5 de outubro de 2015

Capítulo 16 - Stevie Rae

Stevie Rae normalmente não tinha problemas para dormir. Ok, era um clichê terrível, mas durante o dia ela dormia como se estivesse, bem, morta. Mas não naquele dia. Naquele dia ela não foi capaz de calar sua mente – ou, talvez fosse mais verdadeiro dizer que ela não foi capaz de calar sua culpa. O que ela ia fazer com Rephaim? Ela deveria contar a Zoey – era isso que ela deveria fazer. Absolutamente sem sombra de dúvidas.
— Claro, e então Z vai surtar como um gato num quarto cheio de cadeiras de balanço — ela murmurou para si mesma, e continuou a caminhar de um lado para o outro na frente do túnel. Stevie Rae estava sozinha, mas ela continuava a olhar furtivamente ao redor, como se esperasse que alguém aparecesse. E daí se alguém descesse procurando por ela? Ela não estava fazendo nada errado! Ela apenas não conseguia dormir, só isso. Pelo menos ela desejava que fosse só. Stevie Rae parou de andar e olhou para a calma escuridão do túnel que ela tinha feito na terra não muito tempo antes. O que diabos ela ia fazer sobre Rephaim? Ela não podia contar a Zoey sobre ele. Zoey não entenderia. Ninguém iria. Droga, nem Stevie Rae entendia a si mesma! Ela só sabia que não podia entregar ele – não podia trair ele para todo mundo. Mas quando ela não estava perto dele, quando Stevie Rae não podia ouvir a voz dele e ver a dor muito humana em seus olhos, ela estava quase na beira do pânico e preocupação que esconder um Corvo Escarnecedor só provava que ela estava perdendo seu bom senso. Ele é seu inimigo! O pensamento continuava a passar por sua mente, saindo de controle como um pássaro ferido.
— Não, agora ele não é meu inimigo. Agora ele está ferido.
Stevie Rae falou para o túnel, para a terra que a centrava e a fortalecia. Os olhos de Stevie Rae se arregalaram quando atingiu ela. Era o fato de que ele estava ferido que causou essa confusão! Se ele estivesse inteiro e atacando ela, ou a qualquer outro, ela não teria hesitado para se proteger ou a qualquer outro. Então, e se eu levar ele para algum lugar onde ele possa se curar? Sim! Essa era a resposta! Ela não tinha que proteger ele. Ela só não queria entregar ele para ser massacrado. Se ela levasse ele em segurança para algum lugar onde ele não fosse incomodado, Rephaim poderia melhorar e então escolher seu próprio futuro. Ela tinha escolhido! Talvez ele escolhesse se juntar aos bons contra Kalona e Neferet. Talvez não. Seja como for, não seria preocupação dela. Mas onde ele podia ir? E então, encarando o túnel, ela percebeu a resposta perfeita. Isso ia significar que ela ia ter que admitir alguns dos seus segredos, e ao fazer isso ela se perguntou se Zoey poderia entender porque Stevie Rae tinha escondido coisas dela. Ela tem que entender. Ela vai ter que fazer escolhas bem impopulares também. E de qualquer forma, Stevie Rae tinha a suspeita que Zoey não ficaria tão surpresa pelo que ela tinha dito a ela; ela provavelmente esteve por conta própria por um tempo agora. Então ela iria contar a Z sobre as coisas, o que iria, pelo menos, assegurar que para onde ela enviasse Rephaim não virasse a Central de calouros tão cedo. Ele não ficaria exatamente sozinho e totalmente seguro, mas ele estaria longe do alcance dela e não seria mais sua responsabilidade – ou dependência de Stevie Rae.
Se sentindo excitada e mais do que um pouco feliz por ter descoberto uma solução para seu terrível problema, Stevie Rae se concentrou e checou seu relógio interno. Ela tinha cerca de uma hora até o por do sol. Em um dia normal ela nunca iria se safar com o que ela planejava fazer, mas hoje ela podia sentir a fraqueza do sol, que tentava, mas falhava, brilhar através da espessa camada de nuvens cinzentas, cheias de gelo que parecia ter se instaurado sobre Tulsa. Ela tinha certeza que não pegaria fogo se fosse para fora. Ela também tinha certeza que não havia freiras intrometidas por perto, com o gelo derretendo e tudo do lado de fora da abadia congelado e escorregadio. O mesmo valia para calouros normais. Os calouros vermelhos eram a menor de suas preocupações, pelo menos até o anoitecer. Eles ainda estavam enfiados no porão. É claro, todo mundo ia começar a levantar em uma hora e, se ela conhecia Z, e ela conhecia, eles fariam uma enorme reunião para decidir o que fazer em seguida, o que significa que Zoey iria esperar que ela estivesse presente. Stevie Rae mordia as unhas nervosa. Era durante a grande reunião do ‘o que vamos fazer agora’ que ela tinha que contar a Zoey, e a todo mundo, sobre seus segredos. Cara, ela não estava ansiosa por essa reunião. Para acrescentar mais ansiedade, também havia o fato de que Aphrodite teve outra visão. Stevie Rae não sabia o que ela tinha visto, mas através de seu Imprint ela sentiu a agitação que a visão tinha causado a Aphrodite, agitação que cresceu e sumiu, o que provavelmente significava que Aphrodite estava dormindo. Isso era uma coisa boa porque ela não queria que ela estivesse psiquicamente ciente o bastante para fazer ideia do que Stevie Rae estava planejando. Ela só podia esperar que Aphrodite já não soubesse demais.
— Então é agora ou nunca. Hora de agir — Stevie Rae sussurrou para si mesma. Sem se dar a chance de amarelar, ela foi rápida e silenciosamente subir as escadas até o porão da abadia. Certa o bastante, todos os calouros vermelhos ainda estavam deitados e totalmente apagados. O ronco distinto de Dallas passava pelo quarto escuro, quase fazendo ela sorrir. Ela foi até sua cama vazia e tirou o cobertor. Então retrocedeu alguns passos pelo porão e se moveu com confiança sobrenatural na escuridão até a boca do túnel. Sem hesitar ela entrou nele, adorando o cheiro e a sensação de estar cercada por terra. Embora ela soubesse que o que ela estava para fazer podia se tornar o maior erro da sua vida, a terra ainda era capaz de tocar ela e acalmar ela, suavizando seus nervos como o abraço familiar de um pai.
Stevie Rae seguiu o túnel até a primeira curva. Ali ela parou e soltou o cobertor. Ela respirou fundo três vezes, se centrando. Quando ela falou, sua voz estava um pouco acima de um sussurro, mas carregava tanto poder que o ar ao redor literalmente tremeu como ondas de calor na estrada no verão.
— Terra, você é minha, assim como sou sua. Eu te invoco. — O túnel ao redor de Stevie Rae imediatamente se encheu com o cheiro de campo, e o som do vento passando pelas árvores. Ela podia sentir a grama que não estava ali, abaixo de seus pés. E isso não era tudo que Stevie Rae podia sentir. Ela sentia a terra ao redor dela, e era essa sensação de seu elemento – um conhecimento da terra como uma entidade viva, que Stevie Rae se prendeu. Ela ergueu seus braços a apontou seus dedos para o baixo teto do túnel de terra. — Eu preciso que você abra para mim. Por favor. — O teto tremeu e terra foi empurrada, devagar a principio, e então, com o som de uma velha mulher suspirando, a terra se abriu acima de Stevie Rae. Ela segurou um pequeno ofegar de realização enquanto fazia o resto da conexão com o cheiro. Os calouros vermelhos, aqueles outros calouros vermelhos – os que ela estava tão relutante em revelar a Zoey – tinham o mesmo cheiro. Não era uma combinação perfeita, e ela duvidava que um nariz menos afiado que o dela pudesse fazer a conexão, mas ela podia. Ela fez. A conexão que fez seu próprio sangue frio com um presságio.
— De novo, você veio sozinha — Rephaim disse.

4 comentários:

  1. Issoooooo vai dar muita merda 😲

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  2. e isso vai dar coco! kkkk

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  3. Eu quero muuuuito que o Rephaim fique do lado dos mocinhos. Ele é só mais um influenciado pelo Kalona, ele precisa largar essa vida.

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