11 de outubro de 2015

Capítulo 16 - Neferet

— Lynette, minha querida, você está linda de preto, e o modelo clássico dessa calça se adequa a você. Acho que calças sociais são muito mais femininas e atraentes do jeans não acha?
— Sim, eu acho. Vestir calça jeans denigre o visual das mulheres — Lynette estremeceu. — Eu particularmente não gosto do chamado jeans boyfriend. Será que essas meninas não possuem espelhos? Onde estão suas mães? É vergonhoso.
Neferet sorriu para sua adoradora. Era essa franqueza e intolerância para com sua própria espécie que a Deusa achava tão refrescante sobre Lynette. Mesmo agora, quando Neferet podia sentir as ondas de medo e nervosismo que fluíam através da mulher, Lynette era capaz de se envolver em uma conversa honesta e interessante com ela.
— Quando eu era menina, era inédito para as mulheres a usá-las. Havia muitas coisas que precisavam mudar quando entramos no século XX, mas a aceitação dessas calças jeans horríveis como a moda para as mulheres não era uma delas — disse Neferet.
— Eu não poderia concordar mais com você. Não sou uma Deusa, então não estava viva em 1800 — Lynette parou para curvar-se graciosamente para Neferet, o que nunca falhou em agradar a Deusa — mas sei que a moda era mais apropriada naquela época.
— Você é tão sábia, minha querida. E é por isso que estou ansiosa para contemplar o espetacular evento de adoração que você produzirá depois de voltar com os novos trajes. Está preparada para a sua aventura?
Lynette empalideceu um pouco, mas baixou a cabeça lentamente e disse exatamente o que Neferet queria ouvir:
— Se acredita que estou preparada, então eu estou.
— Judson, certifique-se de cuidar bem de Lynette. Ela é a minha veneradora favorita e eu ficaria muito irritada se alguma coisa desagradável acontecesse com ela.
— Sim, Deusa — Judson respondeu automaticamente.
Seu comando para Judson foi um lembrete para Lynette. Neferet não esperava outra resposta do carregador possuído. A gavinha das Trevas que se aninhava dentro dele garantiria a sua total cooperação e lealdade, mas a querida Lynette precisava ser lembrada de que, mesmo que estivesse fora da visão de Neferet, ela não estava fora de seu controle. A Deusa gostava de sua humana de estimação; porém isso não significava que confiava nela.
Neferet olhou para os filamentos das Trevas que se contorciam em constante movimento em torno dela.
— Você, você e você — ela acariciou três dos mais grossos e longos filamentos com o dedo, apreciando a fria sensação maleável da sua carne. — Eu ordeno que vocês acompanhem Lynette e Judson. Permaneçam escondidos dos olhos humanos. Vocês podem cada um, consumir um humano como sacrifício, depois que Lynette fizer suas compras com segurança e estar fora da loja de fantasias. E se comerem o taxista, certifiquem-se de que ele tenha conduzido Lynette e Judson de volta para a biblioteca. Então, esta é a minha ordem: Com a noite, a névoa e a magia tornadas reais, Lynette e Judson vocês devem ocultar. Devolvê-los para mim, inteiros e de forma segura, então, com vocês vou me alegrar!
Os filamentos que ela tinha escolhido estremeceram de prazer quando ela os acariciou e falou as palavras rítmicas que fizeram de seu comando um feitiço. Neferet sentiu o medo e o desgosto de Lynette. A Deusa sabia que seus filhos repeliam a humana, e que o maior terror de Lynette não era sobre a sua morte, mas sobre ser possuída por um deles. Mas a humana nunca permitiu sua repulsa fosse visível. Ela usava uma máscara agradável em todos os momentos, e Neferet apreciava o talento e tenacidade que levavam Lynette a fazer isso.
Ela também apreciava o fato de que Lynette faria qualquer coisa por Neferet para que não fosse ser possuída. Esse era o tipo de lealdade que Neferet compreendia e podia controlar. Ela sorriu para sua suplicante favorita.
— Lynette, para mostrar o meu apreço por você, decidi encobri-la eu mesma quando você deixar o meu Templo. Considerei isso com cuidado, e simplesmente não é certo você ter que se juntar ao lixo e escapulir sob meu comando.
— Pelo qual eu sou grata, Deusa — Lynette respondeu, com verdadeira surpresa.
Neferet riu e fez um gesto para Lynette acompanhá-la através do salão de baile para as grandes portas da frente de ferro e vidro.
— Não deveríamos esperar um pouco mais? — Lynette perguntou, tentando corajosamente mascarar o seu medo. — O sol acabou se pôr. Nem mesmo parece estar totalmente escuro do lado de fora.
— Não há nada mais para você se preocupar — Neferet assegurou-lhe, envolvendo o braço em volta dos ombros familiares de Lynette. — Não precisa estar totalmente escuro para eu chamar os poderes da noite para encobri-la — ela fez uma pausa enquanto passavam pela mesa da recepcionista. Kylee ficou, é claro, alerta e em seu lugar. — Existem muitos seres humanos à espreita do meu Templo?
— Não que eu tenha visto, Deusa. Até mesmo a polícia está mantendo distância.
— Excelente, embora eu só pergunte por causa do entretenimento. Lynette, tenha certeza de que posso escondê-la tão completamente que toda a força policial poderia estar assistindo e não veria nada além de sombras e névoa.
— É bom saber disso.
— Kylee, chame um táxi para Lynette e Judson. Diga ao motorista para buscar este lindo casal na entrada principal da Biblioteca Central.
— Sim, Deusa.
— Agora, Lynette, preciso que você se junte a mim nas portas. Vou chamar a neblina e as sombras para dentro, e quando eu gesticular para você deste modo — Neferet varreu a mão regiamente em direção às portas — então você e Judson podem sair. Façam o seu caminho rapidamente para a Denver Street. Nós não queremos que o táxi saia e você tenha que ficar lá, sozinha, com meus filhos famintos.
— Não, nós não queremos isso — Lynette concordou às pressas. Depois acrescentou: — Deusa, posso fazer uma pergunta?
— Claro, minha querida.
— Como é que eu vou caminhar através de seu... — a humana hesitou, obviamente lutando para encontrar a palavra correta. — Sua barreira de proteção? — Ela finalmente se decidiu.
— Ela vai abrir facilmente com o meu comando — Neferet podia ver que Lynette ainda lutava com uma questão. — Se alguma coisa a está preocupando, simplesmente me diga e farei com que não seja mais.
— É o sangue e o mau cheiro. Estou preocupada com isso ficando na minha roupa — Lynette falou rapidamente.
— É claro que sim. Seria tão inadequado quando você estiver comprando, e chamaria demasiada atenção para você. Não se preocupe mais, minha cara. Você e Judson devem passar intocáveis pela minha barreira.
— Obrigada, Deusa — ela disse com alívio genuíno.
— Por nada. E agora, enviarei-a para fazer o que mandei — Neferet encarou as portas e levantou os braços, olhando através do vidro coberto de Trevas à noite além.

“Ouçam-me, sombras e escuridão além,
Ao meu comando vocês devem responder
Cobrindo meus servos com escuridão e noite
Escondidos pela vontade, concebidos pelo meu poder.
Escuridão e névoa para quem veja
Sombras eles se tornam, que assim seja!”

Neferet podia sentir o poder da noite pulsando além de seu Templo. As coisas que vinham da noite, as sombras mais profundas, a escuridão que nem mesmo uma lua cheia poderia penetrar – foram essas coisas que ouviram seu chamado. A resposta delas vibrava através de seu corpo com o pulsar de seu coração. Ela os reuniu, concentrando-os em sua vontade, e se preparou para soltá-las, para que pudessem esconder Lynette e Judson, assim como eles muitas vezes escondiam seres que escolheram para abraçá-los.
Foi um instante antes de Neferet lançar seu feitiço que ela sentiu. Era como se as paredes de seu Templo estremecessem. Passou pela sua mente o pensamento de que algo estranho havia ocorrido, mas Neferet estava focada demais nas sombras e na noite para lhe dar muita atenção. Em vez disso, ela varreu os braços em direção às portas e a ocultação que esperava a sua noite, enquanto liberava seus filhos voluntariosos e cheios de sangue para partirem com Lynette e Judson.
Como Neferet esperava, Lynette não se permitiu hesitar. A Deusa tinha lido na mente da humana que ela equiparava hesitação com fraqueza, e Lynette não tinha a intenção de mostrar qualquer fraqueza. Então ela caminhou até as portas, escancarou-as e caminhou propositadamente através da barreira de sangue aberta e entrou numa sombra escondida.
— Bem, o que vocês estão esperando? — Neferet deu a Judson e os três filamentos um olhar irritado. — Sigam-na!
Judson avançou mecanicamente com os três filamentos das Trevas agarrados a seus pés, mas em vez de passar através da barreira de seu Templo para a ocultação que Neferet convocara, eles colidiram com um muro de fogo escarlate.
Por um instante, Neferet estava chocada demais para responder. Ela apenas olhou para Judson, que gritava e batia nas chamas de suas roupas. Os três filamentos deixaram Judson no instante em que o fogo havia aparecera, deslizando de volta para ela.
— Vá embora, encobrimento! — um som como um trovão, seguido de comando e uma explosão cor de luar atirou luz através das sombras de camuflagem de Neferet, expondo os olhos arregalados de Lynette, congelada de terror no meio da calçada.
Ela também expôs o imortal, que caminhou para o meio da rua, asas e lança erguidas em posição de batalha. Esse era todo o incentivo que Neferet precisava.
— Crianças! Mutilem Kalona e eu deixarei que se sirvam com o seu sangue imortal! — ela rosnou o comando.
Ao seu redor, gavinhas de Trevas atiravam-se das sombras, subindo rapidamente em direção Kalona. Quando a primeira onda deles violou sua barreira de proteção, a parede de chamas rugiu para cima, engolindo-os inteiros.
— Não! Crianças! Voltem! Voltem para mim! — os tentáculos não consumidos pelas chamas rastejaram de volta para embrulhar-se em torno de seu corpo. — O que você fez? — ela gritou para Kalona.


— Os lados mudaram. Se não estivesse tão absorta, teria notado antes — ele respondeu. Então ele estendeu a mão para Lynette. — Venha comigo e você estará livre dela.
— Ela é minha Deusa. Eu não posso.
Incrédula, Neferet percebeu que Lynette parecia resignada, mesmo revoltada, e nem um pouco em adoração a ela. Isso a deixou furiosa.
— Volte para mim, Lynette! Eu te ordeno!
Kalona ignorou Neferet. Com a mão ainda estendida para a humana, ele disse:
— Nós a aprisionamos. Nada com má intenção pode sair ou entrar de seu Templo. E Neferet é incapaz de livrar-se da má intenção. Venha comigo e você estará protegida dela.
Lynette hesitou. Ela olhou para Neferet, obviamente avaliando a situação.
— Você é minha adoradora! Deve fazer o que eu mando!
Sem poder evitar, Neferet começou a se mover para frente, determinada a forçar a lealdade de Lynette, até a parede de fogo explodir com uma intensidade que a queimou. A Deusa cambaleou para trás, gritando de raiva e dor tão alto que seus gritos divinos ecoaram por toda a noite.
Lynette virou as costas para Neferet e segurou a mão de Kalona.
— Tire-me daqui!
— Tirarei.
— Lynette, ouça-me! — Neferet gritou, recuando. — Eu quebrarei este feitiço e me libertarei desta prisão, e quando o fizer, não haverá lugar neste ou outro reino em que você possa se esconder de mim. Eu a encontrarei e vou possuí-la como minha propriedade!
Lynette tropeçou, mas a mão forte de Kalona a manteve de pé. Ele continuou andando, ignorando Neferet.
— Kalona, ouça-me! Quando eu me libertar eu vou atrás de você também. Nunca se esqueça de que mantive o seu juramento, fazendo o que eu mandasse, uma vez antes. Vou fazê-lo de novo!
O imortal alado nem sequer se preocupou em se virar para olhá-la. Ele falou por cima do ombro:
— Sim, eu me lembro. Lembro-me também que não pôde me manter ligado a você.
— Da próxima vez eu não serei tão magnânima. Na próxima vez que nos encontrarmos, juro que vou destruí-lo como Nyx deveria ter feito quando você a traiu!
Isso deteve o imortal alado. Ele se virou para encará-la, e com uma voz que parecia compartilhar o poder da parede de fogo, Kalona explodiu para ela:
— Sabe por que Nyx não me destruiu quando escolhi cair? Porque Nyx é uma verdadeira Deusa – amorosa, bondosa, leal e gentil. Você? Você é uma criança petulante, mentirosa e uma usurpadora. Não importa o quanto vomite vingança ou o quanto queira caos, você nunca será uma Deusa!
Quando ele e Lynette desapareceram na noite, Neferet gritou sua fúria para o céu.


Zoey
Quando acordei, senti o cheiro do delicioso aroma familiar de milho doce assando e manteiga salgada derretendo. Ainda não totalmente acordada, sorri. Eu estava na casa da vovó. Vovó fazia o melhor milho doce no universo.
Então cometi o erro de abrir os olhos. Eu estava deitada em uma das colchas da Vovó, mas definitivamente não estava na casa dela. Eu estava olhando para o céu noturno através dos galhos caídos de um carvalho gigante. Então minha memória voltou com o resto dos meus sentidos e eu me sentei.
— Devagar, Zoey. Você não deve tentar se levantar ainda — disse a irmã Mary Angela. Quando ela correu para mim, a freira gritou: — Zoey está acordada — por cima do ombro.
— Aqui, beba isso — ela me entregou um copo de plástico.
Eu podia sentir pelo cheiro o que havia ali, vinho misturado com sangue, e minha boca começou a salivar. Eu hesitei em pegar, no entanto. Apenas parecia muito estranho, talvez até mesmo desrespeitoso, tirar sangue e vinho de uma freira.
Ela deu tapinhas em meu ombro.
— Ele vai fortalecer você. Pegue, beba e seja nutrida.
— Obrigada. Eu não lhe disse isso recentemente, mas realmente aprecio a sua grandiosidade. Você... você significa muito para mim — eu funguei, sentindo lágrimas no fundo da minha garganta.
Irmã Mary Angela sorriu.
— Bem, obrigada, Zoey. Aprecio o que acabou de dizer, mas prometo que você não vai se sentir tão emocional depois de beber isso.
— Ok.
Eu funguei novamente e virei a taça. Eu realmente não gosto de vinho, especialmente vinho tinto, mas tão perturbador quanto parece, eu adoro sangue. O sangue no vinho tem gosto de chocolate líquido, escuro e derretido. Meu paladar registrou o gosto imediatamente, e, em seguida, um instante depois o poder fluiu através do meu corpo, limpando as lágrimas iminentes dos meus olhos e as teias de aranha do meu cérebro. Olhei em volta e imediatamente vi Stevie Rae, Damien e Shaylin. Eles estavam acordados, de pé em torno da churrasqueira no lado de fora do parque, mastigando milho doce grelhado. Bem, pelo menos eu não tinha imaginado isso. Sorrindo, Vovó vinha em minha direção com uma espiga de milho em um prato de papel e outro copo plástico na mão. Comecei a sorrir para ela e então percebi quem eu não tinha visto.
— Onde estão Thanatos e Shaunee?
Vovó me entregou o prato, dizendo:
— Coma e termine de fortalecer-se, u-we-tsi-a-ge-ya. Thanatos está lá dentro, sendo bem cuidada.
Ela assentiu com a cabeça para um lugar atrás de mim, e eu me virei de modo que estava de frente para a base da árvore extremamente grande.
Uma lona branca fora estendida sobre e através dos galhos mais baixos, formando uma pequena tenda acima da mesa de ferro forjado do ritual. Suzanne Grimms e Rabina Bernstein estavam sentadas de cada lado da aba da frente aberta da barraca. As senhoras tinham os olhos fechados e as mãos dobradas em silêncio em uma oração meditativa. Através da abertura na tenda pude ver que todas as cinco velas da coluna tinham sido colocadas sobre a mesa. Elas enviaram um vacilante brilho quente sobre o monte de cobertores na base da mesa e a figura ainda que estava sobre a cama improvisada. Eu também podia ver que Shaunee estava sentada no chão, perto dos cobertores. Ela tomava de seu próprio copo. Havia duas espigas de milho comidas num prato de papel ao lado dela. Ela capturou o meu olhar e me deu um sorriso triste.
Comecei a me levantar, mas Vovó pressionou meu ombro para baixo, sentando ao meu lado.
— Comer e beber em primeiro lugar. Tirando Thanatos, você é a última a acordar.
— Então, ela está bem? Está apenas dormindo? — perguntei com a boca cheia de milho.
— Ela parece bem, embora não acorde. Diga-me, Zoey passarinha, você se lembra de seus sonhos?
Eu balancei minha cabeça.
— Eu só me lembro de ver todo mundo desmaiando, e então caí também.  Então senti o cheiro do seu milho e pensei que estivesse na sua casa.
Ela sorriu novamente.
— Eu trouxe suprimentos comigo. O milho sempre é comido depois de uma cerimônia Busk. Pensei que seria apropriado depois dessa cerimônia também.
— É perfeito, Vovó. E gostoso também. Como de costume — mordi rapidamente e engoli, então, perguntei: — Será que realmente funcionou? Tulsa está protegida do Mayo?
— Bem, eu não sei sobre o Mayo, mas Tulsa está protegida do resto do mundo.
Olhei para cima para ver o detetive Marx se aproximando de mim. Ele tinha o telefone na mão e um olhar chocado no rosto.
— O que significa isso? — perguntei.
— Isso significa que essa magia antiga que Thanatos lançou está funcionando exatamente como o feitiço que Cleópatra lançou em torno de Alexandria. As linhas de emergência estão inundadas. Aparentemente, há uma parede de fogo seletiva parando algumas pessoas dentro dos limites da cidade e impedindo outras de entrarem em Tulsa, o que inclui a equipe do FBI que deveria estar fornecendo os nossos reforços.
— O feitiço de Thanatos pediu para que ninguém com má intenção entrasse ou saísse de Tulsa — falei. — Uau, funcionou mesmo!
— O FBI pode ser um pé no saco, mas eles não nos querem mal — disse Marx.
— Eles têm pensamentos de violência. Você pensa que a violência é uma coisa positiva ou negativa, detetive? — perguntou Aurox, se juntando a nós.
Marx fez uma careta.
— Se eu tivesse que fazer uma categorização grosseira, teria que dizer que a violência é negativa, mas há muito mais do que isso. A violência pode ser utilizada de uma forma positiva, para proteger e servir. Eu sei um pouco sobre isso.
Vovó assentiu em reconhecimento.
— Estamos todos bastante certos de que você sabe, detetive. Tem sido o trabalho da sua vida.
— E da minha — disse Aurox. — É por isso que entendo tão intimamente. Seja ela de boa ou de má intenção, aqui devem ser feitas escolhas que não incluam violência. Thanatos viu a morte o suficiente para entender também. Ela lançou um feitiço tão primitivo e básico quanto a Magia Antiga, e como Zoey pode dizer, a Magia Antiga interpreta a intenção das pessoas mais do que qualquer outra coisa.
— A intenção de Thanatos não era apenas a de parar Neferet. Também era para acabar com a violência e o caos que está acontecendo em nosso mundo desequilibrado — concordei.
— Você entende — disse Aurox.
Comecei a dizer a ele que eu entendia e concordava, quando o telefone que deixei em meu bolso começou a tocar como louco.
— Desculpe, pensei que tivesse colocado no silencioso — falei, puxando-o para fora para ver foto de Aphrodite iluminando a tela.
— Fale com a sua Profetisa — disse Vovó.
Atendi ao telefone.
— Hey — cumprimentei.
— Volte para cá. Agora — Aphrodite disse.
— O que está acontecendo?
— Kalona está de volta. O feitiço funcionou. Um dos reféns de Neferet saiu. E dizer que Neferet está furiosa é como dizer que Louis Vuitton faz bolsas fofas. Olá, eufemismo da década.
— Ok, nós estamos a caminho — desliguei e encarei o pessoal, que agora incluía Stevie Rae, Damien e Shaylin. — Funcionou. Totalmente. E Kalona está com um dos reféns de Neferet. Eles estão esperando por nós na House of Night.
— Neferet vai ficar furiosa — disse Vovó.
— E difícil de conter — acrescentou Damien.
Olhei para a tenda que protegia Thanatos a tempo de ver Shaunee saindo para se juntar a nós. Ela parecia cansada, mas bem.
— O feitiço funcionou — falei para ela.
Shaunee acenou com a cabeça.
— Eu sei. Posso sentir sempre que as chamas do muro de proteção reagem.
— Você deve comer mais — disse Damien. — Você não parece recuperada ainda.
— Vou desembrulhar os sanduíches que eu trouxe e pegar mais milho — disse vovó, checando sua cesta de piquenique que parecia não ter fundo.
— Você parece muito cansada. Está tudo bem? — perguntei para Shaunee.
Ela não respondeu por tempo suficiente para que eu começasse a me preocupar. Finalmente, falou:
— Eu não estou mal, mas não estou bem, também. E posso dizer o mesmo de Thanatos.
— Será que ela acordou? — olhei ao redor Shaunee, mas tudo o que vi foi forma imóvel da Grande Sacerdotisa.
— Ela não está dormindo — Shaunee explicou. — Está meditando. É apenas o poder de sua intenção, misturado com o poder do meu elemento, que está segurando a magia no lugar.
— Por quanto tempo vocês duas conseguem continuar assim? — perguntou o detetive Marx.
Os ombros de Shaunee caíram.
— Eu não sei. É difícil, muito difícil e desgastante. É como se eu estivesse correndo uma maratona sem me mover. Não entendo como Cleópatra manteve sua magia por todos aqueles anos.
— Ela controlava Magia Antiga — eu me senti culpada como o inferno. — Eu gostaria de poder ajudá-las!
— Claro que você pode Z. Nós todos sabemos disso. E todos nós acreditamos que você vai descobrir como fazer isso — disse Stevie Rae.
— Volte para a escola, Z. Medite, reze, faça o que tem que fazer para encontrar uma maneira de usar a sua pedra da vidência — Shaunee falou. — Thanatos e eu não podemos aguentar por anos como Cleópatra fez.
— Espere, você não vai voltar para a escola com a gente? — perguntei.
— Eu ficarei aqui enquanto Thanatos precisar de mim. Prometi a ela.
Imediatamente eu me perguntei: O que eu devo fazer se tiver que lançar um feitiço e meu fogo estiver faltando? Mas eu não tive a chance de fazer a minha pergunta em voz alta porque um carro rugiu e os pneus gritaram em uma parada no estacionamento da rua lateral do parque. Nós todos nos viramos.
— É um Fastback Mustang 1968, pode até ser um Bullitt. Prata com uma faixa preta, assim como Eleanor no filme 60 segundos. Aquela garota é um monstro — disse o detetive Marx com aquela estranha apreciação que os homens parecem ter por carros potentes.
Erik saiu do lado do motorista.
— Pensei que Erik tivesse um Mustang vermelho novo — disse Shaylin.
— Ele tinha. Ele vendeu e comprou esse — Damien explicou.
— Claro que sim — Stevie Rae e eu falamos ao mesmo tempo.
— Meninas, sejam gentis. Erik é um homem jovem e bonito — disse Vovó.
— Suas cores estão ficando melhores — disse Shaylin. — Mas ele não é realmente o meu tipo.
Eu estava supercontente por Aphrodite não estar conosco, mas os comentários que eu podia imaginá-la fazendo me fizeram morder a bochecha para não rir.
— Oi, pessoal. Bom trabalho com o feitiço — disse Erik. Seu olhar foi para a tenda. — Thanatos está bem?
— Por agora — Shaunee respondeu.
— Isso significa que ela ou que o feitiço não vai ficar bem por muito mais tempo? — perguntou.
Shaunee soltou um suspiro frustrado.
— Olha, Erik, nós estamos fazendo o nosso melhor!
— Não, não, eu falei tudo errado. Não quero parecer negativo. Tudo o que vocês têm feito aqui é incrível. É que Kalona me mandou aqui para aliviar Marx e Aurox porque ele está chamando todos vocês de volta para a House of Night, e eu só queria saber quanto tempo ficarei aqui.
Eu fiz uma careta para ele.
— Como se fosse desgastante demais para você ficar aqui?
Ele passou a mão pelos cabelos em frustração.
— Não! Isso saiu errado também. Vou começar de novo — ele se virou e o Erik que nos enfrentou novamente era totalmente o ator – encantador, sorrindo, concentrado. — Ei, pessoal! Excelente trabalho com o feitiço! Kalona chamou vocês de volta para a House of Night. Eu ficarei aqui, no entanto, e cuidarei de Thanatos e Shaunee, durante o tempo que vocês precisem de mim.
Ainda fiz uma careta para ele, dizendo:
— Ninguém sabe quanto tempo o feitiço pode durar. Thanatos está meditando muito profundamente para falar. Shaunee a está ajudando com a parte do fogo, mas isso é tudo o que qualquer um pode fazer.
— E quatro mulheres sábias estão cuidando delas, enquanto elas lutam para manter a magia — acrescentou Vovó.
— O resto de nós está pronto para voltar para a escola — falei, levantando-me e limpando meus jeans. — Certo, galera?
Todos concordaram, exceto Aurox, que estudava Erik, pensativo. Ele disse:
— Kalona pediu exatamente para que eu voltasse?
— Sim, Kalona disse que você e Marx eram necessários na escola, e eu tomarei o seu lugar protegendo Thanatos.
Aurox olhou de Erik para mim, claramente pouco feliz.
— O que foi? — perguntei.
— Bem, Zo, Erik não é exatamente um Guerreiro — Aurox respondeu, tendo um de seus momentos soando assustadoramente como Heath.
— Ei, vai se ferrar! — disse Erik, inchando como um baiacu. — Eu não tenho que ser um Guerreiro para impedir que seres humanos intrometidos mexam com Thanatos e o resto das mulheres.
— Eu não quis desrespeitar o vampiro — disse Aurox, ignorando completamente Erik (o que só piorou a situação) e se dirigindo a mim. — Simplesmente desejo ter certeza de que nosso povo está protegido.
— Nosso povo? — Erik perguntou sarcasticamente. — Você não tem nenhum povo, Garoto Touro.
— Ok, já chega! — falei, quando Marx se colocou entre eles, porque o idiota do Erik parecia realmente prestes a dar um soco em Aurox. — Você não vai brigar neste solo sagrado.
— Seria um sacrilégio — Vovó disse, balançando a cabeça tristemente para Erik. — Erik Night, pensei que você entenderia melhor as coisas agora.
Ele deu um passo para trás, incapaz de encontrar os olhos da Vovó.
— Sinto muito. Você está certa.
— É Aurox quem merece o seu pedido de desculpas, não eu — Vovó respondeu.
— Eu estava errado. Sinto muito — disse Erik, oferecendo a mão para Aurox.
— Desculpas aceitas — Aurox apertou sua mão em um aperto de antebraço. — Eu realmente não queria desrespeitá-lo.
— Bem, eu realmente fui diminuído por você — disse Erik. — Você tocou um nervo com aquela coisa toda do Guerreiro.
— Entendido. Escolherei minhas palavras com mais cuidado no futuro.
— Isso, essa energia é o que este solo sagrado representa – a união dos povos e a compensação da inimizade — Vovó disse com satisfação. Então ela se virou para mim. — Volte para a escola com o resto do seu círculo, u-we-tsi-a-ge-ya. Nós vamos cuidar de Shaunee e da Grande Sacerdotisa. Deixe sua mente livre de preocupações quanto a elas — Vovó me abraçou com força. — Leve meu amor com você e permita que ele lhe dê força e sabedoria.
Agarrei-me a ela, desejando com todas as minhas forças que pelo menos um pouco da mulher sábia que a minha avó era passasse para mim e meus amigos.

6 comentários:

  1. se ERICK fazer merda bem ai eu entro nessa história e eu mesmo acabo com esse infeliz rum...

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    1. Hahahahahaha esse Erik não aprende mesmo né???!!!

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  2. esse erik ficando pior desculpe falar mas ele é falso a vida dele é um teatro completamente

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  3. A gente dêem uma chace para o nosso galã afinal as cores dele estão mudando pra melhor e ele não e um vilão vai provar sua lealdade assim como Rephain fez

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  4. Ah para néh .. chega ser ridículo o jeito desnecessário que esse povo contradiz o que o Erick diz =/
    A maioria deles ali fizera merdas, foram falso e egoístas ... só pq o cara é simples nas escolhas dele ele tem que ser o sem noção. Ele tem objetivo .. simples assim !!

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