6 de outubro de 2015

Capítulo 16 - Zoey

Heath se mexeu e murmurou. Ele alternava entre sonhar que estava jogando futebol e o sono profundo. Eu olhei para ele e prendi a respiração enquanto andava em círculo em volta de onde ele dormia.
Quero dizer, você o acordaria agora e diria para ele que ele está tão morto quanto sujo e que nunca mais poderia jogar futebol?
Diabos, não.
Eu tentei ficar o mais quieta que podia, mas eu não conseguia mais segurar aquilo. Naquele momento eu não podia mais fingir e mentir, tão perto dele. Eu não podia mais ajudar, não podia me parar. Eu tinha que fazer alguma coisa.
Nós estávamos no meio daquele mesmo denso bosque que havíamos entrado antes. Quando foi o antes? Eu realmente não conseguia me lembrar, mas as árvores pequenas e cheias de lodo e as pedras velhas eram legais. E os musgos. Especialmente os musgos. Eles estavam por toda parte. Grosso, suave e confortável.
De repente meus pés estavam descobertos. Eu estava distraída deixando-os afundarem nos musgos e deixando meus dedos brincarem no vivo carpete de grama.
Vivo?
Eu suspirei.
Não. Eu suspeitava de que nada ali estava vivo. Mas eu queria continuar me esquecendo disso.
As árvores fizeram uma cobertura de folhas e ramos, então o sol só entrava o bastante para estar morno, não tão quente. Mas uma nuvem passando por cima de minha cabeça me fez olhá-la e tremer.
Escuridão...
Eu pisquei surpresa, lembrando. Foi por isso que eu e Heath viemos correndo para esse bosque. Aquela coisa estava atrás de nós, mas não entrou no bosque atrás de nós.
Eu suspirei novamente.
Eu não tinha a mínima ideia do que seria aquela coisa. Eu apenas tive um sentimento de completa escuridão, um vago sopro de alguma coisa que esteve morta por um tempo e de asas. Eu e Heath não esperamos para ver mais. Nós dois ficamos sem respiração de tanto medo e corremos e corremos... Foi por isso que ele tinha caído no sono. Novamente. Como eu também deveria.
Mas eu não conseguia descansar. Ao invés disso, fui passear.
Realmente me preocupava que minha memória estivesse perdida. E o pior era que se minha memória estivesse bagunçada, eu nunca saberia, porque, bem, eu não me lembraria – Eu estava errada. Eu sabia que estava perdendo pedaços de coisas em minha mente – algumas eram coisas novas, como só agora eu ter me lembrado da coisa assustadora que nos encurralou para dentro do bosque. Mas algumas coisas eram velhas também.
Eu não conseguia me lembrar de como minha mãe era.
Eu não conseguia me lembrar da cor dos meus olhos.
Eu não conseguia me lembrar por que eu não confiava mais em Stevie Rae.
O que eu conseguia me lembrar era triste e irritante. Eu me lembrava de cada instante da morte de Stevie Rae, lembrava que meu pai nos deixou quando eu tinha dois anos e basicamente nunca voltou. Eu me lembrava que eu havia confiado em Kalona e que eu estava muito errada sobre ele.
Meu estômago doeu, e, como se aquela dor estivesse me guiando, eu continuei andando e andando em círculos pelo bosque.
Como eu deixei Kalona me enganar totalmente? Eu fui uma completa idiota.
E eu causei a morte de Heath.
Minha mente queria se afastar daquela culpa. Aquele pensamento era tão bruto, tão horrível.
Uma sombra prendeu minha visão. Eu comecei a me virar rapidamente e fiquei frente a frente com ela. Eu já a tinha visto antes, em meus sonhos.
— Olá, A-ya. — Eu disse suavemente.
— Zoey. — Ela disse, mexendo sua cabeça como um olá. A voz dela soava um pouco como a minha. Exceto por um pouco de tristeza que coloria tudo que ela falava.
— Eu confiei em Kalona por sua causa. — Eu disse a ela.
— Você teve compaixão por ele por minha causa. — Ela corrigiu. — Quando você me perdeu, você também perdeu a compaixão.
— Isso não é verdade. — Eu disse. — Eu ainda tenho compaixão. Eu me preocupo com Heath.
— Sério? Então é por isso que você está o mantendo aqui em vez de deixá-lo ir?
— Heath não quer ir — eu disparei de volta, e então fechei minha boca, surpresa com o quanto irritada eu soei.
A-ya mexeu sua cabeça, fazendo seu longo e negro cabelo agitar-se em volta de sua cintura. — Você não parou para pensar no que Heath possivelmente quer. O que alguém possivelmente quer antes de você. E você não vai, realmente não vai, antes de me chamar de volta para você.
— Eu não quero você de volta. Foi por sua causa que tudo isso aconteceu.
— Não, Zoey, não foi. Tudo isso aconteceu por causa de uma série de escolhas que um certo número de pessoas fez. Não foi só culpa sua. — Balançando sua cabaça com infelicidade, A-ya desapareceu.
— Nossa, que alívio — eu murmurei e comecei a andar de novo, ainda mais inquieta do que antes.
Quando outra sombra prendeu minha visão, eu estava pronta para me virar e dizer a A-ya umas poucas e boas. Mas ao invés disso, eu fiquei boquiaberta. Eu estava olhando para mim. Na verdade, uma versão de nove anos minha. Eu tinha visto comigo outras figuras antes delas serem dispersas por seja o que for que estava perseguindo Heath e eu.
— Olá. — Eu disse.
— Nossos peitos cresceram! — A criança disse, olhando para os meus seios. — Eu estou realmente feliz por nossos peitos terem crescido, finalmente!
— Sim, foi o que eu também pensei. Finalmente.
— Eu meio que pensei que eles fossem maiores. — A criança me pegou olhando para os meus seios antes de eu colocar meus braços, cobrindo meu colo, o que era ridículo porque ela era eu – e isso era muito estranho. — Mas, oh, poderia ser pior, eles poderiam ser como os da Becky Apple. Hehehe!
A voz dela continha tanta alegria que me fez sorrir em resposta, mas só por um segundo. Era como se fosse muito difícil para mim, sentir a alegria que nela parecia simplesmente jorrar.
— Becky Renne Apple. Você acredita que a mãe dela deu esse nome pra ela e ainda escreveu “BRA “ em todos os casacos dela?
Eu tentei, inutilmente, forçar um sorriso. — Sim, aquela pobre garota ficou traumatizada no seu primeiro dia de frio. — Eu suspirei e coloquei uma mão em meu rosto tentando entender por que eu me sentia tão triste.
— É porque eu não estou mais com você. — A criança disse. — Eu sou sua alegria. Sem mim, você nunca mais poderá ser feliz de verdade.
Eu olhei para ela, sabendo que, como A-ya, ela estava me falando a verdade.
Heath murmurou em seu sonho novamente, levando meus olhos para os dele. Ele parecia tão forte, normal e jovem, mas ele nunca mais poderia disputar uma partida de futebol. Ele nunca mais poderia manobrar seu caminhão que nem um caipira. Ele nunca seria um marido. Nunca seria um pai. Eu olhei dele para a garota de nove anos.
— Eu não acho que desejo ser feliz novamente.
— Sinto muito por você, Zoey. — Ela disse e desapareceu.
Sentindo-me um pouco tonta e ainda ligada. Eu continuei a andar.
A visão seguinte de mim mesma não me fez tremer ou fez sombra alguma. Essa versão ficou bem perto de mim, bloqueando minha passagem, meu andar. Ela não se parecia comigo. Ela era muito alta, seu cabelo era longo, selvagem e brilhante. Bem ela não era parecida até eu encontrar seus olhos e ver nossa semelhança – nós tínhamos os mesmos olhos. Ela era outra parte de mim. Eu a conhecia.
— Então quem é você? — Eu disse com cansaço. — E que parte de mim eu vou perder se não te chamar de volta?
— Você pode me chamar de Brighid. Sem mim, você não terá força, energia.
Eu suspirei. — Eu estou muito cansada para ser forte agora. Que tal nós nos falarmos depois que eu tirar um cochilo?
— Você não entendeu, né? — Brighid balançou sua cabeça desdenhando. — Sem nós, você não tirará um cochilo – não se sentirá melhor – não descansará. Sem nós, você se sentirá mais e mais incompleta e ficará à deriva.
Eu tentei me focar através da dor de cabeça que estava destruindo minhas têmporas. — Mas eu estarei à deriva com Heath.
— Sim, possivelmente estará.
— E se você voltar para mim, eu estarei deixando Heath.
— Sim, possivelmente.
— Eu não posso fazer isso. Não posso retornar ao mundo sem Heath.
— Então você realmente estará despedaçada. — Sem nenhuma outra palavra, Brighid desapareceu.
Minhas pernas ficaram bambas e eu sentei com força no musgo. Eu só percebi que estava chorando quando minhas lágrimas começaram a fazer marcas molhadas no meu jeans. Eu não sei por quanto tempo fiquei ali. Curvada pela dor, dúvida e cansaço. Mas um ruído entrava em minha mente: asas, ruído, batendo contra o vento, voando lentamente, mergulhando, procurando.
— Vamos, Zoey, nós precisamos ir mais além no bosque.
Eu olhei acima para ver Heath olhando atentamente para mim. — Isso tudo é culpa minha. — Eu disse.
— Não, não é, mas o que importa de quem é a culpa? Isso está feito, baby, e não pode ser desfeito.
— Eu não posso te deixar, Heath. — Eu solucei.
Ele afastou umas mexas de cabelo que estavam em meu rosto e entregou-me um pacote de lenços de papel. — Eu sei que você não pode.
O som de asas enormes ficou mais alto. Três ramos balançaram em resposta.
— Zo, vamos falar disso depois, ok? Agora nós precisamos nos mexer novamente. — Ele me levantou segurando em um dos meus cotovelos e começou a me guiar ainda mais dentro do bosque, onde as sombras eram mais escuras e as árvores pareciam ainda mais antigas.
Eu o deixei me levantar. Eu me sentia melhor me mexendo. Não bem. Eu não me sentia bem. Mas era melhor quando eu não estava presa.
— É ele, não é? — Eu disse.
— Ele? — Heath perguntou enquanto me ajudava a passar por uma grande pedra cinza.
— Kalona. — A palavra parecia ter mudado o ar entre nós. — Ele veio aqui por mim.
Heath me deu um olhar afiado e respondeu.
— Não, eu não vou deixar ele te pegar!


Stevie Rae

— Não, eu não vou deixar ele te pegar! — Dragon disse.
Igualmente cada um na Câmara do Conselho, Stevie Rae ficou parada olhando para o Mestre de Espadas, que parecia estar prestes a estourar todos os vasos sanguíneos.
— Hum, ele quem, Dragon? — Stevie Rae disse.
— Aquele Corvo Escarnecedor que matou minha mulher! É por isso que você não pode sair sozinha até nós capturarmos e destruirmos aquela criatura.
Stevie Rae tentou ignorar aquele sentimento de vazio que as palavras de Dragon a fizeram sentir e também a horrível culpa que ela presenciava, vendo seu coração partido e sabendo que mesmo que Rephaim tivesse salvado sua vida duas vezes seria apenas um fato porque ele matara Anastasia Lankford.
Ele mudou. Ele é diferente agora, ela pensou, desejando que pudesse falar aquilo alto e não deixar todo o mundo desabar em volta deles.
Mas ela não podia contar para Dragon sobre Rephaim. Ela não podia contar a ninguém sobre o Corvo Escarnecedor. Ao invés disso, ela começou, outra vez, a entrelaçar a mentira com a verdade, formando uma onda de subterfúgios e enganos.
— Dragon, eu não sei que Corvo era esse que estava no parque. Quer dizer, não foi como se ele estivesse dito o nome ou alguma coisa assim.
— Eu acho que ele era o líder, Ref- alguma coisa — Dallas disse, mesmo com Stevie Rae dando a ele um olhar...
— Rephaim. — Dragon disse soando como a morte.
— Sim, é isso. Ele era enorme, exatamente como vocês descreveram, e seus olhos eram iguais aos de humanos. — Além disso, tinha uma coisa sobre ele. É óbvio que ele pensou que era besteira.
Stevie Rae reprimiu o impulso de tapar a boca de Dallas, talvez até o nariz também. Sufocando-o suficiente para que ele parasse de falar.
— Ah, Dallas, tanto faz. Nós não sabemos quem era aquele corvo. E, Dragon, eu não consigo entender por que você está tão preocupado, nós estamos apenas falando de eu ir até o convento falar com a vovó Redbird sobre Zoey. Eu não estou indo para um lugar deserto ou coisa assim.
— Mas Dragon tem um bom argumento. — Lenobia disse. Erik e a professora Penthasilea assentiram com a cabeça, os desacordos deles sobre Neferet e Kalona temporariamente foram postos de lado. — Esse Corvo apareceu onde você estava comunicando-se com a terra.
— É muito simples dizer que ela apenas estava se comunicando coma terra.
Dragon disse rapidamente entre a pausa de Lenobia. — Assim como Stevie Rae nos explicou, ela estava falando com poderes antigos de bem e mal. Aquela criatura aparecer durante a manifestação do mal não pode ser uma coincidência.
— Mas o Corvo não estava me atacando, ele estava...
Dragon levantou uma mão para silenciá-la. — Sem dúvida foi atraído pela Escuridão. Você não pode saber com certeza se a criatura iria ou não te atacar.
— Nós também não temos certeza se só há um Corvo Escarnecedor em Tulsa. — Lenobia disse.
O pânico inundou o estômago de Stevie Rae. E se todo mundo ficasse tão desesperado com a possibilidade de haver um monte de corvos em Tulsa que não deixassem mais ela sair e consequentemente ver Rephaim?
— Eu estou indo para o convento ver a vovó Redbird. — Stevie Rae disse, firme. — E eu não acho que há um bando desses malditos Corvos por aqui. O que eu realmente acho é que um garoto-pássaro de algum jeito veio parar aqui, e ele estava no parque porque foi atraído pela Escuridão. E eu tenho certeza que não chamarei mais a Escuridão para mim, então ele não tem nada mais para fazer atrás de mim.
— Não subestime o perigo daquela criatura. — Dragon disse. Sua voz agora estava triste e sombria.
— Eu não irei subestimar. Mas isso não me manterá trancada no campus. Eu não acho que nenhum de nós deveria fazer isso. — Stevie Rae disse rapidamente. — Quer dizer, nós devemos ser cuidadosos, mas não podemos deixar o medo do mal governar nossas vidas.
— Stevie Rae tem um argumento válido. — Lenobia disse. — Na verdade, eu acredito que nós devemos colocar a escola novamente em seus horários, incluindo os calouros vermelhos nas classes.
Kramisha, que até então tinha ficado sentada à esquerda de Stevie Rae bem quieta, suspirou suavemente. Ela ouviu Dallas, que estava sentado à sua direita, suspirar nervosamente. Ela deu um sorriso e disse, — Essa é realmente uma boa ideia.
— Eu não acho que nós deveríamos dizer muito sobre o estado de Zoey. — Erik disse. — Pelo menos não até que alguma coisa, bem, permanente aconteça.
— Ela não vai morrer. — Stevie Rae disse.
— Eu não quero que ela morra! — Erik disse, parecendo obviamente irritado com o pensamento de Stevie Rae. — Mas com tudo que aconteceu por aqui ultimamente, incluindo o aparecimento do Corvo, a última coisa que nós precisamos é de fofoca.
— Eu não acho que nós deveríamos nos calar. — Stevie Rae disse.
— Que tal fazermos um acordo. — Lenobia disse. — Respondam perguntas sobre Zoey quando elas forem feitas, focando na verdade – que todos estão trabalhando para trazê-la de volta do Outromundo.
— E nós devemos dar um aviso a todos os calouros em geral para que se virem ou ouvirem alguma coisa anormal, nos avisar. — Dragon completou.
— Isso soa razoável. — Penthasilea disse.
— Tudo bem, isso soa bom para mim também. — Stevie disse. Então ela pausou para completar, — Hum, eu imagino que possa voltar às classes em que eu parei antes?
— Sim, eu também estava imaginando isso. — Disse Kramisha.
— Eu também. — Dallas disse.
— Os calouros devem comparecer à todas as classes, voltando para onde as deixaram. — Lenobia disse, sorrindo para Kramisha e Dallas. Então ela se virou para Stevie Rae. — Vampiros escolhem os caminhos de suas carreiras e as áreas em que eles desejam se especializar – não aprendendo com outros calouros, mas com professores que são experts no que fazem. Você sabe o que quer estudar?
Mesmo com todos olhando para ela, Stevie Rae não hesitou em responder. — Nyx. Quero estudar para ser uma Alta Sacerdotisa. Eu quero ser uma porque sempre sonhei com isso, e não porque eu sou a maldita primeira vampira vermelha conhecida no universo.
— Mas você não tem uma Alta Sacerdotisa que te oriente – desde que Neferet se foi. — Penthasilea disse, olhando para Lenobia.
— Então eu acho que estudarei por conta própria até nossa Alta Sacerdotisa voltar.
Ela encontrou os olhos de Penthasilea, e adicionou. — Eu posso te prometer que nossa Alta Sacerdotisa não será Neferet. — Stevie Rae levantou. — Ok, bem, eu vou para o convento, como tinha dito. Quando eu voltar, vou procurar o resto dos calouros vermelhos e avisar sobre a volta às aulas de amanhã.
Todos começaram a sair da sala quando Dragon a puxou de lado. — Eu quero que você prometa que será cautelosa. — Ele disse. — Você tem milagrosos poderes de cura, mas você não é imortal, Stevie Rae. Você deve se lembrar disso.
— Eu serei cuidadosa, prometo.
— Eu irei com ela. — Kramisha disse. — Eu vou manter os olhos no céu para ver antes essa coisa imunda que chamam de pássaro. Eu gritarei muito. Se um deles resolver aparecer, o mundo todo saberá que ele está lá.
Dragon assentiu, mas não parecia convencido, e Stevie Rae ficou aliviada quando Lenobia o puxou e começou uma conversa de fazer as aulas de artes marciais dele serem obrigatórias para todos os calouros. Stevie Rae saiu de fininho da sala, tentando descobrir como ela iria livrar-se de Kramisha, que ultimamente estava muito grudenta, quando Dallas as parou.
— Será que eu posso falar um instante antes de você ir?
— Eu estarei no carro de Zoey. — Kramisha disse. — E não, você não vai sem me levar.
Stevie Rae a assistiu marchar para o corredor antes de virar-se relutantemente para Dallas.
— Nós podemos ir para lá? — Ele disse, apontando para o deserto centro de mídia.
— Claro, mas eu tenho que ir rápido.
Sem dizer nada, Dallas abriu a porta para ela e eles entraram na legal e escura sala que cheirava a livros e limões polidos.
— Você e eu. Não precisamos mais estar juntos. — Dallas disse.
— Ahn? Como não precisamos mais estar juntos? O que você quer dizer?
Dallas cruzou os braços sobre o peito e olhou super desconfortável. — Quero dizer que nós estamos terminando. Você é minha namorada. Você não quer ser mais, e eu entendo, eu não poderia fazer merda nenhuma para te proteger daquele pássaro. Eu só quero que saiba que não vou me tornar um idiota sobre mim e você. Eu ainda estarei lá quando você precisar, porque você será sempre minha Alta Sacerdotisa.
— Eu não quero terminar! — Ela gritou.
— Não quer?
— Não. — E ela não queria mesmo. Naquele instante, Dallas era tudo que ela conseguia ver e seu coração e bondade e Stevie Rae sentiu que se o perdesse, seria como se alguém tivesse arrancando seus órgãos. — Dallas, desculpa por tudo que eu disse antes. Eu estava machucada e irritada, eu não percebi. Eu não podia sair daquele círculo, eu fiz aquilo tudo. Não tinha jeito de você ou qualquer outro, nem mesmo um Guerreiro, entrar ali.
Os olhos dele encontraram os dela. — Aquele Corvo entrou no círculo.
— Bem, como você mesmo disse, ele está do lado da Escuridão. — Ela disse, mesmo sabendo que ouvir Dallas falando mal de Rephaim era como se estivessem jogando água fria na cara dela.
— Tem muita coisa do lado da Escuridão aqui. — Dallas disse. — E muitas delas parecem estar atrás de você. Então tenha cuidado, você vai ter né, garota? — Ele chegou mais perto e tirou um fio de cabelo loiro de seu rosto. — Eu não suportaria se alguma coisa acontecesse com você. — Ele deixou sua mão descansar no ombro dela e seu dedo gentilmente acariciou o pescoço dela.
— Eu serei cuidadosa. — Ela disse gentilmente.
— Você realmente não quer terminar?
Ela balançou a cabeça para os lados.
— Eu estou feliz, porque também não queria.
Dallas inclinou-se para puxar Stevie Rae para os seus braços. Os lábios dele encontraram os dela num beijo hesitante. Ela disse a si mesma para relaxar e derreteu-se em seus braços. Ele beijava bem – sempre beijou. E ela gostava que ele fosse mais alto que ela, mas não loucamente mais alto. Ele tinha um gosto bom, também. Ela sabia que ela gostava que esfregassem suas costas, então quando ele colocou seus braços em volta dela foi para baixo de sua blusa – não tentou passar a mão em seus seios, como a maioria dos garotos faria. Ao invés disso ele começou a passar a mão suavemente por toda a parte inferior de suas costas, pressionando-a mais perto dele e intensificando o beijo.
Stevie Rae o beijou de volta. Era bom estar com ele... Bloquear tudo... Esquecer-se por um instante de Rephaim e tudo mais... Especialmente pelo débito que ela pagou e que a fez...
Stevie Rae se afastou de Dallas. Os dois estavam um pouco sem ar.
— Eu, bem, realmente tenho que ir. Lembra? — Stevie Rae sorriu para ele, tentando não soar tão estranha quanto ela se sentia.
— Na verdade, eu quase esqueci. — Dallas disse, sorrindo docemente e tirando mais um vez aquele fio de cabelo teimoso dos olhos dela. — Mas eu sei que você tem que ir, vamos eu te acompanho até o carro.
Sentindo-se um pouco traidora, um pouco mentirosa e um pouco uma prisioneira mentirosa, Stevie Rae deixou ele levá-la até o carro de Zoey como se eles realmente, verdadeiramente pudessem ser namorados de novo.

6 comentários:

  1. ela ta quase igual a zoey no problema (NAMORO) <3o_O
    kkkkkk ass manu ...

    ResponderExcluir
  2. será q é problema de td Alta Sacerdotisa n saber se decidir e rer um monte de namorado? eu hein decidam se logo gente

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!