3 de outubro de 2015

Capítulo 17

— É claro que eles não estão comendo pessoas! — Stevie Rae colocou a quantidade apropriada de choque na voz – tanto que vimos Irmã Mary Angela levantar do computador e virar um franzido na nossa direção.
Nós acenamos e sorrimos e levantamos brinquedos de gatos. Ela nos deu um longo olhar, mas logo o rosto dela se suavizou em um quente sorriso, e ela voltou sua atenção de volta para o computador.
— Stevie Rae, o que realmente está acontecendo com aqueles garotos? — Eu sussurrei e contei mais monstruosidades de pena púrpuras no inventário.
Ela deu nos ombros de forma despreocupada demais. — Eles só estão com fome. Só isso. Você conhece adolescentes – estão sempre com fome.
— O que significa que eles estão jantando da onde?
— Entregadores de pizza na maior parte — ela disse.
— Eles estão comendo entregadores de pizza? — eu sussurrei freneticamente.
— Não! Nós ligamos pelo celular e damos um endereço de um dos prédios perto do depósito e da entrada dos túneis. A gente diz que estamos trabalhando no PAC ou que vivemos em Lofts do Tribunal, e então esperamos pelo entregador de pizza. — Ela hesitou.
— E? — eu disse impaciente.
— Então encontramos o entregador a caminho dos prédios pegamos as pizzas e eu faço ele esquecer que nos viu e ele volta a fazer suas coisas e nós comemos pizza e não o cara — ela disse com pressa.
— Vocês estão comendo pizza?
— Bem, yeah, mas é melhor que comer o entregador, não é?
— Uh, yeah — eu disse, virando os olhos para ela. — E você também está roubando sangue da banco de sangue no centro?
— De novo, melhor que comer o entregador — ela disse.
— Vê, essa é outra razão para a gente ter que mostrar você.
— Porque estamos roubando pizza e sangue? Temos que contar aos vampiros? Quero dizer, eu acho que temos problemas o bastante para lidar sem mencionar essas indiscrições menores.
— Não, não porque você está roubando, mas porque vocês não tem dinheiro e nenhum jeito legal — eu disse, dando um olhar duro, — para cuidarem de si mesmos.
— Me faz desejar que Aphrodite voltasse comigo. Ela tem muita grana e mais do que um cartão de ouro — Stevie Rae murmurou.
— Daí você iria ter que aguentar ela — eu disse.
Stevie Rae franziu. — Eu realmente queria poder mexer com a cabeça dela como eu faço com o entregador de pizza. Eu daria a ela uma boa dose de “seja gentil,” e iríamos viver felizes para sempre.
— Stevie Rae, você não pode continuar a viver naqueles túneis.
— Eu gosto dos túneis — ela disse teimosamente.
— Eles são nojentos e úmidos e sujos — eu disse.
— Eles estão melhor agora do que da última vez que você os viu, e vão ficar muito melhor se a gente consertar eles um pouco mais.
Eu a encarei.
— Ok, talvez mais do que um pouco.
— Tanto faz. Meu ponto é, você precisa de dinheiro e do poder e proteção da escola atrás de você.
Os olhos de Stevie Rae encontraram os meus firmemente, e de repente ela parecia muito mais velha e madura do que eu jamais a tinha visto parecer antes. — O dinheiro o poder e a proteção da escola não ajudaram a professora Nolan ou Loren Blake ou nem aquele garoto Stark.
Eu não sabia o que dizer. Ela tinha razão, mas eu ainda tinha o sentimento que as pessoas – especialmente os vampiros – precisavam saber que calouros vermelhos existiam. Eu suspirei. — Ok, eu sei que não é um plano 100% bom, mas eu honestamente acredito que todos precisam saber sobre vocês.
— Honestamente, como em um daqueles pressentimentos de eu preciso fazer isso dado por Nyx?
— Yep — eu disse.
O suspiro dela foi muito mais profundo e cheio de mais preocupação e estresse do que o meu. (Jeesh, quem iria saber que isso poderia acontecer?) — Então está certo. Estarei lá amanhã. Estou contando com você para consertar tudo, Zoey.
— Eu vou. — Silenciosamente mandei uma curta reza para Nyx: Estou contando com você como ela conta comigo...
Stevie Rae e eu terminamos o inventário de brinquedos de gatos bem quando eu olhei para o relógio e percebi que iríamos nos atrasar para ir para escola se não corrêssemos feito loucos. E é claro, Stevie Rae tinha que voltar para o grupo de calouros antes deles cometerem mais do que roubo de pizza. Então dissemos tchau rapidamente, e eu repeti que a veria no dia seguinte. Ela parecia um pouco pálida, mas me deu um abraço e prometeu estar lá. Então eu enfiei minha cabeça no escritório da Irmã Mary Angela.
— Com licença, senhora. — Eu tinha certeza do que chamar uma freira quando estava sendo ultra respeitosa por precisar chamar a atenção dela enquanto ela estava distraída no que parecia mensagens instantâneas no laptop.
O senhora pareceu funcionar bem, porque ela olhou para mim com um quente sorriso. — Terminou com o inventário, Zoey?
— Sim, e precisamos voltar para escola.
A Irmã Mary Angela olhou para o relógio, e os olhos dela se alargaram de surpresa. — Meu deus! Eu não fazia ideia que era tão tarde. E eu esqueço que o dia de vocês é virado.
Eu acenei. — Deve parecer uma hora estranha para você.
— Eu só penso em você como um ser noturno – como nossos amados felinos. Você sabe que eles também preferem a noite. O que me lembra, o que você acha de estendermos nossas horas no sábado a noite para que você possa ser voluntária nesse dia?
— Isso parece ótimo. Eu vou falar com nossa sacerdotisa para me certificar, e eu ligo para você. Oh, e você quer que eu vá em frente com a ideia do mercado de pulgas?
— Sim. Eu vou falar com os reitores da nossa igreja, e depois de uma breve discussão, eles vão concordar que a ideia é boa.
Eu notei o endurecimento na voz dela e o jeito que eu arrumei minhas costas ficou ainda mais reto. — Nem todo mundo não tem problemas com calouros, huh? — eu disse.
O olhar dela era quente. — Isso não é para você se preocupar, Zoey. Eu geralmente esqueço meu caminho e estou acostumada a cortar as ervas daninhas e outras barreiras do caminho.
Eu senti meus olhos ficarem enormes e não duvidei nem por um minuto que essa freira durona pode não ter dito isso apenas figurativamente. E parte do que ela disse me fez perguntar, — quando você disse que tinha que checar com os reitores da sua igreja, você diz que eles são da sua igreja, ou de outras?
— Eles não são da nossa ordem, o que não é exatamente uma igreja, porque nossa congregação é formada de Irmãs Beneditas. Os reitores da Igreja de quem eu falo são vários lideres das igrejas locais.
— Como as Pessoas da Fé?
Ela franziu. — Sim. As Pessoas da Fé tem uma grande representação na nossa diretoria, o que reflete no tamanho da congregação deles.
— Aposto que eles são ervas daninhas para se cortar — eu murmurei.
— Me perdoe, Zoey. Eu não entendi — ela disse, os olhos dela se apertavam travessamente com um sorriso que ela estava tentando (sem sucesso) esconder.
— Oh, nada. Eu só estava pensando alto.
— Um terrível hábito, e um em que você pode se meter em problemas se não tomar cuidado — ela disse, sorrindo completamente.
— E eu não sei — eu disse. — Então você tem certeza que o mercado de pulgas vai sair? Você sabe, se for muito estresse, podemos descobrir outro jeito de –
A irmã Mary Angela ergueu a mão me calando. Ela simplesmente disse, — Fale com a sua Alta Sacerdotisa e veja que dia mês que vem seria bom para sua escola fazer o mercado de pulgas. Nós iremos nos acomodar no horário de vocês.
— Ok, legal — eu disse, me sentindo orgulhosa de mim mesma por o quão bem minha ideia de serviços comunitários estava funcionando. — É melhor eu pegar Aphrodite e irmos. Fomos liberadas apenas da primeira parte das nossas aulas hoje, e precisamos voltar.
— Eu acredito que seus amigos terminaram há um tempo, mas eles estavam bem — ela pausou os olhos dela brilhando de novo. — Distraídos.
— Huh? — eu estava me sentindo meio chocada. Era legal Irmã Mary Angela não surtar sobre calouros e vampiros em geral, mas ela achar tão divertido o nojento flerte de Aphrodite com Darius era liberal demais – até para mim.
Obviamente a freira deve ter adivinhado o que eu estava pensando pelo olhar dela, porque ela riu, me virou pelos ombros, e me deu um gentil empurrão para fora do escritório dela e em direção do canil dos gatos. — Vai lá – você vai ver o que eu quis dizer — ela disse.
Totalmente confusa, eu andei pelo curto corredor até a sala que mantinha os gatos para adoção. Não havia freiras por perto, mas (certamente) Aphrodite e Darius estavam sentados no “playground dos gatos,” apertados juntos como amantes com as costas viradas para mim. Eles estavam fazendo algo (ugh) com as mãos. Na verdade, parecia que eles estavam fazendo muita coisa com as mãos (duplo ugh). Eu limpei a garganta dramaticamente. Ao invés de darem um pulo e se separarem, Darius olhou por cima dos ombros para mim e sorriu – Aphrodite (a vadia) nem virou para ver quem tinha acabado de pegar os dois na lata. Jeesh, podia ter sido uma freira a entrar na sala ou a mãe de alguém.
— Uh, eu odeio interromper essa ceninha relaxante mas precisamos ir — eu disse sarcasticamente.
Com um grande suspiro, Aphrodite finalmente virou dizendo, — Ok. Vamos. Mas eu vou levar ela com a gente. — E eu vi o que ela e Darius estavam fazendo com as mãos.
— É um gato! — eu disse.
Aphrodite virou os olhos. — Não brinca? Imagine só – tem um gato nos Gatos de Rua.
— É um gato feio — eu continuei.
— Não chame ela assim. — Aphrodite foi instantaneamente defensiva e lutou para levantar segurando o enorme gato com os braços. Pegando o cotovelo dela, Darius se certificou que Aphrodite não caísse de bunda. — Ela não é feia. Ela é única, e tenho certeza que bem cara.
— Ela é um gato dos Gatos de Rua — eu disse. — Ela só custa a taxa de adoção, como o resto deles.
Aphrodite acariciou a gata distraidamente, e ela fechou os olhos e sentou com o rosto totalmente amassado e começou a ronronar, dando batidas de vez em quando, como uma engrenagem quebrada, o que provavelmente significa que ela estava com uma bola de pelo. Aphrodite ignorou o barulho e sorriu amavelmente para a gata. — Malévola é claramente uma Persa pura que acabou nessas circunstâncias porque é a única sobrevivente de uma terrível tragédia. — Aphrodite enrugou o nariz, e o olhar dela passou pelas jaulas onde estavam os gatos. — Ela definitivamente não pertence a um lugar tão comum.
— Você disse que o nome dela é Malévola? Esse não é o nome da bruxa em A bela Adormecida?
— Sim, e Malévola é muito mais interessante do que a doce, e boazinha Princesa Aurora. Além do mais, eu gosto do nome. É poderoso.
Eu hesitantemente fui para frente para acariciar a enorme bola de pelos brancos. Malévola abriu os olhos e rosnou ameaçadoramente para mim. — A palavra raiz de Malévola é malevolência — eu disse, tirando minha mão do alcance da pata dela.
— Sim, e malevolência é uma palavra poderosa — Aphrodite disse, fazendo barulhos de beijo para a besta.
— Ela não tem garras? — eu perguntei.
— Não — Aphrodite disse feliz. — Ela poderia arrancar um olho com essas patinhas dela.
— Que lindo — eu disse.
— Eu acho que ela é adorável e única e linda como a nova senhora dela — Darius disse. Eu notei que quando ele acariciou Malévola, a gata estreitou os olhos para ele, mas não rosnou.
— E eu acho que seu julgamento está danificado. Mas tanto faz. Vamos. Estou faminta. Eu não tomei café, e já perdemos o almoço, então vamos ter que pegar algo no caminho para a escola.
— Eu vou pegar as coisas de Malévola — Darius disse, indo para o lado da sala pegar uma bolsa pequena que tinha escrito Para seu Novo Gatinho com uma letra cursiva do lado.
— Você já pagou por ela? — eu perguntei.
— Ela absolutamente pagou — disse Irmã Mary Angela da porta. Eu notei que ela andou cuidadosamente ao redor de Aphrodite e Malévola, ficando fora do alcance de patas. — É maravilhoso as duas terem se encontrado assim.
— Quer dizer que mais ninguém podia tocar a gata? — eu perguntei.
— Ninguém — Irmã Mary Angela disse com um sorriso. — Pelo menos não até a adorável Aphrodite entrar na porta do nosso canil. Irmã Bianca e Irmã Fátima disseram que não foi nada menos que um milagre Malévola aceitar Aphrodite imediatamente.
Aphrodite deu um sorriso 100% autêntico, e isso a fez parecer jovem e linda de morrer. — Ela estava esperando por mim — ela disse.
— Sim — a freira concordou. — Ela estava, de fato. Vocês duas combinam. — Então ela olhou para mim e Darius, incluindo nós todos nas próximas palavras dela. — Eu acho que os Gatos de Rua e a House of Night combinam também. Eu sinto ótimas coisas para nós no futuro. — Então ela ergueu a mão direita por cima de nós e disse, — Vão sobre os cuidados da sua Abençoada Mãe.”
Nós murmuramos nossos agradecimentos a Irmã Mary Angela. Eu tive a estranha vontade de abraçar ela, mas a roupa dela – o vestido/robe preto e branco – não parecia bom para abraços. Então ao invés disso eu dei um exuberante sorriso e acenei enquanto saímos do prédio.
— Você está sorrindo e acenando feito uma boba — Aphrodite disse enquanto ela esperava Darius abrir a porta dela e ajudar ela e o rabo que se debatia, com o rosto chato Malévola no banco da frente do Lexus.
— Eu estava sendo educada. Além do mais, eu gosto dela — eu disse, abrindo minha própria porta. Eu deslizei no banco traseiro e depois de colocar o cinto e olhar para cima para ver os olhos de Malévola, que estava se esticando no peito de Aphrodite e por cima dos ombros para poder me encarar. — Uh, Aphrodite, você não deveria colocar ela num carregador de gatos ou algo assim?
— Oh meu deus! Você é maldosa e odiosa ou o que? É claro que ela não anda em um carregador de gatos. — Aphrodite acariciou a besta dela, fazendo pelo branco flutuar ao nosso redor como um nojento chuveiro de pelo de gato.
— Jeesh, esquece. Eu só estava pensando na segurança da gata — eu menti. Na verdade eu estava pensando na minha segurança. Malévola parecia que iria adorar ter Zoey para jantar. O que me lembrou. — Hey, estou faminta — eu disse a Darius quando ele ligou o carro. — Temos que parar em algum lugar rapidamente para eu comer algo.
— Por mim tudo bem. O que você quer? — ele disse.
Eu olhei para o horário no painel do carro. Incrivelmente, eram mais de 11 da noite. — Bem, a hora vai definitivamente limitar o que está aberto. — Eu ouvi Aphrodite murmurar algo sobre “humanos-idiotas-que-vão-para-cama-cedo” para Malévola, o que eu ignorei. Eu olhei ao redor, tentando lembrar os lugares decentes de Fast Food (que são, Taco Bueno e Arby contra McDonalds e Wendy) que eram perto. E então um adorável e familiar aroma passou pela janela aberta do Lexus até mim. Minha boca já tinha começado a salivar quando eu vi uma placa grande e amarela. — Oh, yum! Vamos para a Cozinha do Charlie!
— É horrivelmente engordurado — Aphrodite disse.
— Isso é parte do sabor. Heath e eu costumávamos comer o tempo todo. É cheio dos básicos grupos alimentares: gordura, batata amassada, e coca.
— Você é nojenta — Aphrodite disse.
— Eu pago — eu disse.
— Fechado — ela disse.

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