9 de outubro de 2015

Capítulo 17 - Shaylin

— Aqui. Agora — Aphrodite mexeu o dedo, chamando Shaylin para que ela a seguisse.
Ela saiu rebolando, cortando caminho pelo gramado e tomando a direção dos dormitórios dos novatos. Shaylin suspirou, controlou a sua irritação e seguiu aquela loira metida. Quando ela a alcançou, Aphrodite foi logo dizendo:
— Certo, você precisa fazer um reconhecimento de área.
— Certo, você precisa melhorar as suas maneiras — Shaylin afirmou.
Aphrodite parou e franziu seus olhos azuis.
Shaylin falou rapidamente, antes que Aphrodite pudesse dizer algo maldoso e engraçadinho:
— Você deveria saber que agir assim não é nada atraente e provoca pé de galinha.
— Aposto que você andou conversando com Damien, não é?
— Talvez — Shaylin respondeu vagamente, não querendo colocar Damien em apuros.
Mas, sim, realmente ela andava conversando com ele. Na verdade, ela tinha começado a gostar mesmo de Damien, assim como de Stevie Rae e de Zoey. Já Aphrodite, bem, ela era outra história.
— Aphrodite, falando sério, parece que você e eu vamos ter que trabalhar juntas, ou seja lá como for que você queira chamar essa coisa de Profetisa. Então, se você fosse pelo menos educada comigo, isso tornaria a nossa vida mais fácil.
— Não, isso tornaria a sua vida mais fácil. A minha não ia mudar em nada.
Shaylin balançou a cabeça.
— É mesmo? Por que você não discute essa sua atitude com Nyx? Nós temos Trevas poderosas para enfrentar. A mãe de Zoey acabou de ser assassinada e agora a avó dela está correndo um grave perigo. Corrija-me se eu estiver errada, mas Zoey não é sua amiga?
Aphrodite franziu os olhos novamente, mas ela só disse uma palavra:
— Sim.
— Então que tal você fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ajudá-la?
— Já estou fazendo, sua vaca — Aphrodite respondeu rispidamente.
— Como você pode ter tanta certeza? Você já pensou no simples fato de que talvez, se você for menos detestável, pode ter acesso a mais dons como Profetisa?
Os olhos de Aphrodite se normalizaram. Devagar. Ela até pareceu um pouco surpresa.
— Não. Nunca pensei nisso.
Shaylin levantou as mãos para o alto de frustração.
— Caramba, você foi criada por lobos?
— Mais ou menos por aí — Aphrodite falou. — Mas eles têm dinheiro.
— Incrível — Shaylin murmurou. Então ela começou de novo. — Ok, o que eu sei é o seguinte. Quando eu li a sua aura e fui maldosa sobre a luz trêmula que vi dentro de você, isso bagunçou a minha cabeça. Quando olhei para você de novo depois disso, era como se todas as suas cores estivessem misturadas.
— O que, obviamente, significa que você me viu ficando irritada.
— Não, porque as cores de todo mundo pareceram misturadas e indistintas até eu pedir desculpas a você. Espere, apague isso. Na realidade, a minha Visão Verdadeira ficou confusa até eu pedir desculpas a você sinceramente.
— Hum. Isso é quase interessante.
— Você não está captando nada do que eu estou falando, está?
— Assim como o que qualquer um fala — Aphrodite disse. — Então, vamos voltar para o reconhecimento de área.
— Ok. Tudo bem. O que você quer que eu faça?
— Encontre Erin. E Dallas. Se eu estiver certa, e para a sua informação eu quase sempre estou, você vai encontrá-los juntos.
— E isso seria ruim, certo?
— Você tem problemas mentais?
— Não vou nem responder a isso — Shaylin falou.
— Ótimo. A gente não tem tempo para “ligar os pontinhos”. Vai amanhecer em algumas horas. O ônibus vai voltar para a estaçãoe Kalona vai para o covil nojento de Neferet.
— Sim, Kalona está esperando amanhecer para que ela fique enfraquecida pelo sol, apesar de ser totalmente óbvio que parece que não vai funcionar essa ideia de ele ficar esperando até que ela se enfraqueça pelo sol — Shaylin pareceu avoada, olhando para o céu.
— De que diabos você está falando, retardada?
Shaylin apontou para cima.
— Nuvens de chuva. Um monte. Eu realmente queria que o céu clareasse. Essas nuvens cobrem o sol e o seu efeito enfraquecedor. Agora, quem é a retardada aqui?
— Não me chame de retardada — Aphrodite disse.
— Bom, então também não me chame assim.
— Vou pensar nisso. Vamos voltar ao ponto inicial: antes de a gente ir para a estação e de Kalona decolar, quero que você dê uma conferida nas cores de Dallas e Erin. Qualquer informação adicional que você possa nos dar sobre Erin, principalmente se ela é uma traidora, uma bandida malandrona (parafraseando Shaunee); seria ótimo. Tenho um pressentimento em relação a eles, e não é nada fofinho e carinhoso.
— Sim, tudo bem, mas eu não tenho a menor ideia de onde eles podem estar. Você tem? Esse é um dos seus dons? — Shaylin perguntou.
— Deusa, você tem problemas mentais. Não, eu não tenho um GPS dentro da minha cabeça. Mas eu tenho um cérebro dentro dela. Ele me diz que, se Erin e Dallas estão se pegando, faz sentido começar a procurá-los no quarto de Erin, o quarto que ela não divide mais com Shaunee.
— Ah, sim. Isso faz sentido — Shaylin hesitou. — Mas eu não sei qual é o quarto dela.
— Terceiro andar, quarto trinta e seis. Quando elas compartilhavam o cérebro, diziam que esse número representava a medida do peito delas. Eu dizia que era a soma do QI das duas.
— É claro que você dizia isso — Shaylin comentou.
— Veja só, você me entendeu! — Aphrodite falou com falso entusiasmo. — Encontro com você no ônibus. Logo. — Ela começou a se afastar, então fez uma pausa e acrescentou: — Por favor.
Shaylin fez cara de espanto.
Aphrodite revirou os olhos e abriu a boca, obviamente se preparando para dizer algo detestável. Então ela parou, olhou para cima por alguns momentos e depois se virou para Shaylin.
— Parece que os seus desejos estão sendo atendidos. As nuvens de chuva estão clareando — então Aphrodite atirou o cabelo para trás e saiu andando.
Shaylin balançou a cabeça.
— Que garota mais sem noção — ela resmungou para si mesma enquanto caminhava até o dormitório das garotas. — Nyx, eu não a conheço muito bem, e não quero que você pense que estou sendo rude ou blasfemando nem nada parecido, mas Aphrodite como sua Profetisa? Por quê?
— Ninguém sabe, e acho que nem mesmo Aphrodite.
Shaylin deu um pulo de surpresa quando Erik Night saiu das sombras de um carvalho próximo.
— Erik! O que você está fazendo aqui? — Shaylin colocou a mão na garganta.
Ela achou que Erik podia ver como o seu coração estava batendo forte pela pulsação no seu pescoço, e não apenas porque ele a havia assustado. Sempre que ela o encontrava, era a mesma coisa: a sua absoluta beleza morena e alta era uma óbvia distração. Mas então ela olhava as cores dele, e elas não eram nem um pouco atraentes. Shaylin achava que ele era como uma daquelas maravilhosas peças pintadas em cerâmica que você gostaria de usar para colocar uma salada ou qualquer outra coisa, mas, quando você virava a peça, via uma etiqueta dizendo cuidado: não use para servir comida.
— Desculpe. Eu não queria assustar você. Eu estou aqui enrolando um pouco — o sorriso dele era como uma lâmpada de milhões de watts.
Shaylin conseguia entender por que quase cem por cento das novatas eram apaixonadas por ele. O problema é que ela conseguia ver mais do que como ele era maravilhoso.
— Eu não quis interromper você. Vou deixar você voltar para a sua enrolação. Até mais.
— Ei — ele tocou o braço dela, apenas por um instante quando ela passou por ele, persuadindo-a a parar. — Pensei que nós éramos amigos.
Shaylin o analisou. Quando Erik a Marcara, as cores dele eram formadas na maior parte por um verde-ervilha hesitante, que obscurecia flashes brilhantes que podiam ser dourados como os raios de sol, mas eram muito fugazes para ela ter certeza. Fora isso, ele era só meio nebuloso e aguado. Nos últimos dias, ela não havia prestado muita atenção nas cores dele.
Então, quando ela se concentrou, ficou surpresa de ver que, apesar daquele verde ainda estar lá, ele tinha ficado mais claro e agora não trazia à sua mente ervilhas polpudas. Em vez disso, aquela cor lembrava turquesa, como uma bela espuma do mar verde-turquesa. E em toda a volta do verde-azulado, a mistura nebulosa de cinza havia se levantado, revelando um bege compacto, como a areia de uma praia linda e intocada. Sentindo-se meio como se ela tivesse caído em uma água profunda, Shaylin tentou não parecer nervosa e falou sem pensar:
— Sim, nós somos amigos, mas só isso.
— Eu não pedi nada além disso, pedi?
Shaylin encontrou os olhos dele. Eles eram brilhantes e azuis, e estavam passando tempo demais olhando para baixo na direção dos peitos dela. É claro que dizer “é óbvio que você quer ter uma amizade colorida” soaria como algo que Aphrodite diria. Então, em vez disso, ela escolheu uma resposta mais gentil.
— Não, você não pediu mais nada.
Ele sorriu de novo.
— Então, nós podemos ser amigos?
Era difícil não sorrir de volta para ele, e na verdade ela não conseguia pensar em nenhuma razão para não fazer isso. Então Shaylin abriu o sorriso e assentiu.
— Sim, amigos.
— Ótimo! Que tal eu acompanhá-la para onde você está indo? Eu posso enrolar tão bem ao seu lado quanto posso enrolar sozinho.
— Você está enrolando para fazer o quê? — Shaylin evitou a pergunta de para onde ela estava indo e começou a andar vagamente na direção geral dos dormitórios. Devagar.
— Planejamento de aulas — ele suspirou. — Eu realmente detesto escrever isso. Você sabe, eu nunca quis ser professor.
— É, todo mundo sabe disso. Você era destinado a ser uma estrela de cinema — Shaylin disse.
Ela falou de um jeito inconsequente. Não quis ser condescendente nem sarcástica, mas a dor nos olhos azuis dele mostrou que provavelmente ela tinha soado das duas formas.
— É — ele repetiu laconicamente, desviando o olhar dela e enfiando as mãos nos bolsos da sua calça jeans. — Todo mundo sabe disso.
— Ei, mas essa coisa de Rastreador é apenas uma pequena lombada no caminho até Hollywood, certo? Quantos anos você tem, vinte e um?
— Dezenove. Acabei de completar a Transformação há poucos meses. Por quê? Eu pareço velho?
Shaylin riu.
— Vinte e um anos não é velho.
— É sim, se você acrescentar mais quatro anos, e eu acabei de começar um trabalho de quatro anos como Rastreador.
— Ser Rastreador significa que você tem que ficar na House of Night de Tulsa?
— Você está tentando se livrar de mim? — ele falou mais ou menos brincando.
— Não, é claro que não — ela garantiu. — O que eu quis saber é: você não pode se transferir para a Costa Oeste e continuar sendo Rastreador lá? Deve haver uma House of Night mais próxima de Hollywood do que esta aqui.
Enquanto eles conversavam, Shaylin percebeu que Erik não estava soando como um garoto mimado e irritadiço. Ele só parecia cansado, frustrado e talvez até um pouco deprimido.
— Já estudei essa possibilidade. O que eu descobri foi estranho e um pouco assustador — ele fez uma pausa e olhou de lado para ela. — Bem, provavelmente é mais assustador para os garotos que estão sendo Rastreados do que para mim.
— Sei do que você está falando. Mas não foi tão assustador. Na verdade, você foi até meio engraçado — ela lembrou.
Erik franziu a testa.
— Eu devia ser poderoso, confiante e um pouco amedrontador.
— Então você quer ser assustador?
Aquilo fez Erik rir.
— Não, não exatamente. E na verdade o ato de Marcar não é a parte assustadora de que eu estava falando, ou pelo menos não deveria ser. O que definitivamente não é normal é que há alguma coisa no meu sangue que me mantém preso a este lugar. Sim, eu posso viajar, mas só se for por causa de um chamado do meu sangue para Marcar algum garoto que pertence a esta House of Night.
— Então você é tipo um GPS.
— Acho que sim — Erik não pareceu animado com isso. — Ei, mas chega de falar de mim. Para onde você está indo?
Shaylin engoliu em seco e falou a primeira mentira que lhe veio à cabeça.
— Para o dormitório. Aphrodite me pediu para pegar umas coisas dela no seu quarto.
— Ela pediu falando por favor, você poderia fazer isso? Ou ela ordenou, dizendo: “Pegue as minhas coisas, senão eu amarro as suas mãos e empurro você dentro de uma panela fervente, como se você fosse uma lagosta, para o chef da minha mãe cozinhar!”?
Shaylin riu.
— As suas habilidades de atuação foram ao mesmo tempo ótimas e péssimas na minha opinião, porque você soou exatamente igual à Aphrodite.
Ele encolheu os ombros.
— Vou tentar não fazer isso de novo.
— Mas, respondendo à sua pergunta, foi mais como o segundo exemplo do que como o primeiro.
— Ah, que surpresa. Bom, então vou acompanhá-la até o dormitório, ok?
Shaylin encontrou os olhos dele. Que mal poderia haver nisso?
— Ok — ela respondeu.


Erik

— Acho que eu concordo com você sobre essa coisa de planejamento de aulas. Deve ser superenfadonho ter que pensar no que você vai ensinar, escrever, submeter à aprovação e depois finalmente ensinar. Parece um trabalho exagerado — Shaylin opinou.
— Exatamente — Eric disse laconicamente. — A gente vai trabalhar com Shakespeare. Eu amo as peças, mas era muito mais legal quando eu só tinha que atuar, e não agir como um maldito robô para o Conselho da escola. Sim, fazer planejamento de aulas é totalmente enfadonho, é um saco escrever.
Ele tinha que ficar lembrando a si mesmo para parar de olhar para os peitos de Shaylin. Ok, ele podia dizer em sua defesa que ela estava usando uma camiseta branca transparente, que deixava bem óbvio que ela estava com um sutiã rosa e sexy por baixo. E esse sutiã tinha lacinhos pretos na parte do meio e nas alças.
— E com que peça você vai trabalhar na aula sobre Shakespeare? — ela perguntou.
Olhe para o rosto dela e concentre-se!
— Aula sobre Shakespeare?
Ela olhou para Erik como se ele fosse um idiota – e ele tinha que concordar com ela, porque, quando se forçou a não olhar para aqueles peitos com sutiã rosa, ele ficou distraído com as suas grossas mechas de cabelo comprido e escuro, que ondulavam e pareciam macias feito seda, se ele pelo menos pudesse...
— Ah, sim, a aula sobre Shakespeare. Com certeza, vamos fazer uma comédia. Já há muita tragédia no mundo de hoje.
— Qual?
Ela parecia sinceramente interessada, então ele admitiu:
— Estou dividido. A minha favorita é A Megera Domada, mas, quando penso nela e principalmente no discurso final de Catarina, isso não combina com o sistema matriarcal da House of Night, e a última coisa que eu preciso é irritar Thanatos. Então, estou pensando em fazer Como lhe Aprouver. Rosalinda é uma das heroínas mais fortes do Bardo. E acho que essa peça não vai me causar nenhuma encrenca com a administração.
— Mas isso não significa se curvar?
— Provavelmente, mas ser professor não é tão fácil como se pensa. Há um monte de coisas chatas que acontecem nos bastidores, isso sem contar a batalha contra as Trevas que parece ser tipo interminável e o fato irritante de que os professores continuam sendo mortos e de que cada vez mais novatos estão sendo Marcados, então a nossa equipe é pequena.
Houve um silêncio longo e desconfortável, então Shaylin disse:
— Sim, realmente deve ter sido inconveniente para você que professores tenham sido decapitados, estripados ou furados por chifres. Isso sem falar em todos os novatos vermelhos para quem você tem que dar aulas, porque nós não morremos de verdade. Ainda.
Erik franziu a testa. Ele não havia tido a intenção de dizer aquilo dessa forma.
— Acho que me expressei mal — ele falou.
— E eu acho que preciso me lembrar que ervilhas não se transformam em uma linda espuma do mar turquesa e numa praia intocada.
— O que isso quer dizer? — Erik perguntou.
Shaylin era realmente uma gata, mas às vezes ela bagunçava a sua cabeça e o deixava confuso.
— Significa que eu precisava de um banho de realidade. Obrigada por me dar um.
Shaylin apertou o passo, e Erik ainda estava tentando decifrar o comentário sobre ervilhas e espuma turquesa quando eles saíram do gramado de inverno do jardim da escola e passaram para a calçada que cercava o dormitório das garotas.
— Hum, de nada? — Erik falou enquanto eles se aproximavam dos amplos degraus de cimento que levavam à varanda frontal do dormitório.
Shaylin ainda estava um pouco à frente dele, então ela chegou ao primeiro degrau antes dele. Ao subir no degrau, ficou quase da mesma altura dele, o que era estranho, já que ela era bem baixinha.
— Não, você não precisa falar “de nada” para mim — ela suspirou. — Eu não estava agradecendo a você. Eu só estava lembrando algo a mim mesma.
— O quê? — ele perguntou, honestamente interessado.
Ela suspirou de novo.
— Eu estava me lembrando do fato de que aquilo que os olhos podem ver não é a coisa mais importante sobre uma pessoa. Na verdade, o mais importante é o que está escondido do lado de dentro.
— Mas, com você por perto, nada está escondido de fato, certo?
— Certo — ela falou em voz baixa.
— Eu realmente não tive a intenção de dizer aquilo antes. Eu só estava descarregando o que eu sinto. Você sabe, as garotas fazem isso o tempo todo — Erik disse.
— Erik, você não vai melhorar as coisas sendo misógino.
— Misógino... isso é uma coisa ruim, certo? Ou é algo legal, como ginecologista?
— Erik, acho que é melhor você tentar não falar mais nada — Shaylin soou irritada, mas Erik percebeu que ela estava se esforçando para não rir. Até que finalmente uma risadinha escapou dos seus lindos lábios rosados. — Ginecologista? Você realmente acabou de falar isso?
— Sim, e tenho orgulho disso — Erik fez o seu melhor sotaque de homem de Oklahoma. — Eu realmente adoraria ter uma carreira que só trata daquelas partes femininas.
— Ok, para mim chega — ela disse, ainda rindo. — Tenho que ir antes que...
Shaylin foi para trás e tropeçou no próximo degrau. Ela ia cair bem em cima do seu traseiro lindo e redondo, mas Erik foi mais rápido do que a gravidade e, quase como um super-herói, ele a pegou pela cintura, evitando que ela se machucasse.
E então ali estavam eles. Ela estava um degrau acima, e ele estava com os braços em volta da cintura dela. Quando ela estava caindo e ele a pegou, os braços dela automaticamente agarraram os ombros dele. Então o corpo dela estava pressionado tão forte contra o dele que Erik podia sentir os lacinhos pretos daquele sutiã rosa.
— Cuidado — ele falou baixinho, suavemente, como se ela fosse um passarinho assustado. — Eu não quero que nada de mal aconteça a você.
— O-obrigada. Eu quase caí.
Ela olhou para ele, e Erik ficou absorto admirando os grandes olhos castanhos dela. Shaylin tinha um perfume incrível, como na noite em que ele a Marcara: doce, como pêssegos e morangos misturados. Ele nunca quis tanto uma coisa quanto beijá-la agora.
Só uma vez. Apenas por um segundo. Ele se inclinou. Parecia que ela estava levantando os lábios para ele. Erik se inclinou mais, puxando-a para mais perto.
Foi então que ela deu um soco no peito dele.
— Você estava tentando me beijar agora? Sério? — Shaylin balançou a cabeça e o empurrou, fazendo com que ele saísse do degrau em que estava.
Erik cambaleou para trás. Ele estava tentando descobrir exatamente o que tinha dado errado quando escutou uma risada sarcástica. Sentindo-se uma merda, ele levantou os olhos e viu Erin e Dallas no alto da escada do dormitório, perto da ampla porta de entrada.
— Caramba, isso é que são sinais ambíguos — Dallas comentou. — Primeiro ela está toda na sua, depois ela empurra você. Isso não é certo.
— É, quando uma garota diz sim ela deveria querer dizer sim mesmo, e não “ei, acho que vou te provocar e depois te rejeitar” — Erin colocou aspas no ar com os dedos.
— Vocês não sabem do que estão falando — Shaylin colocou uma mão no quadril e levantou o queixo, mas o seu rosto estava vermelho.
Erik a achou uma graça, mas nem um pouco ameaçadora.
Dallas colocou a mão em volta da cintura de Erin, e ela se encostou nele enquanto os dois desciam a escada em direção a Erik, rindo de Shaylin o caminho inteiro.
— Ei, cara — Dallas deu uma gargalhada. — Não se preocupe. Minha sereia e eu vamos contar para todo mundo como essa daí só gosta de provocar. — Apesar de Erik tentar interrompê-lo, Dallas continuou falando: — Não, você não precisa me agradecer. Apenas considere isso como um favor de um vampiro para outro.
Erik olhou para Shaylin. O rosto dela tinha perdido a cor vermelha e estava branco. Ele até considerou deixar que Dallas fizesse o que estava dizendo, mas só por um segundo. Seria mais fácil rir e sair andando com Dallas e Erin. Isso até poderia fazer com que ele se sentisse tão bem quanto se sentia quando ele era o novato mais gostoso da escola – quando ele podia ter qualquer garota que quisesse. Então ele se deu conta do que estava pensando e sentiu um enjoo no estômago.
— Não — Erik encontrou o olhar de Dallas. — Shaylin estava certa, vocês não sabem do que estão falando. O que vocês viram foi só eu tentando fazer algo idiota. Shaylin não provocou nada.
— Ah, fala sério. Você é Erik Night — a voz de Dallas ainda era toda amigável, mas o seu olhar havia se endurecido.
— Sim, eu sou. E estou dizendo que você está errado. Shaylin não me provocou. Eu estava sendo um cuzão. Se vocês forem falar dela, é isso o que devem dizer.
— Você espera que as pessoas acreditem que uma esquisitinha como ela dispensou você? — Erin nem tentou disfarçar o veneno na sua voz.
E eu que sonhava em ser o recheio de um sanduíche de gêmeas. Deusa, eu sou um idiota.
— O que eu espero é que vocês digam a verdade ou calem a boca — Erik afirmou.
— Bem, isso não foi nem um pouco divertido — Shaylin desceu os degraus rapidamente. Quando passou por Erik, ela fez uma pausa. — Mudei de ideia sobre pegar coisas no dormitório. Aphrodite pode resolver os assuntos dela sozinha — então ela olhou para Erin. — Acho que isso significa que você não vai pegar o ônibus para a estação de novo hoje.
— Nunca mais vou pegar aquele ônibus, mas você pode ir andando. Ele combina mais com você mesmo.
— Conte a eles, sereia — Dallas falou, enquanto passava a mão na bunda de Erin. — A água precisa ser livre para ir aonde quiser.
— É, e já está na hora de a gente ir. Estou entediada — Erin disse.
— Sei como resolver isso! — Dallas mordeu o pescoço dela.
O gritinho de Erin se transformou em uma gargalhada.
— E eu não vou ficar dizendo sim, não, sim, não. Só vou dizer sim, sim! — Erin olhou com desprezo para Shaylin, pegou a mão de Dallas e os dois foram embora, rindo sarcasticamente.
Erik ficou olhando os dois se afastarem.
— Desde quando os dois estão juntos?
— Desde logo depois que Erin e Shaunee se separaram — Shaylin contou. — E a coisa é mesmo tão feia quanto Shaunee falou que poderia ser.
Erik arregalou os olhos.
— Você não veio até aqui para pegar as coisas de Aphrodite, veio?
— Não.
A compreensão o atingiu em cheio.
— Ah, que merda! Erin mudou de lado, não foi? E isso significa que Dallas e a sua turma vão saber tudo o que o grupo de Zoey sabe.
— Parece que sim. Eu vou contar para Z. e Stevie Rae que Erin e Dallas realmente estão juntos — Shaylin hesitou. E então acrescentou: — Obrigada por me defender. Sei que isso não foi fácil para você.
— Você realmente acha que eu sou um idiota, não acha?
Shaylin não respondeu logo de cara. Em vez disso, ela o analisou, como se compreendesse como a sua resposta seria importante para ele. Finalmente, ela disse:
— Acho que você tem potencial para ser mais verde-turquesa do que verde cor de ervilha.
— E isso é bom?
Ela sorriu.
— É ainda melhor do que ser um ginecologista misógino.
Ele deu uma gargalhada.
— Ok, ótimo. Ei, posso acompanhá-la até o ônibus?
— Não, desta vez não. Mas peça para me acompanhar outra hora. E, só para registrar, quando eu digo não quero dizer não, e quando digo sim quero dizer sim.
— Eu já sabia que você era assim — ele falou.
— Ótimo, então da próxima vez você pode esperar que eu diga sim para me beijar. Até mais, Erik.
Enquanto Shaylin se afastava, o sorriso de Erik foi ficando cada vez maior. Não era o seu sorriso de cem watts – aquele era um sorriso de ator, aparentando felicidade. Este sorriso era melhor, era o sorriso de quem se sentia feliz. E, pela primeira vez em muito tempo, Erik Night percebeu que sentir era muito melhor que atuar...

2 comentários:

  1. que fofooo!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Que lindo.... Até quem fim ele achou alguém para sentir algo.

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