5 de outubro de 2015

Capítulo 2 - Stevie Rae

— Ok, vocês dois, escutem. Só vou dizer isso uma vez – ajam direito. — Parada entre os dois caras, Stevie Rae colocou sua mão nos quadris e encarou Erik e Heath. Sem tirar os olhos deles, ela gritou, — Dallas! — Quase instantaneamente o garoto correu até ela.
— O que foi, Stevie Rae?
— Chame Johnny B. Diga a ele para pegar Heath e procurar na parte da frente da abadia até a Rua Lewis e se certificar que os Corvos Escarnecedores realmente se foram. Você e Erik peguem o lado sul do prédio. Eu vou pela travessia de árvores na 21 e dar uma olhada.
— Sozinha? — Erik disse.
— Sim, sozinha — Stevie Rae respondeu. — Você está esquecendo que eu poderia bater o pé agora mesmo, e fazer o solo abaixo de você tremer? Eu também poderia chutar você e sua bunda invejosa. Eu acho que posso dar conta de checar as árvores sozinha.
Ao lado dela, Dallas riu. — E eu estou achando que o vampiro vermelho com afinidade à terra supera o vampiro azul de drama. — Isso fez Heath bufar e rir; e, previsivelmente, Erik começou a se irritar de novo.
— Não! — Stevie Rae disse antes dos garotos idiotas começarem a discutir. — Se não conseguem dizer algo gentil, então calem a boca.
— Você me chamou, Stevie Rae? — Johnny B disse, vindo parar ao lado dela. — Eu vi Darius carregando o garoto das flechas para a abadia. Ele disse que eu deveria encontrar você.
— Yeah — ela disse com alívio. — Eu quero que você e Heath chequem a parte da frente da abadia na Lewis. Se certifiquem que os Corvos Escarnecedores realmente tenham sumido.
— Eu cuido disso! — Johnny B disse, dando em Heath um soco de brincadeira no ombro. — Anda, quarterback1, vamos ver do que você é feito.
— Só prestem atenção com as malditas árvores e sombras — Stevie Rae disse, balançando a cabeça enquanto Heath se abaixava e desviava e atingia o ombro de Johnny B com alguns socos.
— Sem problemas — disse Dallas, começando a andar silenciosamente com Erik.
— Sejam rápidos — Stevie Rae disse para os dois garotos. — O sol logo vai nascer. Me encontrem na frente da gruta da Maria em meia hora, mais ou menos. Gritem se vierem algo e vamos vir correndo.
Ela observou os quatro caras para se certificar que eles estavam indo onde ela havia os mandado, e então Stevie Rae virou e, com um suspiro, encarou sua própria missão. Droga, em falar em irritante! Ela amava Zoey mais do que pão branco, mas lidar com os namorados de sua melhor amiga estava fazendo ela se sentir dentro de um tornado! Ela costumava pensar que Erik era o cara mais gostoso do mundo. Depois de passar alguns dias com ele, ela agora achava que ele era o maior pé no saco com um enorme ego. Heath era doce, mas ele era apenas humano, e Z estava certa em se preocupar com ele. Humanos definitivamente morrem com mais facilidade do que humanos ou até mesmo calouros. Ela olhou por cima do ombro, tentando pegar um deslumbre de Johnny B e Heath, mas a gelada escuridão e as árvores tinham engolido-os e ela não conseguia ver ninguém.
Não que Stevie Rae se importasse de estar sozinha para variar. Johnny B iria cuidar de Heath. A verdade é que ela estava feliz por se livrar dele e do ciumento Erik por enquanto. Os dois faziam ela apreciar Dallas. Ele era simples e fácil. Ele era meio que o tipo de namorado pra ela. Os dois tinham uma coisa, mas isso não influenciava em nada. Dallas sabia que Stevie Rae tinha muitas coisas em primeiro lugar no time de futebol americano. Coisas para lidar, então ele deixava ela lidar. E ele estava lá para as horas que ela estava descansando. Fácil, doce e simples! Esse era Dallas. Z podia aprender uma coisa ou duas comigo sobre lidar com caras, ela pensou enquanto ela andava pelas árvores velhas que se alinhavam na gruta de Maria e se espalhavam do terreno da abadia até a Rua 21.
Bem, uma coisa era certa – definitivamente era uma noite horrível. Stevie Rae não deu doze passos antes de seus cabelos loiros curtos ficarem encharcados. Droga, água estava pingando até do nariz dela! Ela limpou o rosto, tirando a fria mistura de chuva e gelo. Tudo estava tão estranhamento quieto e escuro. Era estranho não ter postes funcionando na Rua 21. Nenhum carro na rua – nem mesmo um esquadrão de limpeza passando. Ela tropeçou e deslizou para uma declive. Os pés dela encontraram a estrada e só a supervisão de vampiro vermelho dela a manteve orientada. Parecia que Kalona tinha fugido e levado todo o som e luz com ele. Se sentindo leviana, ela tirou o cabelo molhado do rosto e se ajeitou. — Você está agindo como uma galinha, e você sabe o quão idiotas galinhas são! — Ela falou em voz alta e então falou de novo quando as palavras dela soaram bizarramente aumentadas pelo gelo e a escuridão. Porque ela estava tão agitada? — Pode ser porque você está escondendo coisas da sua amiga — Stevie Rae murmurou, e então ela fechou a boca. A voz dela era alta demais na noite escura e cheio de gelo. Mas ela ia contar a Z sobre as outras coisas. Verdade, ela ia! Não houve tempo. E Z tinha o bastante na cabeça sem mais estresse. E... e... era difícil falar sobre isso, mesmo com Zoey. Stevie Rae chutou um galho quebrado e cheio de gelo. Ela sabia que não importava se era duro. Ela ia falar com Zoey. Ela precisava. Mas mais tarde. Talvez muito mais tarde. Melhor se focar no presente, pelo menos por agora.
Apertando os olhos e passando as mãos nos olhos para tentar proteger eles da chuva gelada, Stevie Rae espiou pelos galhos de árvores. Mesmo com a escuridão e a tempestade a visão dela era boa, e ela estava aliviada por não ver um corpo grande pairando acima dela. Achando mais fácil andar do lado da estrada, ela caminhou pela Rua 21 até a abadia, enquanto isso mantendo os olhos fechados. Não foi até ela estar quase na cerca que dividia a propriedade das Freiras de um condomínio ao lado que Stevie Rae sentiu o cheiro. Sangue. Um tipo errado de sangue. Ela parou. Parecendo quase feral, Stevie Rae cheirou o ar. Estava cheio do cheiro molhado e úmido do gelo em cima da terra, o cheiro de canela das árvores, e do asfalto feito por homens sobre seus pés. Ela ignorou esses odores e ao invés disso se focou no sangue. Não era sangue humano, e nem de calouro, então não cheirava a luz do sol e primavera – mel e chocolate – amor e vida e tudo que ela sonhava. Não, esse sangue tinha um cheiro negro demais. Muito grosso. Havia demais de algo que não era humano. Mas ainda era sangue, e atraiu ela, embora ela conhecesse aquela coisa errada no fundo de sua alma.
Era o cheiro de algo estranho, de outro mundo, que levou ela até os primeiros respingos de vermelho. Na escuridão tempestuosa do quase amanhecer, mesmo a visão melhorada dela só via como manchas molhadas contra o gelo que estava na estrada e cobria a grama. Mas Stevie Rae sabia que era sangue. Muito sangue. Mas não havia nenhum animal ou humano deitado ali sangrando. Ao invés disso havia um rastro de escuridão líquida engrossando no gelo, se afastando da rua até a parte densa do bosque atrás da abadia. Os instintos predatórios dela tomaram conta instantaneamente. Stevie Rae se movia furtivamente, mal respirando, mal fazendo qualquer som, enquanto ela rastreava o caminho de sangue.
Foi embaixo de uma árvore grande que ela o encontrou, acocorado contra um enorme galho quebrado como se tivesse se arrastando para se esconder e morrer. Stevie Rae sentiu uma onda de medo passar por ela. Era um Corvo Escarnecedor. A criatura era enorme. Mais do que ela achou que eles pareciam à distância. Estava deitada de lado, a cabeça enfiada contra o chão, então ela não podia ver o rosto dele muito bem. A asa gigante ela podia ver que parecia muito errada, obviamente quebrada, e o braço humano que estava deitado em um estranho ângulo e coberto de sangue. Suas pernas eram humanas também, e estavam curvadas como se ele tivesse morrido em uma posição fetal. Ela lembrou de ouvir Darius disparando uma arma enquanto ele Z e a turma cavalgaram como morcegos saídos do inferno pela Rua 21 até a abadia. Então, ele levou um tiro no céu. — Merda — ela disse baixo. — Deve ter sido uma bela queda.
Stevie Rae pôs a mão sob sua boca e estava se preparando para gritar por Dallas para que ele e os caras pudessem ajudar ela a arrastar o corpo para algum lugar quando o Corvo Escarnecedor se mexeu e abriu os olhos. Ela congelou. Os dois se encararam. Os olhos vermelhos da criatura se arregalaram, parecendo surpresos e impossivelmente humano no rosto da ave. Automaticamente, Stevie Rae se abaixou, erguendo as mãos defensivamente e tentando se centrar para chamar a terra para dar forças a ela. E então ele falou. — Me mate. Termine com isso — ele arfou, ofegando de dor. O som da voz dele era tão humana, tão completamente inesperada que Stevie Rae soltou as mãos e deu um passo para trás.
— Você pode falar! — ela disse.
Então o Corvo Escarnecedor fez algo que chocou Stevie Rae e mudou o curso da vida dela. Ele riu. Era um som seco e sarcástico, e terminou num gemido de dor. Mas foi uma risada, e emoldurou as palavras dele com humanidade. — Sim — ele disse entre as arfadas de ar. — Eu falo. Eu sangro. Eu morro. Me mate e termine com isso. — Ele tentou sentar, como se estivesse ansioso para encontrar sua morte, e o movimento fez ele chorar de agonia. Os olhos humanos demais dele viraram para trás e ele caiu no chão congelado, inconsciente.
Stevie Rae se moveu antes de lembrar de sequer ter tomado a decisão. Quando ela o alcançou, ela só hesitou por um segundo. Ele desmaiou com o rosto para baixo, então foi fácil para ela mover as asas dele para o lado e agarrar seus braços. Ele era grande, realmente grande – tipo, tão grande quanto um cara de verdade, e ela se preparou para que ele fosse pesado, mas ele não era. Na verdade, ele era tão leve que foi superfácil arrastar ele, o que ela se encontrou fazendo enquanto a mente dela gritava para ela: O que diabos? O que diabos? O que diabos? O que diabos ela estava fazendo? Stevie Rae não sabia. Tudo que ela sabia era o que ela não estava fazendo. Ela não estava matando o Corvo Escarnecedor.

9 comentários:

  1. "Z podia aprender uma coisa ou duas comigo sobre lidar com caras" - apenas para, no mesmo capítulo, salvar a vida de um Corvo Escarnecedor e, se minha previsão estiver correta, ter um romance com ele. *risos*

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    1. Sim, isso era interessante!

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    2. Mas ele tipo... tem bico de corvo, vai ser mega estranho uahuahs

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  2. isso realmente vai complicar as coisas...
    lanny

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  3. Stevie Rae... WTF q vc esta fazendo... Enloqueceu de vez!

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  4. eu pensei q voz deles ñ fossem nd humanas, pelo menos zoey descreve como se voz roucas e estranha e nem um pouco humanas.

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    1. Não, ela falou que alguns tem voz bem humana, como o Rephaim, não sei se é esse aí, mas outros parecem que não desenvolveram bem a fala, então falam mais como monstrinhos

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  5. WTF Stevie?! Adotou mais um monstrinho, pqp
    Tomara que esse corvo não seja um fdp.

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