4 de outubro de 2015

Capítulo 19

Eu estava soluçando enquanto me arrastava até Darius. Eu tinha acabado de alcançá-lo quando ouvi um som terrível vindo da direção da porta. Olhei para cima para ver Stark. Ele tinha o seu arco em uma mão. A outra estava apertando a moldura de madeira tão apertada que os nós de seus dedos ficaram brancos e eu juro que podia ver seus dedos fazer entalhes na madeira. Seus olhos estavam em chamas vermelhas e ele se dobrando ligeiramente, como se seu estômago estivesse causando-lhe dor.
— Stark? O que foi? — Eu passei as costas da minha mão em meus olhos, tentando limpar as lágrimas de minha visão.
— O sangue... não posso aguentar... tenho que...— Ele falou arquejos e, como se contra a sua vontade, ele deu um hesitante passo para dentro da sala.
No chão ao meu lado, Darius estava de joelhos. Ele agarrou a faca do chão onde Kalona a havia jogado e enfrentou Stark. — Você deveria saber que eu só compartilho o meu sangue com aqueles que eu convidei para me provar — a voz de Darius era firme e forte. Se eu não tivesse olhado para ele eu nunca teria adivinhado que um rio de sangue descia pelo seu rosto de um terrível ferimento de faca. — E eu não lhe fiz tal convite rapaz. Afaste-se antes que o que aconteceu aqui se torne pior.
Havia uma luta sendo travada dentro de Stark que foi refletida por todo o seu corpo. Desde o vermelho brilhante dos seus flamejantes olhos aos selvagens, trejeito de lábios à corda bamba irradiada a partir de tensão que ele, parecia que ele estava à beira de uma explosão.
Mas o negócio é o seguinte: Eu tinha tido o suficiente. Dizer a minha reação ao beijo de Kalona tinha me assustado era o eufemismo ano. Meu corpo ainda doía. Minha cabeça estava tonta. Eu estava tão fraca que eu não acho que eu ia ganhar uma queda-de-braço contra, bem, Jack. Agora Darius foi ferido, e eu não tinha a menor ideia do quão grave.
Sério, você poderia enfiar um garfo em mim e dizer que eu já tinha tido muito com todo esse estresse.
— Stark, só dê o fora daqui! — Eu sussurrei para ele, satisfeita por a minha voz soar muito mais forte do que eu me sentia. — Eu não quero acabar com a sua raça com o fogo, mas se você der mais um passo para essa sala, eu juro que vou queimar a sua bunda.
Aquilo chegou até ele. Os olhos vermelhos de Stark se prenderam em mim. Ele parecia chateado e perigoso. Havia uma escuridão que o rodeava como uma aura, tornando os seus olhos vermelhos como chamas. Eu estava satisfeita pelo fato do lençol estava seguro em volta do meu corpo, e levantei meus braços, mantendo-os para cima e
preparados. — Não me teste agora. Eu prometo que você não vai gostar se eu perder o meu temperamento.
Stark piscou um par de vezes para mim, como se ele estivesse tentando limpar a sua visão. O escarlate de seus olhos desbotou, a escuridão no ar em torno dele dissipando-se, e ele colocou uma mão tremendo em seu rosto. — Zoey, eu — ele começou, soando quase normal. Darius saiu de sua posição defensiva, dando um passo mais perto de mim. Stark rosnou para ele - como se ele fosse mais animal do que humano - girou sobre seus calcanhares, e saiu correndo da sala.
De alguma forma eu consegui me arrastar até a porta para fechá-la e, em seguida, arrastei uma cadeira de perto da cabeceira para colocá-la sob a maçaneta da porta, como eu vi as pessoas fazem nos filmes, antes que eu voltasse a Darius.
— Estou feliz que você está do meu lado, Sacerdotisa — ele disse.
— Sim, essa sou eu. Sou destemida. — Tentei fingir que não estava perto de passar por soar como Christian Project Runway. Eu tinha a certeza de que Darius não conhecia Project Runway como um projeto de ciência, mas isso o fez engasgar um pouco enquanto nós ajudamos um ao outro a chegar na cama, onde sentamos pesadamente e eu fiquei ao lado dele, concentrando-me em não me balançar como se estivesse bêbada, o que, infelizmente, eu não estava mais.
— Deve haver um kit de primeiros socorros no armário ali. — Ele foi até o longo armário de aço inoxidável que se estendia ao longo da parede. Havia também uma pia construída nele e vários itens hospitalares com aparência assustadora (eles eram afiados e muito aço inoxidável) guardados organizadamente em bandejas e coisas assim perto da pia. Eu ignorei as coisas afiadas e comecei a abrir gavetas e armários, quando eu notei minhas mãos estavam tremendo como loucas.
— Zoey — Darius chamou, e eu olhei por cima do ombro para ele. Ele parecia terrível. O lado esquerdo do seu rosto era uma bagunça sangrenta. O talho começava de sua têmpora, fazendo todo o caminho até sua mandíbula, bagunçando com o desenho geométrico de sua tatuagem. Mas seus olhos sorriam para mim quando ele disse: — Eu vou ficar bem. Isto é pouco mais do que um arranhão.
— Bem, é um grande arranhão — disse.
— Eu acho que ele vai incomodar Aphrodite — ele disse.
— Huh?
Ele começou a sorrir, mas a tentativa acabou com uma careta quando o movimento causou mais derramamento do sangue pela ferida. Ele apontou para o rosto dele. — Ela não vai gostar da cicatriz.
Quando eu tinha reunido um monte curativos, álcool, toalhas, gaze e outras coisas, eu voltei para ele. — Se ela disser algo sobre isso eu acabo com ela. Depois de eu ter descansado. — Eu observava o horrível “arranhão,” ignorando o delicioso aroma de seu sangue e engoli com força para me impedir de vomitar.
Ok, sim, isso soa como uma total contradição: o fato de que eu amo o sabor e o cheiro do sangue, mas vê-lo se derramando para fora do corpo de um amigo me deixa enojada. Espere, não. Talvez não seja uma contradição, porque, Olá! Eu não como os meus amigos! Pensei sobre Heath e decidi alterar o meu pensamento: eu não como meus amigos, em circunstâncias normais, a não ser que me deem a sua permissão.
— Eu posso limpar isso — disse Darius, tentando alcançar o frasco de álcool que eu segurava fortemente em minha mão.
— Não — eu disse, então repeti mais firmemente, agitando minha cabeça para tentar apagar a tontura. — Não, isso é ridículo. Você está machucado, eu vou fazer isso. Basta me dizer o que eu preciso fazer. — Eu fiz uma pausa antes de eu continuar — Darius, temos que sair daqui.
— Eu sei — ele disse solenemente.
— Você não sabe de tudo. Eu entreouvi Kalona e Neferet falando. Disseram que eles estavam planejando algum tipo de um novo futuro, e então disse que iria envolver 'balançar o Conselho’.
Os olhos de Darius se abriram com o choque. — O Conselho de Nyx? Como no Conselho Superior dos Vampiros?
— Eu não sei! Eles não disseram mais nada sobre isso. Acho que estavam falando sobre o Conselho aqui da House of Night.
Ele estudou o meu rosto. — Mas você não acredita que é a isso que eles estão se referindo?
Eu sacudi a cabeça lentamente.
— Doce Nyx! Isso não pode acontecer!
Eu amarrei a cara, desejando que o meu intestino não estivesse discordando com ele. — Eu temo que aja um jeito de que possa ocorrer. Kalona é poderoso, e ele tem essa mágica encantar-as-pessoas-por-ele acontecendo. Veja, o principal objetivo é que não podemos ficar presos sob controle da Neferet enquanto ela e o homem pássaro coloquem os seus planos em movimento, seja ele qual for. — Na verdade, eu estava com medo de que eles já houvessem colocado seus nojentos planos em movimento, mas dizer isso em voz alta parecia um feitiço que se tornaria realidade. — Então, a gente só concerta você, agarra Aphrodite, as Gêmeas, e Damien, e voltamos para os túneis? — Me sentia perigosamente perto de explodir em lágrimas. — Eu sou tudo melhor, e penso que vale a pena arriscar me afogar em meu próprio sangue para dar o fora daqui.
— Concordo, acredito que Neferet te curou o suficiente para que você não corra o perigo de rejeitar a Mudança, mesmo se você não estiver rodeada de vampiros adultos.
— Você está bem o suficiente para sair?
— Eu disse que estou bem, e eu estava falando a verdade. Vamos começar a limpar isso, em seguida, vamos deixar este lugar.
— Eu gosto mais dos túneis. — Eu me surpreendi por admitir em voz alta o que eu tinha pensando, mas Darius balançou a cabeça solenemente em acordo. — É porque você se sente segura, e definitivamente deixou de ser seguro aqui — disse ele.
— Você notou algo de diferente em Neferet? — Perguntei.
— Se você quer dizer se eu percebi que o poder da Sacerdotisa parece ter aumentado, sim, eu notei.
— Ótimo. Eu só queria que eu estivesse imaginando coisas — eu murmurei.
— Seus instintos são bons, e eles vem te avisando sobre Neferet faz algum tempo. — Ele fez uma pausa. — O poder hipnótico de Kalona é incomum. Eu nunca senti nada assim antes.
— Sim — eu disse, limpando o sangue de seu rosto. — Mas eu acho que eu quebrei qualquer encanto que ele tivesse sobre mim — Eu me recuso a admitir, até para mim, que, embora o efeito hipnótico tinha ido embora, eu ainda tinha tido uma forte reação ao seu beijo. — Ei, Kalona não parecia diferente para você?
— Diferente? Como assim?
— Mais jovem, como ele não fosse mais velho do que você. — Eu achava que Darius estava em algum lugar entre seus vinte anos, ou pelo menos assim parecia para mim. Darius me lançou um longo e especulativo olhar — Não, Kalona parecia o mesmo da primeira vez que eu o vi, sem idade, mas não de uma forma que poderia ser confundido com um adolescente. Talvez ele tenha a capacidade de alterar sua aparência para agradar você.
Eu queria negar, e então me lembrei de como ele me chamou antes de me beijar. Era o mesmo nome que ele havia me chamado em meu pesadelo. A minha resposta a ele foi quase automática, como se a minha alma o reconhecesse, sussurrou minha mente traiçoeiramente. Um terrível medo mandou um calafrio através do meu corpo, causando arrepios em pequenos pêlos nos braços e na parte de trás do meu pescoço.
— Ele me chamou de A-ya — eu disse.
— O nome soa familiar. O que significa isso?
— É o nome da mulher criada pelas mulheres Ghigua para prender Kalona.
Darius suspirou profundamente. — Bem, pelo menos agora sabemos por que ele quer tanto proteger você. Ele acha que você é a mulher que ele amava.
— Acho que era mais obsessão do que amor, eu disse rapidamente, não querendo nem mesmo considerar a ideia de Kalona poderia ter amado A-ya. — Além disso, é preciso lembrar que A-ya o prendeu, fazendo com que ele ficasse aprisionado na terra por mais de mil anos.
Darius acenou com a cabeça. — Então o desejo dele por você pode facilmente se tornar violência.
Meu estômago apertou. — Na verdade, a razão pela qual ele me querer poderia ser apenas se vingar de A-ya. Quero dizer, não sei o que ele está realmente planejando fazer comigo. Tudo o que Neferet queria era me matar, mas ele a impediu dizendo que
poderiam utilizar meus poderes.
— Mas você nunca desistiria de Nyx por ele — Darius disse.
— E quando ele perceber isso eu não posso imaginar porque ele me manteria por perto.
— Ele vai ver você como um poderoso inimigo, um que poderia encontrar uma forma o apanhar em armadilha novamente — disse Darius.
— Ok, então me explique como consertar você e, em seguida, vamos encontrar os outros e nos mandar daqui.
Darius me guiou através de uma limpeza muito nojenta de corte, durante a qual eu tive que derramar álcool em seu corte para, como ele disse, lavar qualquer infecção que possa ter sido causada pelo sangue do Corvo Escarnecedor. Eu tinha esquecido totalmente de que a faca que havia cortado Darius havia estado enfiada no peito de Rephaim e que definitivamente haveria o sangue daquele nojento homem pássaro por toda a faca. Então eu limpei o corte e, em seguida, Darius me ajudou a achar esse estranho, mas maneiro negócio chamado Dermabond, mais conhecido como pontos líquidos, que eu coloquei em uma linha abaixo do comprimento do seu corte, prensando os lados da ferida em conjunto, e, ta-da! exceto para um grande ainda-não-cicatrizado corte, Darius disse que ele estava bom como novo. Eu estava apenas um pouco mais cética, mas (como ele me lembrou) eu realmente não era uma enfermeira com crédito para começo de conversa.
Então eu comecei a vasculhar os armários atrás de roupas, eu não iria e lugar nenhum com um lençol ao redor do meu corpo. Ok, você não iria acreditar que o grosseiro, fino como papel e sem costas “vestido” de hospital (por favor, eles não eram verdadeiros vestidos) que achamos em uma gaveta. Por que os hospitais gostam de vestir
você com esses horríveis vestidos que além de tudo revelam partes de seu corpo que uma pessoa gostaria de esconder quando você já se sente horrível? Simplesmente não faz sentido. Enfim, nós finalmente encontramos um par de calças verdes de hospital que eram muito grandes para mim, mas tanto faz. Elas eram melhores do estar firmemente embrulhada em um lençol. Eu completei o meu visual com botas. Perguntei ao Darius se ele havia visto a minha bolsa e ele falou que ainda deveria estar no Hummer. Provavelmente fui um pouco superficial, mas eu gastei poucos minutos pensando que, se a minha bolsa estivesse perdida eu teria que obter uma nova carteira de motorista e celular, e me perguntei se eu saberia exatamente o número da cor do lindo brilho labial Ulta que eu teria que repor.
Algum tempo depois de eu ter colocado a roupa (enquanto Darius estava de costas) e começar a me preocupar com a falta da minha bolsa, eu percebi que estava sentada na cama olhando para o espaço e quase dormindo.
— Como você está se sentindo? — Darius perguntou. — Você parece...— Suas palavras
sumiram, como ele estivesse se impedindo de falar “uma merda” ou “horrível” .
— Eu pareço cansada? — Eu ofereci.
Ele acenou. — Você parece .
— Bem, isso não é tão surpreendente, porque estou cansada. Realmente cansada.
— Talvez devêssemos esperar e-
— Não! — Eu interrompi. — Eu falava sério quando disse que queria sair daqui. Além disso, não há nenhuma maneira de que eu realmente possa dormir enquanto nós estamos aqui. Eu não me sinto segura.
— De acordo — disse Darius. — Vocês não estão seguros. Nenhum de nós está seguro.
Não foi preciso falar nada para que entrássemos em acordo. Nós não estaríamos seguros mesmo se conseguíssemos sair da House of Night, mas era melhor para a nossa moral se nenhum de nós falasse isso.
— Muito bem, vamos buscar os outros — eu disse.
Eu chequei o relógio na parede antes que nós saíssemos do quarto e percebi que era um pouco depois das 4h00. Foi um choque ver quanto tempo havia se passado, especialmente porque eu deveria ter dormido por várias horas e não me sentia nem um pouco descansada. Se as coisas estavam normais na House of Night, as aulas dos calouros deveriam ter terminado. — Ei,— eu disse Darius, — é hora do jantar. Eles devem estar no refeitório.
Ele concordou, levantou-se da cadeira e abriu a porta lentamente.
— Corredor do vazio — ele murmurou.
Enquanto ele foi espreitar o corredor, eu fiquei olhando para ele. Então, em vez de seguir ele para fora da sala, eu o agarrei pela manga e o puxei de volta. Ele me deu um olhar interrogativo.
— Uh, Darius, eu acho que nós realmente precisamos de mudar de roupas antes de fazer uma grande entrada no meio do refeitório, ou mesmo no meu dormitório. Quero dizer, você está mais do que um pouco ensanguentado, e eu estou vestindo o que parece um grande saco para lixo verde. Nós não somos exatamente imperceptíveis.
Darius olhou para si mesmo, vendo o sangue seco, que havia manchado toda a sua camisa e paletó. O sangue, mais o recém-fechado corte em seu rosto, mais o meu uniforme de hospital pareciam igualmente suspeitos, uma conclusão a qual Darius chegou facilmente.
— Vamos ir pelas escadas até o próximo andar. Lá é onde os filhos de Erebus estão alojados. Vou me trocar e então levar você rapidamente ao seu dormitório para que você possa se livrar dessas. — Ele indicou minha roupa. — Se nós tivermos a sorte de encontrar Aphrodite e as Gêmeas no dormitório e só termos que achar Damien fora e, em seguida, sair de fininho da escola.
— Parece bom. Nunca pensei me ouvir dizer que eu estava ansiosa paramvoltar aos túneis, mas agora eu sinto como se fosse o melhor lugar para estar — disse.
Darius grunhiu o que eu presumi que fosse um jeito masculino para concordar comigo, e eu acompanhei ele para o corredor, o que realmente estava deserto. Foi apenas um curto caminho para a escadaria. Okay, em apenas alguns passos que parecia um voo, eu estava apoiada fortemente nos braços de Darius. Eu poderia dizer pelo brilho preocupado nos olhos dele que ele estava seriamente considerando me carregar e teria feito isso (apesar de meus protestos), se não tivéssemos chegado naquele momento.
— Então — eu disse entre suspiros — é sempre tão tranquilo aqui em cima?
— Não — disse Darius carrancudo. — Não é. — Passamos um espaço comum que tinha uma geladeira, uma grande televisão de tela plana, alguns confortáveis sofás, e um monte de coisas como pesos livres, um alvo, e uma mesa de bilhar. É, também, estava deserta.
Seu rosto em conjunto ilegível linhas, Darius me levou a uma das muitas portas que abriam para fora do salão.
O quarto dele era tudo o que eu imaginava que o quarto de um Filho de Erebus seria - simples e limpo, sem muitos enfeites. Ele tinha alguns troféus por vencer competição de arremesso de faxa, e uma coleção inteira de livros capa dura de Christopher Moore, mas nenhuma foto emoldurada de amigos ou família, e a única arte nas paredes era uma paisagem de Oklahoma, o que provavelmente veio com o quarto. Oh, ele também tinha uma mini-geladeira como a de Aphrodite, o que me irritou bastante. Será que todos têm uma geladeira exceto eu? Jeesh. Havia uma grande janela com uma vista panorâmica – eu me perguntava o porquê. Puxei para trás um canto da cortina e olhei para fora de modo que Darius poderia mudar suas roupas sem fazer com que uma ciumenta Aphrodite desmembrasse um de nós ou a ambos.
Deveria ser um momento ocupado. As aulas haviam acabado e as crianças deveriam ter vindo da acadêmica da escola para os dormitórios, sala, refeitório, e resumo só passeando e sendo adolescentes. Invés disso, eu vi somente duas pessoas fazendo o seu melhor para não cair se apressando na calçada indo de um prédio para o outro.
E mesmo que minha intuição dissesse que era mais do que parecia eu queria culpar o clima pela quietude mórbida da escola. O céu escuro ainda derramava a chuva gelada, e apesar do isolamento causado pela tempestade, fiquei encantada com a forma com que o brilhante revestimento de água congelada fez tudo parecer mágico. Árvores cediam sob o peso cristalino que sepultava seus ramos. O suave amarelo das luzes a gás tremeluzia pelas paredes e calçadas lisas. A coisa mais legal era a grama congelada. Estava arrepiada como brilhantes espinhos por todos os cantos, reluzindo quando a luz a atingia da maneira certa, fazendo com que o chão parecesse um campo de diamantes.
— Uau — eu disse, mais para mim do que Darius, — Sei que a tempestade de gelo é chateação, mas é realmente bonita. Faz com que tudo pareça diferente.
Darius estava colocando um moletom sobre uma camisa limpa enquanto se juntava a mim na janela. Sua carranca disse que via mais a parte chata da tempestades do que o gelo mágico dela.
— Não vejo uma sentinela — disse ele, e eu percebi que a sua carranca não tinha sido dirigida apenas ao gelo, mas também aos limites dos muros, que podíamos ver a partir de sua janela — Deveríamos ser capazes de ver, pelo menos, dois ou três dos meus irmãos guerreiros, mas não há uma. — Então eu o senti se retesar.
— O que foi?
— Eu falei muito rápido, e você estava certa. Este é um mundo diferente. Existem sentinelas fixadas. Eles não são apenas os meus irmãos. — Ele apontou para uma mancha na parede à nossa direita que se curvava por trás do templo de Nyx que se situava logo na frente do prédio em que estávamos. Ali, entre as sombras de um antigo carvalho e a parte de trás do templo, a escuridão se quebrou para revelar o contorno distorcido de um Corvo Escarnecedor agachado na parede.
— E lá.
Darius fez sinal para um ponto do outro lado na parede. Eu tinha ignorado porque nada mais natural do que mais um pouco de trevas nesta noite tempestuosa, mas quando eu olhei fixamente, e, também, me movi rapidamente, revelando uma outra terrível criatura homem pássaro.
— Eles estão em todos os lugares — eu disse. — Como é que vamos sair daqui?
— Você pode nos disfarçar com os elementos, como você fez antes?
— Eu não sei. Estou tão cansada, e me sinto estranha. Meu corte está melhor, mas é
como se eu estivesse sendo drenada.
Então, meu estômago afundou ainda mais então percebi outra coisa. — Depois que eu usei fogo e o vento para tirar Kalona de você, eu não tive que liberar os elementos. Eles só não estavam mais lá. E isso nunca aconteceu antes. Eles sempre circulam ao meu redor ate que eu os deixo partir.
— Você está esgotada. A capacidade de conjurar e controlar os elementos é o seu dom, mas ela não vem sem um preço. Você é jovem e saudável, assim, em circunstâncias normais, provavelmente você dificilmente percebe o dreno que provoca em você.
— Eu já fiquei assim muitas vezes, mas nenhuma nunca foi igual essa.
— Você nunca esteve perto da morte antes. Adicione isso o fato de que você não ter tido tempo para descansar e recuperar, e aquela combinação perigosa.
— Em outras palavras, podemos não ser capazes de contar comigo para sairmos daqui — eu disse.
— Por que não te chamamos de Plano C, e nós de F. Só precisarmos arranjar os Planos A e B.
— Eu prefiro ser o Plano Z — Eu sorri.
— Bem, isso vai ajudar, mesmo que seja apenas uma correção temporária. — Ele foi para a mini-geladeira e puxou o que parecia ser duas garrafas de água, apenas os frascos porque o líquido espesso que a preenchia eu conhecia muito bem. Ele me entregou uma.
— Beba.
Eu bebi enquanto franzia para ele. — Você tem garrafas de água com sangue em sua geladeira?
Ele levantou suas sobrancelhas para mim, então contornou com o dedo o corte que esticou puxando todo lado de baixo do seu rosto. Finalmente ele disse, — Eu sou um Vampiro, Zoey. Você será uma em breve. Para nós ter sangue humano em garrafas é o mesmo que ter água engarrafada. Só existe um consumo de muito mais sangue. — Ele levantou o frasco para mim e, em seguida, ele drenou tudo.
Eu bloqueei a minha mente e fiz o mesmo. Como sempre, o sangue bateu no meu sistema como uma explosão, dando um pontapé de energia e fazendo me sentir muito mais viva e invencível. Minha cabeça cessou a tontura, e achei que a dor que irradiava da minha ferida diminuiu, me deixando dar um grande, profunda, e sem-dor respiração.
— Melhor? — Darius disse.
— Totalmente — eu disse.
— Vamos colocar algumas roupas de verdade e encontrarmos os outros, enquanto esta bebida dura. Isto me faz pensar. — Ele voltou para a geladeira, agarrou outra garrafa de sangue, e jogou para mim. — Coloque no seu bolso. Beber sangue e dormir não irá substituir o tempo que seu corpo necessita para curar-se, mas vai manter você em pé. Ou pelo menos eu espero que sim.
Eu coloquei a garrafa em um dos grandes bolsões da minha folgada e larga calça. Darius prendeu sua faca no cinto de couro, agarrou um casaco de couro limpo, e eu e ele deixamos o quarto, apressando para baixo da escada, e caminhamos até a porta do prédio, tudo sem ver ninguém. Eu senti mal, mas eu não quero pausa para falar sobre isso. Eu não queria fazer ou dizer algo que poderia nos manter lá, mesmo por um segundo mais do que tínhamos ficado. Quando Darius chegou à porta da frente do prédio, eu hesitei.
— Eu não acho que é muito inteligente os Corvos Escarnecedores verem que eu estou melhor e andando pra cima e pra baixo. — Eu deixei a minha voz baixa, embora não houvesse nada visível à nossa volta.
— Você está provavelmente certa — disse ele. — Você consegue controlar?
— Bem, na verdade, o dormitório não é muito longe. Além disso, o clima já é desagradável. Vou só chamar algumas névoas e aumentar a chuva. Isso deve fazer um bom trabalho em esconder a gente. Lembre-se de pensar que você é feito de nada mais que espírito. Tente imaginar se misturando com a tempestade. Isso geralmente faz com que seja mais fácil para mim.
— Farei. Estou pronto quando estiver.
Dei um profundo suspiro, agradecida que meu peito estava quase totalmente livre de dor, e concentrando. — A água, fogo e espírito, eu preciso de vocês — eu disse.
Eu abri um dos meus braços, como se estivesse recebendo um abraço de um amigo, e colocando a outra enrolada no braço de Darius. Imediatamente eu senti o aumento dos três elementos passar por mim, esperei, Darius, também.
— Espírito, peço-vos que encubra... nós... vamos nos esconder e misturar com a noite.
Água, enche o ar que nos rodeia, banha-se e nos esconda. Fogo, eu preciso de você um
pouco, apenas o suficiente para aquecer o gelo.
Eu tinha razão sobre uma coisa: o tempo estava desagradável. Eu definitivamente gostava mais da vista de fora do que a de dentro do quente e seco edifício. Ele tinha sido ruim antes, mas como os elementos responderam ao meu comando da tempestade aumentaram em intensidade.
Eu procurei ao nosso redor, tentando descobrir se algum Corvo Escarnecedor nos tinha notado, mas os elementos estavam trabalhando bem juntos, Darius e eu caminhamos, eu me sentia no meio de um globo de neve mais a neve onde a neve tinha virado gelo. O gelo e o vento eram tão ruins que eu teria caído direto de bunda se Darius não tivesse os reflexos de um gato e de algum modo conseguiu manter tanto em nossos pés. Me lembrei que, como eu e ele caminhávamos rapidamente, mas cuidadosamente as congeladas calçadas, envolta em uma névoa que havia explodido súbita tudo à nossa volta, cabeças curvadas contra o ataque gelada, eu não vi um único gato. Ok, sim, o tempo estava horrível, principalmente depois que eu estraguei mais ele, e os gatos não gostam de nada molhado, mas eu não lembro uma vez no mês que eu vivi na House of Night andando em qualquer lugar no campus e não vendo, pelo menos, um jovem gato perseguindo outro.
— Não há gatos por ai — eu disse.
Darius acenou. — Eu já reparei.
— O que isso significa?
— Problemas — disse ele.
Mas eu não tive tempo para pensar sobre o que a ausência de gatos pode significar (e de se preocupar se a minha Nala estava bem). Eu já estava sentindo a fuga de energia.
Eu tive que concentrar toda a minha força e concentração para manter tudo funcionando sussurrei vai vento, fogo e água. — Nós somos a noite, deixe o espírito da noite nos cobrir... nos... proteja com névoa, vento, e deixando os olhos maus não nos verem...
Estávamos quase no dormitório quando ouvi a voz de uma menina. Eu não poderia entender o que ela estava dizendo, mas o alto, nervoso tom definitivamente dizia que algo estava errado. A tensão no braço de Darius, e da forma como ele estava reconhecendo o perigo, tentando ver através da bolha elementar que nos rodeava, me disse que ele ia ouvi-la, também. Quando estávamos mais perto do dormitório, a voz ficou mais clara e mais alta, e as palavras começaram a fazer sentido.
— Não, é sério! Eu só quero voltar para o meu quarto — a voz da menina assustada
disse.
— Você pode voltar. Depois que eu estiver terminado com você.
Eu congelei, Darius me puxou, parando e reconhecendo a voz do cara antes da menina respondê-lo.
— Pode ser mais tarde, Stark? Então talvez possamos-
Suas palavras foram abruptamente cortadas. Ouvi um pequeno grito, que terminou em um suspiro e, em seguida, houve um terrível som molhado, e os gemidos começaram.

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