11 de outubro de 2015

Capítulo 19 - Neferet

— Às vezes não posso deixar de me perguntar por que tenho o desejo de ser adorada pelos seres humanos — Neferet ergueu os lábios em um sorriso de escárnio quando olhou para baixo do mezanino para o rebanho de pessoas que Kylee havia ordenado que se reunissem no salão de festas. — Gordos, feios e mal vestidos. Aposto que o seu sangue tem gosto de ociosidade. Kylee, você está completamente certa de que estes são todos?
— Deusa, estas são todas as pessoas que Lynette tinha em sua lista na coluna intitulada “pouco atraente e nenhuma habilidade”.
Neferet se virou para a garota, apoiando-a contra a coluna de mármore e levantando-a pelo pescoço, de modo que ela engasgou em busca de ar e se contorceu como um peixe fora d'água.
— Eu disse que nunca mais quero ouvir o nome dessa mulher ser pronunciado em minha presença novamente!
Os olhos de Kylee se arregalaram e seu rosto começou a mudar de cor. Neferet observava, fascinada pela aproximação da morte, quando a cabeça do filamento das Trevas que possuía a humana começou a emergir de sua boca. A Deusa soltou seu domínio sobre a menina, permitindo que ela deslizasse para o chão enquanto engolia o ar e a gavinha, que desapareceu dentro dela novamente.
— Você está certo, minha criança. Não seria bom perder um de vocês por causa do erro de um humano — ela olhou para Kylee. — Eu perdoo você. Não deixe que isso aconteça novamente. Agora, sirva-me outra garrafa de vinho, enquanto meus filhos e eu abatemos nosso rebanho.
Neferet ignorou Kylee quando ela se arrastou para longe. Ela se agachou e acariciou os filamentos que ainda se agarravam a ela, fracos e feridos por serem arrasados pela parede de fogo.
— Eles se atreveram a me aprisionar. Eles vão pagar! Eu juro. Para cada um de vocês que eles prejudicaram, vou sacrificar uma centena deles. E vocês podem escolher se os sacrifícios serão humanos, novatos ou vampiros — Neferet acariciou os filamentos feridos e cantou para eles. — E quando eu destruir o imortal alado, todos vocês festejarão com seu sangue — ela se levantou e apontou para o grupo de humanos nervosos amontoados no meio do salão. — Até então, aqueles que foram feridos, alimentem-se deste rebanho e restaurem-se.
Os filamentos chamuscados se moveram lentamente. Seus assassinatos foram um pouco estranhos. Faltavam-lhes os belos fios de navalha, os membros severamente decepados, com os quais os seus filhos saudáveis matavam. Irritantemente, a gritaria continuou e continuou.
Palpitantes ao redor dela, ansiosos para serem soltos e juntarem-se à agitação da alimentação, seus filhos ilesos pulsavam e latejavam.
— Sejam pacientes, como eu. Vocês também serão alimentados.
Em seguida, o primeiro dos seres humanos morreu, e Neferet fechou os olhos, concentrando-se na corrente de poder que sentiu quando absorveu a energia, pensando: Ociosos ou não, eles nos alimentam e nos renovam. Eles não são sacrifícios dignos; são sacrifícios necessários.
Kylee voltou com uma nova garrafa de vinho quando o último do rebanho parou de respirar.
— Ah, excelente timing. Vou retirar-me para a minha cobertura.
— Sim, Deusa.
— Bem, então, dê-me a garrafa e volte para a seu balcão de recepcionista e aguarde o meu próximo comando.
Kylee obedeceu imediatamente, e quando Neferet entrou no elevador para sua cobertura sozinha, a Deusa balançou a cabeça em desgosto. Ela não toleraria ouvir o nome de Lynette em voz alta, mas isso não mudava o fato de que nenhum desses seres humanos poderia tomar o lugar dela.
Irritada, Neferet saiu do elevador, atravessou sua cobertura impecável e foi para a ampla varanda de pedra.
A noite estava clara e fria. Ela se aproximou da balaustrada de pedra com cautela. Lentamente, Neferet estendeu a mão. Quando se aproximou da borda da barreira, o ar começou a brilhar vermelho, chamuscando seus dedos.
Gritando com raiva, ela arremessou a taça de vinho na abominação.
— Traidores! Traidores! Vocês não vão me enjaular! — desimpedida, a taça voou através da barreira para quebrar muito abaixo na rua.
Enfurecida, Neferet caminhou ao redor do balcão, tomando o cuidado de ficar longe da balaustrada. Poder emanava em torno e através de Neferet. Que ironia era! Ela estava em seu estado mais poderoso, e ainda assim estava presa.
Deve haver uma maneira de sair desta prisão, ela argumentou quando voltou para dentro de sua cobertura para substituir a taça ausente e se servir de uma dose de vinho. Mesmo o traidor do Kalona encontrou uma maneira de desviar do juramento que o ligava ao meu comando. Quebrar esse muro deve ser mais simples do que quebrar um juramento.
A voz de Kalona zombou dela quando a cena ecoou de sua memória.
O imortal alado não tinha sequer se preocupado em virar para olhar para ela. Ele falara por cima do ombro: “Sim, eu me lembro. Lembro-me também que você não pôde manter-me ligado a você.”
Traidor, bastardo perjuro! A memória de Neferet mudou, repetindo a noite na qual ela o descobriu gravemente ferido da cólera de Zoey para se proteger, mas ainda egoísta e ambicioso o suficiente para acordar, obedecê-la e sujeitar-se ao juramento que ela tinha evocado: Se você, Kalona, Guerreiro Caído de Nyx, fracassar em sua promessa de destruir Zoey Redbird, novata Grande Sacerdotisa de Nyx, eu dominarei seu espírito enquanto você for imortal.
Kalona não tinha conseguido destruir a novata, embora tivesse de alguma forma quebrado seu juramento com ela. Tentando afogar a indignidade da memória, Neferet levou a taça aos lábios e a realização lhe bateu com tanta força que a mão convulsionou e a taça caiu no chão, enviando vinho e estilhaços de cristal por todo o seu chão de mármore. Kalona não quebrou seu juramento. O juramento não podia prendê-lo porque suas condições deixaram de ser aplicadas.
— Aquele idiota! Ele me mostrou o caminho para a sua própria destruição.
Neferet ignorou o vidro que cortou seus pés e os filamentos das Trevas que lamberam a poça de sangue. Ela era imortal, cortes e sangue pouco significavam para ela.
Ela pegou o telefone e discou o número de recepção.
Kylee atendeu ao primeiro toque.
— Como eu posso servi-la, Deusa?
— Envie Judson para mim. Acredito que ele possa me ajudar com uma pequena questão, e você poderá me ajudar com outra. Lembro que aquela mulher fez anotações específicas relativas às personalidades dos mais atraentes entre meus adoradores, seus gostos e desgostos?
— Sim, Deusa. Aquela mulher tomou notas sobre todos que ela pensou que você poderia valorizar.
— Excelente! Vá olhar as listas e encontre o mais bonito dos meus suplicantes.
— O mais bonito, Deusa?
— Sim, Kylee. Você está tendo dificuldade em entender o inglês?
— Não, não, Deusa.
— Bom. Em seguida, faça o que digo. Traga-me dos meus suplicantes os que aquela mulher marcou como os mais bondosos, aqueles cujas intenções são sempre boas.
— Será como você ordenou, Deusa.
— Claro que será. Mas não traga essas pessoas para mim ainda. Preciso falar com Judson primeiro. Ele vai avisá-la quando eu estiver pronta para receber meus suplicantes mais bondosos. Nessa hora, quero você e todos os membros masculinos da minha equipe para escoltar o grupo para a minha cobertura.
— Sim, Deusa.
Neferet desligou o telefone. Sua risada vitoriosa se misturou com o cheiro e gosto de seu sangue, e seus filhos se alegraram.


Aphrodite
— Sério, Z, você tem que parar com isso de interromper o coito. Isso está me dando nos nervos — Aphrodite desembaraçou-se de Darius, endireitou suas roupas, mas não saiu do colo dele.
— Você não estava fazendo isso. Ainda. Portanto, não é tecnicamente coito interrompido — disse Stark.
— Como é mesmo que você sabe do que ela está falando? — Z perguntou a ele.
— The Big Bang Theory — Stark sorriu seu ridículo sorriso arrogante para Zoey. — Agora quem é o idiota?
— Oh, pelo amor de Deus, vocês dois são idiotas.
— Oh, acho que eu entendi — disse Zoey, e suas bochechas ficaram rosadas. — Uh, desculpe. Stark e eu só queríamos ter alguns minutos para nós. Não achamos que alguém estaria nesta parte do campus. Você sabe, perto demais do Templo de Nyx para os humanos passearem por aqui, bastante longe dos muros para Aurox ou Kalona a patrulharem.
— E muito perto do amanhecer para novatos barulhentos vagarem em torno. Sim, exatamente o que Darius e eu pensamos, também — Aphrodite disse.
— Grandes mentes pensam da mesma forma, minha bela — disse Darius, puxando ambos de forma que houvesse espaço no cobertor. — Vocês querem se sentar com a gente?
— Uma vez que já interromperam nossos planos — Aphrodite murmurou.
— Isso seria ótimo — Zoey respondeu, sentando-se ao lado de Stark, de mãos dadas. — Sinto como se não tivesse dado uma pausa desde que comemos depois do ritual.
— Os humanos dão muito trabalho — Darius concordou.
— E há muitos deles — Aphrodite estremeceu delicadamente.
— Eu queria que Vovó estivesse aqui. Ela sabe como lidar com grandes grupos de pessoas. Ela faria todos eles tecerem ervas e bater tambores — Z falou.
— Bem, ouvi Lenobia dizer algo sobre bater, mas tenho a maldita certeza de que não eram tambores que ela tinha em mente — Aphrodite falou, esfregando uma dor de cabeça que tinha apenas começado em sua testa.
— Sim, ela está chateada por eles estarem tão perto dos cavalos. Ela e Travis estão se desdobrando para manter as crianças fora dos estábulos — Stark revelou.
— Eu nunca deveria ter dito para aquelas mamães que os vampiros da House of Night não querem comê-los. Deveria ter dito que todos nós queríamos comê-los, por isso era melhor eles engolirem seus remédios para ansiedade e ficarem quietos — Aphrodite falou, desejando que a maldita dor de cabeça fosse embora. — Eu até ouvi Damien quase perder a paciência quando algum moleque perguntou se podia ver suas presas seis vezes após a Rainha Damien já ter explicado, pacientemente que vampiros reais não têm presas.
Zoey estava rindo quando Aphrodite percebeu que sua dor de cabeça estava fazendo sua visão ficar desfocada e estreita. Ela só teve tempo de alcançar Darius quando a visão caiu sobre ela.
Aphrodite estava no céu, olhando para uma parede de nuvens que passava por Tulsa. Era noite, mas os relâmpagos no céu piscavam tantas vezes que iluminavam todo o horizonte. Nyx, eu não quero ser uma vaca, mas Tulsa pode assistir Travis Meyer e The News no canal 6 para ter um boletim meteorológico. Não é preciso ter uma visão de guia Okies sobre o mau tempo – estamos tranquilos com isso.
A cena mudou, focando no centro da cidade, e algo caiu do céu. De repente Aphrodite não era mais uma mera observadora. Ela estava dentro do corpo quando ele caiu, arremessado terra abaixo. Ela tentou fazer suas asas funcionarem (asas?), mas elas não quiseram obedecê-la. Tentou se erguer, mas o choque de bater no chão reverberou por todo o seu corpo, quebrando seus ossos. Ofegante, mas incapaz de puxar o ar, e enfraquecida, ela encarou seu corpo pasma. Havia um buraco sangrento onde seu coração deveria estar, e suas asas quebradas estavam inúteis, sua cor negra como de um corvo ficou vermelha quando o sangue de sua vida escoou de seu corpo.
Não, ela pensou quando a mente que ela habitava perdeu a consciência. Não é o meu corpo. É o corpo de Kalona!
“Avise-o, para que ele possa escolher livremente...” a voz da Deusa a arrancou do corpo moribundo de Kalona e foi seu canal para voltar para si mesma.
— Aphrodite! Fale com a gente! Aphrodite! — Zoey estava segurando a mão dela.
Ela não podia vê-la, é claro, porque seus olhos estavam cheios de sangue, mas sabia que Z estava lá. Assim como sabia que os braços de Darius estavam ao seu redor e Stark estava de pé, de modo protetor sobre eles.
— Kalona — ela engasgou. — Vocês têm que me levar para Kalona.
— Você precisa de água e da sua cama — Zoey respondeu, sua voz soando instável. — E nós precisamos limpar todo esse sangue.
Aphrodite sabia que era ruim. Podia sentir a umidade quente que escorrera pelo seu rosto e era absorvida por sua camisa. Ela ignorou e apertou com força a mão de Z.
— Depois. Levem-me para Kalona agora.
— Ele está andando em algum lugar do perímetro. Vou encontrá-lo — Stark falou.
— Vou levá-la para o Templo de Nyx. É o prédio mais próximo daqui — disse Darius.
— E eu vou ficar com ela — disse Z, ainda segurando a mão dela apesar de Darius ter se levantado e já estar em movimento.
— E eu só vou deitar aqui e sonhar com o Xanax e o vinho que esperam por mim — Aphrodite falou, descansando a cabeça no ombro forte de Darius, mantendo os olhos fechados com força contra a dor dilacerante.


Kalona
— Kalona! Você tem que vir comigo. Aphrodite precisa de você agora!
Gritando, Stark correu até Kalona quando ele e o detetive Marx faziam uma varredura pelo perímetro e discutiam opções de habitação em face do aumento no número de seres humanos que buscavam refúgio na House of Night.
Kalona desfrutava da companhia de Marx e do seu senso de humor, sentindo-se renovado e bem descansado após passar um tempo no telhado do Templo de Nyx.
O semblante de Stark mudou tudo.
— Houve uma brecha na segurança do campus? — Marx questionou.
— Não, Aphrodite teve uma visão. Ela diz que tem que conversar com Kalona.
— Eu irei até ela — Kalona saiu correndo.
— Espere! — Stark chamou atrás dele. — Ela não está em seu dormitório. Ela está no Templo de Nyx.
Essa notícia não serviu para dissipar o mau presságio que Kalona estava começando a sentir, porém ele mudou de direção e correu para o Templo de Nyx, com Stark e o detetive fazendo o seu melhor para segui-lo.
Ele tentou não hesitar na porta do Templo da Deusa. Queria seguir confiante de que Nyx o autorizaria, mas sua mão tremeu quando ele tocou a maçaneta da porta de madeira arqueada.
Ele fez uma pausa.
Stark quase passou por cima dele.
— O que você está esperando? — o garoto abriu a porta e correu para dentro.
Kalona prendeu a respiração e o seguiu.
A porta não virou pedra, nem se fechou contra ele. Nyx lhe permitiu entrar.
Agora junto de Stark, Kalona passou pelo saguão e entrou no coração do Templo da Deusa. O aroma das velas de baunilha e de lavanda misturava-se com o cheiro metálico de sangue fresco.
Aphrodite estava sobre a mesa antiga que trazia uma requintada estátua de Nyx. Darius sentava-se à mesa embalando a cabeça dela em seu colo. Zoey estava arrumando uma camiseta molhada sobre os olhos de Aphrodite, que ainda chorava sangue.
— Oh meu Deus! — Marx entrou apressado no Templo. — Ela está chorando lágrimas de sangue.
— Eu não estou chorando. Estou tendo uma visão. Grande diferença — Aphrodite virou a cabeça cegamente como se estivesse escutando. — Kalona? Você está aqui?
Aphrodite tendia a divertir e irritar Kalona alternadamente. Ele nunca entendeu por que Nyx tolerava a atitude dela, que sempre parecia beirar a blasfêmia. Mas, quando ele se aproximou dela, um profundo sentimento de reverência apoderou-se dele. Esta garota é uma verdadeira profetisa de Nyx e, portanto, merecedora do meu respeito.
— Sim, Profetisa, eu estou aqui, em resposta à sua convocação — disse ele, ajoelhando-se ao lado da mesa.
— Bom. Minha visão era sobre você. Na verdade, na minha visão eu era você. E você morreu — ela falou, fazendo uma careta e realocando a camiseta molhada que cobria seus olhos sangrentos.
— Kalona é imortal. Ele não pode morrer — disse Darius.
— Eu sei que você odeia esse tipo de coisa, mas essa visão poderia ser uma de suas visões simbólicas? — perguntou Zoey.
— Ela não pareceu simbólica. Parecia morto. Realmente morto — Aphrodite disse.
— Como eu fui morto? — perguntou Kalona.
— Você caiu do céu e tinha um grande buraco sangrento onde seu coração deveria estar. Não tenho certeza do que o matou, o buraco ou a queda. Suas asas estavam quebradas também. De qualquer maneira, você estava totalmente, não simbolicamente, morto.
— Cara, isso soa ruim — Marx comentou. — As visões dela sempre se tornam realidade?
— Ela está aqui, e não, elas não se tornam sempre realidade — Aphrodite respondeu. — O que me leva para o resto da visão. Nyx me disse para avisá-lo — ela fez uma pausa. — A você, Kalona, e não você, Marx, era para eu avisá-lo sobre o que vi para que você pudesse escolher livremente.
O olhar de Kalona passou de Aphrodite para a estátua de Nyx.
— Você tem certeza de que foi a Deusa que falou para mim através de você?
— Foi o que eu disse.
— E você tem certeza de que Nyx disse que lhe foi dada a visão para que eu pudesse escolher livremente?
— Cem por cento. Não é como se esta fosse a primeira vez. Conheço um pouco de Nyx — Aphrodite falou com seu sarcasmo habitual.
— Você sabe por que há sempre velas de baunilha e lavanda acesas nos Templos de Nyx? — Kalona perguntou à Profetisa.
Aphrodite encolheu os ombros.
— Meu palpite é porque elas cheiram bem.
— É porque elas têm o mesmo cheiro que a pele dela — Kalona respondeu. — Veja, Profetisa, conheço um pouco de Nyx também.
— Tudo bem, você me venceu. Mas eu conheço voz dela, e tenho certeza de que foi Nyx quem disse para lhe falar sobre a minha visão para que você pudesse escolher livremente.
Kalona olhou para a estátua quando a mais dolorosa de suas memórias passou por sua mente. Pela primeira vez em incontáveis eras, ele abraçou a memória e a reviveu honestamente.
Ele estava de joelhos diante de Nyx, e chorava. Sua Deusa o assistia, não com uma expressão semelhante à representação de pedra que faltava compaixão, mas com medidas iguais de tristeza e resignação.
“Não faça isso! Você é minha!”
“Eu não faço nada, Kalona. Você tem uma escolha aqui. Dou até aos meus Guerreiros o livre arbítrio, embora eu não os obrigue a usá-lo com sabedoria.”
Em vez de pintar Nyx como vilã, como ele se iludiu em sua memória por tantos séculos, Kalona se obrigou a reviver a cena com sinceridade. Desta vez, ele reconheceu as lágrimas que começaram a escorrer pelo rosto de Nyx e o fato de que era sua própria expressão que endurecera que e a sua própria voz se tornou rancorosa, e não a dela.
“Eu não consigo evitar. Fui criado para sentir isso. Não é o livre-arbítrio. É predestinação.”
“No entanto, como sua Deusa, eu lhe digo que você está não está predestinado. Sua vontade o moldou.”
“Eu não posso evitar o que sinto! Não posso evitar o que sou!” Lembrando a cena honestamente, Kalona encolheu-se com o quanto ele tinha soado como uma criança petulante.
Ele tinha parado de chorar, mas a tristeza de Nyx não podia ser contida. As lágrimas em seus olhos lavavam seu rosto. Com a voz embargada, a sua Deusa havia dito: “Você, meu Guerreiro, está enganado, portanto, deve pagar as consequências do seu erro.”
Então não foi com um movimento impensado de seus dedos que ela o expulsou de seu reino; Foi com pesar, lágrimas e desespero que ela reuniu sua energia divina e arremessou as consequências de sua própria escolha contra ele.
A memória desapareceu, deixando-o no presente, olhando para a bela estátua de Nyx.
— Eu acredito em você, Aphrodite. Esta não é a primeira vez Nyx me pede para fazer uma escolha — ele falou, com a finalidade da sua visão resolvida dentro dele.
— Havia alguma coisa em sua visão que pode nos ajudar a descobrir como Kalona será atacado? — Darius perguntou a ela.
Aphrodite hesitou, depois disse:
— É sempre mais difícil quando estou dentro do corpo da pessoa e essa coisa terrível está acontecendo. Tudo fica atrapalhado, porque o tempo está passando tão rápido e, bem, as coisas terríveis estão acontecendo. Sei que ele estava em Tulsa. E acho que no centro, porque lembro-me de ter visto o horizonte abaixo de mim. Ah, e uma grande tempestade se formava pela cidade.
À distância, um trovão retumbou e os vitrais do Templo de Nyx tremeram quando o vento mudou e aumentou.
— Ah, inferno! — Zoey praguejou.
A memória recém-despertada de Kalona piscou várias outras cenas em sua mente: sua transgressão para o Outromundo... Sua batalha com Stark... A morte de Stark na arena... A intervenção de Nyx e o seu preço: um pedaço de sua imortalidade.
Kalona silenciosamente concordou com Zoey.

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