3 de outubro de 2015

Capítulo 20

Oh. Meu. Deus. O sino tocando foi como o alarme de incêndio. Erik se afastou de mim, e a turma começou um coro de “Whooo-Hoo!”
— É assim que se faz! — Eu teria caído se Erik não tivesse continuado a segurar minha mão.
— Faça uma reverencia — ele disse. — Sorria.
Eu fiz o que ele disse, de alguma forma fazendo uma reverencia e me forçando a sorrir como se meu mundo não tivesse acabado de explodir. Enquanto o pessoal saia, Erik falou com sua voz de professor de novo.
— Ok, lembrem-se de dar uma olhada em Julio Cesar. Amanhã vamos improvisar desse. E vocês fizeram um bom trabalho hoje.
Quando o último garoto saiu pela porta, eu disse, — Erik, temos que conversar.
Ele soltou minha mão como se ela tivesse queimado ele. — É melhor você ir. Você não quer se atrasar para a próxima aula também. — Então ele virou e foi até o escritorio da aula de teatro, fechando a porta com uma enorme batida atrás dele.
Eu mordi meu lábio com força para não começar a chorar enquanto eu saia da sala de teatro, o rosto corado de humilhação. O que diabos tinha acabado de acontecer? Bem, eu sei uma coisa com certeza, mesmo que fosse só uma coisa, era que Erik Night ainda estava interessado em mim. Claro, o interesse dele podia estar focado na maior parte em querer me estrangular. Mas ainda sim. Pelo menos ele não foi todo frio e sem sentimentos ou algo assim sobre mim como ele tentou fingir que era. Meus lábios estavam doloridos devido a intensidade do nosso beijo. Eu ergui minha mão, passando um dedo pelo meu lábio inferior gentilmente.
Eu comecei a andar, sem olhar para os calouros que passavam por mim a caminho da aula, e não prestei atenção de para onde eu estava indo até que o ouvi o barulho de um corvo vir dos galhos de uma árvore perto da calçada.
Com um calafrio eu parei bruscamente e olhei para a árvore. Enquanto eu observava, a noite se ondulou e desdobrou, como cera sendo derramada de uma vela preta. Tinha algo – algo sobre o que quer que fosse que estava na árvore que fez meus joelhos ficarem fracos e meu estômago doer.
Desde quando eu me tornei uma vitima – uma garotinha assustada?
— Quem é você! — eu gritei para a noite. — O que você quer? — Eu endireitei os ombros, decidindo que estava cheia do jogo de esconde esconde. Eu posso estar com o coração partido sobre Heath e confusa sobre Stark, e eu posso não poder fazer nada sobre a confusão com Erik, mas eu podia fazer algo sobre isso. Eu ia andar até aquelas árvores e chamar o vento para derrubar o que quer que fosse que estava me observando para eu poder chutar a bunda dele. Eu estava cansada de me sentir estranha e com medo e totalmente diferente de mim mesma, e –
Antes de eu dar um passo para fora da calçada, Darius pareceu se materializar ao meu lado. Jeesh, para um cara enorme, ele com certeza pode se mover assustadoramente rápido e silenciosamente.
— Zoey, você precisa vir comigo — ele disse.
— O que está acontecendo?
— É Aphrodite.
Meu estômago se apertou com tanta força, que eu achei que fosse vomitar. — Ela não está morrendo, está?
— Não, mas ela precisa de você. Agora.
Ele não precisou dizer mais nada. O estresse no rosto dele e o tom de voz mortalmente sério dizia tudo. Ela não estava morrendo, então Aphrodite deveria estar tendo uma visão.
— Ok, estou indo. — E eu comecei a correr em direção ao dormitório, tentando acompanhar Darius.
O guerreiro parou por um segundo, me dando um olhar tão intenso, que me fez querer me contorcer. — Você confia em mim? — ele perguntou bruscamente.
Eu acenei.
— Então relaxe e acredite que está segura comigo.
— Ok. — Eu não fazia ideia do que ele estava falando, mas eu não protestei quando ele agarrou meu braço.
— Lembre-se, fique relaxada — ele disse.
Eu abri minha boca para repetir o ok (e talvez virar os olhos para ele), quando todo o ar foi tirado dos meus pulmões quando Darius correu para frente, de alguma forma me levando com ele. Foi a coisa mais bizarra que eu já experimentei, o que é dizer algo, porque eu já tive várias experiências bizarras nos últimos meses. Mas isso era como estar numa daquelas calçadas do aeroporto, só que a “calçada” era a aura de Darius ou algo assim, e o movimento estava acontecendo tão rápido que o mundo ao redor era um borrão.
Estavamos no dormitório das garotas em alguns segundos, e eu não estou exagerando.
— Puxa vida! Como você fez isso? — Eu estava ofegando um pouco, e assim que ele me soltou, eu comecei a tirar meu cabelo do rosto. Era como se eu tivesse dado uma volta supersônica numa Harley.
— Os Filhos de Erebus são guerreiros com vastas habilidades — ele disse cultamente.
— Huh. Não brinca? — Eu ia dizer que ele também soava como se devesse estar no Senhor dos Anéis, mas eu não queria ser rude.
— Ela está no quarto — ele disse, meio que me empurrando pelas escadas até o dormitório enquanto ele pegava a dianteira e abria a porta. — Ela me disse para te chamar imediatamente.
— Bem, você certamente fez isso — eu disse por cima dos ombros. — Oh, você pode encontrar Lenobia e dizer a ela porque não estou na aula?
— É claro, Sacerdotisa — ele disse. Então ele desapareceu de novo. Jeesh. Eu me apressei para o dormitório, ainda me sentindo meio cansada. A sala estava vazia – todos (a não ser Aphrodite e eu) estavam em aula, então eu pude correr pelas escadas e ir até o quarto de Aphrodite sem ter que responder várias perguntas das garotas curiosas demais. Eu bati duas vezes na porta de Aphrodite antes de abrir.
A única luz do quarto estava vindo de uma pequena vela. Aphrodite estava sentada na cama com os joelhos no peito, os cotovelos em cima dos joelhos, e o rosto dela enterrado nas mãos. Malévola estava empoleirada em uma bola branca fofa ao lado dela. A gata olhou para mim quando eu entrei no quarto e rosnou suavemente.
— Hey, você está bem? — eu perguntei.
O corpo dela tremeu, e com o que era obviamente um enorme esforço, ela ergueu a cabeça e abriu os olhos.
— Oh meu Deus! O que aconteceu! — Eu corri até ela, acendendo o abajur Tiffany que estava na cabeceira. Quando Malévola começou a assobiar em aviso para mim, eu disse a besta, — Tente e eu te jogo da janela e chamo a chuva para te encharcar.
— Malévola está tudo bem. Zoey é odiosa, mas não vai te machucar — ela disse cansadamente.
A gata rosnou de novo, mas voltou a ser uma bola de pelos. Eu voltei minha atenção para Aphrodite. Os olhos dela estavam injetados de sangue – era tão ruim que o branco dos olhos estava totalmente vermelho. Não rosa ou inflamado como se ela fosse alérgica a pólen e tivesse caminhado num campo deles. Eles estavam vermelho. Como em sangue. Como em sangue enchendo os olhos dela e os manchado de escarlate.
— Essa foi realmente ruim. — Ela soava horrível. A voz dela estava trêmula, e o rosto dela estava assustadoramente branco. — V-você pode pegar uma garrafa da minha água de Fiji na galadeira?
Eu corri até o mini bar e peguei a garrafa de água. Então eu entrei no banheiro, onde peguei um pano bordado a ouro. (Jeesh, ela é tão rica!) Eu rapidamente joguei um pouco de água fria nele antes de correr até ela.
— Beba um pouco disso, e então feche os olhos e coloque isso no rosto.
— Eu estou terrível, não é?
— Yep.
Ela deu vários goles da garrafa de água como se estivesse morrendo de sede, então pôs o gelado e molhado pano por cima dos olhos e se inclinou nos travesseiros de marca dela com um exausto suspiro. Malévola me observou com olhos maldosos de gato, que eu ignorei.
— Seus olhos já fizeram isso antes?
— Você diz doerem para caramba?
Eu hesitei e decidi contar a ela. Não era como se Aphrodite evitasse espelhos. Ela iria ver sozinha em breve. — Eu quero dizer ficarem completamente vermelhos feito sangue.
Eu vi o pequeno empurrão de surpresa que o corpo dela deu, e ela começou a pegar o pano, mas a mão dela parou e voltou para a cama e os ombros dela desmoronaram. — Não foi atoa que Darius surtou e correu para pegar você como se cachorros assassinos estivessem correndo atrás dele.
— Tenho certeza que vai passar. Você provavelmente deveria manter os olhos fechados por um tempo.
Ela suspirou dramaticamente. — Vai realmente me irritar se essas visões começarem a me deixar feia.
— Aphrodite — eu disse, tentando manter o sorriso fora da minha voz, — Você é bonita demais para ficar feia. Ou pelo menos foi isso que você disse a todos nós um zilhão de vezes.
— Você tem razão. Mesmo com olhos vermelhos, eu sou mais bonita que qualquer um. Obrigada por me lembrar. Isso só mostra o quão estressante essa droga de visão está me deixando para eu sequer considerar me preocupar com isso.
— Em falar cocô de visão. Você quer me contar sobre essa?
— Você sabe, você realmente não iria derreter nem nada disso se xingasse um pouco. Minha deusa, falar cocô é muito idiota.
— Dá para ficar no assunto?
— Tudo bem. Mas não me culpe quando as pessoas te falam que voa soa irritante. Na minha mesa tem um pedaço de papel com um poema escrito. Você vê?
Eu fui até a cara mesa dela, e certa, havia um pedaço de papel sozinho contra a mesa de madeira. Eu o peguei. — Eu vejo — eu disse.
— Bom. Você deve ler ele, e eu espero que você entenda o que significa. Eu nunca sei sacar poesia. É uma merda chata.
Ela deu ênfase da parte da merda. Eu ignorei ela e me concentrei no poema. Assim que eu olhei para ele, minha pele começou a formigar e calafrios ergueram os pelinhos dos meus braços como se um frio vento tivesse passado por mim.
— Você escreveu isso?
— Oh, é, claro. Eu nem gostava do Dr. Seuss quando eu era criança. De jeito nenhum eu iria escrever esse poema.
— Eu não me referi a você compor ele. Eu quis dizer você fisicamente escreveu isso?
— Você está ficando burra? Sim, Zoey. Eu escrevi o poema que eu vi na minha horrível e muito dolorosa visão. Não, eu não o compus. Eu o copiei. Satisfeita?
Eu olhei para ela deitada nos travesseiros no meio da super cara cama com o pano bordado a ouro por cima do rosto e uma mão acariciando a horrivel gata dela e balancei a cabeça irritada. Ela parecia um zilhão por cento como uma diva vadia. — Sabe, eu poderia te sufocar com seu travesseiro e ninguém iria sentir sua falta. Quando te achassem, essa odiosa gata teria te comido e todas as evidências do meu crime.
— Malévola não me comeria. Ela te comeria se você tentasse qualquer coisa. Além do mais, Darius iria sentir minha falta. Só leia a porcaria do poema e me diga o que significa.
— Você é a Garota das Visões. Você deveria saber o que significa. — Eu virei minha atenção de volta para o poema. O que tinha sobre a escrita que estava me fazendo sentir tão estranha?
— Isso mesmo, eu tenho visões. Eu não as interpreto. Eu só sou um oráculo muito atraente. Você é a Alta Sacerdotisa em treinamento, lembra? Então descubra você.
— Está bem – está bem. Me deixe ler em voz alta. As vezes ajuda fazer um poema ficar compreensivo quando você consegue ouvir ele.
— Tanto faz. Só vamos para a parte do descobrir.
Eu limpei a garganta e comecei a ler.

Antigo dormindo, esperando acordar
Quando o poder da terra sangra num vermelho sagrado
A marca padece verdadeira; a Rainha Tsi Sgili arquitetará
Ele será lavado da cama que o enterra

Através da mão da morte ele é liberto
Terrível beleza, monstruosa visão
Governados novamente eles serão
Mulheres ajoelhar-se-ão ante sua vontade sombria

A música de Kalona soa doce
Enquanto nós morremos com a fria onda

Quando eu terminei eu pausei, tentando entender o que isso significa e tentando descobrir porque ele me deixou tão assustada.
— É assustador, não é? — Aphrodite disse. — Quero dizer, definitivamente não é amor e rosas e felizes para sempre.
— Definitivamente não é isso. Ok, vamos ver. O que é o poder da terra, e quando ele sangra vermelho?
— Não faço ideia.
— Hum. — Eu cerrei os dentes pensando. — Bem, a terra pode parecer estar sangrando quando alguém é morto e tem sangue no chão. E talvez a parte do poder venha do que quer que seja que é morto. Como uma pessoa poderosa.
— Ou um vampiro poderoso. É como quando encontrei o corpo da professora Nolan. — O tom de espertinha na voz de Aphrodite foi subjulgado pela memória. — A terra parecia estar sangrando.
— Yeah, você tem razão. Então pode ter algo a ver com essa Rainha Tsi Sgili morrer ou ser morta porque uma rainha é definitivamente uma pessoa poderosa.
— Quem diabos é essa Rainha Tsi tanto faz?
— Parece familiar para mim. O nome parece Cherokee. Eu me pergunto se pode ser — Minhas palavras se quebraram com meu arfar de choque e de repente eu sabia porque a escrita me fez sentir tão estranha.
— O que? — Aphrodite sentou de novo, tirando o pano do rosto e apertando os olhos para mim. — Qual problema?
— Essa escrita — eu disse através dos lábios que tinham ficado frios. — Essa é a letra da minha avó.

Um comentário:

  1. Então, acho que os professores mortos são obra da Neferet pra cumprir com os planos dela, ela certamente queria essa guerra contra os humanos, e certeza que não desistiu. Acho que ela tá querendo ressuscitar algo, pelo poema deu pra ver que é alguém muito poderoso que vai botar o terror.

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