11 de outubro de 2015

Capítulo 20 - Neferet

— Obrigada, Judson. Eu sabia que você encontraria exatamente o que eu precisava. Pode deixar ali na mesa ao lado da porta para a varanda. Oh, mas, por favor, não saia. Ainda não terminei com você. Como pode ver, aqui vem Kylee, na hora certa, com o pequeno grupo que lhe pedi para buscar para mim — o sorriso de Neferet incluiu o grupo de humanos com aparência assustada que relutantemente entrava em sua cobertura, bem como seus funcionários do sexo masculino, porém, ela sorriu de verdade apenas para seus filhos que possuíam os homens. — Eu aprecio a pontualidade, Kylee. Sirva-me uma taça de vinho.
Neferet contou os seres humanos. Doze deles. Dentre mais de duas centenas de adoradores, os doze eram verdadeiramente dóceis para Lynette tomar nota deles. A Deusa não ficou chateada com esse número baixo, ela simplesmente tinha que ter certeza de que sua matemática fosse precisa e de que houvesse um número suficiente deles.
— Sim — ela falou em voz alta enquanto corria os números em sua cabeça. — Um a cada cinco minutos deve ser suficiente. É uma curta distância daqui para a House of Night. Isso vai lhes dar muito tempo e incentivo.
— Deusa? Há algo que gostaria que fizéssemos? Uma dança que gostaria que aprendêssemos? — uma mulher jovem e atraente perguntou, fazendo uma reverência graciosa.
— Você foi uma dos que dançou para mim, não foi? — Neferet peguntou.
— Sim, Deusa. Meu nome é Taylor.
Neferet suspirou em desgosto.
— Oh, não importa. Eu a deixarei ficar com esse nome.
— Ob-obrigado, Deusa — Taylor respondeu, hesitante.
— E sim, Taylor, há algo monumental que quero vocês doze façam antes do nascer do sol, que será daqui apenas uma hora. Em comemoração a um evento tão extraordinário, devo quebrar meu próprio decreto e falar o nome dela. Lynette — Neferet falou o nome com cuidado; para ela, tinha gosto de traição — observou que cada um de vocês são especialmente bondosos.
O sorriso de Taylor era hesitante, mas genuíno.
— Legal da parte dela — a mulher olhou ao redor da cobertura. — Onde está Lynette?
Lembrando-se que precisaria de todos os doze, Neferet não atacou Taylor. Em vez disso, com enorme paciência, respondeu:
— Taylor, eu disse que eu devo quebrar o meu decreto e falar o nome dela. Não falei que ninguém mais poderia.
— Oh, me desculpe, Deusa — Taylor falou rapidamente fazendo outra reverência.
— Está tudo tranquilamente bem, e bastante compreensível. Eu deveria ter me feito clara. Não foi nada, Taylor. Então, como eu estava dizendo, Lynette tomou nota de cada um de vocês. Eu queria ter certeza de que vocês entendam que estão aqui por causa dela — um arrepio de medo começou a se mover através do grupo. Neferet sentiu o medo deles se agitar e sorriu. — Por que vocês não se sentam na sala de estar? Prefiro que fiquem confortáveis. Kylee, sirva champanhe para os meus suplicantes, por favor. Judson, vá para aquela pequena escrivaninha em meu quarto e me traga um daqueles adoráveis cartões postais de Tulsa e uma caneta.
Enquanto seus servos faziam o que lhes era ordenado, Neferet abriu a porta de vidro que dava para a varanda. O vento soprava para dentro, trazendo o cheiro de chuva com ele. Neferet abriu os braços, deleitando-se com o poder na atmosfera que predizia uma tempestade. Como se ela o tivesse desenhado através de seu desejo, um trovão ecoou à distância e relâmpagos o seguiram, alegres e brilhantes, pelo céu.
— Esta é uma noite magnífica! A tempestade que antecede o amanhecer é absolutamente a minha favorita. Eu adoro Oklahoma na primavera.
— Deusa, o seu cartão postal e a caneta.
— Obrigada, Judson — Neferet pegou o cartão e nas linhas pontilhadas ela escreveu quatro palavras. Quando terminou, olhou para cima, sorrindo para o grupo assustado. — Agora, quem será o primeiro? — Neferet bateu com o dedo no queixo, como se considerasse. — Taylor! Será você!
— O que posso fazer por você, Deusa? — perguntou Taylor, nervosa, embora acrescentasse seu honesto sorriso bondoso para a questão.
— Venha aqui, minha querida. Primeiro quero lhe dar isso.
Taylor tremeu quando se aproximou de Neferet.
— Vamos ver. Sim, o bolso da frente de sua calça servirá. Elas são feitas de um material de boa qualidade com bons bolsos. Lynette estava certa, eu proibirei o uso de jeans. Esperemos que ela esteja tão certa sobre este pequeno grupo — ela sorriu para Taylor e entregou-lhe o cartão postal. — Coloque isto no seu bolso, por favor.
Taylor olhou para o cartão, o colocou em seu bolso e perguntou:
— O que significa “um a cada cinco minutos”?
— Bem, Taylor, se meus cálculos estiverem corretos, isso significa que um de vocês vai morrer a cada cinco minutos. Judson e Tony, tragam Taylor para frente.
Neferet andou a passos largos em direção à varanda, feliz que o vento levasse os gritos patéticos de Taylor.
— Não — ela apontou para frente da varanda. — Joguem-na de lá. Balancem-na várias vezes para que consigam um bom arremesso. Se entendi a intenção por trás da miserável magia que me prende aqui, a bondosa Taylor deve passar através da barreira intocada para que ela possa cair, gritando, até o asfalto lá embaixo.
Sem emoção, os dois homens balançaram a garota histérica uma vez, duas, três vezes, e depois a soltaram, atirando-a para fora da varanda. Curiosa, Neferet observou o redemoinho de vento formado pelos seus braços e pernas até que ela caiu quase exatamente onde Neferet havia imaginado.
— Da próxima vez mirem um pouco mais para a direita — ela ordenou aos homens. Em seguida, voltou para a porta da cobertura e aos gritos das pessoas apavoradas lá dentro. — O mais barulhento de vocês será o próximo! — Como o apagar de uma vela, eles abafaram os seus próprios gritos. — Kylee, programe o relógio da cozinha para despertar em cinco minutos — pediu ela, então fechou a porta da cobertura, pegou a Glock que Judson encontrara no quarto do representante farmacêutico, e sentou-se à mesa de bistrô de ferro forjado que ela tinha escolhido anteriormente por a sua altura e estabilidade.
— Venham até mim, crianças — Neferet ordenou.
Os filamentos a obedeceram imediatamente, fervilhando com ela e circulando ao redor de seus pés nus. Ela os estudou cuidadosamente, finalmente inclinando-se para pegar um especialmente gordo. Neferet o colocou no topo da pequena mesa à sua frente.
— Isso vai acabar rapidamente — ela falou ao tentáculo que esperava. — Vou honrar seu sacrifício com o meu próprio sangue — embora tenha tremido, a criatura não lutou ou tentou escapar. Neferet sorriu. — Você é forte e corajoso, exatamente o que meu feitiço precisa. E assim começa!
Ela perfurou a carne negra e emborrachada perto da boca aberta da gavinha, e, em seguida, em um movimento rápido, Neferet arrancou um fino fio de pele de seu filho.

Carne preciosa, preenchida com poder mágico,
Obedeça meu comando; cumpra a minha vontade,
O fim de Kalona eu profetizo no decorrer dessa hora
O imortal disfarçado eu devo matar agora!

Neferet levantou a Glock e envolveu o segmento sangrento de pele em torno de seu cano, cobrindo a arma com a escuridão. Em seguida, ela franziu os lábios e a soprou.
Quando seu sopro tocou a carne do filamento de Trevas, este ondulou e depois desapareceu, tendo sido totalmente absorvido pela arma.
— Se eu estiver certa, e raramente erro, isso deve servir muito, muito bem.
Distraída, Neferet cortou o interior de seu antebraço e ofereceu a ferida escarlate ao filamento ferido, que ansiosamente começou a se alimentar e curar-se.
Então, Neferet tomou um gole de vinho e esperou.


Kalona
— Os olhos dela sempre sangram desse jeito quando ela tem uma visão? — perguntou-lhe Marx.
Antes que ele pudesse responder, seu filho respondeu por ele.
— Sim. As visões lhe causam muita dor. Stevie Rae e Zoey se preocupam com ela, especialmente porque a intensidade delas parece estar ficando pior.
Kalona e Marx não tinham deixado o Templo de Nyx, mas foram para uma das alcovas de meditação à luz de velas, junto com Rephaim, abrindo caminho para Stevie Rae e Damien, que Zoey chamara para trazer panos molhados, roupas limpas e, depois de muita discussão, uma garrafa de vinho tinto. Aphrodite desmaiou quando Darius tentou movê-la, de modo que ele havia anunciado que seria no Templo da Deusa que sua Sacerdotisa permaneceria até estar recuperada.
Verdade seja dita, Kalona tinha ficado feliz com a desculpa para ficar dentro do Templo de Nyx. Depois de tanto tempo ausente, ele não conseguia ter o suficiente da presença da Deusa, mesmo que fosse apenas através da energia abençoada que, tão certo como baunilha e lavanda, permeava o ar.
— Pai, a visão me incomoda — a preocupação na voz de Rephaim chamou a atenção de Kalona do etéreo para o tangível.
Ele sorriu para seu filho, absorvendo a sensação de calor que lhe deu aceitar o carinho do garoto.
— Não é mais do que simbolismo. Você sabe o quanto Aphrodite não gosta de simbolismo. É por isso que ela prefere uma interpretação literal.
— Mas ela o viu cair e morrer.
— E ela disse que era uma morte real, não um simbolismo —  acrescentou Marx.
Kalona encolheu os ombros.
— No entanto, aqui estou eu, os dois pés firmemente no chão, muito vivo.
— Mas não completamente imortal.
Rephaim falou as palavras tão baixinho que Marx disse:
— O que foi, Rephaim? Seu pai não é o quê?
— Meu filho se preocupa demais — Kalona cortou Rephaim, dando-lhe um olhar que parou qualquer outra coisa que ele poderia ter dito. — A verdade é que Aphrodite viu a morte de Zoey duas vezes, assim como a morte de sua avó. Ali está Zoey. E você sabe que Sylvia Redbird está viva e bem — Kalona colocou a mão no ombro do filho, satisfeito com a sua preocupação, mas também querendo aliviá-la. — Falta menos de uma hora para o amanhecer. Você não deveria...
O telefone do detetive tocou. Marx olhou para ele e pediu licença para atender a chamada.
— Eu não vou ficar calado sobre isso, Pai. Disse Rephaim.
— Sobre o quê? — ele se fez de desentendido.
Rephaim fez uma careta para ele.
— A sua morte iminente.
Kalona riu.
— Imortais não morrem. Ou você se esqueceu de por que Neferet anda nos causando todos esses problemas? Se não fosse assim, Stark poderia simplesmente mandar uma flecha matá-la e seria o fim dela.
— Você mudou no Outromundo, o suficiente para que um juramento que fez sobre sua imortalidade não fosse mais válido.
— Filho, eu tenho lutado contra as Trevas desde então e sobrevivi ao que certamente mataria qualquer mortal. Eu aprecio sua preocupação, mas ela é desnecessária.
Marx correu para o Templo.
— Neferet está jogando reféns vivos da varanda do Mayo a cada cinco minutos. Dois já estão mortos. Temos quatro minutos até um terceiro ser adicionado a esse número.
Uma sensação arremeteu Kalona.
— Ela deve estar tentando quebrar o feitiço de proteção — ele se virou para Zoey. — Leve seu círculo para a Árvore do Conselho do Grande Carvalho. Fortaleça Thanatos e o feitiço de proteção. Não importa o que aconteça, não deixe que o feitiço falhe.
— Eu dirijo — Stark falou.
Já estavam todos correndo para a porta.
— Vá com eles! — Aphrodite disse, empurrando Darius para longe dela. — Se Neferet escapar, estamos todos mortos.
— Rephaim, vá com Stevie Rae. Tenha certeza de que sua Sacerdotisa esteja segura — Kalona falou ao seu filho.
— Quer uma carona? — Marx lhe perguntou quando eles correram em direção ao estacionamento.
— Não. Eu vou voando. É mais rápido. Te encontro lá.
— Tenha cuidado lá em cima — disse Marx, oferecendo sua mão.
Kalona a apertou.
— Fique seguro também, meu amigo — em seguida, ele se virou para Rephaim e puxou o filho, grosseiramente, num abraço. — Você é a parte da minha vida da qual eu mais me orgulho.
Ele liberou Rephaim, mas antes que pudesse lançar-se ao céu, Kalona sentiu uma mão suave tocar em seu braço. Ele olhou para baixo e viu Zoey Redbird observando-o com olhos grandes e sábios.
— Estou feliz que você tenha conseguido sua segunda chance com a gente. Fico feliz que esteja do nosso lado.
Ele sorriu para ela, surpreso com o quanto suas palavras significavam para ele. Ele tocou seu rosto.
— Assim como eu.
Então se ergueu para o céu, atravessando o ar com o bater de suas poderosas asas.
Kalona riscou as nuvens da esvoaçante tempestade quase em sincronia com o relâmpago. Os ventos da tempestade o afligiam, mas Kalona não tomou cuidado com eles. Ele tinha um dever, uma responsabilidade, um édito de sua Deusa. Ele protegeria as pessoas necessitadas. Não importava o custo, ele optou por ficar entre Neferet e aqueles que tinha chegado a gostar, até mesmo a amar.
De repente, as nuvens na frente dele começaram a ferver e mudar de forma até Kalona estar de frente para os olhos brilhantes do Touro Branco. Seu corpo era uma enorme nuvem, seus chifres gotejando com uma chuva de sangue.
Embora tenha passado eras desde nosso último encontro, você é tão previsível agora como era antes. A voz explodiu na cabeça de Kalona. Que acordo mutuamente benéfico faremos desta vez, Kalona?
— Nenhum, Touro. Da última vez que nos encontramos, rejeitei você em palavras, mas não no meu coração, nem nos meus atos. Da última vez que nos encontramos, permiti que sua escuridão alimentasse o que era fraco dentro de mim e envenenasse minha vida. Desta vez, eu estou diferente. Desta vez eu o rejeito em palavras, de coração e em ações.
Realmente, Filho da Lua? Será que ainda me rejeitaria se eu lhe dissesse que tenho o poder de restaurar tudo o que você perdeu durante as eras em que tem vagado no reino mortal?
— Não há nada que você possa me dar que valeria o preço.
Mas você nem sequer ouviu o meu preço. Seria muito pouco em comparação ao que você perdeu.
— Ouça-me, e ouça-me bem, Touro, embora você nunca vá realmente entender o que eu digo, porque o seu espírito está doente. Mesmo se eu não conseguir tudo o que desejo, mesmo que eu não possa controlar tudo ao meu redor, o fim não justifica os meios. É impossível capturar o amor com o mal. De uma vez por todas, eu escolho Luz! — Kalona ergueu o braço e sua lança ônix apareceu. — Agora, vá embora e me deixe com as consequências de minha escolha!
Ele atirou a lança para a nuvem de chuva em forma de touro. Com um rugido de dor e raiva, a criatura desapareceu.
Kalona fechou suas mãos para controlar os tremores que cascatearam através de seu corpo.
— Eu não tenho tempo para o medo. Tenho um dever a cumprir.
Decididamente, ele voou adiante.
Kalona pousou no telhado mais alto do edifício ONEOK a tempo de ver dois homens arrastando uma garota que se debatia pela varanda do Mayo. Neferet estava sentada em uma mesa pequena no meio da varanda, bebendo de um cálice de cristal.
O que ela está fazendo? Por que está jogando as pessoas da varanda? Kalona tentava juntar as peças do quebra-cabeça enquanto os homens que prendiam a garota olhavam Neferet com expectativa, obviamente esperando seu sinal. Kalona não conseguia ver nada, somente a loucura por trás das ações de Neferet. Não é de seu feitio torturar esses humanos. E suas mortes lhe dão poder. Talvez esta seja uma diversão e um ganho de energia para ela. Talvez ela esteja simplesmente entediada e jogando sua versão macabra de um jogo.
Neferet assentiu. Um homem pegou os braços da menina. Outro agarrou suas pernas, e eles começaram a balançar a garota para que ela pudesse ser jogada através da borda. Mesmo acima do vento uivante e do ronco do trovão, Kalona podia ouvir seus gritos.
Kalona se levantou, abriu as asas e se preparou para mergulhar e pegar a garota.
O cálice de Neferet se espatifou no chão de pedra quando ela o viu. Ela pegou um revólver e apontou para ele.
Então Kalona entendeu seu jogo.
Ele também entendeu a visão de Aphrodite. A Profetisa estava correta. Tinha sido literal ao invés de simbólica.
Obrigado, Nyx, por me permitir uma escolha. Mas desta vez, vou cumprir o meu dever. Desta vez eu escolho a Luz, não importa o custo.
Kalona saltou do telhado do edifício ONEOK, braços e asas abertos, um alvo limpo quando se atirou para frente para salvar mais um humano das consequências da loucura de Neferet.
Mas os homens não jogaram a garota. Em vez disso, abaixaram-se, dando a Neferet uma linha clara de visão. O laser vermelho iluminou o centro do peito de Kalona instantes antes de Neferet começar a puxar o gatilho repetidamente, esvaziando a arma em seu corpo.
Revestidas de Trevas, as balas acertaram Kalona, perfurando-o e enviando veneno para queimar seu coração. Ele tentou permanecer ereto, mas seu corpo, empurrado pela força das balas, virou de cabeça pra baixo, desorientando-o. Ele ordenou que suas asas o levassem para o céu e o mantivesse no ar, mas todo o controle sobre seu corpo e sua força sobrenatural havia sido cortado.
Pela segunda vez em seus séculos de existência, Kalona caiu.


Detetive Marx
— Ele está caindo! O cara alado está caindo! Precisamos de um ônibus para o Mayo agora!
O rádio no carro sem identificação de Marx anunciava as notícias e ele pisou fundo no acelerador, virando à esquerda na Sétima Avenida. Ele pegou o microfone e gritou:
— Aqui é o detetive Marx, limpem o bloqueio da Sétima com a Boulder, irei atravessá-la.
Quando seu carro derrapou, ele orou em silêncio: Permita que seu aviso o tenha salvado, Nyx... Permita que seu aviso o tenha salvado.
Quando ele acelerou através do bloqueio da estrada e a rua em frente ao Mayo apareceu, Marx apertou ainda mais o volante. Seu estômago se contorceu. Kalona jazia amassado em uma pilha no meio da rua. Sem se importar com a sua própria segurança, Marx manobrou o carro entre o Mayo e Kalona, formando um escudo. Ele correu para o lado de Kalona e ajoelhou-se.
O grandalhão ainda estava respirando, mas estava feio. Pior do que feio. Ele não parecia ter quaisquer ossos quebrados, e sua cabeça não tinha se partido. Mas o centro do seu peito era uma ferida irregular, queimada e sangrenta, obviamente feito por vários tiros. O impacto da queda fora absorvido pelas enormes asas de Kalona. Elas estavam em torno dele em pedaços, quebradas, como se feitas de porcelana negra. O sangue escorria dos ossos quebrados que se projetavam através das penas como de um corvo. Marx fez a única coisa que podia, apertou ambas as palmas no peito ferido, fazendo pressão.
— Aguente firme, Kalona. Há uma ambulância a caminho.
Os olhos cor de âmbar se abriram e ele se concentrou em Marx.
— Diga a Aphrodite que ela estava certa — ele teve que forçar as palavras, e o esforço o fez tossir e gemer.
— Guarde isso. Diga-lhe você mesmo. Apenas fique comigo. Eu vou levá-lo para o hospital.
— O hospital não. Leve-me para Thanatos.
Então ele fechou os olhos e não voltou a falar.
Marx continuou falando com ele mesmo assim e manteve a pressão sobre a ferida, mesmo enquanto o sangue de Kalona se reunia ao redor deles em uma maré cada vez maior.
A ambulância finalmente chegou lá. Os paramédicos que saíram pareciam confusos e com medo, hesitantes em se aproximar.
— Qual é a droga do problema de vocês? Coloquem-no na maca! — Marx explodiu sobre eles.
— Detetive, ele é muito grande. Não vai caber na maca — disse um dos paramédicos.
— Nós vamos erguê-lo com você, detetive.
Marx olhou para cima e viu o jovem oficial Carter e uma dúzia de policiais.
Marx acenou em agradecimento.
— Peguem a maca, vamos colocá-lo lá dentro, e então tomaremos o veículo — sem dar aos paramédicos uma escolha, ele falou para Carter: — Vamos levá-lo para lá. No três, levantem-no.
Os oficiais rodearam Kalona e o levantaram, deixando pedaços de suas asas na piscina de sangue. Kalona não fez um som enquanto eles o deslizavam na parte traseira da ambulância.
Marx teria pensado que ele estava morto, se não tivesse escalado ao lado dele e visto que seu coração ainda bombeava sangue fresco da terrível ferida. Marx rasgou uma embalagem de gaze, pressionando-a contra o peito de Kalona enquanto gritava pela janela aberta para Carter, que tomou o assento do motorista.
— Leve-nos para a Árvore do Conselho do Grande Carvalho, vá!


Neferet
— Ergam-me, crianças! Levantem-me para que eu possa testemunhar o meu plano sendo concretizado!
Os filamentos das Trevas trotaram para ela, rodeando-a, levantando-a alto o suficiente para que ela pudesse ver a rua abaixo através da varanda, tomando cuidado para manter-se longe o suficiente da borda para não ser chamuscada.
— Como é magnífico! Ele aterrissou perfeitamente no centro da rua. Quase no mesmo local no qual ele tão recentemente zombou de mim, me desrespeitou e roubou minha serva favorita. Bem, meus filhos, ele não vai fazer isso de novo. Nenhum homem jamais vai me trair outra vez.
A garota que Judson e Tony tinham feito de isca para Kalona chorava histericamente, ainda se debatendo onde os dois homens a tinham largado.
Neferet suspirou e fez sinal para que seus filhos a deixassem.
— Você está segura agora — ela disse para a garota chorando. — O que eu fiz foi para manter todos nós protegidos. Kalona era meu inimigo, sendo assim, também era seu inimigo. Você deveria se alegrar com a minha vitória.
A menina enxugou os olhos com as mãos trêmulas, mas foi incapaz de parar de chorar.
— Kylee! — Neferet chamou, e a serva correu de dentro da cobertura até ela. — Eles simplesmente não conseguem compreender o fato de que o que faço é para proteger a todos nós. Livre-se deles. Imediatamente. Eles estão me dando dor de cabeça. Judson irá ajudá-la.
— Você gostaria que nós os jogássemos da varanda? — perguntou Judson.
— Não, não, não! Não há necessidade de desperdiçá-los. Apenas escolte-os de volta para seus quartos.
— Sim, Deusa — Judson e Kylee entoaram juntos antes que Judson arrastasse a garota histérica da varanda e guiasse o restante dos chorosos mortais para fora de sua cobertura.
— Assim, muito melhor — disse ela quando o silêncio retornou ao seu domínio. Ela dirigiu-se ao chefe que estava parado ali, obedientemente esperando pelo seu próximo comando. — Tony, você pode voltar para a cozinha. Na celebração da minha vitória, eu gostaria bolo. Bolo de chocolate com jasmim da noite decorando-o. Você pode fazer isso por mim?
— Será como ordena, Deusa — ele respondeu rigidamente.
Neferet sorriu. A possessão de Tony tinha definitivamente melhorado sua personalidade.
Ainda sorrindo, Neferet caminhou vagarosamente de volta para a pequena mesa de ferro para recuperar a sua taça de vinho, e então franziu a testa em aborrecimento. Em sua pressa de atirar em Kalona, ela tinha esquecido que quebrou a taça.
— Kylee nunca está aqui quando preciso dela — ela comentou e suspirou. Considerou mandar um de seus filhos para ordenar-lhe que trouxesse uma nova taça. — Se vocês tivessem polegares opositores... — ela murmurou mais para si mesma do que para as gavinhas que nunca iam para muito longe dela.
Neferet ficou parada e a atmosfera da varanda começou a mudar completamente. O vento ameno ficou frígido. O cheiro da tempestade de primavera sumiu no fedor de um túmulo. Seus filhos trotavam para ela, enrolando-se em volta do seu corpo, impacientes.
— Vocês não têm nada sobre o que se preocupar — ela disse para eles.
Neferet se moveu graciosamente para o meio da sua varanda. Ereta e orgulhosa, esperou que ele se materializasse.
O Touro Branco tomou forma na frente dela. Ela estremeceu quando seu corpo maciço se solidificou. Seus chifres opala estavam molhados nas pontas, levemente corados, como sempre, com o escarlate de sangue fresco. Sua penugem era luminosa à luz da madrugada. Cada raio que espetava o céu brilhava através dele. Branco era uma descrição simples demais para sua magnificência. Quanto mais tempo Neferet olhava para ele, mais cores iridescentes via, mais ela queria acariciá-lo.
— Meu senhor — disse ela, fazendo uma reverência para ele, como sempre. — Bem-vindo ao meu Templo.
Obrigado, minha Impiedosa. Eu a tenho observado. Sua voz ressoou na mente dela, envergonhando o trovão da tempestade iminente. Você me surpreendeu duas vezes desde nosso último encontro.
— Estou tão feliz em ouvir isso, meu senhor — Neferet aproximou-se dele. Ela estendeu um dedo magro e tocou em um chifre afiado como a ponta de uma navalha. Delicadamente, ela levou seu dedo à boca e provou o sangue. — Vampiro, um vampiro ancião. Muito velho e poderoso. Então é isso que o tem mantido longe de mim, embora eu não possa acreditar que este vampiro antigo tenha se entregado a você tão livremente como eu fiz.
O riso do touro ecoou em torno deles.
Os escoceses nunca se entregam facilmente. Apenas quando eu os arranco da ilha de Skye, eles são especialmente suculentos e valem o esforço.
Neferet não mostrou nenhum sinal externo do choque que as palavras dele a fizeram sentir. Ela sorriu e mergulhou seu dedo mais uma vez no sangue.
— A Ilha de Skye — ela começou contemplativamente, fazendo uma pausa para lamber seu dedo. — Se você tem caçado na ilha de Sgiach, isso deve significar que o equilíbrio entre a luz e as Trevas está realmente mudando.
Você é tão sábia quanto cruel e surpreendente. Ele lambeu a carne macia na parte interna do braço dela.
Neferet estremeceu de prazer.
— Obrigada, meu Senhor. E esta é a segunda vez que menciona surpresa. Diga-me, o que fiz que foi digno de seu apreço divino?
A primeira vez foi na igreja. Eu tenho há muito tempo me perguntado se você realmente abraçaria a sua natureza como abraçou a sua imortalidade. Assisti-la fazer as duas coisas em uma exibição espetacular de carnificina impressionou até a mim.
Neferet sorriu sedutoramente.
— Você me lisonjeia.
Você me surpreende, e por isso eu gosto de lisonjeá-la.
— E a segunda das surpresas? — ela persuadiu, quando ele parecia mais interessado em provar sua pele do que continuar a bajulá-la.
Você sabe muito bem que a segunda aconteceu há pouco.
— A morte de Kalona — Neferet provou as palavras com reverência, como se estivesse rezando para si mesma. — Eu nunca havia apreciado algo tanto assim desde... Bem, desde a última vez que o venerei.
Ah, agora você me lisonjeia, minha impiedosa.
— Sempre, meu senhor. Eu escolho sempre lisonjeá-lo — Neferet respondeu prontamente.
Será que você realmente opta por sempre me venerar? A voz dentro da sua cabeça se intensificou tanto que estava à beira de lhe causar dor.
— O que você propõe? — perguntou ela, acariciando seu pescoço musculoso e desfrutando da sensação gelada de sua pele.
Posso levá-la para fora desta gaiola em que a têm aprisionado. Você poderia vagar por todos os reinos comigo. Eu a chamaria de Consorte, como você uma vez desejou.
— Uma proposta tentadora, meu senhor — Neferet respondeu, mergulhando o dedo no sangue em seu chifre novamente e ganhando tempo enquanto provava. Por que eu deveria ser Consorte quando já me proclamei Deusa? Por que eu deveria ser obrigada a servir um Deus quando eu sou imortal? — Posso ter tempo para pensar?
É claro que pode, e eu gostaria de dar-lhe um presente enquanto considera a minha proposta. Gostaria de livrá-la do feitiço de proteção que a aprisiona.
— Meu senhor, isso é muito generoso de sua parte — Neferet respondeu, pensando, e me liga a você, e isso me colocaria em dívida mais uma vez. — Mas prefiro me libertar por mim mesma. Seria mais uma oportunidade de surpreendê-lo.
Instantaneamente, Neferet sentiu o desagrado do touro.
Ah, uma terceira surpresa.
— Espero não tê-lo desagradado — Neferet acariciou seu pescoço novamente.
Não foi nada, minha impiedosa. Durante toda a eternidade eu descobri que quanto mais algo é desejado, maior o sacrifício para atingi-lo.
Em seguida, ele bateu seu casco na varanda de pedra, fazendo com que o telhado tremesse. E, com o som de um trovão ensurdecedor, o Touro Branco desapareceu nas nuvens turbulentas, deixando sua marca fendida para trás.


Thanatos
— Zoey Passarinha?
Thanatos ouviu a preocupação na voz de Sylvia Redbird. Ela abriu os olhos. Shaunee já espiava pela porta da tenda. O vento tinha aumentado e um trovão retumbou à distância. As mulheres tinham trabalhado duro para garantir o seu abrigo improvisado contra a tempestade que se aproximava enquanto ela e Shaunee descansavam dentro da tenda.
— O que é isso? — perguntou Thanatos, cansada.
Erik, que não saíra de perto de Shaunee a noite toda, respondeu a partir do lado de fora da tenda.
— Zoey está aqui. Assim como o resto de seu círculo mais Stark, Darius e Rephaim. Eu acho melhor...
— Depressa! — Zoey gritou acima do vento. — Neferet está tentando quebrar o feitiço. Nós faremos o círculo e canalizaremos mais energia para vocês.
Thanatos se sentou, segurando a mesa para se firmar. Ela estava tonta e fraca, mas não sentiu nenhuma nova força drenando o feitiço.
— Zoey, trace o círculo se você acredita que tem que traçar, mas não sinto nenhuma perturbação na barreira.
— Nem eu — Shaunee confirmou. — Na verdade, está ainda melhor, já que é tão tarde e há, obviamente, uma tempestade feia chegando. As pessoas estão finalmente ficando em casa.
— Nós estamos traçando o círculo — Zoey disse decisivamente a Thanatos. — Você não tem que traçá-lo. Vou levar a vela do espírito e canalizar os elementos para você.
Quando Damien, Shaylin e Stevie Rae tomaram seus lugares, Zoey entrou na tenda segurando a vela espírito.
— Desculpe por isso, Shaunee. Sei que você está cansada, por isso sente-se do lado de fora da tenda. Eu farei o meu melhor para canalizar o máximo de fogo que puder para você.
— Venha, eu vou te ajudar — Erik ofereceu sua mão para Shaunee.
Ela se inclinou sobre ele por alguns metros, e então se postou no chão em frente à barraca.
— Zoey, me explique o que aconteceu. Por que está tão frenética? — perguntou Thanatos.
— Neferet está jogando reféns do telhado do Mayo. Ela está tentando quebrar a barreira — Zoey explicou rapidamente quando os membros do seu círculo tomaram seus lugares e ela recuperou os longos fósforos de madeira da mesa do altar.
Esforçando-se para limpar seus pensamentos, Thanatos se levantou, apoiando-se fortemente sobre a mesa.
— Não, como disse Shaunee, a barreira está segura. Não há interrupção nela. Neferet deve ter outras motivações. Ela... — Thanatos engasgou com choque e caiu de joelhos.
— Darius! Stark! Ajudem-me! Alguma coisa está errada com Thanatos. Ela desmaiou.
— Não — Thanatos lutou para falar. — Não a mim... Kalona!
— O que ela disse? — Stark perguntou enquanto ele e Darius tentavam deixá-la confortável.
— Ela disse o nome de Kalona — a voz de Zoey saiu abafada como se ela já tivesse adivinhado o que Thanatos sabia.
O grito de uma sirene de ambulância chegou mais e mais perto.
— Ajudem-me a ficar de pé. Ajudem-me a ficar de pé! — pediu Thanatos. — Zoey, prepare seu círculo. Vou precisar de seu poder emprestado, mas não para a barreira.
— Eu realmente sinto muito — Zoey falou, e pegou suas mãos, apertando-as rapidamente antes de pegar os fósforos de rituais e mover-se para estar diante de Damien no leste.
Thanatos se firmou e se preparou. Zoey voltou ao centro de frente para ela, chamando o espírito, e o invocando.
— Ar, fogo, água, terra e espírito! Preencham nossa Grande Sacerdotisa Thanatos, e emprestem sua força para o que está por vir.
Thanatos se endireitou, respirando fundo e sentindo o poder dos cinco elementos que fluíam através de suas veias como se substituíssem seu sangue. Ela deu um passo para longe de Stark e Darius e de suas mãos que a ajudavam. A ambulância parou no meio da Avenida Cheyenne.
— Rephaim, venha aqui para mim, por favor.
O garoto estava de pé perto de Stevie Rae, do lado de fora do círculo.
— Você quer que eu entre no círculo?
— Você deve. E rapidamente, também.
Com um olhar preocupado para Stevie Rae, Rephaim se aproximou do brilhante fio de prata que juntava os elementos e formava a circunferência do círculo. O fio de luz ondulou e retraiu sobre si mesmo, abrindo apenas o suficiente para que Rephaim entrasse antes de fechar mais uma vez.
— Algo está muito errado — Rephaim falou para ela.
Thanatos sustentou o olhar do menino.
— Ele é seu pai. Seja forte por ele.
O rosto de Rephaim teve a cor drenada quando a grande porta traseira da ambulância se abriu, e os policiais, liderados pelo detetive Marx, tiravam Kalona de dentro.
— Pai!
Thanatos colocou uma mão em seu braço.
— Ele precisa vir até nós. O círculo vai recebê-lo como fez com você — Thanatos levantou a voz e gritou: — Detetive Marx, traga meu Guerreiro para mim.
Houve um terrível trovão e relâmpagos no céu, fazendo com que as tochas que Sylvia acendera por todo o parque parecessem tão insignificantes quanto vaga-lumes.
— Eu não posso levá-lo sozinho — Marx falou de fora da circunferência brilhante.
— Todos os que sustentam Kalona são bem-vindos aqui dentro — disse Thanatos.
Marx não hesitou. Ele deu um passo para frente. Seus homens se moveram com ele, trazendo Kalona e colocando-o gentilmente no chão a seus pés.
Rephaim estava chorando. Thanatos olhou das asas despedaçadas de Kalona para as gazes encharcadas em escarlate que pouco fizeram para conter o sangue que escorria pelas laterais de seu peito. Finalmente, seu olhar descansou em seu rosto sem cor. Ainda sem olhar para longe de seu Guerreiro, ela disse:
— Detetive Marx, obrigada por trazê-lo até mim.
— Ela atirou nele enquanto ele estava no ar! Descarregou uma Glock inteira. Ele estava tentando salvar as pessoas que ela jogava da varanda. Não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer.
— Você fez o que precisava. Foi um bom amigo para ele.
— Queria poder ter feito mais — respondeu o detetive, enxugando as lágrimas de seu rosto.
— Ele está morrendo? — os olhos de Rephaim estavam vidrados com choque e tristeza.
— Sim — disse Kalona, abrindo os olhos. — Venha aqui, meu filho.
Sua mão se levantou fracamente.
Rephaim caiu de joelhos ao lado do pai, segurando sua mão.
— Não! Você não pode morrer! Você é imortal!
Kalona tossiu e sangue saiu de seus lábios. Sua voz enfraquecia enquanto ele falava.
— Sabia que isso poderia acontecer. É minha escolha, Rephaim. Lembre-se, minha escolha — o olhar de Kalona deixou seu filho por um momento para ir até Stark, que ficou em silêncio ao lado de Thanatos. — Use o pedaço de imortalidade que eu lhe dei para a Luz. Proteja sua Sacerdotisa — seus olhos pareciam estar perdendo o foco. Ele piscou, lutando para olhar ao redor, então encontrou Zoey. — Perdoe-me pela dor que causei.
— Com todo o meu coração eu te perdoo — disse Zoey.
Kalona tossiu mais sangue e fez uma careta, então tocou o rosto de seu filho.
— Você é o melhor de mim. Encontre os seus irmãos. Cuide deles. E cuide de Stevie Rae. Se você perdê-la, perderá a si mesmo.
— Eu farei o que diz, Pai — respondeu Rephaim, soluçando. — Eu te amo.
— Eu sempre vou te amar. Sempre — Kalona falou. Finalmente, seu olhar enfraquecido encontrou o de Thanatos. — Obrigado por confiar em mim.
O peito de Thanatos estava pesado com a dor, mas ela sorriu para ele.
— Eu nunca aceitei o Juramento de um Guerreiro antes de você, e não haverá ninguém depois de você. Você tem sido um bom e digno Guardião.
Os lábios salpicados em vermelho de Kalona ergueram-se em um sorriso de satisfação.
— Eu não quebrei meu juramento... — ele deu uma ofegante meia respiração, e então seu peito sangrento não se moveu mais uma vez, seus olhos âmbar perderam sua luz, e Kalona morreu.

14 comentários:

  1. WTF
    ELE NÃO PODE MORRER
    NAAAAAAAAAAAAAAAO
    CHORANDO LITROS AQUI
    CHOREI TANTO QUE O BRASIL NÃO VAI MAIS SOFRER FALTA DA AGUAS, VAI INUNDAR ISSO SIM MDS ELE NÃO PODE MORREEEEEER

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  2. GNT, PARA TUDO !!!!!!!!!!!!!!!!!!! Antes eu ñ gostava dele, mas dps q ele aceitou o filho e fez o juramento p Thanatos, eu passei a mar ele ! Socorro !
    Ana Eliza

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  3. bbbuuááááááááááááá.nnnnnnnnnnnnnãããããããããooooooooooooooo

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  4. Naaaaaaaaao!!!! Ele não pode morrer, goddd.
    Não aguento, já gostava tanto dele T.T

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  5. Carai, ele nao pode morrer!! :'( nao acredito nisso! Depois de tudo, renunciar as trevas, jurar o cumprimento das ordens de Nyx e ser guardiao de Thanatos e assim, repentinamente... Morre @:(

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  6. NAO PODE SER, KALONA NÃO GENTE AI MEU CORAÇÃO, DEPOIS QUE ELE VOLTOU PRA LUZ ELE MORRE! NYX CADE TU MULÉ TO PIRANDO AQUI

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  7. Gem n chorem lembra que provavelmente o desejo dele vai se realizar , ele vai ver a deusa ;-;

    Letícia.

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  8. AAFS, CHOREI LITROS.. SÓ ESPERO QUE NYX ACEITE KALONA NO OUTRO MUNDO AGR

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  9. Como uma autora é capaz de fazer a gente odiar, e logo em seguida, amar um personagem assim ?!! Kalona, abençoado seja.

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  10. Naaooooooooooooooo!!!!!!!!!!
    Chorando litros, agora q tava gostando do novo kalona.

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  11. OMG naooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!KALONA VC N PODE MORRER 😭😭😭😭😭😰😰😰😰😭😭😭😭😭 NIX DEUSA PELO MWNOS ACEITE O CARA NO OUTRO MUNDO.😢😢😢😢😢😢

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  12. Capítulo tenso e emocionante! ������

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