3 de outubro de 2015

Capítulo 19

Eu não disse nada enquanto Aphrodite agarrou meu braço, me ergueu, e me levou para fora da Cozinha do Charlie. Darius olhou para nós e saiu do carro em um nano segundo.
— Onde está o perigo! — ele surtou.
Aphrodite balançou a cabeça. — Nenhum perigo – drama de ex-namorado. Vamos só sair daqui.
Darius fez um gemido enquanto voltava para o carro. Aphrodite me empurrou no banco traseiro. Eu não soube que estava chorando até que Aphrodite, segurando uma mal humorada Malévola, me passou um lenço através do banco.
— Você está toda imprestável e sua maquiagem está escorrendo seriamente — ela disse.
— Obrigado — eu murmurei, e assoprei o nariz.
— Ela está bem? — Darius perguntou, olhando pelo espelho retrovisor para mim.
— Ela vai ficar bem. Merdas de ex-namorado normalmente é uma droga. O que aconteceu com ela lá definitivamente não é normal e, bem, isso é uma droga duplamente.
— Não fale sobre mim como se eu não estivesse aqui. — Eu funguei e enxuguei os olhos.
— Então vai ficar tudo bem? — Darius repetiu, dessa vez falando comigo.
— Se ela disser não, você vai voltar e matar aquele garoto idiota? — Aphrodite perguntou.
Uma risada saiu da minha surpresa boca. — Eu não quero ele morto, eu vou ficar bem.
Aphrodite deu nos ombros. — Faça como quiser, mas eu acho que o garoto precisa ser morto. — Então ela bateu no braço de Darius e apontou para uma loja em que estavamos nos aproximando. — Querido, você pode parar aqui para eu poder ir no RadioShack? Meu estúpido iPod Touch está com problemas, e eu quero comprar um novo.
— Tudo bem por você? — Darius me perguntou.
— Sem problemas. Eu preciso de tempo para me recompor antes de voltar para a escola. Mas, uh, você pode ficar no carro comigo?
— É claro, Sacerdotisa. — O sorriso gentil de Darius refletido no espelho retrovisor me fez sentir culpada.
— Eu volto em dois segundos. Segure Malévola para mim. — Aphrodite jogou o enorme gato em Darius e praticamente correu para RadioShack.
Depois de arrumar a besta de Aphrodite, Darius olhou por cima do banco para mim. — Eu poderia falar com o garoto se você quiser.
— Não, mas obrigado. — Eu assoprei o nariz e limpei o rosto. — Ele tem todo o direito de estar bravo. Eu fiz besteira.
— Humanos que se envolvem com vampiros podem ser sensíveis demais — Darius disse, obviamente escolhendo as palavras com cuidado. — Um humano ser consorte de um vampiro, especialmente uma poderosa Alta Sacerdotisa, é um caminho difícil.
— Eu não sou uma vampira e nem uma Alta Sacerdotisa — eu disse, me sentindo sobrepujada. — Eu sou só uma caloura.
Darius hesitou, obviamente se perguntando o quão ele podia dizer para mim. Foi só quando Aphrodite voltou para o carro, segurando o pacote falso do iPod Touch, que ele finalmente falou.
— Zoey, você deveria manter em mente que Altas Sacerdotisas não nascem do dia para noite. Elas começam seu caminho mesmo quando são calouras. O poder delas cresce cedo. Seu poder está crescendo, Sacerdotisa. Você é muito além de uma caloura normal e você sempre será. Então suas ações terão um profundo afeto em outros.
— Você sabe, eu só estou começando a lidar com todo esse “wow sou tão diferente,” e agora eu sinto que estou me afogando nisso.
Aphrodite recolocou Malévola de volta no colo dela e então virou no banco para poder me olhar nos olhos. — Yeah, ser extra-especial não é tão incrível como a gente acha que é, huh?
Eu esperei que ela me dissesse um dos sarcásticos e nojentos “eu te disse,” mas ao invés disso os olhos dela eram cheios de entendimento.
— Você está sendo gentil — eu disse.
— Isso porque você é uma má influência em mim — ela disse. — Mas eu vou tentar olhar pelo lado positivo.
— Lado positivo?
— O lado positivo é que quase todo mundo acha que eu ainda sou uma terrível vadia do inferno — ela disse, sorrindo feliz e acariciando a gata dela.
— Eu acho que você é espetacular — Darius disse, acariciando Malévola, que começou a ronronar.
— E você está absolutamente certo. — Ela se inclinou e, esmagando a gata que reclamava entre eles, o beijou fazendo muito barulho na bochecha.
Eu fiz barulhos de risada e fingi vomitar no meu lenço, mas eu sorri quando Aphrodite piscou para mim, e me senti um pouco melhor. Pelo menos acabou, eu disse a mim mesma. Erik me odeia. Stark está morto, ou morto vivo, e eu vou ajudar ele a ir para o subsolo. É isso. Então depois do horrível confronto com Heath, eu definitivamente vou parar com os namorados, por um longo tempo.
Naturalmente eu estava atrasada para a aula de teatro. Mudando meu horário, eu fui colocada numa aula de teatro mais avançada, o que estava tudo bem. Eu estava em Teatro II na Escola Secundaria South Intermediate quando fui Marcada, e eu gosto de teatro (no palco, não fora dele). Ok, isso não significa que eu seja uma atriz muito boa, mas eu tento. É claro, mudar de horário me fez ir para aula com uma nova turma. Eu parei na porta, tentando saber onde sentar e realmente, realmente não querendo interromper Erik (Professor Night?) no meio do discurso dele sobre peças de Sheakespeare. 
— Só sente em qualquer lugar, Zoey. — Erik falou sem olhar na minha direção. A voz dele era rapida e profissional e até um pouco chata. Em outras palavras, ele soava exatamente como qualquer outro professor. Não, eu não tenho ideia como ele sabia que eu estava na porta.
Eu corri pela sala e sentei na primeira mesa vazia que eu encontrei. Infelizmente era na frente. Eu acenei para Becca Adams, que estava sentada a minha direita. Ela acenou de volta, mas estava claramente distraída pela necessidade de encarar Erik. Eu não conhecia Becca muito bem. Ela era loira e bonita, como o normal para um calouro na House of Night (parece haver 5 loiras para cada pessoa “normal”), e ela recentemente se juntou as Filhas das Trevas. Eu acho que lembro ver ela andar com alguns dos amigos antigos de Aphrodite, mas eu não tinha nenhuma opinião particular sobre ela. É claro, ela levantar a cabeça ao redor e babar em Erik não estava exatamente me agradando.
Não! Erik não é mais meu namorado. Eu não posso ficar fula com outra garota por ir atrás dele. Eu tenho que ignorar. Talvez eu até tente ser amiga dela e mostrar a todos que eu o superei. Yeah, eu só vou –
— Oi, Z!
Um muito loiro, muito fofo, e muito alto Cole Clifton, que estava saindo com Shaunee (o que também significa que ele é muito corajoso), sussurrou animadamente para mim, quebrando minha tagarelice interior. — Oi — eu disse, dando a ele um enorme sorriso.
— Oh, hey, isso é excelente. Obrigado por se voluntariar, Zoey.
— Huh? — eu pisquei para Erik.
O sorriso dele era frio. Os olhos dele eram um azul gelado. — Você estava falando, então eu assumi que isso significa que você está se voluntariando para ler comigo uma improvisação de Shakespeare.
Eu engoli. — Oh. Bem. Eu — Eu comecei a tentar implorar a não fazer o que diabos que seja uma improvisação de Shakespeare, mas quando o riso frio dele ficou zombador, como se estivesse esperando que eu amarelasse como uma abobada, eu mudei de ideia. Erik Night não ia me embaraçar e me gozar o semestre todo. Então eu limpei a garganta e me ajeitei na minha cadeira. — Eu adoraria ser voluntaria.
A onda rapida de surpresa que alargou aqueles lindos olhos azuis me deram um instante de diversão. Esse instante evaporou assim que ele disse, — Ótimo. Então venha aqui e pegue uma cópia da sua cena.
Ah, droga droga droga!
— Muito bem. — Erik e eu paramos no palco e olhamos para a turma de teatro. — Como eu estava explicando antes de Zoey chegar tarde e me interromper, improvisação com Shakespeare é um grande jeito de exercitar suas habilidades de caracterização. É incomum, sim, porque Shakespeare normalmente não é improvisado. Os atores falam o mais perto possível as palavras, e é por isso que mudar uma famosa cena pode ser interessante. — Ele apontou para o roteiro que eu segurava nervosa com minha mão suada. — Esse é o começo da cena entre Otelo e Desdemona –
— Vamos fazer Otelo? — eu surtei, sentindo meu estômago se apertar e ficar nauseada. Foi o monólogo de Otelo que Erik recitou para mim com os olhos e uma voz de amor na frente da escola toda.
— Sim. — Os olhos dele encontraram os meus. — Você tem um problema com isso?
Sim! — Não — eu menti, — só fiquei curiosa, só isso. — Oh, Deus! Ele iria me fazer melhorar uma das cenas de amor em Otelo? Eu não sabia dizer se meu estômago estava ficando mais enjoado a cada segundo porque eu queria isso ou porque eu não queria.
— Ótimo. Então você conhece a história da peça, certo?
Eu acenei. É claro que eu conhecia. Otelo, o Mouro (ou seja, um cara negro), casou com Desdemona (uma garota extremamente branca). Eles estavam muito apaixonados até que Iago, um cara invejoso de Otelo, decidiu fazer parecer que Desdemona estava traindo Otelo. Otelo acabou estrangulando Desdemona. Até a morte.
Ah, merda.
— Ótimo — ele repetiu. — Então a cena que vamos melhorar é o fim da peça. Otelo vai confrontar Desdemona. Vamos começar lendo as falas de verdade. Eu as copiei num script para nós. Quando eu perguntar se você rezou, essa é sua deixa para improvisar. Tente ficar próxima a trama, mas faça ela funcionar na linguagem de hoje. Entendeu?
Infelizmente, eu entendi, — Sim.
— Muito bem. Vamos começar.
E então, como eu assisti muitas vezes antes, Erik Night entrou no personagem e de alguma forma se tornou o personagem. Ele virou para não ter mais que me olhar e começou a dizer as falas de Otelo. Eu notei que ele largou o script e tinha decorado as falas:

Esta é a causa, minha alma;
Não vo-la nomearei, castas estrelas
Esta é a causa! Não quero verter sangue,
nem ferir-lhe a epiderme ainda mais branca do que neve...

Eu juro que ele mudou fisicamente, e embora eu pudesse sentir meus nervos e a mortificação que crescia dentro de mim porque eu sabia que isso estava fadado a se tornar um muito público, e muito embaraçosa cena, eu podia apreciar o talento dele.
Então ele virou para mim e eu mal pude pensar além da batida do meu coração quando ele pegou meus ombros com as mãos.

... de onde o fogo
trazer de Prometeu, para dar nova luz à tua chama. Se tua rosa colher,
é-me impossível o vital crescimento restituir-lhe,
Vou aspirá-la no próprio galho.

Então, me chacoalhando, Erik se curvou e beijou meus lábios. O beijo dele foi grosso e carinhoso – apaixonado com raiva e traição, mas ainda sim parecia que ele não queria afastar os lábios dele dos meus. Ele me deixou sem fôlego. Ele me deixou nauseada. Ele fez minha cabeça girar.
Eu tããããooooo quero ser a namorada dele de novo!
Eu me ajeitei enquanto ele falava as falas que eram a deixa para o começo das minhas.

Chorar preciso lágrimas impiedosas; é celeste meu sofrimento,
pois castiga ao que ama. Vai acordar.

— Quem está aí? Otelo? — Eu olhei do papel para Erik, piscando meu olho e tentado parecer como se o beijo dele tivesse acabado de me acordar.
— Sim, Desdêmona.
Oh, jeesh! Eu não podia acreditar em qual era minha próxima fala! Eu engoli, o que me fez soar sem ar. — Não vindes para o leito, meu senhor?
— Desdêmona, rezastes esta noite?
O rosto bonito de Erik ficou todo tenso e assustado, e eu juro que se não fosse uma atuação eu teria ficado assustada. — Oh, decerto, senhor — Eu li as duas últimas falas do roteiro rapidamente.
— Ótimo. Você vai precisar de uma alma limpa para o que vai acontecer com você hoje a noite!
Ele improvisou, ainda parecendo Otelo que tinha sido levado a um insano ciúmes.
— Qual o problema? Eu não faço ideia do que você está falando. — Improvisar não é tão difícil. Eu esqueci sobre a turma e todos que observavam. Tudo o que eu via era Erik como Otelo, e eu sabia do medo e desolação de Desdemona em pensar perder ele.
— Pense mais! — ele falou entre os dentes cerrados. — Se não tem nada pelo que você se arrepende, você precisa pedir perdão agora. Nada será o mesmo para você de novo, não depois do que vai acontecer hoje à noite.
Os dedos dele estavam se afundando nos meus ombros com tanta força que eu sabia que iria deixar marcas, mas eu não recuei. Eu só continuei a encarar aqueles olhos que eu conhecia tão bem, tentando encontrar o Erik neles que eu esperava que ainda se importasse comigo quando meu esquecido script caiu das minhas mãos.
— Mas eu não sei o que você quer que eu diga! — eu chorei, tentando lembrar que Desdemona não era eu. Ela não era culpada de nada.
— A verdade! — ele disse, os olhos dele parecendo selvagens. — Eu quero que você admita o quanto você me traiu!
— Mas eu não trai! — Eu podia sentir lágrimas saindo dos meus olhos. — Não no meu coração. Eu nunca trai você no meu coração.
O Otelo de Erik fez tudo sair da minha mente – Heath, Stark, Loren. Só havia ele e eu e a necessidade de fazer ele entender que eu não queria trair ele.
— Então seu coração é algo negro e frio, porque você absolutamente me traiu.
As mãos dele começaram a passar dos meus ombros para o meu pescoço, e eu sabia que ele podia sentir meu pulso batendo como um frenético passarinho. — Não! As coisas que eu fiz foram erros! Eu quebrei meu próprio coração, não apenas uma vez mas três.
— Então você quebrou o meu junto com o seu? — Os dedos dele se fecharam no meu pescoço, e eu podia ver que haviam lágrimas nos olhos dele também.
— Não, meu senhor — eu disse, tentando manter alguma parte de Desdemona. — Eu só quero que você me perdoe e –
— Perdoar você! — ele gritou, me interrompendo. — Como eu deveria fazer isso? Eu te amei, e você me traiu com outro cara.
Eu balancei a cabeça. — Foi tudo mentira.
— Você está admitindo que você fez nada a não ser mentir para mim? — Os dedos dele se apertaram ao redor do meu pescoço.
Eu arfei. — Não! Não foi isso que eu quis dizer. Você entendeu tudo errado. O que eu tive com ele foi a mentira. Ele era a mentira. Você esteve sempre certo sobre ele.
— Tarde demais — ele disse travessamente. — Você percebeu tarde demais.
— Não tem que ser tarde demais. Me perdoe e me de outra chance. Não deixe a gente terminar assim.
Eu vi várias emoções passarem pelo rosto de Erik. Eu podia facilmente ver raiva e até odio, mas também havia tristeza e talvez, só talvez, o que parecia ser esperança esperando silenciosamente no quente céu de verão dos olhos azuis dele.
Então de repente a tristeza e esperança sumiram da expressão dele. — Não! Você age como uma vadia, então agora você terá a recompensa de uma vadia.
Com um olhar maluco, ele pareceu ficar ainda mais alto até que ele se elevou por cima de mim. Ele deu um passo mais para perto, tirando uma mão da minha garganta para poder usar aquele braço para me segurar com força contra ele. A outra mão dele era grande o bastante que alcançava quase todo o redor do meu pescoço. Quando ele apertou nossos corpos foram pressionados juntos, e eu senti uma onda de um desejo selvagem por ele. Eu sabia que era errado. Eu sabia que era estranho, mas meu coração estava batendo com mais do que medo e nervos. Eu encarei os olhos dele, sentindo o terror de Desdemona junto com nossa própria paixão, e eu sabia pela dureza do corpo dele que ele estava sentindo a mesma coisa. Ele era Otelo – louco com ciúmes e raiva, mas ele também era Erik – o cara que estava se apaixonando por mim e que ficou tão magoado quando ele me encontrou com outro cara.
O rosto dele estava tão próximo ao meu que eu podia sentir a respiração dele contra a minha pele. O cheiro dele era familiar, e foi essa familiaridade que me fez decidir. Ao invés de me afastar dele ou continuar com o improviso e “desmaiar” nos braços dele para fingir estar morta, eu envolvi meus braços ao redor dele e o puxei para mim, terminando a curta distância entre nossos lábios.
Eu o beijei com tudo dentro de mim. Eu pus toda a minha dor e pesar e paixão e amor por ele nesse beijo, e a boca dele se abriu embaixo da minha, encontrando minha paixão com paixão, dor com dor, e amor com amor.
E então o estúpido sino tocou.

9 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk e eu gritando aqui feito uma doida:
    MAS VOCÊS TÃO NO MEIO DA SALA DE AULA, PO***!!!
    KKKKK
    Morri dps dessa x,x

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  2. vixe...... ta brabo ela acha mais nomorado que a Dilma improvisa declaracoes....kkkkk

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  3. Realmente não quero que ela fique com o Erik... Já faz uns livros que eu me canso das suas atitudes em quase toda cena que ele aparece

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  4. EU AINDA PREFIRO HEAT
    LANNY

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  5. Ah caraio! esses dois uahuah olha, eu apoio a Zoey usar o Erik como muleta até o Stark voltar

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