10 de outubro de 2015

Capítulo 19 - Zoey

Não foi difícil tirar o braço de Stark de cima de mim e sair escondida da cama. Stark estava totalmente apagado. Acho que nem a explosão de uma bomba iria acordá-lo. Mesmo assim, fiquei pensando em como a nova capinha do meu celular era brilhante enquanto eu me vestia e saía do quarto na ponta dos pés. Afinal, uma bomba podia não acordar Stark, mas as minhas emoções em turbilhão provavelmente acordariam.
Felizmente, não havia ninguém por perto. Apesar de estar no meio da manhã, o céu estava com cor de hematoma e havia um aroma de tempestade de primavera. No caminho para o ginásio, percebi que as glicínias plantadas perto do muro da escola estavam brotando com grandes cachos de flores roxas. Então eu espirrei. Sim, tempestades, flores e alergias. A primavera estava chegando a Oklahoma.
Fui até o ginásio passando pelo estabulo e fiz uma pausa no corredor entre os dois prédios, inspirando profundamente o cheiro de cavalo e feno para tentar manter a calma.
Eu só vou ser honesta. Vou magoá-lo mais se eu ficar prolongando isso e o evitando. Heath entenderia.
Eu bufei e dei risada de mim mesma. Não, Heath não entenderia. Ele iria dizer: “A gente pertence um ao outro, amor!”. E ignorar o fato de que eu estava terminando com ele. De novo.
Kalona estava parado sozinho no corredor ao lado da entrada para o porão.
— Zoey, você está acordada a essa hora — ele colocou a mão em punho sobre o coração e se curvou rapidamente.
Eu não o tinha visto mais desde que ele cortou a cabeça de Dallas e saiu voando com os dois novatos se debatendo em seus braços. Ele não parecia diferente em nada. Acho que eu não deveria esperar isso dele. Mesmo assim, não pude deixar de ter uma curiosidade mórbida.
— Oi. E então, como foram as coisas com os dois novatos?
— Como deviam ser.
— Eles já estão... você sabe, mortos?
Kalona deu de ombros, fazendo suas asas enormes farfalharem.
— Eu os deixei no meio da Pradaria de Tallgrass. Com essas nuvens cobrindo o sol, pode ser que eles durem um dia. Mas certamente não vão durar mais do que isso.
— Você vai cuidar dos corpos deles?
Ele balançou a cabeça.
— Os coiotes vão fazer o serviço por mim.
— Isso é muito frio — eu comentei.
— A justiça normalmente parece fria. Isso não é uma característica que Thanatos e eu criamos. Julgar, condenar e fazer justiça não é agradável. Não é neste país que o símbolo da Justiça é uma donzela cega segurando uma balança?
— Ahn, acho que isso não quer dizer que ela seja fria. Acho que isso quer dizer que a Justiça não deve se basear na aparência de uma pessoa ou em que ela é, mas sim nos fatos.
— Não entendo a distinção que você está fazendo.
— Não importa — eu desisti. — Eu estou procurando Aurox. Você o viu?
— É o turno dele de patrulhar o perímetro da escola. Se você sair pela porta da frente do ginásio, ele deve passar por lá em breve.
— Ok, ótimo. Ahn, eu agradeço se você não contar a ninguém que eu estava procurando...
Kalona levantou a mão cortando-me.
— Não vou fazer fofocas para o seu guerreiro.
Eu pensei em corrigi-lo e dizer que não era nada disso, que eu só não queria que os novatos ficassem fofocando sobre mim e Aurox, mas a minha boca não conseguiu formular essa mentira, então eu suspirei e agradeci.
— Sim, obrigada — e então saí apressada.
Também não havia ninguém na parte da frente da escola, e eu encontrei um banco não muito longe da porta do ginásio. Enquanto eu estava sentada esperando Aurox, observei as nuvens carregadas se aproximando e pensei no que Kalona havia dito.
Talvez ele estivesse certo. Julgar os outros não era agradável. Já houve um tempo em que eu teria pensado que julgar os outros era errado, mas eu havia concordado com Thanatos em sua condenação. Acho que eu até concordava com a pena que ela havia determinado. Então, será que isso me tornava hipócrita quando, no final de tudo, eu me senti mal e enjoada? Ou será que isso me tornava humana? Ou será que isso me tornava obtusa demais, impedindo que um dia eu possa ser uma Alta Sacerdotisa decente?
— Zoey? Está tudo bem?
Eu não escutei Aurox se aproximando, então foi um choque desviar a minha atenção das nuvens carregadas e ver os seus olhos com o brilho do luar. Eu pisquei surpresa e me chacoalhei mentalmente, tentando me concentrar de novo e pelo menos fazer a coisa certa.
— Sim, tudo bem. Eu só preciso conversar com você. É uma boa hora?
— Claro — ele fez um gesto na direção do banco ao meu lado.
— Ah, sim, sente-se.
Ele se sentou e eu tentei não me inquietar nem arrancar o meu esmalte.
— Parece que vai chover — eu disse. — E acho que acabei de ouvir um trovão ao longe.
— Há um cheiro de raios no ar — ele concordou.
Eu relaxei um pouco. Aquilo era algo que Heath definitivamente não diria.
— Eu nunca tinha pensado que raios pudessem ter cheiro, mas você provavelmente está certo. Raios e trovões andam juntos.
— Zo, o que está rolando?
Os meus olhos encontraram os dele. Heath estava definitivamente lá dentro.
— Eu não posso beber o seu sangue de novo.
— Mas você quer — ele argumentou.
— Aurox, ninguém tem tudo o que quer.
— Mas isso não é tudo, é apenas uma pequena parte do todo.
— Se eu realmente bebesse o seu sangue, a gente ia fazer amor. A gente provavelmente ia ter um Imprint. Isso não seria uma coisa pequena para mim, nem para você, nem para Stark.
— Então é Stark. É por causa dele que você não quer ficar comigo — Aurox afirmou.
— Não. É por minha causa. Eu não posso ficar com dois caras ao mesmo tempo.
— E você não vai trocar Stark por mim porque eu não sou Heath.
— Eu não vou trocar Stark por você porque eu já sou comprometida com ele — eu disse com firmeza.
— É porque eu não sou bom o suficiente para você... por causa do modo como eu fui criado... por causa do que eu posso ser.
Coloquei a minha mão na dele.
— Não, Aurox. Por favor, não pense isso. Você não tem culpa de nada disso, e eu nem penso nisso quando estou com você.
— No que você pensa?
 Eu sorri, apesar de estar triste, e continuei a falar a verdade para ele:
— Penso em como estou feliz por você estar aqui. Também penso que você e Heath formam uma boa dupla.
— Você sabe que a gente te ama — ele disse.
— Eu sei — falei baixinho e tirei a minha mão da dele. — Sinto muito.
— E como vai ser agora?
— Vamos ser amigos — eu afirmei.
— Amigos — a palavra soou tão sem emoção quando ele repetiu.
— Sim, e Stark não vai mais agir feito um louco perto de você — eu garanti.
— Zo, isso porque ele não tem nenhuma razão para agir assim — Aurox se inclinou, deu um beijo na minha bochecha e então, parecendo completamente derrotado, disse: — Você pode avisar Kalona que vou conferir o perímetro da escola de novo?
— Sim, claro... — eu falei enquanto ele saía correndo na direção do muro de pedra da escola.
Eu me levantei, sentindo-me pesada e muito, muito cansada. Bem, eu falei a verdade para ele, mas foi péssimo. Tentei não pensar em nada a não ser em dormir, porque a última coisa que eu queria era que Stark acordasse e perguntasse por onde eu andei e o que tinha feito com que eu me sentisse tão mal. Voltei pelo mesmo caminho até o ginásio e pelo corredor que dava na entrada do porão. Kalona não estava lá. Eu suspirei e olhei dentro do ginásio. Ele também não estava lá. Imaginando que ele estava no porão para dar uma conferida rápida nos garotos adormecidos, eu caminhei sem fazer barulho na direção da escada.
— Sim, andei observando Zoey como eu disse que faria.
Quando eu escutei meu nome, parei porque fiquei surpresa. A voz veio da área do estabulo, da porta meio aberta que separava o corredor entre o ginásio e o celeiro.
— E...? Que merda, será que eu tenho que te perguntar tudo?
Então eu percebi quem estava falando sobre mim e me aproximei lentamente, sem acreditar no que ouvia.
— E as cores dela ficaram muito loucas durante o funeral. Mas eu acho que sei por quê. Não tem nada a ver com ela perder o controle do seu temperamento ou dos seus poderes.
— Shaylin, estou perdendo a paciência. Conte logo o que você viu, só isso.
Houve uma longa pausa. Escutei Shaylin soltar um suspiro, e então gelei por dentro quando a Profetisa falou para Aphrodite:
— E vi Zoey olhando para Aurox. Muito. As cores dela estavam loucas. Isso me fez pensar... Então quando ela e Aurox foram até o refeitório depois do círculo, eu os segui.
— Caraca, Shaylin! Você não é uma Profetisa, você é uma superespiã! — Aphrodite exclamou, rindo. — Diga que Z. e o menino-touro se pegaram.
Mordi o lábio para não gritar.
— Quase. Os dois definitivamente estão atraídos um pelo outro. Ela sugou o sangue do dedo dele.
— Para Zoey, isso é praticamente a mesma coisa do que se pegar. Caramba! Isso é muito parecido com o que eu vi. Então deixe-me adivinhar, as cores dela ficaram loucas? Indicando confusão, frustação e irritação?
— Exato. Principalmente depois que ela...
Eu já tinha ouvido o bastante.
— Calem a boca! — eu gritei. A pedra da vidência no meu peito estava ardendo tanto quanto o meu rosto vermelho. Eu abri a porta com força, fazendo com que ela batesse contra a parede.
— Oh-oh — Aphrodite disse.
— Zoey! Não é o que você está pensando! — Shaylin saiu na defensiva, afastando-se de mim quando eu entrei no aposento.
— Sério? Como isso não é o que estou pensando, se eu acabei de ouvir você contar a Aphrodite que andou me espionando!
Eu não pensei. Eu reagi. Segurando a pedra da vidência ardente, levantei a outra mão e pensei como eu queria tanto que Shaylin caísse no chão.
Uma bola de fogo azul saiu da minha mão e derrubou Shaylin. Ela caiu de costas, ofegante e chorando.
Não liguei para o choro dela. Eu me senti bem em fazer com que ela caísse de bunda no chão. Shaylin mereceu.
— Pare! Agora! — Aphrodite entrou na minha frente.
Eu franzi os olhos.
— Você estava falando sobre mim pelas minhas costas!
— E eu vou explicar por que em um segundo. Primeiro, você precisa cair em si. Controle essa merda louca que está rolando com você e acalme-se. Agora. — Ela olhou sobre o ombro para Shaylin. — Volte  para o porão.
Ainda chorando, Shaylin se levantou com dificuldade e passou correndo por mim.
— E então, o que ela é, a sua pequena Profetisa particular?
 Em vez de me responder, Aphrodite observou Shaylin indo embora. Então ela colocou as mãos nos quadris e me encarou.
— Sério? Você quer falar merda para mim depois de usar essa maldita pedra para machucar Shaylin? Você perdeu completamente a cabeça.
— Pedra? — eu pisquei surpresa para ela e então olhei para o meu peito, percebendo que eu estava segurando a pedra da vidência com tanta força que ela estava fazendo a palma da minha mão doer. Assim que eu senti a dor, a pedra se resfriou. Eu a soltei. Sentindo-me confusa, tentei manter o foco no que tinha me irritado: Shaylin espionando a cena entre mim e Aurox. — Eu não estou falando sobre a pedra e não estou falando merda. Quero saber o que você pensa que está fazendo para mandar que eu seja seguida por aí.
— Eu tive uma visão. Era do seu ponto de vista. Você estava fazendo algumas coisas que Shaylin viu você fazer com Aurox.
— Quando você teve essa visão?
— Uns dias atrás. Não importa. O que importa é que...
— Não importa que você tenha escondido de mim uma visão sobre mim por dias?
— Não, o que importa é o motivo. Foi porque também eu vi você perdendo o controle sobre o seu maldito temperamento, sem conseguir controlar essa maldita pedra. E foi exatamente isso o que acabou de acontecer.
— Não, não foi isso o que acabou de acontecer. Eu controlei a maldita pedra. Eu quis derrubar Shaylin, e a pedra fez exatamente o que eu queria.
Aphrodite balançou a cabeça de um lado para o outro.
— Você prestou atenção no que está dizendo? Claro, você deveria ficar irritada com o que acabou de ouvir. Mas a Zoey normal nunca ia querer machucar Shaylin. Aliás, a Zoey normal também nunca falaria “merda” ou “maldita”.
— A Zoey normal nunca ia imaginar que uma das suas melhores amigas ia ficar falando dela pelas costas e mandando espioná-la.
— Eu ia te contar sobre a visão. Eu ia te contar sobre Shaylin. Eu só precisava esperar o momento certo — Aphrodite argumentou.
— Quer saber, Aphrodite? O momento certo não era depois de você falar sobre mim e me espionar. Ah, que se dane. Tô fora — comecei a me afastar dela, mas Aphrodite entrou na minha frente de novo.
— Z., tem mais coisas rolando aqui do que apenas o fato de você estar irritada comigo. Acho que a magia antiga esta afetando você, e não de uma forma boa. Nós precisamos conversar sobre isso. Você tem que me deixar contar o resto da minha visão.
— Estou tão cansada de ouvir o que eu tenho que fazer. Saia da frente, Aphrodite — o meu peito estava ardendo quando forcei a passagem.
Ela cambaleou para trás, fazendo uma exclamação de choque. Eu não me importei. Já estava cheia dela.
Eu não sabia para onde estava indo. Só sabia que eu tinha que ir. Se eu estivesse com as chaves do meu Fusca, teria dirigido até a casa de Vovó, mas as chaves estavam lá no meu quarto e eu não queria ver Stark naquela hora e contar a ele porque eu estava tão perturbada. Que inferno, se aquilo não tivesse sido durante o dia, eu já teria trombado com Stark, graças à ligação idiota que a gente tinha.
Eu precisava de tempo. Eu precisava de espaço. Eu sentia como se a raiva estivesse fervilhando embaixo da minha pele. Eu não podia fugir disso porque eu não podia fugir de todo mundo me irritando e me dizendo o que fazer. Eu precisava pensar sem ficar sendo incomodada constantemente com chatices!
Mudei de direção, afastando-me dos dormitórios, até chegar ao muro que circundava a escola. O muro que Aurox patrulhava. Que droga! Eu também não queria vê-lo.
Foi então que eu decidi mandar pro inferno os policiais e a sua prisão domiciliar. Eu não tinha matado o prefeito e, se eu precisava dar uma volta fora do campus, eu ia dar uma volta fora do campus! Comecei a correr para a parte leste do muro, onde havia uma passagem escondida, que eu sabia que não ficava muito longe dali.


Shaylin

Shaylin tentou parar de chorar. Ela não era uma chorona. Ela estava acostumada a não sentir pena de si mesma. Mas desta vez era diferente. Primero, aconteceu aquela coisa horrível com Dallas e os dois novatos. Ela sabia o que ia acontecer. Shaylin tinha visto a morte deles nas cores de Thanatos. E ela havia ficado de boca fechada e acreditado que Thanatos estava fazendo a coisa certa.
Depois Shaylin fez exatamente o contrário: ela tinha aberto a boca e fofocado sobre os assuntos pessoais de Zoey porque sentiu que estava fazendo o certo. Bem, Shaylin também tinha sentido que estava se encaixando na House of Night e fazendo um bom trabalho com o seu dom.
Mas isso não podia ser verdade, pois ela se sentiu péssima depois que Dallas foi morto e que a caloura mais poderosa do mundo a fez cair de bunda no chão.
Ela tinha se atrapalhado totalmente. Duas vezes.
Shaylin se encolheu no canto escuro do porão onde ela tinha montado a sua cama. Ela se sentou com os joelhos dobrados e o seu travesseiro em cima deles. Ela pressionou o rosto contra a fronha macia para abafar o choro. Mas ela não precisava ter se preocupado. A maioria dos novatos vermelhos dormia durante o dia como se estivessem mortos.
Era isso o que eu devia estar fazendo também, ela repreendeu a si mesma. Eu devia estar dormindo, e não falando com Aphrodite sobre Zoey. Agora elas estão bravas uma com a outra e também comigo! Eu nunca vou entender essa coisa de Profetisa.
Shaylin não pensou no fato de que Aphrodite aparentemente estava certa em relação ao problema do controle de raiva de Zoey. Naquele momento, não importava que Aphrodite estivesse certa. Naquele momento, só o que importava era que o mundo dela – e os seus amigos – estavam entrando em colapso.
— Ei, Shaylin, o que aconteceu?
Abafando o choro, Shaylin levantou o rosto e viu Nicole em pé ao seu lado, esfregando os olhos, com o cabelo desgrenhado, como se ela fosse uma sonâmbula.
— Na-nada. E-eu estou bem — ela sussurrou e então enxugou o rosto na fronha, forçando-se a parar de chorar.
Nicole sentou ao lado dela.
— Não, você não está bem. Você está se acabando de chorar.
— Shhh — Shaylin pediu silêncio a ela e olhou em volta para conferir se todo mundo ainda continuava dormindo. — E-eu estou bem.
Nicole se aproximou mais dela, de modo que os seus ombros se tocaram, e sussurrou:
— Fique tranquila. Ninguém vai ouvir. Conte o que aconteceu.
Shaylin enxugou os olhos de novo e então falou em voz baixa:
— Eu acho que me atrapalhei usando a minha Visão Verdadeira.
— Ei, você é boa usando a sua Visão. Você viu que eu mudei — Nicole sorriu para ela. — Você devia confiar mais em si mesma.
— Eu devia aprender quando é hora de abrir a minha boca idiota e quando é a hora de manter a minha boca idiota fechada — Shaylin afirmou.
Ela enfiou a mão dentro da sua bolsa, pescou um lenço de papel amassado e assoou o nariz.
— Você não é idiota.
— Se você soubesse que Thanatos ia mandar Kalona cortar a cabeça de Dallas, teria dito alguma coisa?
Nicole fez uma careta.
— Você não pode me perguntar isso. Não consigo ser imparcial em relação a Dallas.
— Você ainda o ama?
Nicole balançou a cabeça rapidamente.
— Não, esse é o ponto. Eu nunca o amei de verdade, e eu sabia como ele era perigoso. Então eu não posso ser imparcial em relação à sua morte.
Enquanto a ouvia, Shaylin deu um pequeno soluço. Nicole colocou o braço ao redor dela.
— Se você está mal por causa do que aconteceu com Dallas, não fique.
— Não foi só por isso, apesar de isso ter sido ruim. Eu falei com Aphrodite sobre as cores de outra pessoa, e eu devia ter ficado fora disso.
— Mas Aphrodite também é uma Profetisa. Ela é meio maldosa e louca, mas ainda assim é uma Profetisa. Acho que é normal uma Profetisa conversar com outra sobre coisas como a sua Visão Verdadeira.
— Eu também pensava isso. Agora não tenho tanta certeza. Eu queria saber exatamente qual é a coisa certa a fazer.
— Acho que várias vezes não há uma única coisa certa a fazer em determinadas situações.
Shaylin levantou os olhos para Nicole.
— Você é muito inteligente.
— Que nada, é só que eu já cometi um monte de erros — Nicole sorriu para ela. — Mas agora eu não errei. Consegui fazer você parar de chorar.
Shaylin tentou sorrir.
— Conseguiu mesmo. Obrigada. E, aproveitando, as suas cores se tornaram muito bonitas.
— Viu só, se você acha que as minhas cores são bonitas, isso prova que você é uma grande Profetisa.
Shaylin estava sorrindo para Nicole quando a novata se inclinou devagar e a beijou nos lábios com delicadeza. Shaylin congelou e arregalou os olhos de choque. Então Nicole se afastou dela e rapidamente tirou o braço do ombro de Shaylin.
— Desculpe — Nicole sussurrou. Mesmo na escuridão do porão, Shaylin percebeu que o rosto de Nicole ficou vermelho. — Não sei por que eu fiz isso. Sinto muito.
Shaylin continuou olhando para ela, observando a beleza suave das suas cores e sentindo ainda o calor macio dos seus lábios.
— Não precisa se desculpar — então ela colocou os braços em volta da cintura fina de Nicole, encostou a cabeça no ombro dela e disse: — Você fica comigo e me abraça?
Nicole colocou o braço de volta nos ombros dela.
— Shaylin, querida, eu fico com você para sempre se você quiser.

6 comentários:

  1. Não entendi o porque de Aphrodite ter escondido a visão de Zoey. Sim, do ponto de vista dela, era a sua intuição. Mas foi exatamente isso - o fato de ela ter escondido a visão - que resultou na reação de Zoey. Ver as cores dela é uma coisa já bem privativa, nas espioná-la? Shaylin não fez por mal, mas... Bem, ainda não entendo o objetivo da autora com isso.

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  2. pera deixa eu ver se entendi parece q ta vai sair um casal ai é isso? Nicole e Shaylin..heheh

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  3. Pelo o que eu entendi até agora Madallyn, é que se Afrdit falasse algo a ira de Zo. seria bem pior. Só mais uma coisa Erik, o garanhão, vai perder para uma garota???!!!

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