11 de outubro de 2015

Capítulo 2 - Zoey

Pensei que ela fizesse parte da minha alucinação moribunda, ali de pé na porta da minha cela, vestindo uma camisa de linho púrpura e jeans gastos, com uma de suas muitas cestas de piquenique na dobra do braço, mas assim que me virei para encará-la, ela correu para mim, sentando na beira da minha cama e me envolvendo em seus braços e no cheiro da minha infância.
— Vovó! Eu sinto muito! Eu sinto muito! — eu soluçava em seu ombro.
— Shhh, u-we-tsi-a-ge-ya, eu estou aqui.
Ela esfregou um círculo suave no meio das minhas costas.
Minha tosse tinha aliviado temporariamente, então eu disse de uma vez:
— É egoísmo da minha parte, mas estou tão feliz que seja você. Eu não quero morrer sozinha.
Vovó se afastou de mim o suficiente para segurar os meus ombros em suas mãos e me dar uma sacudida.
— Zoey Redbird, você não está morrendo.
As lágrimas caíam pelo meu rosto. Eu as ignorei e limpei o canto da minha boca, erguendo meus dedos trêmulos para que ela pudesse ver o sangue.
Ela mal olhou para a prova que eu estava tentando mostrar. Em vez disso, abriu a cesta de piquenique e tirou um lenço vermelho e branco e começou a enxugar as minhas lágrimas e meu nariz, assim como fazia quando eu era uma garotinha.
— Vovó, eu sei que você me ama mais do que qualquer um no mundo — falei, tentando (sem sucesso) não chorar. — Mas você não pode impedir o meu corpo de rejeitar a Transformação.
— Você está certa, u-we-tsi-a-ge-ya, eu não posso. Mas eles podem — ela assentiu com a cabeça para a porta atrás de mim.
Eu me virei e vi Thanatos e Lenobia, Stevie Rae, Darius e Stark – meu Stark – todos agrupados na porta. Stevie Rae estava chorando tão alto que me perguntei como eu não tinha ouvido os soluços dela.
Stark estava chorando também, mas em silêncio.
— Mas eu disse para não me seguirem! Eu disse que eu merecia enfrentar minhas consequências.
Eu estava chorando tanto quanto Stevie Rae agora.
— Então viva e as enfrente! E eu estarei aqui tão perto de você quanto puder com essa coisa toda! — Stark lançou as palavras para mim.
— Eu não posso. Já comecei a rejeitar a Transformação — eu solucei.
— Criança, a sua avó falou a verdade. A menos que a rejeição do seu corpo à Transformação já esteja predestinada, a nossa presença vai parar isso — disse Thanatos.
— Você não está morrendo! Eu não vou deixar — Stark exclamou em meio às lágrimas, e começou a entrar em minha cela.
— Espere aí, rapaz! Eu disse que apenas um de cada vez pode entrar na cela.
Um cara de uniforme de xerife surgiu por trás do meu grupo de amigos e se colocou entre eles e minha cela.
— O detetive Marx me disse que eu deveria permitir a entrada de vampiros no edifício caso vocês aparecessem, mas não vou quebrar as regras o suficiente para deixá-la ter mais do que um visitante de cada vez. Aquela é a avó dela. O resto de vocês pode esperar na sala de interrogatório — ele deu a vovó um olhar severo. — Você tem 15 minutos.  — Então ele bateu a porta.
— Quinze minutos — Vovó fez um pequeno som de desgosto. — Não é tempo para uma visita adequada. É tempo para fazer um ovo cozido. Bem, então, eu não vou mais enrolar, Zoey Passarinha, assoe o seu nariz e fique de pé comigo. Você precisa de uma boa purificação. Ah, o senhor que revistou isso certamente fez uma bagunça do meu cesto.
Ela já estava remexendo em sua cesta de piquenique sem fundo, então tive que tirar sua mão das minhas para detê-la e obter a sua atenção no que eu estava dizendo.
— Vovó, eu te amo. Você sabe disso, certo?
— Claro, u-we-tsi-a-ge-ya. E eu te amo, com todo meu coração. É por isso que devo purificá-la. Eu gostaria que houvesse uma banheira aqui, ou até mesmo uma pia, para ajudar a limpar-lhe ainda mais. Mas a fumaça terá que fazer isso. Trabalhei a noite toda e, finalmente, escolhi usar esta ostra que você e eu encontramos quando seguimos o rio Mississipi até o Golfo no verão em que você fez dez anos. Você se lembra?
— Sim claro, mas Vovó...
— Muito bem. Eu tenho uma mistura de sálvia, cedro e lavanda. Combinados, eles fazem um bastão de purificação poderoso para a limpeza emocional e física.
Ela estava derramando ervas secas a partir de uma bolsa de veludo preto na concha.
— Eu também trouxe uma pena de águia e minha peça favorita de turquesa bruta. Sei que eles podem tirá-la de você, mas vamos tentar escondê-la dentro de seu colchão. Deve servir para te proteger por enquanto.
— Vovó, por favor, pare — eu interrompi. Encontrando seus olhos sem vacilar, falei: — Eu matei aqueles dois homens. Não mereço ser purificada ou protegida. Mereço o que estava acontecendo comigo antes de vocês aparecerem.
Eu não tinha a intenção de soar fria, mas as minhas palavras a fizeram estremecer, então suavizei a minha voz, mas não a minha determinação.
— Os vampiros podem fazer com que eu não me afogue no meu próprio sangue, mas isso não muda o fato de que eu fiz algo... algo terrível pela qual eu tenho que ser punida.
Ela fez uma pausa na preparação do meu ritual e seus olhos penetrantes encontraram os meus.
— Diga-me, u-we-tsi-a-ge-ya, por que você matou aqueles dois homens?
Balancei a cabeça e puxei meu cabelo emaranhado para longe do meu rosto.
— Eu não sabia que os matei até que o detetive Marx chegou à House of Night. Tudo o que eu sabia era que me deixaram nervosa, eles estavam espreitando em torno do Woodward Park à procura de pessoas, em sua maioria meninas, para assustar e tomar-lhes dinheiro — fiz uma pausa e balancei a cabeça de novo. — Mas isso não torna bom o que eu fiz. Uma vez que eles perceberam o que eu era, começaram a ir embora.
— Para seguir em frente e encontrar outra vítima.
— Provavelmente, mas não alguém para matar. Eles eram mendigos, não assassinos em série.
— Então me diga o que aconteceu. Como você os matou?
— Eu joguei a minha ira contra eles. Assim como havia empurrado Shaylin mais cedo, fazendo-a cair de bunda no chão. Só que fiquei ainda mais louca no parque. De alguma forma, a pedra da vidência amplificou o que eu estava sentindo e me deu o poder para liberar neles.
— Mas você não matou Shaylin — Vovó disse logicamente. — Eu vi a criança na House of Night pouco antes de vir para cá. Ela parecia muito viva para mim.
— Não, eu não a matei. Não naquele momento. Quem sabe o que teria acontecido se eu não tivesse saído e encontrado meu caminho para o parque e esfriado a minha ira sobre aqueles dois homens? Vovó, eu estava fora de controle. Eu era um monstro.
— Zoey, você fez uma coisa monstruosa. Mas isso não faz de você um monstro. Você livrou-se dela. Desistiu da pedra de vidência. Você se permitiu ser presa. Essas não são as ações de um monstro.
— Mas vovó, eu matei dois homens!
Senti as lágrimas em meus olhos novamente.
— E agora você terá que enfrentar as consequências de suas ações. Mas isso não significa que pode desistir e fazer com que as pessoas que te amam sintam ainda mais dor.
Mordi o lábio.
— A minha intenção era assumir a responsabilidade pelos meus atos, para que eu não pudesse machucar mais ninguém, especialmente as pessoas que eu amo.
— Zoey Passarinha, eu não sei por que estas coisas terríveis aconteceram. Eu não acredito que você seja uma assassina — ela ergueu a mão para me acalmar quando eu tentei falar. — Sim, estou ciente de que os dois homens estão mortos, e que aparentemente você é a responsável por suas mortes. E mesmo que você admita o crime, a pedra da vidência desempenhou um papel importante no acidente, o que significa que a Magia Antiga está envolvida nisso.
— Sim, eu a tenho usado — falei com firmeza.
— Ou ela tem usado você — ela devolveu.
— De qualquer maneira, os resultados são os mesmos.
— Para os dois homens. Não necessariamente para você, u-we-tsi-a-ge-ya. Agora, fique diante de mim. Você precisa de sua mente limpa e seu espírito purificado para que possa analisar exatamente o que a trouxe para esta cela. Veja, não estou aqui para ajudá-la a esconder o que fez. Estou aqui para que você possa realmente enfrentar o que fez.
Como sempre, a Vovó foi a voz da razão e do amor incondicional. Levantei-me e me permiti o breve, pequeno conforto de assistir a seu ritual, a concha da ostra em uma das mãos enquanto com a outra ela colocou um pequeno pedaço redondo de carvão vegetal em cima da mistura de ervas e acendeu-o. Quando se acendeu, ela disse:
— Três respirações profundas, u-we-tsi-a-ge-ya. E com cada uma, libere a energia tóxica que obscurece sua mente e enegrece o seu espírito. Veja isso, Zoey Passarinha. Qual é a cor?
— Um verde doente — respondi, pensando nas coisas repugnantes que saíram do meu nariz na última vez em que tive uma infecção nasal.
— Excelente. Expire e visualize livrar-se dele junto com a respiração.
O carvão tinha parado de brilhar e estava começando a ficar cinza em torno das bordas. Vovó enfiou a mão na bolsa de veludo preto e começou a aspergir as ervas sobre o carvão, dizendo:
— Eu te agradeço, espírito de sálvia branca, por sua força, sua pureza, seu poder — fumaça doce começou a levantar a partir da ostra. — Agradeço a você espírito de cedro, por sua natureza divina, por sua capacidade de criar uma ponte entre a terra e o Outromundo.
Mais fumaça se ergueu e eu respirei profundamente, inspirando e expirando, inspirando e expirando.
— E, como sempre, eu lhe agradeço, espírito de lavanda, por sua natureza calmante, por sua capacidade de nos permitir liberar nossa raiva e abraçar a tranquilidade.
Em seguida, Vovó começou a andar em círculos no sentido horário em torno de mim, arrastando os pés em uma antiga sintonia, no ritmo do batimento de um coração, que parecia eletrificar a fumaça perfumada e entrar em meu corpo enquanto ela flutuava ao meu redor, com sua pena de águia. Não perdendo o ritmo em sua dança, Vovó emparelhava com seus movimentos, ecoando através de seu sangue para a mim.
— Que saia o que é tóxico, verde doente. Que entre a fumaça doce-prata e pura.
Concentrei-me enquanto ela se movia em torno de mim, concentrando-me tão facilmente no ritual como quando em minha infância.
— Emersa na cura. Emersa na limpeza. Emersa na calma. Verde doente vá embora. Substituído por prata e clareza — Vovó cantava para mim.
Levantei minhas mãos, guiando a fumaça ao redor da minha cabeça, me concentrando na limpeza de prata.
— Os-da — Vovó disse, então repetiu em inglês: — Bom. Você está recuperando o seu centro.
Eu tinha sido induzida a um estado de transe sonolento pela fumaça e pela música da Vovó. Pisquei, como se emergindo de um mergulho profundo, e meus olhos se arregalaram com surpresa. Claramente visível através da fumaça estava uma luz prateada brilhante que, borbulhava, cercando Vovó e a mim.
— Isso é o que você está projetando agora, Zoey Passarinha. Ele tomou o lugar da escuridão que estava dentro de você.
Respirei profundamente mais uma vez, sentindo uma leveza incrível em meu peito. Foi-se a terrível tensão que estava lá quando comecei a tossir. Foi-se o terrível sentimento de desespero que tinha estado comigo.
Por quanto tempo? Eu me perguntava. Agora que ele se foi, percebi quão sufocante eu tinha estado.
Vovó tinha parado na minha frente. Ela colocou a concha ainda esfumaçando entre nós aos nossos pés, e então pegou minhas mãos.
— Eu não sei tudo. Não tenho as respostas que procura. Não posso fazer mais do que limpar e curar sua mente e espírito. Não posso levá-la daqui ou mudar o passado que a trouxe aqui. Só posso amá-la e lembrá-la de uma pequena máxima, pelo qual tentei viver a minha vida: Eu não posso controlar os outros. Só posso controlar a mim e minhas reações aos outros. E quando tudo o mais falhar, eu escolho bondade. Eu demonstro compaixão. Então, se eu tiver feito escolhas erradas, pelo menos não terei danificado o meu espírito.
— Eu falhei em fazer isso, vovó.
— Falhou, isso é passado, e você deve deixar o fracasso no passado aonde ele pertence. Aprenda com seus erros e siga em frente. Não falhe novamente, u-we-tsi-a-ge-ya. Se significa que se você tem que ser julgada e ir para a prisão por essa coisa terrível que aconteceu, então você fará isso falando a verdade e agindo com compaixão, como faria uma Grande Sacerdotisa de sua Deusa.
— Eu deveria afastar as pessoas que me amam.
Eu não tinha formulado como uma pergunta, mas Vovó me respondeu, no entanto.
— Empurrar para longe quem ama e ter maior interesse em seu próprio coração seria a ação de uma criança, e não de uma Grande Sacerdotisa.
— Vovó, você pensa que Nyx ainda quer que eu seja sua Grande Sacerdotisa?
Vovó sorriu.
— Penso que sim, mas o que eu penso não é importante. O que você acha de sua Deusa, Zoey? Ela é tão inconstante que a amaria e depois a descartaria tão facilmente?
— Não é Nyx eu questiono. É a mim — admiti.
— Então você deve olhar para si mesma. Centre-se firmemente em si mesma — ela pegou a pedra turquesa que havia tirado da cesta de piquenique mais cedo e colocou-a em minha mão. — Você usou as pedras para concentrar seus poderes, por vontade própria ou não. Agora acho que deve encontrar um foco dentro de você, assim como a turquesa tem o seu próprio poder de proteção, você deve encontrar o seu próprio poder dentro de si mesma. Desta vez, não olhe para a raiva, Zoey Passarinha. Busque compaixão e amor.
— Sempre o amor — eu terminei para ela, segurando a pedra em minha palma e sentindo sua suavidade.
— Segure tão firmemente ao seu verdadeiro eu como faz com esta pedra, e lembre-se que eu sempre vou acreditar que é mais forte, mais sábia e mais gentil do que você sabe que você é.
Coloquei meus braços em volta dela e a abracei com força.
— Eu te amo, Vovó. Sempre amarei.
— Como eu sempre vou te amar.
— O tempo acabou! — a voz da guarda me fez relutantemente soltar a Vovó. — Ei, o que está acontecendo aqui? O que você está queimando?
Vovó se virou para ele, sorriu e em sua voz doce, disse:
— Nada com que precise se preocupar, querido. Apenas um pouco de limpeza e desobstrução. Você gosta de biscoitos de chocolate? Tenho um ingrediente secreto que torna os meus irresistíveis, e só há uma dúzia em minha cesta — batendo-lhe no braço, ela o alcançou na porta, erguendo uma toalha de papel cheia de biscoitos de sua cesta mágica e piscando para mim sobre seu ombro. — Agora, querido, por que não pega um pouco de café para acompanhar estes biscoitos enquanto permite que esse bom jovem vampiro chamado Stark visite a minha neta?
Stark!
Sentei na minha cama, nervosamente endireitando a minha roupa e tentando pentear os meu cabelo superbagunçados com os dedos. E então ele estava na porta, e esqueci sobre como eu parecia. Esqueci tudo, exceto o quão feliz eu estava em vê-lo.
— Posso entrar? — perguntou ele, hesitante.
Concordei com a cabeça.
Não demorou tempo nenhum para ele andar esses seis passos até mim. Eu não podia esperar mais um segundo, no entanto. Assim que ele chegou, meio hesitante, joguei meus braços em torno dele e enterrei o rosto em seu ombro.
— Eu sinto muito! Não me odeie, por favor, não me odeie!
— Como eu poderia odiá-la? — ele me segurou com tanta força que era difícil para eu respirar, mas não me importei. — Você é minha Rainha, minha Grande Sacerdotisa, e meu amor... meu único amor — ele me soltou o suficiente para olhar nos meus olhos. — Você não pode cometer suicídio. Eu não posso sobreviver a isso, Zoey. Juro que eu não posso.
Ele tinha círculos escuros sob os olhos e suas tatuagens de vampiro vermelho pareciam especialmente brilhantes contra a palidez não natural de sua pele. Ele parecia ter envelhecido dez anos em um dia.
Eu odiava o quão cansado e doente, ele parecia. Odiava que eu tivesse causado isso.
Encontrei seu olhar e falei com toda a bondade e compaixão dentro de mim.
— Foi um erro. Eu não farei isso de novo. Desculpe-me fazê-lo passar por tudo isso, me desculpe por ter que vir para cá — fiz um gesto na cela.
Ele tocou meu rosto suavemente, quase com reverência.
— Aonde você for, eu vou. Estamos jurados e ligados para esta vida e para além dela, Zoey Redbird. E tudo isso é suportável se nós tivermos um ao outro. Nós ainda temos um ao outro?
— Sim.
Eu o beijei, longa e profundamente. Pensei que estava confortando-o, mas percebi que seu toque, seu gosto, seu amor era o que na verdade me confortava.
Foi nesse momento que realmente entendi o quanto eu amava Stark.
— Veja — ele disse, cobrindo meu rosto em rápidos beijinhos e enxugando as lágrimas que escorregavam pelo meu rosto. — Tudo está melhor agora. Vai dar tudo certo.
Eu não queria dizer a ele que não tinha certeza disso e achava que nada nunca mais daria certo. Não teria sido compassivo. Em vez disso, eu o levei para a minha cama dura e estreita. Nós nos sentamos, e eu me aninhei nele, descansando na curva de seu braço.
— Nós nos revezaremos aqui para que você não comece a rejeitar a Transformação novamente. A partir de hoje, sempre haverá um vampiro do lado de fora da sua porta — Stark começou a explicar baixinho enquanto me segurava perto dele. — Eles estão colocando uma cama no corredor.
— Sério? Você poderá ficar tão perto de mim?
— Sim, o detetive Marx fez com que deixassem. Ele é um cara muito bom. Ele disse ao chefe de polícia que não deixar um vampiro ficar com você seria como dar para um prisioneiro humano uma lâmina de barbear e, em seguida, fechar os olhos para o que vier depois. Ele disse que era desumano, e que você tinha os mesmos direitos que qualquer um deles.
— Isso foi legal da parte dele — de repente, percebi que tinha que ser meio-dia, no mais tardar.
— Espere, você não deveria estar aqui. É dia lá fora.
Me sentei e comecei a olhar o seu corpo, procurando por queimaduras. Ele sorriu.
— Eu estou bem. E Stevie Rae também. Nós viemos para cá na parte de trás da van da escola, você sabe, aquela sem janelas.
Eu balancei a cabeça e sorri.
— A van dos criminosos.
— Sim, é como eu ando agora — seu sorriso se tornou arrogante. — Marx nos guiou para o estacionamento coberto anexo ao prédio do xerife. Sem a interferência da luz solar, é seguro para qualquer um de nós.
— Bem, tome cuidado, ok?
Ele ergueu as sobrancelhas para mim.
— Sério? Você está me mandando ter cuidado?
— Recomendando, na verdade — eu disse, lembrando-se de ser bondosa.
Ele riu e me abraçou.
— Zoey Redbird, você é uma bagunça totalmente atraente, mas eu te amo.
— Eu também te amo.
Cedo demais ele me soltou e sua expressão ficou séria.
— Ok, eu quero que você me conte tudo. Eu já sei que você ficou chateada com os dois humanos e jogou algum tipo de poder contra eles, mas preciso de detalhes.
— Stark, não podemos só... — comecei, não querendo perder um segundo de estar com ele para falar sobre o erro terrível que eu tinha cometido.
Ele me cortou.
— Não, nós não podemos simplesmente ignorá-lo. Zoey, você é um monte de coisas, mas não é uma assassina.
— Eu joguei dois homens contra uma parede, e eles estão mortos. Isso me faz uma assassina, Stark.
— Veja, eu tenho um problema com isso. Acho que isso faz da sua pedra da vidência uma assassina. Foi por isso que você a deu para Aphrodite, não foi? Porque foi o que canalizou sua raiva nesses dois caras.
Abri minha boca para tentar começar a explicar o que eu não entendia, mas o som de passos rápidos no corredor me interrompeu. O guarda, com o rosto vermelho e olhos arregalados, apareceu na porta.
— Vamos, vamos! Você tem que sair. Agora! — ele disse a Stark, gesticulando para ele. — Um de vocês vampiros pode ficar, mas tem que ser aqui no corredor. O resto de vocês tem que sair e voltar de onde vieram.
— Espere, não passaram sequer cinco minutos, muito menos quinze — disse Stark.
— Não posso fazer nada sobre isso. Tudo será fechado. Há uma emergência no centro.
Segui Stark para a porta, sentindo como se um cubo de gelo estivesse percorrendo minha espinha.
— Onde no centro da cidade? O que está acontecendo? — perguntei.
— Está um caos no Hotel Mayo, e eles precisam de todos os policiais da cidade que possam enfrentar esse inferno.
A porta da minha cela bateu fechada, deixando Stark e eu olhando um para o outro através das grades.
— Neferet — disse Stark.
— Ah, inferno — falei em completo acordo.

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