8 de outubro de 2015

Capítulo 21 - Neferet

As coisas estavam indo muito bem.
Os calouros vermelhos estavam causando problemas. Dallas odiava Rephaim com uma intensidade que era simplesmente adorável. Gaea estava toda estressada por causa dos humanos jardineiros. Tanto que havia se esquecido de trancar o portão lateral de manutenção, e uma das pessoas que normalmente passavam pela Cherry Street havia sido de algum modo compelida a vagar pela Utica Street e a entrar no campus pelo portão destrancado.
 E ele quase tinha sido dividido ao meio rapidamente por Dragon, que vê um Corvo Escarnecedor em cada sombra  Neferet praticamente ronronou.
Ela deu alguns tapinhas no seu queixo enquanto pensava. Neferet odiava que Thanatos tivesse invadido a House of Night. Mas o lado positivo do método infeirdo do Conselho Supremo era que o fato de forçar todos aqueles calouros especiais a ficarem na mesma sala de aula ia funcionar como colocar gravetos secos em um braseiro.
— Caos!  Neferet gargalhou.  Ele vai dar um jeito de causar um incêndio.
As Trevas, que eram a sua companhia constante, deslizaram para mais perto, envolvendo-se carinhosamente ao redor das pernas dela.
Durante o horário de aula anterior, ela ouvira duas das amigas ridículas de Zoey conversando. Parecia que as gêmeas, Shaunee e Erin, haviam tido uma desavença que estava afetando todo o grupo.
Neferet bufou sarcasticamente.
 É claro que isso ia acontecer. Nenhum deles é forte o bastante para ficar sozinho. Eles se amontoam como ovelhinhas que tentam se proteger do lobo — ela ia se divertir vendo como aquele pequeno drama ia acabar.  Talvez eu possa ficar amiga de Erin nesse período de carência dela...  ela refletiu em voz alta.
Neferet sorriu e abriu as pesadas cortinas de veludo, que normalmente cobriam as amplas janelas com pinázios e protegiam os seus aposentos privados dos olhos bisbilhoteiros da escola. Ela abriu a janela, inalando profundamente a brisa fresca e cálida. Neferet fechou os olhos e abriu os seus sentidos.
Ela farejou no vento o perfume mais do que familiar do incenso do templo e o cheiro do gramado de inverno recém-cortado. Neferet abriu a sua mente para saborear os aromas de emoção que turvavam e se levantavam na House of Night e de seus habitantes.
Ela era intuitiva de um jeito literal e não tão literal. Às vezes, ela conseguia, de fato, ler pensamentos momentâneos. Às vezes, ela podia apenas experimentar emoções. Se essas emoções eram fortes o bastante, ou se a mente da pessoa era fraca o suficiente, ela conseguia até vislumbrar imagens mentais – retratos dos pensamentos que habitavam dentro da mente.
Era mais fácil quando ela estava próxima da pessoa, fisicamente e emocionalmente. Mas não era impossível peneirar noite adentro e captar coisas, principalmente em uma noite tão cheia de emoções como esta.
Neferet se concentrou.
Sim, ela sentiu tristeza. Ela a examinou atentamente e reconheceu a emoção banal de Shaunee, Damien e até Dragon, apesar de vampiros serem sempre mais difíceis de decifrar do que calouros ou humanos.
Os pensamentos de Neferet se voltaram para os humanos.
Ela tentou captar algo de Aphrodite, tentou atingir nem que fosse um minúsculo pedaço da emoção da garota, mas falhou.
Aphrodite sempre foi tão indecifrável para ela quanto Zoey.
 Não importa  ela sufocou sua irritação.  Há outros humanos em jogo na minha House of Night.
Neferet pensou em Rephaim, nas feições fortes do seu rosto que claramente remetiam às de seu pai... Pensou na paixão obsessiva que o tinha levado à sua forma humana...
Novamente, nada.
Ela não conseguiu encontrar Rephaim, apesar de saber que ele devia estar repleto de emoções decifráveis. Muito estranho.
Humanos normalmente eram presas tão fáceis. Humanos...
Neferet sorriu quando concentrou sua atenção em um humano mais interessante. O cowboy, aquele que ela havia escolhido tão cuidadosamente para a pobre, querida e frustrada Lenobia.
O que era mesmo que a Mestra dos Cavalos havia dito quando elas se conheceram e Lenobia acreditou que elas eram amigas? Ah, Neferet se lembrou. Elas conversaram sobre companheiros humanos e como nenhuma das duas desejava ter um.
Neferet não tinha admitido que eles embrulhavam o seu estômago e que ela nunca, nunca permitiria que um humano a tocasse sem que ela fosse violenta com ele. Em vez disso, ela simplesmente ouvira Lenobia confessar: uma vez eu amei um garoto humano. Quando eu o perdi, quase perdi a mim mesma.
Eu não posso deixar isso acontecer nunca mais, portanto prefiro ficar longe de humanos.
Neferet fechou os olhos, inspirou profundamente e afundou suas unhas compridas e afiadas na palma da sua mão esquerda.
Quando o sangue empoçou e começou a gotejar, ela o ofereceu às sombras perscrutadoras, pensando no cowboy que ela havia plantado no solo fértil da arena de Lenobia.

— Empreste o poder das Trevas para mim
Para que as emoções dele eu possa ver!

A dor na palma da sua mão não era nada em comparação ao fluxo de poder gelado que ela recebeu. Neferet controlou esse poder e se concentrou no estábulo. Ela foi bem recompensada.
Ela podia sentir o fervor e a paixão do cowboy, o seu arrebatamento e o seu desejo. E então ela riu alto, pois também sentiu a sua dor e a sua confusão, junto com uma onda colateral que só podia ser o coração partido de Lenobia.
— Isso é tão saboroso! Tudo está acontecendo de acordo com meus planos.
Distraidamente, Neferet afastou o filamento de Trevas mais agressivo e lambeu as feridas na palma da sua mão, fechando-as.
 Por enquanto, é só. Esperem até mais tarde para receberem mais  ela riu da relutância dos filamentos em parar de se alimentar dela. Ela os comandava facilmente. Eles sabem que a minha verdadeira fidelidade, a minha verdadeira oferenda, é só para ele: o touro branco. Só de pensar nele e no seu poder magnífico, Neferet estremeceu de desejo. Ele é tudo o que um deus ou uma deusa deve ser; possa aprender muito com ele.
Então Neferet se decidiu. Ela iria dar uma desculpa para Thanatos, sempre curiosa demais, e sair da escola antes do amanhecer. Ela precisa estar com o touro branco... precisava absorver mais do que poder.
Ela fechou os olhos e respirou o ar da noite, deixando que a lembrança do seu Consorte – as Trevas em pessoa – a cortejasse. E por um momento Neferet acreditou que estava quase feliz.
E então ela se intrometeu. Ela sempre se intrometia.
 É sério, Shaunee, você não pode ficar aqui.
Neferet curvou os lábios em um sorriso sarcástico quando ela abriu os olhos e olhou através da sua janela para a calçada abaixo. Zoey havia pegado a garota negra pelo braço e estava obviamente tentando impedi-la de sair para o estacionamento.
 Olha só, eu tentei, mas hoje foi um inferno. Realmente um inferno. Então eu vou buscar a mala que fiz para levar para a estação e deixei no ônibus, e vou voltar para o meu antigo quarto no dormitório.
 Por favor, não faça isso  Zoey pediu.
 Eu preciso. Erin continua me magoando sem parar  ela disse, e Neferet achou que a garota estava quase chorando. A fraqueza dela causou repulsa à Tsi Sgili.  E de qualquer forma, o que importa?
 Importa porque você é uma de nós!  o afeto sincero na voz de Zoey despertou o ódio de Neferet.  Você pode ficar irritada com Erin. Vocês podem até parar de serem melhores amigas, mas você não pode deixar a sua vida inteira explodir por causa disso.
— Não sou eu que estou explodindo nada. É ela  Shaunee afirmou.
— Então seja uma pessoa melhor. Seja você mesma, e talvez fazendo isso você possa mostrar a Erin como ser sua amiga de novo.
 Mas não minha gêmea  Shaunee falou tão baixo que Neferet quase não conseguiu ouvi-la.  Não quero ser gêmea de ninguém de novo. Eu só quero ser eu mesma.
Zoey sorriu.
 É só o que você precisa ser. Vá para a sexta aula e eu prometo que vou conversar com Erin. Vocês ainda fazem parte do nosso círculo, e isso tem que contar para alguma coisa.
Shaunee concordou devagar.
 Tudo bem, mas só se você falar com ela.
 Eu vou falar.
Neferet sorriu desdenhosamente de novo quando Zoey abraçou a garota negra, que começou a voltar para o prédio principal da escola. Ela imaginou que Zoey fosse voltar com Shaunee, mas ela não foi. Em vez disso, os ombros dela desabaram e ela esfregou a testa, como se estivesse com dor de cabeça. Se a vaquinha ficasse fora dos assuntos dos outros, não teria nenhuma preocupação, Neferet pensou enquanto observava Zoey sair da calçada e chutar de um jeito meio barulhento uma lata que os humanos da manutenção do jardim tinham, sem dúvida, deixado para trás. Neferet sorriu por saber o que esses restos de lixo provocariam na exigente Gaea.
A lata que Zoey chutou rolou até parar na raiz exposta de um dos antigos carvalhos que pontuavam os jardins da escola. Os galhos desfolhados pelo inverno se balançaram com outra rajada de vento quente, quase ocultando Zoey da sua visão – quase como se eles estivessem se esticando para protegê-la, quando a garota se inclinou para pegar a lata.
Protegê-la...
Neferet arregalou os olhos. E se Zoey realmente precisasse de proteção? As árvores certamente não fariam isso, não sem que a garota irritante invocasse a terra. E Zoey não saberia que ela precisava chamar a terra se uma súbita rajada de vento – um acidente repentino – fizesse com que um galho quebrasse e caísse em cima dela.
Zoey não saberia o que estava acontecendo...
Sem vacilar, Neferet enfiou as unhas nas feridas rosadas que ainda não estavam cicatrizadas. Ela levantou a mão, empoçada de sangue e disse:

— “Bebam e obedeçam
O galho tem que fazer mais do que ser envergado
Arranquem-no... quebrem-no.. para a terra ele deve ser atirado
Esmaguem-na... Machuquem-na... Matem a garota Zoey.”

Neferet se preparou para a dor que o ato de alimentar as Trevas costumavam provocar, mas ela se surpreendeu ao não sentir nada. Ela desviou os olhos da árvore e se voltou para a palma da sua mão. Os filamentos de Trevas pegajosos estremeciam e se contorciam ao redor dela, mas não estavam se alimentando.

O que você pede desafia o Destino
Um sacrifício digno de uma Alta Sacerdotisa é necessário.

As palavras flutuaram pela mente de Neferet, e ela reconheceu o eco do poder de seu Consorte nelas.
— O que você precisa de mim? Que sacrifício tem que ser?
A resposta retumbou na mente de Neferet.
A força vital dela realmente exige que o sacrifício seja equivalente à sua ordem.
Neferet se encheu de irritação. Zoey sempre causava problemas para ela! Com um esforço considerável, Neferet controlou seu tom de voz para que suas palavras não ofendessem seu Consorte.

— Eu altero o meu pedido
Não matá-la seria melhor.
Assustem-na... machuquem-na
Mas deixem a sua linha da vida intata e imaculada.

Com uma entrega dolorosa, Neferet sentiu os filamentos das Trevas avançarem com ímpeto no sangue empoçado na sua mão. Ela não se retraiu. Ela não gemeu. Neferet sorriu e apontou para a árvore.
— “Meu sangue de mim para ti
Pela minha ordem... reduzam-na a pó!”
As Trevas jorraram da janela de Neferet. Imitando o vento, elas giraram em volta dos poderosos galhos do carvalho. Totalmente fascinada, Neferet observou. Zoey havia pegado a lata e estava afastando devagar da árvore em direção à calçada. Mas o velho carvalho era enorme e a garota ainda estava embaixo da sua cobertura.
Como um chicote, as gavinhas das Trevas se enrolaram em volta do galho mais baixo. Houve um som terrível e maravilhoso de crack! O galho se quebrou e foi arremessado violentamente para baixo, enquanto Zoey olhava para cima com os olhos arregalados e a boca aberta de choque.
Apesar do que o seu Consorte havia dito, por um momento extraordinário Neferet acreditou que Zoey poderia, de fato, ser morta.
E então, de um modo totalmente inesperado, um borrão prateado invadiu a cena. Zoey foi empurrada para fora do caminho e o galho gigantesco se estatelou sem causar danos no jardim.
Enquanto Neferet observava incrédula, Aurox e Zoey começaram a se desvencilhar da bola emaranhada que eles haviam se tornado quando ele a salvou do acidente.
Fazendo um som de absoluto desgosto, Neferet se afastou da janela e fechou as pesadas cortinas.
 Digam ao meu Consorte que eu acho que ele poderia ter permitido que ela ficasse mais machucada do que isso  ela falou para os filamentos negros que se contorciam, e eram sua constante companhia, sabendo que eles iriam transmitir ao touro branco, se não exatamente as suas palavras, pelo menos o seu sentido.  Acho que o meu sangue vale mais do que um tombo, apesar de eu reconhecer que foi sábio da parte dele deixar que Aurox a salvasse. Isso vai fazer parecer ainda mais heroico aos olhos dos tolos jovens calouros  os olhos de esmeralda de Neferet se arregalaram quando a sua compreensão se ampliou.
 Que complicação mais saborosa se um dos jovens calouros tolos a ver o Receptáculo como herói for Zoey Redbird em pessoa!  as Trevas se enrolaram nas suas pernas quando ela saiu dos seus aposentos e, sorrindo furtivamente, foi procurar Thanatos.


Zoey

Então, eu tinha acabado se fazer uma coisa boa. Duas coisas boas, na verdade. Eu havia convencido Shaunee a não sair da estação e tinha recolhido o lixo. Eu estava segurando a lata de refrigerante pensando em como eu gostaria de beber uma Coca bem geladinha quando o vento, que estava soprando feito louco a noite toda, deu uma rajada gigante e crack! O galho gigante bem acima de mim se quebrou. Eu não tive tempo para fazer nada além de olhar embasbacada com um pavor silencioso e paralisante – e então ele me atingiu pelo lado, embaixo e com força, como eu já tinha visto jogadores fazendo milhões de vezes no campo de futebol americano.
Todo o ar foi empurrado para fora de mim e eu senti que estava sufocando embaixo de um cara de mais ou menos uma tonelada.
 Saia de cima de mim!  falei de modo ofegante, tentando empurrar a perna dele que estava envolta do meu corpo. Eu me agitei tanto que, com um grunhido, ele se desvencilhou de mim.
Quando ele ergueu o seu peso, consegui de fato sugar o ar com força. Eu meio que dei umas cotoveladas para conseguir me sentar. Minha mente estava funcionando devagar. Como canto do olho, vi o galho enorme, ainda balançando por causa do seu impacto contra o chão.
Isso podia ter me matado, percebi, e levantei os olhos para a pessoa a quem eu devia uma muito obrigada bem verdadeiro.
Um par de olhos de pedra da lua estava me encarando. Ele levantou as mãos no instante que nossos olhos se encontraram e se afastou um pouco para trás, como se esperasse que eu fosse atacá-lo.
Uma sensação quente se irradiou da pedra vidente que pendia entre os meus seios. Ela encheu meu corpo de calor, como se esse calor fosse intensificado pelo contato com a pele de Aurox. Só podia ser minha imaginação, mas parecia que o calor da pedra permanecia no meu corpo mesmo depois que ele não estava mais me tocando.
 Eu estava patrulhando.
— É  eu falei e desviei os olhos dele, ocupando-me em tirar as folhas e a grama da minha blusa enquanto tentava colocar em ordem meus pensamentos embaralhados.  Você faz bastante isso.
 Eu vi você embaixo da árvore.
 Aham  continuei me limpando enquanto minha mente berrava: Aurox salvou a sua vida!
 Eu não ia me aproximar de você, mas ouvi o galho quebrando. Eu achei que não ia conseguir chegar a tempo  a voz dele parecia trêmula.
Então olhei para Aurox. Ele parecia super sem jeito. Enquanto eu olhava para ele, parado ali, parecendo deslocado e abobado, eu de repente percebi que, não importava o que ele era, naquele momento Aurox era simplesmente um garoto inseguro como qualquer outro adolescente.
Um pouco de ansiedade e do desconforto terrível que eu senti desde o primeiro momento em que vi começou a desaparecer.
 Bem, estou feliz que você conseguiu chegar a tempo — mantive minha voz calma e minhas emoções sobre controle. A última de que eu precisava era que Stark aparecesse atacando.
 E você pode baixar as mãos. Eu não vou mordê-lo nem nada parecido.
Ele abaixou as mãos e as enfiou no bolso da sua calça jeans.
 Eu não queria derrubá-la. Eu não queria machucá-la  ele afirmou.
 Aquele galho teria feito bem pior. Além disso, foi uma boa jogada. Heath teria aprovado  eu disse e então fechei a boca.
Por que diabos eu estava falando sobre Heath com ele?
Aurox simplesmente pareceu totalmente confuso.
Suspirei.
 O que eu quero dizer é: obrigada por me salvar.
Ele piscou surpreso.
 De nada.
Comecei a me levantar e ele estendeu a mão para me ajudar. Olhei para ela. Era uma mão perfeitamente normal. Não era nada parecida com um casco de animal. Coloquei a minha mão na dele. Nossas palmas se juntaram e eu percebi que não estava imaginado coisas. O toque dele realmente irradiava o mesmo calor que a pedra vidente.
Assim que fiquei em pé, soltei minha mão da dele.
 Obrigada. De novo  eu disse.
 De nada  ele fez uma pausa e quase sorriu.  De novo.
 É melhor eu ir para a sexta aula  quebrei o silêncio que havia começado a se instalar entre nós dois.  Preciso terminar de tratar uma égua.
 Eu tenho que continuar a patrulhar  ele falou.
 Então, a única aula que você tem que assistir é a primeira?
 Sim, como Neferet ordenou  ele respondeu.
Eu achei que ele soou estranho. Não exatamente triste, mas meio resignado e ainda um pouco sem jeito.
 Tá certo. A gente se vê na primeira aula amanhã  eu não sabia mais o que dizer.
Ele assentiu. Nós nos viramos e começamos a cada um seguir o seu caminho, mas uma coisa sobre a primeira aula surgiu na minha mente e eu sabia que não ia me deixar em paz. Então parei.
 Aurox, espere! — eu o chamei, e ele, parecendo curioso, voltou para me encontrar perto do galho quebrado.  Ahn, aquela pergunta que você escreveu hoje era pra valer?
 Para valer?
 É, tipo, você realmente não sabe o que você é?  perguntei.
Ele hesitou pelo que pareceu um longo tempo antes de me responder. Eu pude ver que ele estava pensando e talvez analisando o que ele devia e o que não devia me contar. Eu estava me preparando para dizer algum clichê (falso) do tipo “não se preocupe, não vou contar a ninguém”, quando ele finalmente falou:
 Sei o que eu devo ser. Não sei se isso é tudo o que eu verdadeiramente sou.
Nossos olhos se encontraram e dessa vez eu claramente vi tristeza ali.
 Espero que Thanatos o ajude a encontrar suas respostas.
 Eu também  ele disse. Então ele me surpreendeu ao acrescentar:  Você não tem um espírito maldoso, Zoey.
 Bem, eu não sou a garota mais legal do mundo, mas tento não ser maldosa — eu respondi.
Ele assentiu, como se o que eu falei tivesse feito sentido para ele.
 Bom, agora eu vou nessa mesmo. Boa sorte no resto da sua patrulha.
— Tome cuidado quando andar embaixo de árvores  ele afirmou e então saiu correndo.
Levantei os olhos para a árvore. Aquele vento selvagem e louco agora estava suave e quase imperceptível. O velho carvalho parecia forte, firme e totalmente inquebrável. Enquanto eu andava para a sexta aula, pensei em como as aparências enganam.

Um comentário:

  1. To sentindo que dentro desse Aurox ainda tem um pouquinho do maravilindo Heath

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