ia negá-lo. Não havia qualquer prova. Sim, o sangue dela poderia ter cheiro estranho, mas ela já havia explicado isso. A Escuridão tinha se alimentado dela – o que fez o seu cheiro estranho. Kramisha acreditou, assim o fez Lenobia. O resto das crianças também. Seria a palavra dela, a palavra de uma Alta Sacerdotisa, contra um bando de crianças más e que tentaram matá-la.
E se algum deles realmente decidir escolher o bem esta noite e ficar aqui com o resto deles?
Então eles têm que manter a boca fechada, ou não vão ficar, foi o pensamento triste que assombrou Stevie Rae enquanto ela estacionava no lote do depósito e reunia seus calouros em torno dela.
— Ok, nós estamos indo. Sem subestimá-los — Stevie Rae disse. Sem qualquer discussão, Dallas passou para sua direita, e Johnny B assumiu seu lado esquerdo. O resto das crianças seguiram de perto por trás enquanto afastava a grade ilusoriamente segura que dava acesso fácil para o porão do depósito abandonado em Tulsa.
Ele parecia muito ao que era quando eles estavam morando lá. Havia talvez um pouco mais de lixo, mas basicamente era um porão escuro e frio. Eles se moveram para a entrada do canto traseiro, onde os túneis caíam em uma escuridão ainda mais profunda.
— Você pode ver? — Dallas perguntou a ela.
— Claro, mas eu vou acender as tochas da parede assim que eu encontrar um fósforo ou algo assim, então vocês poderão ver, também.
— Eu tenho um isqueiro — disse Kramisha, cavando em sua bolsa gigante.
— Kramisha, não me diga que você está fumando — disse Stevie Rae, pegando o isqueiro dela. 
— Não, eu não estou fumando. Isso é simplesmente estúpido. Mas acredito em estar preparada. E um isqueiro vem a calhar de vez em quando, como agora.
Stevie Rae começou a se abaixar para baixo da escada de metal, mas a mão de Dallas em seu braço a parou. — Não, eu vou primeiro. Eles não querem me matar.
— Bem, o que você sabe de — Stevie Rae contradisse, mas ela deixou-o descer a escada na frente dela, Johnny B seguiu logo atrás dela. — Espere. — Ela fez os dois esperarem no pé da escada, enquanto ela se moveu com absoluta confiança na total escuridão até a primeira das lanternas de querosene antigas que ela ajudou a pendurar nos velhos trilhos de ferro velho pregados na parede curva do túnel. Ela acendeu a lanterna e voltou a sorrir para seus meninos: — Aqui, isso está melhor, huh?
— Bom trabalho, garota. — Dallas sorriu para ela. Então, ele hesitou e inclinou a cabeça para o lado. — Você ouviu isso?
Stevie Rae olhou para Johnny B, que balançou a cabeça enquanto ele ajudou Kramisha a descer a escada.
— Ouviu o que, Dallas? — Stevie Rae perguntou a ele.
Dallas pressionou sua mão contra a parede áspera de concreto do túnel. — Isso! — Ele parecia hipnotizado.
— Dallas, você não está fazendo nenhum sentido — Kramisha disse a ele.
Ele olhou por cima do ombro para eles. — Eu não tenho certeza, mas acho que posso ouvir o zumbido das linhas elétricas.
— Isso é estranho — disse Kramisha.
— Bem, você sempre foi superbom com a eletricidade e todo o tipo de coisa de garoto — Stevie Rae disse.
— Sim, mas nunca foi assim antes. Sério, eu posso ouvir o zumbido de eletricidade através de cabos que liguei para cá.
— Bem, talvez isto seja como uma afinidade para você, e talvez você não tenha percebido isso antes porque você estava aqui o tempo todo, assim isso parecia normal — Stevie Rae disse.
— Mas a eletricidade não é da Deusa. Como isso pode ser uma afinidade? — Kramisha disse, enviando a Dallas um olhar duvidoso.
— Por que não pode ser de Nyx? — Stevie Rae disse. — Na verdade, eu conheci estranhas coisas antes de um calouro recebendo uma afinidade para a eletricidade. Uh, como um touro branco personificando a Escuridão.
— Você tem um ponto aí — disse Kramisha.
— Então, eu poderia realmente ter uma afinidade? — Dallas parecia atordoado.
— Claro que você poderia, rapaz — Stevie Rae disse a ele.
— Se você tiver mesmo, faça-o ser conveniente — disse Johnny B, ajudando Shannoncompton e Vênus a descerem a escada.
— Conveniente? De que jeito? — Dallas perguntou.
— Bem, você pode dizer pelo zumbido ou o que quer que seja se esses desagradáveis calouros vermelhos estiveram usando a eletricidade aqui recentemente? — Kramisha disse.
— Eu vou ver. — Dallas voltou para a parede, apertou as mãos contra o concreto, e apertou os olhos fechados. Dentro de apenas alguns instantes seus olhos estalaram abertos, e ele deu um suspiro surpreso, então seu olhar foi direto para Stevie Rae. — Sim, os calouros estiveram usando a eletricidade. Na verdade eles estão usando agora. Eles estão na cozinha.
— Então lá é onde estamos indo — Stevie Rae disse.

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