1 de outubro de 2015

Capítulo 18

Meu livro de Sociologia Vampira 415 estava exatamente onde eu o deixei na prateleira de livros em cima da mesa do meu computador. Era um livro de nível de sênior ou, como chamavam aqui, sextanista. Neferet o tinha me dado logo depois que eu cheguei quando foi óbvio que a Mudança acontecendo no meu corpo estava agindo num ritmo diferente do que dos calouros normais. Ela queria me tirar da aula de sociologia dos terceiranistas e me mudar para a aula mais avançada, mas eu consegui convencer ela do contrário, dizendo que eu já era diferente o bastante, eu não precisava de mais nada para fazer de mim uma aberração maior do que o resto do pessoal aqui. Nosso compromisso era que eu iria ler o livro do nível 415, capítulo por capítulo, e fazer perguntas a ela.
Ok, bem, eu queria fazer isso, mas houveram tantas coisas (assumir as Filhas das Trevas, namorar Erik, trabalhos regulares, e coisas assim), e eu fiz um pouco menos do que olhar para meu livro na prateleira.
Com um suspiro que soava quase tão cansado quanto eu me sentia, eu levei o livro para a cama e me ajeitei com uma montanha de travesseiros. Apesar dos horríveis eventos do dia, eu tive que lutar para manter meus olhos abertos enquanto eu olhava o índice e achava o que eu estava procurando: ânsia por sangue. Haviam várias páginas depois da palavra, então marquei o índice, virando a primeira pagina listada, e comecei a ler. Primeiro eram coisas que eu já tinha descoberto sozinha: quando um calouro entra mais afundo na Mudança, desenvolve o gosto por sangue. Beber sangue passa de ser algo horrível para algo delicioso. Quando um calouro está bem avançado no processo da Mudança, ela pode detectar o cheiro de sangue à distância. Por causa de mudanças no metabolismo, drogas e álcool tem menos efeito nos calouros, e enquanto esses efeitos dissipam, eles irão descobrir que os efeitos de beber sangue aumentam.
— Não é brincadeira — eu disse. Mesmo beber sangue de calouros misturados com vinho tinha me dado um incrível barato. Beber o sangue de Heath foi como fogo explodindo deliciosamente em mim. Eu pulei a leitura. Eu já sabia sobre essas coisas de ser gostoso. Então meus olhos viram uma nova linha, e eu parei na pagina.

SEXUALIDADE E ÂNSIA POR SANGUE
Embora a frequência de necessidade dependa da idade, sexo, e força geral do vampiro, adultos precisam periodicamente se alimentar de sangue humano para permanecerem saudáveis e sãos. É, portanto, lógico que a evolução, e nossa adorada deusa, Nyx, tenha se assegurado que o processo de beber sangue seja prazeroso, tanto para o vampiro quanto para o humano doador. Como já aprendemos, a saliva do vampiro age como um anticoagulante para o sangue humano. A saliva de um vampiro também aumenta as endorfinas enquanto o sangue é bebido, o que estimula a zona de prazer do cérebro, tanto humana quanto vampiro, e pode até mesmo simular um orgasmo.

Eu pisquei e esfreguei minha mão no rosto. Bem, diabos! Não era de se admirar que eu tenha tido uma reação tão vadia ao Heath. Ficar excitada enquanto bebia sangue está programado nos meus genes que estão Mudando. Fascinada, eu continuei a ler.

Quanto mais velho o vampiro, mais endorfinas são liberadas durante o processo de beber sangue, e mais intensas são a experiência de prazer para o humano e o vampiro.
Vampiros especularam durante séculos que o frenesi de beber sangue é o motivo principal dos humanos terem difamado nossa raça. Humanos se sentem ameaçados pela nossa habilidade de trazer a eles um prazer tão intenso durante um ato considerado perigoso e horrível, então eles nos rotularam como predadores. A verdade, é claro, é que vampiros podem controlar sua ânsia por sangue, então há poucos danos físicos para o humano doador. O perigo está no Imprint que frequentemente ocorre durante o ritual de beber sangue.

Completamente enojada, eu virei para a próxima sessão.

IMPRINT
Um Imprint entre um vampiro e um humano não ocorre toda vez que um vampiro se alimenta. Muitos estudos foram realizados para tentar detectar exatamente porque alguns humanos tem Imprint e outros não, mas existem vários fatores determinantes, como ligação emocional, relação entre humano e vampiro pré-Mudado, idade, orientação sexual, e frequência que se bebe o sangue, não há como prever com certeza se haverá ou não Imprint em um vampiro.

O texto continuou falando sobre como vampiros devem ter cuidado quando bebem de um doador vivo, versus pegar sangue dos bancos de sangue, que é um negócio altamente secreto e pouquíssimos humanos estão cientes de que ele existe (aparentemente esses humanos são muito bem pagos pelo seu silêncio). O livro de sociologia franzia em beber sangue dos humanos e havia vários avisos sobre o quão perigoso era ter um Imprint com um humano, e como não só o humano estaria emocionalmente ligado ao vampiro, mas o vampiro também está ligado ao humano. Isso me fez sentar direito. Com um enjoo no estômago eu li sobre como uma vez que o Imprint acontece o vampiro pode sentir as emoções do humano, e em alguns casos pode também/ou rastrear o humano. Então o texto saiu pela tangente falando como Bram Stoker teve um Imprint com uma Alta Sacerdotisa vampira, mas que ele não entendia o comprometimento dela com Nyx que vinha antes do laço deles, e em uma onda de raiva ciumenta a traiu ao exagerar os aspectos negativos de um Imprint com seu famoso livro. Drácula.
— Huh. Eu não fazia ideia — eu disse. Ironicamente, Drácula era um dos meus livros favoritos desde que o li quando tinha 13 anos. Eu pulei o resto da sessão até que veio a parte que eu mordi o lábio enquanto lia devagar.

CALOURO – IMPRINT VAMPIRO
Como discutido no capítulo anterior, devido a possibilidade de Imprint, calouros são proibidos de beber sangue de humanos doadores, mas eles podem experimentar entre si. Foi comprovado que calouros não podem ter um Imprint entre si. No entanto, é possível que um vampiro adulto tenha um Imprint com um calouro. Isso leva a complicações emocionais e físicas quando o calouro completa a Mudança que normalmente não são benéficas para nenhum dos vampiros; portanto, beber sangue entre um calouro e um vampiro adulto é estritamente proibido.

Eu balancei a cabeça, aterrorizada de novo por ter visto sangue sendo bebido entre Neferet e Elliott. Deixando de lado o fato de Elliott estar morto, o que ainda me confundia, Neferet era uma poderosa Alta Sacerdotisa. Não tinha como ela deixar um calouro beber dela (mesmo um morto).
Teve um capítulo sobre como quebrar um Imprint, que eu comecei a ler, mas era muito deprimente. Aparentemente envolvia a ajuda de uma poderosa Alta Sacerdotisa, muita dor física, especialmente por parte do humano, e mesmo assim o humano e o vampiro tinham que ter cuidado para ficar longe um do outro ou o Imprint poderia retornar.
Eu de repente me senti superfadigada. Quanto tempo fazia desde que eu realmente tinha dormido? Mais de um dia. Eu olhei para o relógio. Eram 6:10. Iria começar a amanhecer em breve. Me sentindo dura e velha eu levantei e pus o livro de volta na prateleira. Então abri um lado das pesadas cortinas que cobriram completamente a janela e bloqueavam a luz de fora. Ainda estava nevando, e a luz hesitante que antecedia o amanhecer parecia inocente e cheia de sonhos. Era difícil imaginar que coisas tão horríveis como adolescentes sendo mortos e calouros mortos sendo reanimados pudesse acontecer lá fora. Eu fechei os olhos e inclinei minha cabeça contra a vidraça legal. Eu não queria pensar em nenhuma dessas coisas agora. Eu estava tão cansada... tão confusa... tão incapaz de bolar a resposta que eu precisava.
Minha mente adormecida vagou. Eu queria deitar, mas a janela legal era boa contra a minha testa. Erik voltaria em menos de um dia. O pensamento me deu tanta dor de prazer e de culpa, o que, é claro, me fez pensar em Heath.
Eu provavelmente Imprinted nele. A ideia me assustava, mas também me seduzia. Seria tão horrível ficar emocionalmente e fisicamente ligada a um Heath sóbrio? Antes de conhecer Erik (ou Loren) minha resposta definitivamente seria não, não seria horrível. Agora não era o horror que me preocupava. Era o fato de eu ter que esconder a relação de todos. É claro que eu podia mentir... a ideia passou como uma fumaça venenosa na minha mente super estressada. Neferet e até mesmo Erik sabiam que eu fui posta numa situação um mês atrás em que eu bebi o sangue de Heath – antes de saber qualquer coisa sobre ânsia de sangue e Imprint. Eu podia fingir que Imprinted lá. Eu já tinha mencionado a possibilidade para Neferet. Talvez eu pudesse arranjar um jeito de continuar vendo tanto Heath quanto Erik...
Eu sabia que meus pensamentos eram errados. Eu sabia que ver os dois era desonesto tanto com Erik quanto com Heath, mas eu estava tão dividida! Eu realmente estava começando a gostar de Erik, além do mais ele vivia no meu mundo e entendia os problemas da Mudança e de abraçar uma vida totalmente nova. Pensar sobre terminar com ele fazia meu coração doer.
Mas pensar sobre não ver Heath de novo, nunca provar o sangue dele de novo... me fez sentir como se eu estivesse tendo um ataque de pânico. Eu suspirei de novo. Se isso era ruim para mim, provavelmente era um zilhão de vezes pior para Heath. Afinal de contas, faz um mês desde que o vi, e todo esse tempo ele tem carregado uma lâmina em seu bolso só caso me encontrasse. Ele parou de beber e fumar por causa do que tinha acontecido conosco. E ele estaria ansioso para se cortar e me deixar beber seu sangue. Lembrando, eu tremi, e não por causa da frieza da janela, na qual eu ainda pressionava minha testa. Desejo me fez tremer. O livro de Sociologia tinha descrito as razões por trás da ânsia por sangue em palavras lógicas e imparciais que nem começavam a representar a verdade.
Beber o sangue de Heath era incrivelmente excitante. Algo que eu queria fazer de novo e de novo. Logo. Agora, na verdade. Eu mordi meu lábio para me impedir de gemer enquanto pensava em Heath – a dureza do corpo dele e o incrível gosto do seu sangue.
E de repente enquanto parte da minha mente levantou, como uma sequência tirada de uma grande história. Eu podia sentir aquela parte de mim procurando... caçando... rastreando... até que chegou em um quarto escuro e pairou em cima de uma cama. Eu suguei o ar. Heath!
Ele estava deitado de costas. O cabelo loiro dele estava desarrumado, o fazendo parecer um garotinho. Ok, qualquer um poderia achar que ele era totalmente lindo. Quero dizer, vampiros eram conhecidos por serem incrivelmente lindos e charmosos, e até mesmo um vampiro iria admitir que Heath tinha uma alta pontuação na escala deles de beleza.
Como se ele pudesse sentir minha presença, ele se agitou no sono, virando sua cabeça e chutando para longe o cobertor que o cobria. Ele estava nu a não ser por uma boxer azul que tinha sapos verdes gordos. A visão deles me fez sorrir. Mas o sorriso congelou no meu rosto quando eu notei que eu agora podia ver a linha rosa que passava ao lado do pescoço dele.
Foi onde ele se cortou com a lâmina e me fez sugar o sangue dele. Eu quase podia sentir o gosto de novo – o calor e a riqueza, como chocolate derretido, só que um zilhão de vezes melhor.
Incapaz de me impedir, eu gemi, e no mesmo instante Heath gemeu no seu sono.
— Zoey... — ele murmurou sonhador, e se mexeu inquieto de novo.
— Oh, Heath — eu sussurrei. — Eu não sei o que fazer sobre nós. — Eu sabia muito bem o que eu queria fazer. Eu queria ignorar minha exaustão, entrar no meu carro, dirigir até a casa de Heath, entrar pela janela do quarto dele (não é como se eu não tivesse feito isso antes), abrir a ferida recém fechada em seu pescoço, e deixar o doce sangue dele passar por minha boca enquanto eu pressionava meu corpo contra o dele e fazia amor pela primeira vez na vida.
— Zoey! — Dessa vez os olhos de Heath abriram. Ele gemeu de novo e sua mão foi para o duro calombo em suas cuecas e ele começou a –
Meus olhos abriram e eu estava de volta em meu quarto com minha testa pressionada contra a janela, respirando com dificuldade.
Meu telefone tocou uma música que dizia que eu tinha recebido uma mensagem. Minhas mãos tremiam enquanto eu o abria e lia:

Eu te senti aqui. Prometa me encontrar na sexta.

Eu respirei forte e respondi a Heath com duas palavras que fizeram meu estômago pular de excitação:

Eu prometo.

Eu fechei o telefone e o desliguei. Então, forçando para longe a imagem de Heath com seu corte no pescoço, quente e desejoso, obviamente me querendo tanto quanto eu o queria, eu sai da janela e fui para cama. Inacreditavelmente, meu relógio me dizia que agora eram 8:27. Eu estive parada na janela por mais de duas horas! Não era de se surpreender que meu corpo estivesse tão duro e dolorido. Eu fiz uma nota mental para pesquisar mais sobre o Imprint e a conexão entre humano e vampiro na próxima vez que fosse para o Media Center (que era melhor ser cedo). Antes de eu desligar o abajur eu olhei para Stevie Rae. Ela estava virada de lado, suas costas para mim, mas sua respiração profunda me disse que ela ainda estava dormindo. Bem, pelo menos meus amigos não sabiam o quão viciada por sangue e excitada eu estava me tornado.
Eu queria Heath.
Eu precisava de Erik.
Eu estava intrigada por Loren.
Eu não fazia ideia do que eu ia fazer com a bagunça que minha vida tinha se tornado.
Eu esmaguei meu travesseiro numa bola. Eu estava tão cansada que eu sentia que alguém tinha me drogado, mas minha mente não se calava. Quando acordasse ia ver Erik de novo e provavelmente Loren. Eu tinha que encarar Neferet. Eu iria fazer meu primeiro ritual para um grupo de garotos que provavelmente ficariam felizes por me ver falhar, ou pelo menos me envergonhar miseravelmente, e sempre havia a possibilidade das duas coisas aconteceram. Então tinha a estranheza de saber que eu vi o que só poderia ser o fantasma de Elliott se comportando de um jeito nada de fantasma. Sem mencionar outro adolescente humano que estava morto e parecia cada vez que um vampiro tinha algo a ver com isso.
Eu fechei os olhos e disse ao meu corpo para relaxar e minha mente para se concentrar em algo agradável, como... como... o quão linda a neve era...
Devagar, a exaustão tomou conta e finalmente, agradecida, eu cai em um sono profundo.

10 comentários:

  1. afff ta virando contos eroticos , esse ta otimo kkkkkk safada !!!!!!!!!

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  2. kkkkkk ner,super apoio se for com o Erik ou com Heath *-*

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  3. N sei quem é pior vc ou a América de a seleção miga calma

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  4. Hearth é um fofo! Mas fica com o Erik pfv!! Eu nunca te pedi nada, Zoey!

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  5. Sera pussivel que vcs so penção em shippa. Eu sou a unica que ta achando que a poderosa alta sarcedotisa que se relacionou com bram stroker era neferet?

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    1. Foi a primeira coisa que eu pensei tbm rsrsrsrs é por isso que ela n gosta desse livro (acho que ela realmente gostava do Stroker tbm)

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    2. Também achei, aquele dia que a Zoey mencionou o Bram pra Neferet, ela ficou muito irritada, bem suspeito isso

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  6. Viiiish, eu, a iludida aqui pensando que a Zoey estava gostando mesmo do Heath, pelo jeito ela sofreu um imprint por ele e ele por ela, que raiva! Será que ela não se ligou nisso? Tava bem claro no livro os sintomas de quando um vampiro sofre um imprint por um humano.

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