3 de outubro de 2015

Capítulo 1

Cocó! Có! Có! O estúpido galo continuou a noite toda. (Bem, mas precisamente, o dia todo – porque, sabe, eu sou uma vampira caloura e temos todo aquele negócio do dia e noite serem virados.) De qualquer forma, eu não dormi nada ontem a noite/dia. Mas dormir mal é atualmente a coisa mais fácil de se lidar, já que a vida é uma droga quando seus amigos estão bravos com você. Eu devo saber. Eu sou Zoey Redbird, atualmente a nada disputada Rainha da Terra de Fazer Meus Amigos Ficarem Fulos.
Persephone, a grande égua que eu podia considerar como minha enquanto vivia na House of Night, mexeu a cabeça e acariciou minha bochecha. Eu beijei o nariz dela suavemente e acariciei o pescoço. Cuidar de Persephone sempre me ajuda a pensar e a me sentir melhor. E eu definitivamente preciso de ajuda com as duas coisas.
— Ok, então, eu consegui evitar o Grande Confronto por dois dias, mas isso não pode continuar — eu disse a égua. — Sim, eu sei que eles estão no refeitório agora, jantando enquanto andam juntos como amiguinhos e me deixam totalmente de fora.
Persephone bufou e voltou a mastigar feno.
— Yeah, eu acho que eles estão sendo idiotas também. Claro, eu menti para eles, mas foi quase uma omissão. E, yeah, eu não disse algumas coisas para eles. Mas para o próprio bem deles. — Eu suspirei. Bem, o negócio sobre Stevie Rae ser morta viva foi para o bem deles. As coisas sobre eu ter algo com Loren Blake – Vampiro Poeta Laureate e professor da House of Night – bem, isso foi para o meu próprio bem. — Mas ainda sim. — Persephone virou a orelha para me ouvir. — Eles estão julgando demais.
Persephone bufou de novo. Eu suspirei de novo. Droga. Eu não podia mais os evitar.
Depois de dar um último tapinha na égua, eu andei devagar para fora do estábulo dela e guardei o almofaçar e as escovas para a crina/rabo que eu estava usando na última hora. Eu respirei fundo o cheiro do couro e cavalo, deixando a mistura acalmar meus nervos. Vendo meu reflexo na janela, eu automaticamente passei meus dedos pelo meu cabelo escuro, tentando fazer parecer que eu não estava tão mal. Eu fui Marcada como uma caloura vampira e me mudei para a House of Night a apenas dois meses, mas meu cabelo já era notavelmente mais grosso e comprido. E um cabelo super bom é uma das muitas mudanças acontecendo comigo. Algumas delas eram invisíveis – como o fato que eu tenho uma afinidade com os cinco elementos. Algumas eram muito mais visíveis – como as tatuagens únicas que emolduravam meu rosto em intricados e exóticos círculos, diferente de qualquer outro calouro e vampiro adulto, o design de cor safira se espalhava pelo meu pescoço e ombros, pela minha espinha, e mais recentemente, ia até a minha cintura, um fato que ninguém a não ser minha gata, Nala, ou nossa deusa Nyx, e eu sabia.
A quem eu posso mostrar?
— Bem, ontem você tinha não um, mas três namorados — eu disse para a eu com os cabelos negros e com um meio sorriso cínico que estava refletida no vidro. — Mas você consertou isso, não foi? Hoje não apenas você não tem nenhum namorado, mas ninguém nunca mais vai confiar em você de novo, por pelo menos, eu não sei, um trilhão de anos mais ou menos. — Bem, a não ser Aphrodite, que também surtou e fugiu dois dias atrás porque de repente ela pode ter voltado a ser humana, e Stevie Rae, que foi correr atrás da apavorada e re-humana Aphrodite porque pode ser culpa dela o problema de calouro-para-humano e eu lancei o círculo e transformei ela de uma garota bizarra e morta viva para uma estranha-vampira-com-tatuagens-vermelhas-mas-que-voltou-a-si. — Seja como for — eu disse a mim mesma em voz alta, — você conseguiu fazer porcaria com todos que apareceram na sua vida. Muito bem, para você!
Meu lábio estava começando a tremer e eu senti as lágrimas encherem meus olhos. Não. Chorar não vai ajudar. Eu quero dizer, sério, se fizesse, então eu e meus amigos teríamos nos beijado (bem, não literalmente) e feito as pazes dias atrás. Eu ia ter que encarar eles e tentar acertar as coisas.
A fria noite de dezembro estava legal e um pouco enevoada. As luzes na calçada que iam dos estábulos e o campo até de volta ao prédio principal de escola brilhavam com as pequenas luzes amarelas, parecendo lindas e de um antigo mundo. Na verdade, o campus todo da House of Night era lindo, e sempre me fazia pensar que era algo que pertencia à lenda do Rei Arthur mais do que ao século vinte. Eu amo isso aqui, eu me lembrei. É meu lar. É onde eu pertenço. Eu vou consertar tudo com meus amigos, e tudo ficará bem.
Eu estava mordendo meu lábio e me preocupando sobre como eu ia acertar as coisas com meus amigos quando meu estresse mental foi interrompido por um estranho barulho de asas batendo que encheu o ar ao meu redor. Algo sobre o som mandou um calafrio para a minha espinha. Eu olhei para cima. Não havia nada acima de mim a não ser escuridão e os galhos nus dos enormes carvalhos que se alinhavam na calçada. Eu tremi, tendo um momento de andando-por-cima-do-meu-túmulo enquanto a noite passou de suave e enevoada para escura e malévola.
Espera aí – escura e malévola? Bem, isso é bobo! O que eu ouvi foi provavelmente nada mais sinistro do que o vento passando pelas árvores. Jeesh, eu estou enlouquecendo.
Balançando a cabeça para mim mesma, eu continuei andando, mas dei apenas alguns passos quando aconteceu de novo. O estranho barulho de asas batendo acima de mim fez o ar, que parecia 10 graus mais frio, passar selvagemente contra a minha pele. Eu automaticamente ergui uma mão, imaginando morcegos e aranhas e todo tipo de coisas assustadoras.
Meus dedos passaram pelo nada, mas era um nada frio, e uma dor gelada passou pela minha mão. Completamente apavorada, eu uivei e abracei minha mão no meu peito. Por um segundo eu não sabia o que fazer, e meu corpo ficou atordoado com medo. As batidas estavam ficando mais altas e o frio mais intenso quando eu finalmente consegui me mexer. Abaixando a cabeça, eu fiz a única coisa que podia. Eu corri para a porta mais perto da escola.
Depois de entrar, eu fechei a grossa porta de madeira atrás de mim, ofegando, virei para espiar pela pequena janela. A noite se deslocou e flutuou diante dos meus olhos, como uma tinta preta jogada no papel. Ainda sim, o terrível sentimento de medo gelado continuou em mim. O que estava acontecendo? Quase sem perceber o que eu estava fazendo, eu sussurrei, — Fogo, venha até mim. Eu preciso do seu calor.
Instantaneamente o elemento respondeu, enchendo o ar ao meu redor com o calor do fogo. Ainda olhando pela pequena janela, eu pressionei minhas palmas contra a madeira da porta.
— Lá fora — eu murmurei. — Mande seu calor para lá também. — Com uma onda de calor, o elemento se moveu, através da porta, e passou pela noite. Ouve um som de assovio, como vapor erguendo de gelo seco. A névoa rolou, grossa e ensopada, me dando um senso de vertigem que me deixou um pouco nauseada, e a estranha escuridão começou a evaporar. Então o calor afastou completamente o frio, e tão de repente como tinha começado, a noite de novo voltou a ficar quieta e familiar.
O que acabou de acontecer?
Minha mão picada chamou minha atenção. Eu a olhei. Pelas costas da minha mão haviam machucados vermelhos, como se algo com garras, ou unhas, tivesse arranhado minha carne. Eu esfreguei as marcas que pareciam ser feitas com raiva, que queimavam como uma queimadura.
Então o sentimento me atingiu com força, duramente, e me sobrepujando – e eu sabia com meu sexto sentido dado pela deusa que eu não deveria estar aqui sozinha. A escuridão que manchou a noite – o fantasmagórico algo que tinha me perseguido e picado minha mão – me encheu com um terrível sentimento estranho e pela primeira vez em muito tempo, eu estava realmente com medo. Não por meus amigos. Não por minha avó ou meu ex-namorado humano, ou pela minha mãe estranha. Eu estava com medo por mim. Eu não apenas queria a companhia dos meus amigos; eu precisava deles.
Ainda esfregando minha mão, eu fiz minhas pernas se moverem e sabia além de qualquer dúvida que eu preferia encarar a mágoa e desapontamento dos meus amigos do que o que quer que fosse a coisa negra que estava esperando por mim escondida na noite.
Eu me revoltei por um segundo fora da porta aberta do cheio “salão de jantar” (também conhecido como refeitório) observando os outros garotos conversando facilmente e felizes entre si, e fiquei quase sobrepujada com o repentino desejo de ser só outra caloura – sem ter habilidades extraordinárias ou a responsabilidade que vinha junto com essas habilidades. Por um segundo eu quis tanto ser normal que foi difícil para mim respirar.
Então senti a suave brisa do vento contra a minha pele que parecia aquecida pelo calor de uma chama invisível. Eu senti o cheiro do oceano, embora não houvesse definitivamente nenhum oceano perto de Tulsa, Oklahoma. Eu ouvi pássaros cantando e senti o cheiro da grama recém-cortada. E meu espírito se encheu de uma alegria silenciosa quando reconheci meus poderosos dons dados pela deusa com a afinidade para cada um dos cinco elementos: ar, fogo, água, terra, e espírito.
Eu não era normal. Eu não era como ninguém, calouro ou vampiro, e era errado da minha parte desejar o contrário. E como parte do meu não normal estava me dizendo que eu tinha que entrar e tentar fazer as pazes com meus amigos. Eu arrumei minhas costas e olhei ao redor do salão com olhos que estavam limpos de autopiedade, e eu facilmente encontrei meu grupo especial sentados juntos.
Eu respirei fundo e caminhei rapidamente pelo refeitório, dando um pequeno aceno e um sorriso para quem disse oi para mim. Eu notei que todos pareciam estar reagindo a mim com sua mistura usual de respeito e cuidado, o que significa que meus amigos não estavam falando nada sobre a minha confusão. Também significa que Neferet não tinha começado seu ataque aberto contra mim. Ainda.
Eu peguei uma rápida salada e uma coca. Então, segurando minha bandeja com uma firmeza anormal que estava deixando meus dedos brancos, eu marchei diretamente para nosso banco e sentei normalmente ao lado de Damien.
Quando eu sentei, ninguém olhou para mim, mas a conversa deles morreu instantaneamente, o que é algo que eu odeio. Eu quero dizer, o que é mais horrível do que chegar ao seu grupo de supostamente-melhores-amigos e ver todos eles se calarem para você saber com certeza que todos estavam falando de você? Ugh.
— Oi — eu disse ao invés de sair correndo ou começar a chorar como eu queria.
Ninguém disse nada.
— Então, e aí? — eu dirigi a pergunta diretamente para Damien, sabendo que meu amigo gay era naturalmente a link mais fraco da corrente não-fale-com-Zoey.
Infelizmente, foram as Gêmeas que responderam e não o gay, e por tanto mais sensível e educado, Damien.
— Nenhum merda, certo, Gêmea? — disse Shaunee.
— É isso mesmo, Gêmea, nenhuma merda. Porque não podemos ser confiáveis para saber merda nenhuma — Erin disse. — Gêmea, você sabia que nós somos totalmente inconfiáveis?
— Não, até recentemente eu não sabia, Gêmea. E você? — Shaunee disse.
— Não sabia até recentemente também — Erin terminou.
Ok, as Gêmeas não são Gêmeas de verdade. Shaunee Cole é uma americana com descendência jamaicana de cor caramelo que cresceu na costa Leste. Erin Bates é uma linda loira que nasceu em Tulsa. As duas se encontraram depois de serem Marcadas e se mudarem para a House of Night. Elas se ligaram instantaneamente – e como genética e geográfica nunca existiram. Elas literalmente terminam as frases uma das outras. E nesse momento elas estão olhando para mim com aquele olhar gêmeo de raiva e suspeita.
Deus, elas me cansam.
Elas também me deixam irritadas. Sim, eu escondi coisas delas. Sim, eu menti para elas. Mas eu precisava. Bem, quase precisava. E o comportamento gêmeo delas de raiva estava me irritando.
— Obrigado pelo amável comentário. E agora eu vou tentar perguntar isso a alguém que não tem que responder em uma versão estéreo da odiosa Blair de Gossip Girl. — Eu virei minha atenção para longe delas e olhei diretamente para Damien, embora eu pudesse ouvir as Gêmeas sugando o ar e se aprontando para dizer algo e eu estava esperando que eles algum dia fossem se arrepender. — Então, eu acho que o que eu realmente quero perguntar quando disse “e aí,” e se você notou algum assustador e fantasmagórico bater de asas do lado de fora ultimamente. Notou?
Damien é alto e realmente fofo com uma excelente estrutura óssea e cujos olhos marrons são normalmente quentes e expressivos, mas estavam, nesse momento, cuidadosos e mais do que um pouco frios. — Um bater de asas fantasmagórico? — ele disse. — Desculpe, não faço ideia do que você está falando.
Meu coração se apertou ao estranho tom de voz dele, mas eu disse a mim mesma que pelo menos ele respondeu minha pergunta. — No caminho para cá, algo meio que me atacou. Eu não consegui ver nada, mas era frio e machucou minha mão. — Eu ergui minha mão para mostrar a ele – e não havia machucado nenhum.
Ótimo.
Shaunee e Erin bufaram juntas. Damien só parecia muito, muito triste. Eu estava abrindo minha boca para explicar que havia um machucado ali alguns minutos atrás, quando Jack se aproximou.
— Oh, oi! Desculpe estou atrasado mas quando pus minha camisa encontrei uma enorme mancha no lado da frente. Dá para acreditar? — Jack disse enquanto corria com uma bandeja de comida e sentava no seu lugar ao lado de Damien.
— Uma mancha? Não naquele adorável Armani de manga comprida que eu te dei de natal, né? — Damien disse, se mexendo para dar espaço para seu namorado.
— Ohmeudeus, não! Eu nunca derramei nada nele. Eu só amo e — As palavras dele morreram quando os olhos dele passaram de Damien para mim. Ele engoliu em seco. — Oh, uh. Oi, Zoey.
— Oi, Jack — eu disse, sorrindo para ele. Jack e Damien estavam juntos. Olá. Eles são gays. Meus amigos e eu, junto com qualquer um que não tem a mente pequena e é critico, não tem problemas com isso.
— Eu não estava esperando ver você — Jack disse. — Eu achei que você ainda estava... uh... bem... — ele parou, parecendo desconfortável e corando.
— Você achou que eu ainda estava escondida no meu quarto? — eu ajudei.
Ele acenou.
— Não — eu disse firmemente, — eu terminei com isso.
— Bem, ta-na-hora — Erin começou, mas antes de Shaunee poder continuar, uma risada sexy vindo da porta atrás de nós fez todos virarem para olhar.
Aphrodite entrou no salão, rindo enquanto piscava para Darius, um dos mais novos e gostosos Guerreiros Filhos de Erebus, que protegem a House of Night, e virou o cabelo de forma excelente. A garota sempre foi boa em multitarefas, mas fiquei totalmente chocada sobre o quão despreocupada e legal ela parecia. Apenas dois dias atrás ela quase morreu e surtou porque a lua crescente – que aparece na testa dos calouros, os Marcando quando eles começam a Mudança que ou ia transformar em um vampiro ou matar – tinha desaparecido do rosto dela.
O que significava que de alguma forma ela voltou a ser humana.

4 comentários:

  1. É fia ta complicado

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  2. era de se esperar né
    lanny

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  3. Acho meio ridículo esse comportamento dos amigos da Zoey, tipo, ela não podia contar sobre a Stevie Rae, nem nada relacionado à Neferet, pra proteger eles. E sobre o Loren, a vida sexual dela não é da conta deles. Espero que a Aphrodite vire amiga dela.

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    1. Concordo com você. Se ela mentiu foi pra proteger eles. Os amigos da Zoey nem sabem o que ela está passando, ela está com milhares de problemas e eles ficam julgado ela por um motivo bobo. Aposto que se fossem um deles que tivesse que guardar um segredo importante como aquele nenhum deles iam querer ser deixado de lado.

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